Fantástico - Independência do Brasil - parte 01
Fantástico - Independência do Brasil - parte 02
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Conheça os significados da Independência do Brasil
Como movimento foi elitista, não houve mudanças estruturais.
Assista ao vídeo
Rogério Bonfá, professor de história do cursinho Oficina do Estudante, dá uma aula sobre os significados da Independência do Brasil.
Bonfá explica que o movimento não foi popular, e sim, extremamente elitista. Por isso, segundo ele, não houve mudanças estruturais no governo. A monarquia foi mantida, assim como a escravidão e o latifúndio.
Confira aula completa em vídeo.
Questão desafio (UNICAMP) A respeito da Independência na Bahia, o historiador João José Reis afirmou o seguinte:
Os escravos não testemunharam passivamente a Independência. Muitos chegaram a acreditar, às vezes de maneira organizada, que lhes cabia um melhor papel no palco político. Os sinais desse projeto dos negros são claros. Em abril de 1823, dona Maria Bárbara Garcez Pinto informava seu marido em Portugal, em uma pitoresca linguagem: "A crioulada fez requerimentos para serem livres". Em outras palavras, os escravos negros nascidos no Brasil (crioulos) ousavam pedir, organizadamente, a liberdade!
(Adaptado de O Jogo Duro do Dois de Julho: o "Partido Negro" na Independência da Bahia, em João José Reis e Eduardo Silva, Negociação e Conflito. A resistência negra no Brasil escravista. São Paulo: Cia das Letras, 1988, p. 92). a) A partir do texto, como se pode questionar o estereótipo do "escravo ignorante"?
Resposta a: A partir do texto, percebe-se que os escravos não eram apenas parte integrante, mas também atuante nos processos revolucionários, expressando seus próprios interesses, tais como o fim da escravidão.
b) Identifique dois motivos pelos quais a atuação dos escravos despertava temor entre os senhores. Resposta b: Os motivos que levaram os senhores a temer a atuação dos escravos eram de ordem econômica sócio-política: os temor era de os negros conquistarem a liberdade, o que poderia ocasionar grandes prejuízos, além de colocar em risco o poder dos senhores.
c) De que maneira esse enunciado problematiza a versão tradicional da Independência do Brasil? Resposta c: Na versão tradicional da independência do Brasil, tal episódio aparece como tendo ocorrido de maneira pacífica e sem a participação popular. No entanto, a participação dos negros nas guerras contra as tropas portuguesas na Bahia mostra que tal fato não foi pacífico e contou com a participação popular de escravos negros.

[...] A tela de Moreaux representa o exato momento em que o príncipe D. Pedro I proclama a Independência do Brasil. Tal qual uma estátua equestre, imóvel no gesto que procura dar imortalidade ao acontecimento datado, o futuro imperador, com a mão direita erguida, segura e agita o seu chapéu bicorne. O artista joga luz em D. Pedro e em seu cavalo, elevando ligeiramente a real figura, com o objetivo de destacá-la das demais. Ao fundo estariam os bosques que margeiam o Rio Ipiranga. No entanto, a obra deve muito mais à imaginação do que à realidade. Era fato que as pinturas acadêmicas deveriam inspirar moralmente mais do que pretender retratar a realidade objetivamente.
Mas, neste caso, o modo idealizado como a cena é retratada é quase constrangedor. O ambiente pouco se parece com o Brasil, não fossem as poucas palmeiras devidamente sombreadas no fundo da tela. A luminosidade do céu é também bastante rebaixada, a exemplo de outros pintores de formação acadêmica e de origem francesa, que manifestavam igual dificuldade em retratar o azul luminoso dos trópicos.
A população que rodeia D. Pedro I também contribui para o aspecto idealizado do quadro. Os elementos do Exército assemelham-se a estátuas, imóveis, enquanto o povo movimenta-se muito: os figurantes congratulam-se, acenam, trocam abraços, correm... sempre de forma a saudar o ato memorável de D. Pedro.
Não há negros, e muito menos indígenas, na representação pretensamente às margens do Ipiranga. Os outros personagens que compõem a cena – um menino que corre, as mulheres com seus véus negros a cobrirem os ombros, homens com bombachas e meninas com saias abauladas – assemelham-se à população rural da Europa devidamente transposta para os trópicos por Moreaux.
Com o intuito de evitar a imagem de um Império escravocrata, os cativos ficaram afastados da pintura. Também não seria possível enfatizar a ideia de um monarca “civilizado” se este aparecesse cercado de mestiços e de negros. É possível reconhecer na representação um país branco, até italiano, à semelhança dos casamentos reais promovidos pela monarquia brasileira.
No máximo, vislumbra-se um personagem um pouco moreno, que mais parece um gaúcho, ou algum tipo inspirado nos pampas argentinos, como se a representação perdesse qualquer contorno geográfico. Ao contrário, a fronteira nos parece plenamente imaginária. Os demais circundantes, sobretudo aqueles iluminados pela luz forte que o artista joga no quadro, são brancos em seus cabelos, nas cores, roupas e costumes. [...]
Lilia Moritz Schwarcz é professora de Antropologia da Universidade de São Paulo e autora de O sol do Brasil (Companhia das Letras, 2008).
Fonte:http://www.revistadehistoria.com.br/v2/home/?go=detalhe&id=2621
Escritor fala sobre a Independência do Brasil



Acredita-se: Tinha predileção pelo Brasil e se recusava a retornar a Portugal. Quando isso se tornou inevitável, disse, ao partir, a célebre frase de que seria melhor que o Brasil ficasse com o filho Pedro, em vez de cair nas mãos de um aventureiro.
O que pensam os historiadores? Para o professor Braz Augusto Broncasto, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, d. João tinha interesse em preservar para a Casa de Bragança o poder no Brasil. A frase “Pedro, se o Brasil se separar, antes que seja para ti, que hás de me respeitar, que para algum desses aventureiros” é provavelmente autêntica. D. Pedro I, numa carta escrita ao pai após a Independência, referiu-se a ela, dizendo ainda “lembro perfeitamente quando vossa majestade falou ao partir”. D. João, diz o professor, morreu na esperança de uma monarquia dual e o próprio reconhecimento da Independência trazia a ideia de um dia as duas Coroas terem o mesmo monarca. D. Pedro enfatizou essa continuidade da Casa de Bragança ao marcar sua coroação para o dia 1º de dezembro de 1822, aniversário da revolta de 1640, que rompeu o domínio espanhol sobre Portugal, a União Ibérica, e levou a dinastia de Bragança ao trono.
Dia do Fico
Acredita-se: D. Pedro, contrariando as ordens das Cortes de Lisboa, interessadas em “recolonizar o Brasil”, decidiu, por amor à terra, permanecer no Brasil, dando início ao processo que levou à Independência.
O que pensam os historiadores? Apesar de o chamado Dia do Fico, 9 de janeiro de 1822, ser considerado o ponto de partida para a “revolução da independência do Brasil”, a professora Lúcia Neves, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), lembra que, segundo fontes da época, a contribuição do Fico no desencadeamento de um ideal separatista não estava tão clara. “Não faltaram queixas contra os atos arbitrários das Cortes de Lisboa, mas na percepção daquele momento, a permanência do Príncipe Regente no Brasil assegurava a preservação da ideia de um único Império luso-brasileiro”, diz ela. Apesar da pressão para sua permanência, d. Pedro, no início, ainda hesitava, como indicou sua resposta imprecisa e dúbia, dada através de um edital do Senado da Câmara do dia 9 de janeiro, lido e afixado nos lugares públicos: “Convencido de que a presença de minha pessoa no Brasil interessa ao bem de toda a nação portuguesa e conhecendo que a vontade de algumas províncias o requer, demorarei minha saída até que as Cortes e meu augusto pai e senhor deliberem a este respeito com perfeito conhecimento das circunstâncias que têm ocorrido.” Todavia, no dia seguinte, outro edital do Senado veio à luz, declarando ter publicado na véspera, “com notável alteração de palavras”, a resposta do príncipe regente. Só então se divulgaram, como sendo originais, as palavras que ficaram famosas: “Como é para o bem de todos e felicidade geral da nação, estou pronto; diga ao povo que fico.”
José Bonifácio
Acredita-se: O “Patriarca da Independência” sempre teve como meta separar o Brasil de Portugal.
O que pensam os historiadores? Figura central nas articulações que resultaram no rompimento com Portugal, José Bonifácio de Andrada e Silva não tinha, segundo Ana Rosa Cloclet, doutora em História pela Unicamp, um projeto que levasse à separação total. “Fiel à identidade portuguesa e a um projeto de Império luso-brasileiro, mas também consciente da superioridade do Brasil em relação ao ‘decadente’ Portugal, José Bonifácio se convence, progressivamente, que essa união era insustentável sem uma Constituição garantidora da paridade de direitos entre as partes e sem um centro de força interno ao Brasil”, diz ela. O Patriarca da Independência era contrário aos regimes democráticos, que via como revolucionários. Para ele, a Monarquia Constitucional era a única forma de governo capaz de barrar os extremos da “anarquia” e do “despotismo”. Por isso, combateu todos os projetos alternativos, entre eles a ideia da convocação de uma Assembléia Legislativa no Brasil, defendida pelo grupo de Joaquim Gonçalves Ledo. Esse embate, na avaliação da professora, cristalizou um outro mito: a oposição Monarquia e República, associadas, respectivamente, a José Bonifácio e Ledo. “Na verdade, o que alimentou tal rivalidade foi o conflito ideológico entre um projeto nacional com base numa representação popular, e o projeto andradino, fundado na legitimidade dinástica e consagrador da soberania do Rei e da Nação, diz Ana Rosa.
Quadro Independência ou morte!
Acredita-se: O “Grito do Ipiranga” como é conhecido, é a imagem clássica do ato da Independência, tendo D. Pedro como figura central.
O que pensam os historiadores? O quadro de Pedro Américo foi concluído em 1888, um ano antes da Proclamação da República. O artista fez uma ampla pesquisa, consultando historiadores, estudando objetos e visitando o local do grito. Apesar disso, achava que não deveria ficar “preso à verdade”. Assim, entre outros aspectos, alterou a topografia, para realçar o riacho do Ipiranga e a colina; escolheu raças de cavalos que dessem maior elegância ao príncipe D. Pedro e à sua Guarda de Honra do Imperador, regimento criado, como o próprio nome sugere, tempos depois do 7 de Setembro”, explica Cecília Helena de Salles Oliveira, professora da Universidade de São Paulo (USP).
O Sete de Setembro
Acredita-se: Foi desde 1822 a data da Independência, comemorada, como hoje, como feriado nacional e com paradas militares.
O que pensam os historiadores? A transformação do Sete de Setembro em data nacional só aconteceu a partir de 1870, refletindo, segundo a professora Cecília Helena, a consolidação do Estado Nacional e o crescimento da importância política e econômica de São Paulo. Na época, diz a professora Lúcia Neves, o único jornal a dar destaque ao “Grito do Ipiranga” foi O Espelho, que circulou no Rio de Janeiro entre 1821 e 1823, editado pela Imprensa Nacional. A publicação exaltava, em 20 de setembro, o “Independência ou morte!”, como “o grito [que] acorde todos os brasileiros”. A professora explica que o jornal, além de louvar o ato de d. Pedro, atacava duramente o Congresso de Lisboa, que “sacrificou a união de dois hemisférios ao seu orgulho e à sua ambição”. Ao longo do século XIX, outras datas foram celebradas, especialmente a aclamação de d. Pedro (12 de outubro, também aniversário do Imperador), a coroação (primeiro de dezembro) e a outorga da primeira Constituição (25 de março de 1824). “O 1º de dezembro é uma espécie de ‘data absolutista’, pois a coroação obedeceu a ritos tipicamente de Antigo Regime e conferiu legitimidade ao imperador com base em sua origem dinástica”, dia Marco Morel, professor da UERJ.
D. Pedro I
Acredita-se: Nosso primeiro imperador sempre foi visto aqui como herói libertador, e considerado pelos portugueses um traidor que lhes tirou a maior colônia.
O que pensam os historiadores? D. Pedro era um homem de dois mundos. Ainda durante sua vida, a visão que se tinha dele dos dois lados do Atlântico era bem diferente, como explica Lúcia Neves.
Em 1822, ele despertava para os portugueses o fantasma do despotismo, enquanto levantava no Brasil a bandeira liberal. Nove anos depois, abdicou do trono brasileiro com a fama de despótico e foi para Portugal restaurar o trono da filha, Maria II, usurpado pelo irmão d. Miguel. Sua vitória assegurou o liberalismo em Portugal. “Ao contrário do que ocorreu em Portugal, d. Pedro foi depreciado pela historiografia brasileira, por longo tempo, tendo começado somente na década de 1950, com Otávio Tarquínio de Souza, até hoje seu principal biógrafo, uma revisão do papel que teve na emancipação do país e da rica e contraditória personalidade que o distinguiu”, diz a professora.
A Independência foi pacífica
Acredita-se: A Independência foi aceita sem resistências em todas as antigas capitanias.
O que pensam os historiadores? A Independência não foi aceita imediatamente em todo o país. Salvador, que estava ocupada por tropas portuguesas, demorou a reconhecer a separação, como conta o professor Hendrik Kraay, especialista em História do Brasil na Universidade de Calgary, no Canadá. “Já as câmaras do recôncavo, sem a pressão militar, tinham reconhecido d. Pedro como ‘Defensor perpétuo do Brasil’, mostrando uma predileção em aderir ao movimento”, explica. Comandadas por Luís Madeira de Melo, as tropas portuguesas na capital baiana foram acusadas de promover vários tumultos as ruas.
Em Pernambuco, diz o historiador Evaldo Cabral de Mello, o problema foi a existência de uma tendência separatista anterior a 1822. “A Independência atropelou esse processo. Aconteceu então uma oposição entre o movimento local e o projeto de José Bonifácio, de um país centralizado sob o governo monárquico”, explica.
Monarquia ou República?




Na década de 1830, as comemorações tomaram sua forma característica. Na última semana de junho, a câmara municipal emitia uma proclamação para convidar os habitantes da cidade a participarem de atividades patrióticas legítimas. Na véspera do dia 2 de julho, reuniam-se na Lapinha para velar os carros alegóricos. No dia, a grande parada serpenteava até o centro pelas ruas estreitas da cidade, enfeitadas de arcos triunfais pelos moradores. Dela participavam autoridades civis e militares, tropas do Exército e da Guarda Nacional, e bandas de música. Batalhões patrióticos também se destacavam no desfile. Lembravam blocos carnavalhescos por serem organizações voluntárias que se reuniam para desfilar durante os festejos (acompanhados sempre de músicas). Vestiam-se de branco e usavam chapéus de palha enfeitados de folhas verde-amarelas. Muitos populares também se juntavam ao cortejo.
A elegoria representa o caboclo - brasileiro - lutando contra o dragão, que encarna a tirania portuguesa.
Saiba mais sobre a importância do 2 de julho na Bahia
O professor Ricardo Carvalho explica a relevância desta data cívica no estado da Bahia.
DEBRET, Jean Baptiste. Cerimônia de consagração de D. Pedro I, Imperador do Brasil. Viagem Pitoresca e Histórica através do Brasil. Paris/França, 1835-39.
Problematização do tema
Vários interesses e projetos estiveram envolvidos no processo de emancipação política do Brasil. Entretanto o projeto vencedor foi o das elites brasileiras, que defendeu e apoiou uma independência política sem alterações sociais. Assim, como na maioria das ex-colônias latino-americanas, o Brasil optou pela liberdade política sem igualdade social.
A sociedade brasileira manteve as características coloniais. A escravidão e o latifúndio permaneceram. Apesar de um relativo crescimento das atividades comerciais e a da vida urbana (provocado pela abertura econômica do Brasil em 1808), a população continuava concentrada nas zonas rurais, onde ainda prevalecia a produção agrária de exportação.
A população total do Brasil, nessa época, era de, aproximadamente, três milhões e meio de pessoas, e grande parte delas era constituída de escravos e de trabalhadores livres pobres.
Os grandes proprietários de terras, embora fossem uma minoria, possuíam absoluto controle sobre a população urbana e rural. Formavam uma elite, um grupo de pessoas com privilégios sociais e políticos. Haviam apoiado o Príncipe no processo de Independência e pretendiam construir o Estado brasileiro de acordo com os seus interesses.
Outras questões são as da integridade do território brasileiro; as diversas soluções políticas das elites e a firme convicção de que o trabalho escravo seria mantido.
Neste capítulo, você vai estudar a política do Império brasileiro entre 1822, quando se proclamou a independência do Brasil, e 1831, ano da abdicação de D. Pedro I. Além do papel desempenhado pelo Príncipe e pelas elites brasileiras na elaboração da Constituição de 1824, você vai aprender que a independência não foi um processo tranquilo e pacífico como comumente se afirma.
Pense sobre o que você acabou de ler e discuta:
1. Qual foi o projeto vencedor no processo de emancipação política do Brasil?
O projeto defendido pelas elites brasileiras foi o vencedor no processo de emancipação brasileira.
2. O que esse projeto defendia?
Manutenção das condições sócio-econômicas brasileiras.
3. Como se estruturava a sociedade brasileira à época da Independência?
A socedade brasileira manteve as características coloniais do latífundio monocultor visando à exportação e utilizando-se da mão de obra escrava. A maioria da população era formadas por escravos e trabalhadores livres pobres. Os latifundiário tinha grande prestígio político e econômico nesse período.
4. Quais eram as maiores preocupações das elites brasileira:
As elites se preocupação com a manutenção de seus privilégios sociais e econômicos, além da integridade territorial brasileira e da preservação do trabalho escravo.
5. Como terá sido o processo político entre 1822 e 1831?
DEBRET, Jean Baptiste. Aclamação de D. Pedro I no Campo de Sant'ana. Viagem Pitoresca e Histórica através do Brasil. Paris/França, 1835/39.
ANASTASIA, Carla Maria Junho. História: ensino médio, livro 2 / Carla Maria Junho Anastasia, Guilherme Batista Amaral, Elizabeth Seabra. - 1ª edição - Belo Horizonte: Editora Educacional, 2010, pp. 99-100.

Charge alusiva à disputa entre D. Pedro e D. Miguel pelo trono português.
É vital reconhecer, portanto, que no 7 de setembro de 1822, nas margens do Ipiranga, nos arredores de São Paulo, quando D. Pedro, herdeiro do trono português, gritou “Independência ou Morte”, estava exagerando. A questão, em setembro de 1822, não era certamente a “morte” e, apenas indiretamente, a “independência”. O Brasil havia sido independente, para todas as intenções de propósitos, desde 1808: desde 16 de dezembro de 1815 fazia parte de um reino unido, em pé de igualdade com Portugal. O que estava em jogo no início da década de 1820 era mais uma questão de monarquia, estabilidade, continuidade e integridade territorial do que revolução colonial [...]
A questão importante a respeito do Brasil é, portanto, que ele se tornou econômica e politicamente independente entre 1808 e 1820, enquanto desempenhava o papel de centro do Império Luso-Brasileiro. Tornou-se “independente” em 1822 apenas depois do fracasso da experiência de centro imperial, ao qual dos súditos da monarquia portuguesa na Europa, África e Ásia voltavam o olhar em busca de liderança. Essa circunstância pouco comum explica por que em 1820 foi Portugal que declarou sua “independência” de Portugal. O “Manifesto da Nação Portuguesa aos soberanos e povos da Europa”, que foi promulgado pelos rebeldes do Porto em 1820, soava como muitas declarações de independência dos estados coloniais e continha muitas das mesmas queixas; a única diferença era que esse manifesto fora promulgado por rebeldes de uma cidade na Europa, e não por rebeldes de algum porto colonial na América. O manifesto do Porto declarava: Os portugueses começam a perder as esperanças para com o único recurso e meio de salvação que lhes foi deixado em meio à ruína que quase consumiu sua querida terra natal. A ideia do stutus de colônia ao qual Portugal tem sido como efeito reduzido, aflige profundamente todos aqueles cidadãos que ainda conservam o sentimento de dignidade a partir do Brasil para os povos leais da Europa, o que implica numa distância de duzentas léguas e excessivo custo e demora [...].
MAXWELL, Kenneth. Por que o Brasil foi diferente? O contexto da independência. In: MOTA, Carlos Guilherme, (org.) Viagem incompleta. A experiência brasileira. Formação: histórias. São Paulo: Editora SENAC, 2000, p. 186-8.
5. O autor apresenta uma tese bastante inovadora em relação à independência do Brasil. Explique a posição do autor tanto no que se refere ao Brasil quanto no diz respeito a Portugal no processo de emancipação de nosso país.
Resposta: Na opinião do autor. o Brasil já estava independente de Portugal desde 1808 e de 1815. Em 1820, foi Portugal que declarou sua independência do Brasil.



ALBUQUERQUE, Georgina de. Sessão do Conselho de Estado. [s.d]. Museu Histórico Nacional, Rio de Janeiro.
AMÉRICO, Pedro. Independência ou Morte! [s.d]. Museu Paulista, São Paulo.
Georgina de Albuquerque, artista profissional e reconhecida, com sua tela Sessão do Conselho de Estado, se opôs à célebre pintura Independência ou Morte! (1888), de autoria de Pedro Américo, hoje instalada no Museu Paulista, conhecido também como Museu do Ipiranga. Esta obra, constitutiva do nosso imaginário sobre a ruptura política com Portugal, até hoje é amplamente veiculada, inclusive em livros didáticos, e muitas vezes tomada como registro fidedigno do que ocorrera em 7 de setembro de 1822 e não apenas uma interpretação. Nela, D. Pedro I figura no centro, com armas em punho, tendo ao seu redor soldados fiéis, postados nas colinas do riacho do Ipiranga, no momento em que declarava a independência.
3. Qual a sua opinião sobre a atitude de Pedro Américo ao retratar a independência do Brasil?
4. Qual o papel da vinda da Corte Portuguesa no processo de emancipação do Brasil?
A transferência da Corte Portuguesa
A transferência da corte portuguesa para o Brasil não foi improvisada, como é comum entendê-la. Ela já havia sido cogitada várias vezes.
Concebida, desde o século XVII, como solução de emergência em situações de crise, a mudança da Corte para a América voltou a ser considerada pelo anglófilo Rodrigo de Souza Coutinho às vésperas de sua demissão da pasta de secretário da Marinha e Ultramar, em 1803, mas somente entrou na pauta governamental do dia quando sucessivas ameaças da França evidenciaram, a partir de 1807, a iminência da invasão de Portugal pelas tropas napoleônicas. Convencido de que a integridade da monarquia somente seria assegurada por meio da preservação dos domínios americanos, cujos recursos naturais e humanos superavam os do reino, D. João e a Corte partiram de Lisboa em 29 de novembro de 1807, compondo uma comitiva de 15 mil pessoas, incluindo apenas uma pequena parte da alta nobreza lusitana.
VAINFAS, Ronaldo, (org.) Transmigrassão da Corte. Dicionário do Brasil colonial. Rio de Janeiro: Objetiva, 2000. p. 557.
A chegada da família real portuguesa no Brasil
A comitiva chegou à Bahia em janeiro de 1808. Imediatamente, o príncipe regente decretou a abertura dos portos brasileiros às nações amigas e seguiu para o Rio de Janeiro onde aportou em 7 de março do mesmo ano.
Além da abertura dos portos, ainda no ano de 1808, o Príncipe Regente criou o Tribunal Real Junta do Comércio, Agricultura, Fábricas e Navegação do Estado do Brasil.
O alvará de 1785, que proibia a existência de manufaturas no Brasil, foi revogado.
A abertura dos portos em 1808 aumentou as possibilidades de articulação da América Portuguesa com o comércio internacional e incentivou migrações internas. As cidades cresceram e adotaram hábitos de consumo mais sofisticados. O maior exemplo foi a cidade do Rio de Janeiro, que se transformou com a presença da Corte Portuguesa. Apesar de conservar algumas das características das vilas coloniais, a cidade ganhou ares europeus após 1808.
