terça-feira, 30 de novembro de 2010


Refugiados – 60 Anos do ACNUR

Pio Penna Filho
Professor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB) e Pesquisador do CNPq. E-mail: piopenna@gmail.com


O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) completa 60 anos de existência. O ACNURé uma agência das Nações Unidas que assumiu importantes funções humanitárias desde a sua criação e que continua trabalhando incansavelmente para que milhões de pessoas em sérias dificuldades possam desfrutar de alguma assistência das Nações Unidas.
Estima-se que existam hoje no mundo cerca de 15 milhões de refugiados e 27 milhões de deslocados, que são os principais beneficiados pelas ações do ACNUR. Essa gente está espalhada por todos os continentes, sendo que o mais problemático de todos continua sendo a África, não por acaso onde residem os mais pobres.
Segundo a Convenção de Genebra (1951), um refugiado é aquele que, em razão de fundados temores de perseguição de qualquer natureza (política, religiosa, racial, etc), se vê obrigado a buscar refúgio em outro país para preservar a sua vida. Nesse sentido, trata-se de uma decisão extrema visando a segurança e a sobrevivência.
Deslocados são aqueles que geralmente são obrigados a deixar suas regiões de origem ou de residência para buscar abrigo em outra região, usualmente no mesmo país. As motivações costumam ser muito parecidas com as dos refugiados. Ou seja, os deslocados migram em função de perseguições de natureza variada (política, religiosa, racial etc) ou em decorrência de catástrofes naturais.
Ambos constituem-se em grupos vulneráveis, fragilizados e sem apoio ou com quase nenhuma atenção dos seus países de origem, daí a enorme importância que a ONU, por meio do ACNUR, desempenha em suas vidas. São pessoas esquecidas, abandonadas à própria sorte.
Os refugiados costumam viver em campos que surgem do nada, normalmente em lugares distantes e sem nenhuma infraestrutura. Falta-lhes de tudo: água, comida, abrigo, remédios, roupas, assistência médica. Como se amontoam aos milhares e num curto período de tempo, acabam criando condições propícias para o surgimento de epidemias que costumam ser devastadoras, ainda mais num contexto de fome e subnutrição. São também suscetíveis à violência de gangues e de grupos que acabam se aproveitando da lei do mais forte para retirar-lhes o quase nada que possuem.
Os brasileiros tem certa dificuldade em entender o drama vivenciado pelos refugiados e pelos deslocados porque não temos, na nossa história, experiências e traumas de grande envergadura dessa natureza. Além disso, somos um país que tradicionalmente recebe poucos refugiados, fato que nos afasta ainda mais da dura realidade dos milhões de seres humanos que passam por essa situação.
Sem o ACNUR o drama vivenciado por essas pessoas certamente seria muito mais intenso. É nele que os milhões de refugiados e deslocados acabam encontrando alguma esperança de dias melhores e, em muitos casos, da própria sobrevivência. O ideal seria que não tivéssemos que celebrar a existência de uma entidade dessa natureza, mas infelizmente o ser humano tem se mostrado cada vez mais hostil à sua própria espécie.

O Império Desnudado

Pio Penna Filho*

Novas e indiscretas revelações do site Wikileaks (www.wikileaks.org) recolocaram o governo norte-americano numa situação extremamente desconfortável perante a comunidade internacional. As informações divulgadas pelo site são sensíveis e perturbadoras para as autoridades dos Estados Unidos.
Muitas das informações divulgadas não são necessariamente novidades. A novidade em si é que elas confirmam o que muitos pensavam e/ou suspeitavam sobre a atuação dos Estados Unidos pelo mundo afora.
Revelam também as indiscrições cometidas por agentes públicos de diversos países em conversas com diplomatas norte-americanos, como o caso do Ministro da Defesa do Brasil, Nelson Jobim, que teria dito que o presidente boliviano, Evo Morales, teria um tumor no nariz. Ora, o que tem a ver Nelson Jobim e o governo brasileiro com uma questão tão íntima do presidente Evo Morales?
Aliás, a documentação, nesse caso, revela também a percepção que os Estados Unidos tem do Brasil. Para eles, somos, em vários aspectos, competidores e não aliados automáticos e confiáveis. Confiável é o ministro Jobim, que faz as vezes do agente pró-americano no governo brasileiro, em contraponto ao ministro Celso Amorim, visto com grande desconfiança.
Com relação ao Brasil nota-se ainda a obsessão norte-americana em encontrar na tríplice fronteira (Argentina-Brasil-Paraguai) a atuação de grupos terroristas islâmicos. Mesmo que não existam evidências concretas sobre isso, o assunto foi motivo de vários encontros de diplomatas norte-americanos com autoridades brasileiras. O mesmo deve ter ocorrido nos países vizinhos. A lição é clara: na ausência do inimigo, nós os criamos!
Dentre outras revelações, a da existência de armas nucleares táticas norte-americanas em vários países europeus é reveladora da persistência de dinâmicas relacionadas à finada Guerra Fria. Por que os Estados Unidos ainda mantém armas nucleares táticas (de curto e médio alcance) em países como a Holanda e a Bélgica? Por que os governos desses países permitem que esse tipo de armamento continue estocado em seus territórios? Chega a ser até uma contradição com todo o discurso norte-americano relacionado à proliferação nuclear.
Outra revelação: parece não existir uma claraseparação entre a pura espionagem e a diplomacia dos Estados Unidos. Monitoramento de autoridades, conversas indiscretas que são retransmitidas a agências de segurança, preocupação excessiva focada no chamado “terrorismo” internacional e outras matérias acabam desqualificando os diplomatas dos Estados Unidos espalhados pelos quatro cantos do mundo, inclusive no Brasil.
Agora o governo norte-americano tenta pressionar o fundador e os administradores do site, buscando encontrar brechas legais para incriminá-los. Se o estrago para a imagem dos Estados Unidos foi grande, essas revelações são alvissareiras para o resto do mundo, uma vez que desnudam a forma de atuação e a falta de escrúpulos dos norte-americanos em termos de diplomacia e espionagem.
O que foi a Revolta da Chibata?
No dia 22 de novembro de 1910, marujos liderados pelo marinheiro negro, João Cândido Felisberto, iniciaram uma insurreição contra os castigos físicos, baixos salários e péssimas condições de trabalho na Marinha brasileira da época
Paula Takada (paula.takada@abril.com.br)




João Candido Felisberto, líder da Revolta
da Chibata. Fonte: Associação Cultural
do Arquivo Nacional
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No início do século 20, a maior parte dos trabalhadores da Marinha brasileira era composta por mulatos e negros, escravos libertos ou filhos de ex-escravos. As condições de trabalho eram precárias: os marinheiros tinham remuneração baixa, recebiam péssima alimentação durante as longas viagens nos navios e, o mais grave, estavam submetidos a punições corporais, caso desobedecessem alguma regra.
Mais de duas décadas após a abolição da escravidão, a prática de castigos físicos ainda era comum na Marinha brasileira. Punições típicas do período colonial haviam sido revogadas com a Proclamação da República, em 1889, e reintroduzidas pelo Decreto 328, de abril de 1890. O rebaixamento de salário, o cativeiro em prisão solitária por um período de três a seis dias, a pão e água, para faltas leves ou reincidentes, e as 25 chibatadas para faltas graves eram penas regulamentadas em plena República.

Esse contexto revoltava centenas de marujos que durante os anos de 1908 e 1909 passaram a se organizar, buscando, sem sucesso, negociar melhorias trabalhistas com o governo. No dia 21 de novembro, o marinheiro Marcelino Rodrigues de Menezes, acusado de embarcar com uma garrafa de cachaça, foi violentamente punido não com 25, mas com 250 chibatadas, na presença de todos os tripulantes.

O castigo exagerado do marujo levou ao início da revolta, no dia 22 de novembro, com a participação de cerca de 2.300 marinheiros que, liderados por João Cândido Felisberto, tomaram o controle dos encouraçados Minas Gerais, São Paulo e do cruzador-ligeiro Bahia (recém-construídos na Inglaterra) e do antigo encouraçado Deodoro. Uma carta reivindicando melhores condições de trabalho e modificações na legislação penal e disciplinar com destaque para a extinção das chibatadas foi enviada ao governo. Com os canhões das embarcações apontados para a cidade do Rio de Janeiro, os marinheiros ameaçavam bombardear a capital do país, caso suas exigências não fossem atendidas.

O governo cedeu às pressões dos marujos e em 27 de novembro de 1910 a chibata foi abolida da Marinha de Guerra brasileira. Oficialmente, a anistia estava garantida aos revoltosos liderados por João Cândido - que a partir desse momento, passou a ser tratado pela imprensa como o "Almirante Negro". No dia seguinte, porém, o presidente da República, Marechal Hermes da Fonseca assinou o decreto 8.400 que permitia a exclusão da Marinha de qualquer marujo cuja presença fosse julgada inconveniente por seus superiores. Repressão violenta na Ilha das Cobras

Segundo o historiador Marco Morel, cerca de 1.200 homens foram expulsos da Marinha, centenas foram presos e outros 30 foram assassinados. As prisões do Batalhão Naval localizado na Ilha das Cobras, na baía de Guanabara, estavam lotadas e, em 9 de dezembro, uma nova rebelião foi iniciada. O governo rapidamente reprimiu a insurreição e usou a situação para suspender a anistia oficialmente anunciada semanas antes.


João Cândido então foi preso, acusado de liderar a recente rebelião. Na noite de 24 de dezembro, véspera de Natal, 31 marinheiros foram trancados em duas pequenas celas repletas de cal, que teria sido utilizada para higienizar o ambiente. No dia 26, quando os funcionários do cárcere voltaram ao trabalho, apenas dois marujos sobreviviam: João Cândido e João Avelino Lira.

Bastante traumatizado e tendo alucinações, João Cândido foi levado ao Hospital Nacional dos Alienados, no bairro da Urca, onde permaneceu internado por três meses. Depois de recuperado, foi levado de volta à prisão na Ilha das Cobras, cumprindo pena até 30 de dezembro de 1912.

Impedido de retornar à Marinha, João Cândido trabalhou em embarcações particulares, sendo constantemente demitido por pressão da Marinha sobre seus patrões. Passou a ganhar a vida como pescador e comerciante de peixes na Praça XV. Morreu em 1969, aos 89 anos, vitima de um câncer de pulmão.

Em 1977, Aldir Blanc e João Bosco homenagearam o líder da Revolta da Chibata compondo o samba "Mestre-sala dos Mares", interpretado por Elis Regina.

Em 2008, o presidente Luís Inácio Lula da Silva sancionou a lei federal de número 11.756 concedendo a anistia póstuma a João Cândido e a outros marinheiros que participaram da revolta. No entanto, a indenização aos descendentes dos marujos foi vetada pelo presidente da República.


"Mestre-sala dos Mares", de Aldir Blanc e João Bosco

Há muito tempo nas águas da Guanabara
O dragão do mar reapareceu
Na figura de um bravo feiticeiro
A quem a história não esqueceu
Conhecido como o navegante negro
Tinha a dignidade de um mestre-sala
E ao acenar pelo mar na alegria das regatas
Foi saudado no porto pelas mocinhas francesas
Jovens polacas e por batalhões de mulatas

Rubras cascatas
Jorravam das costas dos santos
entre cantos e chibatas
Inundando o coração
do pessoal do porão
Que, a exemplo do feiticeiro,
gritava então

Glória aos piratas
Às mulatas,
às sereias
Glória à farofa
à cachaça,
às baleias

Glória
a todas as lutas inglórias
Que através da nossa história
não esquecemos jamais

Salve o navegante negro
Que tem por monumento
as pedras pisadas do cais
Mas salve

Salve o navegante negro
Que tem por monumento
as pedras pisadas do cais

Mas faz muito tempo
Minas de ouro guardam histórias de sofrimento dos negros, na época da escravidão


Terra de Minas visita antigas minas de ouro na região de Ouro Preto.
Minas de ouro guardam histórias de sofrimento dos negros, na época da escravidão.
Conheça a lenda de Chico Rei, a alma dos congados em Minas Gerais



Lenda do Chico Rei está na alma dos congados

Lenda ou história? Chico Rei, o homem que era rei na África e virou escravo no Brasil, faz parte do imaginário. A luta também está na alma dos congados - tradição que mistura música, dança e fé.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Navio Negreiro, de Castro Alves

Confira o poema Navio Negreiro, de Castro Alves na voz de Paulo Autran
Com imagens do filme Amistad, realizado por Steven Spielberg.
Escute Tragédia no mar (ou O navio negreiro) de Castro Alves, na voz de Paulo Autran.
O poeta Castro Alves escreveu O navio negreiro aos 22 anos, em 1869. A lei Eusébio de Queirós, que proibia o tráfico de escravos, fora promulgada quase vinte anos antes. Cada parte do poema tem métrica própria, de maneira que o ritmo de cada estrofe retrata a situação apresentada nela.



Navio Negreiro

Castro Alves


I

'Stamos em pleno mar... Doudo no espaço
Brinca o luar — dourada borboleta;
E as vagas após ele correm... cansam
Como turba de infantes inquieta.

'Stamos em pleno mar... Do firmamento
Os astros saltam como espumas de ouro...
O mar em troca acende as ardentias,
— Constelações do líquido tesouro...

'Stamos em pleno mar... Dois infinitos
Ali se estreitam num abraço insano,
Azuis, dourados, plácidos, sublimes...
Qual dos dous é o céu? qual o oceano?...

'Stamos em pleno mar. . . Abrindo as velas
Ao quente arfar das virações marinhas,
Veleiro brigue corre à flor dos mares,
Como roçam na vaga as andorinhas...

Donde vem? onde vai? Das naus errantes
Quem sabe o rumo se é tão grande o espaço?
Neste saara os corcéis o pó levantam,
Galopam, voam, mas não deixam traço.

Bem feliz quem ali pode nest'hora
Sentir deste painel a majestade!
Embaixo — o mar em cima — o firmamento...
E no mar e no céu — a imensidade!

Oh! que doce harmonia traz-me a brisa!
Que música suave ao longe soa!
Meu Deus! como é sublime um canto ardente
Pelas vagas sem fim boiando à toa!

Homens do mar! ó rudes marinheiros,
Tostados pelo sol dos quatro mundos!
Crianças que a procela acalentara
No berço destes pélagos profundos!

Esperai! esperai! deixai que eu beba
Esta selvagem, livre poesia
Orquestra — é o mar, que ruge pela proa,
E o vento, que nas cordas assobia...
..........................................................

Por que foges assim, barco ligeiro?
Por que foges do pávido poeta?
Oh! quem me dera acompanhar-te a esteira
Que semelha no mar — doudo cometa!

Albatroz! Albatroz! águia do oceano,
Tu que dormes das nuvens entre as gazas,
Sacode as penas, Leviathan do espaço,
Albatroz! Albatroz! dá-me estas asas.


II


Que importa do nauta o berço,
Donde é filho, qual seu lar?
Ama a cadência do verso
Que lhe ensina o velho mar!
Cantai! que a morte é divina!
Resvala o brigue à bolina
Como golfinho veloz.
Presa ao mastro da mezena
Saudosa bandeira acena
As vagas que deixa após.

Do Espanhol as cantilenas
Requebradas de langor,
Lembram as moças morenas,
As andaluzas em flor!
Da Itália o filho indolente
Canta Veneza dormente,
— Terra de amor e traição,
Ou do golfo no regaço
Relembra os versos de Tasso,
Junto às lavas do vulcão!

O Inglês — marinheiro frio,
Que ao nascer no mar se achou,
(Porque a Inglaterra é um navio,
Que Deus na Mancha ancorou),
Rijo entoa pátrias glórias,
Lembrando, orgulhoso, histórias
De Nelson e de Aboukir.. .
O Francês — predestinado —
Canta os louros do passado
E os loureiros do porvir!

Os marinheiros Helenos,
Que a vaga jônia criou,
Belos piratas morenos
Do mar que Ulisses cortou,
Homens que Fídias talhara,
Vão cantando em noite clara
Versos que Homero gemeu ...
Nautas de todas as plagas,
Vós sabeis achar nas vagas
As melodias do céu! ...


III


Desce do espaço imenso, ó águia do oceano!
Desce mais ... inda mais... não pode olhar humano
Como o teu mergulhar no brigue voador!
Mas que vejo eu aí... Que quadro d'amarguras!
É canto funeral! ... Que tétricas figuras! ...
Que cena infame e vil... Meu Deus! Meu Deus! Que horror!


IV


Era um sonho dantesco... o tombadilho
Que das luzernas avermelha o brilho.
Em sangue a se banhar.
Tinir de ferros... estalar de açoite...
Legiões de homens negros como a noite,
Horrendos a dançar...

Negras mulheres, suspendendo às tetas
Magras crianças, cujas bocas pretas
Rega o sangue das mães:
Outras moças, mas nuas e espantadas,
No turbilhão de espectros arrastadas,
Em ânsia e mágoa vãs!

E ri-se a orquestra irônica, estridente...
E da ronda fantástica a serpente
Faz doudas espirais ...
Se o velho arqueja, se no chão resvala,
Ouvem-se gritos... o chicote estala.
E voam mais e mais...

Presa nos elos de uma só cadeia,
A multidão faminta cambaleia,
E chora e dança ali!
Um de raiva delira, outro enlouquece,
Outro, que martírios embrutece,
Cantando, geme e ri!

No entanto o capitão manda a manobra,
E após fitando o céu que se desdobra,
Tão puro sobre o mar,
Diz do fumo entre os densos nevoeiros:
"Vibrai rijo o chicote, marinheiros!
Fazei-os mais dançar!..."

E ri-se a orquestra irônica, estridente. . .
E da ronda fantástica a serpente
Faz doudas espirais...
Qual um sonho dantesco as sombras voam!...
Gritos, ais, maldições, preces ressoam!
E ri-se Satanás!...


V


Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus!
Se é loucura... se é verdade
Tanto horror perante os céus?!
Ó mar, por que não apagas
Co'a esponja de tuas vagas
De teu manto este borrão?...
Astros! noites! tempestades!
Rolai das imensidades!
Varrei os mares, tufão!

Quem são estes desgraçados
Que não encontram em vós
Mais que o rir calmo da turba
Que excita a fúria do algoz?
Quem são? Se a estrela se cala,
Se a vaga à pressa resvala
Como um cúmplice fugaz,
Perante a noite confusa...
Dize-o tu, severa Musa,
Musa libérrima, audaz!...

São os filhos do deserto,
Onde a terra esposa a luz.
Onde vive em campo aberto
A tribo dos homens nus...
São os guerreiros ousados
Que com os tigres mosqueados
Combatem na solidão.
Ontem simples, fortes, bravos.
Hoje míseros escravos,
Sem luz, sem ar, sem razão. . .

São mulheres desgraçadas,
Como Agar o foi também.
Que sedentas, alquebradas,
De longe... bem longe vêm...
Trazendo com tíbios passos,
Filhos e algemas nos braços,
N'alma — lágrimas e fel...
Como Agar sofrendo tanto,
Que nem o leite de pranto
Têm que dar para Ismael.

Lá nas areias infindas,
Das palmeiras no país,
Nasceram crianças lindas,
Viveram moças gentis...
Passa um dia a caravana,
Quando a virgem na cabana
Cisma da noite nos véus ...
... Adeus, ó choça do monte,
... Adeus, palmeiras da fonte!...
... Adeus, amores... adeus!...

Depois, o areal extenso...
Depois, o oceano de pó.
Depois no horizonte imenso
Desertos... desertos só...
E a fome, o cansaço, a sede...
Ai! quanto infeliz que cede,
E cai p'ra não mais s'erguer!...
Vaga um lugar na cadeia,
Mas o chacal sobre a areia
Acha um corpo que roer.

Ontem a Serra Leoa,
A guerra, a caça ao leão,
O sono dormido à toa
Sob as tendas d'amplidão!
Hoje... o porão negro, fundo,
Infecto, apertado, imundo,
Tendo a peste por jaguar...
E o sono sempre cortado
Pelo arranco de um finado,
E o baque de um corpo ao mar...

Ontem plena liberdade,
A vontade por poder...
Hoje... cúm'lo de maldade,
Nem são livres p'ra morrer. .
Prende-os a mesma corrente
— Férrea, lúgubre serpente —
Nas roscas da escravidão.
E assim zombando da morte,
Dança a lúgubre coorte
Ao som do açoute... Irrisão!...

Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus,
Se eu deliro... ou se é verdade
Tanto horror perante os céus?!...
Ó mar, por que não apagas
Co'a esponja de tuas vagas
Do teu manto este borrão?
Astros! noites! tempestades!
Rolai das imensidades!
Varrei os mares, tufão! ...


VI


Existe um povo que a bandeira empresta
P'ra cobrir tanta infâmia e cobardia!...
E deixa-a transformar-se nessa festa
Em manto impuro de bacante fria!...
Meu Deus! meu Deus! mas que bandeira é esta,
Que impudente na gávea tripudia?
Silêncio. Musa... chora, e chora tanto
Que o pavilhão se lave no teu pranto! ...

Auriverde pendão de minha terra,
Que a brisa do Brasil beija e balança,
Estandarte que a luz do sol encerra
E as promessas divinas da esperança...
Tu que, da liberdade após a guerra,
Foste hasteado dos heróis na lança
Antes te houvessem roto na batalha,
Que servires a um povo de mortalha!...

Fatalidade atroz que a mente esmaga!
Extingue nesta hora o brigue imundo
O trilho que Colombo abriu nas vagas,
Como um íris no pélago profundo!
Mas é infâmia demais! ... Da etérea plaga
Levantai-vos, heróis do Novo Mundo!
Andrada! arranca esse pendão dos ares!
Colombo! fecha a porta dos teus mares!

sábado, 27 de novembro de 2010

O som da história
Música de Jorge Benjor fala sobre o carro de boi que fez parte da história do Brasil como meio de transporte de carga e de pessoas num passado remoto de nosso país



Oé Oé (Faz O Carro De Boi Na Estrada)
Jorge Ben Jor
Composição: Augusto de Agosto / Jorge Ben Jor
Oé oé, faz o carro de boi na estrada
Oé oé, faz o carro de boi na estrada
Bota pouca carga mas rica carga
Pois o boi nem o carro são de carga
O boi e o carro são de estimação
Preparar eles para exposição
Não esquecendo de passar carvão na roda
Nem de lavar o carro, nem de enfeitar o boi
Pois eu quero ver o boi mugir e o carro cantar
Oé oé, faz o carro de boi na estrada
Oé oé, faz o carro de boi na estrada
Bota pouca carga mas rica carga
Pois o boi nem o carro são de carga
O boi e o carro são de estimação
Preparar eles para exposição
Não esquecendo de passar carvão na roda
Nem de lavar o carro, nem de enfeitar o boi
Pois eu quero ver esse carro campeão
Pois eu quero ver todo o pessoal dizer com emoção
Que carro de boi!
Ou é o gemedor
Que carro de boi!
Ou é o cantador
Oé oé, faz o carro de boi na estrada
Oé oé, faz o carro de boi na estrada
O som da história
Eu quero ver quando Zumbi chegar
Zumbi é o senhor das guerras, Zumbi é o senhor das demandas, quando Zumbi chega é Zumbi quem manda

"Angola, Congo, Benguela Monjolo, Cabinda, Mina Quiloa, Rebolo"
(Jorge Ben, África/Brasil-Zumbi)
O texto refere-se a grupos africanos escravizados e trazidos para o Brasil durante a colonização.
Zumbi foi o chefe do maior quilombo construído no Brasil, o de Palmares.Em 1694, tropas comandadas pelo paulista Domingos Jorge Velho destruíram o quilombo de Palmares, que havia se formado desde o início do século XVII. Poucos sobreviveram ao ataque final, refugiando-se nas matas da Serra da Barriga sob a liderança de Zumbi, morto em 20 de novembro de 1695, depois de resistir por quase dois anos.A luta de Zumbi representa o episódio maior da resistências negra contra a escravidão.

Esta canção de Jorge Benjor é ótima para se abordar a temática da escravidão negra no Brasil.

Jorge Benjor
Zumbi
Angola Congo Benguela
Monjolo Cabinda Mina
Quiloa Rebolo
Aqui onde estão os homens
Há um grande leilão
Dizem que nele há
Um princesa à venda
Que veio junto com seus súditos
Acorrentados num carro de boi
Eu quero ver
Eu quero ver
Eu quero ver
Angola Congo Benguela
Monjolo Cabinda Mina
Quiloa Rebolo
Aqui onde estão os homens
Dum lado cana de açúcar
Do outro lado o cafezal
Ao centro senhores sentados
Vendo a colheita do algodão tão branco
Sendo colhidos por mãos negras
Eu quero ver
Eu quero ver
Eu quero ver
Quando Zumbi chegar
O que vai acontecer
Zumbi é senhor das guerras
È senhor das demandas
Quando Zumbi chega e Zumbi
É quem manda
Eu quero ver
Eu quero ver
Eu quero ver

Golpe na Costa do Marfim

Pio Penna Filho
Professor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB) e Pesquisador do CNPq. E-mail: piopenna@gmail.com

Mais um país africano está passando pelo teste da democracia e as perspectivas não são das melhores. O resultado das eleições na Costa do Marfim indicaram a vitória de um dos setores da oposição, liderado por Alassane Ouattara. O atual presidente, Laurent Gbagbo, é rival antigo de Ouattara e não quer aceitar o resultado das eleições. Aliás, por influência direta de Gbagbo e em comunicado oficial, o presidente do Conselho Constitucional do país, Paul Yao N’dré, já declarou que o pleito foi oficialmente considerado inválido.
A Costa do Marfim é um ex-colônia francesa que obteve a independência em 1960, no contexto do processo de descolonização. Se destacou durante a maior parte de sua existência como país soberano pela estabilidade política e relativo sucesso econômico no difícil cenário africano.
No plano regional tinha uma das economias mais dinâmicas e era candidato a líder, rivalizando com a outra potência regional, a Nigéria. Ambos participam de um bloco econômico, a Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (ECOWAS, em inglês).


A economia da Costa do Marfim segue o padrão geral dos Estados africanos, ou seja, é predominantemente primário-exportadora, com grande concentração nas atividades agrícolas, setor que emprega em torno de 60 a 70% da mão de obra do país. Dentre os seus produtos de exportação destacam-se cacau, café, borracha, milho, arroz e frutas tropicais. Também possui petróleo e ouro. Em termos de indústria, esta é ainda incipiente e com pouca diversificação, com ênfase na indústria alimentícia e têxtil.
Desde o Golpe de Estado ocorrido em 1999, o quadro politico do país se complicou. A partir daí grupos políticos lutaram violentamente pelo controle do Estado e não conseguiram estabelecer um modus vivendi democrático e baseado no diálogo. Registre-se que o processo foi extremamente violento, levando à morte milhares de pessoas e deixando um país dividido entre o norte e o sul.


Outra consequência da instabilidade política que se seguiu ao Golpe de 1999 foi a intervenção estrangeira, uma vez que capacetes azuis das Nações Unidas e tropas francesas foram enviadas à Costa do Marfim, as quais até hoje permanecem no país.
A crise política e o clima de guerra civil teve um importante impacto negativo na economia marfinense, fragilizando ainda mais a sua precária condição econômica. Mesmo com a retomada das atividades econômicas nos últimos anos, o crescimento tem sido modesto. Em 2008 o crescimento do PIB foi de apenas 2,3%, uma taxa baixa para o padrão de crescimento africano verificado na última década.


A atual crise, que pode levar a uma nova guerra civil, é um complicador a mais para a Costa do Marfim. Se o atual presidente insistir em desrespeitar a constituição e levar adiante o seu Golpe de Estado, ele certamente será o principal responsável pela catástrofe que provavelmente virá. O Golpe não é ruim apenas para a Costa do Marfim, uma vez que ajuda a arranhar a imagem de um continente inteiro que luta justamente para demonstrar ao mundo que está mudando e tem um compromisso com a democracia.

Saiba mais sobre a população escrava de Minas Gerais no século 18

Minas Gerais concentrava a maior população de negros no século 18.
Homens e mulheres chegaram com técnicas para extrair ouro e pedras preciosas. Muitos compraram a própria liberdade.
Tradições que movimentaram o Brasil Colônia são fontes de rende até hoje




Tradições de três séculos de história permanecem nos caminhos da Estrada Real. Atividades artesanais que movimentaram a economia do Brasil no passado ainda hoje são fonte de renda para famílias.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Conheça a história da primeira capital de Mato Grosso
O professor Edenilson Morais faz uma abordagem sobre o processo de formação histórica de Vila Bela da Santíssima Trindade, fundada junto às margens do rio Guaporé, na fronteira com o domínio espanhol na América do Sul, foi escolhida estratégicamente para sediar a recém criada Capitania de Mato Grosso e se tornou o antemural da colônia no momento histórico em que as coroas ibéricas estabeleciam os limítes de suas possessões coloniais no Novo Mundo.
Confira a aula em video.
Coreia versus Coreia

Pio Penna Filho*
*Professor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB) e Pesquisador do CNPq. E-mail: piopenna@gmail.com

Um só povo, a mesma tradição, a mesma cultura, a mesma língua e dois países. Um povo que tem uma das civilizações mais antigas que se tem notícia na face da terra. Sua civilização remonta a séculos antes de Cristo e é considerada, em termos de continuidade, como a mais remota. É esse povo que está, atualmente, em pé de guerra, dividido em dois Estados que não se entendem.
Os últimos acontecimentos na península coreana dispararam o alerta de guerra. Parece de difícil solução o problema da divisão da Coréia, essa herança maldita dos anos da Guerra Fria e das injunções e interferências estrangeiras no continente asiático.
Embora não tenha sido o único caso de um país dividido em termos ideológicos, o diferencial da Coréia com relação a outros casos é que essa divisão permaneceu, mesmo com o fim da era bipolar. A Alemanha, por exemplo, conseguiu retomar a sua unidade e segue adiante, apesar dos traumas e dos desequilíbrios regionais.
A divisão do país ocorreu logo após o final da Segunda Guerra Mundial. Em 1948 dois governos se estabeleceram, um no norte, de feição comunista, e outro no sul, pró-capitalista. Em 1950, os norte coreanos tentaram unificar os dois governos a partir de uma atitude de força, invadindo militarmente o sul. A guerra se estendeu até 1953, deixando um saldo de mais de um milhão de mortos e um país realmente dividido, com ódios mútuos entre as regiões.
O que garantiu a divisão do país foi a interferência estrangeira. Sob o abrigo das Nações Unidas, os Estados Unidos lideraram uma ampla coalizão de forças que impediram a praticamente certa vitória militar do norte sobre o sul. Até o Brasil foi convidado a participar dessa coalizão, mas o presidente Vargas sábia e diplomaticamente negou o envio de tropas brasileiras para um cenário de guerra tão distante dos nossos interesses.
Não fosse, portanto, a intervenção estrangeira, motivada por questões ideológicas, a Coréia teria permanecido um país unificado, mesmo que sob regime dito comunista.
Não é à toa que os Estados Unidos dedicaram grande atenção para a região, se envolvendo diretamente na guerra. Vale lembrar que a China havia passado, na época, por um processo revolucionário que levou os comunistas ao poder. Alguns anos depois seria a vez da antiga Indochina entrar em efervescência revolucionária, ampliando ainda mais, mesmo que gradativamente, a presença norte-americana no contexto asiático.
Enfim, a questão coreana é complexa e quem mais sofre, como sempre, é o povo coreano. Certa vez conversei com um coreano e ele me observou, com a típica calma e paciência asiática, que o seu povo e o seu país tinham uma história de mais de cinco mil anos e que essa divisão, inevitavelmente, cederia aos fundamentos da civilização coreana, voltando o seu povo a ser um só. Pena que para isso uma geração inteira de coreanos tenha que pagar um preço tão alto.
Saiba mais sobre a participação das mulheres na política
Carlota Queiroz foi a primeira deputada federal eleita no Brasil.
Assista à aula em vídeo.


Lucas Kodama Seco, professor de história do Anglo, dá uma aula sobre a participação das mulheres na política.

A primeira mulher eleita deputada federal na história do Brasil, em 1933, foi Carlota Queiroz. Ao longo da segunda metade do século 20, a luta das mulheres por direitos e igualdade passa a ser maior.
No Brasil, a eleição de Dilma Roussef neste ano é um marco importante, independente de questões partidárias. Do ponto de vista histórico, a eleição dela tem um grande peso simbólico, segundo Kodama.

Confira aula completa em vídeo.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

domingo, 21 de novembro de 2010

Saiba mais sobre o governo de Itamar Franco na presidência da República




Itamar Franco era o vice-presidente no governo de Fernando Collor de Mello, mas depois de todas as lambanças feitas pelo "caçador de marajás", não teve jeito, veio o impeachment e aí o homem do topete assumiu a presidência.

O seu governo foi caracterizado pelo retorno ao passado, quando ele resolveu retomar a produção do "Fusca", carro que o presidente era fã de carteirinha. O objetivo da medida era gerar mais empregos na indústria automobilística e propiciar para a classe média a possibilidade de realizar um sonho de consumo com a aquisição de um carro novo. Bem, a verdade é que essa boa intenção acabou se mostrando um verdadeiro fracasso, visto que já havia no mercado brasileiro da época, carros mais baratos e bem mais resistentes.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Hoje é o Dia da Consciência Negra


Saiba mais sobre o município de União dos Palmares.
Zumbi dos Palmares e a comemoração do 20 de novembro

Documentário produzido pela TV Câmara sobre a escravidão africana e abordando também a trajetória de Zumbi dos Palmares.
Zumbi Dos Palmares - Edson Gomes

Zumbi dos Palmares nasceu no estado de Alagoas no ano de 1655. Foi um dos principais representantes da resistência negra à escravidão na época do Brasil Colonial. Foi líder do Quilombo dos Palmares, comunidade livre formada por escravos fugitivos das fazendas. O Quilombo dos Palmares estava localizado na região da Serra da Barriga, que, atualmente, faz parte do município de União dos Palmares (Alagoas). Na época em que Zumbi era líder, o Quilombo dos Palmares alcançou uma população de aproximadamente trinta mil habitantes. Nos quilombos, os negros viviam livres, de acordo com sua cultura, produzindo tudo o que precisavam para viver...
(Rickbaiano)

Intertexto entre telas de Debret e música de Clara Nunes


Obras de Debret com trilha sonora de Clara Nunes "O canto das três raças".


Canto Das Três Raças
Clara Nunes
Composição: Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro

Ninguém ouviu
Um soluçar de dor
No canto do Brasil

Um lamento triste
Sempre ecoou
Desde que o índio guerreiro
Foi pro cativeiro
E de lá cantou

Negro entoou
Um canto de revolta pelos ares
No Quilombo dos Palmares
Onde se refugiou

Fora a luta dos Inconfidentes
Pela quebra das correntes
Nada adiantou

E de guerra em paz
De paz em guerra
Todo o povo dessa terra
Quando pode cantar
Canta de dor

ô, ô, ô, ô, ô, ô
ô, ô, ô, ô, ô, ô

ô, ô, ô, ô, ô, ô
ô, ô, ô, ô, ô, ô

E ecoa noite e dia
É ensurdecedor
Ai, mas que agonia
O canto do trabalhador

Esse canto que devia
Ser um canto de alegria
Soa apenas
Como um soluçar de dor
Alunos aprendem na escola a valorizar a história e a cultura afro-brasileiras



Quinte mil novos professores estão sendo treinados pelo projeto 'A cor da cultura', que tem parceria da TV Globo e do Canal Futura.

Simulado de História - 4º Bimestre

CNDL - Colégio Notre Dame de Lourdes
Simulado de História - 4º Bimestre
Professor Edenilson Morais
PRIMEIRO ANO
1. (ENEM) Em 2008 foram comemorados os 200 anos da mudança da família real portuguesa para o Brasil, onde foi instalada a sede do reino. Uma sequência de eventos importantes ocorreu no período 1808-1821, durante os 13 anos em que D. João VI e a família real portuguesa permaneceram no Brasil.
Entre esses eventos, destacam-se os seguintes:
• Bahia — 1808: Parada do navio que trazia a família real portuguesa para o Brasil, sob a proteção da marinha britânica, fugindo de um possível ataque de Napoleão.
• Rio de Janeiro — 1808: desembarque da família real portuguesa na cidade onde residiriam durante sua permanência no Brasil.
• Salvador — 1808: D. João VI assina a carta régia de abertura dos portos ao comércio de todas as nações amigas, ato antecipadamente negociado com a Inglaterra em troca da escolta dada à esquadra portuguesa.
• Rio de Janeiro — 1816: D. João VI torna-se rei do Brasil e de Portugal, devido à morte de sua mãe, D. Maria I.
• Pernambuco — 1817: As tropas de D. João VI sufocam a revolução republicana.
GOMES, L. 1808: como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a história de Portugal e do Brasil. São Paulo: Editora Planeta, 2007 (adaptado).

Uma das consequências desses eventos foi
a) a decadência do império britânico, em razão do contrabando de produtos ingleses através dos portos brasileiros.
b) o fim do comércio de escravos no Brasil, porque a Inglaterra decretara, em 1806, a proibição do tráfico de escravos em seus domínios.
c) a conquista da região do rio da Prata em represália à aliança entre a Espanha e a França de Napoleão.
d) a abertura de estradas, que permitiu o rompimento do isolamento que vigorava entre as províncias do país, o que dificultava a comunicação antes de 1808.
e) o grande desenvolvimento econômico de Portugal após a vinda de D. João VI para o Brasil, uma vez que cessaram as despesas de manutenção do rei e de sua família.

2. (UFSM)


(TEIXEIRA, Francisco M. P. "Brasil História e Sociedade". São Paulo: Ática, 2000. p.162.)
O quadro Independência ou Morte, de Pedro Américo, concluído em 1888, é uma representação do 7 de setembro de 1822, quando o Brasil rompeu com Portugal. Essa representação enaltece o fato e enfatiza a bravura do herói D. Pedro, ocultando que
a) o fim do pacto colonial, decretado na Conjuração Baiana, conduziu à ruptura entre o Brasil e Portugal.
b) o processo de emancipação política iniciara com a instalação da Corte portuguesa no Brasil e que as medidas de D. João puseram fim ao monopólio metropolitano.
c) o Brasil continuara a ser uma extensão política e administrativa de Portugal, mesmo depois do 7 de setembro.
d) a Abertura dos Portos e a Revolução Pernambucana se constituíram nos únicos momentos decisivos da separação Brasil-Portugal.
e) a separação estava consumada, o processo estava completo, visto que havia, em todo o Brasil, uma forte adesão militar, popular e escravista à emancipação.



3. (PUC) Dentre as características da Carta Imperial de 1824, outorgada por D. Pedro I, NÃO está incluído ou incluída:
a) o voto universal e secreto.
b) o exercício do Poder Moderador pelo monarca.
c) a forma unitária do Estado.
d) o casamento apenas religioso, com efeitos civis.
e) a divisão do território nacional em Províncias.


4. (UFV) Dentre as diversas revoltas e insurreições que antecederam a abdicação de D. Pedro I em 1831, uma foi especialmente importante pelos ideais republicanos de seus líderes, entre os quais Frei Caneca. Outra característica desse movimento teria sido a proclamação da república em 1824, com a adoção da Constituição da Colômbia. O movimento foi duramente reprimido e Frei Caneca condenado à morte e fuzilado. O movimento em questão ficou conhecido como:
a) Inconfidência Mineira.
b) Confederação do Equador.
c) Questão Cisplatina.
d) Guerra dos Mascates.
e) Revolta dos Farrapos.


GABARITO
1. C
2. B
3. A
4. B


SEGUNDO ANO

1. (FGV) Vai minha tristeza/ E diz a ela que sem ela não pode ser/ Diz-lhe numa prece/ Que ela regresse/ Porque não posso mais sofrer/ Chega de saudade/ A realidade é que sem ela/ Não há paz/ Não há beleza/ É só tristeza e a melancolia/ Que não sai de mim/ Não sai de mim/ Não sai.” Chega de Saudade, Tom Jobim e Vinícius de Moraes
Esse é o trecho de uma das principais canções da bossa nova, gênero que renovou a música brasileira. Nessa época, vivia-se uma fase de otimismo no país.
Altos índices anuais de crescimento econômico, grandes obras públicas, estabelecimento de empresas estrangeiras, manutenção da estabilidade política pelo presidente eleito e significativas conquistas esportivas em competições internacionais eram características:
a) do governo do Garrastazu Médici e do chamado “Milagre Brasileiro”;
b) do governo de João Goulart e da implementação das “Reformas de Base”;
c) do governo de Getúlio Vargas e da política de substituição de importações;
d) do governo de Jânio Quadros e da desnacionalização da economia;
e) do governo de Juscelino Kubitschek e do chamado “Nacional Desenvolvimentismo”.

2. (UFF) Bossa-nova mesmo é ser presidente / Desta terra descoberta por Cabral / Para tanto basta ser tão simplesmente / Simpático, risonho, original. / Depois, desfrutar da maravilha / De ser o presidente do Brasil / Voar da "velhacap" pra Brasília / Ver o Alvorada e voar de volta ao Rio. / Voar, voar, voar, / Voar, voar pra bem distante / Até Versailles, onde duas mineirinhas / Valsinhas, dançam como debutantes / Interessante. / Mandar parente a jato pro dentista / Almoçar com o tenista campeão / Também pode ser um bom artista / Exclusivista / Tomando, com Dilermando, umas aulinhas de violão. / Isso é viver como se aprova / É ser um presidente bossa-nova / Bossa-nova / Muito nova / Nova mesmo / Ultra nova. (CHAVES, Juca. "Presidente Bossa-nova". ln: História da Música Popular Brasileira. SP, Abril Cultural, fascículo e LP n.o41) Esta letra de música deixa transparecer uma crítica política ao presidente Juscelino Kubitschek, bem como o clima de inovação que marcou a história do Brasil a partir da segunda metade dos anos 50. Assinale a opção que faz alusão a movimentos culturais brasileiros deste período.
a) A construção de Brasília representou a associação entre os ideais dos movimentos culturais brasileiros que tinham como inspiração a cultura americana do pós-guerra.
b) A euforia promovida pelo Plano de Metas, que prometia um crescimento de nossa economia na base de "50 anos em 5", favoreceu a emergência do movimento conhecido como "Jovem Guarda" liderado por Roberto Carlos.
c) A década de 50 abriu caminho para o desenvolvimento da música nordestina que se transformou, nos anos 60, em referência nacional.
d) O nacional-desenvolvimentismo deste período sepultou a cultura brasileira, mediante a imposição dos padrões culturais hollywoodianos.
e) O nacional-desenvolvimentismo vigente neste período originou manifestações culturais como o cinema novo, a bossa-nova e o teatro político.






3. (UERJ) Varre, varre, varre, varre, vassourinha. Varre, varre a bandalheira, Que o povo já está cansado De sofrer desta maneira. Jânio Quadros é a esperança deste povo abandonado. (Nosso Século. São Paulo: Abril Cultural, 1980.) Esse "jingle" acompanhou o candidato Jânio Quadros durante a sua campanha à presidência da República, em 1960. A letra sintetiza a seguinte política de resolução dos problemas da época:
a) a austeridade do governo e o controle dos gastos públicos conteriam a inflação e a corrupção oficial.
b) a disputa de mercados externos e a ideologia nacionalista aumentariam o superávit comercial e a geração de renda.
c) o atendimento à economia popular e à produção de alimentos baixariam o custo de vida e os gastos do governo.
d) a defesa dos interesses nacionais e a adoção de uma política externa independente gerariam emprego e novas possibilidades econômicas.

4. (UFPEL)



A charge demonstra que a conjuntura política de 1962 favorecia a João Goulart
a) antecipar a implantação do seu projeto parlamentarista.
b) reduzir a força do Poder Executivo, que lhe fazia oposição.
c) promover o retorno do presidencialismo (efetivado com o plebiscito de 1963).
d) derrubar as Reformas de Base, propostas pelo Parlamentarismo.
e) fechar o Congresso Nacional e governar por decretos.

5. (UFSM)


BRENER, J. Jornal do Século XX. São Paulo: Moderna, 1998, p. 229. A charge, uma crítica ao golpe militar no Brasil em 1964, pode ser interpretada da seguinte maneira:
a) As manifestações populares foram vitoriosas, e o governo militar não teve controle sobre os movimentos de massa.
b) As reivindicações eram representativas dos interesses dos grupos populares e dos setores industriais emergentes.
c) Os militares, através das organizações partidárias, tiveram controle sobre os movimentos dos trabalhadores.
d) Os militares, através de imposição repressiva, tiveram de enfrentar a organização de diversos grupos populares.
e) As reivindicações populares representavam os interesses do capital estrangeiro.

GABARITO
1. E
2. E
3. A
4. C
5. D

Café atrai imigrante europeu para o Brasil

Café atrai imigrante europeu para o Brasil
Por Eliane Yambanis Obersteiner*
Especial para a Folha
A exclusão do negro do mundo do trabalho assalariado, que se inaugura oficialmente no Brasil ao final do século 19, motivada predominantemente por uma visão racista, abre a possibilidade de imigrantes ocuparem as funções até então realizadas por escravos na lavoura cafeeira.

O imigrante que vem para cá nesse período, pressionado pelo empobrecimento provocado pelo desenvolvimento do sistema capitalista europeu, vê aqui a chance de reverter esse quadro, com a possibilidade de se tornar, com o tempo, um pequeno proprietário rural.
No entanto, a precariedade de sua situação e o endividamento contraído com o latifundiário, que financia a passagem de vinda, torna o imigrante subalterno.

Despreparado para lidar com a realidade do trabalho assalariado, o latifundiário, habituado com os mecanismos escravocratas de coerção, criará formas de prender o imigrante através do endividamento, obrigando-o inclusive a comprar víveres na mercearia de sua propriedade.
Esse tipo de mecanismo denota a coexistência de formas capitalistas e de semi-servidão no Brasil, nas portas de entrada do século 20.

Cabe lembrar que, apesar da visão eurocêntrica, que exclui o negro e opta pelo imigrante europeu, prevalece um grande preconceito referente ao trabalho braçal, desde os primórdios da colonização, levando o latifundiário, muitas vezes, a desconsiderar a condição de homem livre que caracteriza o imigrante, inclusive colocando-o sob vigilância.
Mesmo aqueles imigrantes que se dirigem diretamente para a zona urbana e, portanto, não se defrontam com os mecanismos da sociedade agrária e patriarcal, não irão encontrar condições de vida favoráveis.
O processo de urbanização e industrialização nesse período é gradual, e a formação de um operariado urbano, uma novidade econômica e social.
Não há no Brasil legislação específica que permeie as relações capital-trabalho até os anos 30, o que determinará a sujeição do trabalhador aos donos do capital, seja este agrário ou urbano, definindo assim a precariedade das condições em que viverá a maior parte dos imigrantes nesse período.
*Eliane Yambanis Obersteiner é professora de história do Colégio Equipe

Museu em São João de Meriti vai homenagear o Almirante Negro


João Cândido Felisberto viveu na humilde casa no Parque Alian, na Baixada Fluminense. Ele liderou o movimento conhecido como Revolta da Chibata. A previsão é que o museu fique pronto em 2012.
Independência da América Espanhola pode ser tema de vestibular
A aula de História relembra o processo de independência dos países da América Espanhola, que completa 200 anos. O Memorial da América Latina é uma homenagem à data.
A música caipira nas aulas de história

A história do Brasil através da música sertaneja. A sina do caboclo na cidade grande, canção enfoca o problema do êxodo rural característico da década de 1980.

A música caipira nas aulas de História


Dino Franco e Mouraí
Caboclo na cidade
Composição: Dino Franco e Nhô Chico

Seu moço eu já fui roceiro
No triângulo mineiro
Onde eu tinha o meu ranchinho.

Eu tinha uma vida boa
Com a Isabel minha patroa
E quatro barrigudinhos.

Eu tinha dois boi carreiros
Muito porco no chiqueiro
E um cavalo bom, arriado.

Espingarda cartucheira
Quatorze vaca leiteira
E um arrozal no banhado.

Na cidade eu só ia
A cada quinze ou vinte dias
Para vender queijo na feira.

E no demais estava folgado
Todo dia era feriado, pescava a semana inteira.

Muita gente assim me diz
Que não tem mesmo raíz
Essa tal felicidade

Então aconteceu isso
Resolvi vender o sítio
Pra vir morar na cidade.

Minha filha Sebastiana
Que sempre foi tão bacana
Me dá pena da coitada.

Namorou um cabeludo
Que dizia Ter de tudo
Mas foi ver não tinha nada.

Se mandou para outras bandas
Ninguém sabe onde ele anda
E a filha está abandonada.

Como dói meu coração
Ver a sua situação
Nem solteira e nem casada.

Até mesmo a minha velha
Já está mudando de idéia
tem que ver como passeia.

Vai tomar banho de praia
Está usando mini-saia
E arrancando a sombrancelha.

Nem comigo se incomoda
Quer saber de andar na moda
Com as unhas todas vermelhas.

Depois que ficou madura
Começou a usar pintura
Credo em cruz que coisa feia.

Voltar "pra" Minas Gerais
Sei que agora não dá mais
Acabou o meu dinheiro.

Que saudade da palhoça
Eu sonho com a minha roça
No triângulo mineiro.

Nem sei como se deu isso
Quando eu vendi o sítio
Para vir morar na cidade.

Seu moço naquele dia
Eu vendi minha família
E a minha felicidade!


A música caipira nas aulas de História


Tião Carreiro e Pardinho
Pagode em Brasília

Quem tem mulher que namora
quem tem burro impacador

quem tem a roça no mato me chame
que jeito eu dou
eu tiro a roça do mato sua lavoura melhora
e o burro impacador eu corto ele de espora
e a mulher namoradeira eu passo o coro e mando embora

Tem prisioneiro inocente no fundo de uma prisão
tem muita sogra increnqueira e tem violeiro embruião
pro prisioneiro inocente eu arranjo adevogado
e a sogra increnqueira eu dou de laço dobrado
e os violeiro embruião com meus versos estão quebrado

Bahia deu Rui Barbosa
Rio Grande deu Getúlio
Em minas deu Juscelino
de São Paulo eu me orgulho
baiano não nasce burro e gauch é o rei das cochilhas
Paulista ninguém contesta é um brasileiro que brilha
Quero ver cabra de peito pra fazer outra Brasília

No Estado de Goiás meu pagode está mandando
No Bazar do Vardomiro em Brasília é o soberano
No repique da viola balancei o chão goiano
Vou fazer a retirada e despedir dos paulistano
Adeus que eu já vou me embora que Goiás tá me chamando

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Segundo Ano - CNDL
Quarto Bimestre - História do Brasil
Colégio Notre Dame de Lourdes
Coleção Pitágoras
Unidade - O Período Populista
Capítulo 3 - De Juscelino a Goulart

Saiba mais sobre o governo Jango (1961-1964)


Nesta tele aula veremos como funcionou o parlamentarismo no seu curto período de existência, veremos ainda que a implantação do parlamentarismo e as tentativas de superar a crise política não foram suficientes para impedir a crescente radicalização dos grupos políticos e sociais e que essa radicalização acabou levando à derrubada do presidente João Goulart, em 1964.
Entenda o processo que levou ao golpe militar de 1964

Neste video são abordados os fatores que contribuíram para a derrubada do presidente João Goulart. A discussão em torno das Reformas de Base e a oposição de grupos conservadores e das forças armadas.
Segundo Ano - CNDL
Quarto Bimestre - História do Brasil
Colégio Notre Dame de Lourdes
Coleção Pitágoras
Unidade - O Período Populista
Capítulo 3 - De Juscelino a Goulart

Propaganda eleitoral do candidato Jânio Quadros na TV


Conheça os aspectos principais da presidência de Jânio Quadros





O professor de História Ulisses Aron apresenta nesta videoaula uma abordagem sobre as principais características do período populista, além da campanha eleitoral de Jânio Quadros e sua breve administração presidencial.

sábado, 13 de novembro de 2010

Segundo Ano - CNDL
Quarto Bimestre - História do Brasil
Colégio Notre Dame de Lourdes
Coleção Pitágoras
Unidade - O Período Populista
Capítulo 3 - De Juscelino a Goulart

Da esperança à repressão: o golpe de 64


Saiba o que as consequências da renúncia de Jânio Quadros trouxe para a nossa história, e como foi o período parlamentarista no Brasil, que teve como presidente João Goulart. Entenda o golpe militar de abril de 1964.
Segundo Ano - CNDL
Quarto Bimestre - História do Brasil
Colégio Notre Dame de Lourdes
Coleção Pitágoras
Unidade - O Período Populista
Capítulo 3 - De Juscelino a Goulart

Saiba mais sobre o governo de Juscelino Kubistchek




O professor de história Igor Vieira fala sobre o período considerado Anos Dourados, que foram marcados pela estabilidade política e pelo Plano de Metas.
Segundo Ano - CNDL
Quarto Bimestre - História do Brasil
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Unidade - O Período Populista
Capítulo 3 - De Juscelino a Goulart

Saiba mais sobre o polêmico período de governo Jânio Quadros





Governo Jânio Quadros (1961)
Mandato polêmico de sete meses

Na eleição presidencial de 1960, a vitória coube a Jânio Quadros, candidato da União Democrática Nacional (UDN). Naquela época, as regras eleitorais estabeleciam chapas independentes para a candidatura a vice-presidente, por esse motivo, João Goulart, do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) foi reeleito.

A gestão de Jânio Quadros na presidência da República foi breve, durou sete meses e encerrou-se com a renúncia. Neste curto período, Jânio Quadros praticou uma política econômica e uma política externa que desagradou profundamente os políticos que o apoiavam, setores das Forças Armadas e outros segmentos sociais.

A renúncia de Jânio Quadros desencadeou uma crise institucional sem precedentes na história republicana do país, porque a posse do vice-presidente João Goulart não foi aceita pelos ministros militares e pelas classes dominantes.


A crise política
O governo de Jânio Quadros perdeu sua base de apoio político e social a partir do momento em que adotou uma política econômica austera e uma política externa independente. Na área econômica, o governo se deparou com uma crise financeira aguda devido a intensa inflação, déficit da balança comercial e crescimento da dívida externa. O governo adotou medidas drásticas, restringindo o crédito, congelando os salários e incentivando as exportações.

Mas foi na área da política externa que o presidente Jânio Quadros acirrou os animos da oposição ao seu governo. Jânio nomeou para o ministério das Relações Exteriores Afonso Arinos, que se encarregou de alterar radicalmente os rumos da política externa brasileira. O Brasil começou a se aproximar dos países socialistas. O governo brasileiro restabeleceu relações diplomáticas com a União Soviética (URSS).

As atitudes menores também tiveram grande impacto, como as condecorações oferecidas pessoalmente por Jânio ao guerrilheiro revolucionário Ernesto "Che" Guevara (condecorado com a Ordem do Cruzeiro do Sul) e ao cosmonáuta soviético Yuri Gagarin, além da vinda ao Brasil do ditador cubano Fidel Castro.


Independência e isolamento
De acordo com estudiosos do período, o presidente Jânio Quadros esperava que a política externa de seu governo se traduzisse na ampliação do mercado consumidor externo dos produtos brasileiros, por meio de acordos diplomáticos e comerciais.

Porém, a condução da política externa independente desagradou o governo norte-americano e, internamente, recebeu pesadas críticas do partido a que Jânio estava vinculado, a UDN, sofrendo também veemente oposição das elites conservadoras e dos militares.

Ao completar sete meses de mandato presidencial, o governo de Jânio Quadros ficou isolado politica e socialmente. Jânio Quadros renunciou a 25 de agosto de 1961.


Política teatral
Especula-se que a renúncia foi mais um dos atos espetaculares característicos do estilo de Jânio. Com ela, o presidente petenderia causar uma grande comoção popular, e o Congresso seria forçado a pedir seu retorno ao governo, o que lhe daria grandes poderes sobre o Legislativo. Não foi o que aconteceu, porém. A renúncia foi aceita e a população se manteve indiferente.

Vale lembrar que as atitudes teatrais eram usadas politicamente por Jânio antes mesmo de chegar à presidência. Em comícios, ele jogava pó sobre os ombros para simular caspa, de modo a parecer um "homem do povo". Também tirava do bolso sanduíches de mortadela e os comia em público. No poder, proibiu as brigas de galo e o uso de lança-perfume, criando polêmicas com questões menores, que o mantinham sempre em evidência, como um presidente preocupado com o dia-a-dia do brasileiro.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Segundo Ano - CNDL
Quarto Bimestre - História do Brasil
Colégio Notre Dame de Lourdes
Coleção Pitágoras
Unidade - O Período Populista
Capítulo 3 - De Juscelino a Goulart

Problematização do tema

O Governo JK

O governo JK, apesar de enfrentar algumas crises, foi um dos períodos mais tranqüilos da história do Brasil. Juscelino foi um dos poucos presidentes da República, eleito pela via direta, que cumpriu integralmente seu mandato.
Com a morte de Getúlio, assumiu o governo o vice-presidente Café Filho. A eleição presidencial, marcada para 1955, foi mantida, apesar da oposição da UDN.
Nas eleições, saíram vitoriosos Juscelino Kubitschek para presidente, candidato da coligação PSD-PTB, com 36% dos votos e, para vice-presidente, João Goulart, do PTB. Apresentados os resultados das eleições, a golpista UDN tentou impedir a posse de Juscelino e Goulart, alegando que os mesmos não haviam obtido a maioria dos votos exigidos pela Constituição, além de denunciar que a vitória da coligação PSD-PTB havia sido fruto da corrupção eleitoral. O que acontecia, na verdade, era que a UDN não aceitava a vitória de João Goulart, herdeiro de Vargas e, por isso, incitava as Forças Armadas a darem um golpe para impedir a posse dos eleitos.
Em novembro de 1955, o presidente Café Filho ficou doente e foi substituído pelo presidente da Câmara, Carlos Luz, favorável ao golpe defendido pela UDN. Entretanto, o general Lott, Ministro da Exército, na defesa da obediência à Constituição, afastou Carlos Luz da presidência, impediu a volta de Café Filho e empossou no cargo o presidente do Senado, Nereu Ramos. A situação foi contornada até que os eleitos tomassem posse em seus respectivos cargos.
Imediatamente após a posse, oficiais da Aeronáutica rebelaram-se, com o apoio da UDN. JK, com sua conhecida habilidade política, anistiou todos aqueles que haviam conspirado contra o governo, abortando o conflito em seu início. Além disso, Juscelino praticou uma política da boa vizinhança com o Exército, aliando-se ao General Lott e colocando militares em cargos importantes da administração pública.

A oposição udenista a JK acabou neutralizando as oposições mais duras ao seu governo. Entretanto, Juscelino enfrentou greves de trabalhadores, o surgimento das Ligas Camponesas, organização dos camponeses que defendiam a reforma agrária, e índices inflacionários crescentes. Como bom populista, JK compensava a crescente inflação com constantes reajustes salariais, conseguindo o apoio dos trabalhadores urbanos.
Pense sobre o que você acabou de ler e discuta:
1. Quais as razões de, novamente, a UDN tentar impedir a posse de um presidente da República, desta vez JK?
A UDN tentou impedir a posse de Juscelino e Goulart, sob a alegação de que os mesmos não haviam obtido a maioria dos votos exigidos pela Constituição, além de denunciar que a vitória da coligação PSD-PTB havia sido fruto da corrupção eleitoral. O que acontecia, na verdade, era que a UDN não aceitava a vitória de João Goulart, herdeiro de Vargas e, por isso, incitava as Forças Armadas a darem um golpe para impedir a posse dos eleitos.
2. Quais as características de Juscelino que lhe permitiram enfrentar com sucesso as crises do ínicio do seu governo?
Juscelino conseguiu enfrentar com sucesso as crises do ínicio de seu governo graças a sua conhecida habilidade política, anistiando os militares envolvidos na conspiração contra o governo, estabelecendo uma política de boa vizinhança com o Exército, e ainda, colocando militares em cargos estratégicos da administração pública.
3. Apesar da tranquilidade do governo JK, após as crises iniciais, Juscelino enfrentou problemas sociais no seu mandato. Quais foram eles?
Entre os problemas sociais enfrentados por JK estão as greves trabalhistas, o surgmento das Ligas Camponesas lutando pela reforma agrária e os crescentes índices inflacionários.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Primeiro Ano - CNDL
Quarto Bimestre - História do Brasil
Colégio Notre Dame de Lourdes
Coleção Pitágoras
Unidade - Das conjurações à abdicação de D. Pedro I
Capítulo 3
Os caminhos da política imperial brasileira: a formação do Estado Imperial brasileiro (1822-1831)

Veja esta charge animada com dois grandes personagens de nossa história

Já imaginaram se Lula fosse conselheiro de Dom Pedro nos tempos do Brasil Império?!
Primeiro Ano - CNDL
Quarto Bimestre - História do Brasil
Colégio Notre Dame de Lourdes
Coleção Pitágoras
Unidade - Das conjurações à abdicação de D. Pedro I
Capítulo 3
Os caminhos da política imperial brasileira: a formação do Estado Imperial brasileiro (1822-1831)
Saiba mais sobre a abdicação e o início do Período Regencial


O professor de História Edenilson Morais faz uma abordagem sobre o processo que levou à abdicação de D. Pedro I, em 1831 e ainda comenta alguns aspectos relevantes do período histórico denominado de Regências (1831-1840). Confira a aula em video.

A Reforma do Conselho de Segurança

Pio Penna Filho*
Professor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB) e Pesquisador do CNPq. E-mail: piopenna@gmail.com

Em recente visita à Índia o presidente Barack Obama retomou, mesmo que de forma superficial, um importante tema da política internacional contemporânea, qual seja: a discussão sobre a reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Esse assunto interessa diretamente ao Brasil, uma vez que somos candidatos a uma vaga como membro permanente do Conselho.

O Conselho de Segurança tem um considerável poder nos assuntos internacionais. Na estrutura das Nações Unidas, o Conselho é a instância superior que delibera sobre assuntos relativos à segurança internacional contando, para tanto, com diversos instrumentos coercitivos contra os Estados que estejam quebrando as regras de convívio determinadas pela comunidade internacional.

Atualmente existem cinco países que são membros permanentes do Conselho. No total, são quinze os membros, sendo que dez possuem mandatos temporários e tem um poder de decisão mais restrito do que os cinco permanentes. Esses cinco (Estados Unidos, China, França, Inglaterra e Rússia) podem vetar pautas contrárias aos seus interesses e acabam definindo as agendas mais importantes, daí o seu poder superior com relação aos demais.

Entre os fortes candidatos a entrarem como membros permanentes numa eventual reforma do Conselho de Segurança figuram os seguintes países: Brasil, Índia, Japão, Alemanha e África do Sul. Mas não há consenso em torno dessa lista.

Na América do Sul, por exemplo, ainda se verificam algumas resistências contra a admissão do Brasil, sobretudo na Argentina. No continente africano, outros candidatos também lembrados são a Nigéria e o Egito, sendo que este último poderia exercer, simultaneamente,o papel de membro africano e uma espécie de representante do Oriente Médio.

No contexto asiático as divergências são maiores. Não interessa tanto à China ter que compartilhar o papel de membro permanente com dois outros “representantes” regionais. Assim, as candidaturas da Índia e do Japão enfrentam maiores resistências. No caso da Índia há que se levar em conta que a sua candidatura também desagrada ao Paquistão, potência nuclear que rivaliza em vários campos com os indianos.

Mesmo na Europa não há consenso em torno da Alemanha. A Itália, por exemplo, tem uma visão distinta sobre a reforma do Conselho. Para os italianos, que seguem uma posição que desagrada a boa parte dos europeus, o assento permanente deveria ser da União Européia, e não desse ou daquele Estado.

Embora exista a compreensão de que uma reforma do Conselho de Segurança seja necessária, não há consenso em torno de como realizar essa reforma. O assunto, portanto, ainda será discutido durante muitos anos, principalmente porque se trata de matéria envolvendo a redistribuição do poder entre os Estados e, nesse campo, ninguém deseja perder poder ou mesmo compartilhar o poder.