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domingo, 15 de agosto de 2010


Segundo Ano - CNDL
Terceiro Bimestre - História do Brasil
Colégio Notre Dame de Lourdes
Coleção Pitágoras
Capítulo 2
Os prenúncios de uma nova ordem: a década de 1920 e a Revolução de 1930
João Pessoa - Honra lavada vira revolução


Presidente da Paraíba de 22 de outubro de 1928 a 26 de julho de 1930 e candidato a vice na chapa de Getúlio Vargas, João Pessoa (1878-1930) era contra tomar o poder à força caso perdesse a eleição presidencial de 1930."Prefiro dez Júlio Prestes (candidato adversário) a uma revolução", declarou quando da passagem da Caravana da Aliança Liberal pela Paraíba a fim de conclamar a Região Norte para a a sublevação. Prestes foi o vencedor, e apesar da insatisfação com o modelo econômico e político do país e a alternância de São Paulo e Minas Gerais no poder, Vargas se encaminhava para aceitar a derrota. Mas o assassinato de João Pessoa serviu de estopim para o início da revolução.




O crime estava mais relacionado com questões locais do que nacionais. João Pessoa havia tomado medidas contra os coronéis, líderes políticos locais, o que levou um deles, José Pereira, a iniciar uma revolta no município de Princesa em 28 de fevereiro de 1930. No início de julho, o advogado João Dantas (1888-1930), que seria ligado a Pereira, teve o seu escritório-residência arrombado pelas forças do governo. Sentindo-se humilhado, assassinou o presidente do Estado a tiros no dia 26 de julho, na Confeitaria Glória, no Recife.


A comoção causada pelo crime serviu para mobilizar partidários de Vargas, que tomaram o poder em 3 de outubro. "João Pessoa vivo foi uma voz contra a revolução. Mas João Pessoa morto foi o verdadeiro rearticulador do movimento revolucionário", definiu o jornalista Barbosa Lima Sobrinho (1897-2000).



INÊS CAMINHA LOPES RODRIGUES É PROFESSORA APOSENTADA DA UFPB E AUTORA DE A REVOLTA DE PRINCESA: PODER PRIVADO X PODER INSTITUÍDO (BRASILIENSE, 1981).

Fonte: Revista de História da Biblioteca Nacional. Ano 5, nº 59 agosto 2010, pp. 38-9.