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sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Simulado de História - 4º Bimestre

CNDL - Colégio Notre Dame de Lourdes
Simulado de História - 4º Bimestre
Professor Edenilson Morais
PRIMEIRO ANO
1. (ENEM) Em 2008 foram comemorados os 200 anos da mudança da família real portuguesa para o Brasil, onde foi instalada a sede do reino. Uma sequência de eventos importantes ocorreu no período 1808-1821, durante os 13 anos em que D. João VI e a família real portuguesa permaneceram no Brasil.
Entre esses eventos, destacam-se os seguintes:
• Bahia — 1808: Parada do navio que trazia a família real portuguesa para o Brasil, sob a proteção da marinha britânica, fugindo de um possível ataque de Napoleão.
• Rio de Janeiro — 1808: desembarque da família real portuguesa na cidade onde residiriam durante sua permanência no Brasil.
• Salvador — 1808: D. João VI assina a carta régia de abertura dos portos ao comércio de todas as nações amigas, ato antecipadamente negociado com a Inglaterra em troca da escolta dada à esquadra portuguesa.
• Rio de Janeiro — 1816: D. João VI torna-se rei do Brasil e de Portugal, devido à morte de sua mãe, D. Maria I.
• Pernambuco — 1817: As tropas de D. João VI sufocam a revolução republicana.
GOMES, L. 1808: como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a história de Portugal e do Brasil. São Paulo: Editora Planeta, 2007 (adaptado).

Uma das consequências desses eventos foi
a) a decadência do império britânico, em razão do contrabando de produtos ingleses através dos portos brasileiros.
b) o fim do comércio de escravos no Brasil, porque a Inglaterra decretara, em 1806, a proibição do tráfico de escravos em seus domínios.
c) a conquista da região do rio da Prata em represália à aliança entre a Espanha e a França de Napoleão.
d) a abertura de estradas, que permitiu o rompimento do isolamento que vigorava entre as províncias do país, o que dificultava a comunicação antes de 1808.
e) o grande desenvolvimento econômico de Portugal após a vinda de D. João VI para o Brasil, uma vez que cessaram as despesas de manutenção do rei e de sua família.

2. (UFSM)


(TEIXEIRA, Francisco M. P. "Brasil História e Sociedade". São Paulo: Ática, 2000. p.162.)
O quadro Independência ou Morte, de Pedro Américo, concluído em 1888, é uma representação do 7 de setembro de 1822, quando o Brasil rompeu com Portugal. Essa representação enaltece o fato e enfatiza a bravura do herói D. Pedro, ocultando que
a) o fim do pacto colonial, decretado na Conjuração Baiana, conduziu à ruptura entre o Brasil e Portugal.
b) o processo de emancipação política iniciara com a instalação da Corte portuguesa no Brasil e que as medidas de D. João puseram fim ao monopólio metropolitano.
c) o Brasil continuara a ser uma extensão política e administrativa de Portugal, mesmo depois do 7 de setembro.
d) a Abertura dos Portos e a Revolução Pernambucana se constituíram nos únicos momentos decisivos da separação Brasil-Portugal.
e) a separação estava consumada, o processo estava completo, visto que havia, em todo o Brasil, uma forte adesão militar, popular e escravista à emancipação.



3. (PUC) Dentre as características da Carta Imperial de 1824, outorgada por D. Pedro I, NÃO está incluído ou incluída:
a) o voto universal e secreto.
b) o exercício do Poder Moderador pelo monarca.
c) a forma unitária do Estado.
d) o casamento apenas religioso, com efeitos civis.
e) a divisão do território nacional em Províncias.


4. (UFV) Dentre as diversas revoltas e insurreições que antecederam a abdicação de D. Pedro I em 1831, uma foi especialmente importante pelos ideais republicanos de seus líderes, entre os quais Frei Caneca. Outra característica desse movimento teria sido a proclamação da república em 1824, com a adoção da Constituição da Colômbia. O movimento foi duramente reprimido e Frei Caneca condenado à morte e fuzilado. O movimento em questão ficou conhecido como:
a) Inconfidência Mineira.
b) Confederação do Equador.
c) Questão Cisplatina.
d) Guerra dos Mascates.
e) Revolta dos Farrapos.


GABARITO
1. C
2. B
3. A
4. B


SEGUNDO ANO

1. (FGV) Vai minha tristeza/ E diz a ela que sem ela não pode ser/ Diz-lhe numa prece/ Que ela regresse/ Porque não posso mais sofrer/ Chega de saudade/ A realidade é que sem ela/ Não há paz/ Não há beleza/ É só tristeza e a melancolia/ Que não sai de mim/ Não sai de mim/ Não sai.” Chega de Saudade, Tom Jobim e Vinícius de Moraes
Esse é o trecho de uma das principais canções da bossa nova, gênero que renovou a música brasileira. Nessa época, vivia-se uma fase de otimismo no país.
Altos índices anuais de crescimento econômico, grandes obras públicas, estabelecimento de empresas estrangeiras, manutenção da estabilidade política pelo presidente eleito e significativas conquistas esportivas em competições internacionais eram características:
a) do governo do Garrastazu Médici e do chamado “Milagre Brasileiro”;
b) do governo de João Goulart e da implementação das “Reformas de Base”;
c) do governo de Getúlio Vargas e da política de substituição de importações;
d) do governo de Jânio Quadros e da desnacionalização da economia;
e) do governo de Juscelino Kubitschek e do chamado “Nacional Desenvolvimentismo”.

2. (UFF) Bossa-nova mesmo é ser presidente / Desta terra descoberta por Cabral / Para tanto basta ser tão simplesmente / Simpático, risonho, original. / Depois, desfrutar da maravilha / De ser o presidente do Brasil / Voar da "velhacap" pra Brasília / Ver o Alvorada e voar de volta ao Rio. / Voar, voar, voar, / Voar, voar pra bem distante / Até Versailles, onde duas mineirinhas / Valsinhas, dançam como debutantes / Interessante. / Mandar parente a jato pro dentista / Almoçar com o tenista campeão / Também pode ser um bom artista / Exclusivista / Tomando, com Dilermando, umas aulinhas de violão. / Isso é viver como se aprova / É ser um presidente bossa-nova / Bossa-nova / Muito nova / Nova mesmo / Ultra nova. (CHAVES, Juca. "Presidente Bossa-nova". ln: História da Música Popular Brasileira. SP, Abril Cultural, fascículo e LP n.o41) Esta letra de música deixa transparecer uma crítica política ao presidente Juscelino Kubitschek, bem como o clima de inovação que marcou a história do Brasil a partir da segunda metade dos anos 50. Assinale a opção que faz alusão a movimentos culturais brasileiros deste período.
a) A construção de Brasília representou a associação entre os ideais dos movimentos culturais brasileiros que tinham como inspiração a cultura americana do pós-guerra.
b) A euforia promovida pelo Plano de Metas, que prometia um crescimento de nossa economia na base de "50 anos em 5", favoreceu a emergência do movimento conhecido como "Jovem Guarda" liderado por Roberto Carlos.
c) A década de 50 abriu caminho para o desenvolvimento da música nordestina que se transformou, nos anos 60, em referência nacional.
d) O nacional-desenvolvimentismo deste período sepultou a cultura brasileira, mediante a imposição dos padrões culturais hollywoodianos.
e) O nacional-desenvolvimentismo vigente neste período originou manifestações culturais como o cinema novo, a bossa-nova e o teatro político.






3. (UERJ) Varre, varre, varre, varre, vassourinha. Varre, varre a bandalheira, Que o povo já está cansado De sofrer desta maneira. Jânio Quadros é a esperança deste povo abandonado. (Nosso Século. São Paulo: Abril Cultural, 1980.) Esse "jingle" acompanhou o candidato Jânio Quadros durante a sua campanha à presidência da República, em 1960. A letra sintetiza a seguinte política de resolução dos problemas da época:
a) a austeridade do governo e o controle dos gastos públicos conteriam a inflação e a corrupção oficial.
b) a disputa de mercados externos e a ideologia nacionalista aumentariam o superávit comercial e a geração de renda.
c) o atendimento à economia popular e à produção de alimentos baixariam o custo de vida e os gastos do governo.
d) a defesa dos interesses nacionais e a adoção de uma política externa independente gerariam emprego e novas possibilidades econômicas.

4. (UFPEL)



A charge demonstra que a conjuntura política de 1962 favorecia a João Goulart
a) antecipar a implantação do seu projeto parlamentarista.
b) reduzir a força do Poder Executivo, que lhe fazia oposição.
c) promover o retorno do presidencialismo (efetivado com o plebiscito de 1963).
d) derrubar as Reformas de Base, propostas pelo Parlamentarismo.
e) fechar o Congresso Nacional e governar por decretos.

5. (UFSM)


BRENER, J. Jornal do Século XX. São Paulo: Moderna, 1998, p. 229. A charge, uma crítica ao golpe militar no Brasil em 1964, pode ser interpretada da seguinte maneira:
a) As manifestações populares foram vitoriosas, e o governo militar não teve controle sobre os movimentos de massa.
b) As reivindicações eram representativas dos interesses dos grupos populares e dos setores industriais emergentes.
c) Os militares, através das organizações partidárias, tiveram controle sobre os movimentos dos trabalhadores.
d) Os militares, através de imposição repressiva, tiveram de enfrentar a organização de diversos grupos populares.
e) As reivindicações populares representavam os interesses do capital estrangeiro.

GABARITO
1. E
2. E
3. A
4. C
5. D

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Segundo Ano - CNDL
Quarto Bimestre - História do Brasil
Colégio Notre Dame de Lourdes
Coleção Pitágoras
Unidade - O Período Populista
Capítulo 3 - De Juscelino a Goulart

Saiba mais sobre o governo Jango (1961-1964)


Nesta tele aula veremos como funcionou o parlamentarismo no seu curto período de existência, veremos ainda que a implantação do parlamentarismo e as tentativas de superar a crise política não foram suficientes para impedir a crescente radicalização dos grupos políticos e sociais e que essa radicalização acabou levando à derrubada do presidente João Goulart, em 1964.
Entenda o processo que levou ao golpe militar de 1964

Neste video são abordados os fatores que contribuíram para a derrubada do presidente João Goulart. A discussão em torno das Reformas de Base e a oposição de grupos conservadores e das forças armadas.
Segundo Ano - CNDL
Quarto Bimestre - História do Brasil
Colégio Notre Dame de Lourdes
Coleção Pitágoras
Unidade - O Período Populista
Capítulo 3 - De Juscelino a Goulart

Propaganda eleitoral do candidato Jânio Quadros na TV


Conheça os aspectos principais da presidência de Jânio Quadros





O professor de História Ulisses Aron apresenta nesta videoaula uma abordagem sobre as principais características do período populista, além da campanha eleitoral de Jânio Quadros e sua breve administração presidencial.

sábado, 13 de novembro de 2010

Segundo Ano - CNDL
Quarto Bimestre - História do Brasil
Colégio Notre Dame de Lourdes
Coleção Pitágoras
Unidade - O Período Populista
Capítulo 3 - De Juscelino a Goulart

Da esperança à repressão: o golpe de 64


Saiba o que as consequências da renúncia de Jânio Quadros trouxe para a nossa história, e como foi o período parlamentarista no Brasil, que teve como presidente João Goulart. Entenda o golpe militar de abril de 1964.
Segundo Ano - CNDL
Quarto Bimestre - História do Brasil
Colégio Notre Dame de Lourdes
Coleção Pitágoras
Unidade - O Período Populista
Capítulo 3 - De Juscelino a Goulart

Saiba mais sobre o governo de Juscelino Kubistchek




O professor de história Igor Vieira fala sobre o período considerado Anos Dourados, que foram marcados pela estabilidade política e pelo Plano de Metas.
Segundo Ano - CNDL
Quarto Bimestre - História do Brasil
Colégio Notre Dame de Lourdes
Coleção Pitágoras
Unidade - O Período Populista
Capítulo 3 - De Juscelino a Goulart

Saiba mais sobre o polêmico período de governo Jânio Quadros





Governo Jânio Quadros (1961)
Mandato polêmico de sete meses

Na eleição presidencial de 1960, a vitória coube a Jânio Quadros, candidato da União Democrática Nacional (UDN). Naquela época, as regras eleitorais estabeleciam chapas independentes para a candidatura a vice-presidente, por esse motivo, João Goulart, do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) foi reeleito.

A gestão de Jânio Quadros na presidência da República foi breve, durou sete meses e encerrou-se com a renúncia. Neste curto período, Jânio Quadros praticou uma política econômica e uma política externa que desagradou profundamente os políticos que o apoiavam, setores das Forças Armadas e outros segmentos sociais.

A renúncia de Jânio Quadros desencadeou uma crise institucional sem precedentes na história republicana do país, porque a posse do vice-presidente João Goulart não foi aceita pelos ministros militares e pelas classes dominantes.


A crise política
O governo de Jânio Quadros perdeu sua base de apoio político e social a partir do momento em que adotou uma política econômica austera e uma política externa independente. Na área econômica, o governo se deparou com uma crise financeira aguda devido a intensa inflação, déficit da balança comercial e crescimento da dívida externa. O governo adotou medidas drásticas, restringindo o crédito, congelando os salários e incentivando as exportações.

Mas foi na área da política externa que o presidente Jânio Quadros acirrou os animos da oposição ao seu governo. Jânio nomeou para o ministério das Relações Exteriores Afonso Arinos, que se encarregou de alterar radicalmente os rumos da política externa brasileira. O Brasil começou a se aproximar dos países socialistas. O governo brasileiro restabeleceu relações diplomáticas com a União Soviética (URSS).

As atitudes menores também tiveram grande impacto, como as condecorações oferecidas pessoalmente por Jânio ao guerrilheiro revolucionário Ernesto "Che" Guevara (condecorado com a Ordem do Cruzeiro do Sul) e ao cosmonáuta soviético Yuri Gagarin, além da vinda ao Brasil do ditador cubano Fidel Castro.


Independência e isolamento
De acordo com estudiosos do período, o presidente Jânio Quadros esperava que a política externa de seu governo se traduzisse na ampliação do mercado consumidor externo dos produtos brasileiros, por meio de acordos diplomáticos e comerciais.

Porém, a condução da política externa independente desagradou o governo norte-americano e, internamente, recebeu pesadas críticas do partido a que Jânio estava vinculado, a UDN, sofrendo também veemente oposição das elites conservadoras e dos militares.

Ao completar sete meses de mandato presidencial, o governo de Jânio Quadros ficou isolado politica e socialmente. Jânio Quadros renunciou a 25 de agosto de 1961.


Política teatral
Especula-se que a renúncia foi mais um dos atos espetaculares característicos do estilo de Jânio. Com ela, o presidente petenderia causar uma grande comoção popular, e o Congresso seria forçado a pedir seu retorno ao governo, o que lhe daria grandes poderes sobre o Legislativo. Não foi o que aconteceu, porém. A renúncia foi aceita e a população se manteve indiferente.

Vale lembrar que as atitudes teatrais eram usadas politicamente por Jânio antes mesmo de chegar à presidência. Em comícios, ele jogava pó sobre os ombros para simular caspa, de modo a parecer um "homem do povo". Também tirava do bolso sanduíches de mortadela e os comia em público. No poder, proibiu as brigas de galo e o uso de lança-perfume, criando polêmicas com questões menores, que o mantinham sempre em evidência, como um presidente preocupado com o dia-a-dia do brasileiro.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Segundo Ano - CNDL
Quarto Bimestre - História do Brasil
Colégio Notre Dame de Lourdes
Coleção Pitágoras
Unidade - O Período Populista
Capítulo 3 - De Juscelino a Goulart

Problematização do tema

O Governo JK

O governo JK, apesar de enfrentar algumas crises, foi um dos períodos mais tranqüilos da história do Brasil. Juscelino foi um dos poucos presidentes da República, eleito pela via direta, que cumpriu integralmente seu mandato.
Com a morte de Getúlio, assumiu o governo o vice-presidente Café Filho. A eleição presidencial, marcada para 1955, foi mantida, apesar da oposição da UDN.
Nas eleições, saíram vitoriosos Juscelino Kubitschek para presidente, candidato da coligação PSD-PTB, com 36% dos votos e, para vice-presidente, João Goulart, do PTB. Apresentados os resultados das eleições, a golpista UDN tentou impedir a posse de Juscelino e Goulart, alegando que os mesmos não haviam obtido a maioria dos votos exigidos pela Constituição, além de denunciar que a vitória da coligação PSD-PTB havia sido fruto da corrupção eleitoral. O que acontecia, na verdade, era que a UDN não aceitava a vitória de João Goulart, herdeiro de Vargas e, por isso, incitava as Forças Armadas a darem um golpe para impedir a posse dos eleitos.
Em novembro de 1955, o presidente Café Filho ficou doente e foi substituído pelo presidente da Câmara, Carlos Luz, favorável ao golpe defendido pela UDN. Entretanto, o general Lott, Ministro da Exército, na defesa da obediência à Constituição, afastou Carlos Luz da presidência, impediu a volta de Café Filho e empossou no cargo o presidente do Senado, Nereu Ramos. A situação foi contornada até que os eleitos tomassem posse em seus respectivos cargos.
Imediatamente após a posse, oficiais da Aeronáutica rebelaram-se, com o apoio da UDN. JK, com sua conhecida habilidade política, anistiou todos aqueles que haviam conspirado contra o governo, abortando o conflito em seu início. Além disso, Juscelino praticou uma política da boa vizinhança com o Exército, aliando-se ao General Lott e colocando militares em cargos importantes da administração pública.

A oposição udenista a JK acabou neutralizando as oposições mais duras ao seu governo. Entretanto, Juscelino enfrentou greves de trabalhadores, o surgimento das Ligas Camponesas, organização dos camponeses que defendiam a reforma agrária, e índices inflacionários crescentes. Como bom populista, JK compensava a crescente inflação com constantes reajustes salariais, conseguindo o apoio dos trabalhadores urbanos.
Pense sobre o que você acabou de ler e discuta:
1. Quais as razões de, novamente, a UDN tentar impedir a posse de um presidente da República, desta vez JK?
A UDN tentou impedir a posse de Juscelino e Goulart, sob a alegação de que os mesmos não haviam obtido a maioria dos votos exigidos pela Constituição, além de denunciar que a vitória da coligação PSD-PTB havia sido fruto da corrupção eleitoral. O que acontecia, na verdade, era que a UDN não aceitava a vitória de João Goulart, herdeiro de Vargas e, por isso, incitava as Forças Armadas a darem um golpe para impedir a posse dos eleitos.
2. Quais as características de Juscelino que lhe permitiram enfrentar com sucesso as crises do ínicio do seu governo?
Juscelino conseguiu enfrentar com sucesso as crises do ínicio de seu governo graças a sua conhecida habilidade política, anistiando os militares envolvidos na conspiração contra o governo, estabelecendo uma política de boa vizinhança com o Exército, e ainda, colocando militares em cargos estratégicos da administração pública.
3. Apesar da tranquilidade do governo JK, após as crises iniciais, Juscelino enfrentou problemas sociais no seu mandato. Quais foram eles?
Entre os problemas sociais enfrentados por JK estão as greves trabalhistas, o surgmento das Ligas Camponesas lutando pela reforma agrária e os crescentes índices inflacionários.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Segundo Ano - CNDL
Quarto Bimestre - História do Brasil
Colégio Notre Dame de Lourdes
Coleção Pitágoras
Unidade - O Período Populista
Capítulo 2 - O Segundo Governo Vargas

O suicídio de Vargas e a carta-testamento

Nesta teleaula você vai ver que, desde o começo do seu segundo governo, Getúlio Vargas foi pressionado o tempo todo a renunciar. Além disso, acompanhará o que estava acontecendo no Brasil nos momentos que antecederam ao suicídio e saberá o significado da carta-testamento que Vargas deixou.


A morte do presidente Getúlio Vargas


De olho no vestibular

Q1. (UNIFESP) ... E a elevação do salário mínimo a nível que, nos grandes centros do país, quase atingirá o dos vencimentos máximos de um [militar] graduado, resultará, por certo, se não corrigida de alguma forma, em aberrante subversão de todos os valores profissionais, estancando qualquer possibilidade de recrutamento, para o Exército, de seus quadros inferiores.

(Memorial dos Coronéis, de fevereiro de 1954.)
Sobre o documento, é correto afirmar que expressava:
A) o ponto de vista de todos os coronéis, que estavam preocupados com os baixos salários pagos aos militares.
B) a posição dos coronéis contrários ao presidente Vargas e à sua política econômica, incluindo a elevação do salário mínimo.
C) o mal-estar generalizado existente nas fileiras do Exército brasileiro com a política industrial do presidente Vargas.
D) o descontentamento dos coronéis nacionalistas pelo fato de o salário mínimo não contemplar os trabalhadores rurais.
E) a luta surda que então existia entre coronéis, de um lado, inimigos de Vargas, e tenentes, de outro, que apoiavam o presidente.
Alternativa B
Questão de interpretação, favorecida pela data – 1954 – período de crise e de forte oposição ao populismo varguista. Setores militares criticavam a política presidencial com relação ao movimento operário.


Q2. (UNESP) O segundo governo de Getúlio Vargas (1951-1954) terminou com o suicídio do presidente. Contribuiu para a crise política desse governo

a) o fechamento do Congresso, que acabou por unir, numa frente ampla, os defensores dos ideais democráticos.
b) o apoio do presidente aos políticos da UDN (União Democrática Nacional), favoráveis à organização de um golpe para mantê-lo no poder.
c) a política econômica adotada, de cunho nacionalista, da qual um dos marcos foi a criação da Petrobrás, em 1953.
d) a série de convulsões sociais provocadas pela inflação, com movimentos grevistas organizados pelo Partido Comunista, então na legalidade.
e) a ruptura entre civis e militares, que culminou com o assassinato do político e jornalista Carlos Lacerda.

Resposta: C

Q4. (MACKENZIE) Eu vos dei a minha vida. Agora vos ofereço a minha morte. Nada receio. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na História.

Carta Testamento de Getúlio Vargas. O suicídio do Presidente Vargas ocorreu em 24 de agosto de 1954; entre as causas do trágico desfecho, destacamos:

a) o apoio da U.D.N. aos projetos nacionalistas e intervencionistas de Vargas, que gerou a oposição do Partido Comunista.

b) o atentado a Carlos Lacerda e os graves problemas econômicos que impediam a continuidade do modelo nacionalista e paternalista.

c) a tentativa frustrada de um novo golpe, liderado por Vargas, para se consolidar no poder.

d) o fracasso de projetos nacionalistas implantados pelo governo Vargas, como a Petrobrás.

e) o forte apoio norte-americano, sobretudo devido ao envio de tropas brasileiras à Guerra da Coréia, fato que atraiu a ira dos nacionalistas.

Resposta: B
Um dos principais inimigos de Vargas, Carlos Lacerda, sofre um atentado (05/08/1954)no qual perde a vida o major da Aeronáutica Rubem Vaz. Abre-se então uma grave crise política, pois as investigações resultam em associar a figura do presidente ao atentado. Um dos desfechos dessa crise foi o suicídio de Vargas.

Q4. (UNIFAL) A criação da Petrobras e o monopólio estatal da exploração do petróleo no território brasileiro decorrem da ampla mobilização nacionalista na chamada "Campanha do Petróleo". Tal campanha ocorreu durante
a) o governo João Goulart.
b) o governo JK.
c) o regime militar.
d) o segundo governo Vargas.
e) o Estado Novo.

Resposta: D Foi durante o segundo governo Vargas que ocorreu a campanha da nacionalização do petróleo no Brasil que culminou com a criação da Petrobras, em 1953.
Q5. (UFMG)O segundo Governo Vargas (1951-1954) caracterizou-se por forte orientação nacionalista. Entre as iniciativas que marcaram esse período, destaca-se a criação da Petróleo Brasileiro S.A., a Petrobras, mediante a Lei n. 2.004, aprovada pelo Congresso em 3 de outubro de 1953. É CORRETO afirmar que essa Lei
a) deu origem à campanha "O petróleo é nosso", o que reforçou o sentimento nacionalista entre os brasileiros e fez crescer o apoio a Vargas.
b) foi o estopim da crise política que levou ao suicídio de Vargas, pois a Lei deixou a distribuição do petróleo nas mãos de empresas estrangeiras.
c) motivou a crítica, por parte do escritor paulista Monteiro Lobato, à criação da empresa estatal de petróleo.
d) teve como eixo a imposição do monopólio estatal sobre a produção de petróleo, considerado condição necessária para a soberania nacional.



resposta:[D]


Últimos episódios da crise de agosto de 1954

Pressão político-militar chega a um nível sufocante. Em reunião dramática com o Ministério, Getúlio Vargas decide sair licenciado. Às 8h26m de 24 de agosto de 1954, ouve-se um tiro no Catete.


Para saber mais

www.revistadehistoria.com.br
www2.uol.com.br/historiaviva;
http://revistagalileu.globo.com
www.historianet.com.br
www.cpddoc.fgv.br

RODRIGUES, Marly. A década de 50. Populismo e metas desenvolvimentistas no Brasil. São Paulo: Ática, 2003 (Série Princípios).

sábado, 23 de outubro de 2010

Segundo Ano - CNDL
Quarto Bimestre - História do Brasil
Colégio Notre Dame de Lourdes
Coleção Pitágoras
Unidade - O Período Populista
Capítulo 2 - O Segundo Governo Vargas
Ouça a música que se transformou no hino do retorno de Vargas à Presidência



Retrato do Velho
Francisco Alves

Bota o retrato do velho outra vez
Bota no mesmo lugar
Bota o retrato do velho outra vez
Bota no mesmo lugar
O sorriso do velhinho faz a gente trabalhar
O sorriso do velhinho faz a gente trabalhar
Eu já botei o meu
E tu não vais botar
Eu já enfeitei o meu
E tu não vais enfeitar
O sorriso do velhinho faz a gente trabalhar.



Governo Vargas (1951-1954)
Suicídio de Getúlio pôs fim à Era Vargas

Renato Cancian*
Cientista social, mestre em sociologia-política e doutorando em ciências sociais, é autor do livro "Comissão Justiça e Paz de São Paulo: Gênese e Atuação Política -1972-1985"

Em 1951, Getúlio Vargas retornou a presidência da República, dessa vez por meio do voto popular. Vargas se candidatou pelo PTB e recebeu apoio do Partido Social Progressista (PSP), vencendo o pleito de 1950 com 48,7% dos votos. O segundo mandato presidencial de Getúlio Vargas foi marcado por importantes iniciativas nas áreas social e econômica.

Na fase final do seu governo, porém, as pressões de grupos oposicionistas civis e militares desencadearam uma aguda crise política que levou Vargas a interromper seu mandato com um ato que atentou contra sua própria vida: o suicídio.


Nacionalismo e intervencionismo
Sem dúvida, um dos maiores legados do varguismo foi a implementação de um projeto desenvolvimentista baseado na forte presença do Estado em áreas consideradas cruciais para o desenvolvimento do país. Atuando como regulador ou empreendedor de certas atividades econômicas, a intervenção estatal tinha por objetivo estimular a industrialização e modernização do país.

Este tipo de política desenvolvimentista começou a ser posta em prática na década de 1930, e praticamente todos os governos que vieram depois adotaram algum tipo de planejamento econômico conferindo ao Estado papel preponderante e central. Foi com esse objetivo que, em seu segundo mandato, Vargas elaborou uma política desenvolvimentista baseada no fortalecimento da indústria de base: siderurgia, petroquímica, energia e transportes.

No primeiro ano de seu governo, Vargas estabeleceu o monopólio estatal sobre o petróleo, a partir de uma campanha de cunho nacionalista que recebeu forte apoio popular. A campanha foi denominada de "O petróleo é nosso", e conseguiu galvanizar o apoio do povo ao governo federal. A partir dela, criou-se a empresa estatal Petrobrás, que monopolizou as atividades de exploração e refino do todas as reservas de petróleo encontrado em território brasileiro.


Populismo e dominação de classe
Umas das principais características políticas do período histórico que abrange o segundo governo de Getúlio Vargas até a queda do governo João Goulart, em 1964, foi o "populismo". O populismo foi um fenômeno que vigorou em praticamente todos os países do continente latino-americano.

De forma sintética, podemos entender o fenômeno do populismo a partir da relação entre o Estado e a sociedade num contexto de regime democrático, onde os líderes políticos e governantes buscam o apoio popular para obterem vitórias eleitorais e implementar seus projetos políticos. A contrapartida dessa política é concessão de benefícios econômicos e sociais para as camadas populares mobilizadas.

Em seu aspecto pejorativo ou alienante, o populismo pode ser caracterizado também como política demagógica de manipulação das classes sociais subalternas, porque seu êxito depende da quase completa desorganização das massas populares, que preferem confiar a defesa de seus interesses e aspirações a líderes políticos carismáticos. As massas populares se prestavam à manipulação devido à pouca experiência de participação política e familiaridade com o sistema de sufrágio eleitoral.


Modernização acelerada
O acelerado processo de modernização do país provocou vertiginosas ondas migratórias do campo para as cidades, fazendo surgir um expressivo contingente de trabalhadores urbanos, ou seja, operariado e classe medias. Foram essas classes sociais que formaram a base de sustentação do populismo. Enquanto os governantes e líderes políticos foram capazes de controlar essas camadas sociais, e o Estado foi capaz de responder plenamente às demandas populares, o populismo funcionou de forma estável.

O governo Vargas, porém, se deparou com situações em que a necessidade de implementação de reformas econômicas e projetos desenvolvimentistas comprometeram a capacidade do Estado de fornecer respostas adequadas aos anseios e interesses populares, como por exemplo, aumento de salários, direitos sociais, etc.

Por outro lado, diversos setores das camadas populares, principalmente o operariado, passaram a se organizar autonomamente, dificultando a manipulação política de seus interesses por líderes demagógicos.

Quando assumiu a presidência da República, Vargas se deparou com um operariado que rapidamente se reorganizava e buscava definir seus interesses e agir autonomamente. No transcurso de seu governo, inúmeras greves de trabalhadores e movimentos sociais tendo como motivação básica exigências de aumento salariais e denúncias do alto custo de vida ocorreram por todo o país.


A crise política e o fim
A ascensão e radicalização dos movimentos populares fora do controle estatal são considerados os principais fatores desencadeadores da crise política que levaria ao fim o governo Vargas. De acordo com essa linha interpretativa, as classes dominantes ficaram temerosas com o avanço dos movimentos populares e discordaram do modo como o governo respondeu às exigências e demandas sociais que irromperam no cenário político.

A oposição ao governo varguista foi crescendo paulatinamente à medida que o país era agitado por manifestações de protesto e greves trabalhistas. Críticas e pressões oposicionistas minaram rapidamente a estabilidade governamental. Na área da política institucional, os principais grupos oposicionistas ao governo de Getúlio Vargas faziam parte da União Democrática Nacional (UDN), que o acusavam constantemente de planejar um golpe em conluio com líderes sindicais objetivando criar um regime socialista no país.

Na área da imprensa, o antigetulismo ganhou força com a atuação do jornalista Carlos Lacerda, que em seus pronunciamentos e artigos denunciava recorrentes casos de corrupção e desmandos administrativos do governo federal.

O presidente se defendia das críticas argumentando que grupos subalternos ligados a interesses internacionais e nacionais se uniram na tentativa de impedir que o governo avançasse na área de proteção ao trabalho, limitações de remessa de lucros das empresas multinacionais para o estrangeiro e fortalecimento das empresas públicas, sobretudo ligadas a área de energia.


Crime da rua Toneleros
Em 1954, a crise política desestabilizou o governo Vargas. No início do ano, o então ministro do Trabalho, João Goulart, concedeu um aumento salarial de 100 por cento aos que recebiam salário mínimo. As pressões de grupos oposicionistas contrárias à medida foram tão violentas que o governo recuou, e o ministro João Goulart foi obrigado a renunciar ao cargo.

O episódio desencadeador da crise final do governo Vargas ocorreu com o atentado fracassado contra a vida do jornalista Carlos Lacerda. Esse episódio ficou conhecido como "o crime da rua Toneleros". Carlos Lacerda apenas se feriu, mas o major da aeronáutica Rubens Vaz morreu.

Nunca foi esclarecido quem foi o mentor do atentado, mas sabe-se que pessoas ligadas a Getúlio estavam envolvidas. As investigações apontaram, porém, que o responsável pela tentativa de assassinato foi Gregório Fortunato, principal guarda-costas do presidente Getúlio Vargas.


O suicídio de Getúlio
Depois do episódio da rua Toneleros, os grupos oposicionistas exigiram o afastamento de Vargas da presidência da República. Setores das Forças Armadas e da sociedade civil se uniram aos grupos de oposição e exigiam que Vargas renunciasse. No dia 24 de agosto, um ultimato dos generais, assinado pelo ministro da Guerra, Zenóbio da Costa, foi entregue a Vargas.

O presidente se encontrava no Palácio do Catete, quando redigiu uma carta-testamento e suicidou-se com um tiro no peito. O impacto provocado pela notícia do suicídio de Vargas e a divulgação da carta-testamento foi intenso e acabou se voltando contra a oposição. Grandes manifestações populares de apoio ao ex-presidente estouraram em várias cidades do país.

Comícios organizados por líderes sindicais e políticos ligados ao getulismo responsabilizavam a UDN e o governo norte-americano pelo fim dramático de Getúlio. Órgãos de imprensa, como o jornal "O Globo" entre outros, e a embaixada dos Estados Unidos foram alvo de ataques populares. Greves de trabalhadores também ocorreram como forma de protesto. Depois de algumas semanas, as manifestações e agitações populares cessaram.

Com a morte de Vargas, assumiu o governo o vice-presidente Café Filho, que ficou encarregado de completar o mandato até o fim de 1955. O suicídio de Vargas, porém, acabou sendo muito explorado, tanto por políticos que o apoiavam como grupos da oposição, nas disputas eleitorais legislativas e presidencial seguintes.
fonte:http://educacao.uol.com.br/historia-brasil/ult1689u62.jhtm
Segundo Ano - CNDL
Quarto Bimestre - História do Brasil
Colégio Notre Dame de Lourdes
Coleção Pitágoras
Unidade - O Período Populista
Capítulo 1 - O Governo Dutra
Veja abaixo algumas charges alusivas ao governo do Presidente Dutra.



Eurico Gaspar Dutra e Harry Truman

Depois de 15 anos conduzindo a nação, Getúlio Vargas é sucedido na presidência da República em 1946 pelo general Eurico Gaspar Dutra. O militar logo aproxima o País das nações europeias e, principalmente, dos Estados Unidos. Em tempos de Guerra Fria e em vias de redemocratização, o Brasil se alinha com nossos vizinhos do norte. Numa visita do presidente Harry Truman ao Brasil, em 1947, conta-se que Dutra teria cometido uma jocosa gafe - ou seria fruto da fértil imaginação de seus conterrâneos? Ao ver o presidente brasileiro esperando seu desembarque no aeroporto, Truman lançou a saudação: How do you do, Dutra? (Como vai, Dutra?). Visivelmente confuso, Dutra decide improvisar: How tru you tru, Truman?

Fonte: Almanaque Brasil.

Análise e interpretação: versões, opiniões e fontes



A4. Explique o conteúdo dessa charge.
Resposta: Na charge, Nássara mostra que, apesar de ter sido eleito pela coligação PSD-PTB, Dutra inclinou-se, em seu governo para a UDN, desagradando os setores que os elegeram.
O tema em foco
Leia o texto
A constituição


Jorge Amado, já romancista de renome em 1946, eleito deputado pelo Partido Comunista, comenta, em seu livro de lembranças, Navegação de Cabotagem (1992), o clima festivo em que foram realizados os trabalhos da Assembleia Constituinte. Segundo o autor, durante uma semana, parlamentares se revezaram na tribuna em discursos inflamados, onde as críticas ao Estado Novo se sucediam, assim como a celebração da vitoriosa democracia. Segundo conta, como deputado eleito pelo Partido Comunista por São Paulo, fora designado, junto a Carlos Marighela, para escrever o discurso da bancada desse partido, que deveria ser lido por Claudino José da Silva, deputado pelo estado do Rio e primeiro brasileiro negro na Câmara Federal. Decidiram escrever em separado, uma parte cada um, para depois juntá-las. Feito isso, resultou um veemente discurso, lido por Claudino e acompanhado pelos congressistas, que não se atreviam a arredar o pé, imbuídos do momento histórico que viviam, durante quatro horas e vinte e cinco minutos!
Salvo algum exagero do autor, tal aplicação se justificava. Pela quinta vez, desde que se tornara independente, o Brasil teria uma nova Constituição. Apenas duas haviam sido feitas de forma democrática, com a participação de representantes do povo. A primeira fora outorgada pelo imperador, em 1824. A Constituição republicana de 1891 e a de 1934, esta já no governo de Getúlio Vargas, foram as únicas feitas por Assembleias Constituintes. Mas esta última tinaha conhecido vida breve, suspensa com a instalação do Estado Novo, em 1937, que trouxera com seus objetivos autoritários. Agora, a convocação da Constituinte se afigurava como o riunfo do ideais democráticos.
A versão final ficou pronta em setembro de 1946 [...]
O texto constitucional teve um caráter conservador, na medida em que manteve muito da situação anterior, embora tenha trazido algumas mudanças importantes. A presença marcante do Executivo foi conservada, ainda que garantida a independência e a harmonia dos três poderes. Assegurou a existência das eleições livres e garantiu direitos individuais, de acordo com aspirações generalizadas após anos de ditadura e da guerra, nos quais o arbítrio e a violências foram marcantes.
A participação popular na vida política continuou restrita, já que o direito de voto não foi estendido aos analfabetos. Garantiu-se o direito de greve, mas sujeito a limitações que possibilitaram sua restrição em prol de alegados interesses do Estado. Manteve-se, ainda, a estrutura sindical controladora, herdada do Estado Novo.
BERCITO, Sonia de Deus Rodrigues. O Brasil na década de 1940. Autoritarismo e democracia. São Paulo: Ática, 1999, p. 68-70.
A5. Apresente as características mais marcantes da Constituição de 1946, segundo a opinião da autora.
Resposta: O texto constitucional teve um caráter conservador. Manteve-se a presença do Executivo, ainda que garantida a independência e harmonia dos três poderes. Assegurou a existência de eleições livres e garantiu os direitos individuais. O voto aos analfabetos permaneceu proibido, restringindo-se a participação política. O direito de greve foi garantido, sujeito a limitações e foir mantida a estrutura sindical controladora, herdada do Estado Novo.
De olho no vestibular
Q1."Queremos nossa liberdade/ Liberdade para pensar e falar/ queremos escola para nossas crianças/ E queremos mais casas para o nosso povo... queremos: Leite, carne e pão/ E mais casas para o povo... Queremos/ Viver sem opressão/ Queremos progresso para nosso país."
Ataulfo Alves compôs, após a queda de Getúlio Vargas, em 1946, o samba "Isto é o que nós queremos", sobre o qual é correto afirmar:

a) O compositor expressa seu apoio ao governo varguista, cumprindo as determinações do Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP).
*b) Ataulfo, para pensar no Brasil como uma nação em desenvolvimento, apropriou-se do nome do movimento queremista e tomou emprestada a retórica do regime de Vargas sobre prover o básico em alimentação e moradia aos trabalhadores.
c) O samba de protesto foi um gênero bastante difundido durante o Estado Novo e teve por intuito criticar o regime e estimular a deposição de Vargas.
d) Os protestos do letrista pela falta de moradia, alimentação e educação são um apelo estético, distante das dificuldades enfrentadas pela população no período pós-Getúlio.
e) O apelo ao progresso restringe-se à implantação de um sistema político democrático moderno no Brasil, que venha substituir a ditadura varguista.
RESPOSTA: B

Q2. (FAPEID) Entre 1945 e 1964, a conjuntura conhecida como o período populista no Brasil, havia intensa competição partidária.
Sobre os partidos existentes nesse período, é correto afirmar que
a) a UDN (União Democrática Nacional) aglutinava a oposição liberal aos partidos formados por Vargas no final do Estado Novo.
b) o PSD (Partido Social Democrático) aglutinava setores dos trabalhadores comunistas fabris, em razão da ilegalidade do Partido Comunista Brasileiro (PCB).
c) o PTB (Partido Trabalhista Brasileiro) foi formado pelas Ligas Camponesas para fazer oposição ao governo de viés industrialista de Juscelino Kubtschek.
d) o PRP (Partido Republicano Paulista) congregava os dissidentes de São Paulo que se opunham ao projeto nacionalista e estatizande de João Goulart.
RESPOSTA: A
Q3. (FGV) Foram características do populismo no Brasil:

a) hegemonia das massas populares, no governo federal, em associação aos industriais, promovendo o aparecimento de lideranças populistas.
b) soberania plena e completa autonomia do Estado brasileiro frente todos os setores sociais.
c) inclusão de setores populares no processo político e a aparente identificação entre Estado e presidente da República.
d) atuação do Estado nacional brasileiro como árbitro dos conflitos internacionais.
e) ausência de laços entre o chefe do Estado e os interesses particulares dos diversos setores sociais.
Resposta: C
Resolução: O populismo no Brasil se desenvolveu a partir do Governo de Getúlio Vargas, num período marcado por rápida urbanização. Caracterizou-se pela tentativa do Estado em incorporar as massas trabalhadoras à vida política, para manipular suas reivindicações, através de uma política paternalista e assistencialista.

Q4. (MACKENZIE) Sobre os partidos políticos criados no final do Estado Novo e que comandaram a vida política nacional até 1964, não podemos afirmar:

(A) a UDN representava classes médias e elites e, quanto mais se aproximava do fim do Populismo, mais se convertia num partido conservador, com uma parcela significativa de seus membros favorável ao golpe militar.
(B) o PSD, partido varguista, tinha suas bases nas oligarquias e burocracia federal, levantando a bandeira conservadora.
(C) o PTB, também varguista e apoiado por sindicatos e massas urbanas, cresceu muito durante os governos Juscelino e João Goulart, ameaçando o equilíbrio no Congresso, crescendo os temores conservadores.
(D) o PCB sai da clandestinidade em 1945, mas é novamente cassado em 1947 pelo governo Dutra, em função da Guerra Fria.
(E) o PDC tinha expressão nacional em razão do carisma de seu líder Adhemar de Barros.
RESPOSTA: E
Q5. (ALMG) Os anos compreendidos entre o fim do Estado Novo (1945) e o segundo Governo Vargas (1951) representam um interregno para as tendências estatizantes até então vigentes no campo da política econômica, em nome da euforia 'democratizante' que se opunha a todos os vestígios de autoritarismo.
Considerando-se a política-econômica do Governo Dutra, é correto afirmar que ela
a) aumentou a capacidade intervencionista do Estado.
b) contemplou as empresas públicas como estratégicas na economia.
c) reintegrou o Brasil no livre comércio internacional.
d) rejeitou a associação com capitais privados estrangeiros.
RESPOSTA: C
Para saber mais
www2.uol.com.br/historiaviva
BERCITO, Sonia de Deus Rodrigues. O Brasil na década de 1940. Autoritarismo e democracira. São Paulo: Ática, 1999 (Série Princípios).
Segundo Ano - CNDL
Quarto Bimestre - História do Brasil
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Unidade - O Período Populista
Capítulo 1 - O Governo Dutra

Conheça as principais características do governo Dutra


O professor de História, Edenilson Morais apresenta nesta aula em video uma caracterização do panorama político e econômico brasileiro no final da década de 1940. O fim da ditadura do Estado Novo, a convocação das eleições presidenciais em 1945, a eleição de Eurico Gaspar Dutra e os aspectos mais relevantes de sua administração são abordados na video-aula.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

AVALIAÇÃO DE HISTÓRIA
SEGUNDO ANO – CNDL 2010
COLÉGIO NOTRE DAME DE LOURDES
1- (Mackenzie) Sobre o Estado Novo pode-se dizer que os traços marcantes foram a implantação da ditadura; a criação do Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP); a formação do Ministério do Trabalho e o controle do movimento sindical através da estrutura corporativista; a construção do trabalhismo enquanto modelo de atuação varguista, elevando Getúlio à condição de líder, guia, estadista e "pai dos pobres". Getúlio Vargas pôde, em 1937, inaugurar um novo governo, conhecido como Estado Novo. Sobre esse período, é correto afirmar que:



a) era caracterizado pelo exercício da democracia e das liberdades civis, em repúdio às idéias comunistas que ameaçavam a nação, dada a intenção desses grupos revolucionários de chegar ao poder por meio de um golpe.
b) diante da ameaça comunista, o Parlamento, as Assembléias Estaduais, assim como as Câmaras Municipais, passaram a legislar e a intervir em diversos assuntos da política nacional.
c) ocorreu a imposição de uma Constituição autoritária, influenciada pelas doutrinas fascistas que vigoravam em algumas nações européias, o que representou o início de um período de ditadura.
d) dentro do novo regime, graças à subordinação das corporações sindicais ao Estado, que passou a controlar a ação dos trabalhadores, houve a conquista de direitos trabalhistas, resultado da boa vontade das elites empresariais.
e) a conjuntura econômica internacional contribuiu para a consolidação do Estado Novo, que, diante da crise que ainda persistia no setor cafeeiro, aumentou o seu papel interventor,buscando solucionar o problema das exportações nacionais.

2- (Mackenzie) Ao mencionar questões sobre política trabalhista invariavelmente realizamos uma conexão com o governo Vargas. Sobre a política trabalhista do Estado Novo é correto afirmar que:
a) autorizava a greve e não se inspirava na Carta Del Lavoro, vigente na Itália fascista.
b) embora sendo reconhecidos os benefícios sociais do salário mínimo, da Justiça do Trabalho e da CLT, Vargas manipulava as lideranças sindicais e as relações com o Estado eram caracterizadas pelo paternalismo e pelo intervencionismo.
c) nesse período vigorou um sindicalismo autêntico, livre da figura do “pelego” ou líder sindical manipulado pelo Estado.
d) a criação do imposto sindical trouxe enormes vantagens sociais, não representando um instrumento de subordinação ao Estado.
e) Vargas procurou manter uma postura liberal, não interferindo nas relações capital e trabalho.

3. (Unicamp) Em 10 de novembro de 1937, Getúlio Vargas discursava à nação através do rádio: "A disputa presidencial estava levando o país à desordem. Os comunistas infiltravam-se dia a dia nas instituições nacionais. A Nação corria perigo de uma luta de classes e os partidos políticos inquietavam o nosso povo"
a) Que argumentos Vargas usou para implantar o Estado Novo?
b) Cite duas características do Estado Novo.

4. (UFG) O bonde de São Januário leva mais um sócio otário sou eu que não vou trabalhar.
BATISTA, W.; ALVES, A. In: BERCITO, Sônia de Deus Rodrigues. "Nos tempos de Getúlio": Da Revolução de 30 ao fim do Estado Novo. São Paulo: Atual, 1990. p. 43.

O trecho acima é um samba de Wilson Batista e Ataulfo Alves, composto em 1940, cuja letra evidencia uma forma de resistência política ao
a) contrapor-se à cultura do trabalho, principal foco de intervenção estadonovista.
b) associar trabalho e música na constituição da identidade nacional.
c) conciliar trabalho e cultura popular, articulando as relações entre Estado autoritário e trabalhadores.
d) estabelecer relação entre símbolos da modernização com a valorização do trabalhador.
e) criar uma relação de cumplicidade entre o Estado autoritário e os dissidentes da sociedade brasileira.


5. (UFU) Leia os trechos de documentos a seguir:
"Há doze anos que o Dr. Getúlio representa a ordem para o Brasil. Ser contra ele, se isso hoje ainda fosse possível, seria colocar-se contra si mesmo. (...) Somos das poucas terras deste planeta em que o homem tem pão, tem casa, tem assistência, tem trabalho, tem paz, tem justiça.
(Jornal O Estado de São Paulo, 19 de abril de 1942.)

"Meu pai trabalhou muito que já nasci cansado.
Ai patrão, Sou um homem liquidado.
No meu barraco chove
Meu terno está furado.
Ai patrão, Trabalhar eu não quero mais (...)
(Wilson Batista. Nasci cansado, sucesso nos anos 30.)

Os dois fragmentos acima expõem visões contraditórias a respeito do mundo do trabalho nas décadas de 1930/40 no Brasil. A esse respeito, podemos afirmar que
I - a política econômica intervencionista do governo Vargas desprezou o apoio norte-americano e aproximou-se aos países do eixo na 2ª Guerra - Alemanha e Itália - o que permitiu investimentos em infra-estrutura e na indústria de base, contrariando os interesses da burguesia nacional, defensora da modernização nas relações trabalhistas.
II - o antagonismo expresso nos dois fragmentos evidencia as dificuldades do Estado getulista em promover sua política de controle da classe trabalhadora. Apesar de a legislação sindical e social garantir determinados direitos que protegiam os trabalhadores, como o salário mínimo, a CLT criou dificuldades para a organização de greves e a legalização de sindicatos.
III - o governo estimulava o peleguismo e o assistencialismo dos sindicatos. Por esta prática, os líderes trabalhistas aceitavam sua política, dobrando-se às vontades do governo, corroborados pela distribuição das contribuições sindicais pelo Ministério do Trabalho, no sentido de esvaziar o movimento operário.
IV - a aproximação do varguismo aos fascismos europeus pode ser identificada na visão de ordem social do primeiro fragmento do jornal, responsável pela "comunhão" dos trabalhadores ao governo e ao espírito de nação. Esta visão foi, porém combatida pelos intelectuais ligados ao movimento modernista, tais como Alberto Torres, Villa-Lobos e Mário de Andrade, os quais, juntamente com a Igreja Católica, defendiam a democratização do Estado e uma aproximação ao modo de vida americano.

Assinale a alternativa correta.
a) Apenas I e IV são corretas.
b) Apenas I e II são corretas.
c) Apenas II e III são corretas.
d) Apenas III e IV são corretas.
RESPOSTAS
1. C
2.B
3. a) O Plano Cohen, uma Ação Comunista para desestabilizar o país.
b) Ditadura, censura, nacionalismo, etc.
4. A
5. C

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Primeiro Ano - CNDL
Quarto Bimestre - História do Brasil
Colégio Notre Dame de Lourdes
Coleção Pitágoras
Unidade - Das conjurações à abdicação de D. Pedro I
Capítulo 3
Os caminhos da política imperial brasileira: a formação do Estado Imperial brasileiro (1822-1831)

Ao gosto do freguês
A pintura “Proclamação da Independência” eternizou uma imagem idealizada do ato memorável de D. Pedro I
Lilia Schwarcz


[...] A tela de Moreaux representa o exato momento em que o príncipe D. Pedro I proclama a Independência do Brasil. Tal qual uma estátua equestre, imóvel no gesto que procura dar imortalidade ao acontecimento datado, o futuro imperador, com a mão direita erguida, segura e agita o seu chapéu bicorne. O artista joga luz em D. Pedro e em seu cavalo, elevando ligeiramente a real figura, com o objetivo de destacá-la das demais. Ao fundo estariam os bosques que margeiam o Rio Ipiranga. No entanto, a obra deve muito mais à imaginação do que à realidade. Era fato que as pinturas acadêmicas deveriam inspirar moralmente mais do que pretender retratar a realidade objetivamente.

Mas, neste caso, o modo idealizado como a cena é retratada é quase constrangedor. O ambiente pouco se parece com o Brasil, não fossem as poucas palmeiras devidamente sombreadas no fundo da tela. A luminosidade do céu é também bastante rebaixada, a exemplo de outros pintores de formação acadêmica e de origem francesa, que manifestavam igual dificuldade em retratar o azul luminoso dos trópicos.

A população que rodeia D. Pedro I também contribui para o aspecto idealizado do quadro. Os elementos do Exército assemelham-se a estátuas, imóveis, enquanto o povo movimenta-se muito: os figurantes congratulam-se, acenam, trocam abraços, correm... sempre de forma a saudar o ato memorável de D. Pedro.

Não há negros, e muito menos indígenas, na representação pretensamente às margens do Ipiranga. Os outros personagens que compõem a cena – um menino que corre, as mulheres com seus véus negros a cobrirem os ombros, homens com bombachas e meninas com saias abauladas – assemelham-se à população rural da Europa devidamente transposta para os trópicos por Moreaux.

Com o intuito de evitar a imagem de um Império escravocrata, os cativos ficaram afastados da pintura. Também não seria possível enfatizar a ideia de um monarca “civilizado” se este aparecesse cercado de mestiços e de negros. É possível reconhecer na representação um país branco, até italiano, à semelhança dos casamentos reais promovidos pela monarquia brasileira.

No máximo, vislumbra-se um personagem um pouco moreno, que mais parece um gaúcho, ou algum tipo inspirado nos pampas argentinos, como se a representação perdesse qualquer contorno geográfico. Ao contrário, a fronteira nos parece plenamente imaginária. Os demais circundantes, sobretudo aqueles iluminados pela luz forte que o artista joga no quadro, são brancos em seus cabelos, nas cores, roupas e costumes. [...]

Lilia Moritz Schwarcz é professora de Antropologia da Universidade de São Paulo e autora de O sol do Brasil (Companhia das Letras, 2008).

Fonte:http://www.revistadehistoria.com.br/v2/home/?go=detalhe&id=2621

Escritor fala sobre a Independência do Brasil


Laurentino Gomes fala sobre as curiosas e reais histórias da Independência com o lançamento do livro '1822'.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Segundo Ano - CNDL
Quarto Bimestre - História do Brasil
Colégio Notre Dame de Lourdes
Coleção Pitágoras
Unidade - O Período Populista
Capítulo 1 - O Governo Dutra


Problematização do tema

Poucos conceitos são tão discutidos e tão pouco consensuais como o do populismo. Até algumas décadas atrás, o populismo era entendido como um fenômeno particular que ocorria em sociedades que faziam sua transição de tradicionais para modernas.

As massas, migrantes do campo para as cidades, atraídas pelos empregos nas indústrias emergentes, perdiam os laços de referências e da solidariedade que estabeleceram nas sociedades rurais. Tornavam-se, nos centros urbanos, “massa disponível”, pronta para ser interpelada pelos políticos populistas. Assim, o populismo era “uma forma de fazer política”, utilizada por políticos carismáticos, interessados no desenvolvimento nacional, algumas vezes oportunistas, que manipulavam as massas desorganizadas.

Atualmente, as discussões sobre o conceito de populismo se tornaram mais sofisticadas e há autores que sequer o concebem como um fenômeno político real, mas como um mito político, uma das construções míticas mais importantes do imaginário político e social do Brasil. Sua contrapartida na cena política seria a cultura do trabalhismo.
Outros o analisam como fruto de uma “matriz teológica”, originada ainda no Império Português. Nessa abordagem, o populismo apresentaria uma característica messiânica, com a espera de um “salvador” pelas massas subalternas.

Uma outra interpretação, bastante plausível, é a que entende o populismo como um tipo específico de relação entre governantes e governados. Entres esses dois autores, estabelecer-se-ia uma relação direta (e autoritária), porque não é mediada por instituições políticas.

Enfim, há inúmeras possibilidades de se analisar o conceito e deve-se sempre ter em conta os contextos históricos em que surge o populismo, porque há diferenças consideráveis entre os políticos chamados populistas. Na imagem vemos o presidente da República, Eurico Gaspar Dutra.

Nesta unidade – O período populista – você vai estudar a conjuntura histórica brasileira que se estende do governo Dutra ao golpe político civil e militar de 1964. Esse contexto, é geralmente, entendido como um momento de reordenação democrática, após a promulgação da Constituição de 1946, eleições livres e intensa competição político-partidária. No campo econômico, estabeleceu-se o debate entre a melhor adequação em se adotar um projeto nacionalista ou um projeto internacionalista para o nosso país. Esse debate e a adoção de um ou outro projeto levaram a situações políticas tensas, como no segundo governo de Vargas e às vésperas do golpe de 1964.

No que se refere à ordem mundial, o contexto que se iniciou em 1947 insere-se no quadro de disputas entre o bloco capitalista, liderado pelos EUA, e o bloco socialista, sob a liderança da URSS. A disputa pela adesão dos países da América Latina a um ou outro bloco gerou impactos significativos em suas ordens políticas, principalmente após o ingresso de Cuba na órbita da URSS. Por isso, não se pode desconsiderar a Guerra Fria, elemento importante na história do Brasil desse período.

Neste capítulo – O Governo Dutra – você vai estudar a agonia do Estado Novo que levou à renúncia de Getúlio Vargas e às eleições de dezembro de 1945. Vitorioso o candidato do PSD, General Dutra, foi desmontado todo o aparato da política econômica de Vargas, ao se adotar o projeto internacionalista, além da política extremamente repressiva de Dutra.

Pense sobre o que você acabou de ler e discuta:

1. Como se entendia o populismo até algumas décadas atrás?

Até algumas décadas atrás, o populismo era entendido como um fenômeno particular que ocorria em sociedades que faziam sua transição de tradicionais para modernas.
2. O que significa tratar o populismo como um mito político ou como uma “matriz teológica”?
Nessa abordagem, o populismo apresentaria uma característica messiânica, com a espera de um “salvador” pelas massas subalternas.

3. Quais são as outras possibilidades de tratamento do populismo?

Como um tipo específico de relação entre governantes e governados. Entres esses dois autores, estabelecer-se-ia uma relação direta (e autoritária), porque não é mediada por instituições políticas.
4. Por que se deve levar em conta a especificidade dos contextos históricos em que surge o populismo?

Uma vez que há inúmeras possibilidades de se analisar o conceito e deve-se sempre ter em conta os contextos históricos em que surge o populismo, porque há diferenças consideráveis entre os políticos chamados populistas.


5. O que caracteriza o contexto histórico brasileiro entre o governo Dutra e o golpe de 1964?

Esse contexto, é geralmente, entendido como um momento de reordenação democrática, após a promulgação da Constituição de 1946, eleições livres e intensa competição político-partidária. No campo econômico, estabeleceu-se o debate entre a melhor adequação em se adotar um projeto nacionalista ou um projeto internacionalista para o nosso país.
6. Por que é importante considerar a Guerra Fria na análise desse período?

Pois a disputa pela adesão dos países da América Latina a um ou outro bloco gerou impactos significativos em suas ordens políticas, principalmente após o ingresso de Cuba na órbita da URSS.
7. Quais as características mais marcantes do governo Dutra?

São características marcantes do Governo Dutra (1946-1950)o desmantelamento de todo o aparato da política econômica de Vargas, ao se adotar o projeto internacionalista, além da adoção de uma política extremamente repressiva.



ANASTASIA, Carla. História: ensino médio, livro 2/ Carla Maria Junho Anastásia, Elizabeth Seabra. – 1. ed, - Belo Horizonte: Editora Educacional, 2010. pp. 36-7.?

sábado, 2 de outubro de 2010

Saiba mais sobre o Estado Novo

Segundo Ano - CNDL
Quarto Bimestre - História do Brasil
Colégio Notre Dame de Lourdes
Coleção Pitágoras
Unidade - A Era Vargas
Capítulo 2
O Estado Novo
Análise e interpretação: versões, opiniões e fontes diversas
Leia os versos de Wilson Batista e Henrique Alves

Meu pai trabalha tanto
Que eu já nasci cansado
Ai patrão, sou um homem liquidado
No meu barraco chove
Meu terno está furado
Ai patrão, trabalhar não quero mais
Eu não sou caranguejo
Que só sabe andar pra trás
(Nasci cansado, Wilson Batista e Henrique Alves)
O sambista Wilson Batista fez bastante sucesso na década de 1930.
A6. Analise os versos de Wilson Batista e Henrique Alves.
Resposta: Os versos representam a negação do trabalho, próprio da cultura da malandragem durante a Era Vargas (1930-1945).
O tema em foco

Em meados dos anos 40, o rádio era um veículo de comunicação consolidado e em franco processo de expansão, sobretudo entre as classes populares urbanas. No campo específico da música popular, inaugurava-se uma nova etapa, marcada pela penetração de novos gêneros estrangeiros, principalmente o bolero, a rumba, o cha-cha-cha e o cool jazz. O baião e outros gêneros “regionalis (embolada, coco, moda-de-viola) também foram ganhando espaço no rádio, tornando-se referência para além de suas regiões de origem.Na virada dos anos 40 para os 50, a cena musical era dominada por sambas-canções abolerados, de andamento lento, e músicas carnavalhescas voltadas para os segmentos mais populares. Havia também um considerável espaço para a corrente mais tradicional do samba, o "samba-de-morro", sobretudo através dos trabalhos de Wilson Batista e Geraldo Pereira e para criações mais refinadas, do ponto de vista harmônico-melódico, de Ary Barroso e Dorival Caymmi [...]
Dorival Caymmi e Ary Barroso protagonizaram grande sucesso na Era de ouro do rádio no Brasil.
Essas são as divas que disputavam o título de rainhas do rádio entre as décadas de 40 e 50 do século passado.

A era da música mais despojada, com arranjos mais leves [...] (como as de Pixinguinha, por exemplo) e interpretação vocal sutil e cheio de "bossa", como se dizia, parecia uma coisa do passado. As letras também perdiam a ironia e o humor coloquial que marcaram os anos 30 e passavam aexpressar ora um sentimentalismo mais carregado, ora uma brejeirice provinciana. A febre em torno do concurso "rainha do rádio", desde 1949, era o auge da participação desta nova audiência popular, caracterizada preconceituosamente como "macacas de auditório" que parecia dominar o cenário musical brasileiro dos anos 50. Na perspectiva de um certo elitismo cultural, elas se contrapunham ao "respeitável ouvinte" dos anos 30, quando o rádio era mais elitizado.
NAPOLITANO, Marcos. História & Música. Belo Horizonte: Autêntica, 2002. p. 56-7

A7. Caracterize os movimentos musicais do rádio nos anos 30 e meados dos anos 40.
Resposta: Nos anos 30 e 40 do século XX, o rádio era mais elitizado, com a penetração de novos gêneros musicais estrangeiros e "regionais", com letras irônicas e de humor coloquial.
Confira abaixo um exemplo de ritmo regional com letra irônica e humor coloquial produzida nesse período


A embolada do grande Jackson do Pandeiro, um paraibano que fez grande sucesso no Sul Maravilha durante essa referida época.
De olho no vestibular
Q1. (FEI) Sobre o Estado Novo (1937 - 1945), é incorreto afirmar que:

a) foi caracterizado por um forte intervencionismo estatal.
b) criou órgãos de censura e de repressão.
c) apoiava-se num discurso nacionalista.
d) era um regime de partido único.
e) exercia um grande controle sobre os sindicatos, tanto de trabalhadores quanto patronais.
Resposta: D

Q2. (FATEC) Considere as asserções seguintes sobre o governo de Getúlio Vargas e a industrializaçào nacional.

I. Ocorreram incentivos ao processo de industrialização, a criação da Companhia Siderúrgica Nacional e da Companhia Vale do Rio Doce.
II. Foi adotada uma política de incentivos no sistema de crédito, uma política cambial protecionista, controle de preços, incentivos fiscais e tributários e contençào salarial.
III. A Segunda Guerra Mundial (1939 - 1945) assegurou as condições extemas para a continuidade do processo de industrialização brasileiro, pois os países em guerra investiram praticamente toda sua produção no setor militar.
IV. O desenvolvimento do processo de industrialização, no período Vargas, trouxe para o trabalhador melhores condições de vida, principalmente pela política de aumentos salariais constantes, adotada pelo Estado, sempre que o setor industrial conseguisse alcançar bons lucros.

Das asserções acima estão corretas apenas

a) I, III e IV
b) I, II e IV.
c) I, II, e III.
d) II, III, e IV
e) II e III

Resposta: C
Q3. (FGV) Em 21 de dezembro de 1941, Getúlio Vargas recebeu Osvaldo Aranha, seu ministro das Relações Exteriores, para uma reunião. Leia alguns trechos do diário do presidente: "À noite, recebi o Osvaldo. Disse-me que o governo americano não nos daria auxílio, porque não confiava em elementos do meu governo, que eu deveria substituir. Respondi que não tinha motivos para desconfiar dos meus auxiliares, que as facilidades que estávamos dando aos americanos não autorizavam essas desconfianças, e que eu não substituiria esses auxiliares por imposições estranhas."
VARGAS, Getúlio, Diário. São Paulo / Rio de Janeiro, Siciliano/ Fundação Getúlio Vargas, 1995, vol. II, p. 443.
A respeito desse período, podemos afirmar:

a) As desconfianças norte-americanas eram completamente infundadas porque não havia nenhum simpatizante do nazi-fascismo entre os integrantes do governo brasileiro.
b) Com sua política pragmática, Vargas negociou vantagens econômicas com o governo americano e manteve em seu governo simpatizantes dos regimes
nazi-fascistas.
c) Apesar das semelhanças entre o Estado Novo e os regimes fascistas, Vargas não permitiu nenhum tipo de relacionamento diplomático entre o Brasil e os
países do Eixo.
d) No alto escalão do governo Vargas havia uma série de simpatizantes do regime comunista da União Soviética e de seu líder Joseph Stalin.
e) As pressões do governo norte-americano levaram Vargas a demitir seu ministro da Guerra, o general Eurico Gaspar Outra, admirador dos regimes nazi-fascistas.

Resposta: B
Resolução: A política pragmática adotada por Vargas foi justificada elo discurso nacionalista, ou seja, "o bem do país" independentemente das posturas ideológicas e dos interesses dos outros países. Dessa maneira Vargas negócios acordos tanto com a Alemanha, como com os EUA, alinhando-se a este país em 1942.

Q4. (MACKENZIE)Sobre o Estado Novo, implantado por Vargas em 1937, é INCORRETO afirmar que:
a) o nacionalismo econômico e o intervencionismo estatal foram traços marcantes desse período da Era Vargas.
b) a forte centralização política mantinha, por meio do DIP e do DOPS, o controle da opinião pública e a repressão aos inimigos do regime.
c) a CLT representou uma conquista nas relações entre o capital e o trabalho, embora a manipulação e o paternalismo do governo impedissem um sindicalismo livre.
d) o regime tinha, dentre suas bases de sustentação, as forças armadas e a burocracia estatal.
e) o liberalismo econômico e a neutralidade brasileira, durante a Segunda Guerra Mundial, consolidaram o governo Vargas após o conflito.
Resposta: E
Resolução: A fase do Estado Novo (1937-45) durante a Era Vargas teve caráter ditatorial. Nesse período, a economia foi marcada pela forte intervenção do Estado, e no campo da política externa, apesar da inspiração fascista, Getúlio Vargas, sob pressão dos EUA, apoiou os aliados na Segunda Guerra Mundial, contribuindo para o enfraquecimento do regime Varguista e para a redemocratização do país.

Q5. (PUC-SP) 1930: Vamos deixar como está para ver como fica. 1945: Vamos deixar como está para ver como eu fico. Máximas e mínimas do Barão de Itararé. Rio de Janeiro: Record, 1987. p.67.
As frases, atribuídas pelo humorista Barão de Itararé a G. Túlio Vargas, são evidentemente uma brincadeira com o nome do Presidente da República e com as diferenças políticas entre 1930 e 1945. As alusões à posição de Vargas em 1930 e em 1945 referem-se, respectivamente, à

a) ausência de uma proposta de reformulação constitucional e à tentativa de manter-se na Presidência num contexto de redemocratizações.
b) aliança com a política café-com-leite e à candidatura presidencial, por via direta, de Vargas.
c) manutenção do modelo econômico de base agro-exportadora e à política industrialista voltada à busca da auto-suficiência nacional.
d) reiteração da proposta federalista da Primeira República e à defesa de um Estado em que o poder estivesse centralizado nas mãos do Presidente.
e) dependência econômica em relação à Inglaterra e aos Estados Unidos e à tentativa de consolidar um Estado Nacional autônomo.

Resolução: Recém-empossado na chefia do Estado em 1930, Vargas suspendeu a Constituição de 1891 e procurou retardar ao máximo a promulgação de uma nova Carta Magna, pois assim gozaria de poderes ditatoriais. Já em 1945, com o Estado Novo em franco declínio, Vargas tentou permanecer no poder por meio do "Movimento Querenista"; acabou, no entanto, sendo derrubado por um golpe militar que levou o País a concluir o processo de redemocratização.
Resposta: A


Q6. (UNESP) Entre fins de fevereiro de 1945, quando José Américo de Almeida rompeu o cerco da censura, e 29 de outubro, com a deposição de Vargas, a sociedade brasileira, em pleno processo de democratização política e mobilizada em dois campos antagônicos, assistiu e participou de um movimento de massa, de proporções grandiosas.

(Jorge Ferreira, in O Brasil republicano: o tempo da experiência democrática.)

Esse movimento de massa de que fala o historiador, acontecido imediatamente após a deposição de Getúlio Vargas, ficou conhecido como

a) queremismo.
b) o dia do Fico de Vargas.
c) crencionismo.
d) getulismo.
e) populismo.

Resolução: Na medida em que se configura a crise do Estado Novo, organiza-se um movimento popular de apoio à Getúlio Vargas, que pregava a realização de eleições para a Assembleia Constituinte com a permanência de Vargas no poder. Os lemas desse movimento eram "Constituite com Getúlio" e "Queremos Getúlio" daí o movimento ser conhecido como "queremismo". Observa-se entretanto que o queremismo ocorre antes da deposição de Vargas. Dessa forma, contraria o enunciado da questão: "acontecido imediatamente após a deposição de Getúlio Vargas".

Resposta: A


Para saber mais
Livro
LOPEZ, Luiz Roberto. História do Brasil república. São Paulo: Contexto, 1997.
FilmesRadio Days (A Era do Rádio) Diretor: Woody Allen. 1987.
Memórias do Cárcere. Diretor: Nelson Pereira dos Santos, 1982.
Olga. Diretor: Jayme Monjardim, 2004.