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quarta-feira, 21 de março de 2012

Confira a correção da avaliação de História (Prova 2 – Segunda Chamada)

Correção da avaliação de História - Primeiro Bimestre

(Prova 2 – Segunda Chamada)


Primeira Série

Atenção: As questões de números 01 a 02 referem-se aos versos que seguem.

Erro de português

Quando o português chegou

Debaixo duma bruta chuva

Vestiu o índio

Que pena!

Fosse uma manhã de sol

O índio tinha despido

O português

(Oswald de Andrade. Poesias reunidas. 2. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1972)

01. Os versos descrevem um momento histórico ligado à:

a) Expansão Marítima Europeia.

b) Revolução Industrial Inglesa.

c) Crise do Antigo Regime.

d) Guerra dos Cem Anos.

e) Partilha Afro-Asiática.

resposta da questão 1: [A]

2. Sobre o contexto histórico em que se insere o fenômeno que os versos identificam é correto afirmar que

a) a descoberta de metais preciosos favoreceu o estabelecimento das primeiras relações econômicas entre portugueses e indígenas.

b) a agressividade demonstrada pelos nativos despertou o interesse metropolitano pela ocupação efetiva das novas terras.

c) a conquista da América pelos portugueses contribuiu para o crescimento demográfico da população indígena no Brasil.

d) no chamado período pré-colonial, o plantio e a exploração do pau-brasil incentivaram o tráfico africano.

e) apesar de ter tomado posse da terra em nome do rei de Portugal, o interesse da monarquia estava voltado para o Oriente.

resposta da questão 2: [E]

3. “Dos 12 donatários, quatro jamais estiveram no Brasil. Dos oito que vieram, três morreram em circunstâncias dramáticas; um outro (Pero de Campos Tourinho) foi acusado de heresia, preso e enviado para tribunais de inquisição em Portugal; três pouco se interessaram por suas propriedades e apenas Duarte Coelho – que foi o primeiro navegador europeu a chegar na Tailândia – realizou uma administração brilhante, em Pernambuco.”

(Bueno, Eduardo, Brasil: Uma História – A incrível saga de um país, São Paulo: Editora Ática, p.42)

Com base no texto, é possível afirmar que o sistema de capitanias hereditárias no Brasil:

a) fracassou em razão da falta de experiência e do desinteresse de todos os donatários.

b) foi um sucesso, pois apesar de não haver adesão de muitos donatários, todas as capitanias prosperaram.

c) representou uma experiência nova para Portugal, e apresentou relativo sucesso.

d) foi mal sucedido devido à falta de investimentos e da participação efetiva dos donatários.

resposta da questão 3: [D]

4. (PITÁGORAS) Observe a charge abaixo.

Fonte: NOVAES, Carlos E. LOBO, César. História do Brasil para principiantes. São Paulo: Ática. 2003, p. 27.

INTERPRETE, dentro do contexto histórico do Brasil colonial, o problema retratado pela charge.


Resposta: O contexto histórico do Brasil colonial diz respeito à implantação do sistem de Governo Geral pela Coroa Portuguesa em 1548 com o objetivo de centralizar a administração colonial em virtude do fracasso das Capitanias Hereditárias que devido à diversos fatores acabaram fracassando. Esperava-se que o governador geral coordenasse o trabalho das capitanias contribuindo assim para a reversão desse quadro.

5. (PITÁGORAS) Observe a charge e responda:

Fonte: NOVAES, Carlos E. LOBO, César. História do Brasil para principiantes. São Paulo: Ática. 2003, p. 25.

CITE e COMENTE o tratado que marcou a rivalidade entre portugueses e espanhóis.

Resposta: A rivalidade entre portugueses e espanhóis quanto à posse do Novo Mundo foi solucionada com a assinatura do Tratado de Tordesilhas que estabelecia uma linha imaginária traçada à 370 léguas à oeste das ilhas de Cabo Verde. O território à leste desse meridiano seria destinado à Portugal, enquanto as terras à oeste pertenceriam à Espanha.

6. (G1) Explique por que as cheias que ocorriam de junho a setembro no Egito, eram esperadas com ansiedade pelos egípcios.

Resposta: Porque elas traziam um limo muito fértil que renovava a terra e a irrigava, deixando-a pronta para o plantio.

7. (G1) Defina um governo teocrático.

resposta da questão 7:

Forma de governo em que a autoridade, emanada dos deuses ou de Deus, é exercida por seus representantes na Terra. O Estado com essa forma de governo. Nesse caso, foram governos da antiguidade oriental, em que os governantes eram considerados divindades, ou talvez os governos teocráticos do oriente, baseados na autoridade do chefe religioso.


8. (UFC) A construção de obras hidráulicas no Mundo Mesopotâmico foi uma necessidade, queteve como objetivo tornar produtivo os solos áridos para a prática da agricultura. As mesmascondições nas diversas sociedades do Antigo Oriente Próximo deram origem ao conceito de IMPÉRIOS TEOCRÁTICOS DE REGADIO.

Explique o conceito acima citado.

resposta: O Império teocrático de regadio se estabeleceu na Mesopotâmia pois ali se desenvolveram civilização que eram governadas por chefes político e religiosos, além disso nessa região foram construídas diversas obras hidráulicas com o objetivo de potencializar as atividades agrícolas e pastorís mediante o melhor aproveitamento dos rios Tigre e Eufrates.


9. (UFPE) Esta questão versa sobre a ESCRITA, assinale V ou F:

( ) Na sua fase inicial, 3.500 aC, era um desenho estilizado de um objeto, hoje denominado de pictograma.

( ) O ser humano, para exprimir graficamente suas ações, criou símbolos representativos a que chamamos de ideogramas, cuja invenção data mais ou menos de 3.200 aC.

( ) As sociedades ágrafas encontravam-se na fase da História Antiga; o conceito de civilização não está relacionado com as sociedades que apresentam um sistema de escrita.

( ) Antes da invenção da escrita, a humanidade já conhecia o conceito de propriedade privada, de Estado, e de classes sociais.

( ) Uma das primitivas formas de representação gráfica - a escrita cuneiforme - surgiu entre os sumérios, povos que habitavam a Mesopotâmia.



resposta da questão 9:

VERDADEIRO

VERDADEIRO

FALSO: As sociedades ágrafas (sem grafia) encontram-se na pré-história, e não na Antiguidade. E exatamente porque os historiadores mais antigos acreditavam que civilizados eram somente povos que conheceram a escrita é que chamaram este período de pré(antes) da história.

FALSO: Antes da invenção da escrita significa que estamos nos referindo à Pré-História, período em que predominaram tribos, pequenas comunidades ligadas por parentesco, sem organização política e social mais complexas

VERDADEIRO


10. (UFPE) Em relação à religião no antigo Egito, pode-se afirmar que:

A) a religião dominava todos os aspectos da vida pública e privada do antigo Egito. Cerimônias eram realizadas pelos sacerdotes a cada ano, para garantir a chegada da inundação e, dessa forma, boas colheitas, que eram agradecidas pelo rei em solenidades às divindades;

B) a religião no antigo Egito, como nos demais povos da Antiguidade, não tinha grande influência, já que estes povos, para sobreviver, tiveram de desenvolver uma enorme disciplina no trabalho e viviam em constantes guerras;

C) a religião tinha apenas influência na vida da família dos reis, que a usava como forma de manter o povo submetido a sua autoridade;

D) o período conhecido como antigo Egito constitui o único em que a religião foi quase inteiramente esquecida, e o rei como também o povo dedicaram-se muito mais a seguir a tradição dos seus antepassados, considerados os únicos povos ateus da Antiguidade;

E) a religião do povo no antigo Egito era bastante distinta da do rei, em razão do caráter supersticioso que as camadas mais pobres das sociedades antigas tinham, sobretudo por não terem acesso á escola e a outros saberes só permitidos à família real.

resposta da questão 10:[A]


Questões extras

1. (UFRS) Leia os itens abaixo, que contêm possíveis condições para o surgimento do Estado nas sociedades da Antiguidade.


I. Gradativa diferenciação da sociedade em classes sociais, impulsionada por uma

divisão social do trabalho mais intensa, capaz de produzir excedentes de alimentos.

II. Passagem da economia comunal para uma economia escravista, estimulada por guerras entre povos vizinhos, propiciando aumento da produção de excedentes e de trocas, com uma divisão do trabalho entre agricultura, pecuária e artesanato.

III. Constituição da propriedade da terra e do regime de servidão coletiva nas sociedades orientais para que as grandes construções públicas fossem realizadas sob orientação dos grupos dirigentes.


Quais dentre eles apresentam efetivas condições para tal surgimento?


a) Apenas I.

b) Apenas I e II.

c) Apenas I e III.

d) Apenas II e III.

e) I, II e III.


Resposta da questão 1:[E]


2. (UFRGS) Relacione os povos antigos assinalados na coluna da direita com os respectivos rios indicados à esquerda.

1 . Azul e Amarelo ( ) Chineses

2 . Indo e Ganges ( ) Egípcios

3 . Jordão ( ) Hebreus

4 . Nilo ( ) Hindus

5 . Tibre ( ) Mesopotâmicos

6. Tigre e Eufrates

A sequência numérica correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:

A -5 . 1 . 2 . 6 . 3

B -1 . 4 . 5 . 2 . 6

C -2 . 4 . 6 . 5 . 3

D -6 . 3 . 4 . 5 . 1

E -1 . 4 . 3 . 2 . 6


resposta da questão 2: [E]

3. (Ufjf) "(...) ponderando-se o acharem-se hoje as Vilas dessa Capitania tão numerosas como se acham, e que sendo uma grande parte das famílias dos seus moradores de limpo nascimento, era justo que somente as pessoas que tiverem essa qualidade andassem na governança delas..."

"Ordem Régia" (Para Câmara de Vila Rica-MG), 27 de janeiro de 1726.

"A Câmara e a Misericórdia podem ser descritas, apenas com um ligeiro exagero, como os pilares gêmeos da sociedade colonial desde Maranhão até Macau."

BOXER, C. R. "O império marítimo português". Lisboa: Edições 70, 1969, p. 267.

O mais significativo órgão político-administrativo implantado por Portugal nas vilas coloniais da América Portuguesa era a Câmara Municipal.

Baseando-se nas citações apresentadas, responda com suas próprias palavras:

a) Qual era a origem social daqueles que ocupavam os cargos nas Câmaras Municipais?

b) Cite três funções das Câmaras Municipais nas principais vilas coloniais.

resposta da questão 3:

a) Aqueles que ocupavam cargos nas Câmaras Municipais no Brasil Colônia eram os membros da Elite Colonial, proprietários de terras e escravos, conhecidos como homens bons que compunham uma aristocracia na Colônia.

b) As principais funções das Câmaras Municipais estavam ligadas a administração das Vilas, a arrecadação dos tributos e ajustiça em primeira instância.

Terceira Série

1.(UFJF) Leia, atentamente, a citação abaixo e responda:

“Marx defendia a necessidade da ação política e da conquista do poder pelo proletariado organizado em um bpartido político. Bakunin propunha a necessidade da solidariedade e a prática da revolução, ou seja, a realização da revolução. Bakunin considerava que a manutenção do Estado, mesmo que na forma da ditadura do proletariado, acabaria levando à formação de uma nova classe exploradora e privilegiada, que perpetuaria a opressão econômica e política do Estado.”

TOLEDO, Edilene. Travessias revolucionárias. Campinas, SP: Ed. Unicamp, 2004, p. 100.

a) Bakunin e Marx representaram duas correntes ideológicas de contestação da ordem liberal burguesa na segunda metade do século XIX. Qual o nome das duas correntes?

resposta: Marx representava o socialismo científico enquanto Bakunin defendia o anarquismo.

b) Explique, com suas palavras, o que defendia o movimento idealizado por Bakunin.

resposta: O anarquismo, movimento idealizado por Mikail Bakunin pregava a destruição da propriedade privada dos meios de produção e a extinção do Estado, representados como símbolos da opressão aos trabalhadores.


2. (UNICAMP) Segundo o historiador indiano K. M. Panikkar, a viagem pioneira dos portugueses à Índia inaugurou aquilo que ele denominou como a época de Vasco da Gama da história asiática. Esse período pode ser definido como uma era de poder marítimo, de autoridade baseada no controle dos mares, poder detido apenas pelas nações europeias.

(Adaptado de C. R. Boxer, O Império Marítimo Português, 1415-1835. Lisboa: Edições 70, 1972, p 55.)

a) Quais fatores levaram à expansão marítima europeia dos séculos XV e XVI?

resposta: a) O aluno poderia mencionar por exemplo, o lucrativo comércio das especiarias, com a busca de rotas alternativas para o Oriente, a aliança entre o rei e a burguesia que possibilitou o financiamento das expedições marítimas, entre outros fatores.

b) Qual a diferença entre o domínio dos portugueses no Oriente e na América?

resposta: O aluno deveria mencionar que o comércio do Oriente era caracterizado pelo estabelecimento de feitorias, buscando o comércio, enquando o Brasil se tornaria uma possessão de Portugal, no interior de um empreendimento colonial destinado a produzir mercadorias para serem exportadas.

3. (PITÁGORAS) O negro, na África, era encurralado pelo próprio negro; havia tribos que capturava o inimigo para vender, um Yorubá não considerava um Fon como seu semelhante, o considerava como inimigo e como individuo inferior que podia ser escravizado, e assim também acontecia entre outras tribos inimigas. O escravo negro era uma mercadoria cara, valia muito dinheiro.

a) EXPLIQUE porque a escravidão era uma atividade econômica que dava duplo lucro.

resposta: a) Porque os senhores lucravam com o trabalho do escravo e com o comércio do mesmo.


b) EXPLIQUE o que era o “negro de ganho”.

resposta: b) O negro de ganho era um escravo alugado por seu senhor para trabalhar para outra pessoa sendo que a remuneração pelo trabalho ficava com o dono do escravo.

4. (FGV) Com relação aos indígenas brasileiros, pode-se afirmar que:


a) os primitivos habitantes do Brasil viviam na etapa paleolítica do desenvolvimento humano;

b) os índios brasileiros não aceitaram trabalhar para os colonizadores portugueses na agricultura não por preguiça, e sim porque não conheciam a agricultura;

c) os índios brasileiros falavam todos a chamada "língua geral" tupi-guarani;

d) os tupis do litoral não precisavam conhecer a agricultura porque tinham pesca abundante e muitos frutos do mar de conchas, que formaram os "sambaquis";

e) os índios brasileiros, como um todo, não tinham homogeneidade nas suas variadas culturas e nações.

resposta da questão 4:[E]

5. (UFPE 2012) O trabalho escravo garantia a colonização, mesmo que atingisse a dignidade humana e se chocasse com os princípios da religião católica romana, uma das instituições articuladoras da ocupação das terras americanas. No Brasil colonial, o trabalho escravo:

I - foi usado nas plantações de cana de açúcar, mas recebeu a condenação dos holandeses no período de suas invasões às terras pernambucanas.

II - definiu a identidade cultural da sociedade da época, sendo aceito, pelos nativos, sem resistência, em todas as atividades econômicas da colônia.

III - contou com a participação de comerciantes europeus nas conexões com a África, favorecendo os países poderosos, como a Inglaterra.

IV - estendeu-se pela região sudeste, mas não participou, com destaque, da exploração do ouro, devido à falta de preparo técnico dos trabalhadores.

V - conseguiu fixar-se na monocultura, com presença marcante na produção do açúcar, o que não o impediu de existir, embora com menos intensidade, nas vilas e cidades da colônia.

Assinale a sequência correta das assertivas de cima para baixo.

a) VVVFV

b) FVVFV

c) VFFFV

d) FVVFF

e) FFVFV

Resolução:FFVFV

Resposta: [E]

Justificativa:

I) Falsa. Os holandeses não se interessaram em condenar a escravidão. Queriam aumentar seus lucros e usufruir dos benefícios possíveis.

II) Falsa. Houve resistências de escravos e de parte da população. Organizaram-se fugas, rebeldias e protestos dos mais liberais.

III) Verdadeira. A escravidão rendeu lucros exorbitantes para a Inglaterra. Depois, por interesses econômicos, a Inglaterra pressionou os outros países para acabar com uma prática que lhe havia trazido fortalecimento na sua posição imperialista.

IV) Falsa. O trabalho escravo foi importante na exploração das minas. Não formou as mesmas sociabilidades da sociedade açucareira, mas esteve atuante na construção de riquezas.

V) Verdadeira. É indiscutível a importância da escravidão para a ocupação das terras coloniais. Não se pode negar, ainda, sua participação na vida urbana, realizando alguns ofícios e trabalhos domésticos.

6. (UFPE 2012) A presença dos holandeses foi marcante na história dos tempos coloniais. De fato, os holandeses possuíam grande poder de investimento e tinham rivalidades com outras nações da Europa. No Brasil, a presença holandesa em terras pernambucanas:


I - deu-se, apenas, devido às rivalidades religiosas existentes entre católicos e protestantes, responsáveis por guerras contínuas e influentes na gestão das terras americanas.

II - favoreceu o crescimento da produção açucareira, afastou a Espanha de Portugal e trouxe vantagens para as relações políticas com a democracia.

III - movimentou o mercado internacional do açúcar, alterou relações diplomáticas e trouxe novas práticas sociais.

IV - derrubou os preconceitos contra a mão de obra escrava e recuperou Pernambuco da forte crise econômica que atravessava.

V - trouxe novos hábitos para a colônia, com a vinda das ideias renascentistas, embora não tenha consolidado a aceitação da religião protestante na sociedade da época.

Assinale a sequência correta das assertivas de cima para baixo.


a) FFVFV

b) FVVFV

c) VFFFV

d) FVVFF

e) VVVFV

resposta da questão 6: [A]

Justificativa: FFVFV

I) Falsa. A Holanda tinha rivalidades com a Espanha, mas veio movida por interesses econômicos e disputas pelo mercado internacional do açúcar.

II) Falsa. Os holandeses tiveram dificuldades para administrar a produção açucareira. Suas contribuições sociais e culturais tiveram significado, mas não articularam mudanças.

III) Verdadeira. O mercado passou por turbulências e se reestruturou. Muitos novos

hábitos culturais tornaram-se conhecidos, trazendo influências para a vida cotidiana da colônia.

IV) Falsa. A escravidão não foi o alvo dos projetos holandeses. Seus planos de dominar a produção local terminaram fracassando. Foram expulsos, depois de conflitos violentos.

V) Verdadeira. Houve influências, mas não transformações que importassem numa revolução de costumes e crenças religiosas.

7. (G1) A Unificação Italiana mesclou as lutas nacionais com as reivindicações dos camponeses que queriam o fim do laço de servidão e o acesso à terra. Mas essas reivindicações não foram atendidas.

a) De que forma a unificação beneficiou a população do norte da Itália em detrimento dos camponeses do sul?

b) Quais as consequências sociais do aumento da miséria entre os camponeses italianos do sul?

resposta da questão 7:

a) O norte liderou a unificação a partir de uma monarquia liberal industrializando-se com mão-de-obra barata do sul.

b) Êxodo rural. Muitos desempregados emigraram para as Américas.

8. (Cesgranrio) "Trabalhadores de todo o mundo, uni-vos!"

Com essa frase, que se tornou famosa, Marx e Engels começavam o "Manifesto Comunista" no fervilhar de um período de profundas agitações em toda a Europa, no período entre 1830 e 1848. Acerca dessa conjuntura, podemos afirmar que:


a) as barricadas de 1848, em Paris, exigiam mudanças sociais na França e culminaram com a queda da monarquia de Luiz Bonaparte.

b) com a formação do II Reich, em 1830, os estados alemães unificados começaram a atender aos anseios nacionalistas dos movimentos sociais.

c) as vitórias do movimento cartista inglês criaram as bases para o surgimento do "Labour Party", intérprete das demandas operárias na vida política nacional.

d) a consolidação da Internacional Socialista, em 1848, unificando os vários partidos socialdemocratas europeus, colocou em xeque os governos democrata-cristãos.

e) a atuação dos "déspotas esclarecidos" contra o avanço do nacionalismo e do liberalismo reafirmou os compromissos do Congresso de Viena.

Resposta da questão 8: [C]


9. (CNDL) Leia os versos da canção abaixo.

(...)

Olhe a nossa história

Os nossos ancestrais

O Brasil colonial não era igual a Portugal

A raiz do meu país era multirracial

Tinha Índio, Branco Amarelo, Preto

Nascemos da mistura, então por que preconceito?

Barrigas cresceram

O tempo passou...

Nasceram brasileiros cada um com sua cor

Uns com pele clara outros, mais escura

Mas todos viemos da mesma mistura

Então presta atenção nessa sua babaquice

Pois como eu já disse

Racismo é burrice

Dê a ignorância um ponto final

Faça uma lavagem cerebral.

(Gabriel, o Pensador, Lavagem Cerebral, 1993)

A letra da música de Gabriel, o pensador faz referência a idéia de um Brasil multirracial. Podemos entender esse termo como:

a) um fenômeno fruto do processo de miscigenação que tem origem, ainda no período colonial, a partir da fusão de negros, índios e brancos.

b) um processo de curta duração iniciado no final do século XVIII com as idéias iluministas e o fim do sistema colonial.

c) a mistura de culturas, com predomínio da visão de mundo dos europeus, principalmente, escandinavos.

d) uma mera expressão do racismo, uma vez que o Brasil, historicamente, sempre foi dividido em raças que viviam harmoniosamente.


Resposta da questão 9: [A]

10. (PITÁGORAS) Observe a figura.


(Fonte: NOVAES, Carlos Eduardo & LOBO, César. História do Brasil para principiantes. São Paulo, Ática, 1998. P. 56.)

O sistema de Capitanias Hereditárias foi criado em 1534 pelo rei de Portugal para promover a colonização do Brasil. Com relação ao sistema de capitanias é INCORRETO afirmar

a) as capitanias eram lotes de terras que iam do litoral até Tordesilhas, linha imaginária criada pelas coroas portuguesa e espanhola.

b) o sistema de capitanias era um modelo de colonização que já tinha sido adotado por Portugal na Ilha da Madeira.

c) o Brasil foi dividido em quinze lotes de terras que foram doados às pessoas importantes da nobreza portuguesa.

d) as capitanias brasileiras que mais prosperaram foram aquelas que receberam investimentos ou recurso do tesouro português.

e) o sistema de capitanias foi uma experiência positiva para a colonização do Brasil, pois elas contribuíram para o desenvolvimento do comércio e para a segurança da colônia.

resposta da questão 10:[E]

Questões extras

1. (Udesc 2009) Assinale a alternativa CORRETA, em relação à chamada "Primavera dos Povos".

a) A "Primavera dos Povos" não influenciou a formação dos movimentos sociais do Século XIX.

b) Foi uma revolução brasileira, mas que atingiu também outros países do Cone Sul.

c) Houve influência da "Primavera dos Povos" no Brasil através do movimento dos "Seringueiros".

d) Atribuição colocada ao movimento revolucionário francês em 1848, que derrubou a monarquia de Luis Felipe e trouxe à discussão a exploração burguesa e a dominação política.

e) A influência da "Primavera dos Povos" se restringiu às preocupações francesas do período.

resposta da questão 1:[D]


2. (PITÁGORAS) "Em 1492, a expansão europeia atingia a América. Em 1498, os europeus chegaram também às tão ambicionadas Índias. Tais descobrimentos situaram-se dentro do mesmo movimento do expansionismo europeu ocidental. As ocupações, porém, das regiões das Índias Orientais e das Índias Ocidentais foram inteiramente diferentes: no Oriente a simples conquista era suficiente; no Ocidente, era outra a condição de incorporação dos territórios atingidos.

Identifique entre os fatores abaixo, aqueles que se constituíram condições para a expansão marítima no século XV.


I - a escassez de metais preciosos na Europa devido ao fato das minas estarem exauridas.

II - a revolução verde que contribuiu para o aumento da produção agrícola e a queda dos preços dos produtos.

III - a falta de mão-de-obra e o aumento dos salários dos trabalhadores.

IV - o apoio da Igreja católica enfraquecida com a Reforma Protestante e interessada na conquista de novos adeptos.

São CORRETAS as afirmativas

A) I e II, apenas.

B) I e III, apenas.

C) II e IV, apenas.

D) I, III e IV, apenas.

E) I, II, III e IV.

resposta da questão 2:[D]


3. (UFMG) Conceitos e símbolos como pátria, etnia, língua e bandeira passam a ser fortemente cultuados em fi ns do século XIX e início do século XX, tornando-se o substrato geral da política naqueles anos.

A) Defina o fenômeno político-cultural que sintetiza a valorização dessas idéias.

B) Do ponto de vista operário, no entanto, havia um movimento contrário a essa valorização. Identifi que esse movimento.

C) Explique o advento da 1ª Guerra Mundial tendo em vista o contexto indicado anteriormente e a situação do capitalismo em nível internacional.

resposta da questão 3:

A) Nacionalismo.

B) O socialismo científico.

C) O nacionalismo aflorou na Península Balcânica e na disputa colonialista mundial.


quarta-feira, 13 de abril de 2011

Saiba mais sobre a transferência da Corte portuguesa para o Brasil

CNDL - Colégio Notre Dame de Lourdes

Terceiro Ano - Primeiro Bimestre

Coleção Pitágoras

A transferência da Corte portuguesa e a Independência do Brasil


Saiba mais sobre a crise do sistema colonial na América portuguesa

CNDL - Colégio Notre Dame de Lourdes

Terceiro Ano - Primeiro Bimestre

Coleção Pitágoras

A Crise do Sistema Colonial



Nas últimas décadas do século XVIII ocorreram grandes transformações no mundo ocidental. Filósofos e cientistas propunham novas maneiras de "olhar" o mundo, e de se relacionar com ele. A concepção de uma sociedade estática e estratificada, na qual o homem já encontrava o seu destino traçado ia sendo transformada. O homem passava a ser o construtor de seu tempo, de sua história. A Revolução Industrial Inglesa, a Independência dos Estados Unidos e a Revolução Francesa foram os marcos dessa modernidade. Na Europa ocidental, o novo pensamento liberal impulsionou a queda dos regimes absolutistas levando, para suas colônias, o rastilho da Independência. Na América portuguesa os colonos percebiam que estava em suas mãos a possibilidade de mudar o rumo dos acontecimentos, tornando-se autores de sua própria história. Nas sociedades literárias e nas lojas maçônicas discutiam-se, em segredo, "as infames idéias francesas" de Felicidade, Fraternidade, Igualdade e Liberdade. Tramavam-se os movimentos conhecidos como Conjurações, que tiveram lugar em vários pontos da Colônia, nos últimos anos do século XVIII.


Inconfidência Mineira Entre 1740 e 1780 a produção do ouro de aluvião das Minas caiu, de mais de 20 toneladas para cerca de 8 toneladas. Em 1760, já se tinha instalado a crise do ouro das minas brasileiras. Em Lisboa, o descontentamento e a preocupação eram grandes. O Governo português entendia ser função de qualquer Capitania colonial alimentar o Tesouro, equilibrando suas finanças e sua economia. Alguns dos responsáveis pela administração metropolitana desejavam, a cobrança do quinto como forma de manter a riqueza oriunda da arrecadação do ouro. Em meados do século XVIII, Alexandre de Gusmão, secretário de D. João V, recriminou o Governo português por "correr ignorante" na direção de uma riqueza que entendia imaginária. O Eldorado encontrado terra adentro, motivo da cobiça dos homens e de suas aventuras nos sertões da América portuguesa, já não existia. Os mineradores não conseguiam produzir o suficiente para aplacar a voracidade do fisco metropolitano. O Governo interpretava o fato como fraude, atribuindo aos mineradores a sonegação e o contrabando do ouro. Na realidade, eles empobreciam e acumulavam dívidas. Por outro lado, as autoridades passavam a cobrar os tributos com mais rigor. As derramas, cobranças forçadas dos atrasados para a Fazenda Real, ocorridas em 1762 e 1768, são um exemplo do que ocorria. As autoridades exigiam, também, uma quantidade de ouro e diamantes cada vez maior. O desassossego e a intranqüilidade dos colonos cresciam, enquanto as batéias seguiam rodando sem parar. Mesmo à distância, os olhos vigilantes da Coroa procuravam, por meio da Intendência das Minas, fiscalizar, controlar e, sobretudo, manter o recolhimento dos tributos. Entretanto, apesar de todo o esforço, as saídas ilegais do ouro e dos diamantes das minas - o contrabando - continuava. Documentos oficiais dessa época informavam às autoridades portuguesas que muitas partidas de diamantes, oriundas do arraial do Tijuco, iam parar na Holanda, levadas por frotas que partiam do Rio de Janeiro. Esses desvios causavam escândalos. Envolviam grupos de mineiros considerados fora-da-lei, "garimpeiros" associados a comerciantes ambulantes, "capangueiros" e, até mesmo, funcionários das Minas que, inúmeras vezes, contavam com a conivência dos contratadores nomeados pelo rei. O Governo português sentia-se traído, entendendo que era preciso punir os culpados e que as masmorras, os degredos e as forcas existiam para isso. Outros fatores contribuíam para acelerar a decadência da Capitania: as despesas crescentes com artigos de importação, especialmente após o Alvará de 1785, de D. Maria I, proibindo a instalação de qualquer indústria na Colônia; as técnicas inadequadas e predatórias utilizadas nas lavras de ouro e o saque ávido e constante de Portugal, apoderando-se de toda a produção do ouro. Além disso, os mineiros não retinham para si o excesso de sua produção e não investiam na economia local, para diversificar as atividades econômicas. Ao lado desses fatos, havia a suspeita, praticamente confirmada, de que o Governo se preparava para executar uma nova derrama, em 1788 ou 1789. Essa conturbada situação interna coincidiu com o desmoronamento do sistema colonial mercantilista na Europa, a partir do desenvolvimento da Revolução Industrial. Revolução que provocou uma profunda transformação econômica nas potências da época e, conseqüentemente, na relação com suas colônias. A crescente intranqüilidade e agitação na região das Minas pode ser claramente percebida nas "Cartas Chilenas", obra satírica, produzida em meados da década de 1780, cuja autoria é atribuída a Tomás Antonio Gonzaga. Elas registram pesados ataques ao governador Luís da Cunha de Meneses e a outras autoridades portuguesas, destacando as arbitrariedades e prevaricações cometidas. Apontam, também, os excessos da tropa militar, formada pelos "dragões." "Entraram nas Comarcas os soldados, e entraram a gemer os tristes povos; uns tiram os brinquinhos das orelhas das filhas e mulheres; outros vendem as escravas já velhas que os criaram, por menos duas partes do seu preço." Cartas chilenas, autoria atribuída a Tomás Antonio Gonzaga A Sociedade das Gerais no Século XVIII Os Conjurados

O ideário da Conjuração A Conjuração Mineira, inicialmente organizada como oposição à cobrança da nova derrama, foi um movimento de ricos e proprietários, apesar de a população em geral ser prejudicada por essa medida. Outros motivos levaram também os colonos a conspirar contra a Metrópole: o seu afastamento das posições que ocupavam durante o governo de Cunha de Meneses e o preenchimento dessas posições por portugueses, alijando os colonos das oportunidades lucrativas de que usufruíam até então. Esses homens, muitos deles poetas, tinham profissões variadas: Cláudio Manuel da Costa era advogado; Alvarenga Peixoto, fazendeiro e proprietário de minas; Tomás Antonio Gonzaga, desembargador. José Alvares Maciel, era filho do capitão-mór de Vila-Rica; José de Rezende Costa e seu filho de nome semelhante; Luís Alves de Toledo Piza; Oliveira Rolim, padre que traficava escravos e diamantes; Luís Vieira da Silva, cônego da catedral de Mariana; e o tenente coronel Francisco de Paula Freire de Andrade, comandante da Companhia dos Dragões da Capitania das Minas Gerais. Para eles a Conjuração representava a possibilidade de viver em um país mais liberal, livre do monopólio imposto pela Coroa, garantindo-lhes a liberdade comercial e o controle sobre as ações do Governo. Enfim, significava o fim da tutela da Metrópole. Além disso julgavam que a Conjuração era uma forma de preservar suas fortunas, ameaçadas pelos altos tributos, ainda mais ante o fantasma da derrama. Era, em síntese, a oportunidade de deixarem de ser colonos. Os conjurados, quase todos escravocratas, constituíam a elite letrada da Capitania. Em sua maioria, tinham estudado na Europa, especialmente na Universidade de Coimbra. Eram homens bem informados. Alguns possuíam bibliotecas, como o cônego Luís Vieira da Silva, com um acervo de mais de 600 livros, bastante significativo na época. As autoridades portuguesas comentavam que, "entre tantas coisas até o diabo deveria conter." O cônego admirava os recentes acontecimentos na América do Norte. Esse grupo de conjurados recebia notícias sobre as transformações que ocorriam na Europa, como a Revolução Industrial. Recebiam, também, livros e folhetos com as idéias liberais dos principais filósofos franceses da época - Abade Raynal, Rousseau, Montesquieu e Voltaire -, defensores dos ideais de Liberdade, Igualdade, Fraternidade e Felicidade. Outra grande influência no movimento dos conjurados foi a luta vitoriosa das 13 colônias inglesas na América contra a dominação de sua Metrópole, e a fundação dos Estados Unidos. Esse movimento contagiou de tal forma os colonos que até um deles, José Joaquim Maia e Barbalho, estudante da Universidade de Coimbra, natural do Rio de Janeiro, usando o pseudônimo de Vendek, estabeleceu contato com Thomas Jefferson, embaixador americano na França, pedindo apoio do seu governo ao movimento contra Portugal. Jefferson, após consultar autoridades de seu país, respondeu que não tinha autonomia para assumir um compromisso oficial, mas que uma revolução vitoriosa no Brasil "não seria desinteressante para os Estados Unidos, e a perspectiva de lucros poderia, talvez, atrair um certo número de pessoas para a sua causa, e motivos mais elevados atrairiam outras." Para Maxwell, o exemplo da Revolução Americana foi particularmente adequado, pois os conspiradores viam notável semelhança entre a causa dos acontecimentos da América do Norte e a sua própria situação: "porque à América inglesa nada a obrigou ao rompimento, senão os grandes tributos, que lhe taxaram, conforme declaração de um dos conspiradores." Já o ideário dos filósofos franceses tinha sentidos variados para os colonos do movimento da Conjuração. Liberdade, por exemplo, podia significar tanto libertar sua região de Portugal, como não pagar tributos, ter liberdade comercial, de expressão, e possibilidade de acesso à leitura para, com isso, conseguir gerenciar melhor os seus negócios e dominar, ainda mais, os colonizados. As idéias que os uniam eram a implantação de uma República em Minas Gerais e a necessidade da manter a escravidão, pois para eles, proprietários e escravistas, o trabalho era trabalho escravo. Nesse sentido, para os conjurados, a noção de Igualdade não incluía a igualdade racial e nem a social, pois temiam, também, o estabelecimento de uma sociedade na qual o princípio da Igualdade fosse estendido aos homens livres e pobres, a chamada "plebe".


Conjuração Baiana Em 1761, com a mudança da sede do Governo Geral para o Rio de Janeiro, a Capitania da Bahia perdeu sua importância política, apesar de continuar desenvolvendo-se economicamente e a manter seu crescimento, graças ao comércio estrangeiro bastante intenso. Entretanto, não houve melhoria nas condições de vida da população. O renascimento agrícola, que se verificou a partir de 1770, beneficiou apenas os senhores de engenho e os grandes comerciantes agravando, ainda mais, as contradições sociais. Contava a Capitania com uma população de aproximadamente 50 mil habitantes, a maioria composta por escravos negros ou alforriados, pardos e mulatos, homens livres e pobres que desempenhavam atividades manuais consideradas desprezíveis pelas elites dominantes. Essa população pobre sofria com o aumento do custo de vida, com a escassez de alimentos e com o preconceito racial. As agitações eram constantes. Entre 1797 e 1798 ocorreram vários saques aos armazéns do comércio de Salvador, e até os escravos que levavam a carne para o general-comandante foram assaltados. A população faminta roubava carne e farinha. Em inícios de 1798, a forca, símbolo do poder colonial, foi incendiada. O descontentamento crescia também nos quartéis, onde incidentes envolvendo soldados e oficiais tornavam-se freqüentes. Havia, portanto, nesse clima tenso, condições favoráveis para a circulação das idéias de Igualdade, Liberdade e Fraternidade. Governava a Bahia D. Fernando José de Portugal, que já em 1792 tinha sido advertido sobre os perigos da introdução dos princípios revolucionários que se tinham desenvolvido na França. Notícias da própria Capitania chegavam à Lisboa denunciando a situação inquietante e a agitação da população, fazendo com que se recomendasse ao Governador maior vigilância contra a propagação das "infames idéias francesas." "As Infames Idéias Francesas" Apesar do empenho em contrário das autoridades portuguesas, as "infames idéias francesas" não demoraram a atravessar o Atlântico. Ao porto de Salvador, o mais movimentado no período colonial, chegavam os novos ideais. O Governo português tentava impedir a entrada de livros contendo as idéias revolucionárias, mas apesar de toda a vigilância, livros, folhetos e documentos circulavam clandestinamente, algumas vezes trazidos por estudantes brasileiros que retornavam de estudos em universidades da Europa. Em 1796, a estadia do francês Larcher, na Bahia, contribuiu para a difusão das idéias revolucionárias. Encarregado de vigiá-lo, o tenente Hermógenes de Aguilar Pantoja, além de aderir a seus ideais, apresentou-o a baianos ilustres. Nos serões realizados na casa do farmacêutico João Ladislau Figueiredo e Melo, na Barra, Larcher discutia o pensamento dos filósofos iluministas com o padre Francisco Agostinho Gomes, com o senhor de engenho Inácio Siqueira Bulcão , com o cirurgião Cipriano Barata, com o professor e poeta Francisco Muniz Barreto e outros membros da sociedade baiana. No ano seguinte, em julho, na mesma casa em que ocorreram as reuniões com Larcher, foi fundada a loja maçônica Cavaleiros da Luz, onde eram lidos os livros de Rousseau, e outras obras de iluministas franceses. A Maçonaria, sociedade política surgida na Europa na segunda metade do século XVIII, divulgava as idéias liberais visando combater os princípios absolutistas e mercantilistas. Na América, as lojas maçônicas, além de difundir as idéias francesas, contribuíram para a descolonização. Aliadas aos interesses das elites descontentes com a Metrópole elas desempenharam papel libertador, incentivando as lutas pela Independência. A princípio, essas idéias circulavam apenas entre os letrados, mas logo começaram a se propagar entre as camadas mais humildes da população como soldados, alfaiates, mulatos, negros escravos ou libertos. Para essa população, vítima de preconceito racial e sujeita a muitas restrições que a impediam de ocupar determinados cargos e de ascender socialmente, os ideais republicanos tiveram profunda repercussão. Enquanto a elite intelectual conspirava em suas casas e em sociedades secretas, os homens pobres o faziam, murmurando nas ruas. Por meio de manuscritos contendo a tradução dos livros dos enciclopedistas franceses, de boletins, e de conversas, as novas idéias espalhavam-se. Aos poucos o movimento escapou das mãos da elite, adquirindo um caráter popular e social. A marca popular diferenciou a Conjuração Baiana da Mineira. Os alfaiates João de Deus do Nascimento e Manuel Faustino dos Santos, aliados aos soldados Lucas Dantas de Amorim e Luís Gonzaga das Virgens, passaram a pregar a República, que traria a igualdade para todos. A Monarquia significava opressão, como afirmava um dos boletins em que os conjurados diziam: "Povo que viveis flagelados com o pleno poder do indigno coroado, esse mesmo rei que vós criastes; esse mesmo rei tirano é o que se firma no trono para vos veixar, para vos roubar e para vos maltratar." No entanto, as idéias de Liberdade e de Igualdade não eram vistas da mesma maneira por todos os envolvidos na Conjuração. Para a elite branca colonial liberdade significava o não pagamento de tributos, o fim do monopólio comercial e a independência de Portugal. Membros da classe proprietária de escravos e de terras desejavam o fim da escravidão, retraindo-se à medida que a idéia de uma República igualitária crescia entre as camadas pobres. Notícias da revolução no Haiti, onde a luta passara dos colonos europeus aos mestiços e negros, assustaram os grandes proprietários, ainda mais que, na Bahia, a população de cor negra correspondia a 80% dos habitantes da Capitania. Para a massa popular a liberdade era a igualdade de direitos para todos, o fim do preconceito de raça e cor e dos privilégios. Segundo o historiador István Jancsó, "a liberdade era tida por condição de igualdade", o que implicava no fim da escravidão e da subordinação colonial. A igualdade de direitos para todos, aspiração dos conjurados baianos, aparece em vários escritos como, por exemplo, no ofício enviado ao Governo pelo soldado Luís Gonzaga das Virgens, preterido numa promoção: ... "o suplicante é um indivíduo da classe dos referidos desgraçados, tem a mágoa, a mágoa inconsolável, de ver subir aqueles que nada mais têm, que a cor branca."

A Repressão da Coroa Portuguesa No dia 12 de agosto de 1798, os baianos foram surpreendidos com manifestos manuscritos afixados nas paredes e muros das casas, igrejas e lugares públicos de Salvador. Eles anunciavam a chegada da Liberdade e da Revolução. "Animai-vos Povo Bahiense que está por chegar o tempo feliz da nossa liberdade: o tempo em que todos seremos iguais", apregoava um dos manifestos. Outro boletim - "Aviso ao Clero e ao Povo Bahiense" - trazia o programa da revolução: Igualdade de todos perante a Lei, Independência da Capitania, Proclamação da "República Bahiense", Abolição da Escravidão, Liberdade de Comércio, aumento do soldo da tropa e protestos contra os altos tributos. A repressão ao movimento começou imediatamente. Os manifestos foram arrancados e levados ao governador, que chegou a receber uma carta dos conjurados pedindo sua adesão. O primeiro a ser preso foi o escrevente Domingos da Silva Lisboa, cuja letra era semelhante à dos panfletos. No entanto, novos manuscritos apareceram e as suspeitas recaíram sobre o soldado Luís Gonzaga das Virgens, conhecido por gostar de ler e escrever, por seus ofícios enviados às autoridades e por sua pregação revolucionária. O soldado foi preso e em sua casa foram encontrados manuscritos de documentos revolucionários e cartas comprometedoras. Preocupados que Luís Gonzaga não resistisse aos interrogatórios, os outros conjurados tentaram libertá-lo, mas foram traídos por alguns delatores. Casas foram invadidas e pessoas torturadas. Pelos manifestos colados nos muros das casas de Salvador, seiscentos e noventa e nove pessoas estavam envolvidas na conspiração, mas somente quarenta e nove foram presas, a maioria das classes populares: alfaiates, sapateiros, soldados, e escravos, todos muito jovens. Poucos membros da loja maçônica Cavaleiros da Luz foram presos, entre eles: Cipriano Barata, Moniz Barreto e Aguilar Pantoja, que receberam penas brandas. A maior parte da elite ilustrada escapou ilesa. Após as prisões veio a devassa judicial, que indiciou trinta e quatro réus. Vários deles eram alfaiates, o que fez com que a Conjuração Baiana ficasse conhecida como Conjuração dos Alfaiates. Por ordem expressa de D. Maria I, os conjurados foram punidos severamente. João de Deus Nascimento, Manuel Faustino dos Santos, Lucas Dantas e Luís Gonzaga das Virgens foram enforcados e esquartejados. Os outros condenados permaneceram presos ou foram degredados. Os delatores receberam prêmio por sua lealdade à Coroa.