segunda-feira, 23 de agosto de 2010

As civilizações clássicas - A civilização grega

Terceiro Ano - CNDL
Colégio Notre Dame de Lourdes
Terceiro Bimestre
Coleção Pitágoras
As civilizações clássicas - A civilização grega
Grécia Antiga é o termo geralmente usado para descrever, em seu período clássico antigo, o mundo grego e áreas próximas (como Chipre, Anatólia, sul da Itália, da França e costa do mar Egeu, além de assentamentos gregos no litoral de outras regiões, como no Egito). A História da Grécia tradicionalmente compreende o estudo não apenas da Grécia em si, mas também das áreas por eles governadas. O âmbito da habitação e governo do povo grego sofreu várias mudanças através dos anos e, como consequência, a história da Grécia reflete essa elasticidade. Cada era, cada período de sua História antiga, tem suas próprias características. Os primeiros gregos chegaram na Europa pouco antes de 1,5 mil a.C. A civilização grega estabeleceu tradições de justiça e liberdade individual, que viriam a se estabelecer como as bases da democracia contemporânea. A sua arte, seu pensamento filosófico e sua Ciência tornaram-se fundamentos do pensamento e da cultura ocidentais. Os gregos da antiguidade chamavam a si próprios de helenos (todos que falavam grego, mesmo que não vivessem na Grécia), e davam o nome de “Hélade” à sua terra, sendo considerado bárbaro todo povo que não fosse considerado grego e não falasse a língua grega. Ainda assim, os gregos nunca chegaram a formar um governo nacional, ainda que estivessem unidos pela mesma cultura, religião e língua; exatamente por isso o que temos é um conjunto de cidades-Estado que possuem entre si traços culturais em comum que as reúnem sob uma mesma designação: Grécia. Em outras palavras, não existiu um Estado politicamente unificado entre os gregos antigos. Situada na porção sul da Península Balcânica, o território da Grécia continental caracteriza-se pelo seu relevo montanhoso. Mas também faz parte do território grego uma região insular. Os gregos originaram-se de povos que migraram para a península balcânica em diversas ondas migratórias, com início no terceiro milênio a.C.; entre os invasores, merecem destaque os pioneiros: os aqueus, os jônicos, os dóricos e os eólios (todos indo-arianos provenientes da Europa Oriental). A História da Grécia antiga, para efeito didático, divide-se em cinco períodos, a saber:

- Pré-Homérico (1900–1100 a.C.): período anterior à formação do homem grego; nessa época, estavam se desenvolvendo as civilizações cretense ou minoica (na ilha de Creta) e a micênica (na parte continental).

- Homérico (1100–700 a.C.): período em que ocorre a chegada de Homero, que foi considerado marco na história por suas epopeias, a Ilíada e a Odisseia; há, também, o início da ruralização e da formação da comunidade gentílica (comunidade na qual um ajuda o outro na produção e colheita); plantavam apenas o que iriam consumir. - Arcaico (800–500 a.C.): formação da polis; colonização grega; aparecimento do alfabeto fonético, da Arte e da Literatura, além de progresso econômico com a expansão da divisão do trabalho, do comércio e processo de urbanização; é neste período em que os vários modelos das polis vão se constituindo, definindo assim a estrutura interna de cada cidade-Estado.

- Clássico (500–338 a.C.):
período de esplendor da civilização grega, ainda que discutível; as duas cidades consideradas mais importantes desse período foram Esparta e Atenas; além delas, outras cidades muito importantes foram Tebas, Corinto e Siracusa; nesse momento a História da Grécia é marcada por uma série de conflitos externos (Guerras Médicas) e internos (Guerra do Peloponeso).

- Helenístico (338–146 a.C.): crise da civilização grega, invasão macedônica, expansão militar e cultural helenística, a civilização grega se espalha pelo Mediterrâneo e se funde a outras culturas. Trataremos desses períodos, com mais atenção, em outro momento. Por ora, vejamos algumas importantes características da civilização grega, a começar por sua organização social e política. Em primeiro lugar, é importante evitar a confusão de se comparar a Grécia antiga com a Grécia moderna (isto é, atual): o mundo grego da antiguidade se estendia por uma área muito maior do que o território atual; além disso, se atualmente a Grécia constitui um país, a Grécia Antiga nunca foi um Estado unificado com governo único: era, na realidade, um conjunto de cidades-Estado independentes entre si, mantendo apenas algumas semelhanças como a língua.Desde o século VIII a.C., formaram-se pela Grécia antiga diversas cidades independentes. Em razão dessa independência, cada uma delas desenvolveu seu próprio sistema de governo, suas próprias leis, seu próprio calendário, sua própria moeda etc. Tais cidades eram denominadas de “polis” (que, em grego, nada mais significa que “cidade” — em seu âmbito político —), palavra costumeiramente traduzida por “cidade-Estado”. De modo geral, a polis reunia um agrupamento humano a habitar um território de extensão variável; compreendia uma área urbana e uma área rural: a área urbana concentrava o centro comercial e os polos manufatureiros onde artesãos e operários produziam armas, artigos de cerâmica, ferramentas variadas, tecidos, roupas, sandálias etc.; na área rural a população dedicava-se às atividades agropastoris como o cultivo do trigo, de oliveiras, da cevada, de videiras, bem como havia a criação de rebanhos de cavalos, cabras, ovelhas, porcos etc. Esse agrupamento, a cidade-Estado, visava atingir e manter uma completa autonomia sociopolítica para com as outras cidades-Estado gregas, embora houvesse comércio entre as cidades. Ainda que estivessem inseridos dentro de uma mesma civilização e possuíssem muitos elementos culturais em comum (falavam a mesma língua, tinham religião comum), os gregos passavam por conflitos e mantinham diferenças entre si. Em função disso, reconheciam-se como “helenos” (gregos) e chamavam de “bárbaros” todos os estrangeiros que não falassem sua língua e não tivessem seus costumes — ou seja, bárbaros eram, para os gregos, todos aqueles que não pertenciam ao mundo cultural grego.
Diante da iminente invasão, os gregos decidem esquecer as diferenças entre si e estabelecem uma aliança composta por 31 cidades (a Liga de Delos, acordo em que várias cidades gregas cediam armamentos e recursos financeiros para conter outras possíveis ações militares dos exércitos persas), entre as quais Atenas e Esparta, tendo sido atribuída a esta última o comando das operações militares por terra, enquanto Atenas comandava as organizações militares marítimas. As forças espartanas lideradas pelo rei Leônidas I conseguem temporariamente bloquear os persas na Batalha das Termópilas, mas tal não impede a invasão da Ática. O general Temístocles tinha optado por evacuar a população da Ática para Salamina e sob a direção desta figura Atenas consegue uma vitória sobre os Persas; em 479 a.e.c. os gregos confirmam a sua vitória desta feita na Batalha de Plateia.
Como dito acima, apesar da autonomia política das cidades-Estado, os gregos estavam unificados em termos religiosos. Praticavam uma religião de cunho politeísta antropomórfico: os deuses poderiam se envolver em aventuras fantásticas (que conhecemos como “mitos”). Entre as divindades cultuadas estavam: Zeus (senhor dos deuses), Poseidon (deus do mar), Afrodite (deusa do amor), Apolo (deus da luz e das artes), Dionísio (deus do vinho), Atena (deusa da sabedoria), Hera (protetora das mulheres) etc., deuses que mantinham estreita relação com os seres humanos na medida em que tinham características semelhantes aos cidadãos gregos, ainda que tivessem uma diferença essencial: eram, os deuses, imortais. Os deuses, por essa aproximação com os humanos, possuíam tanto virtudes quanto defeitos. A religião grega teve importância fundamental para tal civilização, como se pode notar no fato de as cerimônias públicas (mesmo as de cunho político) eram antecedidas por práticas religiosas, o que reflete a importância da religião entre os gregos antigos. Mas esse sistema religioso e, principalmente, o conhecimento que ele trazia ao homem a respeito do mundo foi superado pelo pensamento filosófico — como teremos a oportunidade de acompanhar nas aulas de Filosofia. Ainda a respeito da cultura grega antiga, não podemos nos esquecer da Arte: essa manifestação cultural teve importante no que concerne à arquitetura, à escultura, às artes plásticas, à decoração etc. A arte grega, por sua importância não apenas para os gregos, mas sobretudo para o mundo ocidental, constituiu posteriormente a base da Arte na Europa. Sua influência duradoura se deve à racionalidade e ao cuidado formal em que o equilíbrio e a simetria tinham a tendência de privilegiar a estética do ser humano e garantir a beleza das representações artísticas .
Agora, vejamos mais detalhadamente os períodos da História grega.

Período Pré-Homérico

Para se entender esse primeiro período da História grega, é preciso ter em mente duas civilizações importantes a partir das quais o mundo grego surgiu: a civilização minoica e a civilização micênica. A civilização minoica foi uma civilização existente nas ilhas do mar Egeu entre 2,2 mil e 1,4 mil a.C. Teria surgido a partir de uma fusão dos habitantes da ilha de Creta com populações que aí se fixaram vindas da Ásia Menor. Os minoicos tiveram como principal atividade econômica o comércio. Já conheciam a escrita (o linear A e o linear B) e destacaram-se pelo trabalho do ouro e da cerâmica. Suas terras mais férteis estavam na parte esquerda da ilha, onde se encontravam as principais cidades como Cnossos (capital). Prosperando até 1,4 mil a.C., a decadência dessa civilização parece ter sido o resultado de ataques de inimigos, entre os quais se encontrariam os micênicos. Vale a pena destacar o papel da mulher na sociedade minoica: ao contrário das futuras cidades, como Atenas e Esparta, onde a mulher não tinha direitos políticos e era vista apenas como uma reprodutora, a mulher minoica era livre, podia adquirir propriedades e ser independente. Por sua vez, a civilização micênica posteriormente adotou aspectos da cultura minoica, de modo que ambas as civilizações influenciaram a História da Grécia. A civilização dos micênicos floresceu entre 1,6 mil e 1,2 mil a.C. Já falavam grego e não apresentavam uma unidade política. Além de praticarem o comércio, os micênicos eram amantes da guerra e da caça. Seu declínio deu-se por volta de 1,25 mil a.C., envolvendo problemas comerciais e guerras internas. Finda a civilização micênica, denomina-se o período que se seguiu de “Idade das trevas”, quando se perdeu o conhecimento da escrita (readquirido apenas no século VIII a.e.c. Tal designação do período encontra-se relacionada não apenas com a decadência civilizacional, mas também com as escassas fontes para o conhecimento da época. O que se viu, também, foi um movimento das populações que, abandonando antigos povoados, fixaram-se em locais que ofereciam melhores condições de vida; com essa migração, temos o processo de ocupação do território no qual se constituirá a Grécia e a formação dos primeiros grandes centros urbanos da região. Ao fim desse período, as invasões dos povos dóricos foram responsáveis pelo esfacelamento dessa civilização e o retorno às pequenas comunidades agrícolas subsistentes — denominadas de “comunidades gentílicas”.


Período Homérico

Nesse segundo período tem-se o fortalecimento das comunidades gentílicas, que apareceram no fim do período precedente, transformando-se nos mais importantes núcleos sociais e econômicos de toda a Grécia. Em cada genos, uma família desenvolvia atividades agrícolas de maneira coletiva e as riquezas oriundas de sua força de trabalho eram divididas igualmente. Mas, com o passar do tempo, as limitações das técnicas agrícolas e o incremento populacional ocasionaram a dissolução dos genos (propriedades em que uma grande família se matinha unida em torno da exploração econômica de uma mesma parcela de terras), isto é, as técnicas agrícolas pouco desenvolvidas não conseguiam acompanhar a velocidade com que as comunidades gregas se ampliavam. Como se nota, com a desestruturação da civilização creto-micênica, estabeleceu-se uma série de transformações que fundaram um novo cenário social, político e econômico. A economia dos genos era essencialmente agropastoril: uma família próspera dependia necessariamente da qualidade das terras que estavam sob o seu domínio; quando um genos produzia excedente, essa riqueza era empregada na aquisição de escravos e na contratação de artesãos. No campo político, os genos eram comandados por um líder comunitário denominado pater, que exercia funções de caráter judicial, administrativo e religioso. Mesmo com a divisão igualitária dos bens, o grau de parentesco com o chefe do genos era capaz de definir algumas distinções sociais. Isso é importante de salientar porque, como veremos, com a vindoura desestruturação da comunidade gentílica, a proximidade com o pater será um elemento determinante para um novo rearranjo social das populações gregas. Contudo, além dos problemas de produtividade já comentados, os genos se transformaram em palco de novas tensões sociais. Os parentes mais distantes do pater reivindicaram melhores condições de vida ao estarem insatisfeitos com a diminuição da renda familiar. Progressivamente, os bens que eram utilizados de maneira coletiva foram divididos entre os membros do genos, e aqueles que eram mais próximos do pater acabaram sendo privilegiados com as melhores terras. Com a paulatina desintegração do sistema sociopolítico das comunidades gentílicas, por um lado uma parcela de privilegiados manteve o controle das melhores propriedades e armas; por outro lado, pequenos proprietários, artesãos e trabalhadores livres se subordinavam ao poder dos grupos sociais mais abastados. As sociedades gentílicas passaram a ser controladas por aqueles que controlavam os instrumentos de poder. Com o passar do tempo, as elites dos genos com afinidades culturais mais visíveis se uniram em grupos maiores que poderiam assegurar o controle de suas propriedades. Surgiam, com isso, as chamadas “fratrias”. A reunião destas fratrias eram, por sua vez, responsáveis pelo desenvolvimento das tribos que, quando se reuniam, davam origem ao demos. Por meio da ampliação dessas organizações, teremos o fim das comunidades gentílicas e a formação das primeiras cidades-Estado da Grécia antiga.


Período Arcaico

O que temos de significativo neste terceiro período é o declínio dos genos, que perderam espaço para uma pequena elite de proprietários de terra. Com o poder sobre os terrenos mais férteis, as elites de cada região se organizaram em conglomerados demográficos e políticos cada vez maiores e ais organizados. Nesse momento, temos o nascimento das primeiras cidades-Estado da Grécia antiga. É no período arcaico que teremos, também, um maior domínio linguístico e cultural, por parte dos gregos, de uma área maior do que o limite geográfico da Grécia. Predominava entre os gregos sempre a organização de comunidades independentes, e a cidade (cada uma desenvolveu seu próprio sistema de governo, leis, calendário e moeda) tornou-se a unidade básica do governo grego. A origem das cidades gregas remonta à própria organização dos invasores, especialmente dos aqueus. Com a recuperação econômica após invasões do povo dórico, a população grega cresceu além da capacidade de produção das terras cultiváveis e, por causa desse desequilíbrio, e procurando garantir melhores condições de vida, alguns grupos teriam se destacado, passando a manejar armas e a ter domínio sobre as melhores terras e rebanhos. Assim, foram diferenciando-se da maioria da população e dissolvendo a vida comunitária do genos. Essas transformações sociais estavam na origem da formação da polis, a cidade grega. Paralelamente, não podemos nos esquecer, os gregos excluídos nesse processo de apropriação das terras passaram a ocupar outras regiões do Mediterrâneo, havendo, pois, um processo migratório: para fugir da miséria, muitos gregos migravam em busca de terras para plantar e de melhores condições de vida, fundando novas cidades. A sociedade dessa época se dividia entre eupátridas (os “bem nascidos”), que dominavam as melhores terras; georgoi (camponeses), que cultivavam solos pobres cuja produção de alimentos era insuficiente para atender às necessidades de uma população em crescimento; e uma terceira classe, os thetas (marginais), que não possuía terras e que, mais tarde, dedicar-se-ia ao comécio. Assim, no primeiro momento, a principal atividade econômica das colônias gregas foi a agricultura. Posteriormente, muitas colônias transformaram-se em centros comerciais, dispondo de portos estratégicos para as rotas de navegação. A colonização do mar Mediterrâneo pelos gregos resultou no desenvolvimento de uma classe rica formada por mercadores (o comércio internacional desenvolvera-se a partir de então) e de uma grande classe média de trabalhadores assalariados e artesãos. Culturalmente, os gregos realizaram intercâmbios com outros povos.


Com tais acontecimentos, o padrão de vida na Grécia melhorou acentuadamente, havendo um aumento na expectativa de vida e, consequentemente, da população. Vale dizer que as ocorrências desse período fizeram com que, no século IV a.e.c., a Grécia já possuísse a economia mais avançada do mundo antigo, com um nível de desenvolvimento extremamente raro para uma economia pré-industrial. Apesar disso, houve concentração fundiária, em algumas cidades essa concentração levou a revoltas e a tiranias, em outras a aristocracia manteve o controle graças a legisladores inclementes.


Período Clássico

No Período Clássico teremos a consolidação das cidades-Estado, sendo que duas das mais importantes foram Esparta e Atenas. São, pois, dois exemplos claros da autonomia que tinham as polis gregas: tanto Atenas quanto Esparta apresentavam configurações sociopolíticas distintas, ainda que fizessem parte de uma mesma civilização. Vejamos as características fundamentais de cada uma, para depois compreender o início dos conflitos entre essas (e outras) cidades-Estado, o que levou ao enfraquecimento do poder político grego e o declínio dessa civilização. Comecemos por Esparta, que formava, com as cidades-Estado vizinhas, a Liga do Peloponeso (importante na guerra do Peloponeso que veremos mais à frente). Esparta encontrava-se numa região de terras apropriadas para o cultivo da vinha e da oliveira. Era uma cidade de caráter militarista e oligárquico. O governo de Esparta tinha como um de seus principais objetivos fazer de seus cidadãos modelos de soldados, fisicamente bem treinados, corajosos e obedientes às leis e às autoridades. Em Esparta os homens eram na sua maioria soldados e foram responsáveis pelo avanço das técnicas militares, melhorando e desenvolvendo um treino, organização e disciplina intensivos e nunca vistos até então. A sociedade espartana era fortemente estratificada, sem qualquer possibilidade de mobilidade entre os três grupos existentes: os esparciatas (aqueles que eram filhos de pai e mãe espartanos, sendo os únicos que possuíam direitos políticos, constituindo o corpo dos cidadãos e permanecendo à disposição do exército ou dos negócios públicos), os periecos (descendiam dos povos conquistados pelos esparciatas, mas ainda assim integrados ao Estado espartano e ao qual pagavam impostos; apesar de serem livres, não tinham direitos políticos; ao contrário dos esparciatas, os periecos podiam dedicar-se ao comércio e à indústria artesanal) e os hilotas (isto é, os servos, que pertenciam ao Estado espartano e trabalhavam com a agricultura, não podendo ser expulsos das terras onde trabalhavam). Analisando a situação dos esparciatas, periecos e hilotas, alguns historiadores afirmam que os periecos, por dominar o comércio e o artesanato, podiam enriquecer, desfrutando de certo conforto material e liberdade. Os esparciatas, por sua vez, cumpriam obrigações tão pesadas em relação ao Estado que se tornaram vítimas de suas próprias instituições. Quanto aos hilotas, sua vida era marcada pela opressão e miséria. Por outro lado, Atenas, a principal cidade-Estado da Grécia Antiga durante o Período Clássico, transformou-se no principal centro cultural e intelectual do Ocidente — e certamente é nas ideias e práticas da antiga Atenas que o que nós chamamos de “civilização ocidental” tem sua origem. A esse respeito, vale dizer que, no estudo das sociedades clássicas costumamos destacar especialmente o incisivo papel a partir do qual as práticas e instituições nascidas no mundo grego influenciaram a formação do mundo contemporâneo. Entre as várias instituições consolidadas, a noção de democracia é uma das que mais despertam nosso interesse na busca por paralelos que aproximem o mundo antigo do contemporâneo. Nesse sentido, a história da democracia ateniense pode ser compreendida à luz de uma série de transformações sofridas pela sociedade e pela economia ateniense. Assim sendo, até os séculos VII e VI a.e.c., o poder político ateniense era controlado por uma elite aristocrática detentora das terras férteis de Atenas: os eupátridas. Nesse meio tempo, uma nascente e poderosa classe de comerciantes, os demiurgos, exigia participação nos processos decisórios da vida política ateniense. Além disso, pequenos comerciantes e proprietários acometidos pela escravidão por dívidas, exigiam a revisão do poder político ateniense. Com isso, os eupátridas viram-se obrigados a reformular as instituições políticas da cidade-Estado. Um grupo de legisladores foi responsável por um gradual processo de transformação política: Drácon resolveu estabelecer um conjunto de leis escritas que dariam lugar às leis orais anteriormente conhecidas pelos eupátridas, medida que possibilitou uma nova tradição jurídica que retirava o total controle das leis invocadas pelos eupátridas; Sólon, outro importante legislador, ampliou o leque de reformas políticas em Atenas, eliminando a escravidão por dívidas e resolveu dividir a população ateniense por meio do poderio econômico de cada indivíduo. Em resposta a tais mudanças, as elites agrárias atenienses rivalizaram com esse primeiro conjunto de mudanças. A agitação política do período deu margem para que ações golpistas abrissem espaço para a ascensão dos governos tirânicos. Os principais tiranos foram Psístrato, Hiparco e Hípias. No fim do século VI a.e.c., a retração dos direitos políticos mais amplos incentivou uma mobilização popular que levou à ascensão política de Clístenes, em 510 a.e.c. Em seu governo, os atenienses passavam a ser divididos em dez tribos que escolhiam seus principais representantes políticos. Todo ateniense tinha por direito filiar-se a uma determinada tribo na qual ele participaria na escolha de seus representantes políticos no governo central — eis a criação da democracia. Dessa maneira, o grau de participação entre os menos e mais abastados sofreu um perceptível processo de equalização. Podemos dizer que Clístenes foi um reformador capaz de estabilizar o regime democrático ateniense; no entanto, não se pode esquecer que o conceito de cidadania dos atenienses não englobava, de fato, a maioria da população: somente os homens livres, de pai e mãe ateniense, maiores de 18 anos e nascidos na cidade eram considerados cidadãos; as mulheres, escravos e estrangeiros não desfrutavam de nenhum tipo de participação política. Dessa forma, a democracia ateniense era excludente na medida em que somente um décimo da população participava do mundo político ateniense. Havendo a hegemonia de Esparta e de Atenas, é no Período Clássico que cada um destas cidades-Estado desenvolverá seu modelo político (a oligarquia militarista em Esparta e a democracia aristocrata em Atenas). Isso é importante para que compreendamos os conflitos que surgiram no período. Ao nível externo, verifica-se a ascensão do Império Persa quando Ciro II conquista o reino dos medos. Esta sequência de conquistas militares atingiu o litoral da Ásia Menor, lugar onde existiam algumas colônias de origem grega. Inicialmente, a dominação dos persas sobre os povos daquela localidade aconteceu sem maiores rumores. Contudo, essa coexistência harmoniosa logo ruiu. Atenas apoia a revolta das cidades gregas contra a tentativa de domínio persa, mas tal apoio revela-se insuficiente já que algumas polis são derrotadas. O comportamento de Atenas iria, por conseguinte, gerar uma reação persa que desencadeou as Guerras Médicas.
Com o fim das Guerras Médicas, e em resultado da sua participação decisiva no conflito, Atenas tornou-se uma cidade poderosa e passou a intervir nos assuntos do mundo grego. Esparta e Atenas distanciam-se e entram em rivalidade, encabeçando cada um delas uma aliança política e militar: no caso de Esparta era a Liga do Peloponeso e no caso de Atenas a já formada Liga de Delos na época das guerras médicas. Com o tempo Atenas afirma-se como o estado mais forte da liga — fato que não foi bem recebido por Esparta. Nesse ínterim, as relações entre as duas polis atingem o grau de saturação em 431 a.e.c., ano em que se inicia a guerra do Peloponeso, tendo como causas as sanções econômicas impostas por Atenas a algumas cidades-Estado e o bloqueio naval ateniense à cidade de Potideia. Na tentativa de evitar o conflito iminente, Esparta ainda tentou a diplomacia, mas com a negação de Atenas a guerra foi travada, com resultado negativo para esta última. No entanto, ainda que Esparta tenha ganho a guerra do Peloponeso, todas as cidades-Estado que entraram no conflito acabaram por sofrer perdas significativas, tanto econômicas quanto humanas, de modo que a guerra acabou por fragilizar o mundo grego e abrir as portas para a invasão de povos bárbaros. Esse período foi, como se viu, um tempo em que o mundo grego prosperou, com o fortalecimento das cidades-Estado, mas foi também o período em que a Grécia se envolveu em longas e prolongadas guerras que lhe resultaram no colapso da civilização grega antiga.

Período Helenístico

O desgaste causado pelos conflitos entre cidades-Estado gregas fez com que a Grécia se colocasse como um alvo frágil, fácil para a invasão de qualquer civilização militarmente bem preparada. A partir do século IV a.e.c., foram os macedônios, vindos do norte, que empreenderam investidas militares que determinaram o fim da autonomia política dos gregos. Tais eventos marcam o último período da civilização grega, o Helenístico — que termina no século II a.e.c., data em que os romanos conquistam o território grego. Vejamos um pouco mais a fundo como isso se deu. O reino da Macedônia, situado a norte da Grécia, emergiu como potência em meados do século IV a.e.c. Os macedônios, que não falavam grego e não seguiam o modelo político dos gregos, eram vistos por estes como bárbaros. Apesar disso, muitos nobres macedônios aderiram à cultura grega, tendo sido a Macedônia, por esse motivo, responsável pela conservação e difusão da cultura grega. Durante o reinado de Filipe II, o exército macedônio adota técnicas militares superiores que, aliadas à diplomacia, permitirão a possibilidade de dominar as cidades da Grécia então fragilizadas por conflitos internos. Nas cidades-Estado dominadas, começam a se formar partidos de oposição a Filipe e partidos a ele favoráveis. Em 338 a.e.c., Filipe e seu filho (Alexandre, o Grande) derrotam uma coligação grega em Queroneia, colocando a Grécia continental sob domínio macedônio. Filipe, então, organiza a Grécia em uma confederação, procurando com isso unir os gregos com o objetivo de conquistar o império persa. Contudo, Filipe viria a ser assassinado por um nobre macedônio, tendo sido sucedido pelo seu filho Alexandre. Este concretizou o objetivo do pai, conquistando a Pérsia e marchando até a Índia. Depois disso, Alexandre, o Grande tornou-se senhor de um vasto império que abrangia o espaço da Ásia Menor ao Afeganistão, incluindo-se o Egito. Após a morte de Alexandre, seus generais lutaram entre si pela posse do império, que acabou por se fragmentar em territórios menores.


O legado cultural da Grécia antiga

A cultura da Grécia antiga é considerada a base da cultura da civilização ocidental. Isso não ocorreu por acaso: a cultura grega exerceu poderosa influência sobre os romanos, que se encarregaram de repassá-la a diversas partes da Europa. A civilização grega antiga teve influência na Política, na linguagem, na Filosofia, no sistema educacional, na Arte, na Ciência, na tecnologia, na Arquitetura etc. Tem papel especial nesse fato o Renascimento europeu — a ser estudado mais adiante —, período durante o qual houve um esforço para reavivar, reafirmar o legado cultural grego. Conceitos como “democracia” e “cidadania”, tão caros à humanidade atual, são conceitos gregos — ou ao menos de pleno desenvolvimento pelos gregos —, importantes para a constituição do que hoje temos como civilização ocidental. É importante salientar, sobretudo, o papel dos gregos no que se refere ao estudo da História. Se hoje estudamos a História grega de modo mais objetivo e imparcial, isso se deve à consciência grega de se realizar um estudo melhor elaborado das fontes históricas, dando-lhes um tratamento mais científico e metódico, e menos “poético”. Qual seria, pois, a importância do passado para uma determinada cultura? Mesmo simples, essa é uma questão que atinge a compreensão dos interesses e hábitos que permeiam uma determinada sociedade. Atualmente, compreendida como uma ciência, a História se tornou um campo do saber que, por meio de questões oriundas do presente, busca uma resposta que seja perceptível nos depoimentos, fontes e demais signos que nos falam sobre “aquilo que aconteceu”. Sendo uma preocupação instigante, devemos saber que o interesse sobre o tempo incomodou as civilizações humanas desde as mais remotas épocas. Segundo muitos antropólogos, a necessidade de se falar sobre as nossas experiências já se via claramente manifestada nas pinturas rupestres que tomavam as paredes das cavernas. Com isso, podemos enxergar que o desenvolvimento da História se confunde com a própria existência do homem. Entre os gregos, a História foi desenvolvida por meio de relatos que diziam sobre eventos considerados importantes ou que explicariam a origem das coisas; não sendo prontamente sistematizada como um campo do conhecimento, vemos que esse interesse dos gregos sobre a recuperação do passado se confundia com a poesia e a mitologia — as obras Ilíada e Odisseia, por exemplo, reportam a episódios do passado grego, mas não trazem algum tipo de respaldo que lhe conceda a ideia de verdade. A primeira tentativa de promover essa separação da História das outras narrativas existentes na cultura grega aconteceu graças à ação de Heródoto de Halicarnasso. Popularmente conhecido como o “pai da História”, Heródoto buscou empreender um método de pesquisa bastante particular: acreditava que primeiramente teria de conhecer profundamente cada um dos povos e locais em que determinando evento a ser estudado aconteceu. Entretanto, ainda influenciado por sua cultura, a grega, esse estudioso interpretava os fatos ocorridos como uma manifestação da vontade dos deuses. Tucídides, por outro lado, foi o primeiro historiador grego a tentar promover essa dissociação entre a vontade dos deuses e o sentido daquilo que aconteceu no passado. Segundo ele, os eventos históricos seriam fruto dos interesses políticos dos homens, procurando, portanto, narrar objetivamente os acontecimentos ligados a determinado objeto de estudo, apesar de ter evidenciado traços de tendenciosidade em favor de sua cidade-Estado, Atenas. Por sua vez, e demonstrando o lugar que esse campo do saber ocupava na cultura grega, o filósofo Aristóteles teceu alguns comentários que tratavam sobre a diferença entre história e poesia. Para ele, a forma de escrita utilizada por um autor tinha pouca importância para compreender o que era a História. Na verdade, o que definiria a História seria o interesse em se falar sobre coisas de natureza particular. Em contrapartida, a poesia utilizaria de seus personagens para debater coisas que seriam comuns a todos os homens. Como se nota, os gregos legaram às civilizações posteriores uma noção melhor fundamentada sobre o estudo da História. Referências Graecia Antiqua Templo de Apolo Discovery Channel - Grécia antiga Ancient Greece The British Museum - Ancient Greece Wikipédia - Portal Grécia antiga fonte: http://www.cursinhometamorfose.com.br/portal/node/162

domingo, 22 de agosto de 2010

Centenário do Corinthians
Imagens raras de uma goleada corintiana há 81 anos



No ano em que completa 100 anos, o Corinthians passa a contar com uma peça rara no acervo de seu Memorial. Um filme rápido, de apenas três minutos e vinte segundos de duração. Mas que representa muito. São as mais antigas imagens em movimento de um jogo disputado pelo Alvinegro. Quando o agora centenário clube mal tinha completado a maioridade, com apenas 19 anos de vida. E de uma partida marcante: a goleada do Timão sobre o Bologna, então campeão italiano, por 6 a 1, no estádio do Palestra Itália.

sábado, 21 de agosto de 2010

Primeiro Ano - CNDL
Terceiro Bimestre - História do Brasil
Colégio Notre Dame de Lourdes
SIMULADO DE HISTÓRIA
PRIMEIRO ANO – CNDL

(FUVEST) Em novembro de 1807, a família real portuguesa deixou Lisboa e, em março de 1808, chegou ao Rio de Janeiro. O acontecimento pode ser visto como
a) incapacidade dos Braganças de resistirem à pressão da Espanha para impedir a anexação de Portugal.
b) ato desesperado do Príncipe Regente, pressionado pela rainha-mãe, Dona Maria I.
c) execução de um velho projeto de mudança do centro político do Império português, invocado em épocas de crise.
d) culminância de uma discussão popular sobre a neutralidade de Portugal com relação à guerra anglo-francesa.
e) exigência diplomática apresentada por Napoleão Bonaparte, então primeiro cônsul da França.

2. (FGV) O estabelecimento da família real portuguesa no Brasil, a partir de 1808:

a) Significou apenas o deslocamento do imenso aparelho burocrático português sem nenhum desdobramento no processo de emancipação política brasileira.
b) Interrompeu os vínculos entre os grupos estabelecidos em torno da Coroa Portuguesa e aqueles dedicados às diversas atividades econômicas coloniais.
c) Deu inicio à campanha abolicionista, devido à atuação dos letrados portugueses junto aos integrantes da aristocracia escravista colonial.
d) Criou vínculos estreitos entre os grupos dominantes da América espanhola e da América portuguesa, unidos contra as agressões e usurpações patrocinadas por Napoleão Bonaparte.
e) Deu início à chamada "interiorização da metrópole" e permitiu uma aproximação entre os membros da burocracia imperial e grupos dominantes coloniais.


3. (UNESP) Os processos de independência das Américas espanhola e portuguesa têm em comum a:
a) decretação do fim do pacto colonial, em função da presença das cortes espanhola e portuguesa em terras americanas.
b) ausência de lutas, evitada pela atuação decidida dos proprietários de escravos negros, que temiam revoltas como a que ocorrera no Haiti.
c) conservação das casas dinásticas, apesar da ruptura com as antigas metrópoles europeias.
d) fragmentação política, com significativa alteração das fronteiras vigentes na época colonial.
e) preservação dos interesses da aristocracia agrária, que continuava a controlar o poder político.

4. (PUC) Entre os eventos que antecederam a independência política do Brasil e propuseram ou criaram condições para a autonomia, podem-se mencionar

a) as iniciativas da Coroa portuguesa no Brasil, no início do século XIX, como a permissão ao comércio internacional sem mediação da Metrópole e a criação de sistema bancário oficial.
b) as revoltas ocorridas na região das Minas Gerais, no decorrer do século XVIII, com características e projetos, em todos os casos, emancipacionistas e propositores de um Estado brasileiro autônomo.
c) as mudanças ocorridas no cenário europeu, entre o final do século XVIII e o início do XIX, com a ascensão de Napoleão ao trono francês e a conquista, por
suas tropas, de toda a Europa Ocidental e de suas possessões coloniais.
d) as ações de grupos de comerciantes da Colônia, desde o início do século XIX, desejosos de ampliar sua independência comercial e de estabelecer vínculos diretos com países do Ocidente europeu e do Extremo Oriente.
e) as vitórias, no século XVIII, das lutas pela independência nas regiões de colonização espanhola, francesa e inglesa das Américas, gerando um conjunto de impérios autônomos, possíveis parceiros comerciais para o Brasil.
GABARITO
1. C
2. B
3. E
4. A

Conheça o talento e os dramas da pintora mexicana Frida Khalo

Antes conhecida como a esposa esquisita de Diego Rivera, as obras de Frida Khalo rivalizam e até superam a do marido. Sua vida trágica e seu visual exótico a transformaram num ícone da arte moderna.
Fatores que provocaram a Primeira Guerra Mundial


Eis mais uma aula disponibilizada pelo G1, que trata dos fatores importantes que provocaram a 1ª Guerra Mundial. Nesta aula em video o professor Igor Vieira apresenta os fatores que levaram à eclosam do primeiro grande conflito mundial da história da humanidade.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

A Eleição em Ruanda

Pio Penna Filho*


Ruanda é um pequeno país localizado próximo ao centro do continente africano que ficou mundialmente conhecido pelo genocídio ocorrido em 1994. De forma espantosa, aproximadamente um milhão de pessoas, em sua grande maioria expoentes da etnia Tutsi, foram assassinadas num período de 3 meses. Na época, a comunidade internacional pouco fez para evitar o que poderia ter sido evitado.
Agora o país volta a cena internacional com a reeleição do presidente Paul Kagame, no comando do governo desde a época do genocídio. Kagame era o líder da Frente Patriótica Ruandense, movimento predominantemente formado por Tutsis que conseguiu estancar o genocídio.
A grande crítica que se faz hoje a Kagame é o seu apego ao poder. Infelizmente, esse tipo de comportamento político ocorre com frequência no continente africano. É um indício de que a democracia ainda é muito incipiente na África. No caso de Ruanda, por conta do genocídio e da fratura étnica de sua sociedade, torna-se um fato ainda mais grave.

Matar todas as baratas. Esse era o lema das lideranças Hutus que decidiram, entre março e abril de 1994, promover um dos mais brutais conflitos em toda a África durante o século XX. “Baratas” era um dos termos mais usados em Ruanda para definir as pessoas de origem Tutsi, uma das três etnias que compõem a sociedade ruandense (as outras duas são os Hutus, maioria, e os Twas, minoria).
Um dos cálculos mais aceitos internacionalmente é que entre 800.000 e 1.000.000 de Tutsis tenham sido assassinados durante o genocídio. Tudo aconteceu num curto período de tempo. O massacre iniciou-se logo após o assassinato do presidente Juvénal Habyarimana, de origem Hutu, que teve o seu avião derrubado. Hutus e Tutsis já não se entendiam há um bom tempo no complicado quadro político de Ruanda.
As origens do genocídio são antigas. Nada aconteceu por acaso e nem tampouco de total improviso. Os Hutus chegaram ao poder em 1962, mesmo ano da independência desse antigo território colonial belga. Em 1959 explodiu uma violenta revolta contra a dominação européia e também contra a aristocracia Tutsi, que dominava o cenário político autóctone. Naquela ocasião, os camponeses de origem Hutu se revoltaram contra uma espécie de servidão a que eram submetidos e a situação de inferioridade sócio-econômica .
Com o passar do tempo algumas lideranças Hutus desencadearam uma escalada nos processos violentos contra os Tutsis. Mas havia também um projeto de poder por parte de alguns setores da sociedade Hutu. Foi assim que em 1973 ocorreu um golpe de estado liderado por Habyarinama, então major do Exército, que isolou ainda mais os Tutsis na sociedade ruandense.
Dentre as políticas de perseguição adotadas pelo novo governo houve confisco de bens, deslocamento de populações, cotas escolares e proibição de casamentos mistos. Muitos Tutsis, por uma questão de segurança, retiraram-se do país como refugiados e foram parar, principalmente, nos vizinhos Uganda e Burundi. Enfim, o desenrolar da história recente do país, com políticas de classificação e separação étnica foram sinais perturbadores do que veio a ocorrer na década de 1990.








Pio Penna Filho

* Professor do Instituto de Relações Internacionais da USP e Pesquisador do CNPq. E-mail: piopenna@gmail.com

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Primeiro Ano - CNDL
Terceiro bimestre - História do Brasil
Os vassalos contra a Metrópole: as Conjurações

Professor ressalta a importânica histórica da Revolução Pernambucana de 1817


O professor de História do CNDL, Edenilson Morais apresenta nesta tele-aula um comentário a respeito dos principais aspectos referente ao movimento ocorrido na Capitania de Pernambuco que almejava a independência e a proclamação da República.

domingo, 15 de agosto de 2010


Segundo Ano - CNDL
Terceiro Bimestre - História do Brasil
Colégio Notre Dame de Lourdes
Coleção Pitágoras
Capítulo 2
Os prenúncios de uma nova ordem: a década de 1920 e a Revolução de 1930
João Pessoa - Honra lavada vira revolução


Presidente da Paraíba de 22 de outubro de 1928 a 26 de julho de 1930 e candidato a vice na chapa de Getúlio Vargas, João Pessoa (1878-1930) era contra tomar o poder à força caso perdesse a eleição presidencial de 1930."Prefiro dez Júlio Prestes (candidato adversário) a uma revolução", declarou quando da passagem da Caravana da Aliança Liberal pela Paraíba a fim de conclamar a Região Norte para a a sublevação. Prestes foi o vencedor, e apesar da insatisfação com o modelo econômico e político do país e a alternância de São Paulo e Minas Gerais no poder, Vargas se encaminhava para aceitar a derrota. Mas o assassinato de João Pessoa serviu de estopim para o início da revolução.




O crime estava mais relacionado com questões locais do que nacionais. João Pessoa havia tomado medidas contra os coronéis, líderes políticos locais, o que levou um deles, José Pereira, a iniciar uma revolta no município de Princesa em 28 de fevereiro de 1930. No início de julho, o advogado João Dantas (1888-1930), que seria ligado a Pereira, teve o seu escritório-residência arrombado pelas forças do governo. Sentindo-se humilhado, assassinou o presidente do Estado a tiros no dia 26 de julho, na Confeitaria Glória, no Recife.


A comoção causada pelo crime serviu para mobilizar partidários de Vargas, que tomaram o poder em 3 de outubro. "João Pessoa vivo foi uma voz contra a revolução. Mas João Pessoa morto foi o verdadeiro rearticulador do movimento revolucionário", definiu o jornalista Barbosa Lima Sobrinho (1897-2000).



INÊS CAMINHA LOPES RODRIGUES É PROFESSORA APOSENTADA DA UFPB E AUTORA DE A REVOLTA DE PRINCESA: PODER PRIVADO X PODER INSTITUÍDO (BRASILIENSE, 1981).

Fonte: Revista de História da Biblioteca Nacional. Ano 5, nº 59 agosto 2010, pp. 38-9.

Segundo Ano - CNDL
Terceiro Bimestre - História do Brasil

Coleção Pitágoras
Capítulo 2: Os prenúncios de uma nova ordem: a década de 1920 e a Revolução de 1930




A Revolução de 1930 contra São Paulo e os paulistas
Confira nos videos abaixo uma interessante leitura do cenário político nacional do início da década de 1930. Na primeiro video temos uma canção enfocando a turbulenta definição do candidato da oligarquia cafeeira à sucessão de Washingon Luis. A escolha de Júlio Prestes, da oligarquia paulista acabou contribuindo para o rompimento definitivo da política do café-com-leite.

O candidato dos paulistas Dr. Júlio Prestes vence as eleições mas não leva. Na abertura uma multidão sauda Júlio Prestes.

A guerra contra os paulistas

Narrando as eleições de 1930 ao estilo de futebol. A revolução de 1930 contra são paulo e os paulistas, júlio prestes ganha mas não leva.
Neste video temos uma canção que enfoca a disputa presidencial de 1930 que apresentava Júlio Prestes, candidato da situação e Getúlio Vargas, pela Aliança Liberal. Também é enfoca o desencadear da chamada Revolução de 1930, golpe que levou à deposição de Washington Luis, o impedimento da posse de Júlio Prestes e que conduziu o gaúcho Getúlio Vargas ao Palácio do Catete.

sábado, 14 de agosto de 2010

Confira as avaliações de História do terceiro bimestre 2010

Terceiro Bimestre
Colégio Notre Dame de Lourdes (CNDL)
Professor Edenilson Morais
Avalição de História


AVALIAÇÃO DE HISTÓRIA – 1º ANO

01. (CNDL) Explique em que contexto se inseriu a Inconfidência Mineira de 1789 e mencione quais foram as suas peculiaridades.

02. (CNDL) Observe atentamente as imagens abaixo.


Pedro Américo. Tiradentes Esquartejado.

Cândido Portinari. Despojos de Tiradentes.

Apresente a leitura das obras mencionadas acima enfatizando o tema em comum retratado nas mesmas e explicando os motivos que levaram a Coroa Portuguesa a estabelecer uma pena tão severa contra esta personagem da História do Brasil.



03. (CNDL) Compare os revoltosos da Conjuração Baiana com os da Inconfidência Mineira, apontando os grupos sociais envolvidos, as influências externas e as propostas defendidas por cada um desses movimentos.




04. (UFCE)
Texto 1
Animai-vos, povo bahiense! Esta por chegar o tempo feliz da nossa libertação! O tempo que seremos todos irmãos; tempo que seremos todos iguais. Vamos lutar para que não haja mais diferença entre a cor branca, parda e preta. Seremos todos felizes, sem exceção de pessoas.
(Fonte: PAIVA, Miguel e SCHWARCZ, Lilia Moritz. Da Colônia ao Império: um Brasil para Inglês ver... e latifundiário nenhum botar defeito. São Paulo, Brasiliense, s/d, p. 27.)

Texto 2
Cada um, soldado e cidadão, mormente os homens pardos e pretos que vivem encornados e abandonados, serão iguais, não haverá diferença, só haverá li¬berdade, igualdade e fraternidade.
(Fonte: NADAI, Elza e NEVES, Joana. História do Brasil: da Colônia a República. São Paulo, Saraiva, 1993. p. 119.)

Os textos 1 e 2 são parte integrante de panfletos de líderes revolucionários que expressam o ideário de um importante movimento social ocorrido no Brasil, no contexto da crise do sistema colonial, e que contou corn expressiva participação popular. Estamos nos referindo a:

a) Balaiada.
b) Sabinada.
c) Conjuração Baiana ou Revolta dos Alfaiates.
d) Revolta dos Cabanos.
e) Revolta dos Escravos Malês.


05. (FMTM-MG) - A Conjuração Baiana ou dos Alfaiates (1798) distinguiu-se da Mineira (1789) porque:

a) sofreu influência dos ideais iluministas.
b) foi um movimento de ricos e intelectuais.
c) defendia a emancipação política da colônia.
d) propôs o fim da escravidão e dos privilégios dos mais ricos.
e) aderiu às ideologias republicana e socialista.




Resolução Comentada:

Resposta da questão 1:

A Inconfidência Mineira foi a primeira rebelião colonial com a clara intenção de romper com os laços de dominação colonial, foi comandada pela elite de Minas Gerais, apesar de contar com a participação de elementos de outras classes sociais. Esse movimento tinha por objetivo além da Independência, a proclamação de uma República.

Resposta da questão 2:

As telas mostram a morte e esquartejamento de Tiradentes. A punição da Coroa portuguesa foi severa para desencorajar a eclosão de novas revoltas coloniais.

Resposta da questão 3:

Enquanto a Inconfidência Mineira tinha um cunho mais elitita, era influenciada pelas idéias iluministas e pela Independência dos Estados Unidos e não visava a abolição da escravatura, a Conjuração Baiana ou Revolta dos Alfaites teve uma composição social mais heterogênia, com a participação ativa das camadas populares, tinha influência da Revolução Francesa, sobretudo de sua fase mais radical e visava a abolição do trabalho escravo.

Resposta da questão 4:[C]
Os fragmentos apresentam característica da Conjuração Baiana ou Revolta dos Alfaiates.

Resposta da questão 5:[D]

Entre os pontos discrepantes envolvendo essas duas rebeliões coloniais podemos citar a causa da abolição da escravatura.


AVALIAÇÃO DE HISTÓRIA - 2º ANO


01. (CNDL) No início da década de 1930 ocorreu a emergência de uma nova ordem no Brasil a partir do movimento de 1930 que levou Getúlio Vargas ao poder. Contudo, a implantação dessa nova ordem foi precedida por uma década – a de 1920 – que trazia em si os prenúncios dessas profundas mudanças.
Explique por que a década de 1920 foi o prenúncio de uma nova ordem no Brasil e mencione o nome de três importantes movimentos ocorridos nessa época no país.

02. (UTFPR) Dá-se o nome de “Tenentismo” ao movimento político desencadeado durante a década de 1920 por jovens oficiais, a maioria tenentes e capitães, em oposição ao governo e à alta oficialidade, que defendiam os interesses da oligarquia.
Sobre o Tenentismo pode-se afirmar que, em linhas gerais:
a) os tenentes desejavam reformas econômicas e sociais de caráter socialista que acarretassem a superação da República oligárquica e elitista.
b) os tenentes apoiavam as lideranças operárias e camponesas contra a violência praticada pelos governos republicanos controlados pelas oligarquias paulista e mineira.
c) os tenentes apoiaram o governo Epitácio Pessoa, cuja política repressiva desencadeou o movimento de intervenção federal nos estados oposicionistas.
d) os tenentes reivindicavam maior centralização do Estado, uniformização da legislação e do sistema tributário, algumas reformas sociais e a implantação do voto secreto.
d) os tenentes colocaram-se na luta pela superação de caráter espoliativo e dependente da economia brasileira, visando obter maior prestígio no cenário internacional.

03. (UFSC/adaptada) Na década de 1920, eclode no Brasil um descontentamento de um setor militar, o qual ficou conhecido como “tenentismo”. Em relação a este assunto, é CORRETO afirmar que:
a) o movimento tenentista pregava a moralização da vida pública, o combate a corrupção e a defesa dos interesses nacionais e da implantação do voto secreto.
b) dentre sua liderança destacou-se Luís Carlos Prestes, que liderou a “Coluna Prestes” e percorreu mais de 24.000 km pelo interior do Brasil. Seu maior objetivo era depor o governo de Getúlio Vargas.
c) a “Coluna Prestes” propunha criar mecanismos de sustentação ao presidente Artur Bernardes e da República Oligárquica.
d) o movimento tenentista foi fortalecido no sertão nordestino com o apoio decisivo de “Lampião”, líder dos cangaceiros.
e) a “Coluna Prestes” sempre foi derrotada pelas tropas do exército, por esse motivo, internou-se na Bolívia onde se dispersou em 1927. Seu líder maior, Luís Carlos Prestes, ficou conhecido como “Cavaleiro da Esperança”.

04. (UNESP) Entre 11 e 16 de fevereiro de 1922, realizou-se no Teatro Municipal de São Paulo a Semana de Arte Moderna. Segundo Mário de Andrade, as mudanças ocorridas a partir da Semana de 22 e do Movimento Modernista significaram a fusão de três princípios: o direito permanente à pesquisa estética, a atualização da inteligência artística brasileira e a estabilização de uma consciência criadora nacional. Está inteiramente correto considerar como consequências da Semana de Arte Moderna:
a) a formação de uma geração de artistas que romperam com a arte barroca; o reconhecimento e a valorização das expressões artísticas do Renascimento Italiano; a formação de grupos de artistas e salões de arte moderna em todo o Brasil.
b) a formação de uma geração de artistas acadêmicos; o reconhecimento e a valorização das expressões artísticas da Missão Artística Francesa; a formação de grupos de artistas e de salões de arte neoclássicos.
c) a formação de uma geração de artistas que romperam com a estética modernista; o reconhecimento e a valorização das expressões artísticas contemporâneas; a formação de grupos de artistas e salões de arte em São Paulo e no Rio de Janeiro destinados a exposições de arte moderna.
d) a formação de uma geração de artistas que romperam com os ditames acadêmicos; o reconhecimento e a valorização das expressões artísticas dos primitivos; a formação de grupos de artistas, tais como o Clube dos Artistas Modernos e a Sociedade Pró Arte Moderna de São Paulo.
e) a formação de uma geração de artistas que romperam com o estilo clássico; o reconhecimento e a valorização das expressões artísticas do estilo Rococó; a formação de grandes exposições de Arte, como a Bienal de São Paulo.

05. (CNDL) Leia a seguir, o trecho da declaração dos princípios dos líderes da Coluna Prestes.

Somos contra: os impostos exorbitantes, a incompetência administrativa, a falta de justiça, a mentira do voto, o amordaçamento da imprensa, as perseguições políticas, o desrespeito à autonomia dos estados, a falta de legitimação social, o estado de sítio.

Somos a favor: do ensino primário gratuito, da instrução profissional e técnica, da liberdade de pensamento e autonomia da justiça, da reforma da lei eleitoral e do fisco, do voto secreto e obrigatório, da liberdade sindical, do castigo aos defraudadores do patrimônio do povo e aos políticos corruptos e do auxílio estatal às forças econômicas.

In: Darcy Ribeiro. Aos trancos e barrancos. Rio de Janeiro: Guanabara Dois, 1985. nº 531.

Analise as semelhanças e diferenças entre a sociedade brasileira da década de 1920 e a de hoje. Com base no depoimento, responda:
a) Quais itens mencionados procuram caracterizar a situação política da época?



b) Quais dos itens apontados já foram, de certa forma, incorporados à atual democracia brasileira?


c) Quais itens do documento você apontaria como ainda necessários à sociedade brasileira atual?



6. (Fgv 2008) "Foi regulamentada a atividade dos jogadores estrangeiros no Brasil, não pelas entidades do futebol e sim pelo DIP. De fato. Segundo a imprensa carioca, 'os jogadores estrangeiros só poderão ingressar no futebol brasileiro desde que tenham contrato firmado com um clube nacional, sendo o documento visado pelo consulado, no país de origem'. Assim, o controle pelo Departamento será perfeito, pois ele ficará de posse da 2a via do contrato, ao mesmo tempo, a do documento de entrada em nosso país, exigido pela lei, o que provará a situação legal do profissional. O que se deprende é que os profissionais estrangeiros continuarão a ser equiparados aos artistas contratados. Findo o prazo de permanência, estipulado em contrato, são obrigados a retornar aos seus países.
("A Gazeta", 03.12.1940)

Além do apresentado, esse departamento tinha ainda como funções
a) centralizar a censura e popularizar a imagem do presidente Vargas.
b) controlar a ação dos sindicatos e estabelecer metas para a educação básica.
c) definir programas de assistência social e organizar a Juventude Brasileira.
d) gerir o imposto sindical e garantir a autonomia e a liberdade dos sindicatos.
e) reprimir os opositores do regime ditatorial e assessorar os interventores estaduais.

7. (G1 - cftmg 2008) O Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) foi criado pelo Estado Novo (1937-1945), para controlar e enquadrar a produção cultural no País. Sobre suas práticas, é INCORRETO afirmar que
a) reprimiam manifestações culturais das comunidades das periferias urbanas.
b) exaltavam a harmonia social brasileira resultante da miscigenação racial.
c) incentivavam o discurso nacionalista e ufanista sobre as riquezas naturais.
d) censuravam produções artísticas incentivadoras dos confrontos trabalhistas.

8. (Ufpi 2008) Os acontecimentos históricos ocorrem, sempre, em conexão com outros acontecimentos, de modo que, quando falamos de uma época estamos nos referindo a um ambiente dentro do qual os acontecimentos expressam limitam as ações dos sujeitos. Pode-se dar o seguinte exemplo para essa afirmação: em 1932, sob a liderança do literato Plínio Salgado, foi organizado, no Brasil, um movimento político cuja inspiração vinha da Europa, sendo profundamente influenciado por um movimento político europeu em ascensão na época, o qual apresentava como uma de suas metas prioritárias combater um outro movimento político em expansão na Europa. Os três movimentos referidos são, respectivamente:
a) O Integralismo, o Fascismo e o Nazismo.
b) O Liberalismo, o Socialismo e o Comunismo.
c) O Integralismo, o Nazi-Fascismo e o Comunismo.
d) O Expansionismo, o Nacionalismo e Anarquismo.
e) O Anarquismo, o Comunismo e o Integralismo.

9. (Enem 2009) A partir de 1942 e estendendo-se até o final do Estado Novo, o Ministro do Trabalho, Indústria e Comércio de Getúlio Vargas falou aos ouvintes da Rádio Nacional semanalmente, por dez minutos, no programa “Hora do Brasil”. O objetivo declarado do governo era esclarecer os trabalhadores acerca das inovações na legislação de proteção ao trabalho.
GOMES, A. C. A invenção do trabalhismo. Rio de Janeiro: IUPERJ / Vértice. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1988 (adaptado).

Os programas “Hora do Brasil” contribuíram para
a) conscientizar os trabalhadores de que os direitos sociais foram conquistados por seu esforço, após anos de lutas sindicais.
b) promover a autonomia dos grupos sociais, por meio de uma linguagem simples e de fácil entendimento.
c) estimular os movimentos grevistas, que reivindicavam um aprofundamento dos direitos trabalhistas.
d) consolidar a imagem de Vargas como um governante protetor das massas.
e) aumentar os grupos de discussão política dos trabalhadores, estimulados pelas palavras do ministro.

10. (Fuvest 2010) O conceito de revolução, aplicado ao movimento de 1930 no Brasil, e alvo de polêmica entre historiadores. Independentemente da controvérsia, não ha como negar que houve mudanças importantes, nessa década, com relação as diretrizes da política econômica e a questão social.

Explique as mudanças no que se refere a

a) política econômica.
b) questão social.


Gabarito:

Resposta da questão 1:
Durante a década de 1920 começam a ocorrer grandes movimentos de contestação à velha ordem política vigente. Pode-se citar a Semana de Arte Moderna, o Tenentismo, a Coluna Prestes, o movimento operário, entre outros movimentos.

Resposta da questão 2:[D]

Resposta da questão 3:[A]

Resposta da questão 4:[D]

Resposta da questão 5:
a) A corrupção política, incompetência administrativa, a falta de liberdade de imprensa, etc.
b) Ensino público gratuito e obrigatório, liberdade de imprensa e pensameto, instrução técnica.
c) Entre outros, uma educação pública de qualidade, instrução técnica com encaminhamento ao emprego, geração de emprego e renda, diminuição das diferenças sociais e econômicas, etc.

Resposta da questão 6:[A]

Resposta da questão 7:[A]

Resposta da questão 8:[C]

Resposta da questão 9:[D]

Getúlio Vargas foi a expressão maior do populismo, fenômeno político na América Latina entre as décadas de 1930 e 1960, no Brasil. A manipulação das massas trabalhadoras em proveito político utilizando-se dos meios de comunicação de massa, e em particular o rádio, era uma característica básica do populismo. O programa de rádio a “Hora do Brasil”, foi criado durante o Estado Novo para difundir as realizações do governo e contribuiu pra promover a imagem positiva de Vargas como o “Pai dos pobres” junto aos trabalhadores.

Resposta da questão 10:
a) Durante a Era Vargas, decorrente do movimento de 1930, a política econômica concentrou-se no estimulo a diferentes atividades produtivas, visando minimizar os efeitos da hegemonia da cafeicultura e, sobretudo promover a industrialização com vistas à substituição das importações.

b) No plano social, no início do governo Vargas foram concedidos os primeiros direitos trabalhistas e mais tarde, foram criadas a Previdência Social e a CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas). Também foram legalizados os sindicatos, porém mantidos sob a tutela do Estado no que se convencionou chamar de “peleguismo”. Verifica-se ainda na Era Vargas, o início da aceleração do processo de urbanização.












AVALIAÇÃO DE HISTÓRIA - 3º ANO


01. (ENEM)

DOCUMENTO I

O cômputo da Idade da Terra
Da Criação até o Dilúvio__1.656 anos
Do Dilúvio até Abraão_____292
Do Nascimento de Abraão
até Êxodo do Egito_____503
Do Êxodo até a Construção
do Templo___________481
Do Templo até o Cativeiro__414
Do Cativeiro até o Nascimento
de Jesus Cristo ________614
Do Nascimento de Jesus Cristo
até hoje ____________1.560
Idade da Terra_________5.520 anos


DOCUMENTO II

Avalia-se em cerca de quatro e meio bilhões de anos a idade da Terra, pela comparação entre a abundância relativa de diferentes isótopos de urânio com suas diferentes meias-vidas radioativas.


Considerando os dois documentos, podemos afirmar que
a natureza do pensamento que permite a datação da Terra é de natureza
a) científica no primeiro e mágica no segundo.
b) social no primeiro e política no segundo.
c) religiosa no primeiro e científica no segundo.
d) religiosa no primeiro e econômica no segundo.
e) matemática no primeiro e algébrica no segundo.


02. (ENEM) Para o registro de processos naturais e sociais, devem ser utilizadas diferentes escalas de tempo. Por exemplo, para a datação do sistema solar, é necessária uma escala de bilhões de anos, enquanto para a história do Brasil basta uma escala de centenas de anos. Assim, para os estudos relativos ao surgimento da vida no planeta e para os estudos relativos ao surgimento da escrita, seria adequado utilizar, respectivamente, escalas de:

a) milhares de anos; centenas de anos
b) milhões de anos; centenas de anos
c) milhões de anos; milhares de anos
d) bilhões de anos; milhões de anos
e) bilhões de anos; milhares de anos


03. (ENEM) Segundo a explicação mais difundida sobre o povoamento da América, grupos asiáticos teriam chegado a esse continente pelo Estreito de Bering, há 18 mil anos. A partir dessa região, localizada no extremo noroeste do continente americano, esses grupos e seus descendentes teriam migrado, pouco a pouco, para outras áreas, chegando até a porção sul do continente. Entretanto, por meio de estudos arqueológicos realizados no Parque Nacional da Serra da Capivara (Piauí), foram descobertos vestígios da presença humana que teriam até 50 mil anos de idade. Validadas, as provas materiais encontradas pelos arqueólogos no Piauí

a) comprovam que grupos de origem africana cruzaram o oceano Atlântico até o Piauí há 18 mil anos.
b) confirmam que o homem surgiu primeiramente na América do Norte e, depois, povoou os outros continentes.
c) contestam a teoria de que o homem americano surgiu primeiro na América do Sul e, depois, cruzou o Estreito de Bering.
d) confirmam que grupos de origem asiática cruzaram o Estreito de Bering há 18 mil anos.
e) contestam a teoria de que o povoamento da América teria iniciado há 18 mil anos.

04.(ENEM)


Pintura rupestre da Toca do Pajaú – PI. Internet:
A pintura rupestre acima, que é um patrimônio cultural brasileiro, expressa
a) o conflito entre os povos indígenas e os europeus durante o processo de colonização do Brasil.
b) a organização social e política de um povo indígena e a hierarquia entre seus membros.
c) aspectos da vida cotidiana de grupos que viveram durante a chamada pré-história do Brasil.
d) os rituais que envolvem sacrifícios de grandes dinossauros atualmente extintos.

05. (CNDL) Observe as imagens abaixo.

Detalhe da obra “A criação”, de Michelangelo.




Evolução do Homem.

Com base nas imagens acima explique as duas maneiras tradicionalmente usadas para se abordar a origem da vida, bem como a origem do planeta e do universo.







6. (Fuvest 2009) A expressão "política do café com leite" é muito utilizada para caracterizar a Primeira República no Brasil.

Sobre essa política, descreva:
a) seu funcionamento;
b) seu colapso na década de 1920.

7. (Unifesp 2009) "Nesse regime, (...) a verdadeira força política, que no apertado unitarismo do Império residia no poder central, deslocou-se para os Estados. A política dos Estados, isto é, a política que fortifica os vínculos de harmonia entre os Estados e a União é, pois, na sua essência, a política nacional. É lá, na soma dessas unidades autônomas, que se encontra a verdadeira soberania da opinião. O que pensam os Estados, pensa a União."
(Campos Salles. "Mensagem" (3 de maio de 1902). In: "Manifestos e mensagens".
São Paulo: Fundap / Imprensa Oficial, 2007.)

Ao defender a "política dos Estados" (ou política dos governadores) e associá-la às ideias de "harmonia", "soma" e "soberania da opinião", o então presidente da República Campos Salles defendia:
a) O fim da autonomia dos estados e o início de um período de centralização política, que caracterizou a República como uma ditadura.
b) Uma perspectiva de democratização para a recente República brasileira, impedindo que novos protestos políticos e armados irrompessem.
c) A relação diplomática com os demais países sul-americanos e se dispunha a obter alianças e acordos comerciais no exterior.
d) Um pacto entre o governo federal e os governos estaduais, que teriam autonomia econômica, mas assegurariam apoio político ao Presidente.
e) O modelo político adotado como capaz de democratizar o Brasil e de obter, sem lutas, a unidade política e territorial ainda inexistente.

8. (Fatec 2010) Considere a charge para responder à questão.




A charge é uma alusão ao voto
a) secreto, uma conquista dos sindicatos operários durante a era Vargas.
b) censitário, em que havia a exigência de uma renda anual para votar e para se candidatar a cargos públicos.
c) da mulher, fruto da luta feminina nos anos 30.
d) da mandioca, em que votar era permitido apenas para homens livres e com uma renda igual ou superior ao valor de 1,5 toneladas de mandioca.
e) do cabresto, uma característica do coronelismo o qual foi combatido pelos tenentistas e derrubado pela “revolução de 30”.

9. (Cesgranrio 2010) “Socialmente, o coronel exerce uma série de funções que o fazem temido e obedecido. (...)
Aos agregados, ele dispensa favores, dá-lhes terras, tira-os da cadeia e ajuda-os, quando doentes; em compensação, exige fidelidade, serviços, permanência infinita em suas terras, participação nos grupos armados etc... Aos familiares e amigos, ele distribui empregos públicos, empresta dinheiro, obtém crédito, protege-os das autoridades policiais e jurídicas, ajuda-os a fugir dos compromissos fiscais do Estado etc. ...”

CARONE, Edgard. A República Velha. SP: Difel, p 106.

Analisando o texto acima e considerando o fenômeno político-social característico da República Velha no Brasil, conclui-se que o coronel
a) constituiu, através do exercício de um poder político local ilimitado, o suporte das oligarquias que controlavam a política estadual.
b) representou a consolidação de uma economia agroexportadora nordestina, na qual os subsídios do governo federal beneficiavam os trabalhadores rurais do sertão semiárido.
c) foi o sustentáculo de todas as intervenções realizadas pelo Exército na história republicana brasileira desde a ascensão e a deposição de Vargas até o golpe militar de 1964.
d) era o grande fazendeiro cujo poder local cresceu tanto que o governo republicano decidiu criar a Guarda Nacional para combater esse poder paralelo.
e) foi o responsável pela reorganização política dos anos 30 do século XX, com o objetivo de aumentar o controle sobre a terra agricultável.

10. (Fuvest 2010) O conceito de revolução, aplicado ao movimento de 1930 no Brasil, e alvo de polêmica entre historiadores. Independentemente da controvérsia, não ha como negar que houve mudanças importantes, nessa década, com relação as diretrizes da política econômica e a questão social.

Explique as mudanças no que se refere a

a) política econômica e social.




Gabarito:

Resposta da questão 1:
[C]
Religiosa no primeiro documento e científica no segundo.

Resposta da questão 2:
[E]

Resposta da questão 3:
[E]

Resposta da questão 4:
[C]

Resposta da questão 5:
Espera-se que o aluno mencione os aspectos relativos às teorias criacionistas e evolucionistas.

Resposta da questao 6:
a) A "política do café com leite", surgida no governo do presidente Campos Sales, foi uma política de revezamento do poder nacional executada na República Velha pelos estados de São Paulo - mais poderoso economicamente, principalmente devido à produção de café - e Minas Gerais - maior polo eleitoral do país da época e produtor de leite.

b) A "política do café com leite" foi quebrada quando o então presidente paulista Washington Luís apoiou a candidatura do também paulista Júlio Prestes, o que desagradou a elite mineira, que se aliou à elite do Rio Grande do Sul, juntamente com a Paraíba, para a criação da Aliança Liberal, dissidência oligárquica que lançaria Getúlio Vargas como candidato à presidência. Outro fator para a queda desta política foi a Crise de 1929, quando os preços do café brasileiro despencaram no mercado internacional, retirando dos barões do café seu poder político.

Resposta da questao 7:
[D]

Resposta da questao 8:
[E]

A expressão “Voto de cabresto” designa o controle dos coronéis sobre eleitores durante a Velha República (1889-1930), em razão de o voto ser aberto. Essa prática foi fundamental para a sustentação das oligarquias nas diferentes esferas do poder político.

Resposta da questao 9:
[A]

Devido o poder econômico que lhes permitia exercer grande influência sobre as populações sertanejas, os coronéis controlavam as eleições em suas regiões fosse pelo “voto de cabresto” ou pelas fraudes eleitorais. Sua atuação era fundamental para a manutenção das oligarquias no poder durante a República Velha.

Resposta da questão 10
O aluno poderá mencionar os aspectos relativos ao nacionalismo econômico e ao incentivo à industrialização do país e no aspecto social a promulgação dos direitos trabalhistas.
Segundo Ano - CNDL
Terceiro Bimestre - História do Brasil
Coleção Pitágoras
Capítulo 2: Os prenúncios de uma nova ordem: a década de 1920 e a Revolução de 1930

Aprenda como foi a República Velha para a maioria do povo e de que maneira a Primeira República sucumbiu



Você vai saber que os movimentos populares na luta pela cidadania tiveram muita importância durante a primeira república. Grande parte da população mais pobre vivia à margem do processo político.

Segundo Ano - CNDL
Terceiro Bimestre - História do Brasil

Coleção Pitágoras
Capítulo 2: Os prenúncios de uma nova ordem: a década de 1920 e a Revolução de 1930

Análise e interpretação: versões, opiniões e fontes diversas



Cartaz alusivo ao movimento de 1930 que conduziu Getúlio Vargas à Presidência da República.
Leia uma das análises sobre o movimento do 1930

O historiador Boris Fausto acredita que o movimento de 1930 não foi liderado por novos seguimentos sociais: a classe média ou a burguesia industrial. Segundo Fausto, a classe média, muito embora tenha apoiada a Aliança Liberal, era muito heterogênea e subordinada às forças agrárias para que pudesse, sozinha, apresentar um programa político próprio. Já os industriais, ainda de acordo com Fausto, apresentavam fortes diferenças regionais. Por exemplo, no que se refere à burguesia industrial paulista, o historiador acredita que, em São Paulo, já havia uma certa diferenciação entre essa classe e o setor agrário, que se expressou na fundação do Centro de Indústrias do Estado de São Paulo, em 1928. Entretanto, essa diferenciação não foi capaz de colocar um ponto final, em nome dos intelectuais paulistas, no acordo em que existia entre os membros da classe dominante. Os grandes industriais contavam com o apoio do Partido Republicano Paulista (PRP), no qual estavam representados, e não tinham razões para apoiar a oposição que os criticava reiteradamente. Por isso, segundo Boris Fausto, não se deve estranhar o apoio aberto dos industriais paulistas, à candidatura de Júlio Prestes. Nessa medida, adverte o historiador, simplista é a tese de o movimento de 1930 ter significado a tomada direta do poder por essa ou aquela classe social.
Foto da vitória do movimento de 1930, com Getúlio Vargas e sua esposa Darci Vargas, ao centro.
Deve-se lembrar que a chamada "Revolução" de 193o foi liderada por segmentos sociais heterogêneos, tanto político quanto socialmente. Esses diversos segmentos uniram-se contra um mesmo inimigo, embora movidos por interesses diferentes. Os velhos oligarcas não desejavam transformações, apenas defendiam um melhor atendimento às suas demandas e maior soma pessoal de poder. Os quadros civis mais jovens aliaram-se aos tenentes, oficiais de baixa patente, na busca de uma reformulação do sistema político. O movimento tenentista, visto como uma ameaça pela alta oficialidade do Exército, defendia a centralização do poder e a implementação de algumas reformas sociais. Já o Partido Democrático - porta-voz da classe média tradicional - pretendia o governo do estado de São Paulo e a adoção de princípios liberais que, segundo Fausto, aparentemente asseguraria seu predomínio.
Contudo, entre esses , quais setores conseguiram predominar na cena política? Segundo Fausto, ocorreu uma troca de elite no poder sem grandes transformações. Os derrotados foram os quadros oligárquicos tradicionais. Subiram ao poder os militares, os técnicos, os jovens políticos e, um pouco mais tarde, os industriais.


Carla Junho Anastácia.


Getúlio Vargas liderando o movimento que o levou ao poder em 1930.


Apresente os argumentos utilizados por Boris Fausto para desautorizar outras teses sobre o movimento de 1930.

Resolução Comentada: Boris Fausto afirma que a Revolução de 1930 não foi um movimento das classes médias urbanas, na medida em que estas eram muito heterogêneas e subordinadas às forças agrárias e, não podiam, portanto, ter um projeto político próprio. e muito menos dos industriais que apresentavam fortes diferenças regionais. Em especial, os industriais paulistas apoiavam Júlio Prestes e não os candidatos da Aliança Liberal.
Leia o texto a seguir.
O golpe de outubro de 1930 resultou no deslocamento da tradicional oligarquia paulista do epicentro do poder, enquanto os demais setores sociais a ele articulados e vitoriosos não tiveram condições de individualmente, nem de legitimar o novo regime, nem , tampouco, de solucionar a crise econômica. O período de 1930-1937 pode, por isso mesmo, ser definido como de crise política aberta, sem que nenhuma das facções das classes envolvidas lograsse tornar-se hegemônica em sucessão à burguesia cafeeira, o que acabou garantindo ao Estado - a burocracia estatal - a possibilidade de atuar com relativa margem de autonomia face aos interesses em disputa.

MONTEIRO, Hamilton de Mattos. Da República Velha ao Estado Novo. In: LINHARES, Maria Yedda, org. História geral do Brasil. Rio de Janeiro: Campos, 199o. p. 237.

Compare a tese de Monteiro com a de Boris Fausto, apresentando as suas semelhanças e/ou diferenças.

Resolução Comentada: Há uma diferença importante entre a tese de Boris Fausto e o texto de Monteiro. Para Fausto, há um remanejamento oligárquico na política brasileira, para Monteiro, em razão de os vários segmentos que apoiaram a revolução de 1930 não conseguirem a hegemonia política, esta acabou por ser exercida pelo Estado, ou seja, pela burocracia estatal.




O tema em foco

Na foto vemos uma manifestação de apoio ao lançamento da Aliança Liberal que apresentou a chapa presidencial Getúlio Vargas e João Pessoa.



Leia o texto que trata da Aliança Liberal.


[Era clara] a diversidade das forças que se haviam aglutinado em torno da Aliança Liberal, a coligação partidária oposicionista que em 1929 lançou a candidatura de Getúlio Vargas à presidência da República. Enquanto alguns que aderiram à Aliança Liberal faziam oposição sistemática ao regime, outros ali ingressaram apenas por discordarem do encaminhamento dado pelo então presidente Washington Luis à sucessão presidencial. Conhecidos como "oligarcas dissidentes", alguns aliancistas eram ex-presidentes da República, como Arthur Bernardes, Epitácio Pessoa e Venceslau Brás, governadores ou ex-governadores de estado, como Antônio Carlos Andrada, Olegário Maciel, João Pessoa e o próprio Getúlio Vargas. Também participavam da Aliança Liberal os rebeldes "tenentes", um grupo de jovens oficiais do Exército que, a partir do início da década de 1920, tentava, através das armas, derrubar o regime em vigor desde 1889. Defendendo a educação pública obrigatória, a reforma agrária, a adoção do voto secreto, os tenentes se difiniram como antioligárquicos e propunham um novo lugar para o Exército na sociedade brasileira. Embora o líder maior do tenentismo, Luis Carlos Prestes, não tivesse aderido à Aliança, ali estavam lideranças tenentistas expressivas como Juarez Távora, Miguel Costa, João Alberto, Siqueira Campos e Cordeiro de Farias. A despeito de sua heterogeneidade, no ideário da Aliança Liberal estavam presentes temas relacionados com justiça social e liberdade política. Os aliancistas propunham reformas no sistema político, a adoção do voto secreto e o fim das fraudes eleitorais. Pregavam anistia para os perseguidos políticos e defendiam direitos sociais, como jornada de oito horas de trabalho, férias, salário mínimo, regulamentação do trabalho das mulheres e dos menores. Propunham também a diversificação da economia, com a defesa de outros produtos agrícolas além do café, e diminuição das disparidades regionais.
PANDOLFI, Dulce. Os anos 1930: as incertezas do regime. In: FERREIRA, Jorge & DELGADO, Lucília de Almeida Neves. O Brasil Republicano. O tempo do nacional-estatismo. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003. v.2. p. 16

Explique a razão de a autora considerar heterogênea a composição da Aliança Liberal.

Resolução comentada: Vários setores se aglutinaram na Aliança Liberlal: oligarcas dissidentes, tenentes. Alguns aderiram a ela para fazer oposição sistemática ao regime, outros estavam ali apenas por discordarem do encaminhamento tomado pelo presidente Washinton Luis de apoiar um candidato paulista (Júlio Prestes) à sucessão presidencial.

Compare o ideário dos tenentes com o ideário da Aliança Liberal.

Resolução comentada: Embora o programa da Aliança Liberal fosse mais amplo do que o dos tenentes, as reivindicações tenentistas como educação pública obrigatória e adoção do voto secreto estavam contidas no seu programa. Em termos sociais, o programa da Aliança Liberal foi muito mais consistente que o dos tenentes.
Confira abaixo um video que aborda os fatos relacionados à Revolução de 1930, movimento que levou Vargas ao poder


quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Historiador americano fala sobre a relação da ditadura brasileira e os EUA

Na sua mais recente obra, 'Apesar de vocês', James Green conta com detalhes os movimentos de oposição ao regime militar brasileiro nos Estados Unidos.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Colecionador guarda santinho de D. Pedro II em casa

Homem coleciona cartazes de candidatos e documentos na zona norte do Rio de Janeiro.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Fronteira Vulnerável

Pio Penna Filho*
Professor do Instituto de Relações Internacionais da USP e Pesquisador do CNPq.
E-mail: piopenna@gmail.com

A fronteira oeste é uma das mais desprotegidas do Brasil. Estrategicamente localizada, ela é uma delimitadora das zonas platina e amazônica da América do Sul. Se, por um lado, a fronteira sul é a que recebe maior atenção por parte do Estado, contando em diversos pontos com postos de fiscalização de várias agências estatais, como a Receita Federal, a Agência Nacional de

Vigilância Sanitária (ANVISA), maior presença do Exército Brasileiro, da Polícia Federal e maior contingente populacional, por outro, a fronteira norte é que possui um sistema de penetração mais poroso mas, ao mesmo tempo, com maior grau de dificuldade de penetração, além de receber também uma atenção mais especial do Estado, com forte presença das Forças Armadas, notadamente o Exército.


No meio dessas duas grandes zonas fica a fronteira do Centro Oeste, notadamente delimitadora dos territórios entre o Brasil, o Paraguai e a Bolívia. Essa zona de fronteira e seus estados limítrofes brasileiros são, também, pontos de trânsito de uma quantidade considerável de ilícitos que seguem em direção à região sudeste para o consumo interno e, daí, também para o tráfico internacional. Isso sem contar com o fato de que esses próprios estados acabam recebendo os influxos de toda essa movimentação.
Essa zona de fronteira merece atenção não só por delimitar territórios com dois Estados nos quais o crime organizado possui fortes vinculações, com são os casos de Paraguai e Bolívia, ambos fornecedores de drogas e armas para a criminalidade brasileira, destacando-se a maconha no caso do Paraguai e a cocaína e pasta base no caso da Bolívia, senão também porque são áreas relativamente desprotegidas e que causam medo e insegurança na população de suas cidades mais próximas e possibilitam, pela existência de uma malha rodoviária que faz a vinculação entre os três países, o escoamento de drogas e armas e outros produtos do crime em sentido de mão dupla.
No geral, o Brasil é um país que apresenta dificuldades naturais para um efetivo controle de suas fronteiras, sobretudo pela sua dimensão continental. Mas não só por isso. Um dos grandes problemas é a persistente falta de coordenação por parte do Estado federal no combate ao crime organizado. Isso se reflete de imediato no caso do controle das suas zonas fronteiriças que, efetivamente, carecem de uma política e de uma estratégia eficiente para impedir ou dificultar a atuação dos criminosos.
Quando analisamos o caso da Bolívia, fica patente que os interesses do Brasil naquele país são múltiplos, sem contar o fator histórico e a enorme fronteira comum entre os dois países. Deve-se levar em consideração a questão da cocaína e derivados, do fluxo migratório de bolivianos para o Brasil, especialmente para São Paulo, onde boa parte deles acaba sendo submetida a uma superexploração em condições desumanas de trabalho e também a questão relativa à segurança nas áreas de fronteira, especialmente na fronteira de Mato Grosso (mas não apenas), área onde há considerável fluxo de ilícitos, geralmente associados a roubos diversos (aviões, automóveis, motocicletas, tratores, caminhões, equipamentos agrícolas e tudo o mais que satisfaça aos vendedores e compradores de cocaína) com ligações com o tráfico internacional de drogas e que acabam explodindo e alimentando a violência urbana das grandes cidades brasileiras.

Confira no video abaixo uma mega operação na fronteira oeste do Brasil



sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Japoneses lembram tragédia da bomba de Hiroshima


Esta sexta (6) foi dia de lembrar de um dos episódios mais trágicos da história, o primeiro ataque atômico do mundo. O sino da Paz soou às 8h15 na Cidade de Hiroshima, a hora em que caiu a bomba.

Sobrevivente da bomba de Hiroshima relata sua história de vida

Takashi Morita, 86 anos, é um dos sobrevieventes da bomba de Hiroshima. Na época ele tinha 21 anos e trabalhava como policial militar. Onze anos após o fim da guerra, Takashi migrou para o Brasil.

Rosa de Hiroshima, a anti-rosa atômica

Este poema é um exemplo da genialidade de Vinícius de Moraes. A banda Secos & Molhados colocou a melodia que tem a belíssima interpretação de Ney Mato Grosso.

Ouça outra canção que aborda o ataque atômico contra o Japão

Enola Gay era o nome do avião norte-americano que bombadeou a cidade de Hiroshima ao final da Segunda Guerra Mundial.