Logo após a transição política vivida durante o governo José Sarney, o Brasil viveu um período de movimentação política que consolidou a retomada do regime democrático no país. Em 1989, após vinte e nove anos, a população brasileira escolheria o novo presidente da República através do voto direto.
Conforme estabelecido na Constituição de 1988, o sistema político do país se organizaria de forma pluripartidária. Com a vigência do sistema pluripartidário, as mais variadas correntes de orientação política se estabeleceram no cenário político da época. Cercado por tantas opções, os eleitores se viam perdidos entre diferentes promessas que solucionariam os problemas do país.
Os setores de direita não conseguiram emplacar um candidato capaz de garantir uma vitória tranqüila no pleito presidencial. Tal enfraquecimento político se deu por conta das frustradas tentativas de sanear a economia. Dominado por políticos de direita, o governo José Sarney (1985 – 1990) foi palco de constantes arrochos salariais e, principalmente, de grandes surtos inflacionários.
Já os partidos de esquerda viriam a lançar duas influentes figuras políticas que poderiam polarizar a disputa daquela eleição. De um lado, Luís Inácio Lula da Silva, representando o Partido dos Trabalhadores e com base política assentada entre os trabalhadores e as principais lideranças sindicais do país. De outro, Leonel Brizola, filiado ao Partido Democrático Trabalhista, e apoiado em sua extensa vida política influenciada pela política trabalhista da Era Vargas (1930 – 1954).
Buscando reverter o quadro desfavorável, a direita tentou emplacar a candidatura do empresário das telecomunicações Sílvio Santos, logo impugnada pelo Superior Tribunal Eleitoral. Temendo uma vitória dos setores de esquerda e sem nenhum concorrente de peso, os partidos de direita passaram a apoiar um jovem político alagoano chamado Fernando Collor de Melo. Com boa aparência, um discurso carismático e o apoio financeiro do empresariado brasileiro, Collor se transformou na grande aposta da direita.
Atraindo apoio de diferentes setores da sociedade, Collor prometia modernizar a economia promovendo políticas de cunho neo-liberal e a abertura da participação estrangeira na economia nacional. Ao mesmo tempo, fazia discursos de orientação religiosa, se auto-proclamava um “caçador de marajás” e alertava sobre os perigos de um possível governo de esquerda.
No primeiro turno, a apuração das urnas deixou a decisão para um segundo pleito a ser disputado ente Collor e Lula. Mesmo tendo um significativo número de militantes durante seus comícios, a inabilidade do candidato do PT diante as câmeras acabou enfraquecendo sua campanha. De outro lado, Collor utilizou com eficácia o vantajoso espaço nas mídias a ele cedido. Com a apuração final, tais diferenças de proposta e, principalmente, comportamento garantiram a vitória de Fernando Collor de Melo.
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
O voto direto
Igor Vieira, professor de história do cursinho pH, dá uma aula sobre o voto direto, que é configurado quando o cidadão vota no candidato ao cargo eletivo.
Mas nem sempre o cidadão brasileiro teve esse direito. Durante a ditadura militar, o governo estabeleceu o voto indireto. No final deste período houve uma grande mobilização dos cidadãos brasileiros para conquista do voto direto. O movimento ficou conhecido como Diretas Já.
Durante o governo de José Sarney é elaborada a constituição. A primeira eleição livre após a ditadura ocorre em 1989, quando Fernando Collor de Mello é eleito.
Evolução da estrutura partidária brasileira
O professor de História do Cursinho PH, Igor Vieira, aborda a estrutura partidária brasileira ao longo do período republicano. O Brasil tem uma estrutura pluripartidarista fruto da evolução democratica no país.
quinta-feira, 10 de junho de 2010
Eleições presidenciais, a disputa vai começar...
Já estamos começando a entrar no clima das eleições presidenciais que acontecerá no próximo mês de outubro,a disputa já está se acirrando.
Vamos relembrar como eram os meses que antecederam as eleições de 1989 em no país através de uma sátira do cantor Alipio Martins para as supostas candidaturas presidenciais ocorridas no final da década de 1980, quando após 21 anos de ditadura militar, o povo brasileiro pode finalmente escolher o presidente da República de forma direta, isso ocorreu em 1989.
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
Eleição presidencial brasileira de 1989
Em 15 de janeiro de 1985, Tancredo Neves vence as eleições para presidente da República do Brasil no Colégio Eleitoral, encerrando a ditadura militar no país. Entretanto, Neves morre e quem assume o cargo é José Sarney, seu vice. Sarney é visto com suspeita pela população, pois faz parte de uma dissidência da Aliança Renovadora Nacional (rebatizada de Partido Democrático Social em 1980), o partido dos militares, que mais tarde formaria o Partido da Frente Liberal (atual Democratas). Isso sem contar que havia dúvidas constitucionais sobre se era Sarney ou o então presidente da Câmara dos Deputados, Ulysses Guimarães, quem deveria assumir o cargo e que foi decisivo o apoio do general Leônidas Pires Gonçalves, indicado por Neves como Ministro do Exército, para que a posse de Sarney se concretizasse. Entretanto, conforme prometido, o governo Sarney redemocratizou o país e, em 1986, ocorreram eleições para formar a Assembléia Nacional Constituinte, que promulgou uma nova constituição em 5 de outubro de 1988. A Constituição determinava a realização de eleições diretas para presidente, governador, senadores e deputados no ano seguinte. Durante o governo Sarney, partidos até então clandestinos como o PSB e o PC do B foram legalizados.
Criou-se a partir de então uma grande expectativa por parte da sociedade brasileira pelas possíveis candidaturas que lançariam para a corrida presidencial de 1989 afinal há quase trinta anos o eleitor brasileiro não elegia seu presidente da República. Uma geração inteira de brasileiros, ainda não eleitora em 1960, quando Jânio Quadros vence as eleições, vota em 1989 pela primeira vez para presidente da República.
SANTIAGO. O interior, ano 16, nº 773, 16 a 21/11/1989.
O cantor paraense Alipio Martins foi bastante sagaz em fazer uma leitura bastante crítica daquele contexto histórico brasileiro ao lançar uma canção intitulada "Os presidenciáveis" em que conjecturava os potenciais candidatos ao cargo de principal mandatário da nação, entre esses digníssimos postulantes eram mencionados os nomes de Lula, Brizola, Jânio Quadros, Ulisses Guimarães, do presidente José Sarney em fim de mandato, e até os nomes do apresentador Silvio Santos (o que acabou por se concretizar por algum tempo) e de Pelé, nomes que desfrutavam de grande popularidade na época, foram citados na letra da música.
Assim sendo, as eleições de 1989 foram as primeiras desde 1960 em que os cidadãos brasileiros aptos a votar escolheram seu presidente da República. Por serem relativamente novos, os partidos políticos estavam pouco mobilizados e vinte e duas candidaturas à presidência foram lançadas. Essa quantidade expressiva de candidatos mantém o recorde de eleição presidencial com mais candidatos. Entre eles, os representantes da esquerda, Leonel Brizola (PDT), Roberto Freire (PCB) e Luís Inácio Lula da Silva (PT). Entre os moderados estavam Ulisses Guimarães, Mario Covas e Aureliano Chaves. Representando a direita concorriam Paulo Maluf (PDS) e Fernando Collor (PRN). Outros candidatos de menor expressão também se habilitaram ao cargo.
A campanha presidencial transcorreu numa conjuntura internacional específica: a do colapso do socialismo e da emergência do neoliberalismo e da globalização. Os dois candidatos mais fortes, Collor e Lula, tinham posições diametralmente opostas. Enquanto Collor defendia o receituário neoliberal, Lula voltava-se para a defesa da justiça social, da reforma agrária, da moratória da dívida externa e de uma política de combate à miséria e ao desemprego.
Lula votando no segundo turno das eleições de 1989.
Como nenhum candidato obteve a maioria absoluta dos votos válidos, isto é, excluídos os brancos e nulos, a eleição foi realizada em dois turnos, conforme a então nova lei previa. O primeiro foi realizado em 15 de novembro de 1989, data que marcava o centésimo aniversário da proclamação da República, e o segundo em 17 de dezembro do mesmo ano. Foram para o segundo turno os candidatos Luiz Inácio Lula da Silva, da coligação encabeçada pelo Partido dos Trabalhadores, e Fernando Collor de Mello, da coligação encabeçada pelo hoje extinto Partido da Reconstrução Nacional. O nível de entusiasmo era grande, com artistas participando ativamente da campanha de Lula, cantando o hoje célebre jingle "Lula Lá" no horário reservado à propaganda eleitoral do candidato. Outros, como Marília Pêra, preferiram apoiar à candidatura de Fernando Collor de Mello e foram duramente criticados mais tarde, durante o processo de impeachment do mesmo. Durante o segundo turno, um pool de emissoras (Rede Bandeirantes, Rede Globo, Rede Manchete e SBT) realizou dois debates entre os candidatos.
Lula e Collor no debate televisivo, ao fundo a apresentadora Marília Gabriela.
Durante o
Jornal Nacional do dia seguinte, um dos debates (o segundo) foi editado de uma forma em que o candidato do PRN parecia ter se saído melhor do que o do PT. Tal fato foi visto como uma ação de favoritismo político a Collor, que até então mantinha um relacionamento forte com Roberto Marinho, dono da Globo. Muitos atribuem a vitória de Collor na eleição devido a este fato em específico. Mas também há outros que influenciaram o voto do eleitor, como a revelação que a campanha de Collor fez sobre a existência de uma filha que Lula teve fora do casamento. A ex-namorada de Lula participou da campanha de Collor, denunciando aos eleitores que Lula mandou-lhe fazer um aborto e que lhe tinha confessado que odiava negros. Há, entretanto, quem defenda que a simples "inexperiência" de Lula em cargos executivos o fez perder a eleição. Fernando Collor de Mello e sua ex-esposa, Rosane Collor, em campanha pela presidência.
Novamente para celebrar esse acontecimento histórico brasileiro, o cantor Alipio Martins apresentou mais um exemplo de sua genialidade política, com inteligência política similar a de Juca Chaves, apresenta desta feita as lamentações dos candidatos derrotados no pleito eleitoral daquele ano. Ao longo da letra da canção são ilustrados as falas de Lula que promete fazer um governo paralelo e comenta que só não ganhou por não ter os ternos de Collor e este não possuir a sua barba. Em seguida é a vez de Leonel Brizola que diz "Conseguiram te enganar! Conseguiram me enganar! Eu nadei e morri na lagoa e o que é pior com um sapo barbudo" numa clara referência à aliança entre PT e PDT no segundo turno. A seguir é a vez de Aureliano Chaves, candidato do PFL que se recusou a renunciar em favor do proprietário do Baú da Felicidade que tripudia dizendo que enquanto ele ficará fazendo seus programas de auditório, Chaves ficará em casa de pijamas. Até mesmo o candidato Afif Domingos, aquele que se popularizou pelo jingle "dois patinhos na lagou, vote Afif 22" e pelo slogan "juntos chegaremos lá", é mencionado como aquele que acreditou nas promessas da vidente que havia lhe garantido que este seria eleito e o mesmo acabou caindo como patinho.
Foi uma brilhante leitura do contexto histórico que encheu os brasileiros de esperança em um futuro melhor, com a consolidação da democracia, o controle inflacionário, a estabilidade econômica e principalmente a melhoria dos indicadores sociais no país.