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sábado, 5 de maio de 2012

Saiba mais sobre o processo de independência do Brasil

 
Saiba mais sobre o processo de independência do Brasil




Confira o resumo sobre o processo histórico que conduziu à independência da América Portuguesa.

Teste seus conhecimentos sobre o processo de emancipação política do Brasil

1. (UFG 2008) Leia os fragmentos a seguir.

"Não corram tanto ou pensarão que estamos fugindo!"
("REVISTA DE HISTÓRIA DA BIBLIOTECA NACIONAL". Rio de Janeiro, ano 1, n. 1, jul. 2005, p. 24.)

"Preferindo abandonar a Europa, D. João procedeu com exato conhecimento de si mesmo. Sabendo-se incapaz de  heroísmo, escolheu a solução pacífica de encabeçar o êxodo e procurar no morno torpor dos trópicos a  tranqüilidade ou o ócio para que nasceu".
(MONTEIRO, Tobias. "História do Império: a elaboração da Independência". Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: EDUSP, 1981. p. 55. [Adaptado].

O embarque da família real para o Brasil, em 1807, deu origem a contraditórias narrativas. A frase acima, atribuída  à rainha D. Maria I, tornou-se popular, passando a constituir uma versão narrativa ainda vigorosa. Nos anos de  1920, os estudos sobre a Independência refizeram o percurso do embarque, assegurando uma interpretação  republicana sobre esse acontecimento, tal como exemplificado no trecho do jornalista e historiador Tobias Monteiro.

Sobre essa versão narrativa em torno do embarque, pode-se dizer que pretendia
a) conquistar a simpatia da Inglaterra, ressaltando a importância do apoio inglês no translado da corte portuguesa  para o Brasil.
b) associar a figura do rei ao pragmatismo político, demonstrando que o deslocamento da corte era um ato de  enfrentamento a Napoleão.
c) ridicularizar o ato do embarque, agregando à interpretação desse acontecimento os elementos de tragédia,  comicidade e ironia.
d) culpabilizar a rainha pela decisão do embarque, afirmando-lhe o estado de demência lamentado por seus  súditos.
e) explicar o financiamento do ócio real por parte da colônia, comprovando que o embarque fora uma estratégia  articulada pelo rei.

resposta:[C]

2. (UERJ 2009) O impacto da vinda da Família Real portuguesa para o Brasil implicou alterações significativas para a cidade do Rio de Janeiro que se prolongaram durante todo o período conhecido como "joanino". Essas alterações produziram uma nova dinâmica socioeconômica e redefiniram, em vários aspectos, a inserção da cidade no contexto internacional.

Uma função urbana associada a essa nova inserção está indicada em:
a) crescente pólo turístico em função da chegada da Missão Artística Francesa.
b) expressivo núcleo comercial articulado à nascente rede ferroviária brasileira.
c) principal porto brasileiro relacionado à importação legal de manufaturas britânicas.
d) importante centro religioso decorrente da instalação do Tribunal da Santa Inquisição.


resposta:[C]

3. (G1) Neste texto, Ruy Castro se transporta no tempo e se vê como um jornalista a noticiar a chegada da Família Real ao Rio de Janeiro, ocorrida há 200 anos.

É hoje!
Rio de Janeiro. O príncipe regente dom João desembarca hoje no Rio com sua família e um enorme séquito de nobres, funcionários, aderentes e criados. Precisou que Napoleão botasse suas tropas nos calcanhares da Corte para que esta fizesse o que há cem anos lhe vinha sendo sugerido: transferir-se para o Brasil.
Não se sabe o que, a médio prazo, isso representará para a metrópole. Mas, para a desde já ex-colônia, será supimpa. Porque, a partir de agora, ela será a metrópole. E, para estar à altura de suas novas funções, terá de passar por  uma reforma em regra  - não apenas cosmética, para receber o corpo diplomático, o comércio internacional e os grã-finos de toda parte. Mas, principalmente, estrutural. Afinal, é um completo arcabouço administrativo que se está mudando.
Para cá virão os ministérios, as secretarias, as intendências, as representações e a burocracia em geral. Papéis sem conta serão despachados entre esses serviços, o que exigirá uma superfrota de estafetas [mensageiros]. A  produção de lacre para documentos terá de decuplicar.  O Brasil importará papel, tinta e mata-borrões em quantidade, mas as penas talvez possam ser fabricadas aqui, colhidas dos traseiros das aves locais.
Estima-se que, do Reino, chegarão 15 mil pessoas nos próximos meses. Será um tremendo impacto numa  cidade de 60 mil habitantes.  Provocará mudanças na moradia, na alimentação, nos transportes, no vestuário, nas  finanças, na medicina, no ensino, na língua. Com a criação da Imprensa Régia, virão os jornais. O regente mandará  trazer sua biblioteca. Da escrita e da leitura, brotarão as ideias.
Até hoje, na história do mundo, nunca a sede de um império colonial se transferiu para sua própria colônia. É  um feito inédito - digno de Portugal. E que pode não se repetir nunca mais.
(Ruy Castro. "Folha de S. Paulo", 08/03/2008)

O texto de Ruy Castro apresenta algumas mudanças ocorridas na Colônia após a chegada da Família Real  portuguesa ao Rio de Janeiro, as quais foram fundamentais para o processo da Independência.

Assinale a alternativa que apresenta uma medida adotada e sua importância para a emancipação política do Brasil.
a) a transferência do corpo diplomático, do comércio internacional e dos grã-finos, pois garantiu a formação de  uma elite nacional interessada na autonomia.
b) um sensível crescimento da leitura e da escrita, com a criação da Imprensa Régia, os jornais, a biblioteca e o ensino, o que abriu espaço à formação e difusão de novas idéias.
c) a vinda de ministérios, secretarias e intendências, pois sem essa burocracia seria impossível a formação de uma  nação.
d) a importação de papel, tinta e mata-borrões, sem os quais as aves não seriam utilizadas para o desenvolvimento  de uma produção local.
e) as mudanças na moradia, na alimentação, nos transportes e no vestuário, pois favoreceram a formação de uma  classe média crítica e transformadora.

resposta:[B]

4. (Ufla) Leia o seguinte texto:
"Na manhã de 29 de novembro de 1807, circulou a informação de que a Rainha, o Príncipe Regente e toda a Corte estava fugindo para o Brasil, sob a proteção da Marinha Britânica. Nunca algo semelhante tinha acontecido na história de qualquer país europeu, rei nenhum havia ido tão longe a ponto de cruzar um oceano para viver e reinar do outro lado do mundo."
(Revista "Super Interessante", Outubro de 2007)

Com base no texto, responda:

a) Indique uma das ordens imediatas do Príncipe Regente ao pisar em terras brasileiras.
b) No que diz respeito à chegada da Família Real ao Brasil em 1808, apresente duas conseqüências que tenham tido significativa relevância no sentido de modificar o rumo histórico do país.


resposta:
a) A abertura dos Portos Brasileiros às Nações Amigas em 1808.
b) Entre as conseqüências relevantes da chegada da Família Real portuguesa ao Brasil em 1808, pode-se mencionar o Tratado de Comércio e Navegação de 1810 com a Inglaterra, que além de constituir-se em obstáculo ao desenvolvimento da atividade industrial no Brasil, iniciava a vinculação do Brasil à órbita do capitalismo britânico, e a  elevação do Brasil à condição de Reino Unido de Portugal e Algarves em1815, retirando-lhe a condição de Colônia.

5. (PUC RIO 2008) 

 

 
A imagem a seguir, do pintor Jean Baptiste Debret, intitulada "Um funcionário do governo sai a passeio com a  família", constitui um registro do cotidiano daqueles que habitavam o Rio de Janeiro no tempo do governo joanino  (1808 - 1821). A partir da observação da gravura e de seus conhecimentos sobre o período:

a) APRESENTE dois elementos que identificam a posição dos diferentes grupos sociais na hierarquia da sociedade  da época. JUSTIFIQUE.
b) EXPLIQUE por que durante o governo de D. João VI o Rio de Janeiro passou a ser identificado como "nova  Lisboa".

resposta:

a) O pai (branco) à frente dos demais membros da família simboliza a autoridade e o poder dos homens sobre  as mulheres na sociedade da época. O lugar ocupado pela dona de casa (branca) na fila, atrás dos filhos - fossem esses meninos ou meninas - e à frente dos escravos, evidencia, respectivamente, seu papel de mãe  dos filhos do marido e de administradora de um lar extenso. A mulher branca exercia, portanto, o domínio  sobre os escravos e as escravas no espaço da casa. As redes de poder e hierarquia envolvendo a própria  comunidade negra também são perceptíveis na imagem: os escravos(as) que aparecem com melhores  vestimentas provavelmente desfrutavam uma posição vantajosa em relação aos seus pares na hierarquia  social. Os pés descalços marcam a condição de escravo, diferenciando-os dos libertos e dos livres.
b) O governo de D. João VI proporcionou uma série de melhorias na cidade do Rio de Janeiro e beneficiou os grandes proprietários e comerciantes das capitanias do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais que, por estarem próximos da Corte, desfrutavam de privilégios, proteção e prestígio social. A política joanina gerou um aumento significativo dos impostos para a manutenção da Corte na cidade do Rio de Janeiro, que passou a ser identificada como "nova Lisboa", sobretudo por aqueles que habitavam as demais regiões do Brasil. Comentava-se que o Rio de Janeiro passara a sediar grupos que defendiam os interesses "portugueses" oprimindo os "brasileiros" do restante do país. Sendo assim, o domínio político da colônia passara de Lisboa para o Rio de Janeiro. A Revolução Pernambucana de 1817 constitui um exemplo de tal insatisfação.

6. (Fuvest 2012) Fui à terra fazer compras com Glennie. Há muitas casas inglesas, tais como celeiros e armazéns não diferentes do que chamamos na Inglaterra de armazéns italianos, de secos e molhados, mas, em geral, os ingleses aqui vendem suas mercadorias em grosso a retalhistas nativos ou franceses. (...) As ruas estão, em geral, repletas de mercadorias inglesas. A cada porta as palavras Superfino de Londres saltam aos olhos: algodão estampado, panos largos, louça de barro, mas, acima de tudo, ferragens de Birmingham, podem-se obter um pouco mais caro do que em nossa terra nas lojas do Brasil.
Maria Graham. Diário de uma viagem ao Brasil. São Paulo, Edusp, 1990, p. 230 (publicado originalmente em 1824). Adaptado.

Esse trecho do diário da inglesa Maria Graham refere-se à sua estada no Rio de Janeiro em 1822 e foi escrito em 21 de janeiro deste mesmo ano. Essas anotações mostram alguns efeitos
a) do Ato de Navegação, de 1651, que retirou da Inglaterra o controle militar e comercial dos mares do norte, mas permitiu sua interferência nas colônias ultramarinas do sul.
b) do Tratado de Methuen, de 1703, que estabeleceu a troca regular de produtos portugueses por mercadorias de outros países europeus, que seriam também distribuídas nas colônias.
c) da abertura dos portos do Brasil às nações amigas, decretada por D. João em 1808, após a chegada da família real portuguesa à América.
d) do Tratado de Comércio e Navegação, de 1810, que deu início à exportação de produtos do Brasil para a Inglaterra e eliminou a concorrência hispano americana.
e) da ação expansionista inglesa sobre a América do Sul, gradualmente anexada ao Império Britânico, após sua vitória sobre as tropas napoleônicas, em 1815.




resposta:[C]

7. (Mackenzie) Não foram os brasileiros os agentes iniciais da independência, nem precisavam sê-lo. Em 1820, era muito mais Portugal que precisava reconquistar o Brasil que este a necessitar de uma separação. 
("A Nação Mercantilista" - Jorge Caldeira) 

O texto se reporta a um importante fato que tem, pelas suas conseqüências, relação direta com nossa Independência em 1822. Assinale-o nas alternativas a seguir.
a) A invasão de Portugal em 1820 por tropas napoleônicas e a fuga da corte para o Brasil.
b) O declínio da economia brasileira entre 1808 e 1821, daí o interesse português em recuperá-la.
c) A inversão brasileira, resultado do progresso entre 1808 e 1821, tendo em contrapartida a decadência da economia portuguesa, fatos que provocaram a Revolução do Porto de 1820, com claros objetivos de recolonizar o Brasil.
d) Como D. João VI após a Revolução do Porto recusa-se a voltar para Portugal, desencadeou-se uma revolta da população brasileira pela Independência.
e) A Revolução do Porto de 1820, essencialmente liberal, não tinha pretensões mercantilistas em relação ao Brasil.


resposta:[C]

8. (Ufrj) A instalação da Corte portuguesa no Rio de Janeiro, em 1808, representou uma alternativa para um contexto de crise política na Metrópole e a possibilidade de implementar as bases para a formação de um império luso-brasileiro na América.
a) Cite duas medidas adotadas pelo regente D. João que contribuíram para o estabelecimento de bases para a formação de um império luso-brasileiro na América.
b) A despeito de a transferência da Corte portuguesa para o Rio de Janeiro ter sido analisada como mera fuga frente à invasão francesa em Portugal, estudos têm revelado que a idéia da mudança para o Brasil não era nova. Cite dois argumentos apresentados por aqueles que, já no século XVIII, defendiam essa medida.


resposta:

a) Dom João reorganizou a administração do Brasil, criando os ministérios do Reino, da Marinha e Ultramar e da Guerra e Estrangeiros, além de outros órgãos de administração pública e justiça portuguesas. Outro aspecto importante se refere ao ano de 1815, quando o Brasil foi elevado à categoria de Reino, e todos os domínios portugueses passaram a ser chamados de Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves. Com essa decisão, oficializava-se a emancipação política da colônia, pois a autonomia do Brasil foi reconhecida diante de Portugal.
b) Muitos homens públicos portugueses defendiam a viagem ao Brasil como a única saída para a crise que assolava o país. Com a vinda ao Brasil, a Coroa portuguesa preservaria a parte mais rica de suas possessões e garantiria a dinastia de Bragança. Além disso, caso Dom João decidisse aceitar as determinações francesas, corria o risco de perder parte de suas colônias para os ingleses, que certamente fariam planos para invasões.

9. (Unesp) As colônias européias da América realizaram as suas independências entre os anos de 1776 e 1824. O movimento iniciou-se com a emancipação das colônias inglesas da América do Norte. O processo de independência da América Latina ocorreu, com algumas exceções, entre 1808 e 1824. Considerando-se esse processo de independência, explique:
a) O pioneirismo das 13 colônias inglesas da América.
b) A conjuntura política e econômica européia favorável à libertação das colônias espanholas e portuguesa da América.

Resolução
a) As Treze Colônias inglesas da América do Norte foram pioneiras no processo de independência porque este foi liderado pelas colônias de povoamento (Norte) que, por suas próprias características, já haviam alcançado no século XVIII um grau de desenvolvimento econômico e social bastante superior ao das colônias de exploração. Outrossim, as colônias de povoamento gozavam de autonomia administrativa; e, quando esta lhes foi limitada pelo Parlamento Inglês, os colonos iniciaram o processo de independência.
b) Hegemonia napoleônica sobre o continente europeu, provocando o enfraquecimento da autoridade da Espanha sobre suas colônias e, de outro lado, forçando a transferência da Família Real Portuguesa para o Brasil. Deve-se ainda acrescentar: o interesse histórico em quebrar o Pacto Colonial Ibérico, a fim de ampliar seus mercados consumidores, visando satisfazer as necessidades do capitalismo industrial; e a influência da ideologia liberal (originada do iluminismo do século XVIII)

10. (Unesp) Leia a declaração. 
Como é para o bem do povo e felicidade geral da nação, estou pronto; diga ao povo que fico.
("D. Pedro, Príncipe Regente, 9 de janeiro de 1822".)

a) Qual o significado da decisão tomada pelo Príncipe Regente?
b) Explique o que foi a Revolução do Porto, iniciada em 1820, e aponte suas consequências para a porção americana do Império Português.

resposta:
a) Com essa decisão, Dom Pedro, demonstrava contrariar as Cortes de Lisboa, que pediam seu retorno a Portugal. As tensões entre as Cortes e dom Pedro fazem parte do processo que conduziu o Brasil à independência.
b) A Revolução do Porto foi um movimento influenciado pelas ideias iluministas, que buscou acabar com o absolutismo. Entretanto, ese movimento tinha aspectos contraditórios: ao mesmo tempo em que reivindicava princípios liberais, como a monarquia constitucional, passou a defender a colonização do Brasil nos moldes do que acontecia antes da vinda da família real - resquício do Antigo Regime. O projeto dos revolucionários portugueses era também convocar as Cortes, assembleia que redigiria a constituição de Portugal.

11. (Puc) "Pedro, se o Brasil se separar, antes seja para ti, que me hás de respeitar, do que para algum desses aventureiros."
A recomendação feita por D. João VI ao filho D. Pedro, que permaneceria como Regente do Brasil, logo após a partida de seu pai para Portugal em 1821, está diretamente relacionada com:
a) a vitória do movimento liberal da cidade do Porto, em 1820, que estabeleceu a monarquia constitucional em Portugal, limitando os poderes absolutistas do Rei.
b) a divergência entre os representantes políticos brasileiros na Maçonaria e D. Pedro, que queria preservar os direitos da dinastia de Bragança.
c) a revolta das tropas aquarteladas no Rio de Janeiro, contrárias à decisão do Príncipe regente, que pretendia permanecer no país.
d) a adesão imediata do "Partido Brasileiro" à política defendida pelas "Cortes de Lisboa", favoráveis à manutenção do Reino Unido a Portugal e Algarves.



resposta:[A]

12. (Unifesp) A independência do Brasil, quando comparada com a independência dos demais países da América do Sul, apresenta semelhanças e diferenças. Indique as principais
a) semelhanças.
b) diferenças.


resposta:
a) Entre as semelhanças nos processos de independência entre o Brasil e os países da América do Sul, podemos destacar que em ambos os casos o desencadeamento do processo se dá no contexto da crise do Antigo Sistema Colonial, quando os desdobramentos da Revolução Industrial na Inglaterra, que propõe o livre-cambismo, contrapõem-se ao regime de monopólios, que era a espinha dorsal do Antigo Sistema Colonial. Não só há semelhança na crise que é comum às áreas coloniais daquele período, como o próprio desencadeamento do processo, que foi de uma forma ou de outra diretamente afetado pelas Guerras Napoleônicas. É no contexto destas guerras que se desencadeia e se acelera o processo de emancipação política. Outra semelhança importante foi o fato de que a emancipação política foi conduzida pelas elites sociais sem implicar mudanças profundas, ou seja, sobreviveram formas variadas de trabalho compulsório, grandes unidades de produção e economia voltada para o mercado externo, simplesmente redefinindo-se os laços de dependência.
b) Entre as diferenças, podemos destacar, no caso da América portuguesa, a preservação da unidade territorial e, na América espanhola, a fragmentação política. Na América do Sul, o Brasil era a única monarquia entre repúblicas. Comparado aos demais países sul-americanos, o Brasil monárquico apresentou uma maior estabilidade política, contrastando com sucessivos movimentos de revoltas, guerras civis e mudanças de governo por meios não institucionais.
A Independência do Brasil guarda, em relação aos demais países da América do Sul, um caráter singular, uma vez que, com a invasão de Portugal por tropas hispano-francesas, a família real se transferiu para o Brasil.

13. (Unicamp) A respeito da Independência na Bahia, o historiador João José Reis afirmou o seguinte: Os escravos não testemunharam passivamente a Independência. Muitos chegaram a acreditar, às vezes de maneira organizada, que lhes cabia um melhor papel no palco político. Os sinais desse projeto dos negros são claros. Em abril de 1823, dona Maria Bárbara Garcez Pinto informava seu marido em Portugal, em uma pitoresca linguagem: "A crioulada fez requerimentos para serem livres". Em outras palavras, os escravos negros nascidos no Brasil (crioulos) ousavam pedir, organizadamente, a liberdade! (Adaptado de O Jogo Duro do Dois de Julho: o "Partido Negro" na Independência da Bahia, em João José Reis e Eduardo Silva, Negociação e Conflito. A resistência negra no Brasil escravista. São Paulo: Cia das Letras, 1988, p. 92).

a) A partir do texto, como se pode questionar o estereótipo do "escravo ignorante"?
b) Identifique dois motivos pelos quais a atuação dos escravos despertava temor entre os senhores.
c) De que maneira esse enunciado problematiza a versão tradicional da Independência do Brasil?


resposta:
a)A partir do texto, percebe-se que os escravos não eram apenas parte integrante, mas também atuante nos processos revolucionários, expressando seus próprios interesses, tais como o fim da escravidão.
b) Os motivos que levaram os senhores a temer a atuação dos escravos eram de ordem econômica sócio-política: os temor era de os negros conquistarem a liberdade, o que poderia ocasionar grandes prejuízos, além de colocar em risco o poder dos senhores.
c) Na versão tradicional da independência do Brasil, tal episódio aparece como tendo ocorrido de maneira pacífica e sem a participação popular. No entanto, a participação dos negros nas guerras contra as tropas portuguesas na Bahia mostra que tal fato não foi pacífico e contou com a participação popular de escravos negros.

14. (Ufpi) "... todos os brasileiros, e sobretudo os brancos, não percebem suficientemente que é tempo de se fechar a porta aos debates políticos (...). Se se continua a falar dos direitos dos homens, da igualdade, terminar-se-á por pronunciar a palavra fatal: liberdade, palavra terrível e que tem muito mais força num País de escravos que em qualquer outra parte ..."
(MOTA, Carlos Guilherme (org.). "1822: dimensões". São Paulo: Perspectiva, 1972. p. 482.)

O texto acima, escrito provavelmente por volta de 1823/1824, é parte de uma carta sobre a independência do Brasil, enviada por um observador europeu a D. João VI. 
Leia com atenção o texto e, a seguir, assinale a alternativa que expressa a configuração social do processo brasileiro de independência.
a) A democracia racial, decorrente de uma intensa miscigenação durante o período colonial, contribuiu para conciliar, logo nos primeiros anos do Império, os interesses dos distintos grupos sociais.
b) A "solução monárquica", através da qual a jovem nação optava por afastar-se de seus vizinhos americanos e adotar modelos políticos europeus, foi historicamente necessária como instrumento de conciliação das raças no Brasil.
c) O "haitianismo", temor da elite branca brasileira de que se repetisse no Brasil uma revolução negra, tal qual ocorrera no Haiti, limitou as bases sociais da independência e justificou manifestações como essa da carta transcrita.
d) Em razão de temores como aquele expresso na carta citada, a independência fez-se acompanhar de um processo crescente de enfraquecimento da escravidão. Os mesmos grupos que lideraram o processo de independência liderariam, anos depois, a abolição da escravatura.
e) O temor expresso na carta é infundado, pois além de contar com um número pequeno de escravos à época da independência, as relações entre os escravos e seus senhores, no Brasil, sempre foram cordiais, decorrendo justamente disso a noção de "democracia racial".


resposta:[C]

15. (Ufrrj) Leia os textos a seguir, reflita e responda. 
Após a Independência política do Brasil, em 1822, era necessário organizar o novo Estado, fazendo leis e regulamentando a administração por meio de uma Constituição. Para tanto, reuniu-se em maio de 1823, uma Assembléia Constituinte composta por 90 deputados pertencentes à aristocracia rural.(...) Na abertura dos trabalhos, o Imperador D. Pedro I revelou sua posição autoritária, comprometendo-se a defender a futura Constituição desde que ela fosse digna do Brasil e dele próprio.
VICENTINO, C; DORIGO, G. "História Geral do Brasil." São Paulo: Scipione, 2001.

A Independência política do Brasil, em 1822, foi cercada de divergências, entre elas, o desagrado do Imperador com a possibilidade, prevista no projeto constitucional, de o seu poder vir a ser limitado, o que resultou no fechamento da Constituinte em novembro de 1823. Uma comissão, então, foi nomeada por D. Pedro I para elaborar um novo projeto constitucional, outorgado por este imperador, em 25 de março de 1824. Em relação à Constituição Imperial, de 1824, é correto afirmar que nela
a) foi consagrada a extinção do tráfico de escravos, devido à pressão da sociedade liberal do Rio de Janeiro.
b) foi introduzido o sufrágio universal, somente para os homens maiores de 18 anos e alfabetizados, mantendo a exigência do voto secreto.
c) foi abolido o padroado, assegurando ampla liberdade religiosa a todos os brasileiros natos, limitando os cultos religiosos aos seus templos.
d) o poder moderador era atribuição exclusiva do Imperador, conferindo a ele, proeminência sobre os demais poderes.
e) o poder executivo seria exercido pelos ministros de Estado, tendo estes total controle sobre o poder moderador.


resposta:[D]

16. (Ufrrj) A citação a seguir destaca a chegada da corte portuguesa ao Rio de Janeiro, em 1808, como um início de uma fase de grandes mudanças para a cidade que perdia então a sua imagem colonial. 
Para o Rio de Janeiro, principalmente, era toda uma fase de sua história que agora terminava. Fase de grandes transformações realizadas sob o impacto das necessidades de toda ordem despertadas pela chegada e instalação da Corte portuguesa. Em pouco mais de uma década, a cidade passara por um processo de modernização material e atualização cultural, perdendo muito de sua aparência colonial para transformar-se numa metrópole.
FALCÓN, F. C.; MATTOS, I. R. de. "O Processo de Independência no Rio de Janeiro". In: MOTA, C. G. (org). 1822. Dimensões. São Paulo: Perspectiva, 1972.

Entre as medidas que favoreceram essas transformações podem ser assinaladas:
a) o início da construção do Paço Imperial, a sede do governo, a criação da Imprensa Régia e a instalação da iluminação a gás.
b) a construção da primeira estrada de ferro do Brasil, a criação do banco do Brasil e a fundação da Imperial Academia de Música.
c) o estabelecimento da Intendência Geral de Polícia, a fundação do Banco do Brasil e a criação da Imprensa Régia.
d) a criação da Imprensa Régia, a instalação da iluminação a gás e a construção da primeira estrada de ferro do Brasil.
e) a permissão de instalação de manufaturas no Brasil, o estabelecimento da Intendência geral de Polícia e a construção da primeira estrada de ferro do Brasil.


resposta:[C]

17. (UFSM) 

 
(TEIXEIRA, Francisco M. P. "Brasil História e Sociedade". São Paulo: Ática, 2000. p.162.)

O quadro Independência ou Morte, de Pedro Américo, concluído em 1888, é uma representação do 7 de setembro de 1822, quando o Brasil rompeu com Portugal. Essa representação enaltece o fato e enfatiza a bravura do herói D. Pedro, ocultando que
a) o fim do pacto colonial, decretado na Conjuração Baiana, conduziu à ruptura entre o Brasil e Portugal.
b) o processo de emancipação política iniciara com a instalação da Corte portuguesa no Brasil e que as medidas de D. João puseram fim ao monopólio metropolitano.
c) o Brasil continuara a ser uma extensão política e administrativa de Portugal, mesmo depois do 7 de setembro.
d) a Abertura dos Portos e a Revolução Pernambucana se constituíram nos únicos momentos decisivos da separação Brasil-Portugal.
e) a separação estava consumada, o processo estava completo, visto que havia, em todo o Brasil, uma forte adesão militar, popular e escravista à emancipação.

resposta:[B]

18. (UFMG) Analise estas duas representações do chamado Grito do Ipiranga, de 7 de setembro de 1822:


 
A partir da análise dessas duas representações e considerando-se outros conhecimentos sobre o assunto, é CORRETO afirmar que, em ambas,
a) a disposição dos atores - coletivos e individuais -, bem como dos aspectos que compõem o cenário, é diferenciada e expressa uma visão particular sobre D. Pedro - na primeira, como o protagonista central; na segunda, como líder de uma ação popular.
b) as mesmas concepções históricas e estéticas fundamentam e explicam a participação dos mesmos grupos sociais e personagens históricos - o príncipe, militares, mulheres, camponeses e crianças.
c) D. Pedro, embora seja o protagonista, se destaca de modo diferente - na primeira, ele recebe o apoio de diversos grupos sociais; na segunda, a participação das camadas populares é mais restrita.
d) os artistas conseguem causar um mesmo efeito - descrever a Indepêndencia do Brasil como um ato solene, grandioso, sem participação popular e protagonizado por D. Pedro.


resposta da questão 18:[A]
 

19. (PITÁGORAS) Analise o quadro de Cândido Portinari.

 

Indique o trecho condizente com o contexto expresso pela imagem.
a) “O momento expunha a complexa realidade do império luso-brasileiro. Em jogo estava a questão: quem conseguiria exercer a hegemonia política nesse vasto império? A burguesia portuguesa tentava assumir o controle do reino e do império lusitano.”
b) “Com a metrópole ocupada pelas tropas de Napoleão, tornou-se inevitável a abertura dos portos brasileiros a outras nações, ou seja, a livre entrada de produtos estrangeiros para a numerosa Corte portuguesa instalada na América.”
c) “As transformações ocorridas na França e na América do Norte na segunda metade do século XVIII também abalaram o poder português na América, onde o descontentamento dos colonos culminou na contestação do poder metropolitano.”
d) “Testemunhos de viajantes, rumores, notícias e livros eram agora pregadores dos princípios liberais, que os antigos poderosos não tardaram a nomear de diabólicos. As incendiárias ideias representavam o fim das tiranias cometidas em nome de Deus.”
e) “Aproveitando-se das tensões políticas, grupos dirigentes da Província Cisplatina proclamaram sua separação do império brasileiro e sua incorporação à República Argentina, provocando uma guerra na qual o mal-preparado Exército Brasileiro foi derrotado.”

resposta: [B]


20. (ENEM) Após a Independência, integramo-nos como exportadores de produtos primários à divisão internacional do trabalho, estruturada ao redor da Grã-Bretanha. O Brasil especializou-se na produção, com braço escravo importado da África, de plantas tropicais para a Europa e a América do Norte. Isso atrasou o desenvolvimento de nossa economia por pelo menos uns oitenta anos. Éramos um país essencialmente agrícola e tecnicamente atrasado por depender de produtores cativos. Não se poderia confiar a trabalhadores forçados outros instrumentos de produção que os mais toscos e baratos. O atraso econômico forçou o Brasil a se voltar para fora. Era do exterior que vinham os bens de consumo que fundamentavam um padrão de vida “civilizado”, marca que distinguia as classes cultas e “naturalmente” dominantes do povaréu primitivo e miserável. (…) E de fora vinham também os capitais que permitiam iniciar a construção de uma infra-estrutura de serviços urbanos, de energia, transportes e comunicações.
(Paul Singer. Evolução da economia e vinculação internacional. In: I. Sachs; J. Willheim; P. S. Pinheiro (Orgs.). Brasil: um século de transformações. São Paulo: Cia. das Letras, 2001, p. 80).

Levando-se em consideração as afirmações acima, relativas à estrutura econômica do Brasil por ocasião da independência política (1822), é correto afirmar que o país

a) se industrializou rapidamente devido ao desenvolvimento alcançado no período colonial.
b extinguiu a produção colonial baseada na escravidão e fundamentou a produção no trabalho livre.
c) se tornou dependente da economia européia por realizar tardiamente sua industrialização em relação a outros países.
d) se tornou dependente do capital estrangeiro, que foi introduzido no país sem trazer ganhos para a infra-estrutura de serviços urbanos.
e) teve sua industrialização estimulada pela Grã-Bretanha, que investiu capitais em vários setores produtivos.

Resposta: Letra C

Habilidade: Analisar diferentes processos de produção ou circulação de riquezas e suas implicações sócio-espaciais.

Comentários: A questão da dependência econômica do Brasil, em relação ao capital estrangeiro, é um dos pontos discutidos na escola, no contexto da independência política de Portugal. O Brasil manteve-se dependente, uma vez que ficou preso à economia agrária e escravista, com pouco ou nenhum estímulo à indústria.




segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Primeiro Ano - CNDL
Colégio Notre Dame de Lourdes
Coleção Pitágoras
Terceiro bimestre - História do Brasil
Capítulo 2
Os caminhos da política imperial: da transferência da Corte à Independência do Brasil


Análise e interpretação: versões, opiniões e fontes diversas

Leia o documento a seguir

Dom João, por Graça de Deus, Príncipe Regente de Portugal e dos Algarves daquém e dalém mar, em África de Guiné, e da Conquista, Navegação e Comércio da Etiópia, Arábia, Pérsia e da Índia etc. Faço saber aos que a presente Carta de Lei virem, que, tendo constantemente em Meu Real ânimo os mais vivos desejos de fazer prosperar os Estados, a Providência Divina confiou ao meu Soberano Regime e dando ao mesmo tempo a importância devida à vastidão e localidade de meus domínios da América, à cópia e variedade dos preciosos elementos de riqueza que eles em si contêm e outros e Reconhecendo quanto seja vantajosa aos meus fiéis vassalos em geral uma perfeita união e identidade entre os meus reinos de Portugal, e dos Algarves e os meus domínios do Brasil, erigindo estes àquela graduação e categoria políitica, que pelos Plenipotenciários das Potências que formaram o Congresso de Viena, assim no Tratado de Aliança, concluído aos 8 de abril do corrente ano, como no Tratado Final do mesmo Congresso: Sou, portanto, Servido, e Me apraz Ordenar o seguinte:
1º que dada a publicação desta Carta de Lei o Estado do Brasil seja elevado à dignidade, preeminência e denominação de REINO DO BRASIL.
2º Que os meus reinos de Portugal, Algarves e Brasil formam agora em diante um só e único Reino debaixo do título de REINO UNIDO DE PORTUGAL E DO BRASIL, E ALGARVES.
3º Que os títulosinerente à Coroa de Portugal, e de que até agroa Hei feito uso, se substitua em todos os diplomas, Cartas de lei, Alvarás, Provisões e Atos Público o novo título de PRÍNCIPE REGENTE DO REINO UNIDO DE PORTUGAL, E DO BRASIL E ALGARVES DAQUÉM E DE ALÉM MAR, EM ÁFRICA, DE GUINÉ, E DA CONQUISTA, NAVEGAÇÃO E COMÉRCIO DA ETIÓPIA, ARÁBIA, PÉRSIA, E DA ÍNDIA.

Trecho do documento de Elevação do Brasil a Reino Unido, 16 de dezembro de 1815.




1. Apresente, com base no exposto nesse documento, as razões alegadas por D. João para elevar o Brasil a Reino Unido de Portugal e Algarves.

De acordo com as informações apresentadas no documento histórico é possível afirmar que D. João resolver elevar o Brasil à categoria de Reino Unido em razões de suas riquezas e pelas vantagens de se unir Portugal e o Brasil.





2. Leia o texto.

Debandada real
Portugal foi abandonado a frágeis e mal aparelhadas tropas invasoras que jamais conseguiram se apoderar-se totalmente do país. Uma resoluta resistência de D. João e dos exércitos lusitanos teria posto fim rapidamente à invasão. No momento da partida, D. João ordenou aos governadores que nomera que muito bem recebessem, aquartelassem e assisteissem os franceses que vinham chegando. Para muitos liberais, os soldados de Napoleão entravam em Portugal como libertadores. Nesse sentido, a família real escapava das tropas francesas e sobretudo da revolução burguesa que estremecia a Europa desde 1789. A coroa e a aristocracia lusitana temiam que os liberais portugueses fizessem o mesmo que o Terceiro Estado fizera na França. Após uma parada em Salvador da Bahia, o comboio real chegou meio desgarrado na cidade do Rio de Janeiro, a 7 de março de 1808.
A transferência da Família Real para o Novo Mundo não constituiu apenas uma fuga diante das tropas invasoras e do liberalismo europeu. Como vimos, migrando para o Brasil, a aristocracia lusitana fazia da necessidade, virtude, e transferia a sede da administração real para a "melhor parte" do Império lusitano. Em uma das mais olímpicas demonstrações de absoluta falta de raízes e sentimentos nacionais, a grande aristocracia preferia expatriar-se para melhor defender seus privilégios sociais e econômicos [...].

MAESTRI, Mário. Império. São Paulo: Contexto, 2002. pp. 20-1.

a) Apresente a tese do autor para a transferência da Família Real para o Brasil.

Segundo o autor, os portugueses poderiam muito bem tem enfrentado, com sucesso, os francesses. Todavia, estavam temeros das ideias liberais e dos acontecimentos na França e preferiram partir. Sendo assim, a tranferência da Corte para o Brasil constituiu uma fuga diante das tropas invasoras e do liberalismo europeu, mas também representou uma "virtude" dos portugueses que migraram para a melhor parte do império. O autor critica a absoluta falta de raízes e de sentimentos nacionais dos portugueses que preferiram expatriar-se para dessa foram garantir seus privilégios políticos e econômicos.
b) Explique o que o autor quer dizer com transferir a seda da administração real para a "melhor parte" do império lusitano.

Em fins do século 18, a economia da colônia portuguesa já se apresentava em melhores condições que aquela da metrópole portuguesa. O tratado entre Portugal e Inglaterra (Methuen, 1703) apontava nesta direção. Agravada a crise política na Europa no início do séculos 19, as possessões coloniais apresentavam também melhores condições para a manutenção da própria monarquia lusa ameaçada externa e internamente.



Conheça a história de Dom Miguel: o irmão reservado de Dom Pedro

Conheça a história do filho mais conservador de Dom João. Há mais de 200 anos, a Família Real chegou ao Brasil em uma fuga de Napoleão.

sábado, 28 de agosto de 2010



Primeiro Ano - CNDL
Colégio Notre Dame de Lourdes
Coleção Pitágoras
Terceiro bimestre - História do Brasil
Capítulo 2
Os caminhos da política imperial: da transferência da Corte à Independência do Brasil
Objetivos específicos do capítulo
* Discutir a questão da verdade na História.
* Discutir a questão da construção do discurso histórico.
* Analisar as razões da vinda da Corte Portuguesa para o Brasil.
* Identificar as medidas adotadas por D. João após a vinda da Corte.
* Avaliar os impactos na cidade do Rio de Janeiro da chegada da Corte Portuguesa.
* Analisar o processo de independência do Brasil.
* Reconhecer o processo de independência do Brasil.
* Reconhecer o processo da Revolução Liberal do Porto.
* Analisar a conjuntura da Regência de D. Pedro e o momento da Independência.


Conceitos fundamentais: historiografia; independência; emancipação; elites políticas; centralismo; monopólio colonial; revolução; liberalismo; absolutismo.

Este capítulo se inicia com a questão da construção do discurso histórico a partir da análise de duas fontes iconográficas relativas à Independência do Brasil. O que se pretende é mostrar versões para a Independência com base na análise dessas imagens. Esse é um tipo de problematização que pode e deve ser utilizado em outros capítulos, seja por meio de iconografia, seja por meio de documentos escritos.




VIANNA, Armando. Chegada de D. João à Igreja do Rosário no Rio de Janeiro, [s.d]. Museu da Cidade, RJ.


O primeiro tema do conteúdo a ser tratado no capítulo é o da transferência da Corte Portuguesa para o Brasil, ressaltando que essa transferência não foi fortuita como geralmente se pensa. Examinam-se as medidas adotadas por D. João após a sua chegada ao Brasil, com especial ênfase à abertura dos portos, que transformou a cidade do Rio de Janeiro. Se, por um lado, com a entrada de mercadorias estrangeiras, a cidade adquiriu ares europeus e sofisticados, por outro lado permaneceu a face colonial do Rio. Essas rupturas e permanências devem ser exploradas para que o aluno não reconheça apenas os impactos da chegada da Corte no Brasil. Na seção 'Análise e interpretação', foi apresentado trechos do Decreto de Elevação do Brasil a Reino Unido de 16 de dezembro de 1815, nos quais se explicitam as razões da vinda da Corte para o Brasil, apresentando uma visão mais crítica dessa transferência. Na seção 'O tema em foco', foi apresentado um texto sobre os impactos na cidade do Rio de Janeiro da chegada da Corte tanto no campo social quanto político.
O capítulo segue com a abordagem da independência do Brasil. São examinadas a Revolução Liberal do Porto, a regência de D. Pedro, com a inserção de um texto de Iara Lis de Souza, da declaração da independência. Na seção 'Análise e interpretação', foi escolhido um texto de Kenneth Maxwell que faz uma leitura inovadora do processo de independência, apresentando, assim, mais uma possibilidade de análise do tema. Na seção 'O tema em foco', foi apresentado um verbete da emancipação política do Brasil que, além de tratar de eventos desse processo, faz uma crítica historiográfica importante, contribuindo para os propósitos do capítulo.
Na seção 'Construindo habilidades e competências', solicita-se ao aluno, separado em grupos, a elaboração de um jornal sobre a independência do Brasil.


Problematização do tema

Observe as duas imagens e leia o texto a seguir.

ALBUQUERQUE, Georgina de. Sessão do Conselho de Estado. [s.d]. Museu Histórico Nacional, Rio de Janeiro.



AMÉRICO, Pedro. Independência ou Morte! [s.d]. Museu Paulista, São Paulo.

Georgina de Albuquerque, artista profissional e reconhecida, com sua tela Sessão do Conselho de Estado, se opôs à célebre pintura Independência ou Morte! (1888), de autoria de Pedro Américo, hoje instalada no Museu Paulista, conhecido também como Museu do Ipiranga. Esta obra, constitutiva do nosso imaginário sobre a ruptura política com Portugal, até hoje é amplamente veiculada, inclusive em livros didáticos, e muitas vezes tomada como registro fidedigno do que ocorrera em 7 de setembro de 1822 e não apenas uma interpretação. Nela, D. Pedro I figura no centro, com armas em punho, tendo ao seu redor soldados fiéis, postados nas colinas do riacho do Ipiranga, no momento em que declarava a independência.



"Sessão do Conselho de Estado" apresenta uma interpretação oposta à de Pedro Américo. Primeiro por celebrar um outro momento. Baseando-se na obra História do Brasil, de Rocha Pombo, a artista identificou na reunião do Conselho de Estado, presidido pela Princesa Leopoldina, a ocasião em que de fato seria decidida a independência. No canto esquerdo, sentada, regendo o evento, está a princesa Leopoldina. À sua frente, um grupo de conselheiros, liderado por José Bonifácio, um dos mentores da emancipação, que expõe os fatos justificadores da decisão de se romper com a metrópole. Em contraste com a tela Independência ou Morte!, não se trata de cena belicosa, mas de um fato construído politicamente. Não há soldados, fardas ou armas, mas sim a ideia de um processo amplamente refletido e em nada impetuoso, no qual a protagonista é uma mulher.
SIMONI, Ana Paula Cavalcanti. Sessão do Conselho de Estado, de Georgina de Albuquerque.
Nossa História, Rio de Janeiro: Biblioteca Nacional, n.5. mar. 2004. p. 24.
As imagens anteriores e o texto que as analisa mostram bem como a questão da verdade na história é complexa. Você observou duas fontes iconográficas e obteve duas interpretações diferentes para a independência do Brasil.
O quadro de Pedro Américo foi concluído em 1888, um ano antes da proclamação da República. O artista fez uma ampla pesquisa, consultando historiadores, estudando objetos e visitando o local do grito. Apesar disso, achava que não deveria ficar "preso à verdade". Assim, entre outros aspectos, alterou a topografia, para realçar o riacho do Ipiranga e a colina; escolheu raças de cavalos que dessem maior elegância ao príncipe D. Pedro e à sua comitiva; definiu características de trajes e chapéus; e promoveu a incorporação anacrônica da Guarda de Honra do Imperador, regimento criado, como o próprio nome sugere, tempos depois do 7 de Setembro, explica Cecília Helena de Salles Oliveira, professora da Universidade de São Paulo (USP).

As muitas independências. Revista Nossa História. Rio de Janeiro: Biblioteca Nacional, set. 2004. n. 11. p. 14.

Assim como outros eventos históricos, há muitas independências. Nesse capítulo, você vai estudar o processo que levou o Brasil a se emancipar de Portugal. Iniciado com a chegada da Corte e, a partir daí, os desdobramentos que acabaram levando o Brasil à sua independência política. Na medida do possível, vamos apresentar algumas das múltiplas interpretações desse processo.




Pense sobre o que você acabou de ler e discuta:

1. Na sua leitura iconográfica das duas imagens do início do capítulo, qual delas lhe parece representar melhor a independência do Brasil? Por quê?


2. Você acredita que a independência do Brasil foi um acontecimento pacífico acontecido em uma reunião palaciana?



3. Qual a sua opinião sobre a atitude de Pedro Américo ao retratar a independência do Brasil?



4. Qual o papel da vinda da Corte Portuguesa no processo de emancipação do Brasil?



A transferência da Corte Portuguesa



A transferência da corte portuguesa para o Brasil não foi improvisada, como é comum entendê-la. Ela já havia sido cogitada várias vezes.


Concebida, desde o século XVII, como solução de emergência em situações de crise, a mudança da Corte para a América voltou a ser considerada pelo anglófilo Rodrigo de Souza Coutinho às vésperas de sua demissão da pasta de secretário da Marinha e Ultramar, em 1803, mas somente entrou na pauta governamental do dia quando sucessivas ameaças da França evidenciaram, a partir de 1807, a iminência da invasão de Portugal pelas tropas napoleônicas. Convencido de que a integridade da monarquia somente seria assegurada por meio da preservação dos domínios americanos, cujos recursos naturais e humanos superavam os do reino, D. João e a Corte partiram de Lisboa em 29 de novembro de 1807, compondo uma comitiva de 15 mil pessoas, incluindo apenas uma pequena parte da alta nobreza lusitana.


VAINFAS, Ronaldo, (org.) Transmigrassão da Corte. Dicionário do Brasil colonial. Rio de Janeiro: Objetiva, 2000. p. 557.


A chegada da família real portuguesa no Brasil



A comitiva chegou à Bahia em janeiro de 1808. Imediatamente, o príncipe regente decretou a abertura dos portos brasileiros às nações amigas e seguiu para o Rio de Janeiro onde aportou em 7 de março do mesmo ano.


Além da abertura dos portos, ainda no ano de 1808, o Príncipe Regente criou o Tribunal Real Junta do Comércio, Agricultura, Fábricas e Navegação do Estado do Brasil.

O alvará de 1785, que proibia a existência de manufaturas no Brasil, foi revogado.

A abertura dos portos em 1808 aumentou as possibilidades de articulação da América Portuguesa com o comércio internacional e incentivou migrações internas. As cidades cresceram e adotaram hábitos de consumo mais sofisticados. O maior exemplo foi a cidade do Rio de Janeiro, que se transformou com a presença da Corte Portuguesa. Apesar de conservar algumas das características das vilas coloniais, a cidade ganhou ares europeus após 1808.



DEBRET, Jean Baptiste. Os refrescos no Largo do Palácio. Viagem Pitoresca e Histórica através do Brasil. Paris/França, 1835/39.

Assista a aula sobre os principais acontecimentos do governo de D. João VI no Brasil