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sábado, 31 de outubro de 2009

FAZER O RESGATE SOB O SIGNO DO HUMOR: ri-se de quê?

Para Liu, sua missão de resgate vinha sendo cumprida:

Eu era essa bomba que tem que detonar e fazer as pessoas rirem. Faer rir é uma coisa super difícil, contar piada é uma cilada (...) Não basta ser uma boa piada é preciso saber contar. É um ofício doloroso. (Jornal A Gazeta, Caderno VIDA, p. 3E, 1995)
LIU ARRUDA: o falar cuiabano na língua da Comadre Nhara

Nesta esteira de resgate, Liu Arruda empunha a bandeira mais alta e busca escrever, produzir e encenar peças teatrais, criar personagens que falam cuiabanamente.
Semelhantemente, refere-se Gruzinski (2001) a isso como o sintoma de um inquietante conservadorismo, através do qual poetas, escritores, cineastas exploram clichês em que o primitivo e o perene são o desejado.
Foram inúmeras peças. A personagem Comadre Nhara, segundo Liu Arruda, foi totalmente inspirada em uma vizinha, falante do falar cuiabano, que era um mulher irreverente, debochada. Usava vestidos de chita coloridíssimos, usava leques para se abanhar e particularidade eram suas bolsas: sempre do mesmo tecido do vestido. A personagem, por sua vez, era moderna, conhecedora de problemas políticos e sociais que interessam a todas as classes.
Essa criação não se ateve ao teatro. Seu sucesso foi tanto, que foi oferecido a ela um programa de TV – na TV Brasil Oeste – intitulado CARA-A-CARA com a COMADRE NHARA. A um só tempo, Nhara ganhou uma coluna, no Jornal A GAZETA: NHARA COMENTA.