Somente em 1850 o governo brasileiro aprovou e assinou a Lei Eusébio de Queirós, que proibiu definitivamente a importação de escravos africanos para o Brasil. Mesmo depois de aprovada a Lei Eusébio de Queirós, ainda entraram no Brasil alguns escravos traficados, mas muito poucos se comparado ao período anterior.
Eusébio de Queirós (1812-1868) , político brasileiro do século XIX, a lei que proibia o tráfico intercontinental de escravos para o Brasil levava o seu nome.
Confira o Navio Negreiro na voz de Caetano Veloso
O Navio negreiro de Castro Alves, juntamente com o fillme Amistad, ao som de Caetano Veloso.
Resposta: Examinando o quadro e o gráfico, pode-se observar que, apesar de um número menor de escravos importados no ano da edição do Bill Aberdeen, nos anos seguintes o número volta a crescer, demonstrando que a Marinha Britânica não estava aprisionando os navios negreiros. A diminuição efetiva do número de escravos importados se deu com a Lei Eusébio de Queirós, que proibiu definitivamente o tráfico negreiro para o Brasil.
Foram inúmeros os episódios de escravos crioulos vindos do Nordeste - através do tráfico provincial - que se negavam a serem vendidos, trocarem de senhor e trabalharem nas lavouras cafeeiras. Intentavam fugas e provocavam mesmo insubordinação. Com as fugas, as comunidades escravas não só se reorganizavam como também negociavam melhores condições de vida e de trabalho. Com relação ao tráfico interprovincial nos anos 1850 e 1860 para abastecer de cativos várias áreas do Sudeste escravista, é também importante pensar um processo de formação de identidades. Não necessariamente um estrangeiro, mas alguém que tinha de integrar-se e/ou forjar comunidades, os escravos crioulos vindos do Norre - sua presença, direitos costumeiros, experiência de escravidão e nas relações senhor-escravo - ajudavam a redefinir as diversas e complexas comunidades escravas no Sudeste. Rapidamente, juntavam-se aos africanos desembarcados 10 a 15 anos antes. Os ritmos das aproximações e distanciamentos entre africanos e crioulos neste processo eram tão complexos como aqueles só entre africanos.
Resposta: A convivência dos escravos crioulos vindos do Norte - seus hábitos, direitos costumeiros, experiências de escravidão e nas relações senhor-escravo - com os africanos desembarcados 10 ou 15 anos antes no Brasil permitiu a reinvenção de identidades, linguagens, culturas e memórias sociais entre croulos e africanos.
Resposta: Analise a imagem com os alunos, procurando destacar o tratamento dado à Princesa Isabel e discuta o imaginário construído em torno dela.
Entre os negros africanos e seus descendentes, a figura da Princesa se revestiu, por décadas, de um significado muitas vezes incompreendido até mesmo pelos monarquistas destronados. Meses antes da queda do império, o republicano Rui Barbosa comentava indignado o fenômeno. Inconformado com as manifestações de gratidão que os negros devotavam à Princesa Isabel, ele só encontrava uma explicação para o fato: eles não sabiam como desfrutar a liberdade alcançada. Encarava essa devoção com mau uso da condição adquirida. Via essas atitudes e comemorações como expressões de servilismo e subserviência. Nas palavras do jurista e político, publicadas no Diário de Notícias, de 19 de março de 1889, "ao manipanso [ídolo africano] grotesco das senzalas, próprio para a gente da África, sucedida o feiticismo da idolatria áulica, digna de uma nação de libertos inconscientes". De acordo com a apreciação de Rui, os negros estariam dando continuidade aos costume de adorar ídolos. Considerava-os inconsientes devido a sua herança e costumes selvagens. Se por um lado estava certo em considerar a atitude dos negros uma continuidade, por outro não se dava conta de que, ao comemorarem a Abolição, saudando e enaltecendo a princesa, estavam expressando sua concepção de realeza tal como a entendiam na África. Não se tratava de uma má assimilação da ideia de liberdade, mas de uma maneira diversa de compreender e comemorar essa conquista. Invertendo-se o olhar, a insconciência não vinha dos negros, mas do próprio Rui, que não conhecia nem compreendia os meandros da cultura africana.
DAIBERT JR, Robert. Sob o manto de Isabel. Revista Nossa História. Rio de Janeiro: Biblioteca Nacional, nº12, out. 2004. p. 31-2.
Resposta: Rui Barbosa acreditava que o culto dos negros à Princesa Isabel estava intimamente ligado ao seu costume selvagem de adorar ídolos. Ele não conseguia compreender, por não conhecer os meandros da cultura africana, que, ao comemorarem a Abolição, saudando e enaltecendo a Princesa Isabel, estavam expressando sua concepção de realeza tal como a entendiam na África. Não se tratava, como acreditava Rui, de um má assimilação da ideia de liberdade, mas de uma maneira diversa de compreender e comemorar sua conquista.
Isabel Cristina Augusta Miguela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bragança e Bourbon, a princesa Isabel (1846-1921), herdeira do trono de D. Pedro II, passou à história como a "libertadora" dos escravos, fascínio dos monarquistas de ondem e de sempre e terror dos republicanos de primeira hora, que penaram para dissociar a sua imagem dinástica da abolição do escravismo em 1888.
"Ela foi uma mulher do século XIX, marcada por uma visão católica reacionária-aristocrática que, de alguma forma, contribuiu para a modificação do cenário imperial brasileiro. Não foi tão abnegadamente altruísta em sua política, nem tão responsável pela farsa de uma abolição incompleta da miséria, nem tão imobilizada pelas estruturas patriarcais machistas, nem tão rebelde e revolucionária. Ela sempre buscou pavimentar o caminho para o trono por meio do que chamei de 'política do coração'", explica Robert Daibert, autor da tese de doutorado Princesa Isabel: a "política do coração" entre o trono e o altar [...] "Sua luta antiescravista é a ponta do iceberg, cujas bases giravam ao redor de um abolicionismo católico, afinado com a visão do papa e dos bispos. Ou seja, estavam baseadas em um abolicionismo redentor, doador da liberdade, previdente, previsível, pacífico. E, acima de tudo, esse abolicionismo deveria garantir a formação de libertos ordeiros, catolicamente civilizados e fiéis à Igreja e à sua concepção de sociedade e política", analisa.
HAAG, Carlos. Uma "Redentora" em busca de redenção. A polêmica "política do coração" da princesa Isabel. Pesquisa FAPESP. nº 152. out. 2008. p. 85.
