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sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Simulado de História - 4º Bimestre

CNDL - Colégio Notre Dame de Lourdes
Simulado de História - 4º Bimestre
Professor Edenilson Morais
PRIMEIRO ANO
1. (ENEM) Em 2008 foram comemorados os 200 anos da mudança da família real portuguesa para o Brasil, onde foi instalada a sede do reino. Uma sequência de eventos importantes ocorreu no período 1808-1821, durante os 13 anos em que D. João VI e a família real portuguesa permaneceram no Brasil.
Entre esses eventos, destacam-se os seguintes:
• Bahia — 1808: Parada do navio que trazia a família real portuguesa para o Brasil, sob a proteção da marinha britânica, fugindo de um possível ataque de Napoleão.
• Rio de Janeiro — 1808: desembarque da família real portuguesa na cidade onde residiriam durante sua permanência no Brasil.
• Salvador — 1808: D. João VI assina a carta régia de abertura dos portos ao comércio de todas as nações amigas, ato antecipadamente negociado com a Inglaterra em troca da escolta dada à esquadra portuguesa.
• Rio de Janeiro — 1816: D. João VI torna-se rei do Brasil e de Portugal, devido à morte de sua mãe, D. Maria I.
• Pernambuco — 1817: As tropas de D. João VI sufocam a revolução republicana.
GOMES, L. 1808: como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a história de Portugal e do Brasil. São Paulo: Editora Planeta, 2007 (adaptado).

Uma das consequências desses eventos foi
a) a decadência do império britânico, em razão do contrabando de produtos ingleses através dos portos brasileiros.
b) o fim do comércio de escravos no Brasil, porque a Inglaterra decretara, em 1806, a proibição do tráfico de escravos em seus domínios.
c) a conquista da região do rio da Prata em represália à aliança entre a Espanha e a França de Napoleão.
d) a abertura de estradas, que permitiu o rompimento do isolamento que vigorava entre as províncias do país, o que dificultava a comunicação antes de 1808.
e) o grande desenvolvimento econômico de Portugal após a vinda de D. João VI para o Brasil, uma vez que cessaram as despesas de manutenção do rei e de sua família.

2. (UFSM)


(TEIXEIRA, Francisco M. P. "Brasil História e Sociedade". São Paulo: Ática, 2000. p.162.)
O quadro Independência ou Morte, de Pedro Américo, concluído em 1888, é uma representação do 7 de setembro de 1822, quando o Brasil rompeu com Portugal. Essa representação enaltece o fato e enfatiza a bravura do herói D. Pedro, ocultando que
a) o fim do pacto colonial, decretado na Conjuração Baiana, conduziu à ruptura entre o Brasil e Portugal.
b) o processo de emancipação política iniciara com a instalação da Corte portuguesa no Brasil e que as medidas de D. João puseram fim ao monopólio metropolitano.
c) o Brasil continuara a ser uma extensão política e administrativa de Portugal, mesmo depois do 7 de setembro.
d) a Abertura dos Portos e a Revolução Pernambucana se constituíram nos únicos momentos decisivos da separação Brasil-Portugal.
e) a separação estava consumada, o processo estava completo, visto que havia, em todo o Brasil, uma forte adesão militar, popular e escravista à emancipação.



3. (PUC) Dentre as características da Carta Imperial de 1824, outorgada por D. Pedro I, NÃO está incluído ou incluída:
a) o voto universal e secreto.
b) o exercício do Poder Moderador pelo monarca.
c) a forma unitária do Estado.
d) o casamento apenas religioso, com efeitos civis.
e) a divisão do território nacional em Províncias.


4. (UFV) Dentre as diversas revoltas e insurreições que antecederam a abdicação de D. Pedro I em 1831, uma foi especialmente importante pelos ideais republicanos de seus líderes, entre os quais Frei Caneca. Outra característica desse movimento teria sido a proclamação da república em 1824, com a adoção da Constituição da Colômbia. O movimento foi duramente reprimido e Frei Caneca condenado à morte e fuzilado. O movimento em questão ficou conhecido como:
a) Inconfidência Mineira.
b) Confederação do Equador.
c) Questão Cisplatina.
d) Guerra dos Mascates.
e) Revolta dos Farrapos.


GABARITO
1. C
2. B
3. A
4. B


SEGUNDO ANO

1. (FGV) Vai minha tristeza/ E diz a ela que sem ela não pode ser/ Diz-lhe numa prece/ Que ela regresse/ Porque não posso mais sofrer/ Chega de saudade/ A realidade é que sem ela/ Não há paz/ Não há beleza/ É só tristeza e a melancolia/ Que não sai de mim/ Não sai de mim/ Não sai.” Chega de Saudade, Tom Jobim e Vinícius de Moraes
Esse é o trecho de uma das principais canções da bossa nova, gênero que renovou a música brasileira. Nessa época, vivia-se uma fase de otimismo no país.
Altos índices anuais de crescimento econômico, grandes obras públicas, estabelecimento de empresas estrangeiras, manutenção da estabilidade política pelo presidente eleito e significativas conquistas esportivas em competições internacionais eram características:
a) do governo do Garrastazu Médici e do chamado “Milagre Brasileiro”;
b) do governo de João Goulart e da implementação das “Reformas de Base”;
c) do governo de Getúlio Vargas e da política de substituição de importações;
d) do governo de Jânio Quadros e da desnacionalização da economia;
e) do governo de Juscelino Kubitschek e do chamado “Nacional Desenvolvimentismo”.

2. (UFF) Bossa-nova mesmo é ser presidente / Desta terra descoberta por Cabral / Para tanto basta ser tão simplesmente / Simpático, risonho, original. / Depois, desfrutar da maravilha / De ser o presidente do Brasil / Voar da "velhacap" pra Brasília / Ver o Alvorada e voar de volta ao Rio. / Voar, voar, voar, / Voar, voar pra bem distante / Até Versailles, onde duas mineirinhas / Valsinhas, dançam como debutantes / Interessante. / Mandar parente a jato pro dentista / Almoçar com o tenista campeão / Também pode ser um bom artista / Exclusivista / Tomando, com Dilermando, umas aulinhas de violão. / Isso é viver como se aprova / É ser um presidente bossa-nova / Bossa-nova / Muito nova / Nova mesmo / Ultra nova. (CHAVES, Juca. "Presidente Bossa-nova". ln: História da Música Popular Brasileira. SP, Abril Cultural, fascículo e LP n.o41) Esta letra de música deixa transparecer uma crítica política ao presidente Juscelino Kubitschek, bem como o clima de inovação que marcou a história do Brasil a partir da segunda metade dos anos 50. Assinale a opção que faz alusão a movimentos culturais brasileiros deste período.
a) A construção de Brasília representou a associação entre os ideais dos movimentos culturais brasileiros que tinham como inspiração a cultura americana do pós-guerra.
b) A euforia promovida pelo Plano de Metas, que prometia um crescimento de nossa economia na base de "50 anos em 5", favoreceu a emergência do movimento conhecido como "Jovem Guarda" liderado por Roberto Carlos.
c) A década de 50 abriu caminho para o desenvolvimento da música nordestina que se transformou, nos anos 60, em referência nacional.
d) O nacional-desenvolvimentismo deste período sepultou a cultura brasileira, mediante a imposição dos padrões culturais hollywoodianos.
e) O nacional-desenvolvimentismo vigente neste período originou manifestações culturais como o cinema novo, a bossa-nova e o teatro político.






3. (UERJ) Varre, varre, varre, varre, vassourinha. Varre, varre a bandalheira, Que o povo já está cansado De sofrer desta maneira. Jânio Quadros é a esperança deste povo abandonado. (Nosso Século. São Paulo: Abril Cultural, 1980.) Esse "jingle" acompanhou o candidato Jânio Quadros durante a sua campanha à presidência da República, em 1960. A letra sintetiza a seguinte política de resolução dos problemas da época:
a) a austeridade do governo e o controle dos gastos públicos conteriam a inflação e a corrupção oficial.
b) a disputa de mercados externos e a ideologia nacionalista aumentariam o superávit comercial e a geração de renda.
c) o atendimento à economia popular e à produção de alimentos baixariam o custo de vida e os gastos do governo.
d) a defesa dos interesses nacionais e a adoção de uma política externa independente gerariam emprego e novas possibilidades econômicas.

4. (UFPEL)



A charge demonstra que a conjuntura política de 1962 favorecia a João Goulart
a) antecipar a implantação do seu projeto parlamentarista.
b) reduzir a força do Poder Executivo, que lhe fazia oposição.
c) promover o retorno do presidencialismo (efetivado com o plebiscito de 1963).
d) derrubar as Reformas de Base, propostas pelo Parlamentarismo.
e) fechar o Congresso Nacional e governar por decretos.

5. (UFSM)


BRENER, J. Jornal do Século XX. São Paulo: Moderna, 1998, p. 229. A charge, uma crítica ao golpe militar no Brasil em 1964, pode ser interpretada da seguinte maneira:
a) As manifestações populares foram vitoriosas, e o governo militar não teve controle sobre os movimentos de massa.
b) As reivindicações eram representativas dos interesses dos grupos populares e dos setores industriais emergentes.
c) Os militares, através das organizações partidárias, tiveram controle sobre os movimentos dos trabalhadores.
d) Os militares, através de imposição repressiva, tiveram de enfrentar a organização de diversos grupos populares.
e) As reivindicações populares representavam os interesses do capital estrangeiro.

GABARITO
1. E
2. E
3. A
4. C
5. D

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Primeiro Ano - CNDL
Quarto Bimestre - História do Brasil
Colégio Notre Dame de Lourdes
Coleção Pitágoras
Unidade - Das conjurações à abdicação de D. Pedro I
Capítulo 3
Os caminhos da política imperial brasileira: a formação do Estado Imperial brasileiro (1822-1831)

Veja esta charge animada com dois grandes personagens de nossa história

Já imaginaram se Lula fosse conselheiro de Dom Pedro nos tempos do Brasil Império?!
Primeiro Ano - CNDL
Quarto Bimestre - História do Brasil
Colégio Notre Dame de Lourdes
Coleção Pitágoras
Unidade - Das conjurações à abdicação de D. Pedro I
Capítulo 3
Os caminhos da política imperial brasileira: a formação do Estado Imperial brasileiro (1822-1831)
Saiba mais sobre a abdicação e o início do Período Regencial


O professor de História Edenilson Morais faz uma abordagem sobre o processo que levou à abdicação de D. Pedro I, em 1831 e ainda comenta alguns aspectos relevantes do período histórico denominado de Regências (1831-1840). Confira a aula em video.

Confira as avaliações de História do quarto bimestre 2010

Avaliações de História
CNDL - Colégio Notre Dame de Lourdes

Primeiro Ano

Temas abordados:
* Processo de Independência do Brasil;
* Consolidação da Independência do Brasil;
* Constituição de 1824;
* O Primeiro Reinado (1822-1831)


1. (UFMG) Analise estas duas representações do chamado Grito do Ipiranga, de 7 de setembro de 1822:





A partir da análise dessas duas representações e considerando-se outros conhecimentos sobre o assunto, é CORRETO afirmar que, em ambas,
a) a disposição dos atores - coletivos e individuais -, bem como dos aspectos que compõem o cenário, é diferenciada e expressa uma visão particular sobre D. Pedro - na primeira, como o protagonista central; na segunda, como líder de uma ação popular.
b) as mesmas concepções históricas e estéticas fundamentam e explicam a participação dos mesmos grupos sociais e personagens históricos - o príncipe, militares, mulheres, camponeses e crianças.
c) D. Pedro, embora seja o protagonista, se destaca de modo diferente - na primeira, ele recebe o apoio de diversos grupos sociais; na segunda, a participação das camadas populares é mais restrita.
d) os artistas conseguem causar um mesmo efeito - descrever a Indepêndencia do Brasil como um ato solene, grandioso, sem participação popular e protagonizado por D. Pedro.

resposta da questão 1:[A]


2. (UFPEL) Art. 91 - Têm voto nestas eleições primárias: 1¡. - os cidadãos brasileiros que estão no gozo de seus direitos políticos. [...] Art. 92 - São excluídos de votar nas assembléias paroquiais: [...] 5¡. - os que não tiverem de renda líquida anual cem mil réis por bens de raiz, indústria, comércio ou empregos. [...] Art. 94 - Podem ser eleitores e votar nas eleições dos Deputados, Senadores e membros dos Conselhos de Província os que podem votar na Assembléia Paroquial. Excetuam-se: 1¡. - os que não tiverem de renda líquida anual duzentos mil réis por bens de raiz, indústria, comércio ou emprego. [...]. Art. 95 - Todos os que podem ser eleitores são hábeis para serem nomeados Deputados. Excetuam-se : 1¡. - os que não tiverem quatrocentos mil réis de renda líquida, na forma dos artigos 92 e 94. [...] 3¡. - os que não professarem a religião do Estado."

(Constituição Política do Império do Brasil, de 25 de março de 1824.)

De acordo com o texto e seus conhecimentos, é correto afirmar que a constituição
I. era democrática, considerando-se que os cargos para o poder Legislativo eram ocupados através do voto universal e secreto.
II. adotava o chamado "voto censitário".
III. garantia a liberdade religiosa a todos os residentes no Brasil, inclusive para os candidatos a cargos eletivos.
IV. foi outorgada por D. Pedro I.

Estão corretas apenas:
a) I e II.
b) II e III.
c) I e IV.
d) II e IV.
e) III e IV.

Resposta da questão 2: [D]
3. (UNESP) Brasileiros do norte! Pedro de Alcântara, filho de d. João VI, rei de Portugal, a quem vós por uma estúpida condescendência com os brasileiros do sul aclamastes vosso imperador, quer descaradamente escravizar-nos (...). Não queremos um imperador criminoso, sem fé nem palavras; podemos passar sem ele! Viva a Confederação do Equador! Viva a constituição que nos deve reger! Viva o governo supremo, que há de nascer de nós mesmos! (Proclamação de Manuel Paes de Andrade, presidente da Confederação do Equador, 1824.) A proclamação de Manuel Paes de Andrade deve ser entendida
a) no contexto dos protestos desencadeados pelo fechamento da Assembleia Constituinte e da outorga, por D. Pedro I, da Carta Constitucional.
b) como um desabafo das lideranças da região norte do país, que não foram consultadas sobre a aclamação de D. Pedro.
c) no âmbito das lutas regionais que se estabeleceram logo após a partida de D. João VI para Portugal.
d) como resposta à tentativa de se estabelecer, após 1822, um regime controlado pelas câmaras municipais.
e) como reação à política adotada pelo Conselho de Estado, composto em sua maioria por portugueses.
Resposta da questão 3: [A]

4. (UNESP) "Brasileiros! Salta aos olhos a (...) perfídia, são patentes os reiterados perjuros do Imperador, e está conhecida a nossa ilusão ou engano em adotarmos um sistema de governo defeituoso em sua origem e mais defeituoso ainda em suas partes componentes. As constituições, as leis e todas as instituições humanas são feitas para os povos e não os povos para elas. Eis, pois, brasileiros, tratemos de constituir-nos de um modo análogo às luzes do século em que vivemos (...), desprezemos as instituições oligárquicas, só cabidas na encanecida Europa."

(MANIFESTO DOS REVOLUCIONÁRIOS DA CONFEDERAÇÃO DO EQUADOR, 1824)

Com base no texto, indique:
a) o tipo de governo qualificado como "defeituoso";

b) o sistema de governo proposto pelos revoltosos.
resposta da questão 4:

a) Monarquia.

b) República.

5. (UFC) Em 07 de abril de 1831, o Imperador D. Pedro I renunciou ao trono do Brasil, deixando como herdeiro seu filho de apenas cinco anos de idade, o futuro D. Pedro II.

a) Cite quatro elementos que provocaram a renúncia de D. Pedro I.

b) Como ficou conhecido o sistema de governo que vigorou no período entre a abdicação de D. Pedro I e a coroação de D. Pedro II?


resposta da questão 5:

No início da década de 1830, a continuidade do reinado de D. Pedro I tornou-se insustentável. A crise financeira, desencadeada pelo declínio das exportações, pelo crescente endividamento externo e pelos gastos com a Guerra da Cisplatina, resultou em um aumento da inflação e no agravamento da pobreza. A isso somou-se a insatisfação com a centralização do poder e o autoritarismo do Imperador, levando a intensos conflitos entre facções favoráveis (em sua maioria ligados ao Partido Português) e contrárias (em sua maioria ligados ao Partido Brasileiro) ao Imperador. Outro fator importante foi o empenho do Imperador na luta a favor de seu irmão, D. Miguel, o qual disputava, com a própria filha, D. Maria II, a sucessão do trono português, após a morte de D. João VI. A junção destes elementos provocou a renúncia do Imperador ao trono brasileiro em favor de seu filho, o príncipe D. Pedro de Alcântara. A menoridade do herdeiro, que tinha, à época da abdicação, apenas cinco anos de idade, o impossibilitou de governar. Por esse motivo, foi estabelecido um governo regencial, que deveria dirigir o Império até que o príncipe atingisse a maioridade. Entrementes, alguns fatores ligados à disputa política entre Regressistas (depois chamados Conservadores) e Progressistas (depois chamados Liberais) e às revoltas e rebeliões que ocorriam nas províncias, fomentaram o "golpe da maioridade", antecipando a coroação do príncipe, que foi declarado Imperador do Brasil, sob o título de D. Pedro II, em 1840, quando tinha apenas 14 anos de idade. Foram causas imediatas disso: a ascensão dos Regressistas ao poder, com a regência de Pedro Araújo Lima (1837) e o conseqüente alijamento dos Progressistas; a limitação da autonomia provincial, com a aprovação da Lei de Interpretação do Ato Adicional (1840); a articulação entre liberais e palacianos ou áulicos em favor da antecipação da maioridade do príncipe herdeiro; o interesse dos grandes proprietários rurais em restabelecer a "ordem social", convulsionada pelos sucessivos levantes populares ocorridos no período regencial, como a Revolta dos Malês (1835); o desejo das elites políticas de evitar que a unidade territorial brasileira fosse quebrada por movimentos separatistas, como a Farroupilha (1835) e a Sabinada (1837).


AVALIAÇÃO DE HISTÓRIA DO SEGUNDO ANO


Temas abordados:

* A Era Vargas (1930-1945)

1. (PUC) "O meu candidato é o Eurico. Mas, se houver oportunidade, eu mudo uma letra: Eu fico."
A anedota popular, muito em voga nos anos 40 no Brasil, quando estava em curso o processo de democratização do país, reflete:

a) vontade do ditador Getúlio Vargas de permanecer no poder com o apoio da população brasileira, diante da vitória dos países aliados na Segunda Guerra.
b) estratégia política de Vargas para conseguir o apoio da oposição liderada pela UDN (União Democrática Nacional) para sua candidatura à Presidência da República.
c) manobra do governo para anunciar ao povo brasileiro a ameaça representada pelo candidato Dutra, contrário à abertura democrática.
d) pretexto utilizado por Vargas para manter a ditadura do Estado Novo vencendo a resistência da oposição, que apoiava a candidatura Dutra.

resposta da questão 1: [A]

2. (Cftce) Getúlio Vargas foi normalmente considerado um governante populista. Explique o que foi o populismo.

resposta da questão 2:

O populismo foi uma prática política desenvolvida não somente no Brasil, mas em quase toda a América latina como forma de amenizar os avanços do movimento trabalhista em prol de mudanças consideráveis das suas condições de trabalho. Na transição de poder das oligarquias agrárias para o empresariado o populismo continha os ânimos do operariado. No Brasil, o populismo consistiu na concessão de relativos benefícios aos trabalhadores, na condição de paliativos, a fim de entretê-los e desviá-los das questões centrais dos seus problemas. Foi o que Getúlio Vargas fez, sendo daí chamado de "pai dos pobres", mas também "mãe dos ricos".


3. (PUC) Leia atentamente trechos da entrevista que o jornalista Villas-Bôas Corrêa concedeu à revista Nossa História, em agosto de 2004 (n.10, p. 39-40): "Os jornais eram todos muito hostis a Vargas, faziam uma campanha extremamente violenta". "A notícia do suicídio [24 de agosto de 1954] explodiu quando eu estava na altura da [rua] Uruguaiana. Bem na minha frente estava uma senhora negra, baixota, gorda, com duas sacas na mão. Ela parou e parecia inchar. De repente, berrou com violência: Canalhas, ladrões, mataram nosso amigo, mataram o velhinho! ." O depoimento de Villas-Bôas Corrêa caracteriza algumas ambigüidades, explicitando rejeições e apoios, associadas à figura do Presidente Getúlio Vargas.

a) Caracterize UM motivo para a hostilidade de muitos órgãos de imprensa durante segundo Governo Vargas.

b) Caracterize UM motivo para o apoio popular a Vargas.
resposta da questão 3:

a) - o posicionamento político de boa parte da grande imprensa contra o nacionalismo econômico e o trabalhismo defendidos pelo Governo Vargas. - a crítica ao financiamento público, pelo Banco do Brasil, à criação do jornal varguista Última Hora. - a acusação e o temor generalizado na grande imprensa da retomada de práticas autoritárias provenientes do Estado Novo, com destaque para as ações de censura. b) - o reconhecimento em relação à implementação das leis trabalhistas advindas do 1º Governo Vargas e atualizadas neste momento. - o apoio às medidas relacionadas ao nacionalismo econômico, expresso, por exemplo, na criação da Petrobrás.



4. (UFMG) Observe esta figura:



(TEIXEIRA, Francisco M. P. "Brasil: História e sociedade". São Paulo: Ática, 2000. p. 274.)

Essa figura está relacionada
a) à campanha eleitoral de 1950, quando Getúlio se apresentou como um candidato democrático apoiado pela massa de trabalhadores.
b) à propaganda da Aliança Liberal, que defendia a coligação dos tenentes com a oligarquia gaúcha, tendo Getúlio Vargas como seu líder.
c) ao culto do regionalismo político, que os órgãos de propaganda do Estado Novo alimentaram usando a origem gaúcha de Getúlio Vargas.
d) ao movimento conhecido como queremismo, que, ao final do Estado Novo, uniu comunistas e trabalhistas na luta pela Constituinte com Getúlio.

resposta: [A]

5. (UFV) "Aos operários da construção civil: Companheiros - Que Deus e Vargas estejam convosco. A mim ambos desamparam; mas o momento não é de queixas, e sim de luta. Não me dirijo a toda a vossa classe, pois não sou um demagogo. Sou um homem vulgar, e vejo apenas (mal) o que está diante de meus olhos. Estou falando, portanto, com todos aqueles dentre vós que trabalham na construção em frente de minha janela. Um carrega quatro grandes tábuas ao ombro; outro grimpa, com risco de vida, a precária torre do enguiçado elevador; qual bate o martelo, qual despeja nas formas o cimento, qual mira a planta, qual usa a pá, qual serra (o bárbaro) os galhos de uma jovem mangueira, qual ajusta, neste momento, um pedaço de madeira na serra circular. ... Ouvi-me, pois, insensatos; ouvi-me a mim e não a essa infame e horrenda serra que a vós e a mim tanto azucrina. Vamos para a praia. E se o proprietário vier, se o banqueiro vier, se o governo vier, e perguntar com ferocidade: estais loucos? - nós responderemos: Não, senhores, não estamos loucos; estamos na praia jogando peteca. E eles recuarão, pálidos e contrafeitos."
(RUBEM BRAGA, julho de 1951)

Quais fatos históricos fizeram com que o autor da crônica anterior associasse a figura do Presidente Vargas a Deus e aos operários?
resposta:Paternalismo de Getúlio Vargas, em relação aos trabalhadores, sintetizado no título "Pai dos Pobres", em decorrência da instituição dos direitos trabalhistas durante a chamada Era Vargas , destacando-se a CLT e o Salário Mínimo.


sábado, 23 de outubro de 2010

Primeiro Ano - CNDL
Quarto Bimestre - História do Brasil
Colégio Notre Dame de Lourdes
Coleção Pitágoras
Unidade - Das conjurações à abdicação de D. Pedro I
Capítulo 3
Os caminhos da política imperial brasileira: a formação do Estado Imperial brasileiro (1822-1831)

Primeiro Reinado: os percalços de D. Pedro I

Entenda os fatores que levaram a abdicação de D. Pedro I


O professor Edenilson Morais faz um breve comentário sobre o contexto histórico que levou a abdicação de D. Pedro I, em 1831. Confira a aula em video.
Primeiro Ano - CNDL
Quarto Bimestre - História do Brasil
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Coleção Pitágoras
Unidade - Das conjurações à abdicação de D. Pedro I
Capítulo 3
Os caminhos da política imperial brasileira: a formação do Estado Imperial brasileiro (1822-1831)




Análise e interpretação: versões, opiniões e fontes diversas

9. Leia o documento

Confederação do Equador: Manifesto de Proclamação

Brasileiros. A salvação da honra da pátria e da liberdade, a defesa de nosssos inprescritíves e inalienáveis, direitos de soberania instam, urgem e imperiosamente comandam que com os laços da mais fraterna e estrita união, nos prestemos recíprocaos auxílios para a nossa comum defesa.

É inato no coração do homem o desejo de ser feliz, e este desejo, como princípio de toda a sociabilidade, é bebido na natureza e na razão, que são imutáveis; para preenchê-los é indispensável um governo que, dando expansão e coordenando todos os seus recursos, eleve os associados àquele grau de prosperidade e grandeza que leh estiver destinado nos planos da Providência, sempre disposta em favor da humanidade. Reconhecendo estas verdades eternas, adotamos o sistema de governo monárquico representativo e começamos nossa regeneração política pela solicitude de uma soberana assembleia constituinte de nosssa escolha e confiança.

Antes que se verificassem nossos votos e desejos fomos surpreendidos com extemporânea aclamação do Imperador; subescrevemos a ela tácita, ou expressamente na persuasão de que isso era conducente a nosssos fins, porque envolvia em seus princípios a condição de bem servir à nação.

Reuniu-se a soberana assembleia, e quando nos parecia que havíamos entrado no gozo de nossos inauferíveis direitoes, e apenas tinha ela dado princípio à organização de nosso pacto social, vimos que o Imperador, postergando os mais solenes juramentos e os mesmos princípios que lhe deram nascimento político, autoridade e força, insultou caluniosamente o respeitável corpo que representava a nossa soberania, e desembainhando a homicida espada de um só golpe fez em pedaços aquele soberado corpo e dilacerou seus membros!

Não é preciso, brasileiros, neste momento fazer a enumeração dos nefandos procedimentos do imperador, nem das desgraças que acarretamos sobre nossas cabeças por havermos escolhido, enganados, ou preocupados, tal sistema de governo e tal chefe do poder executivo! Vós todos, e todo mundo que os têm observado, os conhecem e enumerara; porém, conquanto estivessem prevenidos na expectativa de males, nunca a ninguém podia passar pela ideia, talvez como possibilidade que o imperador havia trair-nos e abandonar-nos ao capricho de nossos sangrentos e implacáveis inimigos lusitanos, no momento em que teve notícia de estar fazendo-se preparada de acordo com ele? É possível, mas não provável [...]

Manuel de Carvalho Paes de Andrade, presidente.

a) Apresente as queixas dos confederados nesse trecho do Manifesto de Proclamação da Confederação do Equador.

Resposta: As queixas dos confederados são a dissolução da Assembleia Constituinte e a outorga da nova carta constitucional, com seus princípios autoritários.

b) Avalie se as queixas dos confederados se justificavam. Anote suas conclusões.

Resposta: A defesa dos princípios liberais e a autonomia das províncias estão na base das justificativas políticas para a ação dos confederados contra a política do Imperador. Cabe a discussão acerca dos meios e dos recursos de que dispunham para fazer oposição ao poder centralizado no Rio de Janeiro.

O tema em foco

Leia o trecho do texto a seguir.

[...] Com a independência do Brasil, a província Cisplatina continuou a integrar o Império, após alguns conflitos com as tropas fiéis ao governo de Lisboa. Em 1825, no entanto, uma rebelião regional proclamou sua separação, com a adoção do regime republicano e a incorporação da região às Províncias Unidas do Reino da Prata (Argentina). Tal fato levou, a partir de dezembro de 1825, a uma guerra entre Brasil e Argentina, apoiada esta última pela facção rebelde da província, afirmando o imperador Pedro I que a honra nacional exigia que se sustentasse a província Cisplatina, pois estava jurada a integridade do Império. Nessa decisão estava em jogo não só o desejo do Executivo em pôr fima a uma rebelião mas a intenão de demonstrar a superioridade do governo monárquico sobre o republicano.

Apesar de possuir maiores forças e recursos militares, o Brasil não logrou obter nenhuma vitória decisiva, e a guerra acarretou inúmeras dificuldades financeiras para as partes envolvidas. A paz só foi alcançada em 1828, com a intervenção da Inglaterra, interessada em restaurar as transações comerciais que o conflito impedia. A Convenção Preliminar de Paz, assinada no Rio de Janeiro, em 27 de agosto, garantiu o surgimento de um país livre, a República Oriental do Uruguai, despontando como um Estado-tampão entre a Argentina e o Brasil.

A perda da Cisplatina significou um abalo considerável na imagem do imperador, que perdeu prestígio como cabeça de um Império militar glorioso. O regime fracassara em manter a integridade territorial, às custas de perda de homens, bens e recursos, numa guerra longa e desnecessária.

Além disso, a intervenção da Inglaterra no acordo da paz revelou uma pusinânime dependência em relação a esse país que, sozinho, beneficiou-se do acordo, herdando o prestígio e o comércio do Prata, em detrimento do Brasil.

Desse modo, a guerra com Cisplatina, contribuiu para agravar a delicada situação de D. Pedro I no poder, sendo fator importante para sua abdicação, em 1831.

NEVES, Lúcia Bastos Pereira das. Guerra da Cisplatina. In: VAINFAS, Ronaldo, (dir.) Dicionário do Brasil Imperial. Rio de Janeiro: Objetiva, 2002. p. 322.

10. Apresente as razões pelas quais D. Pedro encarava a independência da Cisplatina como uma desonra ao Império.

Resposta: D. Pedro encara a independência da Cisplatina como uma desonra porque quebrava a integridade do Império.

11. Explique o que significou para a figura do Imperador e o Império a perda da Cisplatina e a intervenção da Inglaterra.

Resposta: A perda da Cisplatina significou a impopularidade do Imperador, que perdeu prestígio como militar, o que garantiria a integridade territorial do Império, além da dependência do Brasil à Inglaterra.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Primeiro Ano - CNDL
Quarto Bimestre - História do Brasil
Colégio Notre Dame de Lourdes
Coleção Pitágoras
Unidade - Das conjurações à abdicação de D. Pedro I
Capítulo 3
Os caminhos da política imperial brasileira: a formação do Estado Imperial brasileiro (1822-1831)

Primeiro Reinado: os percalços de D. Pedro I


Os conflitos entre D. Pedro I e as elites brasileiras começaram logo após a Independência. A tendência autoritária do Imperador, já demonstrada com a dissolução da Assembleia Constituinte, provocou os primeiros conflitos políticos que se torrnaram constantes durante todo o governo de D. Pedro I. A cada crise, o imperador tendia a se aproximar mais dos portugueses residentes no Brasil, o que despertava suspeitas, contribuindo para o agravamento do cenário político brasileiro.
Os liberais mais radicais criticavam o centralismo e a consequente falta de autonomia para as províncias, além de criticar a criação do Poder Moderador, a vitaliecidade do Senado e os privilégios dos portugueses no Brasil.

domingo, 17 de outubro de 2010

Primeiro Ano - CNDL
Quarto Bimestre - História do Brasil
Colégio Notre Dame de Lourdes
Coleção Pitágoras
Unidade - Das conjurações à abdicação de D. Pedro I
Capítulo 3
Os caminhos da política imperial brasileira: a formação do Estado Imperial brasileiro (1822-1831)

Análise e interpretação: versões, opiniões e fontes diversas

Leia o documento a seguir.

Charge alusiva a Constituição outorgada de 1824.
Constituição de 1824

Título V
Do Imperador
Capítulo I
Do Poder Moderador

“Art. 98. O Poder Moderador é a chave de toda a organização política, e é delegado privativamente ao Imperador, como chefe supremo da Nação, e seu primeiro representante, para que incessantemente vele sobre a manutenção da Independência, equilíbrio, e harmonia dos demais poderes políticos.
Art. 99 – A pessoa do Imperador é inviolável e sagrada. Ele não está sujeito a responsabilidade alguma.
[...]
Art. 101 – O Imperador exerce o poder moderador:
1º) Nomeando os senadores, na forma do art. 43.
[...]
5º Prorrogando ou adiando a assembleia geral e dissolvendo a câmara dos deputados, nos casos em que o exigir a salvação do Estado; convocando imediatamente outra, que a substitua.
6º) Nomeando e demitindo livremente os ministros do Estado.
[...]




5. Defina, com suas palavras, o Poder Moderador.

Resolução: O Poder Moderador foi um dos quatro poderes de Estado instituídos pela Constituição Brasileira de 1824. O Poder Moderador era o que se sobrepunha aos poderes Legislativo, Judiciário e Executivo, cabendo ao seu detentor força coativa sobre os demais.

6. Procure, na Constituição Brasiléia de 1988, as atribuições do presidente de República. Compare o exercício do Poder Executivo no Brasil Contemporâneo com o exercício do Poder Moderador no período imperial brasileiro. Redija, em seguida, suas conclusões e debata-as em sala de aula.

Resolução: Resposta pessoal pertinência das conclusões do aluno.



a)Em que está baseado o sistema eleitora censitário apresentado no fluxograma?

Resolução: O sistema eleitoral censitário está baseado na renda do indivíduo.
b)Pesquise, na Constituição de 1988, o formato do atual processo eleitoral brasileiro. Compare com o sistema eleitoral previsto na Constituição de 1824 e anote suas conclusões.

Resolução: Na Constituição de 1824, o mandato dos senadores era vitalício, o voto censitário (só para os ricos) e em dois graus (eleitores de paróquia / eleitores de província). Na Constituição de 1988, a chamada Constituição cidadã, houve uma reforma eleitoral com a extensão do direito de voto para analfabetos e para brasileiros maiores de 16 anos.


Alegoria juramento constituição 1824.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

AVALIAÇÃO DE HISTÓRIA

PRIMEIRO ANO - CNDL 2010
COLÉGIO NOTRE DAME DE LOURDES

1. (Pitágoras) Observe a obra “Proclamação da Independência”, de autoria de François-René Moreaux, pintada em 1844.


FONTE: commons.wikimedia.org/wiki/File:Independencia. Acesso em 12/09/2009
A partir da análise da tela, é possível afirmar que essa representação pictórica sugere os seguintes significados:
I. O quadro foi resultado da observação direta do acontecimento histórico retratado. Nele, o príncipe D. Pedro está destacado de seus súditos, é o foco da ação e foi imortalizado como um monarca seguro de si e do país que tinha diante de si.
II. O futuro Imperador do Brasil não foi mostrado como o líder de uma população negra e mestiça.Trata-se da representação de um país branco, uma vez que nela não há negros ou indígenas.
III. A imagem foi construída com o propósito de esvaziar a participação das elites agrárias e mercantis no processo de independência, colaborando para reforçar o mito de que a independência teria sido fruto da ação individual de D. Pedro.
IV. O pintor não esteve a serviço da versão das elites cariocas acerca da emancipação e do Império; sua preocupação maior foi representar o povo como participante ativo, sempre disposto a saudar o ato memorável de D. Pedro.

Está(ao) CORRETA(S):
a) I e II
b) I e III
c) II e III
d) II e IV
e) III e IV

2. (Unesp) A respeito da independência do Brasil, pode-se afirmar que:
a) consubstanciou os ideais propostos na Confederação do Equador.
b) instituiu a monarquia como forma de governo, a partir de amplo movimento popular.
c) propôs, a partir das idéias liberais das elites políticas, a extinção do tráfico de escravos, contrariando os interesses da Inglaterra.
d) provocou, a partir da Constituição de 1824, profundas transformações na estruturas econômicas e sociais do País.
e) implicou na adoção da forma monárquica de governo e preservou os interesses básicos dos proprietários de terras e de escravos.

3. (Fuvest) O reconhecimento da independência brasileira por Portugal foi devido principalmente:
a) à mediação da França e dos Estados Unidos e à atribuição do título de Imperador Perpétuo do Brasil a D.João VI.
b) à mediação da Espanha e à renovação dos acordos comerciais de 1810 com a Inglaterra.
c) à mediação de Lord Strangford e ao fechamento das Cortes Portuguesas.
d) à mediação da Inglaterra e à transferência para o Brasil de dívida em libras contraída por Portugal no Reino Unido.
e) à mediação da Santa Aliança e ao pagamento à Inglaterra de indenização pelas invasões napoleônicas.

4. Para se concretizar a independência do Brasil foram necessários alguns meses de luta contra as tropas portuguesas nas províncias da Bahia, Grão-Pará, Piauí e Cisplatina. Observe a ilustração abaixo e explique o significado da alegoria da ação do caboclo, símbolo do Dois de Julho de 1823, data da Independência do Brasil, na Bahia.







(NOVAES, Carlos Eduardo e LOBO, César. "História do Brasil para principiantes: de Cabral a Cardoso, quinhentos anos de novela". 2 edição, São Paulo, Ática, 1998)
5. A charge aponta para uma importante característica da Constituição outorgada de 1824, qual seja, a instituição do(a):
a) voto universal.
b) voto censitário.
c) poder moderador.
d) parlamentarismo às avessas.
e) monarquia dual.

RESPOSTAS1. C
2. E
3. D
4. Espera-se que o aluno perceba que a alegoria representa o caboclo - brasileiro - lutando contra o dragão, que encarna a tirania portuguesa.
5. C

sábado, 2 de outubro de 2010

Primeiro Ano - CNDL
Quarto Bimestre - História do Brasil
Colégio Notre Dame de Lourdes
Coleção Pitágoras
Unidade - Das conjurações à abdicação de D. Pedro I
Capítulo 3
Os caminhos da política imperial brasileira: a formação do Estado Imperial brasileiro (1822-1831)










As muitas independências

A família real fugiu às pressas das tropas de Napoleão? Sete de Setembro sempre foi o Dia da Independência: Nossa separação de Portugal foi imediata ou pacífica? Especialistas comentam o que há de verdade no censo comum sobre a Independência

A fuga da família real







Acredita-se:
A vinda da família real portuguesa para o Brasil foi uma fuga desordenada, que só aconteceu porque as tropas napoleônicas estavam às portas de Lisboa. Uma frase atribuída à rainha d. Maria I (“Não corram tanto, ou pensarão que estamos fugindo”) reforça essa ideia.

O que pensam os historiadores?
Ainda que a ideia de uma fuga apressada diante de uma invasão francesa não esteja errada, o professor Guilherme Pereira das Neves, da Universidade Federal Fluminense (UFF), considera que essa é uma visão muito pobre, que não dá conta de várias outras dimensões do episódio. Desde o século XVII, explica, havia discussões em que se defendia a transferência do trono para a América. Além disso, o Brasil ocupava no início do século XIX uma posição de grande importância entre os domínios portugueses, dando margem a planos de criação de um Império luso-brasileiro. Chamar a transferência da corte de “fuga”, diz o professor, parece ter origem no mesmo ressentimento contra o colonizador que gerou as inúmeras piadas de português. Essa visão desmerece a ousadia do príncipe d. João, que, ao vir para o Brasil, escapou de ser deposto por Napoleão Bonaparte, como aconteceu com o rei da Espanha, Fernando VII. “Enxergar o fato dessa forma substitui o alcance dos efeitos positivos causados pela medida por uma certa depreciação dos portugueses, que parecem, assim, medroso e covardes”, conclui Neves.

D. João VI e o reconhecimento da Independência



Acredita-se: Tinha predileção pelo Brasil e se recusava a retornar a Portugal. Quando isso se tornou inevitável, disse, ao partir, a célebre frase de que seria melhor que o Brasil ficasse com o filho Pedro, em vez de cair nas mãos de um aventureiro.
O que pensam os historiadores?
Para o professor Braz Augusto Broncasto, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, d. João tinha interesse em preservar para a Casa de Bragança o poder no Brasil. A frase “Pedro, se o Brasil se separar, antes que seja para ti, que hás de me respeitar, que para algum desses aventureiros” é provavelmente autêntica. D. Pedro I, numa carta escrita ao pai após a Independência, referiu-se a ela, dizendo ainda “lembro perfeitamente quando vossa majestade falou ao partir”. D. João, diz o professor, morreu na esperança de uma monarquia dual e o próprio reconhecimento da Independência trazia a ideia de um dia as duas Coroas terem o mesmo monarca. D. Pedro enfatizou essa continuidade da Casa de Bragança ao marcar sua coroação para o dia 1º de dezembro de 1822, aniversário da revolta de 1640, que rompeu o domínio espanhol sobre Portugal, a União Ibérica, e levou a dinastia de Bragança ao trono.

Dia do Fico

Acredita-se: D. Pedro, contrariando as ordens das Cortes de Lisboa, interessadas em “recolonizar o Brasil”, decidiu, por amor à terra, permanecer no Brasil, dando início ao processo que levou à Independência.
O que pensam os historiadores? Apesar de o chamado Dia do Fico, 9 de janeiro de 1822, ser considerado o ponto de partida para a “revolução da independência do Brasil”, a professora Lúcia Neves, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), lembra que, segundo fontes da época, a contribuição do Fico no desencadeamento de um ideal separatista não estava tão clara. “Não faltaram queixas contra os atos arbitrários das Cortes de Lisboa, mas na percepção daquele momento, a permanência do Príncipe Regente no Brasil assegurava a preservação da ideia de um único Império luso-brasileiro”, diz ela. Apesar da pressão para sua permanência, d. Pedro, no início, ainda hesitava, como indicou sua resposta imprecisa e dúbia, dada através de um edital do Senado da Câmara do dia 9 de janeiro, lido e afixado nos lugares públicos: “Convencido de que a presença de minha pessoa no Brasil interessa ao bem de toda a nação portuguesa e conhecendo que a vontade de algumas províncias o requer, demorarei minha saída até que as Cortes e meu augusto pai e senhor deliberem a este respeito com perfeito conhecimento das circunstâncias que têm ocorrido.” Todavia, no dia seguinte, outro edital do Senado veio à luz, declarando ter publicado na véspera, “com notável alteração de palavras”, a resposta do príncipe regente. Só então se divulgaram, como sendo originais, as palavras que ficaram famosas: “Como é para o bem de todos e felicidade geral da nação, estou pronto; diga ao povo que fico.”

José Bonifácio



Acredita-se: O “Patriarca da Independência” sempre teve como meta separar o Brasil de Portugal.
O que pensam os historiadores?
Figura central nas articulações que resultaram no rompimento com Portugal, José Bonifácio de Andrada e Silva não tinha, segundo Ana Rosa Cloclet, doutora em História pela Unicamp, um projeto que levasse à separação total. “Fiel à identidade portuguesa e a um projeto de Império luso-brasileiro, mas também consciente da superioridade do Brasil em relação ao ‘decadente’ Portugal, José Bonifácio se convence, progressivamente, que essa união era insustentável sem uma Constituição garantidora da paridade de direitos entre as partes e sem um centro de força interno ao Brasil”, diz ela. O Patriarca da Independência era contrário aos regimes democráticos, que via como revolucionários. Para ele, a Monarquia Constitucional era a única forma de governo capaz de barrar os extremos da “anarquia” e do “despotismo”. Por isso, combateu todos os projetos alternativos, entre eles a ideia da convocação de uma Assembléia Legislativa no Brasil, defendida pelo grupo de Joaquim Gonçalves Ledo. Esse embate, na avaliação da professora, cristalizou um outro mito: a oposição Monarquia e República, associadas, respectivamente, a José Bonifácio e Ledo. “Na verdade, o que alimentou tal rivalidade foi o conflito ideológico entre um projeto nacional com base numa representação popular, e o projeto andradino, fundado na legitimidade dinástica e consagrador da soberania do Rei e da Nação, diz Ana Rosa.


Quadro Independência ou morte!


Acredita-se:
O “Grito do Ipiranga” como é conhecido, é a imagem clássica do ato da Independência, tendo D. Pedro como figura central.
O que pensam os historiadores?
O quadro de Pedro Américo foi concluído em 1888, um ano antes da Proclamação da República. O artista fez uma ampla pesquisa, consultando historiadores, estudando objetos e visitando o local do grito. Apesar disso, achava que não deveria ficar “preso à verdade”. Assim, entre outros aspectos, alterou a topografia, para realçar o riacho do Ipiranga e a colina; escolheu raças de cavalos que dessem maior elegância ao príncipe D. Pedro e à sua Guarda de Honra do Imperador, regimento criado, como o próprio nome sugere, tempos depois do 7 de Setembro”, explica Cecília Helena de Salles Oliveira, professora da Universidade de São Paulo (USP).

O Sete de Setembro


Acredita-se: Foi desde 1822 a data da Independência, comemorada, como hoje, como feriado nacional e com paradas militares.
O que pensam os historiadores?
A transformação do Sete de Setembro em data nacional só aconteceu a partir de 1870, refletindo, segundo a professora Cecília Helena, a consolidação do Estado Nacional e o crescimento da importância política e econômica de São Paulo. Na época, diz a professora Lúcia Neves, o único jornal a dar destaque ao “Grito do Ipiranga” foi O Espelho, que circulou no Rio de Janeiro entre 1821 e 1823, editado pela Imprensa Nacional. A publicação exaltava, em 20 de setembro, o “Independência ou morte!”, como “o grito [que] acorde todos os brasileiros”. A professora explica que o jornal, além de louvar o ato de d. Pedro, atacava duramente o Congresso de Lisboa, que “sacrificou a união de dois hemisférios ao seu orgulho e à sua ambição”. Ao longo do século XIX, outras datas foram celebradas, especialmente a aclamação de d. Pedro (12 de outubro, também aniversário do Imperador), a coroação (primeiro de dezembro) e a outorga da primeira Constituição (25 de março de 1824). “O 1º de dezembro é uma espécie de ‘data absolutista’, pois a coroação obedeceu a ritos tipicamente de Antigo Regime e conferiu legitimidade ao imperador com base em sua origem dinástica”, dia Marco Morel, professor da UERJ.

D. Pedro I



Acredita-se:
Nosso primeiro imperador sempre foi visto aqui como herói libertador, e considerado pelos portugueses um traidor que lhes tirou a maior colônia.
O que pensam os historiadores? D. Pedro era um homem de dois mundos. Ainda durante sua vida, a visão que se tinha dele dos dois lados do Atlântico era bem diferente, como explica Lúcia Neves.
Em 1822, ele despertava para os portugueses o fantasma do despotismo, enquanto levantava no Brasil a bandeira liberal. Nove anos depois, abdicou do trono brasileiro com a fama de despótico e foi para Portugal restaurar o trono da filha, Maria II, usurpado pelo irmão d. Miguel. Sua vitória assegurou o liberalismo em Portugal. “Ao contrário do que ocorreu em Portugal, d. Pedro foi depreciado pela historiografia brasileira, por longo tempo, tendo começado somente na década de 1950, com Otávio Tarquínio de Souza, até hoje seu principal biógrafo, uma revisão do papel que teve na emancipação do país e da rica e contraditória personalidade que o distinguiu”, diz a professora.



A Independência foi pacífica

Acredita-se: A Independência foi aceita sem resistências em todas as antigas capitanias.
O que pensam os historiadores?
A Independência não foi aceita imediatamente em todo o país. Salvador, que estava ocupada por tropas portuguesas, demorou a reconhecer a separação, como conta o professor Hendrik Kraay, especialista em História do Brasil na Universidade de Calgary, no Canadá. “Já as câmaras do recôncavo, sem a pressão militar, tinham reconhecido d. Pedro como ‘Defensor perpétuo do Brasil’, mostrando uma predileção em aderir ao movimento”, explica. Comandadas por Luís Madeira de Melo, as tropas portuguesas na capital baiana foram acusadas de promover vários tumultos as ruas.
Em Pernambuco, diz o historiador Evaldo Cabral de Mello, o problema foi a existência de uma tendência separatista anterior a 1822. “A Independência atropelou esse processo. Aconteceu então uma oposição entre o movimento local e o projeto de José Bonifácio, de um país centralizado sob o governo monárquico”, explica.

Monarquia ou República?



Acredita-se: O Brasil seguiu um caminho oposto ao dos países da América Latina, tornando-se um Monarquia, enquanto os vizinhos adotaram a República, como uma simples solução de continuidade.

O que pensam os historiadores? O Império não foi uma solução pronta, mas construída, uma vez que havia focos de republicanismo no Brasil. Entretanto, segundo o professor Marco Morel, essa opção não ignorou a América Espanhola. “ Ao contrário, os partidários do Império usavam as experiências republicanas enfatizando os seus aspectos ‘negativos’. A República, apontada como sinônimo de desordem política, foi usada para justificar um Império centralizado que acabaria com as diferenças regionais”, diz ele. No entanto, o processo de consolidação do Império foi longo e sangrento, a partir da década de 1830, com as revoltas regenciais.

Independência ou morte. In: Nossa História. Ano I, nº 11, setembro de 2004. Biblioteca Nacional. pp 14-18.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Primeiro Ano - CNDL

Quarto Bimestre - História do Brasil

Colégio Notre Dame de Lourdes

Coleção Pitágoras

Unidade - Das conjurações à abdicação de D. Pedro I

Capítulo 3

Os caminhos da política imperial brasileira: a formação do Estado Imperial brasileiro (1822-1831)





Análise e interpretação: versões, opiniões e fontes diversas




Leia o texto a seguir




Guerras de Independência








Quando, em outubro de 1822, D. Pedro I foi aclamado imperador, a unidade política do Império ainda não se consolidara. Se, a essa altura, o Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, através de ofícios e proclamações enviados pelas Câmaras Municipais, já haviam apoiado a Independência, Pernambuco somente veio a prestar essa adesão posteriormente, ainda que desde setembro tivesse escolhido deputados para a Assembleia Constituinte. Em virtude das dificuldade de comunicação, Goiás e Mato Grosso acabaram por pronunciar o juramento de fidelidade ainda mais tarde, em janeiro de 1823.



Em seguida foi a vez do Rio Grande do Norte, Alagoas e Sergipe. No entanto, as quatro províncias do Norte - Pará, Maranhão, Piauí e Ceará - juntamente com parte da Bahia e da província Cisplatina, permaneciam fiéis às cortes de Lisboa. Essas atitudes refratárias estimulavam o ressentimento contra os portugueses e, para o governo de D. Pedro, indicavam a iminência de uma guerra civil, além de ampliara os temores quanto à invasão do litorla brasileiro por tropas portuguesas - o que nunca ocorreu. Porém, ao contrário do que afirmou a historiografia tradicional, uma grande efusão de sangue decorreu dos conflitos nas terras da América entre os partidários das cortes em Lisboa e aqueles que apoiavam o imperador no Rio de Janeiro.




As lutas mais importantes dessa guerra de independência foram travadas na Bahia, Maranhão e na Cisplatina, ao sul. Na Bahia, os partidários das cortes, dominantes desde 1821, contavam com o apoio das tropas comandadas pelo brigadeiro Luís Madeira de Melo. Em meados de 1822, porém, a Junta Governativa da cidade de Cachoeira, no Recôncavo, proclamou a adesão ao príncipe D. Pedro. Com o apoio de outras povoações e participação de escravos, estimulados pela promessa de alforria, intensos conflitos surgiram, então, com as tropas portuguesas. Contratado para reforçar a incipiente Marinha de Guerra do Brasil, o oficial britânico Thomas Cochrane estabeleceu o bloqueio do porto de Salvador, enquanto as tropas de terra, cujo comando passara do francês Pedro Labatut paa José Joaquim de Lima e Silva, apertaram o cerco à cidade, que não resistiu. Com a retirada das tropas portuguesas e dos que escolheram permanecer fiéis às cortes, a separação se consumou, em 2 de Julho de 1823, e a data passou a comemorar a Independência da Bahia.

















No extremo norte, as comunicações por efeito das correntes e dos ventos, eram mais regulares com Lisboa do que com o Rio de Janeiro e, no Maranhão, no início de 1823, a Junta Governativa ainda procedia à eleição de deputados para as cortes ordinárias portuguesas. Em maio, a Junta do Pará solicitou a Lisboa que enviasse uma delegação com poderes executivos a fim de acalmar os ânimos dos setores partidários de D. Pedro. Diante dessa situação, após a adesão da Bahia, Cochrane rumou para o norte e, em julho de 1823, entrou no porto de São Luís arvorando a bandeira portuguesa e alertando a iminente chegada da esquadra brasileira. Ludibriada pelo estratagema, a Junta capitulou no dia 28 do mesmo mês. Em 11 de agosto, um outro oficial inglês, Grenfell, subordinado a Cochrane, submeteu o Pará, recorrrendo ao mesmo ardil, mas acabou responsável por um dos mais violentos episódios da guerra de Independência, quando quase todos os 254 civis e soldados presos no acanhado porão de um navio morreram por asfixia.




Na Cisplatina, ocupada por ordem de D. João em 1816-17, a maioria dos militares conservou-se fiel ao governo de Lisboa, mas alguns defernderam a incorporação da província ao Império. Embora o cabildo de Montevidéu se mostrasse contrário à integração, o impasse permaneceu atém novembro de 1823, quando, ao convencer-se da impossibilidade de receber reforços de Portugal, o comandante português decidiu retirar-se, assumindo as tropas brasileiras o controle da situação.



Dessa forma, somente no final de 1823 definiu-se a unidade territorial do Império do Brasil, à custa de muito sangue e de inúmeros conflitos violentos nas cidades, inclusive no Rio de Janeiro, motivado pelo ressentimento contra os portugueses, o que invalida a visão ufanista da historiografia tradicional de que a Independência foi realizada sem os "horrorres da guerra civil e da anarquia". [..]
NEVES, Lúcia Bastos Pereira das. Guerras da Independência. In: VAINFAS, Ronaldo, (dir.) Dicionário do Brasil Imperial. Rio de Janeiro: Objetiva, 2002. pp. 328-9.












1. Apresente os graves resultados da atitude refratária das provínciass do Norte e da Cisplatina para a consolidação do Império brasileiro.
As atitudes refratárias das províncias estimularam o ressentimento contra os portugueses e, para o governo de D. Pedro, indicavam a iminência de uma guerra civil, além de ampliar os temores quanto à invasão do litoral brasileiro por tropas portuguesas.




2. Explique o porquê da critica enfática da autora à historiografia tradicional sobre a Independência do Brasil.
A autora critica a historiografia tradicional que confere um caráter pacífico à independência, quando houve, nas guerras de independência "uma grande efusão de sangue" e confrontos violentos em muitas cidades do Império.




O tema em foco
Leia o texto a seguir.




A independência chegou mais tarde na Bahia, e acompanhada de muita luta. No dia 2 de julho de 1823, quase dez meses após o Grito da Independência, as tropas portuguesas, sob o comando de Inácio Luís Madeira de Melo, deixaram Salvador, abrindo caminho para que as forças patriotas, o Exército Pacificador, ocupassem cidades. Desde 1824, o Dois de Julho é comemorado em Salvador - ano após ano, poucos se importavam com o Sete de Setembro, mas milhares iam às ruas para comemorar "o sempre memorável dia 2 de julho". Nos ruidosos festejos do século XIX, os baianos construíram sua identidade como patriotas brasileiros e baianos e questionavam a histórias oficiais da independência. Hoje, o Dois de Julho é ainda a mais importante festa cívica da Bahia, apesar de ter passado por muitas mudanças desde o final do Império.
Havia muito o que comemorar em 1824. A guerra de 1822 a 1823 fora longa e cruenta. Mais de 15 mil baianos lutaram contra Madeira de Melo, e a organização do Exército Pacificador implicou uma maciça mobilização popular antiportuguesa que chegou a alcançar até os escravos (algumas centenas deles foram recrutados em 1823). Não se sabe quantos morreram, mas, para muitos baianos, a independência foi uma conquista em que eles participaram pessalmente.
Tal vitória não podia ser comemorada como nas tradicionais festas cívicas coloniais, com apenas um Te Deum (ofício religioso de ação de graças), desfile militar, continências ao retrato do monarca e uma gala no teatro. Embora haja poucos documentos da década de 1820 sobre o Dois de Julho, sabe-se com certeza que, em 1827, realizou-se pela primeira vez um desfile popular, que começou na Lapinha (nos arredores da cidade) e seguiu até o centro, percorrendo o mesmo caminho das tropas patriotas. Em 1830, o cônsul francês relatou que nada menos de 3 mil pessoas participaram do desfile.
















Por essa época - não se sabe com certeza em que ano - surguiu pela primeira vez o caboclo, a estátua de um índio que, com uma lança na mão, mata a serpente [...]. Colocado numa carreta capturada durante a guerra, o caboclo (e seu carro alegórico) logo se trornou o símbolo máximo do Dois de Julho. Na década de 1840, ganhou uma companheira cabocla, uma figura mais pacífica que não usa armas.

Na década de 1830, as comemorações tomaram sua forma característica. Na última semana de junho, a câmara municipal emitia uma proclamação para convidar os habitantes da cidade a participarem de atividades patrióticas legítimas. Na véspera do dia 2 de julho, reuniam-se na Lapinha para velar os carros alegóricos. No dia, a grande parada serpenteava até o centro pelas ruas estreitas da cidade, enfeitadas de arcos triunfais pelos moradores. Dela participavam autoridades civis e militares, tropas do Exército e da Guarda Nacional, e bandas de música. Batalhões patrióticos também se destacavam no desfile. Lembravam blocos carnavalhescos por serem organizações voluntárias que se reuniam para desfilar durante os festejos (acompanhados sempre de músicas). Vestiam-se de branco e usavam chapéus de palha enfeitados de folhas verde-amarelas. Muitos populares também se juntavam ao cortejo.
KRAAY, Hendrik. Independência Baiana. Nossa História. Rio de Janeiro: Biblioteca Nacional nº 21, jul. 2005. pp. 60-61.








3. Por que o Sete de Setembro não é comemorado na Bahia?
Porque a independência na Bahia se deu quase dez meses após o 7 de setembro, no dia 2 de julho de 1823, quando as forças patriotas, o Exército Pacificador, ocuparam as cidades baianas.
4. Com base no texto anterior, explique a alegoria da ação do caboclo, símbolo do Dois de Julho, na Bahia.

A elegoria representa o caboclo - brasileiro - lutando contra o dragão, que encarna a tirania portuguesa.





Saiba mais sobre a importância do 2 de julho na Bahia





O professor Ricardo Carvalho explica a relevância desta data cívica no estado da Bahia.

Primeiro Ano - CNDL
Quarto Bimestre - História do Brasil
Colégio Notre Dame de Lourdes
Coleção Pitágoras
Unidade - Das conjurações à abdicação de D. Pedro I
Capítulo 3
Os caminhos da política imperial brasileira: a formação do Estado Imperial brasileiro (1822-1831)


DEBRET, Jean Baptiste. Cerimônia de consagração de D. Pedro I, Imperador do Brasil. Viagem Pitoresca e Histórica através do Brasil. Paris/França, 1835-39.

Problematização do tema

Vários interesses e projetos estiveram envolvidos no processo de emancipação política do Brasil. Entretanto o projeto vencedor foi o das elites brasileiras, que defendeu e apoiou uma independência política sem alterações sociais. Assim, como na maioria das ex-colônias latino-americanas, o Brasil optou pela liberdade política sem igualdade social.

A sociedade brasileira manteve as características coloniais. A escravidão e o latifúndio permaneceram. Apesar de um relativo crescimento das atividades comerciais e a da vida urbana (provocado pela abertura econômica do Brasil em 1808), a população continuava concentrada nas zonas rurais, onde ainda prevalecia a produção agrária de exportação.

A população total do Brasil, nessa época, era de, aproximadamente, três milhões e meio de pessoas, e grande parte delas era constituída de escravos e de trabalhadores livres pobres.

Os grandes proprietários de terras, embora fossem uma minoria, possuíam absoluto controle sobre a população urbana e rural. Formavam uma elite, um grupo de pessoas com privilégios sociais e políticos. Haviam apoiado o Príncipe no processo de Independência e pretendiam construir o Estado brasileiro de acordo com os seus interesses.

Outras questões são as da integridade do território brasileiro; as diversas soluções políticas das elites e a firme convicção de que o trabalho escravo seria mantido.

Neste capítulo, você vai estudar a política do Império brasileiro entre 1822, quando se proclamou a independência do Brasil, e 1831, ano da abdicação de D. Pedro I. Além do papel desempenhado pelo Príncipe e pelas elites brasileiras na elaboração da Constituição de 1824, você vai aprender que a independência não foi um processo tranquilo e pacífico como comumente se afirma.

Pense sobre o que você acabou de ler e discuta:

1. Qual foi o projeto vencedor no processo de emancipação política do Brasil?

O projeto defendido pelas elites brasileiras foi o vencedor no processo de emancipação brasileira.

2. O que esse projeto defendia?

Manutenção das condições sócio-econômicas brasileiras.

3. Como se estruturava a sociedade brasileira à época da Independência?

A socedade brasileira manteve as características coloniais do latífundio monocultor visando à exportação e utilizando-se da mão de obra escrava. A maioria da população era formadas por escravos e trabalhadores livres pobres. Os latifundiário tinha grande prestígio político e econômico nesse período.

4. Quais eram as maiores preocupações das elites brasileira:

As elites se preocupação com a manutenção de seus privilégios sociais e econômicos, além da integridade territorial brasileira e da preservação do trabalho escravo.

5. Como terá sido o processo político entre 1822 e 1831?

Nesse período ocorreu a consolidação da Indepedência e a construção do Estado Imperial brasileiro, ocorreram as guerras pela independência, a outorga da Constituição de 1824 e todo o processo que desgatou o governo de D. Pedro I levando à sua abdicação, em 1831.

DEBRET, Jean Baptiste. Aclamação de D. Pedro I no Campo de Sant'ana. Viagem Pitoresca e Histórica através do Brasil. Paris/França, 1835/39.

ANASTASIA, Carla Maria Junho. História: ensino médio, livro 2 / Carla Maria Junho Anastasia, Guilherme Batista Amaral, Elizabeth Seabra. - 1ª edição - Belo Horizonte: Editora Educacional, 2010, pp. 99-100.