sábado, 16 de abril de 2011

Confira as avaliações de História Geral P1 do segundo bimestre






PRIMEIRO ANO - HISTÓRIA GERAL

1. (UFG) A história do Mediterrâneo é a história das migrações populacionais e da circulação de valores de culturas distintas.

Discorra sobre a expansão árabe, a partir da unificação islâmica na Idade Média.

resposta:
No ano de 630 Maomé e seus seguidores ocuparam a cidade de Meca, destruíram os ídolos da Caaba, símbolos do politeísmo, e assim fundou-se o Islão - Estado Teocrático dos crentes. Esse fato é considerado como a unificação política e religiosa dos povos árabes, agora comandados pelo Califa.

O Expansionismo árabe iniciou-se logo após a morte de Maomé tanto em direção ao oriente como ao ocidente. As conquistas islâmicas se ampliaram sob os califas Omíadas (661 - 750) e foram preservadas pelos Abássidas, (750- 1258) apesar das diversas divisões políticas, iniciadas com a fundação do Emirado de Córdova em 756.

O processo expansionista foi fulminante, estimulado por interesses em dominar rotas de comércio, pela cultura do botim, pela Guerra Santa e também pela fraqueza dos adversários: O império Persa que desapareceu, O império Bizantino, que foi reduzido, perdendo seus territórios na Palestina e norte da África, e os Reinos Bárbaros da região do Magreb e da Península Ibérica, que foram derrotados. Na Europa, o expansionismo muçulmano foi contido pelos Francos, na famosa Batalha de Poitiers em 732. Durante a Dinastia dos Abássidas o comércio árabe atingiu grande extensão, destacando-se o comércio de especiarias com as Índias, as várias rotas de contato com Constantinopla e as várias rotas do norte africano pelo interior, realizado por caravanas, que traziam ouro para a cidade de Ceuta, objeto de interesse português no século X.

Apesar da centralização política e religiosa, a história do império árabe caracterizou-se por várias disputas pelo poder e consequentemente por divisões, de onde inclusive nasceram as duas seitas mais importantes do Islamismo: sunitas e xiitas.


2. (UNESP) A Arábia, durante anos, viveu à margem do mundo antigo. A rapidez vertiginosa das conquistas não impediu a fraqueza relativa dos espaços ocupados. Demasiadamente extenso, o império árabe cedo se esfacelou, mas deixou as marcas da fé. Esclareça o principal objetivo de Maomé ao pregar o islamismo.


resposta: Acabar com o politeísmo e estabelecer o monoteísmo, ou seja, promover a unificação política e religiosa da Península arábica.



3. (Puccamp) Maomé criou para os árabes


a) uma nova forma de organização política, que se utilizava de mecanismos rudes e cruéis no tratamento com os povos conquistados.
b) um Estado muçulmano de caráter autocrático, que se estruturou com as conquistas realizadas na Inglaterra e Escócia.
c) uma nova forma de organização política e social, cujos laços de união baseavam-se na identidade religiosa e não no parentesco.
d) um Estado muçulmano cuja direção do Governo era exercida pelo condestável.
e) um Estado muçulmano cuja sede, no período da Dinastia dos Omíadas, foi transferida para Bagdá.

resposta:[C]


4. (Puccamp) Entre os séculos VII e IX, os árabes realizaram uma grande expansão territorial principalmente no Norte da África, na Península Ibérica e em muitas regiões do Oriente, controlando, inclusive, o mar Mediterrâneo. Sobre essa expansão, é correto afirmar que

a) se moveu exclusivamente por interesses religiosos, visando impor às regiões conquistadas os princípios estabelecidos no "Corão", através das chamadas "guerras santas".

b) as lutas constantes entre árabes e cristãos impossibilitaram a estes adquirir os conhecimentos que os árabes tinham, sobretudo os relacionados à navegação e às técnicas de irrigação.

c) os árabes exerceram uma postura intolerante em relação aos valores culturais nas regiões conquistadas, obrigando os povos a assimilarem seus conhecimentos científicos e religiosos.

d) a contra-ofensiva, desencadeada pelos cristãos, entre os séculos VIII e XI, possibilitou a unificação da Igreja cristã que, através da guerra santa, conseguiu reconquistar a Península Ibérica no século XI.

e) a guerra santa árabe consistiu num difusor dos princípios da mensagem de Alá, contribuindo como elemento fundamental para a expansão islâmica, uma vez que conciliava interesses materiais e espirituais.


resposta:[E]




5. (UECE) Sobre os fundamentos do Islã ou Islame, assinale o correto.

a) É uma religião politeísta que surgiu no final do século IV d.C. e tem em Maomé seu principal mártir. Seu livro sagrado é o Talmude.

b) É uma religião monoteísta que surgiu no século X d.C.. Sua sede religiosa é a cidade de Medina e seu livro sagrado é a Kaaba.

c) É uma religião politeísta que surgiu no século I d.C.. Sua sede é Jerusalém, Maomé seu fundador e não tem um livro sagrado.

d) É uma religião monoteísta que surgiu no século VII d.C. Seu profeta é Maomé e seu livro sagrado é o Alcorão.



resposta:[D]




Questões extras







1. (Unesp) "Quando Maomé fixou residência em Yatrib, teve início uma fase decisiva na vida do Profeta, em seu empenho de fazer triunfar a nova religião. A cidade de Yatrib, que doravante seria chamada de Madina al-nabi (Medina, a cidade do Profeta), tornou-se a sede ativa de uma comunidade da qual Maomé era o chefe espiritual e temporal."

(Robert Mantran, EXPANSÃO MUÇULMANA.)


Essa mudança para Medina, que assinala o início da era muçulmana, ficou conhecida como




a) Xiismo.

b) Sunismo.

c) Islamismo.


d) Hégira.


e) Copta.


resposta:[D]


2. (Unesp) O Império Árabe está associado a um legado cultural islâmico secular. Assinale o significado histórico correto da expressão islâmica que se manifesta na crise atual do Golfo Pérsico.


a) "Jihad" é a luta pela fé, pela restauração da palavra de Alá e ação contra a opressão.

b) "Muçulmano" é ser árabe necessariamente.

c) "Mesquita" é livro sagrado.

d) "Kiffer" é aquele que pratica rezas diárias e segue o Islã.


e) "Hégira" é vocábulo árabe que no léxico português significa tufão.

resposta:[A]







SEGUNDO ANO - HISTÓRIA GERAL


Vá para o oeste, jovem, e cresça com o país.

Essa expressão, criada por Horace Greeley, em 1851, simboliza a expansão territorial realizada pelos Estados Unidos ao longo do século XIX.

1.(UERJ – 2001) Relacione a marcha para o oeste” com a doutrina do Destino Manifesto”.

resposta: Depois de conquistar a independência em 1776, a nova nação inicou sua expansão territorial tendo como justificativa a ideologia do Destino Manifesto, ou seja, a certeza de que o povo norte-americano fora predestinado por Deus a ocupar e colonizar as terras que se estendiam até o Pacífico; havia sido escolhido por Deus para levar seus valores a territórios sob o poder de outros Estados ou dos “peles vermelhas”. A maior parte dos primeiros habitantes dos EUA eram protestantes que viam o lucro e as riquezas como consequência de uma escolha divina e do trabalho, e não como um pecado. Essa ética protestante foi um importante fator cultural que justificou a expansão territorial norte-americana sendo considerada natural e benéfica, e não uma agressão aos povos que já habitavam o território. Na realidade, a doutrina do Destino Manifesto justificou, no inicio, a conquista de terras até o limite natural imposto pelo Rio Mississipi (área original das Treze Colônias inglesas); posteriormente, foram conquistados novos territórios que se estendem até o oceano Pacífico. A incorporação de novos territórios fez parte do periodo do imperialismo interno, que se iniciou na independência que a nação americana obteve em relação à Inglaterra em 1776, e continuou durante o século XIX, no período conhecido como Marcha para o Oeste. A fome de terras dos imigrantes e as agressões cometidas em nome do Destino Manifesto dos EUA contribuíram para empurrar suas fronteiras desde o rio Mississípi até a costa oeste.



2. (UFRRJ) 1899 Nova lorque

MARK TWAIN PROPÕE MUDAR A BANDEIRA


(...) Em plena euforia imperial, os Estados Unidos celebram a conquista das ilhas do Havaí, Samoa e as Filipinas, Cuba, Porto Rico e uma ilhota que se chama, eloquentemente, dos Ladrões. O oceano Pacífico e o mar das Antilhas viraram lagos norte-americanos, e está nascendo a United Fruit Company; mas o escritor Mark Twain, velho estraga-festas, propõe que se mude a bandeira nacional: que sejam negras, diz, as listas brancas, e que umas caveiras com tíbias cruzadas substituam as estrelas.(...)"




(GALEANO, Eduardo. "As Caras e as Máscaras". Nova Fronteira, Rio, 1985. p.341.)

Há exatos cem anos, os Estados Unidos da América estavam inseridos em um processo de dominação territorial e econômica que afetou, igualmente, as grandes potências européias e o Japão.


a) Nomeie esse processo e cite uma de suas principais características econômicas.


resposta: Imperialismo, cuja principal característica econômica é utilizar os territórios dominados como mercado consumidor cativo dos interesses do país dominante.

b) Explique as razões de Mark Twain para sua proposta.

resposta: Identificava os efeitos nefastos e desumanos do expansionismo norte-americano para as nações dominadas.

3. (UFMG) Leia este trecho de documento: Odeio-a porque impede a nossa República de influenciar o mundo pelo exemplo da liberdade; oferece possibilidade aos inimigos das instituições livres de taxar-nos, com razão, de hipocrisia e faz com que os verdadeiros amigos da liberdade nos olhem com desconfiança. Mas, sobretudo, porque obriga tantos entre nós, realmente bons, a uma guerra aberta contra os princípios da liberdade civil. Discurso de Abraham Lincoln, em 1859. Nesse trecho de discurso, Abraham Lincoln, que seria eleito Presidente dos Estados Unidos no ano seguinte, faz referência

a) à política de segregação racial existente nos estados do sul dos Estados Unidos, que gerou a formação de organismos voltados ao extermínio dos negros, à destruição de suas propriedades e a atentados constantes contra suas comunidades.

b) à posição dos estados do sul de defesa intransigente de tarifas protecionistas, o que levava os Estados Unidos a comprometer a crença na liberdade de mercado, numa conjuntura de predomínio do capitalismo liberal.

c) à questão da escravidão, que levou a uma guerra civil, nos Estados Unidos, entre o Norte, industrializado, e o Sul, que lutava para preservar a mão-de-obra escrava nas suas plantações de produtos para a exportação.

d) à defesa, pelos imigrantes, do extermínio dos índios nas terras conquistadas a oeste, especialmente após a edição do "Homestead Act", visando ao desenvolvimento da agricultura e da pecuária naquelas áreas.

resposta:[C]

4. (FUVEST) Entre as mudanças ocorridas nos Estados Unidos, após a Guerra de Secessão (1861-1865), destacam-se:

a) a garantia de direitos civis e políticos aos negros - incluindo o direito ao sufrágio universal - e o reconhecimento da cidadania dos imigrantes recém-chegados.

b) a consolidação da unidade nacional, a chegada de novas levas de imigrantes, o aumento do mercado interno e um grande desenvolvimento industrial.

c) graves desentendimentos em relação às fronteiras com o México, levando a uma nova guerra, na qual os Estados Unidos ganharam metade do território mexicano.

d) o incentivo à vinda de imigrantes e a definitiva ocupação do oeste, cujas fronteiras, em 1865, ainda estavam nas Montanhas Rochosas.

e) o empobrecimento e a humilhação do Sul, que, derrotado pelo Norte, foi alijado das esferas do poder federal e teve sua reconstrução impedida.


resposta:[B]


5. (Mackenzie) Dentre as razões que determinaram a elaboração do Dispositivo separatista da Carolina do Sul, que deu origem à Guerra Civil Americana, destacamos:


a) as leis intoleráveis e a Independência dos Estados Unidos da América.

b) a adoção de tarifas protecionistas e a eleição de Abraham Lincoln.

c) a ocupação das terras do Oeste e a Guerra dos Sete Anos.


d) os interesses dos Estados industriais do sul, contrários aos latifundiários do norte.


e) a eleição do abolicionista Jefferson Davis, o fim da escravidão e a Guerra Civil.



resposta:[B]


Questões extras

1. (UFSM) :"Tinha de haver uma luta (...). Os estados do sul e os do norte trabalhavam de maneira diferente, pensavam diferente, viviam diferente. No norte a lavoura em pequena escala, o transporte por navios, as manufatura que cresciam, tudo produzido pelo trabalho branco; no sul havia a monocultura com o trabalho negro. (...) Essa luta se arrastou por 60 anos, e finalmente eclodiu com a guerra civil." (HUBERMANN, Leo. "História da Riqueza dos Estados Unidos." Ed. São Paulo: 1983.) Esse texto remete à Guerra de Secessão Norte-Americana (1861-1865) que teve como conseqüência(s):

I. a marginalização do negro que, após a escravidão, passou a sofrer uma série de pressões, inclusive de organizações, como Ku-Klux-Klan.

II. a aprovação de tarifas protecionistas que levaram ao avanço do processo capitalista norte-americano.

III. a vitória da industrialização, a desorganização econômica do sul escravocrata, o rompimento do isolacionismo e o início da política imperialista.

Está(ão) correta(s)

a) apenas I.

b) apenas II.

c) apenas III.

d) apenas II e III.

e) I, II e III.


resposta:[E]


2. (UFES) Mil pormenores da vida cotidiana mostrariam facilmente como as vantagens políticas concedidas aos negros se revelaram vãs. Os direitos políticos foram contornados e o negro mantido em seu "lugar inferior". Tanto assim que ele não deixou o Sul...

(BRAUDEL, Fernand. "Gramática das civilizações". São Paulo: Martins Fontes, 1989, p. 431.)


Esse quadro delineia-se nos Estados Unidos da América após a Guerra da Secessão (1861-1865), que colocou em conflito os estados americanos do Sul e do Norte. Explique a questão da escravidão como uma das causas do conflito.

resposta: A Guerra de Secessão consistiu na luta entre 11 Estados Confederados do Sul latifundiário, aristocrata e defensor da escravidão, contra os Estados do Norte industrializado, onde a escravidão tinha um peso econômico bem menor do que no Sul. Estas diferenças estão entre as principais causas da guerra e têm origem ainda no período colonial: enquanto o desenvolvimento do Norte estava ligado à necessidade de crescimento do mercado interno e do estabelecimento de barreiras proteccionistas, o crescimento Sulista era baseado precisamente no oposto, ou seja: o liberalismo económico que abria todo o Mundo às agro-exportações e com mão-de-obra escrava (de origem africana) como base da produção.



TERCEIRO ANO - HISTÓRIA GERAL


1. (G1) Explique o que foi o Tratado de Nanquim em 1842.

Resposta: Após sua derrota para a Inglaterra na Guerra do Ópio, a China foi obrigada a fazer uma série de concessões aos britânicos, tais como, a abertura de seus portos para a entrada de produtos provenientes da Inglaterra e ainda, fornecer o direito de extraterritorialidade, ou seja, de livre circulação inglesa em território chinês e a livre navegação pelo rio Yang-Tsé.


2. (UFPR) Eça de Queirós, em CARTAS DA INGLATERRA, afirma que "em toda a parte onde (o inglês) domine e impere, todo o esforço consiste em reduzir as civilizações estranhas ao tipo da sua civilização anglo-saxônica".

Como os europeus de fins do século XIX e início do século XX justificavam sua prática imperialista?

Resposta: A prática imperialista inglesa era camuflada como se tratasse de um ato de caráter humanitário, civilizador e evolucionista, na medida em que, baseados nesse tal ato civilizador, os ingleses seriam responsáveis por levar a evolução técnico-científica com o objetivo de “civilizar” os povos africanos e asiáticos – a justificativa era o chamado “fardo do homem branco” – levar o progresso para as populações “não-civilizadas”.



3. (Cesgranrio) :A industrialização acelerada de diversos países, ao longo do século XIX, alterou o equilíbrio e a dinâmica das relações internacionais. Com a Segunda Revolução Industrial emergiu o Imperialismo, cuja característica marcante foi o(a):

a) substituição das intervenções militares pelo uso da diplomacia internacional.

b) busca de novos mercados consumidores para as manufaturas e os capitais excedentes dos países industrializados.

c) manutenção da autonomia administrativa e dos governos nativos nas áreas conquistadas.


d) procura de especiarias, ouro e produtos tropicais inexistentes na Europa.

e) transferência de tecnologia, estimulada por uma política não intervencionista.


resposta:[B]


4. (FUVEST) A expansão colonialista europeia do século XIX foi um dos fatores que levaram:

a) à diminuição dos contingentes militares europeus.

b) à eliminação da liderança industrial da Inglaterra.

c) ao predomínio da prática mercantilista semelhante à do colonialismo do século XVI.


d) à implantação do regime de monopólio.


e) ao rompimento do equilíbrio europeu, dando origem à Primeira Guerra Mundial.

resposta:[E]

5. (Mackenzie) Uma das alternativas a seguir NÃO corresponde às diferenças entre o colonialismo do século XVI e o Neocolonialismo do século XIX.



a) A principal área de dominação do Colonialismo europeu foi a América e o Neocolonialismo voltava-se para a África e a Ásia.

b) O Colonialismo teve como justificativa ideológica a expansão da fé cristã, enquanto que no Neocolonialismo, a missão civilizadora do homem branco foi espalhar o progresso.


c) Os patrocinadores do Colonialismo foram a burguesia financeiro-industrial e os Estados da Europa, América e Ásia, enquanto que os do Neocolonialismo, o Estado metropolitano europeu e sua burguesia comercial.


d) O Colonialismo buscava garantir o fornecimento de produtos tropicais e metais preciosos, enquanto que o Neocolonialismo, a reserva de mercados e o fornecimento de matérias-primas.

e) A fase do capitalismo em que o Colonialismo se desenvolveu denominou-se Capitalismo Comercial e a do Neocolonialismo, Capitalismo Industrial e Financeiro.


resposta:[C]





Questões extras


1. (G1) “... a Europa inchou de maneira desmedida com ouro e matérias-primas dos países coloniais: América Latina, China e África. De todos esses continentes, partem há séculos os diamantes e o petróleo, a seda e o algodão, as madeiras e os produtos exóticos. A Europa é literalmente a criação do Terceiro Mundo". Frantz Fanon.

Explique o papel das multinacionais na substituição do modelo colonial, na manutenção do poderio europeu e também norte-americano e na existência do Terceiro Mundo, conforme foi citado no texto acima. Explique o papel das multinacionais na substituição do modelo colonial, na manutenção do poderio europeu e também norte-americano e na existência do Terceiro Mundo, conforme foi citado no texto acima.


resposta: Após o fim dos impérios coloniais na América Latina, entre as duas Guerras Mundiais, as nações industrializadas encontraram nas multinacionais ou transnacionais uma maneira muito mais efetiva e lucrativa de dominar e explorar os países pobres.

2. (G1) O que foi a Conferência de Berlim de 1884-1885?

resposta: O Congresso de Berlim realizado entre 19 de Novembro de 1884 e 26 de fevereiro de 1885 teve como objetivo organizar, na forma de regras, a ocupação de África pelas potências coloniais e resultou numa divisão que não respeitou, nem a história, nem as relações étnicas e mesmo familiares dos povos do Continente.


Confira a avalição de História do Brasil (terceiro ano) P1 Segundo Bimestre

CNDL - COLÉGIO NOTRE DAME DE LOURDES

COLEÇÃO PITÁGORAS

TERCEIRO ANO – HISTÓRIA DO BRASIL

A CRISE DO SISTEMA COLONIAL

A TRANSFERÊNCIA DA CORTE PORTUGUESA PARA O BRASIL

O PROCESSO DE INDEPENDÊNCIA DO BRASIL


1. (FUVEST)

"Atrás de portas fechadas, à luz de velas acesas,

entre sigilo e espionagem

acontece a Inconfidência."

(Cecília Meireles. ROMANCEIRO DA INCONFIDÊNCIA)

Explique:


a) Por que a Inconfidência, acima evocada, não obteve êxito?

Resposta 1a: Faltou organização militar e apoio popular.



b) Por que, não obstante seu fracasso, tornou-se o movimento emancipacionista mais conhecido da história brasileira?

Resposta 1 b: Foi a primeira tentativa de emancipação política no Brasil e também devido ao fato de ter sido um movimento elitista e republicano. Além disso, não podemos esquecer que após a Proclamação da República no Brasil (1889) Tiradentes foi alçado à condição de herói como forma de legitimar o novo regime que naquela ocasião se fundava.


2. (UFF) A conspiração que teve lugar nas Minas Gerais em final do século XVIII, e que culminou com a execução de Joaquim José da Silva Xavier, pode ser vista com mais um dos momentos de rebeldia colonial contra o monopólio metropolitano.

Sobre a Inconfidência Mineira, é correto afirmar ter sido:


a) um movimento de caráter revolucionário, visando a abolição da escravatura na zona mineradora e a constituição de uma república igualitária.


b) um movimento inspirado na revolução americana de 1776 e no pensamento ilustrado da época, de caráter antimonopolista, e que pretendia estabelecer, em condições escravistas, o pleno controle da sociedade mineira pelos proprietários.


c) um movimento isolado, sem nenhuma vinculação com o estado de espírito existente na Europa e na América naquela época, e por isso fracassou.


d) uma reação contra a penetração de interesses econômicos britânicos na região mineradora e favorável ao restabelecimento dos reais interesses lusitanos na área, mas não contou com o apoio da Coroa portuguesa.


e) em parte, fruto da ação de agentes americanos, que pretendiam com isso estabelecer influência sobre a região mineradora das Minas Gerais; de outro lado, expressou a mobilização dos setores escravizados, parte essencial do movimento conspiratório.

Resposta 2: B


3. (UFCE) Texto 1

Animai-vos, povo bahiense! Esta por chegar o tempo feliz da nossa libertação! O tempo que seremos todos irmãos; tempo que seremos todos iguais. Vamos lutar para que não haja mais diferença entre a cor branca, parda e preta. Seremos todos felizes, sem exceção de pessoas. (Fonte: PAIVA, Miguel e SCHWARCZ, Lilia Moritz. Da Colônia ao Império: um Brasil para Inglês ver... e latifundiário nenhum botar defeito. São Paulo, Brasiliense, s/d, p. 27.)


Texto 2

Cada um, soldado e cidadão, mormente os homens pardos e pretos que vivem encornados e abandonados, serão iguais, não haverá diferença, só haverá liberdade, igualdade e fraternidade.

(Fonte: NADAI, Elza e NEVES, Joana. História do Brasil: da Colônia a República. São Paulo, Saraiva, 1993. p. 119.)


Os textos 1 e 2 são parte integrante de panfletos de líderes revolucionários que expressam o ideário de um importante movimento social ocorrido no Brasil, no contexto da crise do sistema colonial, e que contou corn expressiva participação popular. Estamos nos referindo a:


a) Balaiada.


b) Sabinada.


c) Revolta dos Alfaiates.


d) Revolta dos Cabanos.


e) Revolta dos Escravos Males.

Resposta 3: C. Os textos caracterizam a Conjunração Baiana, movimento também conhecido como Revolta dos Alfaiates.



4. (UERJ) "Possa este, para sempre memorável dia, ser celebrado com universal júbilo por toda a América Portuguesa, por uma dilatada série de séculos, como aquele em que começou a raiar a aurora da felicidade, prosperidade e grandeza, a que algum dia o Brasil se há de elevar, sendo governado de perto pelo seu soberano. Sim, nós já começamos a sentir os saudáveis efeitos da paternal presença de tão ótimo príncipe, que [...] nos deu as mais evidentes provas, que muito alentam as nossas esperanças, de que viera ao Brasil a criar um grande Império."


Luís Gonçalves dos Santos "Memórias para servir à História do reino do Brasil". Belo Horizonte: Ed. Itatiaia, São Paulo: EDUSP, 1981.


O texto acima revela o entusiasmo e as esperanças daqueles que assistiram à chegada da família real portuguesa ao Brasil. Indique duas inovações de caráter científico ou cultural decorrentes da política de D. João. Indique também uma mudança política ou econômica observada durante a permanência da Corte e sua respectiva conseqüência para o Brasil.


Resposta 4: Duas das inovações:

• Biblioteca Real, atual Nacional

• Academia Real Militar

• Impressão Régia

• Gazeta do Rio de Janeiro

• aulas de Comércio

• Real Horto, atual Jardim Botânico

• Intendência de Polícia

• vinda da Missão Artística Francesa

Uma das mudanças e sua respectiva consequência:

• abertura dos portos às nações amigas – rompimento com o pacto colonial

• assinatura dos tratados de 1810 com a Inglaterra – aprofundamento da influência comercial britânica

• elevação do Brasil a Reino Unido – fim do status de colônia da América Portuguesa

• estabelecimento do Rio de Janeiro como capital do Império luso-brasileiro – inversão de papéis entre Portugal e Brasil

5. (FUVEST) Procure interpretar a "charge" de Miguel Paiva, analisando sua versão da Independência do Brasil.

Resposta 5: A interpretação da charage de MiguePaiva permite concluir que a Independência do Brasil foi feita pelas classes dominantes interessadas em preservar a estrutura existente desde o Período Colonial, ou seja, basicamente o latifúndio e a escravidão.



Questão desafio (UNICAMP) A respeito da Independência na Bahia, o historiador João José Reis afirmou o seguinte:


Os escravos não testemunharam passivamente a Independência. Muitos chegaram a acreditar, às vezes de maneira organizada, que lhes cabia um melhor papel no palco político. Os sinais desse projeto dos negros são claros. Em abril de 1823, dona Maria Bárbara Garcez Pinto informava seu marido em Portugal, em uma pitoresca linguagem: "A crioulada fez requerimentos para serem livres". Em outras palavras, os escravos negros nascidos no Brasil (crioulos) ousavam pedir, organizadamente, a liberdade!



(Adaptado de O Jogo Duro do Dois de Julho: o "Partido Negro" na Independência da Bahia, em João José Reis e Eduardo Silva, Negociação e Conflito. A resistência negra no Brasil escravista. São Paulo: Cia das Letras, 1988, p. 92). a) A partir do texto, como se pode questionar o estereótipo do "escravo ignorante"?


Resposta a: A partir do texto, percebe-se que os escravos não eram apenas parte integrante, mas também atuante nos processos revolucionários, expressando seus próprios interesses, tais como o fim da escravidão.



b) Identifique dois motivos pelos quais a atuação dos escravos despertava temor entre os senhores. Resposta b: Os motivos que levaram os senhores a temer a atuação dos escravos eram de ordem econômica sócio-política: os temor era de os negros conquistarem a liberdade, o que poderia ocasionar grandes prejuízos, além de colocar em risco o poder dos senhores.


c) De que maneira esse enunciado problematiza a versão tradicional da Independência do Brasil? Resposta c: Na versão tradicional da independência do Brasil, tal episódio aparece como tendo ocorrido de maneira pacífica e sem a participação popular. No entanto, a participação dos negros nas guerras contra as tropas portuguesas na Bahia mostra que tal fato não foi pacífico e contou com a participação popular de escravos negros.

Confira a avalição de História do Brasil (segundo ano) P1 Segundo Bimestre

CNDL - COLÉGIO NOTRE DAME DE LOURDES

COLEÇÃO PITÁGORAS

SEGUNDO ANO – HISTÓRIA DO BRASIL

A TRANSIÇÃO PARA O TRABALHO LIVRE E ASSALARIADO NO BRASIL

O PROCESSO ABOLICIONISTA

AVALIAÇÃO DE HISTÓRIA DO BRASIL


1. (UEL) Com base na imagem e nos conhecimentos sobre o processo abolicionista no Brasil, é correto afirmar:

a) Agostini satiriza a disputa entre fazendeiros e industriais brasileiros pela contratação da mão-de-obra negra como assalariada após a Abolição. Para as elites, os ex-escravos seriam os mais capazes para o trabalho na agricultura e na indústria.

b) A imagem representa a disputa entre fazendeiros e parlamentares para ficar com as glórias pela aprovação da primeira lei de abolição da escravidão na América Latina.

c) Agostini critica as estratégias das elites dirigentes, proprietários de terras e escravos, utilizadas para protelar o fim do trabalho escravo, no contexto da atuação dos movimentos abolicionistas.

d) Agostini apresenta uma crítica à campanha inglesa contra a abolição da escravidão, retratando o vigoroso embate entre abolicionistas brasileiros e comerciantes ingleses radicados no Brasil.

e) A imagem aponta para os embates entre abolicionistas e representantes das camadas populares que, organizadas em clubes, comitês e confederações, empenharam-se para impedir a libertação dos escravos no Brasil.


Resposta 1: C . A imagem de Agostini retrata o embate entre os abolicionistas e os senhores de escravos que de tudo fizeram para retardar o processo de abolição, fazendo com que o mesmo foi gradativo.



(SILVA, Eduardo. As camélias do Leblon e a abolição da escravatura. São Paulo:Companhia das Letras, 2003, p. 44.)

2. (UERJ) Na ilustração anterior, o imperador Pedro II está recebendo buquês de camélias. Segundo Eduardo Silva, essa flor é vista como um emblema do movimento abolicionista radical, que reivindicava o fim da escravidão de forma imediata e incondicional.


a) Aponte duas medidas legais do governo imperial, anteriores à "Lei Áurea", que tenham contribuído para a emancipação dos escravos no Brasil.


Resposta 2 a: Poderiam ser citadas as seguintes medidas: aprovação pelo parlamento brasileiro da Lei Eusébio de Queirós, proibindo o tráfico internacional de escravos para o Brasil, a Lei do Ventre Livre, que libertava os filhos de mães escravas nascidos a partir da promulgação dessa lei no ano de 1871, e ainda a Lei dos Sexagenários (1885), que libertava os escravos maiores de 60 anos.


b) Apesar da abolição da escravidão em 1888, o escritor Lima Barreto comentava, em 1919: "ninguém quer ser negro no Brasil". Indique dois motivos que confirmem o comentário do autor.


Resposta 2 b: O aluno poderia mencionar o fato que os ex-escravos não foram efetivamente incluídos na sociedade brasileira como cidadãos verdadeiros, sofreram com a exclusão social e o preconceito.






3. (ENEM) Considerando a linha do tempo acima e o processo de abolição da escravatura no Brasil, assinale a opção correta.


a) O processo abolicionista foi rápido porque recebeu a adesão de todas as correntes políticas do país.


b) O primeiro passo para a abolição da escravatura foi a proibição do uso dos serviços das crianças nascidas em cativeiro.


c) Antes que a compra de escravos no exterior fosse proibida, decidiu-se pela libertação dos cativos mais velhos.


d) Assinada pela princesa Isabel, a Lei Áurea concluiu o processo abolicionista, tornando ilegal a escravidão no Brasil.


e) Ao abolir o tráfico negreiro, a Lei Eusébio de Queirós bloqueou a formulação de novas leis antiescravidão no Brasil.


Resposta 3: D. Pela análise da linha do tempo pode-se concluir que o processo abolicionista foi lento atendendo aos interesses da aristocracia escravista brasileira. A Lei Áurea, promulgada em 1888 pela princesa Isabel representa a conclusão do referido processo.


4. (UFMG) Analise esta charge:


Na bandeira, lê-se: "Abaixo a Monarquia abolicionista! Viva a República com indenização!" Considerando-se as informações dessa charge, é CORRETO afirmar que, nela, se faz referência


a) à intensa mobilização das camadas populares a favor de uma transição da Monarquia para a República.


b) à adesão de muitos fazendeiros escravocratas à República, logo após a abolição da escravatura.


c) aos movimentos republicano e abolicionista no Brasil, que se fortaleceram desde a década de 1870.


d) à decidida opção do regime monárquico pela abolição da escravatura, apesar da oposição republicana.


Resposta 4: B. Pela análise da charge pode-se concluir que após a abolição sem indenização, muitos escravocratas passaram a apoiar a causa republicana.


5. (UFV) A Lei Áurea de 13 de maio de 1888 libertou os escravos mas não extinguiu totalmente a escravidão, no Brasil.


Dê dois exemplos, um sobre a época da abolição e outro sobre os dias atuais, coerentes com a afirmativa acima.


Resposta 5: A não inclusão dos negros na sociedade brasileira como cidadãos plenos e o forte preconceito social sofrido pelos ex-escravos nos primeiros anos pós-abolição. Atualmente o racismo velado que existe no Brasil é um tema bastante polêmico o que por sua vez faz surgir debates acalorados entre os contrários e os defensores da adoção de cotas racias nas universidades públicas e nos órgãos públicos no Brasil.


Questão desafio


(UFSCAR) Observe os versos da canção.



(...) Mesmo depois de abolida a escravidão


Negra é a mão de quem faz a limpeza


Lavando a roupa encardida, esfregando o chão


Negra é a mão, é a mão da pureza


Negra é a vida consumida ao pé do fogão


Negra é a mão nos preparando a mesa


Limpando as manchas do mundo com água e sabão


(...) Êta branco sujão


(Gilberto Gil, "A mão da limpeza")


a) Que origens históricas desencadearam a realidade descrita na letra de música apresentada? Resposta: As origens históricas remontam aos séculos de escravidão a que os negros estiveram sujeito no Brasil.



b) Que elementos da atual realidade brasileira estão presentes nessa letra de música? Resposta: O preconceito racial, a exclusão social dos negros, a necessidade da adoção de políticas públicas que venham superar os problemas enfrentados pelos afodescendentes no país.

Confira a avalição de História do Brasil (primeiro ano) P1 Segundo Bimestre

CNDL - COLÉGIO NOTRE DAME DE LOURDES
COLEÇÃO PITÁGORAS

CAPÍTULO 3

A DESCOBERTA DE OURO E A OCUPAÇÃO DAS REGIÕES MINERADORAS

PRIMEIRO ANO – HISTÓRIA DO BRASIL 1. (UFV-MG) "O ouro brasileiro deixou buracos no Brasil, templos em Portugal e fábricas na Inglaterra."

(Eduardo Galeano) Eduardo Galeano (1940), jornalista e escritor uruguaio.


Explique de que forma os fatos contidos na frase anterior estão relacionados historicamente.


Resposta da questão 1:

Resposta:- O tratado de Methuen (1703) permitiu drenagem de grande parte do ouro brasileiro para a Inglaterra, que já estava desenvolvendo a sua Revolução Industrial, tendo seu processo acelerado. Quanto à Portugal, tradicionalmente religioso e ligado à Igreja Católica, "investiu" o ouro em conventos (ex: Convento de Mafra) e, o Brasil, "aplicou" em igrejas e teve seu solo esburacado.


2. (FGV) No século XVIII a produção do ouro provocou muitas transformações na colônia. Entre elas podemos destacar:

a) A urbanização da Amazônia, o início do ciclo do tabaco, a introdução do trabalho livre com os imigrantes;

b) A introdução do trafico negreiro, a integração do índio, a desarticulação das relações com a Inglaterra;

c) A industrialização de São Paulo, a expansão da criação de ovinos em Minas Gerais;

d) A preservação da população indígena, a decadência da produção algodoeiro, a introdução de operários europeus;

e) O aumento da produção de alimentos, a integração de novas áreas por meio da pecuária e do comércio, a mudança do eixo econômico para o centro-sul.

resposta da questão 2:

[E]




3. (Fuvest-SP) Em 1703, é assinado o tratado de Methuen entre Portugal e Inglaterra. Essa acordo, segundo Celso Furtado, "significou para Portugal renunciar a todo desenvolvimento manufatureiro e implicou transferir para a Inglaterra o impulso dinâmico criado pela produção aurífera no Brasil.” Explique o que foi o tratado de Methuem e discuta a afirmativa de Celso Furtado.


Resposta da questão 3:

Resposta 03: O tratado de Methuen, também chamado de "tratado dos Panos e Vinhos", estabelecia que Portugal poderia exportar vinhos para a Inglaterra pagando tarifas alfandegárias preferenciais; e com isso, a Inglaterra venderia seus tecidos (melhores e mais baratos que os panos portugueses) a Portugal sem quaisquer taxas aduaneiras. Com isso, as manufaturas portuguesas não puderam suportar a concorrência britânica. Conseqüentemente, o ouro brasileiro foi canalizado para a Inglaterra, a fim de cobrir o déficit comercial português. Por todos esses aspectos, Celso Furtado concluiu que o tratado de Methuen criou condições favoráveis à intensificação da acumulação capitalista que colaborou com a Revolução Industrial inglesa do século XVIII.


4. (Fuvest-SP) Podemos afirmar sobre o período da mineração no Brasil que

a) atraídos pelo ouro, vieram para o Brasil aventureiros de toda espécie, que inviabilizaram a mineração.

b) a exploração das minas de ouro só trouxe benefícios para Portugal.

c) a mineração deu origem a uma classe média urbana que teve papel decisivo na independência do Brasil.

d) o ouro beneficiou apenas a Inglaterra, que financiou sua exploração.

e) a mineração contribuiu para interligar as várias regiões do Brasil e foi fator de diferenciação da sociedade.

resposta da questão 4:

[E]



5. (PUC-MG)
"A sede insaciável do ouro estimulou a tantos a deixarem suas terras e a meterem-se por caminhos tão ásperos como são os das minas, que dificultosamente se poderá dar conta do número das pessoas que atualmente lá estão. Contudo, os que assistem nelas nestes últimos anos por largo tempo, e as correram todas, dizem que mais de trinta mil almas se ocupam, umas em catar, e outras em mandar catar nos ribeiros do ouro, e outras em negociar, vendendo e comprando o que se há mister não só para a vida, mas para o regalo, mais que nos portos do mar."

André João Antonil. Cultura e opulência do Brasil (1711) APUD: Inácio, Inês da C. e DE LUCA, Tânia R. Documentos do Brasil colonial. São Paulo: Ática, 1993. p. 124


A situação histórica descrita evidencia:

a) a repartição equilibrada dos terrenos auríferos pelos coloniais.

b) a corrida do ouro e as esperanças de enriquecimento fácil.

c) a condição de igualdade entre senhores e escravos na busca do ouro.

d) a mineração como única atividade econômica da região.


Resposta da questão 5:

[B]



Questão extra nível médio

(PITÁGORAS) Em realidade, se o ouro criou condições favoráveis ao desenvolvimento interno da colônia, não é menos verdade que o ouro também dificultou o aproveitamento dessas condições ao entorpecer o desenvolvimento manufatureiro da metrópole."

"O ouro deixou buracos no Brasil, igrejas em Portugal e fábricas na Inglaterra."

As expressões acima, muito citadas pelos historiadores, define a herança deixada pela mineração no Brasil. Como conseqüência:

a) que grande parte do ouro brasileiro era levado para as manufaturas inglesas em função do comércio deficitário entre o Brasil e a Inglaterra, que comprava o algodão bruto e exportava tecidos.

b) O comércio deficitário entre a metrópole portuguesa e o reino inglês favoreceu o escoamento do ouro brasileiro para o setor manufatureiro têxtil da Inglaterra, sobretudo após o tratado de Methuen.

c) A Inglaterra apoderou-se da maior parte do ouro brasileiro através da pirataria e das atividades corsárias.

d) As guerras ocorridas na Europa, nas quais Portugal sempre esteve do lado da Inglaterra, procovaram a transferência de grande parte das riquezas auríferas extraídas do Brasil.

e) A transferência de grande parte das riqueza minerais exercidas do Brasil para a Inglaterra resultou, principalmente, da importação de máquinas e equipamentos pelo reino português.


resposta da questão extra nível médio:



[B]



Questão desafio

(Unicamp) No Brasil colonial, além da produção açucareira escravista, o historiador Caio Prado Junior (em Formação do Brasil Contemporâneo) enumera outras atividades econômicas importantes como, por exemplo, a mineração do século XVIII, que era também uma atividade voltada para o comércio externo.

Caio Prado Júnior (1907-1990), historiador brasileiro.


a) Caracterize a mineração no século XVIII em termos de região geográfica, organização do trabalho e desenvolvimento urbano.



b) Cite e caracterize duas outras atividades econômicas do Brasil colonial que não eram voltadas para o comércio externo.

resposta da questão desafio:

Resposta 08:a) Nas Minas Gerais e No Centro-Oeste é que se desenvolveu a mineração, apoiada sobretudo no trabalho escravo mas também em modalidades de trabalho livre.A população numerosa demandava grande quantidade de produtos e serviços permitindo o intenso desenvolvimento de atividades comerciais e urbanas.

b) A agricultura de subsistência e a pecuária que abastecia os centros urbanos com o fornecimento de carne e de animais empregados para o transporte e a agricultura de subsistência.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Saiba mais sobre a transferência da Corte portuguesa para o Brasil

CNDL - Colégio Notre Dame de Lourdes

Terceiro Ano - Primeiro Bimestre

Coleção Pitágoras

A transferência da Corte portuguesa e a Independência do Brasil


Saiba mais sobre a crise do sistema colonial na América portuguesa

CNDL - Colégio Notre Dame de Lourdes

Terceiro Ano - Primeiro Bimestre

Coleção Pitágoras

A Crise do Sistema Colonial



Nas últimas décadas do século XVIII ocorreram grandes transformações no mundo ocidental. Filósofos e cientistas propunham novas maneiras de "olhar" o mundo, e de se relacionar com ele. A concepção de uma sociedade estática e estratificada, na qual o homem já encontrava o seu destino traçado ia sendo transformada. O homem passava a ser o construtor de seu tempo, de sua história. A Revolução Industrial Inglesa, a Independência dos Estados Unidos e a Revolução Francesa foram os marcos dessa modernidade. Na Europa ocidental, o novo pensamento liberal impulsionou a queda dos regimes absolutistas levando, para suas colônias, o rastilho da Independência. Na América portuguesa os colonos percebiam que estava em suas mãos a possibilidade de mudar o rumo dos acontecimentos, tornando-se autores de sua própria história. Nas sociedades literárias e nas lojas maçônicas discutiam-se, em segredo, "as infames idéias francesas" de Felicidade, Fraternidade, Igualdade e Liberdade. Tramavam-se os movimentos conhecidos como Conjurações, que tiveram lugar em vários pontos da Colônia, nos últimos anos do século XVIII.


Inconfidência Mineira Entre 1740 e 1780 a produção do ouro de aluvião das Minas caiu, de mais de 20 toneladas para cerca de 8 toneladas. Em 1760, já se tinha instalado a crise do ouro das minas brasileiras. Em Lisboa, o descontentamento e a preocupação eram grandes. O Governo português entendia ser função de qualquer Capitania colonial alimentar o Tesouro, equilibrando suas finanças e sua economia. Alguns dos responsáveis pela administração metropolitana desejavam, a cobrança do quinto como forma de manter a riqueza oriunda da arrecadação do ouro. Em meados do século XVIII, Alexandre de Gusmão, secretário de D. João V, recriminou o Governo português por "correr ignorante" na direção de uma riqueza que entendia imaginária. O Eldorado encontrado terra adentro, motivo da cobiça dos homens e de suas aventuras nos sertões da América portuguesa, já não existia. Os mineradores não conseguiam produzir o suficiente para aplacar a voracidade do fisco metropolitano. O Governo interpretava o fato como fraude, atribuindo aos mineradores a sonegação e o contrabando do ouro. Na realidade, eles empobreciam e acumulavam dívidas. Por outro lado, as autoridades passavam a cobrar os tributos com mais rigor. As derramas, cobranças forçadas dos atrasados para a Fazenda Real, ocorridas em 1762 e 1768, são um exemplo do que ocorria. As autoridades exigiam, também, uma quantidade de ouro e diamantes cada vez maior. O desassossego e a intranqüilidade dos colonos cresciam, enquanto as batéias seguiam rodando sem parar. Mesmo à distância, os olhos vigilantes da Coroa procuravam, por meio da Intendência das Minas, fiscalizar, controlar e, sobretudo, manter o recolhimento dos tributos. Entretanto, apesar de todo o esforço, as saídas ilegais do ouro e dos diamantes das minas - o contrabando - continuava. Documentos oficiais dessa época informavam às autoridades portuguesas que muitas partidas de diamantes, oriundas do arraial do Tijuco, iam parar na Holanda, levadas por frotas que partiam do Rio de Janeiro. Esses desvios causavam escândalos. Envolviam grupos de mineiros considerados fora-da-lei, "garimpeiros" associados a comerciantes ambulantes, "capangueiros" e, até mesmo, funcionários das Minas que, inúmeras vezes, contavam com a conivência dos contratadores nomeados pelo rei. O Governo português sentia-se traído, entendendo que era preciso punir os culpados e que as masmorras, os degredos e as forcas existiam para isso. Outros fatores contribuíam para acelerar a decadência da Capitania: as despesas crescentes com artigos de importação, especialmente após o Alvará de 1785, de D. Maria I, proibindo a instalação de qualquer indústria na Colônia; as técnicas inadequadas e predatórias utilizadas nas lavras de ouro e o saque ávido e constante de Portugal, apoderando-se de toda a produção do ouro. Além disso, os mineiros não retinham para si o excesso de sua produção e não investiam na economia local, para diversificar as atividades econômicas. Ao lado desses fatos, havia a suspeita, praticamente confirmada, de que o Governo se preparava para executar uma nova derrama, em 1788 ou 1789. Essa conturbada situação interna coincidiu com o desmoronamento do sistema colonial mercantilista na Europa, a partir do desenvolvimento da Revolução Industrial. Revolução que provocou uma profunda transformação econômica nas potências da época e, conseqüentemente, na relação com suas colônias. A crescente intranqüilidade e agitação na região das Minas pode ser claramente percebida nas "Cartas Chilenas", obra satírica, produzida em meados da década de 1780, cuja autoria é atribuída a Tomás Antonio Gonzaga. Elas registram pesados ataques ao governador Luís da Cunha de Meneses e a outras autoridades portuguesas, destacando as arbitrariedades e prevaricações cometidas. Apontam, também, os excessos da tropa militar, formada pelos "dragões." "Entraram nas Comarcas os soldados, e entraram a gemer os tristes povos; uns tiram os brinquinhos das orelhas das filhas e mulheres; outros vendem as escravas já velhas que os criaram, por menos duas partes do seu preço." Cartas chilenas, autoria atribuída a Tomás Antonio Gonzaga A Sociedade das Gerais no Século XVIII Os Conjurados

O ideário da Conjuração A Conjuração Mineira, inicialmente organizada como oposição à cobrança da nova derrama, foi um movimento de ricos e proprietários, apesar de a população em geral ser prejudicada por essa medida. Outros motivos levaram também os colonos a conspirar contra a Metrópole: o seu afastamento das posições que ocupavam durante o governo de Cunha de Meneses e o preenchimento dessas posições por portugueses, alijando os colonos das oportunidades lucrativas de que usufruíam até então. Esses homens, muitos deles poetas, tinham profissões variadas: Cláudio Manuel da Costa era advogado; Alvarenga Peixoto, fazendeiro e proprietário de minas; Tomás Antonio Gonzaga, desembargador. José Alvares Maciel, era filho do capitão-mór de Vila-Rica; José de Rezende Costa e seu filho de nome semelhante; Luís Alves de Toledo Piza; Oliveira Rolim, padre que traficava escravos e diamantes; Luís Vieira da Silva, cônego da catedral de Mariana; e o tenente coronel Francisco de Paula Freire de Andrade, comandante da Companhia dos Dragões da Capitania das Minas Gerais. Para eles a Conjuração representava a possibilidade de viver em um país mais liberal, livre do monopólio imposto pela Coroa, garantindo-lhes a liberdade comercial e o controle sobre as ações do Governo. Enfim, significava o fim da tutela da Metrópole. Além disso julgavam que a Conjuração era uma forma de preservar suas fortunas, ameaçadas pelos altos tributos, ainda mais ante o fantasma da derrama. Era, em síntese, a oportunidade de deixarem de ser colonos. Os conjurados, quase todos escravocratas, constituíam a elite letrada da Capitania. Em sua maioria, tinham estudado na Europa, especialmente na Universidade de Coimbra. Eram homens bem informados. Alguns possuíam bibliotecas, como o cônego Luís Vieira da Silva, com um acervo de mais de 600 livros, bastante significativo na época. As autoridades portuguesas comentavam que, "entre tantas coisas até o diabo deveria conter." O cônego admirava os recentes acontecimentos na América do Norte. Esse grupo de conjurados recebia notícias sobre as transformações que ocorriam na Europa, como a Revolução Industrial. Recebiam, também, livros e folhetos com as idéias liberais dos principais filósofos franceses da época - Abade Raynal, Rousseau, Montesquieu e Voltaire -, defensores dos ideais de Liberdade, Igualdade, Fraternidade e Felicidade. Outra grande influência no movimento dos conjurados foi a luta vitoriosa das 13 colônias inglesas na América contra a dominação de sua Metrópole, e a fundação dos Estados Unidos. Esse movimento contagiou de tal forma os colonos que até um deles, José Joaquim Maia e Barbalho, estudante da Universidade de Coimbra, natural do Rio de Janeiro, usando o pseudônimo de Vendek, estabeleceu contato com Thomas Jefferson, embaixador americano na França, pedindo apoio do seu governo ao movimento contra Portugal. Jefferson, após consultar autoridades de seu país, respondeu que não tinha autonomia para assumir um compromisso oficial, mas que uma revolução vitoriosa no Brasil "não seria desinteressante para os Estados Unidos, e a perspectiva de lucros poderia, talvez, atrair um certo número de pessoas para a sua causa, e motivos mais elevados atrairiam outras." Para Maxwell, o exemplo da Revolução Americana foi particularmente adequado, pois os conspiradores viam notável semelhança entre a causa dos acontecimentos da América do Norte e a sua própria situação: "porque à América inglesa nada a obrigou ao rompimento, senão os grandes tributos, que lhe taxaram, conforme declaração de um dos conspiradores." Já o ideário dos filósofos franceses tinha sentidos variados para os colonos do movimento da Conjuração. Liberdade, por exemplo, podia significar tanto libertar sua região de Portugal, como não pagar tributos, ter liberdade comercial, de expressão, e possibilidade de acesso à leitura para, com isso, conseguir gerenciar melhor os seus negócios e dominar, ainda mais, os colonizados. As idéias que os uniam eram a implantação de uma República em Minas Gerais e a necessidade da manter a escravidão, pois para eles, proprietários e escravistas, o trabalho era trabalho escravo. Nesse sentido, para os conjurados, a noção de Igualdade não incluía a igualdade racial e nem a social, pois temiam, também, o estabelecimento de uma sociedade na qual o princípio da Igualdade fosse estendido aos homens livres e pobres, a chamada "plebe".


Conjuração Baiana Em 1761, com a mudança da sede do Governo Geral para o Rio de Janeiro, a Capitania da Bahia perdeu sua importância política, apesar de continuar desenvolvendo-se economicamente e a manter seu crescimento, graças ao comércio estrangeiro bastante intenso. Entretanto, não houve melhoria nas condições de vida da população. O renascimento agrícola, que se verificou a partir de 1770, beneficiou apenas os senhores de engenho e os grandes comerciantes agravando, ainda mais, as contradições sociais. Contava a Capitania com uma população de aproximadamente 50 mil habitantes, a maioria composta por escravos negros ou alforriados, pardos e mulatos, homens livres e pobres que desempenhavam atividades manuais consideradas desprezíveis pelas elites dominantes. Essa população pobre sofria com o aumento do custo de vida, com a escassez de alimentos e com o preconceito racial. As agitações eram constantes. Entre 1797 e 1798 ocorreram vários saques aos armazéns do comércio de Salvador, e até os escravos que levavam a carne para o general-comandante foram assaltados. A população faminta roubava carne e farinha. Em inícios de 1798, a forca, símbolo do poder colonial, foi incendiada. O descontentamento crescia também nos quartéis, onde incidentes envolvendo soldados e oficiais tornavam-se freqüentes. Havia, portanto, nesse clima tenso, condições favoráveis para a circulação das idéias de Igualdade, Liberdade e Fraternidade. Governava a Bahia D. Fernando José de Portugal, que já em 1792 tinha sido advertido sobre os perigos da introdução dos princípios revolucionários que se tinham desenvolvido na França. Notícias da própria Capitania chegavam à Lisboa denunciando a situação inquietante e a agitação da população, fazendo com que se recomendasse ao Governador maior vigilância contra a propagação das "infames idéias francesas." "As Infames Idéias Francesas" Apesar do empenho em contrário das autoridades portuguesas, as "infames idéias francesas" não demoraram a atravessar o Atlântico. Ao porto de Salvador, o mais movimentado no período colonial, chegavam os novos ideais. O Governo português tentava impedir a entrada de livros contendo as idéias revolucionárias, mas apesar de toda a vigilância, livros, folhetos e documentos circulavam clandestinamente, algumas vezes trazidos por estudantes brasileiros que retornavam de estudos em universidades da Europa. Em 1796, a estadia do francês Larcher, na Bahia, contribuiu para a difusão das idéias revolucionárias. Encarregado de vigiá-lo, o tenente Hermógenes de Aguilar Pantoja, além de aderir a seus ideais, apresentou-o a baianos ilustres. Nos serões realizados na casa do farmacêutico João Ladislau Figueiredo e Melo, na Barra, Larcher discutia o pensamento dos filósofos iluministas com o padre Francisco Agostinho Gomes, com o senhor de engenho Inácio Siqueira Bulcão , com o cirurgião Cipriano Barata, com o professor e poeta Francisco Muniz Barreto e outros membros da sociedade baiana. No ano seguinte, em julho, na mesma casa em que ocorreram as reuniões com Larcher, foi fundada a loja maçônica Cavaleiros da Luz, onde eram lidos os livros de Rousseau, e outras obras de iluministas franceses. A Maçonaria, sociedade política surgida na Europa na segunda metade do século XVIII, divulgava as idéias liberais visando combater os princípios absolutistas e mercantilistas. Na América, as lojas maçônicas, além de difundir as idéias francesas, contribuíram para a descolonização. Aliadas aos interesses das elites descontentes com a Metrópole elas desempenharam papel libertador, incentivando as lutas pela Independência. A princípio, essas idéias circulavam apenas entre os letrados, mas logo começaram a se propagar entre as camadas mais humildes da população como soldados, alfaiates, mulatos, negros escravos ou libertos. Para essa população, vítima de preconceito racial e sujeita a muitas restrições que a impediam de ocupar determinados cargos e de ascender socialmente, os ideais republicanos tiveram profunda repercussão. Enquanto a elite intelectual conspirava em suas casas e em sociedades secretas, os homens pobres o faziam, murmurando nas ruas. Por meio de manuscritos contendo a tradução dos livros dos enciclopedistas franceses, de boletins, e de conversas, as novas idéias espalhavam-se. Aos poucos o movimento escapou das mãos da elite, adquirindo um caráter popular e social. A marca popular diferenciou a Conjuração Baiana da Mineira. Os alfaiates João de Deus do Nascimento e Manuel Faustino dos Santos, aliados aos soldados Lucas Dantas de Amorim e Luís Gonzaga das Virgens, passaram a pregar a República, que traria a igualdade para todos. A Monarquia significava opressão, como afirmava um dos boletins em que os conjurados diziam: "Povo que viveis flagelados com o pleno poder do indigno coroado, esse mesmo rei que vós criastes; esse mesmo rei tirano é o que se firma no trono para vos veixar, para vos roubar e para vos maltratar." No entanto, as idéias de Liberdade e de Igualdade não eram vistas da mesma maneira por todos os envolvidos na Conjuração. Para a elite branca colonial liberdade significava o não pagamento de tributos, o fim do monopólio comercial e a independência de Portugal. Membros da classe proprietária de escravos e de terras desejavam o fim da escravidão, retraindo-se à medida que a idéia de uma República igualitária crescia entre as camadas pobres. Notícias da revolução no Haiti, onde a luta passara dos colonos europeus aos mestiços e negros, assustaram os grandes proprietários, ainda mais que, na Bahia, a população de cor negra correspondia a 80% dos habitantes da Capitania. Para a massa popular a liberdade era a igualdade de direitos para todos, o fim do preconceito de raça e cor e dos privilégios. Segundo o historiador István Jancsó, "a liberdade era tida por condição de igualdade", o que implicava no fim da escravidão e da subordinação colonial. A igualdade de direitos para todos, aspiração dos conjurados baianos, aparece em vários escritos como, por exemplo, no ofício enviado ao Governo pelo soldado Luís Gonzaga das Virgens, preterido numa promoção: ... "o suplicante é um indivíduo da classe dos referidos desgraçados, tem a mágoa, a mágoa inconsolável, de ver subir aqueles que nada mais têm, que a cor branca."

A Repressão da Coroa Portuguesa No dia 12 de agosto de 1798, os baianos foram surpreendidos com manifestos manuscritos afixados nas paredes e muros das casas, igrejas e lugares públicos de Salvador. Eles anunciavam a chegada da Liberdade e da Revolução. "Animai-vos Povo Bahiense que está por chegar o tempo feliz da nossa liberdade: o tempo em que todos seremos iguais", apregoava um dos manifestos. Outro boletim - "Aviso ao Clero e ao Povo Bahiense" - trazia o programa da revolução: Igualdade de todos perante a Lei, Independência da Capitania, Proclamação da "República Bahiense", Abolição da Escravidão, Liberdade de Comércio, aumento do soldo da tropa e protestos contra os altos tributos. A repressão ao movimento começou imediatamente. Os manifestos foram arrancados e levados ao governador, que chegou a receber uma carta dos conjurados pedindo sua adesão. O primeiro a ser preso foi o escrevente Domingos da Silva Lisboa, cuja letra era semelhante à dos panfletos. No entanto, novos manuscritos apareceram e as suspeitas recaíram sobre o soldado Luís Gonzaga das Virgens, conhecido por gostar de ler e escrever, por seus ofícios enviados às autoridades e por sua pregação revolucionária. O soldado foi preso e em sua casa foram encontrados manuscritos de documentos revolucionários e cartas comprometedoras. Preocupados que Luís Gonzaga não resistisse aos interrogatórios, os outros conjurados tentaram libertá-lo, mas foram traídos por alguns delatores. Casas foram invadidas e pessoas torturadas. Pelos manifestos colados nos muros das casas de Salvador, seiscentos e noventa e nove pessoas estavam envolvidas na conspiração, mas somente quarenta e nove foram presas, a maioria das classes populares: alfaiates, sapateiros, soldados, e escravos, todos muito jovens. Poucos membros da loja maçônica Cavaleiros da Luz foram presos, entre eles: Cipriano Barata, Moniz Barreto e Aguilar Pantoja, que receberam penas brandas. A maior parte da elite ilustrada escapou ilesa. Após as prisões veio a devassa judicial, que indiciou trinta e quatro réus. Vários deles eram alfaiates, o que fez com que a Conjuração Baiana ficasse conhecida como Conjuração dos Alfaiates. Por ordem expressa de D. Maria I, os conjurados foram punidos severamente. João de Deus Nascimento, Manuel Faustino dos Santos, Lucas Dantas e Luís Gonzaga das Virgens foram enforcados e esquartejados. Os outros condenados permaneceram presos ou foram degredados. Os delatores receberam prêmio por sua lealdade à Coroa.


terça-feira, 12 de abril de 2011

A descoberta do ouro e a ocupação das regiões mineradoras

CNDL – Colégio Notre Dame de Lourdes


Primeiro Ano – Primeiro Bimestre


Coleção Pitágoras


Capítulo 3


A descoberta do ouro e a ocupação das regiões mineradoras





Problematização do tema



O século XVIII na América Portuguesa, conhecido como o século da economia do ouro, é um dos períodos mais ricos da História do Brasil. São inúmeros os trabalhos sobre as Minas Gerais setecentistas desenvolvidas em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Minas Gerais, principalmente dissertações e teses dos programas de pós-graduação das universidades federais, alguns levados à público, outros não. A variedade de temas e a minuciosa pesquisa documental que integram esses trabalhos permitem, nos dias de hoje, consolidar grande parte do conhecimento sobre as Minas Gerais do século XVIII em seus múltiplos aspectos: econômico, político, social, cultural e técnico.


Durante muito tempo, as regiões mineradoras foram estudadas a partir dos “olhos” da Metrópole. Nessa medida, essas áreas eram vistas tão somente como áreas de extração de ouro e de pedras preciosas. Não era possível detectar a dinâmica interna das áreas mineradoras, ou seja, as diversas outras atividades que nelas eram desenvolvidas, muitas vezes concorrentes com a economia do ouro, como foi a agricultura em Minas Gerais. Pouco também se dedicavam os estudos aos interesses da população dessas regiões, à sua sociabilidade, à sua religiosidade, às técnicas de mineração, ao intenso comércio que se praticava dentro da capitania e entre esta e outras áreas coloniais.


Como foi dito, atualmente é possível compreender as áreas mineradoras setecentistas tanto na perspectiva dos interesses mercantilistas metropolitanos quanto na perspectiva de sua lógica interna, o que enriquece o estudo e o torna mais instigante.


Minas Gerais, até 1711, estava integrada à Capitania do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas do Ouro. Em razão da Guerra dos Emboabas, como medida de controle, foi separada do Rio de Janeiro, formando a capitania de São Paulo e Minas do Ouro. Esta, por sua vez, separou-se, formando a capitania de Minas Gerais em 1721, após a revolta de Filipe dos Santos em 1720. As minas dos Goiases e de Cuiabá tiveram vida efêmera, principalmente em razão das tribos bravias que viviam nesses territórios e insistiam em atacar os mineradores. Além disso, as condições climáticas não eram boas e a época das chuvas trazia não só problemas para o trabalho de extração, mas também doenças, que dizimavam os mineradores.


Observe e compare a produção de ouro nas três regiões e no Brasil ao longo do século XVIII.






Pense sobre o que você acabou de ler e responda:



  1. O que mudou na historiografia desde que as regiões mineradoras eram vistas apenas a partir dos “olhos” da metrópole?





  1. Como se formou a Capitania de Minas Gerais ao longo das primeiras décadas do século XVIII?



  1. Os gráficos da produção de ouro corroboram o que o texto afirma acerca da vida efêmera nas minas de Goiás e de Cuiabá?



  1. Quais conclusões podem ser tiradas da observação atenta dos gráficos?


domingo, 10 de abril de 2011

A introdução do trabalho livre no Brasil

CNDL - Colégio Notre Dame de Lourdes
Segundo Ano - Primeiro Bimestre

Coleção Pitágoras

Capítulo 3

A introdução do trabalho livre no Brasil


AGOSTINI, Ângelo. Comemoração da Abolição. Revista Ilustrada, 1888.


No dia 13 de maio de 1888, na hora mesma em que a Lei 3.353 – a Lei Áurea – foi assinada, aproximou-se da princesa Isabel o presidente da Confederação Abolicionista, João Clapp, e lhe fez entrega, em nome do movimento vitorioso, de um “mimoso bouquet de camélias artificiais”. Logo em seguida, o imigrante português José de Seixas Magalhães passou às mãos da Princesa um outro buquê de camélias naturais, viçosas, trazidas diretamente do quilombo do Leblon. Vindo de onde vinha, o presente guardava um significado todo especial e representava, na opinião do abolicionista Rui Barbosa, “ a mais mimosa das oferendas populares”. Criada em 1883, com sede no jornal Gazeta da Tarde, no Rio de Janeiro, a Confederação Abolicionista era uma organização política cujo programa defendia, simplesmente, o fim do trabalho escravo. E o quilombo produtor de camélias do Leblon fazia parte de uma imensa rede de quilombos abolicionistas ligados à Confederação [...] Uma rede que participava já do jogo político da transição e apontava para a importância fundamental do movimento quilombola e da participação do povo negro na conquista da liberdade. Na verdade, sem a adesão franca e consciente dos cativos – manifestada pelas fugas em massa, impossíveis de reprimir ou controlar, a “avalanche negra”, como disse na época -, o projeto abolicionista não teria a mínima chance de êxito.


SILVA, Eduardo. As camélias da liberdade. Revista Nossa História. Rio de Janeiro: Biblioteca Nacional, n°7. maio 2004, p. 26.



Esse texto mostra a participação dos escravos no movimento abolicionista, o que até recentemente não se considerava. Como bem afirma o autor, se não fosse a intensa participação dos cativos, as fugas em massa, o projeto abolicionista não teria a menor chance de êxito. Neste capítulo você vai estudar a longa trajetória percorrida até a abolição, que se inicia com o fim do tráfico negreiro em 1850, passa pelas leis antiescravistas, leis paliativas promulgadas pelo parlamento para conter o processo emancipacionista, e pela intensa movimentação da sociedade civil, política e dos próprios cativos. O fim do tráfico negreiro mobilizou o chamado tráfico interprovincial, isto é, o tráfico de escravos de províncias com economias decadentes para as áreas cafeeiras. Muito embora o tráfico provincial tenha ajudado na recomposição da mão de obra, não foi suficiente para resolvê-la. Por isso, foi adotada a imigração de estrangeiros para o Brasil. Com vista a solucionar o problema da força de trabalho na lavoura cafeeira após o fim do tráfico e dos parcos resultados do tráfico interprovincial de escravos. O capítulo examina o processo da imigração, bastante tumultuado, com as tentativas privadas fracassadas, principalmente em razão do rude tratamento dispensado aos imigrantes pelos fazendeiros. A tal ponto chegou a má fama de imigração para o Brasil que muitos países a proibiram, sendo necessária uma propaganda oficial que revertesse esse estado de coisas. A solução foi a imigração subvencionada, subsidiada pelo Estado, que garantiu a entrada de milhares de imigrantes para trabalharem nas fazendas de café.



Pense sobre o que acabou de ler e discuta:

1. Qual teria sido o papel dos quilombos na Confederação Abolicionista?

2. Qual foi a trajetória percorrida até a abolição da escravidão no Brasil em 1888?



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