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sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Terceiro Ano - CNDL
Colégio Notre Dame de Lourdes
Terceiro Bimestre
Coleção Pitágoras

A BAIXA IDADE MÉDIA

Por: Jailson Marinho

I. Origens

O feudalismo europeu é resultado da síntese entre a sociedade romana em decadência e a sociedade bárbara em evolução. Esta síntese resulta nos chamados fatores estruturais para a formação do feudalismo.

Roma contribui para a formação do feudalismo através dos seguintes elementos:
-a "villa", ou o latifúndio auto-suficiente; -o desenvolvimento do colonato, segundo o qual o trabalhador ficava preso à terra;
-a Igreja Cristã, que se tornará na principal instituição medieval. A crise romana reforça seu poder político local e consolida o processo de ruralização da economia.

Os "Bárbaros" contribuem com os seguintes elementos:
-uma economia centrada nas trocas naturais;
-o comitatus, instituição que estabelecia uma relação de fidelidade e reciprocidade entre os guerreiros e seus chefes;
-a prática do chamado benefício ( beneficium ), dando imunidade ao proprietário deste;
-o direito consuetudinário, isto é, os costumes herdados dos antepassados possuem força de lei.

Além destes elementos estruturais ( internos ), contribuíram também os chamados elementos conjunturais ( externos ) , que foram as Invasões Bárbaras dos séculos VIII ao IX
os normandos e os muçulmanos.

Os normandos efetuam um bloqueio do mar Báltico e do mar do Norte e os muçulmanos realizam o bloqueio do mar Mediterrâneo. Estas invasões aceleram o processo de ruralização européia - em curso desde o século III - acentuando a economia agrária e auto-suficiente.

II. Estruturas feudais.

ESTRUTURA ECONÔMICA: a economia era basicamente agro­pastoril, de caráter auto-suficiente e com trocas naturais. O comércio, embora existisse, não foi a atividade predominante.

As terras dos feudos eram divididas em três partes:
-terras coletivas ou campos abertos: de uso comum, onde se recolhiam madeira, frutos e efetuava-se a caça. Neste caso, temos uma posse coletiva da terra.
- reserva senhorial - de uso exclusivo do senhor feudal - é era a propriedade privada do senhor.
- Manso servil ou tenência: terras utilizadas pelos servos. Serviam para manter o sustento destes e para cumprimento das obrigações feudais.

O caráter auto-suficiente da economia feudal dava-se em virtude da baixa produtividade agrícola.

O comércio, embora não fosse a atividade predominante, existia sob duas formas: o comércio local -onde realizava-se as trocas naturais; e o comércio a longa distância -responsável pelo abastecimento de determinados produtos, tais como o sal, pimenta, cravo, etc... O comércio a longa distância funcionava com trocas monetárias e, à partir do século XII terá um papel fundamental na economia européia.

ESTRUTURA POLÍTICA

O poder político era descentralizado, ou seja, distribuído entre os grandes proprietários de terra ( os SENHORES FEUDAIS). Apesar da fragmentação do poder político, havia os laços de fidelidade pessoal ( a vassalagem). Por esta relação estabelecia-se o contrato feudo-vassálico, assim caracterizado:

Homenagem: juramento de fidelidade do vassalo para com o seu suserano;
Investidura: entrega do feudo do vassalo para o suserano.
O suserano ( aquele que concede o feudo ) deveria auxiliar militarmente seu vassalo e também prestar assistência jurídica.

O vassalo ( aquele que recebe o feudo e promete fidelidade) deve prestar o serviço militar para o suserano e comparecer ao tribunal por ele presidido.

ESTRUTURA SOCIAL

A sociedade feudal era do tipo estamental, onde as funções sociais eram transmitidas de forma hereditária. As relações sociais eram marcadas pelos laços de dependência e de dominação. Os estamentos sociais eram três:

CLERO: constituído pelos membros da Igreja Católica. Dedicavam­se ao ofício religioso e apresentavam uma subdivisão: -Alto clero- formado por membros da nobreza feudal (papa, bispo, abade) -Baixo clero- composto por membros não ligados à nobreza ( padre, vigário ).

NOBREZA: formada pelos grandes proprietários de terra e que se dedicavam à atividade militar e administrativa.

TRABALHADORES: simplesmente a maioria da população. Os camponeses estavam ligados à terra ( servos da gleba ) sendo obrigados a sustentarem os senhores feudais.
Assim, o clero formava o 1º Estado, a nobreza o 2º Estado e os trabalhadores o 3º Estado.
O Sistema feudal também apresentava as chamadas obrigações feudais, uma conjunto de relações sociais onde os servos eram explorados pelos senhores feudais.

As principais obrigações feudais eram:

1) CORVÉIA: obrigação do servo de trabalhar nas terras do senhor(manso senhorial). Toda produção de seu trabalho era do proprietário.
2) TALHA: obrigação do servo de entregar parte de sua produção na gleba para o senhor feudal.
3) BANALIDADES: pagamento feito pelo servo pelo uso de instrumentos e instalações do feudo ( celeiro, forno, estrada...).

CRISE DO FEUDALISMO

A crise do Sistema Feudal tem sua origem no século XI e está relacionada ao crescimento populacional. Este, por sua vez, está relacionado a um conjunto de inovações técnicas, tais como o uso da charrua ( máquina de revolver a terra ), o peitoril ( para melhor aproveitamento da força do cavalo no arado ), uso de ferraduras e o moinho d'água.

A estas inovações técnicas, observa-se uma expansão da agricultura, com a ampliação de áreas para o cultivo ( conquista dos bosques, pântanos...). Sabendo-se que a produtividade agrícola era baixa- mesmo com as inovações acima- o crescimento populacional acarreta uma série de problemas sociais: o banditismo, aumento da miséria, guerras internas por mais terras... As Cruzadas foram, neste contexto, uma tentativa para solucionar tais problemas.

AS CRUZADAS
Foram convocadas pelo papa Urbano II, em 1095, com o objetivo oficial de libertar a Terra Santa ( Jerusalém ) do domínio muçulmano. No entanto, outros fatores contribuíram para a organização das Cruzadas: canalizar o espírito guerreiro dos nobres para o oriente; o ideal de peregrinação cristã; o interesse econômico em algumas regiões do oriente e a necessidade de exportar a miséria-em virtude do crescimento populacional.

As principais conseqüências das Cruzadas foram:
-reabertura do mar Mediterrâneo e o desenvolvimento do
intercâmbio comercial entre o Ocidente e o Oriente;
-fortalecimento do poder real, em virtude do empobrecimento Dos senhores feudais;
-o renascimento urbano.

Renascimento Comercial
As Rotas

O comércio de produtos na Europa desenvolve-se em dois centros:
No Norte da Europa, onde a Liga Hanseática -união de cidades alemãs- através dos mares do Norte e Báltico, monopolizava o comércio de peles, madeiras, peixes secos, etc...
Na Itália, onde cidades como Veneza e Gênova, monopolizavam o comércio de produtos vindos do Oriente, como a seda, cravo, canela, etc...

Estes centros comerciais eram interligados por rotas terrestres, sendo que a mais importante era a de Champagne.

As feiras

Contribuíram para a dinamização do comércio e das trocas monetárias. Desenvolveram-se no encontro de rotas comerciais ( os nós de trânsito ). A principal feira ocorria na cidade de Champagne, na França.

Renascimento Urbano

O intenso desenvolvimento comercial colaborou para o desenvolvimento das cidades medievais e de uma nova classe social, a burguesia.
A burguesia inicia uma luta pela emancipação das cidades dos domínios do senhor feudal ( movimento comunal ).

No interior das cidades ( Burgos ), a produção urbana estava organizada nas chamadas Corporações de Ofício. ( Guildas na Itália ). O principal objetivo destas organizações era regulamentar a produção, defendendo o justo preço e praticando o monopólio.
O interior da Corporação de Ofício apresentava uma divisão hierárquica, a saber: o mestre, o aprendiz e o jornaleiro - pessoa que recebia por uma jornada de trabalho.

FORMAÇÃO DAS MONARQUIAS NACIONAIS

A formação das Monarquias Nacionais está associada à aliança entre a burguesia comercial e o rei, efetivada no final da Baixa Idade Média.

O interesse da burguesia nesta aliança era econômico, pois o senhor feudal era um obstáculo para o desenvolvimento de suas atividades: impostos excessivos, pesos e medidas não padronizados e ausência de unificação monetária.

Já o rei, que buscava centralizar o poder político, a classe de senhores feudais representava seu principal obstáculo ( lembre-se que o poder político feudal era fragmentado ). Para fazer valer sua autoridade era necessário a criação de um exército, formado por mercenários.

Assim, a burguesia comercial passa a financiar a montagem deste exército. O rei passa a superar o senhor feudal e a impor sua vontade. A centralização do poder político implica na unificação econômica: padronização de pesos, medidas e monetária -incentivando as trocas comerciais. A Monarquia passa a criar as Companhias de Comércio, onde o monopólio da atividade comercial ficará a cargo da burguesia.

Monarquia Nacional - caso francês.

DINASTIA DOS CAPETOS: substituição das obrigações feudais por tributos pagos à Coroa, criação de um Exército Nacional.
Durante a Guerra dos Cem Anos ( 1337/1453 ), a nobreza feudal se enfraquece, colaborando para o fortalecimento do poder real.
Filipe Augusto (1180/1223 ) -iniciou a luta contra o domínio inglês;
Luís IX ( 1226/1270) - organização da justiça real;
Filipe IV, o Belo ( 1285/1314 ) - entrou em choque com o Papado, episódio conhecido como o Grande Cisma, quando transferiu a sede do Papado para Avignon.

A CRISE DO SÉCULO XIV

O final da Idade Média é marcado por uma séria crise social, econômica e política - a denominada tríada: a Guerra dos Cem Anos, a Peste Negra e a fome, responsáveis pelas revoltas camponesas.

CRISE SÓCIO-ECONÔMICA: Como vimos, a partir do século XI, houve uma expansão da agricultura. Ocorre que as terras de boa qualidade ficam cada vez mais raras, acarretando uma diminuição na produtividade. Soma-se a isto, uma série de transformações climáticas na Europa, responsáveis pela perda de colheitas e gerando uma escassez de alimentos e períodos de fome (1315 a 1317, 1362, 1374 a 1438 ).

Enfraquecida pela fome, a população européia fica vulnerável às epidemias, como no caso da Peste Negra, trazida do Oriente. Calcula-se que um terço da população européia desapareceu.

A epidemia, aliada às sucessivas crises agrícolas, provoca uma enorme escassez de mão-de-obra, levando os servos a fazerem exigências por melhores condições de vida. Muitos servos conseguiam comprar a sua liberdade. Em algumas regiões, no entanto, às exigências dos servos foram seguidas pelo aumento dos laços de dependência, acarretando as revoltas camponesas.

Tanto em um caso - abertura do sistema, quando o servo adquire a sua liberdade; como no outro -fechamento do sistema, quando os laços de dependência são ampliados - o resultado será o agravamento da crise feudal e o início de um novo conjunto de relações sociais.

CRISE POLÍTICA: O período medieval foi marcado pelos conflitos militares, dada a agressividade da nobreza feudal. Entre estes conflitos, A Guerra do Cem Anos ( 1337/1453 ) merece destaque.

A Guerra dos Cem Anos ocorreu entre o reino da França e o reino da Inglaterra, motivada por motivos políticos -a sucessão do trono francês entre Filipe de Valois e Eduardo III, rei da Inglaterra; e motivos econômicos -a disputa pela região da Flandres, importante área produtora de manufaturas.

Ao longo do combate, franceses e ingleses obtiveram vitórias significativas. Entre seus principais personagens, destaque para a figura de Joana d'Arc, que no ano de 1431 foi condenada à fogueira. Após a sua morte os franceses expulsaram os ingleses, vencendo a guerra.

Esta longa guerra prejudicou a economia dos dois reinos e contribuiu para o empobrecimento da nobreza feudal e, consequentemente, o seu enfraquecimento político. Ao mesmo tempo que a nobreza perdia poder, a autoridade do rei ficava fortalecida, beneficiando o processo de construção das Monarquias Nacionais.

A IGREJA MEDIEVAL
A principal instituição medieval será a Igreja Católica. Esta exercia um papel decisivo em todos os setores da vida medieval: na organização econômica, na coesão social, na legitimação da dominação política e nas manifestações culturais.

O clero estava organizado em clero secular ( que vivia no mundo cotidiano em contato com os fiéis ) e o clero regular ( que vivia nos mosteiros, isolando do mundo ) que obedecia regras. Trata-se dos beneditinos, franciscanos, dominicanos, carmelitas e agostinianos.

O topo da hierarquia eclesiática era ( e ainda é ) ocupada pelo papa. Este exercia dois tipos de poderes, o espiritual ( autoridade religiosa máxima) e o poder temporal ( poder político decorrente das grandes extensões de terra que a Igreja possuía ). O exercício do poder temporal levou a Igreja a envolver-se em questões políticas, como a célebre Querela das Investiduras.

Movimentos reformistas

A interferência da Igreja em assuntos políticos, a corrupção eclesiástica, o desregramento moral do clero e a venda de bens eclesiásticos levaram a Igreja a afastar-se de seu ideal religioso.

No século XI surgiu um movimento reformista que buscava recuperar a autoridade moral da Igreja, originado a Ordem de Cluny, que tinha por objetivo seguir as regras da Ordem Beneditina ( castidade, pobreza, caridade, obediência, oração e trabalho ). O papa Gregório VII, que se envolveu na Querela das Investiduras, havia sido um monge desta ordem.

Outras ordens religiosas surgiram, as chamadas Ordens mendicantes, como a dos cartuxos e dos cistercienses. Pregando a pobreza absoluta e vivendo da caridade, surge a Ordem dos Franciscanos e dos Dominicanos.

INQUISIÇÃO

A perda da autoridade moral da Igreja Católica propiciou o desenvolvimento de uma série de doutrinas, crenças e superstições denominadas heresias, que contrariavam os dogmas da Igreja.

Para combater os movimentos heréticos, o papa Gregório IX criou, em 1231, os Tribunais de Inquisição, com a missão de julgar os considerados hereges. Os condenados eram entregues às autoridades administrativas do Estado, que executavam a sentença.

A Inquisição desempenhava um importante papel político, freando os movimentos contrários aos interesses das classes dominantes.

CULTURA MEDIEVAL
Referir-se à Idade Média como a "Idade das Trevas" é um grave erro. Tal concepção representa uma visão distorcida do período medieval. Este preconceito com a Idade Média originou-se no século XVIII com o Iluminismo - fortemente anticlerical.
No entanto, o período medieval foi riquíssimo em atividade cultural.

EDUCAÇÃO: controlada pelo clero católico, que dominava as escolas dos mosteiros, escolas paroquiais e as universidades.
O surgimento e expansão das universidades estão relacionadas com o desenvolvimento das cidades, bem como o surgimento de uma nova classe social: a burguesia comercial.
Os ramos de conhecimento estudados nas universidades medievais eram: Teologia e Filosofia, Letras, Ciências, Direito e Medicina. O ensino era ministrado em latim.

ARTES:

a) Literatura-enaltecer a figura do cavaleiro cristão e suas qualidades: lutar pelo bem público, combater as heresias e defender os pobres, viúvas e órfãos.
Na poesia épica exalta-se os torneios, as aventuras e a defesa do cristianismo, tais como a canção de Rolando (século XI ) e El Cid( século XII).
Na poesia lírica, predomina o tema do amor espiritualizado e idealizado do cavaleiro pela sua amada.
No século XIII, o grande destaque da literatura foi Dante Alighieri, autor da Divina Comédia.

b) Pintura-possuía uma função didática, pois estava associada à divulgação de temas religiosos. Entre os principais pintores medievais, destacam-se Cimabue e Giotto.

c) Escultura-função decorativa e de divulgação dos valores religiosos.

d) Arquitetura-desenvolvimento de dois estilos: o românico e o gótico.
Românico: (séculos XI/XII) -arcos em abóbadas redondos, sustentados por paredes maciças. A catedral de Notre-Dame la Grande em Poitiers é um exemplo deste estilo.
Gótico: ( séculos XII/XVI ) - uso do arco em ponta ou ogival, permitindo a construção de abóbadas bastante amplas. Existência de muitas janelas para melhor iluminação do interior, muito mais amplo que o estilo românico. O gótico está relacionado com o crescimento populacional e o desenvolvimento urbano.

A catedral de Notre-Dame, em Paris, é um exemplo deste estilo.

e) musica: divulgava os valores cristãos. Destaque para Gregório Magno ( 590/604 ) que implantou o canto gregoriano. Na música popular, destaque para as canções trovadorescas, cujos temas eram os ideais cristãos.

CIÊNCIAS E FILOSOFIA

A principal corrente filosófica do período foi a Escolástica, que tinha por objetivo conciliar a razão com a fé. Seus principais representantes foram Alberto Magno ( 1193/1280 ) e Tomás de Aquino ( 1225/ 1274). Este último reconstruiu parte das teorias de Aristóteles, dentro de uma visão cristã, na sua obra Summa Theológica.

No setor científico, Roger Bacon (1214/1294) defensor da observação e da experimentação como norma científica.


quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Terceiro Ano - CNDL
Colégio Notre Dame de Lourdes
Terceiro Bimestre
Coleção Pitágoras
A Alta Idade Média

A Idade Média é o período histórico compreendido entre os anos de 476 ( queda de Roma ) ao ano de 1453 ( a queda de Constantinopla). Este período apresenta uma divisão, a saber:

-ALTA IDADE MÉDIA ( do século V ao século IX ) - fase marcada pelo processo de formação do feudalismo.

-BAIXA IDADE MÉDIA ( do século XII ao século XIV ) -fase caracterizada pela crise do feudalismo.


Entre os séculos IX e XII observa-se a cristalização do Sistema Feudal.
Posto isto, vamos dividir o estudo do período medieval em duas partes. Nesta revisão abordaremos a Alta Idade Média e na próxima revisão veremos o Feudalismo e a Baixa Idade Média.
RESUMO

A Sociedade medieval
Clero (padres, bispos, papa), Nobres (reis, condes, duques, cavaleiros), Servos (camponeses)



A vida dos servos
Obrigações (impostos e taxas):
- talha, corvéia, banalidades, tostão de Pedro





Os Cavaleiros medievais
Eram : corajosos, justos, honestos e guerreiros

O poder da Igreja Católica
- poder econômico, político e cultural
- o teocentrismo ( explicação religiosa para todas as coisas)
- dificultou o avanço da ciência

Excluídos e Perseguidos na Idade Média
- Bruxas eram perseguidas, torturadas e queimadas
- Leprosos eram isolados nas florestas




ALTA IDADE MÉDIA

Período do século V ao século IX é caracterizado pela formação do Sistema Feudal. Neste período observa-se os seguintes processos históricos: a formação dos Reinos Bárbaros, com destaque para o Reino Franco; o Império Bizantino -parte oriental do Império Romano - e a expansão do Mundo Árabe. Grosso modo, a Alta Idade Média representa o processo de ruralização da economia e sociedade da Europa.

1. OS REINOS BÁRBAROS
Para os romanos, "bárbaro" era todo aquele povo que não possuía uma cultura greco-romana e que, portanto, não vivia sob o domínio de sua civilização. Os bárbaros que invadiram e conquistaram a parte ocidental do Império Romano eram os Germânicos, que viviam em um estágio de civilização bem inferior, em relação aos romanos. Eles não conheciam o Estado e estavam organizados em tribos. As principais tribos germânicas que se instalaram na parte ocidental de Roma foram:

-Os Anglo-Saxões, que se estabeleceram na Grã-Bretanha;
-Os Visigodos estabeleceram-se na Espanha;
-Os Vândalos fixaram-se na África do Norte;
-Os Ostrogodos que se instalaram na Itália;
-Os Suevos constituíram-se em Portugal;
-Os Lombardos no norte da Itália;
-Os Francos que construíram seu reino na França.

Os Germânicos não conheciam o Estado, vivendo em comunidades tribais - cuja principal unidade era a Família. A reunião de famílias constituía um Clã e o agrupamento de clãs formava a Tribo. A instituição política mais importante dos povos germânicos era a Assembléia de Guerreiros, responsável por todas as decisões importantes e chefiada por um rei ( rei que era indicado pela Assembléia e que, por isto mesmo, controlava o seu poder ). Os jovens guerreiros se uniam -em tempos de guerra -a um chefe militar por laços de fidelidade, o chamado Comitatus.
A sociedade germânica era assim composta:
-Nobreza: formada pelos líderes políticos e grandes
proprietários de terras;
-Homens-livres: pequenos proprietários e guerreiros que
participavam da Assembléia;
-Homens não-livres: os vencidos em guerras que viviam sob o regime de servidão e presos à terra e os escravos - grupo formado pelos prisioneiros de guerra.

Economicamente, os germânicos viviam da agricultura e do pastoreio. O sistema de produção estava dividido nas propriedades privadas e nas chamadas propriedades coletivas ( florestas e pastos ).
A religião era politeísta e seus deuses representavam as forças da natureza.

Como sabemos, o contato entre Roma e os bárbaros, a princípio, ocorreu de forma pacífica até meados do século IV. À partir daí, a penetração germânica deu-se de forma violenta, em virtude da pressão dos hunos. Também contribuíram para a radicalização do contato: crescimento demográfico entre os germanos, a busca por terras férteis, a atração exercida pelas riquezas de Roma e a fraqueza militar do Império Romano.

Entre os povos germânicos, os Francos são aqueles que irão constituir o mais importante reino bárbaro e que mais influenciarão o posterior desenvolvimento europeu.

O REINO FRANCO

A história do Reino Franco desenvolve-se sob duas dinastias:
-Dinastia dos Merovíngios ( século V ao século VIII ) e -Dinastia dos Carolíngios ( século VIII ao século IX ).


OS MEROVÍNGIOS

O unificador das tribos francas foi Clóvis ( neto de Meroveu, um rei lendário que dá nome a dinastia). Em seu reinado houve uma expansão territorial e a conversão dos Francos ao cristianismo. A conversão ao cristianismo foi de extrema importância aos Francos ­que passam a receber apóio da Igreja Católica; e para a Igreja Católica que terá seu número de adeptos aumentado, e contará com o apóio militar dos Francos.

Com a morte de Clóvis, inicia-se um período de enfraquecimento do poder real, o chamado Período dos reis indolentes. Neste período, ao lado do enfraquecimento do poder real haverá o fortalecimento dos ministros do rei, o chamado Mordomo do Paço (Major Domus). Entre os Mordomos do Paço, mercerem destaque: Pepino d'Herstal, que tornou a função hereditária; Carlos Martel, que venceu os árabes na batalha de Poitiers, em 732 e Pepino, o Breve, o criador da dinastia Carolíngia.

A Batalha de Poitiers representa a vitória cristã sobre o avanço muçulmano na Europa. Após esta batalha, Carlos Martel ficou conhecido como "o salvador da cristandade ocidental".

OS CAROLÍNGIOS

Dinastia iniciada por Pepino, o Breve. O poder real de Pepino foi legitimado pela Igreja, iniciando-se assim uma aliança entre o Estado e a Igreja - muito comum na Idade Média, bem como o início de uma interferência da Igreja em assuntos políticos.

Após a legitimação de seu poder, Pepino vai auxiliar a Igreja na luta contra os Lombardos. As terras conquistadas dos Lombardos foram entregues à Igreja, constituindo o chamado Patrimônio de São Pedro. A prática de doações de terras à Igreja irá transformá-la na maior proprietária de terras da Idade Média.

Com a morte de Pepino, o Breve e de seu filho mais velho Carlomano, o poder fica centrado nas mãos de Carlos Magno.

O IMPÉRIO CAROLÍNGIO

Carlos Magno ampliou o Reino Franco por meio de uma política expansionista. O Império Carolíngio vai compreender os atuais países da França, Holanda, Bélgica, Suiça, Alemanha, República Tcheca, Eslovênia, parte da Espanha, da Áustria e Itália.
A Igreja Católica, representada pelo Papa Leão III, vai coroá-lo imperador do Sacro Império Romano, no Natal do ano 800.

O vasto Império Carolíngio será administrado através das Capitulares, um conjunto de leis imposto a todo o Império. O mesmo será dividido em províncias: os Condados, administrados pelos condes; os Ducados, administrados pelos duques e as Marcas, sob a tutela dos marqueses. Condes, Duques e Marqueses estavam sob a vigilância dos Missi Dominici -funcionários que em nome do rei inspecionavam as províncias e controlavam seus administradores. Os Missi Dominici atuavam em dupla: um leigo e um clérigo.

No reinado de Carlos Magno a prática do benefício (beneficium) foi muito difundida, como forma de ampliar o poder real. Esta prática consistia na doação de terras a quem prestasse serviços ao rei, tendo para com ele uma relação de fidelidade. Quem recebesse o benefício não se submetia à autoridade dos missi dominici. Tal prática foi importante para a fragmentação do poder nas mãos de nobres ligados à terra em troca de prestação de serviços -a origem do FEUDO.

Na época de Carlos Magno houve um certo desenvolvimento cultural, o chamado Renascimento Carolíngio, caracterizado pela promoção das atividades culturais, através da criação de escolas e pela vinda de sábios de várias partes da Europa, tais como Paulo Diácono, Eginardo e Alcuíno - monge fundador da escola palatina.

Este "renascimento" contribuiu para a preservação e a transmissão de valores da cultura clássica ( greco-romana ). Destaque para a ação dos mosteiros, responsáveis pela tradução e cópia de manuscritos antigos.

DECADÊNCIA DO IMPÉRIO CAROLÍNGIO

Com a morte de Carlos Magno, em 814, o poder vai para seu filho Luís, o Piedoso, o qual conseguiu manter a unidade do Império. Com a sua morte, em 841, o Império foi dividido entre os seus filhos. A divisão do Império ocorreu em 843, com a assinatura do Tratado de Verdun estabelecendo que:

Carlos, o Calvo ficasse com a parte ocidental ( a França atual);
Lotário ficasse com a parte central ( da Itália ao mar do Norte) e
Luís, o Germânico ficasse com a parte oriental do Império.

Após esta divisão, outras mais ocorrerão dentro do que antes fora o Império Carolíngio. Estas divisões fortalecem os senhores locais, contribuindo para a descentralização política que, somada a uma onda de invasões sobre a Europa, à partir do século IX ( normandos, magiares e muçulmanos ) contribuem para a cristalização do feudalismo.


Confira abaixo uma síntese do Feudalismo


O feudalismo foi um modo de organização social e político baseado nas relações servo-contratuais (servis). Tem suas origens na decadência do Império Romano. Predominou na Europa durante a Idade Média.

Aprenda mais sobre a Alta Idade Média



Nesta teleaula você conhecerá o feudalismo. Entenderá porque, durante esse modo de organização social, a Europa perdeu a noção de Estado, se dividindo em muitos reinos. Além disso, aprenderá que na Idade Média a Igreja Católica era o maior poder organizado que existia e que as Cruzadas foram expedições militares organizadas pelos papas para conquistar a Terra Santa: a Palestina.

domingo, 12 de setembro de 2010

Aprenda mais sobre as origens do Islamismo

Terceiro Ano - CNDL
Colégio Notre Dame de Lourdes
Terceiro Bimestre
Coleção Pitágoras
O Islão

Introdução

A religião muçulmana tem crescido nos últimos anos (atualmente é a segunda maior do mundo) e está presente em todos os continentes. Porém, a maior parte de seguidores do islamismo encontra-se nos países árabes do Oriente Médio e do norte da África. A religião muçulmana é monoteísta, ou seja, tem apenas um Deus: Alá.
Criada pelo profeta Maomé, a doutrina muçulmana encontra-se no livro sagrado, o Alcorão ou Corão. Foi fundada na região da atual Arábia Saudita.



Vida do profeta Maomé

Muhammad (Maomé) nasceu na cidade de Meca no ano de 570. Filho de uma família de comerciantes, passou parte da juventude viajando com os pais e conhecendo diferentes culturas e religiões. Aos 40 anos de idade, de acordo com a tradição, recebeu a visita do anjo Gabriel que lhe transmitiu a existência de um único Deus. A partir deste momento, começa sua fase de pregação da doutrina monoteísta, porém encontra grande resistência e oposição. As tribos árabes seguiam até então uma religião politeísta, com a existência de vários deuses tribais.
Maomé começou a ser perseguido e teve que emigrar para a cidade de Medina no ano de 622. Este acontecimento é conhecido como Hégira e marca o início do calendário muçulmano.










Em Medina, Maomé é bem acolhido e reconhecido como líder religioso. Consegue unificar e estabelecer a paz entre as tribos árabes e implanta a religião monoteísta. Ao retornar para Meca, consegue implantar a religião muçulmana que passa a ser aceita e começa a se expandir pela península Arábica.
Reconhecido como líder religioso e profeta, faleceu no ano de 632. Porém, a religião continuou crescendo após sua morte.

Livros Sagrados e doutrinas religiosas

O Alcorão ou Corão é um livro sagrado que reúne as revelações que o profeta Maomé recebeu do anjo Gabriel. Este livro é dividido em 114 capítulos (suras). Entre tantos ensinamentos contidos, destacam-se: onipotência de Deus (Alá), importância de praticar a bondade, generosidade e justiça no relacionamento social. O Alcorão também registra tradições religiosas, passagens do Antigo Testamento judaico e cristão.



Os muçulmanos acreditam na vida após a morte e no Juízo Final, com a ressurreição de todos os mortos.
A outra fonte religiosa dos muçulmanos é a Suna que reúne os dizeres e feitos do profeta Maomé.
Preceitos religiosos

A Sharia define as práticas de vida dos muçulmanos, com relação ao comportamento, atitudes e alimentação. De acordo com a Sharia, todo muçulmano deve seguir cinco princípios:

- Aceitar Deus como único e Muhammad (Maomé) como seu profeta;
- Dar esmola (Zakat) de no mínimo 2,5% de seus rendimentos para os necessitados;
- Fazer a peregrinação à cidade de Meca pelo menos uma vez na vida, desde que para isso possua recursos;
- Realização diária das orações;
- Jejuar no mês de Ramadã com objetivo de desenvolver a paciência e a reflexão.

Locais sagrados

Para os muçulmanos, existem três locais sagrados: A cidade de Meca, onde fica a pedra negra, também conhecida como Caaba. A cidade de Medina, local onde Maomé construiu a primeira Mesquita (templo religioso dos muçulmanos). A cidade de Jerusalém, cidade onde o profeta subiu ao céu e foi ao paraíso para encontrar com Moises e Jesus.

Figura 1: Árabes em torno do templo da Caaba.

Divisões do Islamismo

Os seguidores da religião muçulmana se dividem em dois grupos principais : sunitas e xiitas. Aproximadamente 85% dos muçulmanos do mundo fazem parte do grupo sunita. De acordo com os sunitas, a autoridade espiritual pertence a toda comunidade. Os xiitas também possuem sua própria interpretação da Sharia.


Conquistas territoriais



A expansão islâmica foi motivada pelos interesses mercantis dos grupos de comerciantes árabes e pela possibilidade de pilhagens e conquistas de terras férteis, favorecendo os interesses dos povos beduínos. Além disso, atribui-se a ela o enfraquecimento do Império Persa e a propagação da fé islâmica, obrigação pregada pelos descendentes de Maomé.
No primeiro século de existência, os árabes definiram um processo de expansão responsável pela formação de um vasto império territorial que se estendia da Península Ibérica, norte da África e do Oriente Médio, chegando inclusive às fronteiras da China e da Índia.

Economia, religião e cultura

As principais atividades econômicas, desenvolvidas pelos povos árabes foram o comércio e a indústria. As caravanas árabes estendiam os seus contatos até as regiões da Índia e do Extremo Oriente. Além das especiarias provenientes do Oriente, os árabes permitiam ao mundo ocidental o contato com as invenções dos chineses, como a pólvora, a bússola e o papel e com as dos hindus, como os algarismos, que passaram a ser chamados de algarismos arábicos. Os principais produtos orientais comercializados pelos povos árabes eram porcelana, musselina, tapetes, marfim, sedas, ouro, jóias, além de escravos.
Na atividade agrícola, da criação da curva de nível, os árabes desenvolveram técnicas assimiladas de diferentes povos. Boa parte das terras do império eram divididas em pequenas propriedades, exploradas pelos próprios donos. Nas grandes propriedades, era comum a presença de escravos, servos e rendeiros livres.
No campo religioso, o islamismo, doutrina criada por Maomé, possuía como princípios fundamentais a crença em Alá, como único Deus, e em Maomé, como seu legítimo profeta. Além disso, o islâmico é obrigado a orar cinco vezes ao dia, voltado para Meca; visitar Meca, pelo menos uma vez na vida; jejuar no mês do Ramadã (o nono mês lunar dos islâmicos) além de promover a caridade. A religião islâmica prega a crença no paraíso, no Juízo Final, na imortalidade da alma e na existência dos anjos. Segundo as orientações contidas no Alcorão, o livro sagrado com os ensinamentos de Maomé, os muçulmanos devem se abster da bebida, da carne de porco e dos jogos de azar. O Alcorão condena o roubo, o homicídio e a reprodução da figura humana. Admite, por outro lado, a escravidão e a poligamia.



A capacidade de assimilar e a de reelaborar o patrimônio cultural das diferentes civilizações com as quais tiveram contato fizeram dos árabes uma civilização que em muito se notabilizou no campo científico.
Aos árabes se deve a tradução da obra do astrônomo grego Ptolomeu, conhecida como Almagesto, e a criação de importantes laboratórios em Damasco, em Córdoba e no Cairo. Desenvolveram paralelamente os primeiros estudos de alquimia, com o objetivo de produzir a pedra filosofal, substância que poderia transformar todos os metais em ouro. Nessa época, acabaram descobrindo várias substâncias, como o álcool, o ácido sulfúrico e o salitre. Os estudos árabes sobre a alquimia contribuíram sobremaneira para o desenvolvimento da química como ciência. Foram também os árabes que promoveram a descrição dos processos de destilação, filtração e sublimação.
No campo da medicina, os árabes estabeleceram o diagnóstico de doenças como a varíola e o sarampo. A obra Cânon, do médico Avicena, foi utilizada como manual de medicina na Europa até o século XVII.
Na matemática, os árabes desenvolveram os estudos de álgebra e de trigonometria, além da propagação do sistema numérico arábico, na verdade de origem hindu.
Na literatura, rica e imaginativa, os árabes desenvolveram importantes obras como o Rubayat, contendo as poesias de Omar Kayaman, além da obra em prosa As mil e uma noites, coleção de histórias, fábulas e contos eróticos e aventuras, inspirados na literatura dos povos egípcio e persa. Ibn Khaldum foi o mais importante historiador árabe, considerado os fatores de ordem material fundamentais, para o entendimento do processo civilizatório.
A pintura e a escultura foram antes menos desenvolvidas devido às restrições do Alcorão, que proíbe a retratação da figura humana. Destaca-se, no entanto, a originalidade da arte dos arabescos como recurso decorativo.
A arquitetura foi a principal arte desenvolvida, apresentando a combinação dos estilos bizantino e persa. Os árabes construíram palácios e mesquitas utilizando nesses obras a técnica de cripta em foram de bulbo, os minaretes, os arcos em ferradura, os arabescos e os mosaicos. Destacam-se como obras notáveis dos povos árabes a Mesquita de Omar, os palácios de Alhambra em Granada e Alcaçar em Sevilha.
Na filosofia, destaca-se a influência dos pensadores gregos, como Platão e Aristóteles. Avicenas e Averrois sobressaíram-se pela preservação e divulgação do racionalismo grego no Ocidente.
Finalmente, é importante ressaltar a influência árabe na língua portuguesa, em função da prolongada presença desses povos na região da Península Ibérica (século VII ao XV).




Saiba mais sobre a Civilização Muçulmana

Nesta teleaula você verá como o império muçulmano começou sua expansão na Península Arábica, onde a religião do Islã foi revelada ao profeta Maomé. Além disso, aprenderá que este império se dividia em três califados.

Conheça a força da religião islâmica




Atividades
1. Explique o que caracterizava politicamente a Arábia Pré-Islâmica.

Resposta: Politicamente, era caracterizada pela ausência de um Estado que abrigasse a nação existente na Península Arábica. Os povos árabes estavam fragmentados politicamente em 335 tribos dispersas na região litorânea (Arábia Feliz) e no interior da península (Arábia desértica), independentes entre si e dedicados à religião politeísta.


2. Qual era a importância da Caaba para os povos pré-islâmicos.

Resposta: A Caaba representava o principal templo dos povos pré-islâmicos na medida em que abrigava os inúmeros ídolos de adoração das diversas tribos que ocupavam a Península Arábica, entre eles a Pedra Negra.


3. Explique a importância histórica da Hégira para civilização árabe.

Resposta:A Hégira, fuga de Maomé para a cidade de Yatreb em 622, representa o ínicio do calendário muçulmano.

4.Identifique os aspectos culturais em que os povos árabes mais se destacaram.

Resposta: Além da contribuição religiosa, atribuem-se aos árabes os primeiros estudos de alquimia, que permitiram a descoberta de importantes substâncias químicas. Diagnosticaram, na Medicina, doenças como varíola e sarampo. Desenvolveram, na Matemática, os estudos de álgebra e de trigonometria. Na prosa literária, destacaram-se coma a obra As mil e uma noites, além da obra poética de Rubayt. Desenvolveram grandiosa arquitetura com a construção de palácios e mesquitas.

Questões propostas

Gabarito
1.a
2.c
3.e
4.a
5.e
6.b
7.a
8.e
9.d
10.a
11.c
12.e
13.01+ 02+ 04 +08
14.V;V;V;V;V



sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Terceiro Ano - CNDL
Colégio Notre Dame de Lourdes
Terceiro Bimestre
Coleção Pitágoras
As civilizações clássicas
A civilização romana
Atividades


12. "A luta entre patrícios e plebeus estabeleceu-se como um dos principais elementos sociais da República Romana."
a) Justifique a eclosão dos conflitos entre patrícios e plebeus no período republicano.

Resposta: Os plebeus, apesar de serem considerados livres, eram destituídos de direitos políticos além de serem obrigados a pagar impostos e servir o exército. A marginalização política, a discriminação social e a desigualdade econômica imposta à plebe provocaram a reação política contra os setores aristocráticos.

b) Apresente um desdobramento político desse conflito.
Resposta: A decretação da Lei das 12 Tábuas, instituindo a igualdade jurídica entre patrícios e plebeus.

13. Explique a importância das Guerras Púnicas para a República Romana.
Resposta: As Guerras Púnicas contra Cartágo, permitiram a Roma a consolidação do seu domínio marítimo-comercial sobre o Mediterrâneo Ocidental.

14. Analise a importância social das reformas propostas por Tibério e Caio Graco.
Resposta: A importância da atuação dos tribunos da plebe, Tibério e Caio Graco, definiu-se pela defesa de medidas de caráter social voltadas para os interesses das camadas populares, como a proposta de reforma agrária e a Lei Frumentária.

15. Explique o que permitiu a "Pax Romana" durante o governo de Otávio Augusto.
Resposta: A "Pax Romana" foi possibilitada, externamente, pela substituição do expansionismo militar pela melhoria da administração das províncias e internamente pela melhoria da administração das províncias e internamente pela prosperidade econômica e social além de grandes realizações artísticas e culturais.


16. Analise os fatores responsáveis pela desagregação do Império Romano.
Resposta: A crise do Império Romano está relacionada, entre outros fatores, à crise do modo de produção escravista, decorrente da diminuição das conquistas militares, provocando a retração dos setores produtivos. As intrigass palacianas responsáveis pelo agravamento do quadro de instabilidade política e econômica e ao processo das invasões bárbaras sobre as fronteiras do Império.

17. Explique as origens e a importância histórica do Direito Romano.
Resposta: O legado cultural mais importante de Roma estabeleceu-se no campo do Direito. Suas origens estabeleceram-se na luta de classes entre plebeus e patrícios ocorridas durante o período republicano. Dessa luta, definiu-se, entre outras conquistas, a Lei das 12 Tábuas. As leis escritas do Direito Romano deram origem ao Corpus Juris Civilis ou Código de Justiniano, imperador bizantino, que inspirou a legislação e o Direito moderno do mundo ocidental.

QUESTÕES PROPOSTAS
1. (UFC-CE) A concentração de terras produtivas nas mãos da aristocracia grega gerou uma série de crises e conflitos sociais relacionados à posse da terra entre os séculos VIII a.C. e VII a.C., período de formação da polis grega. Constituiu solução adotada para superar as tensões sociais nesse período a:
A) venda dos homens livres sem terra como escravos para outros povos, como os fenícios.
B) adoção da tirania como forma de conter as revoltas sociais que se manifestavam no governo
democrático.
C) diminuição do número de escravos para ampliar as possibilidades de trabalho para os homens gregos livres.
D) colonização de novas terras por grupos de colonos gregos com o intuito de fundar novas poleis e organizar uma economia autônoma.
E) ampliação do comércio após a tomada das rotas comerciais dos egípcios a fim de deslocar a mão de obra grega para a atividade comercial.

2. (Fuvest) Comparando-se as civilizações da Antiguidade Ocidental (Grécia e Roma) com as da Antiguidade Oriental (Egito e Mesopotâmia), constata-se que ambas conheceram as mesmas instituições básicas, muitas das quais, aliás, o Ocidente tomou do Oriente. Contudo, houve um setor original e específico da civilização greco-romana. Trata-se do:
a) econômico,com novas formas de indústrias e comércio que permitiram o surgimento de centros urbanos.
b) social, com novas formas de trabalho compulsório e hierarquias sociais baseadas no nascimento e na riqueza.
c) religioso, como aparecimento de divindades com representação antropomórfica e poderes ilimitados.
d) cultural, com o desenvolvimento das artes plásticas e de expressões artísticas derivadas do uso da escrita.
e) político, com a instituição de práticas participativas no poder e instituições republicanas de governo.

3. (UFC) A democracia ateniense possui algumas características que a tornam diferente das democracias modernas, ainda que estas se inspirem nela para se constituírem.

CHAUÍ, Marilena. Introdução à história da filosofia: dos pré-socráticos a Aristóteles. v. 1 e 2. ed. São Paulo, Brasiliense, 1994. p. 111.

Dentre as peculiaridades da democracia ateniense, podemos destacar:

01. Os estrangeiros (metecos) são excluídos da democracia.

02. Os escravos domésticos gozam de direitos civis e políticos.

04. Os direitos da cidadania restringem-se a uma parcela da população: os cidadãos.

08. Mulheres e crianças estão excluídas da cidadania que existe apenas para os homens livres, adultos naturais de Atenas.

16. A democracia ateniense representa um avanço, se comparada às formas políticas das monarquias orientais.

4.(FUVEST) "A história da Antiguidade Clássica é a história das cidades, porém, de cidades baseadas na propriedade da terra e na agricultura." K. Marx. Formações econômicas pré-capitalistas. Em decorrência da frase de Marx, é correto afirmar que

a) os comerciantes eram o setor urbano com maior poder na Antigüidade, mas dependiam da produção agrícola.
b) o comércio e as manufaturas eram atividades desconhecidas nas cidades em torno do Mediterrâneo.
c) as populações das cidades greco-romanas dependiam da agricultura para a acumulação de riqueza monetária.
d) a sociedade urbana greco-romana se caracterizava pela ausência de diferenças sociais.
e) os privilégios dos cidadãos das cidades gregas e romanas se originavam da condição de proprietários rurais.

5. (UFC) A respeito da Grécia, podemos dizer que

01. a Gerúsia era o nome atribuído ao Conselho dos Anciãos espartanos.

02. a rivalidade entre Atenas e Esparta provocou a Guerra do Peloponeso.

04. a cultura helenística era expressão da fusão de elementos gregos e orientais.

08. o apogeu da democracia ateniense ocorreu durante o governo de Péricles.

16. a diarquia foi consolidada pelos democratas atenienses.

32. a cidade-Estado foi uma criação da política grega.

6. (UFBA) Em relação ao legado cultural dos romanos à Civilização Ocidental, pode-se afirmar:

(01) Esse legado foi transmitido à civilização moderna e contemporânea através dos povos "bárbaros", os quais, assimilados à cultura romana, lançaram as bases das modernas nações europeias.

(02) Conhecimentos científicos sobre matemática e ciências naturais foram amplamente aprofundados pelos romanos, constituindo-se posteriormente na base para os avanços realizados durante o Renascimento.

(04) A estrutura administrativa dos romanos, no que se refere aos governos locais e ao papel dos edis, ofereceu subsídios para a moderna administração municipal.

(08) O esforço dos romanos no sentido de sistematizar suas leis, através do Corpus Juris Civilis, foi totalmente perdido, após as alterações provocadas pelos povos "bárbaros", no Império.

(16) A religião cristã, aceita sem dificuldades pelo Império Romano, foi utilizada como instrumento de poder e dominação daquele povo sobre os árabes, os judeus e os germanos.

7. (UFPE)"Em Roma, a civilização, a cultura, a literatura, a arte e a própria religião provieram quase inteiramente dos gregos ao longo de quase meio milênio de aculturação".

Paul Veyne, in HISTÓRIA DA VIDA PRIVADA.

Com relação à cultura greco-romana assinale a alternativa incorreta:
a) Pode-se afirmar que de Gibraltar ao Indo, região dominada pelo Império Romano, reinava a civilização helenística.
b) O aparelho de estado romano não se espelhou na política grega devido às diferentes perspectivas que tinham os romanos sobre duas questões: a riqueza e o poder.
c) Apesar de copiarem a arte grega, os romanos foram originais no que diz respeito ao ato de retratar, tanto através de pintura quanto da escultura.
d) Assim como em Atenas, a posição da mulher romana era de grande poder político e prestígio social.
e) No início do período republicano, a vida familiar entrou em crise: adultério e divórcio, cultos orientais e gregos tomaram o lugar da religião formalista, patriótica e do culto aos antepassados.

8. (UFC) O Império Romano caiu em finais do século V. A sociedade romana foi destruída por motivos internos e externos ao próprio Império. As complexas causas de sua crise foram precipitadas pelo movimento dos escravos, dos colonos e das conquistas dos bárbaros.

Podemos afirmar que os bárbaros eram

a) povos comerciantes do Mediterrâneo.

b) tribos seminômades pastoris e guerreiras que viviam agrupadas em clãs.

c) grupos internos ao Império, descontentes com a crise iniciada no século III.

d) um conjunto de povos portadores de novas tecnologias agrárias.

e) tribos descendentes dos antigos etruscos que habitavam o Lácio.

9. (UFPE) A cristianização do Império Romano é decorrente de que fato?

a) Tendência dos romanos às fantasias da imaginação mística.

b) Processo de expansão romana na direção do Oriente Próximo.

c) Deificação do Imperador Augusto.

d) Cultos secretos: os mistérios Elêusis e Orfismo.

e) Práticas religiosas pagãs da família patriarcal romana.

GABARITO:

01. D

02. E

03. Verdadeiras: 01, 04, 08, 16

04. E

05. Verdadeiras: 01, 02, 04, 08

06. Verdadeiras: 01, 04

07. D

08. B

09. B

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Terceiro Ano - CNDL
Colégio Notre Dame de Lourdes
Terceiro Bimestre
Coleção Pitágoras
As civilizações clássicas
A civilização romana
O mundo Romano: da monarquia a República





Nesta teleaula você conhecerá a lenda que se mistura com a história da fundação de Roma e saberá como a cidade passou de monarquia a República. Além disso, verá que, durante as guerras púnicas, os romanos destruíram a cidade de Cartago e se tornaram donos do norte da África.

Assista também a segunda parte da aula O mundo Romano: da monarquia a República


Da Crise da República ao Fim do Império Romano

Nesta teleaula você verá que as desigualdades sociais provocaram uma crise na república romana e que o partido senatorial impedia reformas propostas pelo partido popular. Além disso, aprenderá que o império romano caiu devido aos seus vícios internos e às invasões dos povos bárbaros.

Assista também a segunda parte da aula Da Crise da República ao Fim do Império Romano



Saiba mais sobre a decadência do Império Romano

O professor de História do Vestibular em Foco, Carballal explica os fatores que levaram ao colapso do poderoso império romano.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Terceiro Ano - CNDL
Colégio Notre Dame de Lourdes
Terceiro Bimestre
Coleção Pitágoras
As civilizações clássicas

A civilização romana

Introdução
A história de Roma Antiga é fascinante em função da cultura desenvolvida e dos avanços conseguidos por esta civilização. De uma pequena cidade, tornou-se um dos maiores impérios da antiguidade. Dos romanos, herdamos uma série de características culturais. O direito romano, até os dias de hoje está presente na cultura ocidental, assim como o latim, que deu origem a língua portuguesa, francesa, italiana e espanhola.



Origem de Roma : explicação mitológica
Os romanos explicavam a origem de sua cidade através do mito de Rômulo e Remo. Segundo a mitologia romana, os gêmeos foram jogados no rio Tibre, na Itália. Resgatados por uma loba, que os amamentou, foram criados posteriormente por um casal de pastores. Adultos, retornam a cidade natal de Alba Longa e ganham terras para fundar uma nova cidade que seria Roma.

Origens de Roma : explicação histórica e Monarquia Romana (753 a.C a 509 a.C)
De acordo com os historiadores, a fundação de Roma resulta da mistura de três povos que foram habitar a região da Península Itálica: gregos, etruscos e italiotas. Desenvolveram na região uma economia baseada na agricultura e nas atividades pastoris. A sociedade, nesta época, era formada por patrícios ( nobres proprietários de terras ) e plebeus ( comerciantes, artesãos e pequenos proprietários ).






O sistema político era a monarquia, já que a cidade era governada por um rei de origem patrícia.

Religião politeísta
A religião neste período era politeísta, adotando deuses semelhantes aos dos gregos, porém com nomes diferentes. Nas artes destacava-se a pintura de afrescos, murais decorativos e esculturas com influências gregas.

República Romana (509 a.C. a 27 a.C)




Durante o período republicano, o senado Romano ganhou grande poder político. Os senadores, de origem patrícia, cuidavam das finanças públicas, da administração e da política externa. As atividades executivas eram exercidas pelos cônsules e pelos tribunos da plebe.
A criação dos tribunos da plebe está ligada às lutas dos plebeus por uma maior participação política e melhores condições de vida.
Em 367 a.C, foi aprovada a Lei Licínia, que garantia a participação dos plebeus no Consulado (dois cônsules eram eleitos: um patrício e um plebeu). Esta lei também acabou com a escravidão por dívidas (válida somente para cidadãos romanos).

Formação e Expansão do Império Romano
Após dominar toda a península itálica, os romanos partiram para as conquistas de outros territórios. Com um exército bem preparado e muitos recursos, venceram os cartagineses, liderados pelo general Anibal, nas Guerras Púnicas (século III a.C).



Esta vitória foi muito importante, pois garantiu a supremacia romana no Mar Mediterrâneo. Os romanos passaram a chamar o Mediterrâneo de Mare Nostrum.
Após dominar Cartago, Roma ampliou suas conquistas, dominando a Grécia, o Egito, a Macedônia, a Gália, a Germânia, a Trácia, a Síria e a Palestina.






Com as conquistas, a vida e a estrutura de Roma passaram por significativas mudanças. O império romano passou a ser muito mais comercial do que agrário. Povos conquistados foram escravizados ou passaram a pagar impostos para o império. As províncias (regiões controladas por Roma) renderam grandes recursos para Roma. A capital do Império Romano enriqueceu e a vida dos romanos mudou.






Principais imperadores romanos : Augusto (27 a.C. - 14 d.C), Tibério (14-37), Caligula (37-41), Nero (54-68), Marco Aurelio (161-180), Comodus (180-192).







Luta de gladiadores: pão e circo
Pão e Circo



Com o crescimento urbano vieram também os problemas sociais para Roma. A escravidão gerou muito desemprego na zona rural, pois muitos camponeses perderam seus empregos. Esta massa de desempregados migrou para as cidades romanas em busca de empregos e melhores condições de vida. Receoso de que pudesse acontecer alguma revolta de desempregados, o imperador criou a política do Pão e Circo. Esta consistia em oferecer aos romanos alimentação e diversão. Quase todos os dias ocorriam lutas de gladiadores nos estádios ( o mais famoso foi o Coliseu de Roma ), onde eram distribuídos alimentos. Desta forma, a população carente acabava esquecendo os problemas da vida, diminuindo as chances de revolta.


Cultura Romana
A cultura romana foi muito influenciada pela cultura grega. Os romanos "copiaram" muitos aspectos da arte, pintura e arquitetura grega.
Os balneários romanos espalharam-se pelas grandes cidades. Eram locais onde os senadores e membros da aristocracia romana iam para discutirem política e ampliar seus relacionamentos pessoais.
A língua romana era o latim, que depois de um tempo espalhou-se pelos quatro cantos do império, dando origem na Idade Média, ao português, francês, italiano e espanhol.
A mitologia romana representava formas de explicação da realidade que os romanos não conseguiam explicar de forma científica. Trata também da origem de seu povo e da cidade que deu origem ao império. Entre os principais mitos romanos, podemos destacar: Rômulo e Remo e O rapto de Proserpina.

Religião Romana
Os romanos eram politeístas, ou seja, acreditavam em vários deuses. A grande parte dos deuses romanos foram retirados do panteão grego, porém os nomes originais foram mudados. Muitos deuses de regiões conquistadas também foram incorporados aos cultos romanos. Os deuses eram antropomórficos, ou seja, possuíam características ( qualidades e defeitos ) de seres humanos, além de serem representados em forma humana. Além dos deuses principais, os romanos cultuavam também os deuses lares e penates. Estes deuses eram cultuados dentro das casas e protegiam a família.
Principais deuses romanos : Júpiter, Juno, Apolo, Marte, Diana, Vênus, Ceres e Baco.

Crise e decadência do Império Romano
Por volta do século III, o império romano passava por uma enorme crise econômica e política. A corrupção dentro do governo e os gastos com luxo retiraram recursos para o investimento no exército romano. Com o fim das conquistas territoriais, diminuiu o número de escravos, provocando uma queda na produção agrícola. Na mesma proporção, caia o pagamento de tributos originados das províncias.
Em crise e com o exército enfraquecido, as fronteiras ficavam a cada dia mais desprotegidas. Muitos soldados, sem receber salário, deixavam suas obrigações militares.


Os povos germânicos, tratados como bárbaros pelos romanos, estavam forçando a penetração pelas fronteiras do norte do império. No ano de 395, o imperador Teodósio resolve dividir o império em: Império Romano do Ocidente, com capital em Roma e Império Romano do Oriente (Império Bizantino), com capital em Constantinopla.
Em 476, chega ao fim o Império Romano do Ocidente, após a invasão de diversos povos bárbaros, entre eles, visigodos, vândalos, burgúndios, suevos, saxões, ostrogodos, hunos etc. Era o fim da Antiguidade e início de uma nova época chamada de Idade Média.

fonte: www.suapesquisa.com/imperioromano



Terceiro Ano - CNDL
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As civilizações clássicas - A civilização romana
Confira, na apresentação abaixo,aspectos marcantes da história romana



terça-feira, 24 de agosto de 2010

Terceiro Ano - CNDL
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As civilizações clássicas - A civilização grega

Músicas que enfocam a temática da Grécia Antiga

Mulheres de Atenas, de Chico Buarque




Mulher nova, bonita e carinhosa, de Zé Ramalho e Otacílio Batista


segunda-feira, 23 de agosto de 2010

As civilizações clássicas - A civilização grega

Terceiro Ano - CNDL
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As civilizações clássicas - A civilização grega

Atividades

1. Explique de que forma ocorreu a organização social da civilização grega.
A civilização grega organizou-se através da fusão de diferentes povos de origem indo-europeia que se estabeleceram na Península Balcânica, a partir de 2000 a.C., como os aqueus, jônios, eólios e dórios.
2. Analise a importância das obras de Homero para o estudo da civilização grega.
Por meio das obras de Homero, Ilíada e Odisseia, é possível compreender os aspectos da civilização grega do período que se estende da invasão dos dórios (séc. XII a.C.) ao processo de desagregação dos genos (séc. VIII a.C.).


3. Apresente os fatores responsáveis pela destruição do sistema gentílico e seus desdobramentos para a sociedade grega.
O crescimento demográfico da população dos genos; a disputa pelas terras cultiváveis.
A diluição do poder e autoridade do pater entre seus descendentes, os eupátridas; a instituição da propriedade privada; a prática das relações escravistas.
4. Construa um conceito para o termo Polis.
Segundo os gregos, corresponde à cidade que usufrui de autonomia política e administrativa (cidade-estado).

5. Explique o que contribuiu para a expansão da economia grega no período Arcaico.
Nesse período, as polis gregas, como Atenas, Corinto, Megane e Eubeia, promoveram a expansão colonialista sobre as regiões da Ásia Menor e do Mediterrâneo, suprindo as necessidades agrícolas do território grego.


6. A partir de 506 a. C., várias reformas administrativas e políticas foram implementadas em Atenas. Tais reformas estabeleceram o que os historiadores denominam democracia escravista. Sobre essa democracia responda:


a) Que nome recebia o lugar reservado na polis para os debates públicos?
Eclésia.

b) O que significa, para os historiadores, o conceito de democracia escravista ateniense?
Uma democracia excludente e elitista controlada por uma minoria de elementos considerados cidadãos que exploravam a imensa maioria de trabalhadores destituídos de direitos políticos.



7. Estabeleça um paralelo entre a organização social de Atenas e de Esparta.
Esparta: sociedade de perfil militarista e voltada para atividades econômicas agrícolas. Constituía-se de espartanos (cidadãos); periecos (homens livres, mas destituídos de direitos políticos); hilotas (servos do Estado).

Atenas: sociedade de perfil cultural e artístico mais desenvolvido e voltada para as atividades econômicas marítimas e mercantis. Constituia-se de eupátridas (cidadãos); metecos (estrangeiros e destituídos de direitos políticos) e escravos.


8. Analise a importância do governo de Péricles para a sociedade ateniense.
O governo de Péricles possibilitou o aperfeiçoamento da democracia ateniense; promoveu obras públicas para o embelezamento da cidade além de se destacar por um notável progresso no campo artístico e literário.

9. Apresente os fatores responsáveis pela desagregação da Civilização Grega.
A Guerra do Peloponeso entre Atenas e Esparta, líder da Liga de Delos, e Esparta, líder da Liga do Peloponeso, responsável pelo enfraquecimento da cidades-estado; a invasão de Felipe II, rei da Macedônia sobre o território grego.
10. Identifique e Explique a importância do fenômeno cultural desenvolvido a partir do Império de Alexandre Magno.
Helenismo. O helenismo correspondeu à tentativa de Alexandre Magno ao promover a fusão dos valores da cultura grega com os valores da cultura oriental.
11. Analise a importância da cultura grega para os fundamentos da civilização moderna.

Os fundamentos da civilização moderna foram fortemente influenciados pelos valores racionalistas da cultura grega. Dos gregos a civilização moderna também herdou as concepções artísticas e os valores literários.
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As civilizações clássicas - A civilização grega

O Mundo Grego: Grécia Antiga Clássica e Helenística

Nesta teleaula você aprenderá que as duas cidades mais poderosas da Grécia Antiga eram a militarista Esparta e a democrática Atenas, onde as artes se desenvolveram muito. Além disso, verá como o enfraquecimento dos gregos foi aproveitado pelos macedônios, que, com Alexandre Magno, conquistaram um grande império e difundiram a cultura grega no Oriente.




Assista a segunda parte da teleaula sobre a Civilização Grega

As civilizações clássicas - A civilização grega

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Coleção Pitágoras
As civilizações clássicas - A civilização grega
Grécia Antiga é o termo geralmente usado para descrever, em seu período clássico antigo, o mundo grego e áreas próximas (como Chipre, Anatólia, sul da Itália, da França e costa do mar Egeu, além de assentamentos gregos no litoral de outras regiões, como no Egito). A História da Grécia tradicionalmente compreende o estudo não apenas da Grécia em si, mas também das áreas por eles governadas. O âmbito da habitação e governo do povo grego sofreu várias mudanças através dos anos e, como consequência, a história da Grécia reflete essa elasticidade. Cada era, cada período de sua História antiga, tem suas próprias características. Os primeiros gregos chegaram na Europa pouco antes de 1,5 mil a.C. A civilização grega estabeleceu tradições de justiça e liberdade individual, que viriam a se estabelecer como as bases da democracia contemporânea. A sua arte, seu pensamento filosófico e sua Ciência tornaram-se fundamentos do pensamento e da cultura ocidentais. Os gregos da antiguidade chamavam a si próprios de helenos (todos que falavam grego, mesmo que não vivessem na Grécia), e davam o nome de “Hélade” à sua terra, sendo considerado bárbaro todo povo que não fosse considerado grego e não falasse a língua grega. Ainda assim, os gregos nunca chegaram a formar um governo nacional, ainda que estivessem unidos pela mesma cultura, religião e língua; exatamente por isso o que temos é um conjunto de cidades-Estado que possuem entre si traços culturais em comum que as reúnem sob uma mesma designação: Grécia. Em outras palavras, não existiu um Estado politicamente unificado entre os gregos antigos. Situada na porção sul da Península Balcânica, o território da Grécia continental caracteriza-se pelo seu relevo montanhoso. Mas também faz parte do território grego uma região insular. Os gregos originaram-se de povos que migraram para a península balcânica em diversas ondas migratórias, com início no terceiro milênio a.C.; entre os invasores, merecem destaque os pioneiros: os aqueus, os jônicos, os dóricos e os eólios (todos indo-arianos provenientes da Europa Oriental). A História da Grécia antiga, para efeito didático, divide-se em cinco períodos, a saber:

- Pré-Homérico (1900–1100 a.C.): período anterior à formação do homem grego; nessa época, estavam se desenvolvendo as civilizações cretense ou minoica (na ilha de Creta) e a micênica (na parte continental).

- Homérico (1100–700 a.C.): período em que ocorre a chegada de Homero, que foi considerado marco na história por suas epopeias, a Ilíada e a Odisseia; há, também, o início da ruralização e da formação da comunidade gentílica (comunidade na qual um ajuda o outro na produção e colheita); plantavam apenas o que iriam consumir. - Arcaico (800–500 a.C.): formação da polis; colonização grega; aparecimento do alfabeto fonético, da Arte e da Literatura, além de progresso econômico com a expansão da divisão do trabalho, do comércio e processo de urbanização; é neste período em que os vários modelos das polis vão se constituindo, definindo assim a estrutura interna de cada cidade-Estado.

- Clássico (500–338 a.C.):
período de esplendor da civilização grega, ainda que discutível; as duas cidades consideradas mais importantes desse período foram Esparta e Atenas; além delas, outras cidades muito importantes foram Tebas, Corinto e Siracusa; nesse momento a História da Grécia é marcada por uma série de conflitos externos (Guerras Médicas) e internos (Guerra do Peloponeso).

- Helenístico (338–146 a.C.): crise da civilização grega, invasão macedônica, expansão militar e cultural helenística, a civilização grega se espalha pelo Mediterrâneo e se funde a outras culturas. Trataremos desses períodos, com mais atenção, em outro momento. Por ora, vejamos algumas importantes características da civilização grega, a começar por sua organização social e política. Em primeiro lugar, é importante evitar a confusão de se comparar a Grécia antiga com a Grécia moderna (isto é, atual): o mundo grego da antiguidade se estendia por uma área muito maior do que o território atual; além disso, se atualmente a Grécia constitui um país, a Grécia Antiga nunca foi um Estado unificado com governo único: era, na realidade, um conjunto de cidades-Estado independentes entre si, mantendo apenas algumas semelhanças como a língua.Desde o século VIII a.C., formaram-se pela Grécia antiga diversas cidades independentes. Em razão dessa independência, cada uma delas desenvolveu seu próprio sistema de governo, suas próprias leis, seu próprio calendário, sua própria moeda etc. Tais cidades eram denominadas de “polis” (que, em grego, nada mais significa que “cidade” — em seu âmbito político —), palavra costumeiramente traduzida por “cidade-Estado”. De modo geral, a polis reunia um agrupamento humano a habitar um território de extensão variável; compreendia uma área urbana e uma área rural: a área urbana concentrava o centro comercial e os polos manufatureiros onde artesãos e operários produziam armas, artigos de cerâmica, ferramentas variadas, tecidos, roupas, sandálias etc.; na área rural a população dedicava-se às atividades agropastoris como o cultivo do trigo, de oliveiras, da cevada, de videiras, bem como havia a criação de rebanhos de cavalos, cabras, ovelhas, porcos etc. Esse agrupamento, a cidade-Estado, visava atingir e manter uma completa autonomia sociopolítica para com as outras cidades-Estado gregas, embora houvesse comércio entre as cidades. Ainda que estivessem inseridos dentro de uma mesma civilização e possuíssem muitos elementos culturais em comum (falavam a mesma língua, tinham religião comum), os gregos passavam por conflitos e mantinham diferenças entre si. Em função disso, reconheciam-se como “helenos” (gregos) e chamavam de “bárbaros” todos os estrangeiros que não falassem sua língua e não tivessem seus costumes — ou seja, bárbaros eram, para os gregos, todos aqueles que não pertenciam ao mundo cultural grego.
Diante da iminente invasão, os gregos decidem esquecer as diferenças entre si e estabelecem uma aliança composta por 31 cidades (a Liga de Delos, acordo em que várias cidades gregas cediam armamentos e recursos financeiros para conter outras possíveis ações militares dos exércitos persas), entre as quais Atenas e Esparta, tendo sido atribuída a esta última o comando das operações militares por terra, enquanto Atenas comandava as organizações militares marítimas. As forças espartanas lideradas pelo rei Leônidas I conseguem temporariamente bloquear os persas na Batalha das Termópilas, mas tal não impede a invasão da Ática. O general Temístocles tinha optado por evacuar a população da Ática para Salamina e sob a direção desta figura Atenas consegue uma vitória sobre os Persas; em 479 a.e.c. os gregos confirmam a sua vitória desta feita na Batalha de Plateia.
Como dito acima, apesar da autonomia política das cidades-Estado, os gregos estavam unificados em termos religiosos. Praticavam uma religião de cunho politeísta antropomórfico: os deuses poderiam se envolver em aventuras fantásticas (que conhecemos como “mitos”). Entre as divindades cultuadas estavam: Zeus (senhor dos deuses), Poseidon (deus do mar), Afrodite (deusa do amor), Apolo (deus da luz e das artes), Dionísio (deus do vinho), Atena (deusa da sabedoria), Hera (protetora das mulheres) etc., deuses que mantinham estreita relação com os seres humanos na medida em que tinham características semelhantes aos cidadãos gregos, ainda que tivessem uma diferença essencial: eram, os deuses, imortais. Os deuses, por essa aproximação com os humanos, possuíam tanto virtudes quanto defeitos. A religião grega teve importância fundamental para tal civilização, como se pode notar no fato de as cerimônias públicas (mesmo as de cunho político) eram antecedidas por práticas religiosas, o que reflete a importância da religião entre os gregos antigos. Mas esse sistema religioso e, principalmente, o conhecimento que ele trazia ao homem a respeito do mundo foi superado pelo pensamento filosófico — como teremos a oportunidade de acompanhar nas aulas de Filosofia. Ainda a respeito da cultura grega antiga, não podemos nos esquecer da Arte: essa manifestação cultural teve importante no que concerne à arquitetura, à escultura, às artes plásticas, à decoração etc. A arte grega, por sua importância não apenas para os gregos, mas sobretudo para o mundo ocidental, constituiu posteriormente a base da Arte na Europa. Sua influência duradoura se deve à racionalidade e ao cuidado formal em que o equilíbrio e a simetria tinham a tendência de privilegiar a estética do ser humano e garantir a beleza das representações artísticas .
Agora, vejamos mais detalhadamente os períodos da História grega.

Período Pré-Homérico

Para se entender esse primeiro período da História grega, é preciso ter em mente duas civilizações importantes a partir das quais o mundo grego surgiu: a civilização minoica e a civilização micênica. A civilização minoica foi uma civilização existente nas ilhas do mar Egeu entre 2,2 mil e 1,4 mil a.C. Teria surgido a partir de uma fusão dos habitantes da ilha de Creta com populações que aí se fixaram vindas da Ásia Menor. Os minoicos tiveram como principal atividade econômica o comércio. Já conheciam a escrita (o linear A e o linear B) e destacaram-se pelo trabalho do ouro e da cerâmica. Suas terras mais férteis estavam na parte esquerda da ilha, onde se encontravam as principais cidades como Cnossos (capital). Prosperando até 1,4 mil a.C., a decadência dessa civilização parece ter sido o resultado de ataques de inimigos, entre os quais se encontrariam os micênicos. Vale a pena destacar o papel da mulher na sociedade minoica: ao contrário das futuras cidades, como Atenas e Esparta, onde a mulher não tinha direitos políticos e era vista apenas como uma reprodutora, a mulher minoica era livre, podia adquirir propriedades e ser independente. Por sua vez, a civilização micênica posteriormente adotou aspectos da cultura minoica, de modo que ambas as civilizações influenciaram a História da Grécia. A civilização dos micênicos floresceu entre 1,6 mil e 1,2 mil a.C. Já falavam grego e não apresentavam uma unidade política. Além de praticarem o comércio, os micênicos eram amantes da guerra e da caça. Seu declínio deu-se por volta de 1,25 mil a.C., envolvendo problemas comerciais e guerras internas. Finda a civilização micênica, denomina-se o período que se seguiu de “Idade das trevas”, quando se perdeu o conhecimento da escrita (readquirido apenas no século VIII a.e.c. Tal designação do período encontra-se relacionada não apenas com a decadência civilizacional, mas também com as escassas fontes para o conhecimento da época. O que se viu, também, foi um movimento das populações que, abandonando antigos povoados, fixaram-se em locais que ofereciam melhores condições de vida; com essa migração, temos o processo de ocupação do território no qual se constituirá a Grécia e a formação dos primeiros grandes centros urbanos da região. Ao fim desse período, as invasões dos povos dóricos foram responsáveis pelo esfacelamento dessa civilização e o retorno às pequenas comunidades agrícolas subsistentes — denominadas de “comunidades gentílicas”.


Período Homérico

Nesse segundo período tem-se o fortalecimento das comunidades gentílicas, que apareceram no fim do período precedente, transformando-se nos mais importantes núcleos sociais e econômicos de toda a Grécia. Em cada genos, uma família desenvolvia atividades agrícolas de maneira coletiva e as riquezas oriundas de sua força de trabalho eram divididas igualmente. Mas, com o passar do tempo, as limitações das técnicas agrícolas e o incremento populacional ocasionaram a dissolução dos genos (propriedades em que uma grande família se matinha unida em torno da exploração econômica de uma mesma parcela de terras), isto é, as técnicas agrícolas pouco desenvolvidas não conseguiam acompanhar a velocidade com que as comunidades gregas se ampliavam. Como se nota, com a desestruturação da civilização creto-micênica, estabeleceu-se uma série de transformações que fundaram um novo cenário social, político e econômico. A economia dos genos era essencialmente agropastoril: uma família próspera dependia necessariamente da qualidade das terras que estavam sob o seu domínio; quando um genos produzia excedente, essa riqueza era empregada na aquisição de escravos e na contratação de artesãos. No campo político, os genos eram comandados por um líder comunitário denominado pater, que exercia funções de caráter judicial, administrativo e religioso. Mesmo com a divisão igualitária dos bens, o grau de parentesco com o chefe do genos era capaz de definir algumas distinções sociais. Isso é importante de salientar porque, como veremos, com a vindoura desestruturação da comunidade gentílica, a proximidade com o pater será um elemento determinante para um novo rearranjo social das populações gregas. Contudo, além dos problemas de produtividade já comentados, os genos se transformaram em palco de novas tensões sociais. Os parentes mais distantes do pater reivindicaram melhores condições de vida ao estarem insatisfeitos com a diminuição da renda familiar. Progressivamente, os bens que eram utilizados de maneira coletiva foram divididos entre os membros do genos, e aqueles que eram mais próximos do pater acabaram sendo privilegiados com as melhores terras. Com a paulatina desintegração do sistema sociopolítico das comunidades gentílicas, por um lado uma parcela de privilegiados manteve o controle das melhores propriedades e armas; por outro lado, pequenos proprietários, artesãos e trabalhadores livres se subordinavam ao poder dos grupos sociais mais abastados. As sociedades gentílicas passaram a ser controladas por aqueles que controlavam os instrumentos de poder. Com o passar do tempo, as elites dos genos com afinidades culturais mais visíveis se uniram em grupos maiores que poderiam assegurar o controle de suas propriedades. Surgiam, com isso, as chamadas “fratrias”. A reunião destas fratrias eram, por sua vez, responsáveis pelo desenvolvimento das tribos que, quando se reuniam, davam origem ao demos. Por meio da ampliação dessas organizações, teremos o fim das comunidades gentílicas e a formação das primeiras cidades-Estado da Grécia antiga.


Período Arcaico

O que temos de significativo neste terceiro período é o declínio dos genos, que perderam espaço para uma pequena elite de proprietários de terra. Com o poder sobre os terrenos mais férteis, as elites de cada região se organizaram em conglomerados demográficos e políticos cada vez maiores e ais organizados. Nesse momento, temos o nascimento das primeiras cidades-Estado da Grécia antiga. É no período arcaico que teremos, também, um maior domínio linguístico e cultural, por parte dos gregos, de uma área maior do que o limite geográfico da Grécia. Predominava entre os gregos sempre a organização de comunidades independentes, e a cidade (cada uma desenvolveu seu próprio sistema de governo, leis, calendário e moeda) tornou-se a unidade básica do governo grego. A origem das cidades gregas remonta à própria organização dos invasores, especialmente dos aqueus. Com a recuperação econômica após invasões do povo dórico, a população grega cresceu além da capacidade de produção das terras cultiváveis e, por causa desse desequilíbrio, e procurando garantir melhores condições de vida, alguns grupos teriam se destacado, passando a manejar armas e a ter domínio sobre as melhores terras e rebanhos. Assim, foram diferenciando-se da maioria da população e dissolvendo a vida comunitária do genos. Essas transformações sociais estavam na origem da formação da polis, a cidade grega. Paralelamente, não podemos nos esquecer, os gregos excluídos nesse processo de apropriação das terras passaram a ocupar outras regiões do Mediterrâneo, havendo, pois, um processo migratório: para fugir da miséria, muitos gregos migravam em busca de terras para plantar e de melhores condições de vida, fundando novas cidades. A sociedade dessa época se dividia entre eupátridas (os “bem nascidos”), que dominavam as melhores terras; georgoi (camponeses), que cultivavam solos pobres cuja produção de alimentos era insuficiente para atender às necessidades de uma população em crescimento; e uma terceira classe, os thetas (marginais), que não possuía terras e que, mais tarde, dedicar-se-ia ao comécio. Assim, no primeiro momento, a principal atividade econômica das colônias gregas foi a agricultura. Posteriormente, muitas colônias transformaram-se em centros comerciais, dispondo de portos estratégicos para as rotas de navegação. A colonização do mar Mediterrâneo pelos gregos resultou no desenvolvimento de uma classe rica formada por mercadores (o comércio internacional desenvolvera-se a partir de então) e de uma grande classe média de trabalhadores assalariados e artesãos. Culturalmente, os gregos realizaram intercâmbios com outros povos.


Com tais acontecimentos, o padrão de vida na Grécia melhorou acentuadamente, havendo um aumento na expectativa de vida e, consequentemente, da população. Vale dizer que as ocorrências desse período fizeram com que, no século IV a.e.c., a Grécia já possuísse a economia mais avançada do mundo antigo, com um nível de desenvolvimento extremamente raro para uma economia pré-industrial. Apesar disso, houve concentração fundiária, em algumas cidades essa concentração levou a revoltas e a tiranias, em outras a aristocracia manteve o controle graças a legisladores inclementes.


Período Clássico

No Período Clássico teremos a consolidação das cidades-Estado, sendo que duas das mais importantes foram Esparta e Atenas. São, pois, dois exemplos claros da autonomia que tinham as polis gregas: tanto Atenas quanto Esparta apresentavam configurações sociopolíticas distintas, ainda que fizessem parte de uma mesma civilização. Vejamos as características fundamentais de cada uma, para depois compreender o início dos conflitos entre essas (e outras) cidades-Estado, o que levou ao enfraquecimento do poder político grego e o declínio dessa civilização. Comecemos por Esparta, que formava, com as cidades-Estado vizinhas, a Liga do Peloponeso (importante na guerra do Peloponeso que veremos mais à frente). Esparta encontrava-se numa região de terras apropriadas para o cultivo da vinha e da oliveira. Era uma cidade de caráter militarista e oligárquico. O governo de Esparta tinha como um de seus principais objetivos fazer de seus cidadãos modelos de soldados, fisicamente bem treinados, corajosos e obedientes às leis e às autoridades. Em Esparta os homens eram na sua maioria soldados e foram responsáveis pelo avanço das técnicas militares, melhorando e desenvolvendo um treino, organização e disciplina intensivos e nunca vistos até então. A sociedade espartana era fortemente estratificada, sem qualquer possibilidade de mobilidade entre os três grupos existentes: os esparciatas (aqueles que eram filhos de pai e mãe espartanos, sendo os únicos que possuíam direitos políticos, constituindo o corpo dos cidadãos e permanecendo à disposição do exército ou dos negócios públicos), os periecos (descendiam dos povos conquistados pelos esparciatas, mas ainda assim integrados ao Estado espartano e ao qual pagavam impostos; apesar de serem livres, não tinham direitos políticos; ao contrário dos esparciatas, os periecos podiam dedicar-se ao comércio e à indústria artesanal) e os hilotas (isto é, os servos, que pertenciam ao Estado espartano e trabalhavam com a agricultura, não podendo ser expulsos das terras onde trabalhavam). Analisando a situação dos esparciatas, periecos e hilotas, alguns historiadores afirmam que os periecos, por dominar o comércio e o artesanato, podiam enriquecer, desfrutando de certo conforto material e liberdade. Os esparciatas, por sua vez, cumpriam obrigações tão pesadas em relação ao Estado que se tornaram vítimas de suas próprias instituições. Quanto aos hilotas, sua vida era marcada pela opressão e miséria. Por outro lado, Atenas, a principal cidade-Estado da Grécia Antiga durante o Período Clássico, transformou-se no principal centro cultural e intelectual do Ocidente — e certamente é nas ideias e práticas da antiga Atenas que o que nós chamamos de “civilização ocidental” tem sua origem. A esse respeito, vale dizer que, no estudo das sociedades clássicas costumamos destacar especialmente o incisivo papel a partir do qual as práticas e instituições nascidas no mundo grego influenciaram a formação do mundo contemporâneo. Entre as várias instituições consolidadas, a noção de democracia é uma das que mais despertam nosso interesse na busca por paralelos que aproximem o mundo antigo do contemporâneo. Nesse sentido, a história da democracia ateniense pode ser compreendida à luz de uma série de transformações sofridas pela sociedade e pela economia ateniense. Assim sendo, até os séculos VII e VI a.e.c., o poder político ateniense era controlado por uma elite aristocrática detentora das terras férteis de Atenas: os eupátridas. Nesse meio tempo, uma nascente e poderosa classe de comerciantes, os demiurgos, exigia participação nos processos decisórios da vida política ateniense. Além disso, pequenos comerciantes e proprietários acometidos pela escravidão por dívidas, exigiam a revisão do poder político ateniense. Com isso, os eupátridas viram-se obrigados a reformular as instituições políticas da cidade-Estado. Um grupo de legisladores foi responsável por um gradual processo de transformação política: Drácon resolveu estabelecer um conjunto de leis escritas que dariam lugar às leis orais anteriormente conhecidas pelos eupátridas, medida que possibilitou uma nova tradição jurídica que retirava o total controle das leis invocadas pelos eupátridas; Sólon, outro importante legislador, ampliou o leque de reformas políticas em Atenas, eliminando a escravidão por dívidas e resolveu dividir a população ateniense por meio do poderio econômico de cada indivíduo. Em resposta a tais mudanças, as elites agrárias atenienses rivalizaram com esse primeiro conjunto de mudanças. A agitação política do período deu margem para que ações golpistas abrissem espaço para a ascensão dos governos tirânicos. Os principais tiranos foram Psístrato, Hiparco e Hípias. No fim do século VI a.e.c., a retração dos direitos políticos mais amplos incentivou uma mobilização popular que levou à ascensão política de Clístenes, em 510 a.e.c. Em seu governo, os atenienses passavam a ser divididos em dez tribos que escolhiam seus principais representantes políticos. Todo ateniense tinha por direito filiar-se a uma determinada tribo na qual ele participaria na escolha de seus representantes políticos no governo central — eis a criação da democracia. Dessa maneira, o grau de participação entre os menos e mais abastados sofreu um perceptível processo de equalização. Podemos dizer que Clístenes foi um reformador capaz de estabilizar o regime democrático ateniense; no entanto, não se pode esquecer que o conceito de cidadania dos atenienses não englobava, de fato, a maioria da população: somente os homens livres, de pai e mãe ateniense, maiores de 18 anos e nascidos na cidade eram considerados cidadãos; as mulheres, escravos e estrangeiros não desfrutavam de nenhum tipo de participação política. Dessa forma, a democracia ateniense era excludente na medida em que somente um décimo da população participava do mundo político ateniense. Havendo a hegemonia de Esparta e de Atenas, é no Período Clássico que cada um destas cidades-Estado desenvolverá seu modelo político (a oligarquia militarista em Esparta e a democracia aristocrata em Atenas). Isso é importante para que compreendamos os conflitos que surgiram no período. Ao nível externo, verifica-se a ascensão do Império Persa quando Ciro II conquista o reino dos medos. Esta sequência de conquistas militares atingiu o litoral da Ásia Menor, lugar onde existiam algumas colônias de origem grega. Inicialmente, a dominação dos persas sobre os povos daquela localidade aconteceu sem maiores rumores. Contudo, essa coexistência harmoniosa logo ruiu. Atenas apoia a revolta das cidades gregas contra a tentativa de domínio persa, mas tal apoio revela-se insuficiente já que algumas polis são derrotadas. O comportamento de Atenas iria, por conseguinte, gerar uma reação persa que desencadeou as Guerras Médicas.
Com o fim das Guerras Médicas, e em resultado da sua participação decisiva no conflito, Atenas tornou-se uma cidade poderosa e passou a intervir nos assuntos do mundo grego. Esparta e Atenas distanciam-se e entram em rivalidade, encabeçando cada um delas uma aliança política e militar: no caso de Esparta era a Liga do Peloponeso e no caso de Atenas a já formada Liga de Delos na época das guerras médicas. Com o tempo Atenas afirma-se como o estado mais forte da liga — fato que não foi bem recebido por Esparta. Nesse ínterim, as relações entre as duas polis atingem o grau de saturação em 431 a.e.c., ano em que se inicia a guerra do Peloponeso, tendo como causas as sanções econômicas impostas por Atenas a algumas cidades-Estado e o bloqueio naval ateniense à cidade de Potideia. Na tentativa de evitar o conflito iminente, Esparta ainda tentou a diplomacia, mas com a negação de Atenas a guerra foi travada, com resultado negativo para esta última. No entanto, ainda que Esparta tenha ganho a guerra do Peloponeso, todas as cidades-Estado que entraram no conflito acabaram por sofrer perdas significativas, tanto econômicas quanto humanas, de modo que a guerra acabou por fragilizar o mundo grego e abrir as portas para a invasão de povos bárbaros. Esse período foi, como se viu, um tempo em que o mundo grego prosperou, com o fortalecimento das cidades-Estado, mas foi também o período em que a Grécia se envolveu em longas e prolongadas guerras que lhe resultaram no colapso da civilização grega antiga.

Período Helenístico

O desgaste causado pelos conflitos entre cidades-Estado gregas fez com que a Grécia se colocasse como um alvo frágil, fácil para a invasão de qualquer civilização militarmente bem preparada. A partir do século IV a.e.c., foram os macedônios, vindos do norte, que empreenderam investidas militares que determinaram o fim da autonomia política dos gregos. Tais eventos marcam o último período da civilização grega, o Helenístico — que termina no século II a.e.c., data em que os romanos conquistam o território grego. Vejamos um pouco mais a fundo como isso se deu. O reino da Macedônia, situado a norte da Grécia, emergiu como potência em meados do século IV a.e.c. Os macedônios, que não falavam grego e não seguiam o modelo político dos gregos, eram vistos por estes como bárbaros. Apesar disso, muitos nobres macedônios aderiram à cultura grega, tendo sido a Macedônia, por esse motivo, responsável pela conservação e difusão da cultura grega. Durante o reinado de Filipe II, o exército macedônio adota técnicas militares superiores que, aliadas à diplomacia, permitirão a possibilidade de dominar as cidades da Grécia então fragilizadas por conflitos internos. Nas cidades-Estado dominadas, começam a se formar partidos de oposição a Filipe e partidos a ele favoráveis. Em 338 a.e.c., Filipe e seu filho (Alexandre, o Grande) derrotam uma coligação grega em Queroneia, colocando a Grécia continental sob domínio macedônio. Filipe, então, organiza a Grécia em uma confederação, procurando com isso unir os gregos com o objetivo de conquistar o império persa. Contudo, Filipe viria a ser assassinado por um nobre macedônio, tendo sido sucedido pelo seu filho Alexandre. Este concretizou o objetivo do pai, conquistando a Pérsia e marchando até a Índia. Depois disso, Alexandre, o Grande tornou-se senhor de um vasto império que abrangia o espaço da Ásia Menor ao Afeganistão, incluindo-se o Egito. Após a morte de Alexandre, seus generais lutaram entre si pela posse do império, que acabou por se fragmentar em territórios menores.


O legado cultural da Grécia antiga

A cultura da Grécia antiga é considerada a base da cultura da civilização ocidental. Isso não ocorreu por acaso: a cultura grega exerceu poderosa influência sobre os romanos, que se encarregaram de repassá-la a diversas partes da Europa. A civilização grega antiga teve influência na Política, na linguagem, na Filosofia, no sistema educacional, na Arte, na Ciência, na tecnologia, na Arquitetura etc. Tem papel especial nesse fato o Renascimento europeu — a ser estudado mais adiante —, período durante o qual houve um esforço para reavivar, reafirmar o legado cultural grego. Conceitos como “democracia” e “cidadania”, tão caros à humanidade atual, são conceitos gregos — ou ao menos de pleno desenvolvimento pelos gregos —, importantes para a constituição do que hoje temos como civilização ocidental. É importante salientar, sobretudo, o papel dos gregos no que se refere ao estudo da História. Se hoje estudamos a História grega de modo mais objetivo e imparcial, isso se deve à consciência grega de se realizar um estudo melhor elaborado das fontes históricas, dando-lhes um tratamento mais científico e metódico, e menos “poético”. Qual seria, pois, a importância do passado para uma determinada cultura? Mesmo simples, essa é uma questão que atinge a compreensão dos interesses e hábitos que permeiam uma determinada sociedade. Atualmente, compreendida como uma ciência, a História se tornou um campo do saber que, por meio de questões oriundas do presente, busca uma resposta que seja perceptível nos depoimentos, fontes e demais signos que nos falam sobre “aquilo que aconteceu”. Sendo uma preocupação instigante, devemos saber que o interesse sobre o tempo incomodou as civilizações humanas desde as mais remotas épocas. Segundo muitos antropólogos, a necessidade de se falar sobre as nossas experiências já se via claramente manifestada nas pinturas rupestres que tomavam as paredes das cavernas. Com isso, podemos enxergar que o desenvolvimento da História se confunde com a própria existência do homem. Entre os gregos, a História foi desenvolvida por meio de relatos que diziam sobre eventos considerados importantes ou que explicariam a origem das coisas; não sendo prontamente sistematizada como um campo do conhecimento, vemos que esse interesse dos gregos sobre a recuperação do passado se confundia com a poesia e a mitologia — as obras Ilíada e Odisseia, por exemplo, reportam a episódios do passado grego, mas não trazem algum tipo de respaldo que lhe conceda a ideia de verdade. A primeira tentativa de promover essa separação da História das outras narrativas existentes na cultura grega aconteceu graças à ação de Heródoto de Halicarnasso. Popularmente conhecido como o “pai da História”, Heródoto buscou empreender um método de pesquisa bastante particular: acreditava que primeiramente teria de conhecer profundamente cada um dos povos e locais em que determinando evento a ser estudado aconteceu. Entretanto, ainda influenciado por sua cultura, a grega, esse estudioso interpretava os fatos ocorridos como uma manifestação da vontade dos deuses. Tucídides, por outro lado, foi o primeiro historiador grego a tentar promover essa dissociação entre a vontade dos deuses e o sentido daquilo que aconteceu no passado. Segundo ele, os eventos históricos seriam fruto dos interesses políticos dos homens, procurando, portanto, narrar objetivamente os acontecimentos ligados a determinado objeto de estudo, apesar de ter evidenciado traços de tendenciosidade em favor de sua cidade-Estado, Atenas. Por sua vez, e demonstrando o lugar que esse campo do saber ocupava na cultura grega, o filósofo Aristóteles teceu alguns comentários que tratavam sobre a diferença entre história e poesia. Para ele, a forma de escrita utilizada por um autor tinha pouca importância para compreender o que era a História. Na verdade, o que definiria a História seria o interesse em se falar sobre coisas de natureza particular. Em contrapartida, a poesia utilizaria de seus personagens para debater coisas que seriam comuns a todos os homens. Como se nota, os gregos legaram às civilizações posteriores uma noção melhor fundamentada sobre o estudo da História. Referências Graecia Antiqua Templo de Apolo Discovery Channel - Grécia antiga Ancient Greece The British Museum - Ancient Greece Wikipédia - Portal Grécia antiga fonte: http://www.cursinhometamorfose.com.br/portal/node/162