No século XX, dando continuidade a uma longa trajetória de lutas, o movimento negro brasileiro se fundamentou de forma coletiva para enfrentar preconceitos e discriminações e defender suas convicções. Um dos marcos significativos dessa luta foi a instituição, no ano de 1931, da Frente Negra Brasileira, que, posteriormente, foi colocada na ilegalidade pela ditadura do Estado Novo. Mais tarde, em 1944, surgiu o Teatro Experimental do Negro, dirigido por Abdias Nascimento.
Abdias Nascimento sendo homenageado pelo presidente Lula.
Essa entidade passou a editar o jornal Quilombo, cujo primeiro exemplar circulou em 8 de dezembro de 1948.
Em 1950, realizoou-se o I Congresso Negro Brasileiro. Esse movimento cresceu nos anos seguintes, ganhando destaque a formação da Associação Cultural do Negro (1954), em São Paulo.
O movimento enfraqueceu-se em 1964, para ter novo crescimento após 1975, ainda sob o regime militar, com a difusão de entidades negras como o Instituto Brasileiro de Estudos Africanistas, o Centro de Cultura e Arte Negra, o Instituto de Pesquisas das Culturas Negras e muitos outros. Essas entidades tinham como inspiração os movimentos dos Estados Unidos pelos direitos civis e a independência de Angola, Moçambique, Cabo Verde e Guiné-Bissau.
Em 1978, surgiu o Movimento Negro Unificado, que passou a coordenar em todo o país outras entidades que surgiam. A partir de 1982, com a posse dos primeiros governadores eleitos democraticamente, em alguns estados, a exemplo de São Paulo, foram criados Conselhos de Cultura e da Comunidade Negra, exemplo que foi seguido pelo governo federal em 1985.
fonte: CAMPOS, Flávio de et alli, Ritmos da História 9° ano, 3ª ed. São Paulo:Ed. Escala Educacional, 2009 (Coleção Ritmos da História) pp.268-9.
A seguir temos importantes canções para se trabalhar a questão do negro na História do Brasil. A primeira, "Vida de Negro" foi composta por Dorival Caymmi e fez parte da trilha sonora da novela "A escrava Isaura" que fez bastante sucesso no Brasil e posteriormente em dezenas de países mundo à fora. Apesar de essa novela ter mostrado a imagem do negro escravizado, na maioria das vezes, subserviente e passivo ante a imposição da escravidão e de colocar a abolição do trabalho escravo como uma benésse da Princesa Isabel e destacar apenas a participação de abolicionista brancos, é possível se traçar um paralelo com as releituras que se faz no presente sobre a processo histórico da resistência dos escravos ao longo da História do Brasil. O mais importante aqui é destacar o papel do negro em nossa história, os diversos movimentos de resistência empreendidos, a atuação das irmandades religiosas, os quilombos, o movimento abolicionista, as insurreições que contaram com expressiva participação dos negros, as lutas no pós-abolição, etc.
Dorival Caymmi
Vida de Negro
Vida de negro é difícil, é difícil com quê
Vida de negro é difícil, é difícil com quê
Eu quero morrer de noite na tocaia me matar
Eu quero morrer de açoite se tu negra me deixar
Vida de negro é difícil, é difícil com quê
Vida de negro é difícil, é difícil com quê
Meu amor eu vou me embora nessa terra vou morrer
O dia não vou mais ver nunca mais eu vou viver
Vida de negro é difícil, é difícil com quê
Vida de negro é difícil, é difícil com quê
Lê Lê Lê Lê Lê Lê Lê Lê Lê Lê
Lê Lê Lê Lê Lê Lê Lê Lê Lê Lê
A segunda canção é mais recente, "Sou negrão" é um hino de evocação ao orgulho de ser negro, é um grande estímulo para a alma e auto-estima dos negros brasileiros, demonstrando os objetivos do negros no Brasil e reclamando um maior espaço para essa camada da população em todos os setores da sociedade brasileira. Ao longo da letra da música composta por Rappin' Hood são mencionados os nomes de grandes personalidades negras do Brasil e do exterior, que se destacaram por lutar pelos seus objetivos e pelos interesses de seus irmãos como um todo e que conseguiram alcançar suas metas, provando assim o valor de sua gente, servindo de exemplo para iniciativas similares.
Sou Negrão Rappin Hood
Subi o morro pra cantar (o rap ahh, o rap ahh)
Que é pra malando se ligar (o rap ahh, o rap ahh)
Que malandragem é trabalhar (o rap ahh, o rap ahh)
E a pivetada estudar Não tenho toda malandragem de Bezerra da Silva
Nem o canto refinado de Paulinho da Viola
Sou só mais um neguinho pelas ruas da vida
Que quer se divertir, fazer um som e jogar bola
Rappin Hood sou, hã, sujeito homem
Se eu tô com o microfone é tudo no meu nome
Sou Possemente Zulu, se liga no som
Sou negrão, certo sangue bom
20 de novembro temos que repensar
A liberdade do negro, tanto teve de lutar
O negro não é marginal, não é perigo
Negro ser humano, só quer ter amigo
Na antiga era o funk, agora é o rap
Vem puxando o movimento com o negro de talento
O negro é bonito quando está sorrindo
Como versou Jorge Ben, o negro é lindo E é por causa disso tudo que estamos aqui
Se falam mal do negro, eu não tô nem a
Pois já briguei muito, já falei demais
Mas o que o negro quer agora realmente é a paz
Andar na rua no maior sossego
Constituir família, ter o seu emprego
Como Grande Othelo, João do Pulo, BB King e o Blues
Raul de Souza, Milles Davis, improviso no jazz
Pixinguinha e Cartola, velha guarda do samba
Luiz Melodia e Milton Nascimento, dois bambas
Vieram os metralhas como rap abolição
Falando do negro e de sua opinião
Pois, muitos negros já percorreram a trilha do sucesso
Jackson do Pandeiro, Candeia e Aniceto
Kizomba, Festa da Raça com Martinho e a Vila
No ano do centenário, grande maravilha
E a rainha do samba, Clementina de Jesus
Que já partiu pra melhor mas Quelé divina luz E no futebol, temos rei Pelé
Garrincha de pernas tortas num perfeito balé Sou negrão, hei Sou negrão, hou
Luiz Gonzaga era preto, era o rei do baião
Jair Rodrigues disparou no festival da canção
Dener com a bola, mais que um dom
Preto quer trabalhar, não quer meter um oitão
Futuro, presente, passado, realmente jogados
Fizemos a história, perdemos a memória
Temos nosso valor, temos nosso valor
Bob Marley, paz e amor
Diamante negro do gol de bicicleta
Leônidas da Silva, craque da época
O Malcom X daqui, Zumbi temos que exaltar
Em Palmares teve muito que lutar
Martin Luther King com a sua teoria
Estados Unidos o movimento explodia
Apartheid, um por todos e todos por um
Nelson Mandela sem problema nenhum Sou Negrão, hei
Sou Negrão, hou Ivo Meirelles, Jamelão e aí Mangueira
Luta marcial, jogar capoeira
Negra mulher, preta Dandara
Leci Brandão, Jovelina, Ivone Lara
Cabelo rasta, dança afoxé
Anastácia e Benedita, muito axé
Djavan e o seu som genial
O rei do balanço, mestre James Brown
Também falando de maninhos que não aceitam revide
Aqui vai o meu alô pra Dj Hum e Thaíde
E a reunião da grande massa black
Acontece aqui, nos versos do samba-rap
Na intenção de ver um dia o negro sorrindo
Gilberto Gil, Tim Maia, os símbolos
Não esquecendo de falar de Sandra de Sá
Com os seus olhos coloridos fez a massa balançar Sou negrão, hei Sou negrão, hou DMN decretou o que todos têm medo É 4P, poder para o povo preto
Não o poder do dinheiro, não a corrupção
Sim o poder do som, Revolusom
Como um solo de Hendrix faz você viajar
Coisa de preto mano, pode chegar
Brother vem dançar porque a dança começou
Vindo do Fundo de Quital
Mente Zulu chegou e ese é o recado que acabamos de mandar
Pra toda raça negra escutar e agitar
Portanto honre sua raça, honre sua cor
Não tenha medo de falar, fale com muito amor Sou negrão, hei Sou negrão,
Com o fim da bipolarização mundial entre os blocos capitalista, liderado pelos Estados Unidos, e socialista, capitaneado pela União Soviética, foi instalada uma nova ordem mundial multipolar.
Caricatura alusiva à Guerra Fria.
Agora, o grande problema na agenda global são as diferenças entre os países do Sul - subdesenvolvidos e em desenvolvimento - e os desenvolvidos países do Norte. Além disso, a bipolarização, entre socialismo e capitalismo, foi substiutuída por tensões de ordem étnica, pela luta das minorias pelo reconhecimento de seus direitos, da sua identidade e da sua soberania.
nova ordem mundial
Segundo alguns estudiosos, o mundo pós-Guerra Fria seria, a bem da verdade, uma "desordem mundial", um verdadeiro caos, no sentido da ausência de regulação, do predomínio de um mercado instável, da multiplicação de conflitos, mafias, gangues, criminalidade e exclusões de todos os tipos.
Cartaz sobre a Globalização que traz os dizeres: "Eles conspiram sob portas fechadas para criar uma nova ordem mundial".
ATIVIDADES SOBRE A NOVA ORDEM MUNDIAL
1. Proponha aos alunos que ouçam a música "Fora da Ordem" , de Caetano Veloso, e analisem, coletivamente, a letra da música.
Obs.: essa atividade é mais indicada para séries finais do Ensino Médio.
Fora da Ordem (Caetano Veloso) Vapor Barato, um mero serviçal do narcotráfico,
Foi encontrado na ruína de uma escola em construção
Aqui tudo parece que é ainda construção e já é ruína
Tudo é menino e menina no olho da rua
O asfalto, a ponte, o viaduto ganindo pra a lua
Nada continua
E o cano da pistola que as crianças mordem
Reflete as cores da paisagem da cidade que é muito
mais bonita e muito mais intensa do que no cartão postal. Alguma coisa está fora da ordem
Fora da nova ordem mundial. Escuras coxas duras tuas duas de acrobata mulata,
Tua batata da perna moderna, a trupe intrépida em que fluis
Te encontro em Sampa de onde mal se vê quem sobe ou desce a rampa
Alguma coisa em nossa transa é quase luz forte demais
Parece pôr tudo à prova, parece fogo, parece, parece paz
Parece paz
Pletora de alegria, um show de Jorge Benjor dentro de nós
É muito, é grande, é total.
Alguma coisa está fora da ordem
Fora da nova ordem mundial.
Meu canto esconde-se como um bando de Ianomânis nafloresta
Na minha testa caem, vêm colocar-se plumas de um velho cocar
Estou de pé em cima do monte de imundo lixo baiano
Cuspo chicletes do ódio no esgoto exposto do Leblon
Mas retribuo a piscadela do garoto de frete do Trianon
Eu sei o que é bomEu não espero pelo dia em que todos os homens concordem
Apenas sei de diversas harmonias bonitas possíveis sem juízofinal.
Alguma coisa está fora da ordem
Fora da nova ordem mundial.
Fora da Ordem (Caetano Veloso)
Intérprete: Caetano Veloso
Disco: Circuladô (1991)
Gravadora: PolyGram
2. Oriente os alunos para um debate sobre a reunificação da Alemanha, enfatizando a situação atual desse país nos aspectos da vida política e da reestruturação econômica.
3. Proponha aos alunos um estudo com o auxílio de livros, atlas e jornais sobre o tema: "O fim da bipolarização mundial e os novos blocos regionais".
4. Divida a classe em grupos, de forma que cada grupo fique responsável pela linha do tempo referente a uma década do período da Guerra Fria. Posteriormente, proponha aos alunos unirem as linhas do tempo com o objetivo de construir uma pequena cronologia dos fatos mais importantes ocorridos durante a Guerra Fria.
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
SIMULADO DE HISTÓRIA – TERCEIRO ANO – CNDL PROFESSOR EDENILSON MORAIS
01. (Pitágoras) "O dia 27 de julho de 1214 caiu num domingo. Domingo é o dia do Senhor, e como tal lhe deve ser inteiramente dedicado. Conheci camponeses que ainda estremeciam quando o mau tempo os forçava a fazer a colheita num domingo: sentiam pairar sobre si a cólera do céu. Para os fiéis do século XIII, ela era muito mais ameaçadora. E o pároco de sua igreja não proibia, nesse dia, apenas o trabalho manual. Tentava convencê-los a purificar integralmente o tempo dominical, a evitar as três máculas, as do dinheiro, do sexo e do sangue derramado. Daí que naquele tempo ninguém gostasse de lidar com dinheiro no domingo. Por esta razão os maridos, se fossem piedosos, evitavam aproximar-se de suas mulheres nesse dia, e os homens de armas, se fossem piedosos, sacar da espada." (DUBY, G. "O domingo de Bouvines". Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1993. p. 13.) O texto de George Duby revela um aspecto da vida do homem medieval responsável pela normatização da sociedade. Comparando com a sociedade atual é possível AFIRMAR que: a) o homem medieval tinha sua vida normatizada pelo Estado enquanto que hoje ele se encontra livre, agindo de acordo com sua vontade. b) o homem medieval estava ligado a uma vida de máculas e, na sociedade atual, ele se encontra livre de concepções religiosas. c) o trabalho estava associado ao tempo da Igreja enquanto que na sociedade atual está atrelado ao tempo do capital. d) o trabalho era visto como benção divina, enquanto hoje é uma necessidade para a subsistência. e) o pensamento teológico da época garantia o controle social e hoje o pensamento religioso não apresenta nenhuma interferência no comportamento da sociedade.
02. “O panorama do comércio europeu modificou-se profundamente nos séculos XII e XIII. A evolução das técnicas mercantis, resultante da intensificação das transações e de uma maior necessidade de capitais e de crédito, levou à substituição do pequeno mercador itinerante pelo grande comerciante sedentarizado. Graças à utilização das letras de pagamento e de câmbio, à organização de seguros e à formação de associações ou companhias comerciais, tornou-se possível aos mercadores fazer negócios a distância, sem abandonar a cidade natal. Surgiram os primeiros banqueiros, dispondo de uma rede de sócios e empregados.” (ESPINOSA, Fernanda. Antologia de textos medievais. Lisboa: Sá da Costa, 1972. p. 223. Adaptado.) Considerando as informações acima, assinale a alternativa correta. a) A partir dos séculos XII e XIII, houve uma retração do comércio na Europa. b) Os grandes comerciantes tornaram-se agricultores, cedendo espaço para a atuação dos mercadores itinerantes. c) O incentivo ao crédito e o surgimento das letras de pagamento e de câmbio ampliaram as fronteiras comerciais. d) Os banqueiros abandonaram suas cidades de origem para formar associações comer- ciais. e) Os mercadores da época constituíram associações conhecidas pelo nome de “corporações de ofício”.
03. No processo transição da Idade Média para a Moderna uma mudança significativa foi o advento do Absolutismo, justificado por duas teorias – o Direito Divino e o Contrato Social. A respeito do Absolutismo é CORRETO afirmar que a) significou um pacto de poder entre nobres e camponeses, tendo em vista o centralismo político, administrativo e militar nas mãos do rei; b) expressou os interesses das burguesias mercantis européias pelo crescimento do comércio colonial através de práticas como o livre cambismo; c) representou o estrangulamento dos interesses burgueses pelos senhores feudais que, desde o século XVI, tentavam criar repúblicas liberais na Europa; d) foi o processo de centralização política, administrativa e militar na figura dos reis, os nobres tiveram seus poderes reduzidos, mas não os privilégios. e) foi fruto de entendimentos políticos entre o rei e a maioria de seus súditos visando a melhoria das condições de vida dos camponeses e a diminuição dos impostos
04. (Pitágoras) A seguir, estão, respectivamente, afirmações de frei Bartolomé de Las Casas e do jurista espanhol Juan Ginés Sepúlveda sobre aspectos das relações entre europeus e indígenas no momento da conquista e colonização da América. Leia-os atentamente. "A causa pela qual os espanhóis destruíram tal infinidade de almas foi unicamente não terem outra finalidade última senão o ouro, para enriquecer em pouco tempo, subindo de um salto a posições que absolutamente não convinham a suas pessoas; enfim, não foi senão sua avareza que causou a perda desses povos, que por serem tão dóceis e tão benignos foram tão fáceis de subjugar; e quando os índios acreditaram encontrar algum acolhimento favorável entre esses bárbaros, viram-se tratados pior que animais e como se fossem menos ainda que o excremento das ruas; e assim morreram, sem Fé e sem Sacramentos, tantos milhões de pessoas. [...]." (LAS CASAS, Bartolomé de. O Paraíso Destruído. tradução de Heraldo Barbuy. Porto Alegre: L&PM, 1985. p. 30.) “Aqueles que superam os outros em prudência e razão são os senhores; ao contrário, porém, os preguiçosos, os espíritos lentos, são, por natureza, servos. E é justo e útil que sejam servos. Pela própria lei divina, será sempre justo e conforme o direito natural que as nações bárbaras e desumanas, estranhas à vida civil e aos costumes pacíficos, estejam submetidas a príncipes e nações mais cultas e humanas, de modo que eles abandonem a barbárie e se conformem a uma vida mais humana e ao culto da virtude. E se eles recusarem esse domínio, pode-se impô-lo pelo meio das armas e essa guerra será justa, bem como o declara o direito natural que os homens honrados, inteligentes, virtuosos e humanos dominem aqueles que não têm essas virtudes.” (SEPÚLVEDA, Juan Gines. Apud. MORAES, José Geraldo Vinci de. Caminhos das civilizações. São Paulo, Atual, 1998, p. 179.)
Comparando os pontos de vista acima expressos, é possível CONCLUIR que a) Bartolomé de Las Casas e Sepúlveda estavam de acordo quanto a incapacidade dos indígenas de se adaptarem aos padrões culturais do colonizador, por isso defendiam que a Igreja Católica e a Coroa Espanhola deveriam somar esforços no projeto de colonização. b) Sepúlveda e Bartolomé de Las Casas estavam de acordo quanto ao fato de que os indígenas deveriam ser identificados como escravos naturais, encontrando argumentos do ponto de vista jurídico e religioso para promover a destruição das suas culturas. c) Sepúlveda defendia os indígenas, questionando a superioridade da civilização européia porque estava a serviço da Coroa Espanhola, ao passo que Bartolomé de Las Casas defendia os indígenas porque representava a Igreja Católica no serviço de evangelização dos nativos. d) Bartolomé de Las Casas ressaltou as atrocidades cometidas contra os indígenas pelos espanhóis, ao passo que Sepúlveda as justificou, defendendo a superioridade da cultura européia em relação a dos povos nativos. e) Sepúlveda e Bartolomé de Las Casas afirmavam que, muito embora os indígenas não fossem bárbaros, deveriam receber uma educação européia a fim de compreenderem a destruição que estaria implicada no projeto colonizador dos espanhóis.
05. (Pitágoras) Considere: “(...) Foram diversos os aportes civilizatórios da África para o Brasil, e algumas regiões tiveram especial relevância nesse processo, como é o caso de Angola. Práticas religiosas, conhecimentos técnicos agrícolas e de mineração, valores sociais, costumes na vida cotidiana e hábitos de alimentação fizeram parte da bagagem cultural que os escravizados trouxeram para a formação de nosso país. (...) Os laços que ligam o Brasil a Angola existem há muito tempo. Remontam à formação do Império português, do qual fizeram parte, e se estendem por séculos, chegando aos nossos dias. (...) Após a década de 1980, surgiram novas rotas de migração. Inicialmente provenientes de Angola, hoje acrescidas de recentes levas vindas do Congo, essas populações de refugiados são formadas principalmente por jovens do sexo masculino. A nova diáspora centro-africana para o Brasil é fruto de guerras e das impossibilidades geradas por séculos de espoliação. E nós temos uma identidade e uma responsabilidade histórica com esses povos.” (LIMA E SOUZA, Mônica. “Venho de Angola, camará” in Revista de História da Biblioteca Nacional, ano 4, n° 39, p. 15-17)
“Trago a minha banda /Só quem sabe onde é Luanda / Saberá lhe dar valor” (Gilberto Gil, Palco)
A partir dos textos, é possível AFIRMAR que I. as heranças congo-angolanas permitem perceber e reconhecer a influência da África em nossa formação cultural. II. Angola alimentou o Brasil de braços, tradições e saberes, marcando uma interdependência histórica entre os dois países que chega aos dias de hoje. III. as relações do Brasil com a África se limitam à memória da escravidão iniciada na época da formação do Império português. IV. uma vez que a África pouco explica quem somos, não há motivos para aproximar a História do Brasil da História da África. Estão corretas as afirmativas a) I e II b) I e III c) II e III d) II e IV e) III e IV
06. Durante os processos de independência dos países da América Latina, a Inglaterra colocou-se ao lado dos países latino-americanos contra suas metrópoles, buscando transformá-los em mercados fornecedores de matérias-primas e consumidores de produtos industrializados. Os Estados Unidos, por sua vez, objetivando estender sua influência política e econômica e reduzir a das potências européias sobre a América, lançaram, em 1823, uma doutrina cujo lema era “América para os americanos”. Essa reação dos Estados Unidos ficou conhecida como: a) Doutrina Monroe. b) Doutrina Trumman. c) Plano Marshall. d) Doutrina Washington. e) Doutrina Grant.
07. Com base na figura acima e em seus conhecimentos, pode-se dizer que a Política do Big Stick, estabelecida pelos Estados Unidos no início do século XX, constituiu: I. uma política populacional baseada nas teorias malthusianas sobre o descompasso entre a produção de alimentos e o crescimento demográfico; II. uma política externa com a qual se pretendeu reservar o direito dos Estados Unidos de intervirem na América Latina. III. uma política interna cujo objetivo era a superação das contradições socioeconômicas existente sentre o Norte e o Sul. Assinale a opção correta: a) apenas a alternativa III está correta. b) apenas as alternativas I e III estão corretas. c) apenas a alternativa I está correta. d) apenas a alternativa II está correta. e) apenas as alternativas II e III estão corretas.
08. (CNDL) WIND OF CHANGE / VENTO DA MUDANÇA (Scorpions) (...)Você já imaginou
Que nós podemos ser íntimos, como irmãos?
O futuro está no arEu posso senti-lo em todo lugar
Soprando com o vento da mudança
Leve-me à magia do momentoEm uma noite de glória
Onde as crianças do amanhã ficam sonhando
No vento da mudança
(...) Leve-me à magia do momento
Em uma noite de glória
Onde as crianças de amanhã compartilham seus sonhos
Com você e comigo O vento da mudança sopra direto
Na cara do tempo
Como uma ventania que irá tocar
O sino de liberdade pela paz de espírito
Wind of change, Scorpions. Crazy Word, 1990. Mercury Records.
Essa canção da banda de rock alemã Scorpions transformou-se no hino da queda do Muro de Berlim e dos acontecimentos históricos que provocaram o final da Guerra Fria. Sobre o referido contexto histórico, são feitas as seguintes afirmações. I – A expressão "vento da mudança", citada na letra da música, simboliza o processo histórico que instituiu a "Cortina de Ferro" no Leste Europeu.
II - A queda do Muro de Berlim foi o marco histórico mais relevante dos diversos movimentos contra a ditadura e em defesa da democracia no Leste Europeu. III – Há exatos 20 anos, a derrubada do Muro de Berlim simbolizou a queda do socialismo na Alemanha Oriental e o início do processo de reunificação alemã. IV – O fim da URSS e a derrubada dos regimes socialistas no Leste Europeu marcaram o fim da ordem bipolar e a inauguração de uma nova era, o chamado vento da mudança mencionado na canção.
São corretas. a) I e II. b) II, III e IV. c) I, III e IV. d) I e III. e) II e III.
09. A Queda do Muro de Berlim, em 1989, pode ser analisada sob vários enfoques. Assinale a alternativa que pode representar uma dessas interpretações. a) Consolidação do comunismo na República Democrática Alemã. b) Vitória do capitalismo neoliberal sobre o socialismo real. c) Incorporação dos países da Europa do Leste ao Mercado Comum Europeu. d) Fortalecimento da presença soviética no cenário político da Europa. e) Estancamento da migração de alemães-orientais para o território da República Federal da Alemanha.
GABARITO 01. C 02. C 03. D 04. D 05. A 06. A 07. D 08. B 09. B
O colapso do socialismo
Um dos fenômenos mais relevantes das últimas décadas do século passado foi o processo de exaustão do socialismo na União Soviética e em seus satélites do Leste Europeu.
Os inúmeros problemas que atingiam as nações socialistas - a economia planificada, lenta e atrasada, a grande corrupção, o aumento do alcoolismo, do uso de drogas e da criminalidade - levaram à necessidade de a URSS adotar reformas econômicas e um programa de democratização da vida política e cultural.
Mikail Gorbachev assumiu a secretaria geral do Partido Comunista e, em 1986, no XXVII Congresso dos PCUS, o novo líder soviético lançou as linhas gerais das reformas que pretendia implantar na URSS. A perestroika dizia respeito às necessárias transformações na economia soviética, e a glasnost pretendia democratizar o país e tornar transparentes os atos do governo.
A perestroika permitia a entrada na URSS de mecanismos da economia de mercado para enfrentar a burocratização e a centralização e tornar as indústrias soviéticas competitivas, além de garantir o lucro em empresas privadas; a abertura parcial do mercado soviético ao capitalismo estrangeiro; a presença controlada de multi-nacionais; a maior autonomia de empresas estatais.
Já a glanost foi reponsável pela liberalização política, pela liberdade de criação de novos partidos e pela presença de um parlamento eleito pelo voto popular.
Entre 1988 e 1991, foram vários os acontercimentos que atestaram as mudanças profundas pela quais passava a União Soviética. O Exécito Vermelho deixou o Afeganistão e a Hungria; as repúblicas balticas - Estôoia, Letônia e Lituânia - tornaram-se independentes, assim como a Ucrânia, a Bielorrússia, a Moldávia e a Georgia; caiu o Muro de Berlim; todos os regimes burocráticos foram derrubados.
A Alemanha foi reunificada em 1990.
Os costumes também passaram por significativas mudanças: apresentações de shows de rock, concurso de misses, transparência nas informações, com tratamento de temos antes considerados tabus na União Soviética, tais como prostituição e consumo de drogas.
Uma música que retrata bem esse contexto histórico é "Mickey Mouse em Moscou" da banda Capital Inicial. Gravada em 1989, ilustra todas as transformaçõs processadas no Leste Europeu com a derrubada do Muro de Berlim e as tranformações processadas na Europa e no resto do planeta. O mundo assistia naquele momento a uma grande revolução. Mesmo sem violência generalizada, o fim dos regimes comunistas do Leste europeu foi sem dúvida uma revolução porque mudou completamente o sistema político, econômico, social e cultural da região.
Acompanhe a letra abaixo e veja o clipe dessa canção.
Mickey Mouse em Moscou Capital Inicial
Eu vejo eles dançando
em cima do muro
no meio do mundo
no meio do mundo dividido
Spielberg, Einenstein
Vodka, CIA
Las Vegas, Gremlin
Tolstói, John Wayne
Champagne, Caviar
Mickey Mouse em Moscou
Batman, Trotsky
Bolshoi, Rock'n'roll
Quem são estes homens
que vivem atrás da cortina
quem são estes homens
Ninguém mais vai jogar
flores mortas no muro
ninguém mais vai pichar
frases fortes no escuro
Em cima do muro
no meio do mundo
no meio do mundo dividido
Spielberg...
Um raio atravessa a nação
e cem anos passam num dia
Eu nunca pensei que fosse ver
Eu nunca pensei que fosse ver
Ninguém mais vai jogar
flores mortas no muro
ninguém mais vai pichar
Eleição presidencial brasileira de 1989
Em 15 de janeiro de 1985, Tancredo Neves vence as eleições para presidente da República do Brasil no Colégio Eleitoral, encerrando a ditadura militar no país. Entretanto, Neves morre e quem assume o cargo é José Sarney, seu vice. Sarney é visto com suspeita pela população, pois faz parte de uma dissidência da Aliança Renovadora Nacional (rebatizada de Partido Democrático Social em 1980), o partido dos militares, que mais tarde formaria o Partido da Frente Liberal (atual Democratas). Isso sem contar que havia dúvidas constitucionais sobre se era Sarney ou o então presidente da Câmara dos Deputados, Ulysses Guimarães, quem deveria assumir o cargo e que foi decisivo o apoio do general Leônidas Pires Gonçalves, indicado por Neves como Ministro do Exército, para que a posse de Sarney se concretizasse. Entretanto, conforme prometido, o governo Sarney redemocratizou o país e, em 1986, ocorreram eleições para formar a Assembléia Nacional Constituinte, que promulgou uma nova constituição em 5 de outubro de 1988. A Constituição determinava a realização de eleições diretas para presidente, governador, senadores e deputados no ano seguinte. Durante o governo Sarney, partidos até então clandestinos como o PSB e o PC do B foram legalizados.
Criou-se a partir de então uma grande expectativa por parte da sociedade brasileira pelas possíveis candidaturas que lançariam para a corrida presidencial de 1989 afinal há quase trinta anos o eleitor brasileiro não elegia seu presidente da República. Uma geração inteira de brasileiros, ainda não eleitora em 1960, quando Jânio Quadros vence as eleições, vota em 1989 pela primeira vez para presidente da República.
SANTIAGO. O interior, ano 16, nº 773, 16 a 21/11/1989.
O cantor paraense Alipio Martins foi bastante sagaz em fazer uma leitura bastante crítica daquele contexto histórico brasileiro ao lançar uma canção intitulada "Os presidenciáveis" em que conjecturava os potenciais candidatos ao cargo de principal mandatário da nação, entre esses digníssimos postulantes eram mencionados os nomes de Lula, Brizola, Jânio Quadros, Ulisses Guimarães, do presidente José Sarney em fim de mandato, e até os nomes do apresentador Silvio Santos (o que acabou por se concretizar por algum tempo) e de Pelé, nomes que desfrutavam de grande popularidade na época, foram citados na letra da música.
Assim sendo, as eleições de 1989 foram as primeiras desde 1960 em que os cidadãos brasileiros aptos a votar escolheram seu presidente da República. Por serem relativamente novos, os partidos políticos estavam pouco mobilizados e vinte e duas candidaturas à presidência foram lançadas. Essa quantidade expressiva de candidatos mantém o recorde de eleição presidencial com mais candidatos. Entre eles, os representantes da esquerda, Leonel Brizola (PDT), Roberto Freire (PCB) e Luís Inácio Lula da Silva (PT). Entre os moderados estavam Ulisses Guimarães, Mario Covas e Aureliano Chaves. Representando a direita concorriam Paulo Maluf (PDS) e Fernando Collor (PRN). Outros candidatos de menor expressão também se habilitaram ao cargo.
A campanha presidencial transcorreu numa conjuntura internacional específica: a do colapso do socialismo e da emergência do neoliberalismo e da globalização. Os dois candidatos mais fortes, Collor e Lula, tinham posições diametralmente opostas. Enquanto Collor defendia o receituário neoliberal, Lula voltava-se para a defesa da justiça social, da reforma agrária, da moratória da dívida externa e de uma política de combate à miséria e ao desemprego.
Lula votando no segundo turno das eleições de 1989.
Como nenhum candidato obteve a maioria absoluta dos votos válidos, isto é, excluídos os brancos e nulos, a eleição foi realizada em dois turnos, conforme a então nova lei previa. O primeiro foi realizado em 15 de novembro de 1989, data que marcava o centésimo aniversário da proclamação da República, e o segundo em 17 de dezembro do mesmo ano. Foram para o segundo turno os candidatos Luiz Inácio Lula da Silva, da coligação encabeçada pelo Partido dos Trabalhadores, e Fernando Collor de Mello, da coligação encabeçada pelo hoje extinto Partido da Reconstrução Nacional. O nível de entusiasmo era grande, com artistas participando ativamente da campanha de Lula, cantando o hoje célebre jingle "Lula Lá" no horário reservado à propaganda eleitoral do candidato. Outros, como Marília Pêra, preferiram apoiar à candidatura de Fernando Collor de Mello e foram duramente criticados mais tarde, durante o processo de impeachment do mesmo. Durante o segundo turno, um pool de emissoras (Rede Bandeirantes, Rede Globo, Rede Manchete e SBT) realizou dois debates entre os candidatos.
Lula e Collor no debate televisivo, ao fundo a apresentadora Marília Gabriela.
Durante o
Jornal Nacional do dia seguinte, um dos debates (o segundo) foi editado de uma forma em que o candidato do PRN parecia ter se saído melhor do que o do PT. Tal fato foi visto como uma ação de favoritismo político a Collor, que até então mantinha um relacionamento forte com Roberto Marinho, dono da Globo. Muitos atribuem a vitória de Collor na eleição devido a este fato em específico. Mas também há outros que influenciaram o voto do eleitor, como a revelação que a campanha de Collor fez sobre a existência de uma filha que Lula teve fora do casamento. A ex-namorada de Lula participou da campanha de Collor, denunciando aos eleitores que Lula mandou-lhe fazer um aborto e que lhe tinha confessado que odiava negros. Há, entretanto, quem defenda que a simples "inexperiência" de Lula em cargos executivos o fez perder a eleição. Fernando Collor de Mello e sua ex-esposa, Rosane Collor, em campanha pela presidência.
Novamente para celebrar esse acontecimento histórico brasileiro, o cantor Alipio Martins apresentou mais um exemplo de sua genialidade política, com inteligência política similar a de Juca Chaves, apresenta desta feita as lamentações dos candidatos derrotados no pleito eleitoral daquele ano. Ao longo da letra da canção são ilustrados as falas de Lula que promete fazer um governo paralelo e comenta que só não ganhou por não ter os ternos de Collor e este não possuir a sua barba. Em seguida é a vez de Leonel Brizola que diz "Conseguiram te enganar! Conseguiram me enganar! Eu nadei e morri na lagoa e o que é pior com um sapo barbudo" numa clara referência à aliança entre PT e PDT no segundo turno. A seguir é a vez de Aureliano Chaves, candidato do PFL que se recusou a renunciar em favor do proprietário do Baú da Felicidade que tripudia dizendo que enquanto ele ficará fazendo seus programas de auditório, Chaves ficará em casa de pijamas. Até mesmo o candidato Afif Domingos, aquele que se popularizou pelo jingle "dois patinhos na lagou, vote Afif 22" e pelo slogan "juntos chegaremos lá", é mencionado como aquele que acreditou nas promessas da vidente que havia lhe garantido que este seria eleito e o mesmo acabou caindo como patinho.
Foi uma brilhante leitura do contexto histórico que encheu os brasileiros de esperança em um futuro melhor, com a consolidação da democracia, o controle inflacionário, a estabilidade econômica e principalmente a melhoria dos indicadores sociais no país.
Análise da música "Perplexo" da banda Paralamas do Sucesso
Perplexo Os Paralamas do Sucesso Composição: Herbert Vianna/Bi Ribeiro/João Barone
Tentei te entender Você não soube explicar Fiz questão de ir lá ver Não consegui enxergar Desempregado, despejado, sem ter onde cair morto Endividado sem ter mais com que pagar Nesse país, nesse país, nesse país Que alguém te disse que era nosso Ah, ah, ah, ah... Mandaram avisar Que agora tudo mudou Eu quis acreditar Outra mudança chegou Fim da censura, do dinheiro, muda nome, corta zero Entra na fila de outra fila pra pagar Quero entender, quero entender, quero entender Tudo o que eu posso e o que não posso Não penso mais no futuro É tudo imprevisível Posso morrer de vergonha Mas eu ainda estou vivo Segunda-feira, Terça-feira, Quarta-feira, Quinta-feira, Sexta-feira, Sábado de aleluia Eu vou lutar, eu vou lutar Eu sou Maguila, não sou Tyson.
A canção foi composta no final da década de 1980 e ilustra claramente a decepção da juventude brasileira com os governos da chamada Nova República. A transição democrática, com a eleição indireta de Tancredo Neves, que não chegou a assumir e acabou sendo substituído por seu vice José Sarney, frustraram as expectativas da sociedade brasileira que ansiava por mudanças nas estruturas sócio-econômicas do país. Nesse referido período histórico ocorreram diversas tentativas de estabilização da economia e controle inflacionários em variados planos econômicos que adotavam medidas ortodoxas e heterodoxas, tais como congelamento de preços e salários que invariavelmente não alcançavam seus principais objetivos.
O Brasil vivia um período de afirmação de diversos direitos sociais e implantação da Constituição de 1988, além da censura que foi extinta.
As sucessivas mudanças na moeda brasileira também frustaram a população brasileira, "muda nome, corta zero", apenas no governo de José Sarney (1985-1990) ocorreram três planos econômicos, Cruzado, Verão e Bresser Pereira.
Na letra da música percebemos ainda os problemas do desemprego, do subemprego, da falta de moradia e da crise econômica brasileira.
O eu-lírico da canção é um trabalhador brasileiro, assalariado que precisa trabalhar duro cotidianamente para conseguir sobreviver e manter sua família.
Essa personagem demonstra estar decepcionado e não ter esperanças de que o futuro apresente melhores condições de vida para os proletários como ele pois segundo ele "tudo é imprevisível".
Uma música importante para se conhecer e entender o panorama político, econômico, social e cultural do final dos anos 80.
O Rappa
Me deixa
Larararala, larararararara Podem avisar, pode avisar
Invente uma doença que me
Deixe em casa pra sonhar
Pode avisar, podem avisar
Invente uma doença que me
Deixe em casa pra sonhar
Com o novo enredo outro dia de folia
Com o novo enredo outro dia de folia Eu ia explodir, eu ia explodir
Mas eles não vão ver os meus pedaços por aí
Eu ia explodir, eu ia explodir
Mas eles não vão ver os meus pedaços por aí Me deixa que hoje eu to de
Bobeira, bobeira
Me deixa que hoje eu tô de
Bobeira, bobeira Larararala, larararararara Hoje eu desafio o mundo
Sem sair da minha casa
Hoje eu sou um homem mais sincero
E mais justo comigo
Hoje eu desafio o mundo
Sem sair da minha casa
Hoje eu sou um homem mais sincero e
Mais justo comigo Podem os homens vir que
Não vão me abalar
Os cães farejam o medo,
Logo não vão me encontrar
Não se trata de coragem
Mas meus olhos estão distantes
Me camuflam na paisagem
Dando um tempo,
Pra cantar Me deixa, que hoje eu tô de
Bobeira, bobeira
Me deixa, deixa, deixa
Que hoje eu to de
Bobeira, bobeira Hoje eu desafio o mundo
Sem sair da minha casa
Hoje eu sou um homem mais sincero
E mais justo comigo
Hoje eu desafio o mundo
Sem sair da minha casa
Hoje eu sou um homem mais sincero e
Mais justo comigo Podem os homens vir que
Não vão me abalar
Os cães farejam o medo,
Logo não vão me encontrar
Não se trata de coragem
Mas meus olhos estão distantes
Me camuflam na paisagem
Dando um tempo, tempo, tempo
Pra cantar Me deixa, que hoje eu tô de
Bobeira, bobeira
Me deixa, que hoje eu tô de
Bobeira, bobeira Me deixa, deixa, deixa
Que hoje eu tô de
Bobeira, bobeira
Me deixa, ve se me deixa,
Que hoje eu to de bobeira,
Bobeira, bobeira…
O Caso Silvio Santos
O episódio Sílvio Santos foi o principal desafio enfrentado pela Justiça Eleitoral na campanha de 1989. Não é exagero dizer que o quadro institucional da eleição e a credibilidade do TSE estiveram em jogo, naquele momento. Afinal, se a legislação permitia a entrada extemporânea de um candidato na disputa, ao TSE cabia a decisão final e soberana sobre o desenrolar dos acontecimentos. Questão delicada, sem dúvida, já que interferiria diretamente no jogo eleitoral e colocava a descoberto a fragilidade da legislação e das instituições.É difícil encontrar situação comparável em toda a história da Justiça Eleitoral. Nunca é demais lembrar que os dados já estavam lançados e que era grande a expectativa criada em torno destas eleições, as primeiras diretas para a Presidência da República, depois de um intervalo de 29 anos. Buscando um paralelo, alguns analistas e políticos afirmavam que a decisão do TSE poderia provocar uma alteração tão profunda no quadro político do país quanto aquela que, em 1985, declarou o fim da fidelidade partidária. A despeito do episódio Sílvio Santos ter sido classificado pela maior parte dos meios de comunicação como degradante e vergonhoso, a primeira indagação objetiva que se deve fazer diz respeito à própria possibilidade legal de entrada de um candidato às vésperas da data marcada para o pleito. Esta possibilidade existia, e este fato deve ser frisado para que melhor se possa avaliar a legislação então em vigor e aquilatar o desempenho da Justiça Eleitoral.
Com o veto do Presidente Sarney ao artigo 8º da Lei Eleitoral, ficou extinto o prazo mínimo de 6 meses para a filiação partidária dos candidatos. Dessa forma, tornou-se possível a entrada de um candidato, não só a qualquer momento, mas até mesmo sem um vínculo partidário anterior. Por outro lado, o veto ao artigo 30, que assegurava aos partidos o direito de recurso contra qualquer decisão do TSE, baseava-se no artigo 121 da Constituição, segundo o qual "são irrecorríveis as decisões do TSE, salvo as que contrariem esta Constituição e as denegatórias de habeas-corpus ou mandado de segurança". Estes dispositivos jurídicos conferiram ao Tribunal a condição de autoridade máxima e final em questões como a que estamos considerando.Independentemente das chances eleitorais de Sílvio Santos, sua entrada na disputa, a apenas 15 dias do pleito, criou uma celeuma talvez sem paralelo em outros países democráticos. A credibilidade da Justiça Eleitoral foi colocada em xeque, num grau também inédito na história da instituição. Enquanto alguns impugnavam previamente os juízes, prevendo que eles se curvariam aos interesses do Poder Executivo, outros diziam que o Tribunal deveria tomar o partido anti-Sarney, buscando uma saída dita "política" ou "moral", que, na verdade, implicaria em ignorar a letra da lei. Num extremo ou no outro, a insinuação era de que os ministros iriam decidir sob pressão, desconsiderando cânones jurídicos.Nunca as ligações pretéritas ou presentes dos juízes foram tão esmiuçadas, deixando-se subentender que tais laços explicariam a direção do voto a ser dado. Supunha-se, por exemplo, que o Ministro Rezek acompanharia as declarações do professor João Leitão de Abreu, contrárias à candidatura de Sílvio Santos, já que eram notórios tanto sua admiração como seu dever de lealdade para com esse ex-Ministro do Supremo Tribunal Federal, duas vezes Ministro-Chefe da Casa Civil da Presidência da República, nos governos Médici e Figueiredo, responsável direto pela nomeação de Rezek para o STF. Da mesma forma, supunha-se que o Ministro-Relator do processo, Antônio Vilas-Boas, como advogado da Telebrás, agiria sob a influência do Ministro das Comunicações, Antônio Carlos Magalhães, intransigente adversário da nova candidatura. Alegava-se, ainda, que outros ministros, ao contrário, mostrariam fidelidade ao Presidente Sarney, visto como o promotor da nova candidatura.Ora, não existe nada mais pernicioso para a credibilidade de uma instituição com funções de magistratura do que a possibilidade de orientar-se em suas deliberações por interesses particulares ou por compromissos com grupos de poder. Um órgão de justiça especialmente criado para arbitrar conflitos só pode deliberar respeitando a lei, fundamentando suas decisões em argumentos lógico-formais. Qualquer outro tipo de consideração, seja assentada em critérios políticos ou de natureza "moral", contrariaria a natureza do Tribunal, desgastando a sua credibilidade e, indiretamente também, a própria estabilidade do processo sucessório presidencial.
No dia 9 de novembro de 1989, quando todas as especulações já haviam sido feitas, as atenções voltaram-se para o TSE. Era a data em que seria julgado o pedido de registro de novos candidatos. Chegaram ao Tribunal, por um lado, o pedido feito pelo Partido Municipalista Brasileiro de registro das novas candidaturas de Señor Abravanel (verdadeiro nome de Sílvio Santos) e de Marcondes Iran Benevides Gadelha para os cargos de Presidente e Vice-Presidente da República, e por outro, diversas solicitações de impugnação. De acordo , contudo, com o art. 22 da Resolução 15.362/89, só deveriam ser examinadas as impugnações provenientes de "impugnantes habilitados", ou seja, do Ministério Público Eleitoral, de candidatos e de partidos políticos com registro no Tribunal. Dessa forma, não foram consideradas legítimas as solicitações de impugnação encaminhadas por 7 advogados, por um Juiz de Direito, por 146 cidadãos, de dirigentes e membros fundadores do Instituto de Estatística Econômica Intersindical. Como impugnantes habilitados apresentaram-se: o Ministério Público Eleitoral, representado pelo Procurador-Geral Eleitoral; o PC do B; o PDT; o PTR; o PSC; e o PRN, este último representando a "Coligação Brasil Novo", suporte da campanha de Fernando Collor. Pelo impugnado, isto é, pelo PMB, tiveram o direito de usar a palavra três advogados.Ao Ministro-Relator do processo, Ministro Vilas Boas, cabia, de acordo com as normas regimentais, tornar públicos o parecer do Procurador Geral Eleitoral e as razões arroladas nos pedidos de impugnação encaminhados pelos partidos políticos, e, em seguida, proferir o seu próprio voto. O parecer do Procurador Geral era de que Sílvio Santos deveria ser considerado inelegível. Considerava que esta candidatura feria os dispositivos que protegem a normalidade e a legitimidade das eleições contra a influência do poder econômico ou abuso do exercício de função, cargo ou emprego na Administração direta ou indireta. Para a proteção contra este tipo de influência a lei exige o afastamento da função, no mínimo 3 meses antes da data das eleições, dos candidatos proprietários ou que exerçam cargos de direção em empresas concessionárias ou permissionárias de serviço público. Como dirigente do SBT (Sistema Brasileiro de Televisão), Sílvio Santos poderia, em tese, ser enquadrado nessa exigência. Os partidos impugnantes, contudo, foram além da questão da inelegibilidade, suscitando preliminares quanto à filiação partidária e quanto ao registro do PMB.O primeiro Ministro a pronunciar-se votou pelo indeferimento das novas candidaturas, fundando-se, sobretudo, no exame da situação legal do PMB. Vale a pena reproduzir aqui suas ponderações, já que todos os demais votos, sem exceção, basearam-se em argumento jurídico semelhante, negando, por unanimidade, o registro de Sílvio Santos e Marcondes Gadelha. Disse o Ministro Vilas Boas, apoiando-se exclusivamente na legislação: o PMB "teve o prazo de um ano para atender as exigências legais necessárias à obtenção do registro definitivo. Por força do art. 6º, parágrafo único, da Lei 7.664, de 29.06.1988, esse prazo foi prorrogado por 12 meses, de forma que se esgotaria em 15.10.1989. Em 13.10.1989, às vésperas portanto do término do aludido prazo, o PMB requereu o seu registro definitivo ...Ocorre, porém, que o PMB, como atesta informação da secretaria, embora comprove ter realizado Convenção Nacional com eleição da Comissão Executiva Nacional e alegue ter realizado convenções para eleger seus Diretórios Regionais em 10 unidades da Federação, apenas consta 4 certidões comprobatórias de tal providência fornecidas pelos Estados de Pernambuco, Maranhão, Amazonas e Rondônia. Desse descumprimento decorre, conforme salienta a mesma informação, a ineficácia dos atos preliminares do Partido, em 15/10, isto é, tornou-se sem efeito naquela data o registro provisório da mencionada agremiação partidária. ...Tenho, pois, como certo que a escolha dos novos candidatos, depois de caduco o registro provisório do PMB, torna insustentáveis as respectivas candidaturas, pois estas não podem subsistir sem aquele nos termos dos artigos 87 do Código Eleitoral e 77, parágrafo 2º da Constituição Federal". Além da procedência dos argumentos contra a existência jurídica do PMB, o que por si só bastaria para invalidar o registro dos novos candidatos, o Ministro-Relator considerou também válidas as ponderações sobre a inelegibilidade de Sílvio Santos, em virtude de sua condição de dirigente do SBT. Em síntese, o fato de o PMB não reunir os pressupostos necessários à sua existência legal e a condição de inelegibilidade de Sílvio Santos como empresário de comunicações colocaram um ponto final nessa tentativa de alterar os rumos da disputa às vésperas do pleito, bem como nas insinuações de que os juízes agiriam sob constrangimentos alheios à sua função. Como disse o Ministro Miguel Ferrante, ao justificar o seu voto, o TSE cuidou nesta decisão "exclusivamente da reta aplicação do direito, indiferente ao tumulto das paixões que o caso desencadeou". Tratou, "simplesmente de fazer prevalecer o império da lei, a que todos devemos obediência e respeito. Obediência e respeito, sem transigências e sem tibiezas, sem o que não poderão subsistir o regime democrático e o estado de direito". A aplicação da lei encerrou o episódio, fortalecendo a imagem de credibilidade da Justiça Eleitoral. É claro que isto não significa que a unanimidade formada entre os juízes seja uma amostra do que se passava nos círculos políticos ou com a população em geral. O importante é que os ministros agiram como magistrados, eqüidistantes das partes em disputa. Um compromisso prevaleceu: a obediência à Constituição. Referindo-se à fidelidade à lei, como o único parâmetro a orientar o judiciário, disse o Ministro Rezek ao proferir seu voto, cumprindo salientar que, como Presidente do TSE, regimentalmente ele só teria obrigação de pronunciar-se em caso de empate entre os outros seis ministros: "...examinando, nos últimos dias, este tormentoso feito, nós nos defrontamos com um trabalho árduo, não exatamente previsto para esta fase do processo eleitoral, e fizemos por bem desenvolvê-lo, tal como manda a Constituição. Convivemos, nesse período, não apenas como o trabalho: também com manifestações da mais variada origem, da mais variada índole; manifestações inteiramente lícitas, na medida em que não advindas de algum núcleo de poder, mas de pessoas comuns, de populares e articulistas da imprensa, que valem-se do seu direito de dizer o que pensam, sem pretender com isso que o Tribunal seja permeável, no deslinde de uma questão jurídica, a considerações de tal natureza. Lembro, entretanto, que convivemos também com algumas manifestações reveladoras do desconhecimento do fenômeno judiciário, que insinuaram perspectivas decisórias à base de fatores tão absolutamente desimportantes quanto teria ocorrido se pretendessem inferir a provável decisão de um membro da Casa por sua origem étnica, por sua confissão religiosa ou por sua vizinhança habitacional. Chegou-se perto disso... Um dia, quando atendidas tantas outras prioridade, é possível que a sociedade brasileira venha a entender melhor a função judiciária e suas características. Deus sabe quando isso ocorrerá. Mas talvez então alguém se lembre de que, neste momento histórico, o Tribunal Superior Eleitoral contribuiu para o alcance de semelhante propósito". fonte: http://www.politicavoz.com.br/direitoeleitoral
terça-feira, 3 de novembro de 2009
AVALIAÇÃO DE HISTÓRIA - SEGUNDO ANO
CNDL - PROFESSOR EDENILSON MORAIS
01. (CNDL) Analisando os dados das tabelas abaixo podemos dizer que no final do regime militar (1964-1985):
a) o Brasil estava conseguindo manter uma distribuição de renda e uma inflação equilibrados. b) diminuíram as disparidades de distribuição de renda no Brasil. c) a inflação alta não foi um instrumento de concentração de renda. d) o Brasil tem uma melhor distribuição de renda que os Estados Unidos. e) as classes pobres tiveram sua renda sensivelmente diminuída, podendo a inflação ter funcionado como instrumento transferidor de renda.
02. (CNDL) A professora de História apresentou aos alunos da 2ª série do Ensino Médio uma charge do cartunista Paulo Caruso, feita em 1984 e intitulada “Diretas Já”.
Ela pediu aos alunos que interpretassem a charge levando em consideração os dados e fatos relativos ao contexto histórico da década de 1980.
As afirmativas a seguir apresentam algumas interpretações feitas pelos alunos.
I – Trata-se de uma irônica alusão ao quadro de Pedro Américo, O grito do Ipiranga, do século XIX, e retrata a frente de oposições à ditadura militar. II – Do lado esquerdo estão as lideranças oposicionistas, tais como Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Dante de Oliveira. Do lado direito estão os militares contrários às “Diretas Já”. III – Por suas origens humildes, Lula foi representado como o carroceiro no canto inferior esquerdo da charge (número 1). IV – A charge foi encomendada para comemorar a vitória da campanha pelas eleições diretas para presidente da República.
Está correto o que se afirma nos itens: a) I e IV. b) I, II e III. c) III e IV. d) II e IV. e) I e III.
03. (CNDL) ) Com base nas fotos, compare o estilo e as condições políticas dos breves mandatos de Jânio Quadros e Fernando Collor de Mello.
04. (CNDL) Com base na charge abaixo responda quais eram as principais metas do Plano Cruzado e quais foram suas consequências.
05. (UFMG) “Neste momento, estamos passando de um estágio emocional para um estágio racional. Em fevereiro, a inflação – a inflação mais a correção monetária – estava nos conduzindo para uma situação na qual o Brasil seria um país absolutamente ingovernável. Naquela ocasião, fizemos o que achamos que deveria ter sido feito, sem levar em consideração os custos políticos das nossas decisões, e sim o bem do povo [...] Uma vez anunciada a reforma econômica, o que se viu foi uma extraordinária adesão popular. Não podíamos antever que a reação seria tão favorável. O povo tomou consciência da cidadania. Trecho de entrevista concedida pelo, então, Presidente da República, José Sarney. Veja, n. 949, 12 nov. 1986.
Nesse trecho, o entrevistado faz referência à reforma econômica conhecida como: a) Política do “Feijão com Arroz”, que previa uma redução da intervenção do Estado na economia, buscando deixar o mercado cumprir seu papel. b) Plano Cruzado, que adotou medidas heterodoxas – como o congelamento de preços e o gatilho salarial –, visando ao controle da inflação. c) Plano SALTE, que pretendeu estimular as taxas de crescimento da economia nacional por meio da decretação da moratória da dívida externa. d) Plano Verão, que combinou medidas ortodoxas e heterodoxas, com ênfase especial no controle dos salários dos trabalhadores.
06. (CNDL) Em poucos anos, entre 1986 e 1990, o Brasil assistiu a planos econômicos, ajustes, alterações e complementações nas políticas monetárias, fiscal, salarial e cambial. Planos e medidas de todo o tipo, com o mesmo objetivo sempre: a) o controle da dívida externa, intensa campanha para amenizar os problemas sociais, a modernização do Estado. b) a estabilização da economia por controle da inflação, a renegociação da dívida externa e a retomada do crescimento auto-sustentado. c) a reforma administrativa, o controle do déficit público e a contração da demanda. d) o aumento do consumo, o saneamento das contas públicas e a retomada do crescimento. e) a reforma administrativa, o programa de privatizações, um projeto de desregulamentação e liberalização da economia.
07. (CNDL) Não obstante, na conjuntura da Nova República, a sociedade civil possa ter pleiteado direitos e defendido novas formas de organização, sabemos que no Brasil atual esses direitos não atingem à população como um todo. Leia os versos da música a seguir.
Pense no Haiti, reze pelo Haiti
O Haiti é aqui - o Haiti não é aqui [...]
E se, ao furar o sinal, o velho sinal vermelho habitual
Notar um homem mijando na esquina da rua sobre um saco brilhante de lixo do Leblon
E quando ouvir o silêncio sorridente de São Paulo
Diante da chacina 111 presos indefesos, mas presos são quase todos pretos
Ou quase pretos, ou quase brancos quase pretos de tão pobres
E pobres são como podres e todos sabem como se tratam os pretos [...]
Composição: Caetano Veloso e Gilberto Gil
Explique, a partir dos versos da música, como funcionam os direitos no Brasil.
Textos para as questões 08 e 09.
“Livre do açoite da senzala, preso na miséria da favela”. Esta frase do Samba-Enredo da Mangueira em 1988, desvela a realidade da população negra brasileira no pós-abolição.
08. Por que isto ocorreu?
09. O que fazer para modificar essa realidade?
10. (CNDL) Analise o trecho da canção de Cazuza e Frejat e o poema de Augusto de Campos. Leve em consideração o processo político e social brasileiro e o papel da cultura na mobilização dos estudantes e intelectuais brasileiros.
Ideologia Meu partido é um coração partido E as minhas ilusões estão todas perdidas Os meus sonhos foram todos vendidos [...] E aquele garoto que ia mudar o mundo Frequenta agora as festas do Grand monde Meus heróis morreram de overdose Meus inimigos estão no poder Ideologia, eu quero uma pra viver
(Cazuza e Frejat, 1988)
(Augusto de Campos, 1985)
A partir da análise dos textos, considere as afirmações abaixo.
I – A década de 1980 caracteriza-se peleo declínio do entusiasmo político em comparação com as décadas passadas. Paradoxalmente, no processo de transição democrática, ocorre um refluxo das organizações estudantis e sindicais. II – Para Cazuza, falta ideologia para sua geração, acomodada pelos prazeres individuais e traída pelos interesses pessoais. III – Para Augusto de Campos, trata-se de um espécie de ressaca, de momento de reclusão, reflexão e balanço da atuação e dos desejos de sua geração, muito ativa nos anos 60 e 70.
Dentre as afirmativas, estão corretas. a) I e II. b) I e III. c) II e III. d) I, II e III.
sábado, 31 de outubro de 2009
FAZER O RESGATE SOB O SIGNO DO HUMOR: ri-se de quê?
Para Liu, sua missão de resgate vinha sendo cumprida:
Eu era essa bomba que tem que detonar e fazer as pessoas rirem. Faer rir é uma coisa super difícil, contar piada é uma cilada (...) Não basta ser uma boa piada é preciso saber contar. É um ofício doloroso. (Jornal A Gazeta, Caderno VIDA, p. 3E, 1995)
LIU ARRUDA: o falar cuiabano na língua da Comadre Nhara
Nesta esteira de resgate, Liu Arruda empunha a bandeira mais alta e busca escrever, produzir e encenar peças teatrais, criar personagens que falam cuiabanamente. Semelhantemente, refere-se Gruzinski (2001) a isso como o sintoma de um inquietante conservadorismo, através do qual poetas, escritores, cineastas exploram clichês em que o primitivo e o perene são o desejado. Foram inúmeras peças. A personagem Comadre Nhara, segundo Liu Arruda, foi totalmente inspirada em uma vizinha, falante do falar cuiabano, que era um mulher irreverente, debochada. Usava vestidos de chita coloridíssimos, usava leques para se abanhar e particularidade eram suas bolsas: sempre do mesmo tecido do vestido. A personagem, por sua vez, era moderna, conhecedora de problemas políticos e sociais que interessam a todas as classes. Essa criação não se ateve ao teatro. Seu sucesso foi tanto, que foi oferecido a ela um programa de TV – na TV Brasil Oeste – intitulado CARA-A-CARA com a COMADRE NHARA. A um só tempo, Nhara ganhou uma coluna, no Jornal A GAZETA: NHARA COMENTA.
Embora desprestigiada pelos professores, que preferem gêneros mais “nobres”, a música caipira/sertaneja oferece ótimo material para o ensino da História
Edilson Aparecido Chaves
Tornou-se comum nas salas de aula a utilização de composições da MPB como fonte de pesquisa histórica ou recurso para o ensino das ciências humanas de maneira geral. Os autores dos manuais didáticos que as selecionam costumam dar mais ênfase, no entanto, às canções produzidas durante os regimes de exceção (Estado Novo e regime militar) e às temáticas extraídas da Bossa Nova, do Tropicalismo, das chamadas “músicas de protesto” e do repertório da Jovem Guarda. O gênero caipira, ou sertanejo, tem sido simplesmente descartado. Não devia ser assim, sobretudo se levadas em conta as preferências populares. A música caipira continua sendo consumida por grande parte das famílias brasileiras, como destacou pesquisa feita pelo programa “Globo Rural” junto à ABPD (Associação Brasileira dos Produtores de Discos). O segmento caipira/sertanejo representa hoje 15% do mercado brasileiro, perdendo apenas para o gênero pop, em primeiro lugar, e a música romântica, que fica em segundo. Por que não incluí-la então nos manuais didáticos, sobretudo do ensino fundamental e médio, como fonte legítima de estudo e reflexão para os alunos?
As escolhas dos professores podem ser explicadas. O gênero caipira ainda é visto como simplório e desprovido de valor no seu conteúdo, tornando-se, ao longo dos anos, alvo de críticas na verdade bem inconsistentes. Assim, no meio escolar, passou-se a aceitar como fontes de cultura musical apenas aquelas canções privilegiadas pela indústria cultural. O conjunto dos gêneros musicais preferidos dos professores pertence sem dúvida às principais correntes históricas da MPB. Mas isso não devia justificar a ausência das canções caipiras. A exemplo de outras composições, o gênero sertanejo também se insere no contexto brasileiro, abordando temas de contestação ou exaltação de conjunturas políticas, sociais e econômicas bem significativos para o estudo e a compreensão da História.
Por outro lado, muitos dos jovens que lêem os livros didáticos trazem de suas famílias um gosto musical que não exclui a música caipira/sertaneja. Esta, a exemplo de outros gêneros considerados mais “nobres”, deveria ser reconhecida como possuidora de uma estética e uma identidade cultural próprias que, embora poucos levem isso em conta, remontam ao século XVI, quando a ação dos bandeirantes marcou não só um novo ciclo de dominação e descobertas, mas também a formação de uma nova cultura – a caipira. À medida que os bandeirantes avançavam pelo interior do país, ia-se criando uma fronteira entre dois mundos distintos: o “civilizado”, representado pelos descendentes brancos, e o “atrasado”, representado pelos nativos. Para o crítico literário Antonio Candido, foi da mistura desses dois mundos que surgiu o caipira, mescla de branco e índio, somado mais tarde ao sangue do negro.
A partir das primeiras ocupações no interior, outras áreas foram surgindo, como vilas, fazendas e arraiais. As informações não chegavam a esse homem simples, cercado pela miséria que as condições de vida lhe impunham, com a mesma velocidade com que chegavam aos habitantes das metrópoles. O caipira permaneceu, assim, portador de peculiaridades marcantes nos campos da religiosidade, da literatura, da comida, da dança e da música. A música caipira estava sempre associada a rituais religiosos, ao trabalho ou ao lazer, demonstrando dessa forma o universo dos primeiros caipiras, que tinham nesse tripé o elo de sua sociabilidade com o mundo exterior.
Outro aspecto que deve ser enfatizado: o caipira, tradicionalmente, sempre foi estigmatizado com atributos negativos e visto como um homem atrasado, destituído de cultura. Seu primeiro espaço social, o sertão, também era visto pelas elites como um espaço vazio, inculto, terra de variados tipos anti-sociais em que se incluíam criminosos, degredados, e às vezes, nas crendices populares, até lugar da morada do demônio. A cultura caipira foi, portanto, ao longo dos séculos, considerada uma cultura rústica e sem valor social.
Na década de 1920, coincidindo com os ecos da Semana de Arte Moderna, começaram a surgir estudos visando ao resgate dessa cultura, já então merecedora da denominação “popular”. Apareciam as primeiras canções caipiras gravadas em disco, como a célebre “Tristeza do Jeca”, composta por Angelino de Oliveira em 1918 e gravada em 1923. Mas será com o conjunto “Cornélio Pires e sua turma” que esse gênero musical entrará na indústria cultural.
Cornélio passou a se apresentar pelo interior paulista fazendo shows, tendo gravado seu primeiro disco em 1929. Como o gênero ainda era desconhecido, tirou para isso dinheiro do próprio bolso, apostando no sucesso que estava por vir. Essa cultura “rústica” passa aos poucos, então, a ser levada ao público das grandes cidades através dos programas de rádio, influenciando compositores urbanos, como Noel Rosa (“Festa no céu”, “Minha viola”, “Mardade cabocla”) Ary Barroso (“Rancho Fundo”) e Lamartine Babo (“Serra da Boa Esperança”).
Devido ao grande movimento migratório, acentuado no país na década de 1950, muitos homens do campo passam a integrar os segmentos da classe operária, mas sem esquecer o passado, como relata a narrativa desta composição (“Sodade do tempo veio”), assinada por Sorocabinha: “É só eu pegá na viola, me vem a recordação:/ o tempo do meu sitinho,/ que tudo era bom, ai.../ que tudo era bom/ (...) Hoje eu me vejo em São Paulo,/ nessa rica povoação,/ trabaiando de operário/ sendo que já fui patrão, ai.../ sendo que já fui patrão.” Temática semelhante usarão Dino Franco e Nhô Chico em “Caboclo na cidade”: “Seu moço eu já fui roceiro/no triângulo mineiro/ onde eu tinha meu ranchinho (...)/ então aconteceu isso/ resolvi vender o sítio/ e vim morar na cidade/ Nem sei como se deu isso/ Seu moço naquele dia/ eu vendi minha família/ e a minha felicidade.”
Nos dois casos, verifica-se um reajuste da cultura rural frente à urbana no qual a primeira passa obrigatoriamente a aceitar as condições impostas pela segunda. Mas o caipira jamais esqueceria sua origem – e um dos instrumentos utilizados para tal fim foi a música. Este repertório, se analisado com o respeito que merece, situando-o dentro do contexto histórico brasileiro, vai apresentar um caráter narrativo das dificuldades do homem rural na cidade grande e, ao mesmo tempo, a negação dos valores urbanos frente aos do sertão.
Se levadas para as salas de aula, as músicas caipiras – com o professor explorando as representações nelas contidas – poderiam se transformar em material didático de ótima qualidade sobre a realidade vivida pelo migrante em seu novo espaço de vida, a cidade. E não apenas isso. Entre os temas cantados nas modas e músicas caipiras/sertanejas, há também críticas a governantes e apreciações sobre os problemas do cotidiano, como é o caso da “Moda do bonde camarão”, antes denominada “Bonde camarão”, de Mariano da Silva e Cornélio Pires, em que um caipira, ao chegar à cidade de São Paulo, descreve a estranheza que lhe causam os bondes modernos: “Aqui em São Paulo/ o que mais me amola/ é esses bonde/ que nem gaiola./ Cheguei, abriro a portinhola,/ levei um tranco/ e quebrei a viola./ Inda puis dinheiro na caxa de esmola”.
Esta composição revela, num primeiro momento, a recusa do caipira em entender os processos do capitalismo na sua forma mais original, o da exploração, o que se revela no uso da máquina para se locomover e na “caxa” de esmola, que, na verdade, simboliza o lucro da empresa. Outros temas recorrentes são inflação e mudança de governo, como nos indica a letra de “A coisa ficou bonita”, de Tião Carrero e Lourival dos Santos: “Sofria sem esperança/ a população aflita/ A inflação furava o povo/ com sua espada esquisita/ Caiu do céu um governo/ trazendo força infinita/ O preço foi congelado/ quase ninguém acredita (...)/ A coisa que tava feia/ agora ficou bonita./ Presidente e seus ministros/ capricharam na escrita/ Pacotão veio bonito/ vejam só a cor da fita.
”A letra é uma referência ao primeiro governo pós-ditadura militar, para o qual foi eleito Tancredo Neves, que não chegou a assumir. Seu vice, José Sarney (1985-1990), recebeu um país com graves problemas sociais. A “esperança”, portanto, estava no combate à inflação que veio com o Plano Cruzado, cujas medidas de maior destaque estão presentes na letra: congelamento dos preços das mercadorias e reajuste automático dos salários, com o virtual aumento do poder de compra.
Boa parte da História do Brasil, como se vê, aparece nessas composições. O historiador Ubiratan Rocha chama a atenção para a preparação do professor. Segundo ele, arrolar diferentes falas históricas, sem a preocupação com uma teoria que possa ordená-las e dados que possam suplementá-las, pode resultar num relativismo inconseqüente. Para não se tratar simplesmente de memória em vez de História, é preciso que se desenvolva um esforço teórico, contextualizando os vários testemunhos. Diferentes pontos de vista são importantes não para que se possa tomar partido de um ou de outro, mas para se compreender melhor a realidade sob diferentes óticas.
A intenção deve ser sempre a de se superar uma visão simplista, buscando aliar o estudo de documentos históricos às letras de canções que traduzam parte da memória social. Além disso, poderá contribuir para a derrocada de preconceitos que ainda cercam o sertanejo, o caipira e sua produção poética/musical. A música caipira, sem dúvida alguma, no que expressa as angústias do homem do campo frente à realidade urbana, faz parte da nossa memória, embora este acervo valioso tenha sido injustamente menosprezado na sala de aula e subestimado no meio acadêmico.
Edilson Aparecido Chaves é professor de História e mestre em Educação pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) com a dissertação “A música caipira em aulas de História: questões e possibilidades”, 2006.