quinta-feira, 29 de abril de 2010

Estado de Exceção no Paraguai

Pio Penna Filho*

No sábado passado, o Senado do Paraguai autorizou o governo do presidente Fernando Lugo a decretar Estado de Exceção em cinco Departamentos do país, vários deles localizados em áreas de fronteira com o Brasil. Isso significa que o Estado pode, enquanto prevalecer o Estado de Exceção, empregar forças militares na repressão interna e efetuar prisões sem ordem judicial, dentre outras medidas que restringem os direitos de cidadania garantidos constitucionalmente num regime democrático “normal”.


Mas por que, afinal, o governo do Paraguai está lançando mão de um recurso extremo como esse, geralmente verificado em situações de ameaça ao Estado (como uma guerra) ou de forte instabilidade política interna? A decretação do Estado de Exceção acabou causando muitas dúvidas sobre sua real necessidade e suas verdadeiras intenções.
O governo alega que é preciso combater o Exército do Povo Paraguaio (EPP) e tornar a região Norte do país mais segura, uma vez que a violência apresenta níveis crescentes e preocupantes. Mas esses argumentos são frágeis para justificar o emprego de um recurso extremo como a decretação do Estado de Exceção. Analistas e políticos paraguaios vem questionando se é mesmo necessário o emprego das Forças Armadas para combater o EPP.
Não existem muitas informações disponíveis sobre o Exército do Povo Paraguaio. Trata-se de um grupo insurgente que prega a revolução social e a implementação de uma República de tipo socialista. O EPP teria sido formado entre 2007 e 2008 e iniciou suas operações militares atacando e tomando armas de um posto militar do Exército paraguaio. Especula-se que há vinculações com as FARC (Colômbia). Segundo algumas fontes, seus efetivos chegariam a 100 militantes, quantidade considerada elevada. É mais provável que a organização tenha em seus quadros entre 20 e 30 pessoas sendo, portanto, um grupo pequeno. Além do ataque ao posto militar, outras ações de seqüestro e assassinatos foram atribuídas ao EPP.
Um outro agravante que torna a região do norte do país perigosa é a atuação do narcotráfico. O Paraguai é um supridor importante do mercado brasileiro de maconha e, concomitante ao tráfico de drogas, há também o de armas. Não são poucos os casos de marginais brasileiros atuando do outro lado da fronteira. O caso mais recente foi o atentado contra o Senador Robert Acevedo, que tem como suspeitos mais importantes dois brasileiros.Mas uma questão pouco discutida, pelo menos na imprensa brasileira, e que ajuda muito a entender o ressurgimento de uma guerrilha de esquerda no país vizinho, é o lastimável quadro de concentração fundiária no Paraguai (se bem que em termos comparativos o Brasil não fica muito atrás). Assim, a exclusão social e a falta de esperança em mudanças sociais mais integradoras funcionam como poderosos estimulantes para formação de grupos insurgentes. Para esses casos, certamente o Estado de Exceção não é a melhor saída.


*Professor do Instituto de Relações Internacionais da USP e Pesquisador do CNPq. E-mail: piopenna@gmail.com

sábado, 24 de abril de 2010

Extração do Pau-brasil no período pré-colonial (1500-1530)



Observe a imagem e leia o texto

Apresente a natureza essencial revelada pela expedição da nau Bretoa.

O sistema consistia do financiamento do navio por um consórcio de comerciantes, no caso da nau Bretoa, o próprio Fernão de Noronha e um florentino, estabelecido em Lisboa. Chegando à feitoria, construída numa ilha em alto mar perto de Cabo Frio, carregava-se o navio de pau-brasil.

Pré-1530: o sistema asiático de exploração

Leia o trecho do documento a seguir.



a) Apresente as razões pelas quais os portugueses não iniciaram de imediato a colonização das terras recém descobertas.
Os portugueses não iniciaram de imediato a colonização das terras recém descobertas porque estavam envolvidos com o comércio das especiarias orientais. Além disso, não havia na nova terra mercadorias produzidas pelos nativos que pudessem ser comercializadas.

b) Caracterize o sistema asiático de exploração.

Sistema caracterizado pela construção de feitorias ao longo da costa, no caso brasileiro, com o objetivo de comercializar o pau-brasil,


c) Defina escambo.
Escambo era o sistema utilizado pelos portugueses para o pagamento da mão de obra indígena, e era uma espécie de troca do serviço prestado por mercadorias que interessassem aos nativos.
d) Apresente, na perspectiva de Jean de Léry, a utilidade do indígena na exploração do pau-brasil.
Para o francês Jean de Léry, os índios eram os responsáveis, praticamente por todo o trabalho de exploração do pau-brasil, e se não fossem eles, dificilmente se conseguiria carregar um navio médio de mercadoria durante um ano.



quarta-feira, 21 de abril de 2010

Música de Brasília teve que passar pela censura durante a ditadura militar
Nos Anos de Chumbo, artistas hoje consagrados começaram sua carreira em Brasília. Mas também sofreram os efeitos do regime militar. Ney Matogrosso foi obrigado a se apresentar para a censura.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Um video que entrou pra História
Video clip da banda norte-americana Soul Asylum mostra fotos de crianças desaparecidas nos EUA. Depois disso, várias novelas e programas de televisão fizeram o mesmo aqui no Brasil.
Soul Asylum - Runaway Train
Call you up in the middle of the night
Like a firefly without a light
You were there like a slow torch burning
I was a key that could use a little turning
So tired that I couldn't even sleep
So many secrets I couldn't keep
Promised myself I wouldn't weep
One more promise I couldn't keep
It seems no one can help me now
I'm in too deep
There's no way out
This time I have really led myself astray
CHORUS
Runaway train never going back
Wrong way on a one way track
Seems like I should be getting somewhere
Somehow I'm neither here no there
Can you help me remember how to smile
Make it somehow all seem worthwhile
How on earth did I get so jaded
Life's mystery seems so faded
I can go where no one else can go
I know what no one else knows
Here I am just drownin' in the rain
With a ticket for a runaway train
Everything seems cut and dry
Day and night, earth and sky
Somehow I just don't believe it
CHORUS
Bought a ticket for a runaway train
Like a madman laughin' at the rain
Little out of touch, little insane
Just easier than dealing with the pain
CHORUS
Runaway train never comin' back
Runaway train tearin' up the track
Runaway train burnin' in my veins
Runaway but it always seems the same
As ONGs Internacionais e Belo Monte

Pio Penna Filho*

A polêmica em torno da construção da Usina de Belo Monte, no Pará, não está restrita apenas ao Brasil. Há tempos o assunto é debatido pelos quatro cantos do mundo como um grande problema ambiental que pode ser provocado pela decisão do governo brasileiro de construir a terceira maior hidrelétrica do planeta em plena região amazônica. E, como era de se esperar, a pressão internacional já se faz sentir no planalto central.
A recente visita ao Brasil do diretor de Avatar, James Cameron, acompanhado da atriz Sigourney Weaver, recolocou a questão de forma mais evidente na mídia nacional e internacional. Cameron afirmou que vivemos todos no mesmo planeta e deixou entender que se sente no pleno direito de opinar sobre uma questão tão sensível ao governo brasileiro como essa das construção de Belo Monte.


Cameron não é a primeira estrela internacional a opinar sobre uma questão envolvendo meio ambiente, grupos indígenas e populações ribeirinhas no Brasil. Em 1989 o cantor britânico Sting esteve por aqui e foi um dos primeiros a projetar internacionalmente a discussão sobre os impactos de projetos federais na região do Xingu.
Na atual configuração política mundial é legítimo que pessoas e organizações se preocupem e possam emitir opiniões sobre temas como os relativos ao meio ambiente e aos direitos humanos. O tempo do Estado nacional soberano e senhor de todos os assuntos no âmbito de suas fronteiras já passou. Cada vez mais, há uma espécie de consciência global, ou seja, de que existem alguns temas que dizem respeito a toda a humanidade, e não apenas aos nacionais desse ou daquele país.
No caso da construção da Usina de Belo Monte há muito mais dúvidas do que certezas. Embora a Usina esteja sendo anunciada como a terceira maior do mundo, sua capacidade produtiva real parece ser bem abaixo da que a anunciada inicialmente. Outro ponto muito polêmico diz respeito aos recursos necessários para sua construção: as estimativas variam de 19 a mais de 30 bilhões de reais. Pela experiência que temos em termos orçamentários no Brasil não será de se estranhar se o preço final for ainda maior.


Mas mais importante do que isso, e que inclusive chama mais a atenção no exterior, são os impactos sócio-ambientais de uma construção desse porte e dessa natureza. Vejamos alguns dos efeitos colaterais que serão provocados ao meio ambiente: aumento do desmatamento, desequilíbrios na Bacia do Xingu, destruição de ecossistemas, poluição de água doce, redução da biodiversidade, comprometimento da navegabilidade. E o que dizer do impacto social? Vários povos indígenas e os ribeirinhos que vivem na região há gerações serão obrigados a partir ou terão suas vidas profundamente alteradas pela construção da hidrelétrica.
O Brasil, assim como qualquer país que queira se desenvolver, necessita de fontes seguras e confiáveis de energia. O que não podemos e não devemos fazer é sacrificar o lado humano em nome do progresso. Outras experiências já demonstraram que a realização de grandes projetos costumam vir desacompanhados de assistência permanente às pessoas mais atingidas. Esse é um ponto importante e sobre o qual devemos refletir.



* Professor do Instituto de Relações Internacionais da USP e Pesquisador do CNPq. E-mail: piopenna@gmail.com
Voa canarinho, voa

Hit da copa do mundo de 1982 na Espanha, interpretada pelo craque Junior da seleção canarinho, música que chegou a se tornar uma verdadeira febre naquele campeonato mundial e embalava a torcida brasileira dentro e fora dos estádios espanhóis.

Saiba mais sobre o New Deal



Plano de recuperação econômica dos Estados Unidos, implantado a partir de 1933, durante o governo do presidente Franklin Delano Roosevelt, que assessorado pelo economista britânico, John Maynard Keynes, colocou em prática uma forte intervenção do Estado na economia, o chamado New Deal, que possuía como objetivos principais a saída da Grande Depressão e a retomada do crescimento da economia norte-americana.
Além do forte intervencionismo estatal, foram adotadas uma série de medidas de cunho assistencialista, com a implantação do Estado de Bem Estar Social, através da criação da Previdência Social no país.
O New Deal apresentou resultados relativamente bem sucedidos. Na verdade, apenas com o desenvolvimento da Segunda Guerra Mundial pode-se dizer que os Estados Unidos conseguiram superar os terríveis efeitos da Crise de 1929.
A arte de viver com fé
Alagados, da banda Paralamas do Sucesso, música que pode ser contextualizada com o atual problema vivenciado no Rio de Janeiro
Paralamas do Sucesso - Alagados
Composição: Herbert Viana/ Bi Ribeiro

Todo dia o sol da manhã
Vem e lhes desafia
Traz do sonho pro mundo
Quem já não o queria
Palafitas, trapiches, farrapos
Filhos da mesma agonia
E a cidade que tem braços abertos
Num cartão postal
Com os punhos fechados na vida real
Lhe nega oportunidades
Mostra a face dura do mal
Alagados, Trenchtown, Favela da Maré
A esperança não vem do mar
Nem das antenas de TV
A arte de viver da fé
Só não se sabe fé em quê
A arte de viver da fé
Só não se sabe fé em quê
Todo dia o sol da manhã
Vem e lhes desafia
Traz do sonho pro mundo
Quem já não o queria
Palafitas, trapiches, farrapos
Filhos da mesma agonia
E a cidade que tem braços abertos
Num cartão postal
Com os punhos fechados na vida real
Lhe nega oportunidades
Mostra a face dura do mal
Alagados, Trenchtown, Favela da Maré
A esperança não vem do mar
Nem das antenas de TV
A arte de viver da fé
Só não se sabe fé em quê
A arte de viver da fé
Só não se sabe fé em quê
Alagados, Trenchtown, Favela da Maré
A esperança não vem do mar
Nem das antenas de TV
A arte de viver da fé
Só não se sabe fé em quê
A arte de viver da fé
Só não se sabe fé em quê
Alagados, Trenchtown, Favela da Maré
A esperança não vem do mar
Nem das antenas de TV
A arte de viver da fé
Só não se sabe fé em quê
A arte de viver da fé
Só não se sabe fé em quê
Alagados, Trenchtown, Favela da Maré
A esperança não vem do mar
Nem das antenas de TV
A arte de viver da fé
Só não se sabe fé em quê
A arte de viver da fé
Mas a arte de viver da fé
Só não se sabe fé em quê
A arte de viver da fé
Só não se sabe fé em quê
A arte de viver da fé
O Rappa - Suplica cearense



Súplica Cearense
O Rappa

Composição: Luiz Gonzaga

Oh! Deus,
perdoe esse pobre coitado,
que de joelhos rezou um bocado,
pedindo pra chuva cair,
cair sem parar.
Oh! Deus,
será que o senhor se zangou,
e é só por isso que o sol se arretirou,
fazendo cair toda chuva que há.
Oh! Senhor,
pedi pro sol se esconder um pouquinho,
pedi pra chover,mas chover de mansinho,
pra ver se nascia uma planta,uma planta no chão.
Oh! Meu Deus,
se eu não rezei direito,
a culpa é do sujeito,
desse pobre que nem sabe fazer a oração.
Meu Deus,perdoe encher meus olhos d'água,
e ter-lhe pedido cheio de mágoa,
pro sol inclemente,se arretirar, retirar.
Desculpe, pedir a toda hora,
pra chegar o inverno e agora,
o inferno queima o meu humilde Ceará.
Oh! Senhor,
pedi pro sol se esconder um pouquinho,
pedi pra chover,
mas chover de mansinho,
pra ver se nascia uma planta no chão,planta no chão.
Violência demais,
chuva não tem mais,
corrupto demais,
política demais,
tristeza demais.
O interesse tem demais!
Violência demais,
fome demais,
falta demais,
promessa demais,
seca demais,
chuva não tem mais!
Lá no céu demais,
chuva tem,
tem, tem, não tem,
não pode tem,
é demais.
Pobreza demais,
como tem demais!(Falta demais),
é demais,
chuva não tem mais,
seca demais,
roubo demais,
povo sofre demais.
Oh! demais.
Oh! Deus.
Oh! Deus.
Só se tiver Deus.
Oh! Deus.
Oh! fome.
Oh! interesse demais,
falta demais...!
Legião Urbana - Perfeição



Perfeição
Legião Urbana
Composição: Renato Russo

Vamos celebrar
A estupidez humana
A estupidez de todas as nações
O meu país e sua corja
De assassinos
Covardes, estupradores
E ladrões...
Vamos celebrar
A estupidez do povo
Nossa polícia e televisão
Vamos celebrar nosso governo
E nosso estado que não é nação...
Celebrar a juventude sem escolas
As crianças mortas
Celebrar nossa desunião...
Vamos celebrar
Eros e Thanatos
Persephone e Hades
Vamos celebrar nossa tristeza
Vamos celebrar nossa vaidade...
Vamos comemorar como idiotas
A cada fevereiro e feriado
Todos os mortos nas estradas
Os mortos por falta
De hospitais...
Vamos celebrar nossa justiça
A ganância e a difamação
Vamos celebrar os preconceitos
O voto dos analfabetos
Comemorar a água podre
E todos os impostos
Queimadas, mentiras
E sequestros...
Nosso castelo
De cartas marcadas
O trabalho escravo
Nosso pequeno universo
Toda a hipocrisia
E toda a afetação
Todo roubo e toda indiferença
Vamos celebrar epidemias
É a festa da torcida campeã...
Vamos celebrar a fome
Não ter a quem ouvir
Não se ter a quem amar
Vamos alimentar o que é maldade
Vamos machucar o coração...
Vamos celebrar nossa bandeira
Nosso passadoDe absurdos gloriosos
Tudo que é gratuito e feio
Tudo o que é normal
Vamos cantar juntos
O hino nacional
A lágrima é verdadeira
Vamos celebrar nossa saudade
Comemorar a nossa solidão...
Vamos festejar a inveja
A intolerância
A incompreensão
Vamos festejar a violência
E esquecer a nossa gente
Que trabalhou honestamente
A vida inteira
E agora não tem mais
Direito a nada...
Vamos celebrar a aberração
De toda a nossa falta
De bom senso
Nosso descaso por educação
Vamos celebrar o horror
De tudo isto
Com festa, velório e caixão
Tá tudo morto e enterrado agora
Já que também podemos celebrar
A estupidez de quem cantou
Essa canção...
Venha!
Meu coração está com pressa
Quando a esperança está dispersa
Só a verdade me liberta
Chega de maldade e ilusão
Venha!O amor tem sempre a porta aberta
E vem chegando a primavera
Nosso futuro recomeça
Venha!
Que o que vem é Perfeição!...

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Música gaúcha e a Guerra dos Farrapos



Os Serranos
Mercedita

Que dulce encanto tienen
Tus recuerdos mercedita
Aromada, florecida
Amor mio de una vez
La conoci en el campo
Alla muy llejos una tarde
Donde crecen los trigales
Provincia de santa fé
Y asi nació nuestro querer
Con ilusion, con mucha fé
Pero no se porque la flor
Se marchitó y moriendo fué
Y amandola con loco amor
Asi llegue a comprender
Lo que es querer, lo que es sufrir
Porque le di mi corazon
Como una queja errante
En la campina va flotando
El eco vago de mi canto
Recordando aquel adios
Pero apesar del tiempo
Transcurrido es mercedita
La leyenda que hoy palpita
En mi nostalgica cancion
Y asi nació nuestro querer
Con ilusion, con mucha fé
Pero no se porque la flor
Se marchitó y moriendo fué
Y amandola con loco amor
Asi llegue a comprender
Lo que es querer, lo que es sufrir
Porque le di mi corazon
Contextualização com o apogeu da lavoura cafeeira no Brasil, entre 1870 e 1930
Grande sucesso da dupla Cascatinha & Inhana, "Flor do cafezal", que se constitui em uma excelente canção para se estabelecer uma releção de intertexto com a expansão da lavoura cafeeira no país.
Cascatinha & Inhana
Flor Do Cafezal
Música do álbum A Saudade É Demais - Vol. 3
Compositor: Luiz Carlos Paraná
Meu cafezal em flor!
Quanta flor, meu cafezal!
Meu cafezal em flor!
Quanta flor, meu cafezal!
Ai, menina, meu amor!
Minha flor do cafezal!
Ai, menina, meu amor!
Branca flor do cafezal!
Era a florada
Lindo véu de branca renda
Se estendeu sobre a fazenda
Qual um manto nupcial!
E de mãos dadas
Fomos juntos pela estrada
Toda branca e perfumada
Pela flor do cafezal.
Meu cafezal em flor...
Passa-se a noite
Vem o sol ardente e bruto
Morre a flor e nasce o fruto
No lugar de cada flor;
Passa-se o tempo
Em que a vida é todo encanto
Morre o amor e nasce o pranto
Fruto amargo de uma dor.
Meu cafezal em flor...

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Mais uma que abalou as estruturas, no final da chamada década perdida
Canção do grupo brasileiro Kongo, uma comparação entre a grande Babilônia da Antiguidade Oriental e as muitas babilônias brasileiras contemporâneas


Um dos hinos da juventude brasileira no final dos anos 80
Canção que expressa as angústias, inquietações, dramas e anseios dos jovens brasileiros no período da transição democrática no Brasil

Dias de Luta
IRA!
Composição: Edgard Scandurra
Só depois de muito tempo
Fui entender aquele homem
Eu queria ouvir muito
Mas ele me disse pouco...
Quando se sabe ouvir
Não precisam muitas palavras
Muito tempo eu levei
Prá entender que nada sei
Que nada sei!...
Só depois de muito tempo
Comecei a entender
Como será meu futuro
Como será o seu...
Se meu filho nem nasceu
Eu ainda sou o filho
Se hoje canto essa canção
O que cantarei depois?
Cantar depois!...
Se sou eu ainda jovem
Passando por cima de tudo
Se hoje canto essa canção
O que cantarei depois?...
Só depois de muito tempo
Comecei a refletir
Nos meus dias de paz
Nos meus dias de luta...
Se sou eu ainda jovem
Passando por cima de tudo
Se hoje canto essa canção
O que cantarei depois?...(2x)
Cantar depois!...

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Pérola sertaneja, poesia e canção sublimes

Caminheiro
Liu e Léu
Composição: Noé Eustáquio Borges

Caminheiro que lá vai indo, no rumo da minha terra,
Por favor faça parada na casa branca da serra.
Ali mora uma velhinha chorando um filho seu,
Esta velha é minha mãe
E o seu filho sou eu.
Óh! caminheiro, leva este recado meu!
Por favor, diga pra mãe zelar bem do que é meu,
Cuidar bem do meu cavalo que o finado pai me deu,
O meu cachorro campeiro, meu galo índio brigador,
Minha velha espingarda e o violão chorador.
Óh! caminheiro, me faça este favor!
Caminheiro, diga pra mãe, para não se preocupar,
Se Deus quiser este ano eu consigo me formar,
Eu pegando meu diploma vou trazer ela pra cá,
Mas se eu for mau nos estudos vou deixar tudo e volto pra lá.
Óh! caminheiro, não esqueça de avisar! (4x)
Um grande hit da dupla Simon & Garfunkel, uma verdadeira obra prima da poesia de Paul Simon.
Cenas do filme Forest Gump, o contador de histórias, com Tom Hanks.





The Sound of Silence
Paul Simon

Hello darkness, my old friend,
I've come to talk with you again,
Because a vision softly creeping,
Left its seeds while i was sleeping,
And the vision that was planted in my brain
Still remains
Within the sound of silence.
In restless dreams i walked alone
Narrow streets of cobblestone,
'neath the halo of a street lamp,
I turned my collar to the cold and damp
When my eyes were stabbed by the flash of a neon light
That split the night
And touched the sound of silence.
And in the naked light i saw
Ten thousand people, maybe more.
People talking without speaking,
People hearing without listening,
People writing songs that voices never share
And no one dare
Disturb the sound of silence.
'fools' said i, 'you do not know
Silence like a cancer grows.
Hear my words that i might teach you,
Take my arms that i might reach to you.
'But my words like silent as raindrops fell,
And echoedIn the wells of silence
And the people bowed and prayed
To the neon god they made.
And the sign flashed out its warning,
And the words that it was forming.
And the sign said, 'the words of the prophets
Are written on the subway walls
And tenement halls.
'Whispered in the sound of silence
Genival Lacerda - Galeguim do zói azul



Um galeguim do zoi azu, um galeguim do zói azu,
Um galeguim do zói azu, um galeguim do zói azu,
Zeca é preta que só carvão e Zefa é preta que só quixaba,
A famílica de Zeca é da cor de jaboticaba,
Todos parentes de Zeca são da cor de urubu,
mas nasceu na casa dele um galeguim do zói azu,
Um galeguim do zói azu, um galeguim do zói azu
Um galeguim do zói azu, um galeguim do zói azu
Um galeguim do zói azu, um galeguim do zói azu
Um galeguim do zói azu, um galeguim do zói azu
Zeca todo aperreado, foi falar com o capelão,
Entrou triste na igreja, coçando a testa com a mão,
Seu vigário foi dizendo, não me meta nesse angu,
Mas traga pra batizar seu galeguim do zói azu.
Repete tudo mais 1X
A Cúpula de Segurança Nuclear

Pio Penna Filho*

Volto essa semana a analisar o mesmo tema do artigo anterior, só que agora acrescido de novas informações e no momento em que vários países se reúnem em Washington para discutir formas de tentar garantir que armas, ou material nuclear, não caiam em mãos de grupos terroristas. A Cúpula de Segurança Nuclear também se ocupa, é claro, com a questão da não-proliferação nuclear mesmo entre atores estatais.
Para início da nossa análise é interessante notar qual está sendo a postura adotada por aqueles que já possuem armas nucleares. Embora as maiores potências nucleares (Estados Unidos e Rússia) tenham firmado um acordo de redução de estoques recentemente, nenhuma das duas admite abrir mão completamente dos seus arsenais. Mesmo considerando a importante redução em um terço dos estoques, ainda haverá armas suficientes para comprometer a vida no planeta caso uma desgraça ocorra.
O presidente da França, outra grande potência atômica, anunciou que o seu país também não abrirá mão do “direito” de manter o seu arsenal nuclear, mesmo que reduzido. Segundo ele, trata-se de uma questão de segurança nacional. Ou seja, para os franceses se sentirem seguros nesse mundo “tão perigoso como o que vivemos hoje”, a França precisa de armas nucleares. No mesmo caminho seguem os chineses e os britânicos, as outras grandes potências.
Considerando essa postura somos obrigados a alguns questionamentos: será o mundo inseguro apenas para esses países? O que lhes dá o direito de manterem arsenais nucleares enquanto o resto do mundo deve abrir mão, espontaneamente ou não, de desenvolverem capacidade semelhante? Voltamos, assim, ao ponto de partida, qual seja, a idéia de congelamento do poder mundial.
O que esses países querem nada mais é do que manter para si a capacidade de ameaçar os outros com suas terríveis armas nucleares sem que ninguém possa, por sua vez, dissuadir essa ameaça. Se estivessem sendo sinceros eles também deveriam se comprometer seriamente na eliminação total de qualquer ameaça nuclear, ideal que só será conquistado quando não houver mais armas nucleares em nenhum país do mundo. Esse é, portanto, o ideal a ser perseguido.
Mas a questão nuclear não se encerra nos arsenais militares. Há um temor, e bem fundamentado, de que as grandes potências também desejam impedir ou dificultar ao máximo que os outros países consigam desenvolver tecnologias próprias no campo nuclear para fins pacíficos. Na verdade, nem se trata de um “temor”, mas sim de uma constatação. Há muito pouca cooperação no campo nuclear entre os países que completaram o ciclo e aqueles que não o conseguiram, mesmo quando pensamos em termos de geração de energia ou da aplicação nuclear nos campos da medicina e da indústria, por exemplo.
É nessa perspectiva que segue o discurso do Brasil na Cúpula. A China também tem uma posição muito próxima. Em síntese: O Brasil defende uma desnuclearização ampla e se coloca ao lado dos Estados Unidos a favor de uma frente ampla contra o terrorismo nuclear mas, ao mesmo tempo, defende que não se pode, em nome de uma guerra contra o terror, aliás muito mal definida, impedir que qualquer país possa vir a desenvolver tecnologias nucleares para qualquer finalidade que não a bélica.


* Professor do Instituto de Relações Internacionais da USP e Pesquisador do CNPq. E-mail: piopenna@gmail.com

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Cuba e os Direitos Humanos

Pio Penna Filho*

Causou arrepio em muita gente a recente declaração do presidente Lula sobre os prisioneiros políticos cubanos que amargam penas indecentes nas prisões de Cuba. Segundo noticiado pela imprensa o nosso presidente teria comparado a condição dos presos de consciência da Ilha de Fidel aos delinqüentes comuns do Brasil. Ora, nada mais absurdo do que isso.
A declaração presidencial revela, todavia, uma forma de pensamento que provavelmente não é exclusiva do presidente. A simpatia política do petismo para com o regime de Fidel é antiga e, até certo ponto, plenamente justificável. Tendo Fidel Castro como líder proeminente, os cubanos fizeram uma revolução e começaram a corrigir injustiças históricas. A revolução cubana serviu de inspiração para muitas gerações de latino-americanos que arregaçaram as mangas e tentaram mudar o mundo. Mas o regime envelheceu.
Cuba é uma típica ditadura. A única diferença é que muitos a vêem como uma ditadura dita de “esquerda”, mas mesmo assim continua sendo uma ditadura. A liberdade de expressão é silenciada em nome da sociedade. A manutenção do regime é levada adiante na base do custe o que custar, mesmo que isso signifique a reprodução de mecanismos cruéis de silenciamento. Já vivemos isso no Brasil e sabemos como é. O nosso presidente foi, ele mesmo, vitimado pelo regime de exceção que vigorou no Brasil durante a ditadura militar.
O Brasil tem deixado muito a desejar em termos de Direitos Humanos. Talvez isso também ajude a explicar a complacência com o governo cubano em torno da questão dos presos políticos. É impensável que alguém com o histórico do nosso presidente possa se colocar de forma tão insensível frente ao sofrimento de pessoas que estão amargando as agruras da vida pelo simples fato de pensarem de uma maneira diferente de um determinado governo. E mais: as histórias sobre as masmorras cubanas sob o regime de Fidel são antigas. Há tempos o seu regime é acusado por várias organizações internacionais de desrespeito aos direitos humanos.
Ter uma posição firme e coerente com a questão dos direitos humanos não colocará o Brasil na condição de inimigo de Cuba. O que não podemos admitir é que em nome de qualquer política (seja de esquerda ou de direita) os direitos humanos elementares sejam desrespeitados.
O Brasil, que possui uma diplomacia de alto nível e tem um apreço pelo pacifismo e pela boa conduta, não deveria se deixar levar por questões tão comprometedoras no campo da política externa. Já basta o nosso pragmatismo comercial que nos colocou diante de uma situação inusitada com o genocídio em Darfur, no Sudão.


* Professor do Instituto de Relações Internacionais da USP e Pesquisador do CNPq. E-mail: piopenna@gmail.com
Os Estados Unidos e a Questão Nuclear

Pio Penna Filho*

Os Estados Unidos anunciaram, juntamente com os russos, uma revisão no Tratado entre os dois países que regula a questão nuclear. Prometem reduzir os arsenais em até um terço, o que não é pouco, embora seja insuficente. A iniciativa foi mais norte-americana do que russa, ainda que para os russos ela venha em bom momento. De toda forma, a notícia da redução de arsenais nucleares é sempre muito bem vinda.
O clube atômico mundial é muito seleto. Dos nove países com capacidade nuclear, cinco se destacam: Estados Unidos, Rússia, China, Inglaterra e França. Esses tem capacidade intercontinental e os dois primeiros dispõem de recursos suficientes para destruírem o mundo sozinhos. Os outros quatro atores são Índia, Paquistão, Israel e Coréia do Norte. Os dois primeiros já assumiram e provaram publicamente sua capacidade nuclear. Israel segue negando que seja uma potência nuclear, malgrado todas as evidências em contrário, e a Coréia do Norte é apenas uma promessa, pelo menos por enquanto.
A idéia de congelamento do poder nuclear mundial é antiga. Em meados da década de 1960 os Estados Unidos e a ex-União Soviética começaram a discutir mais seriamente uma maneira de reduzir os custosos e perigosos estoques de armas nucleares e, ao mesmo tempo, bolaram também uma forma de tentar evitar a expansão do seleto clube de países que conseguiram dominar a tecnologia nuclear. Foi assim que nasceu o Tratado de Não-Proliferação Nuclear, o TNP.
Os países signatários do TNP se comprometem em não desenvolver a tecnologia nuclear para fins bélicos, aceitando explicitamente o tal congelamento do poder mundial. Por conta disso vários Estados que buscavam maior autonomia internacional se recusaram a assiná-lo, como Brasil, Argentina, Índia, Israel, Paquistão e África do Sul, dentre outros.
Com o fim da Guerra Fria muita coisa mudou no cenário internacional. A maior parte dos Estados se resignou e abriu mão do objetivo nuclear. Porém, alguns países seguem com a meta do desenvolvimento da plena capacidade nuclear e acham injusto que poucos possam dominar essa tecnologia, ainda mais sabendo que a utilizam como uma forma de pressão política e ameaça militar.
Os Estados Unidos, conscientes do desafio lançado por países como a Coréia do Norte e agora, como dizem, o Irã, estão aproveitando o momento para anunciar sua nova estratégia nuclear. Afirmam que não usarão armas nucleares contra países que não dispõem de arsenais nucleares e que só utilizarão esse tipo de armamento em caso extremo, ou seja, quando se sentirem extremamente ameaçados.
A nova política norte-americana tem, portanto, endereço certo, pelo menos por enquanto. É dirigida ao Irã e à Coréia do Norte e também àqueles que no futuro desejarem desenvolver sua plena capacidade nuclear. Nesse sentido, a redução em 1/3 dos principais arsenais mundiais (Estados Unidos e Rússia) ainda é muito pouco. Se continuam desejando congelar o poder mundial como detentores exclusivos de armas nucleares, deveriam abrir mão de mais, inclusive facilitando o acesso a tecnologia nuclear para fins pacíficos por parte de outros países que apresentam deficiências energéticas importantes.

* Professor do Instituto de Relações Internacionais da USP e Pesquisador do CNPq. E-mail: piopenna@gmail.com

terça-feira, 30 de março de 2010

Egito descobre porta de granito de 3.500 anos




CAIRO (AFP) - Uma imponente porta de granito vermelho, procedente da tumba de um poderoso conselheiro faraônico que data de 3.500 anos atrás, foi descoberta em Luxor, anunciou nesta segunda-feira o ministro egípcio da Cultura, Faruk Hosni.
Essa entrada falsa, considerada pelos antigos egípcios como o ponto de passagem ao além, foi desenterrada perto do templo de Karnak, afirmou o ministério em um comunicado.O objeto pertencia à tumba de User, um influente conselheiro ou vizir (termo que significa "ajudante") da rainha Hachepsut, que governou o Egito entre 1479 e 1458 antes de Cristo, o reinado mais longo de uma mulher faraó.Sobre a porta, de 1,75 metro de altura e 50 centímetros de espessura, estão gravados textos religiosos, assim como os diferentes títulos de User - prefeito, vizir e príncipe -, afirmou o chefe do serviço de antiguidades egípcias, Zahi Hawass."Esta porta foi reutilizada pelos romanos. Foi retirada da tumba do vizir e utilizada em uma estrutura que data da época romana", completou o responsável pela escavação, Mansur Boraik.
FONTE: http://www.yahoo.com.br/
Os “Enganos” da OTAN
Pio Penna Filho*


De tanto ver a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) pedir desculpas públicas por “erros” e “enganos” cometidos em sua campanha militar no Afeganistão, ou melhor, contra o Afeganistão, resolvi escrever esse artigo. O primeiro aspecto que chama a atenção é a repetição de tais fatos, que aliás vem de antes, pelo menos desde a época da campanha na Iugoslávia, durante a década de 1990, quando centenas (talvez milhares) viraram alvos dos bombardeios “cirúrgicos” desfechados por sofisticados aviões da coalizão liderada pelos Estados Unidos da América. Agora a história se repete e os comandantes da OTAN não se intimidam: lançam intensos ataques aéreos e atingem a população civil do Afeganistão sem a menor crise de consciência. Mas, como é preciso dar uma explicação para a opinião pública dos países europeus (parece que os norte-americanos não padecem desse tipo de “crise de consciência”), geralmente emitem pedidos de desculpas, embora não se saiba exatamente para quem, se para o público interno da “civilizada” Europa, se para os pobres e “bárbaros” afegãos, que viraram os vilões da vez, tenham ou não tenham ligação com quaisquer grupos ditos “terroristas”.O inimigo está em toda a parte, essa parece ser a doutrina da Organização. E, pelo visto, está mesmo. Muitos afegãos ainda não entendem porque forças estrangeiras insistem em lhes punir por terem optado por um estilo de vida diferente do padrão ocidental. A determinação desse povo é tamanha que, tal qual os vietnamitas durante a Guerra do Vietnã, estão sendo um páreo duro para uma das mais formidáveis máquinas de guerra já criadas.Embora utilizando toda a sofisticação tecnológica disponível para atividades bélicas e tropas bem adestradas, ou seja, profissionais, a OTAN tem avançado muito pouco na guerra contra o Afeganistão. O que os membros da OTAN tem conseguido produzir, de fato, é a instabilidade política permanente do país e a situação de penúria geral de sua população, que não tem perspectiva nenhuma de futuro em termos de curto e médio prazos.Isso nos faz refletir sobre qual é a verdade por trás da intervenção no Afeganistão e por que o OTAN tem sido tão incompetente diante de um inimigo aparentemente desprovido de recursos e de uma clara e racional orientação política. Pelo menos essa é a perspectiva destacada pela imprensa internacional sobre os “bárbaros e atrasados afegãos”. Poucas pessoas se dão ao trabalho de pensar sobre como pode um povo pobre e vivendo um estilo de vida tribal enfrentar uma coalizão internacional que envolve os mais ricos (e belicosos) países do planeta e, mesmo assim, demonstrar um vigor e uma determinação tão impressionantes.Voltando ao ponto de partida: o principal erro da OTAN é querer exercer uma política de tipo imperial para impor a sua vontade sobre um povo que zela pela sua tradição e pelos seus costumes. Os afegãos não são esses “bárbaros terroristas” pintados pela imprensa ocidental. A OTAN erra, portanto, não só quando despeja bombas sobre populações civis indefesas que nem sabem a razão de tamanha ira. Seu erro é de princípio, uma vez que sua missão principal é tentar enquadrar o mundo de acordo com a visão que tem dele os Estados Unidos e seus aliados europeus, como se a vontade dos outros não contasse.
* Professor do Instituto de Relações Internacionais da USP e Pesquisador do CNPq. E-mail: piopenna@gmail.com
A Provocação Israelense
Pio Penna Filho*


O anúncio da construção de 1.600 casas em Jerusalém oriental para servirem de moradas para judeus é uma provocação inaceitável do estado judaico. Trata-se de um despropósito para a causa da paz no Oriente Médio e a comunidade internacional não deveria perder a ocasião para denunciar os abusos que as autoridades israelenses vem cometendo contra o povo palestino.As críticas contra Israel vem até mesmo dos Estados Unidos, tradicionais aliados e um dos pilares que dão sustentação a toda a arquitetura de dominação erigida em torno dos territórios conquistados, anexados ou sob ocupação israelense. De toda forma, é difícil saber se são críticas sinceras ou se apenas revelam o descontentamento pelo anúncio do projeto de construção das moradas em plena visita do vice presidente norte-americano ao país.Israel é um dos Estados que mais sofreram pressões internacionais ao longo dos últimos 50 anos, sendo votadas e aprovadas uma quantidade razoável de resoluções na Assembléia Geral das Nações Unidas contra sua política externa, principalmente com relação ao trato com os palestinos e a sua intransigência em aceitar uma divisão realista do território. Enfim, não fosse a sustentação norte-americana, as pressões internacionais teriam consequências mais graves para o país.Não é possível que a comunidade internacional continue aceitando a intransigência e as provocações de Israel. A sensação que se tem é de que os israelenses tudo podem quando se trata da palestina. Uma coisa é o direito à existência do Estado de Israel, fato aceito há muito tempo pela maioria da comunidade internacional, inclusive pela maioria do povo palestino. Ou seja, se houve um momento em que Israel lutava pela sua sobrevivência enquanto Estado, isso já é coisa do passado. Não há mais, portanto, motivo para que se continue uma política agressiva e intransigente, que não leva em consideração nada além do egoísmo dos interesses de certos setores mais nacionalistas e ortodoxos judaicos. Agora as autoridades israelenses estão centrando fogo no Irã, visto como um inimigo em potencial. Nesse caso, alegam que os iranianos são belicosos e amantes da violência. Uma crítica dessa natureza jamais poderia vir das autoridades de um Estado que prima pela violência desmedida contra um povo inteiro. Israel já é um Estado consolidado, em muitos sentidos desenvolvido e com plena capacidade de se defender em caso de ameaça, venha de onde vier. Causa estranheza, portanto, que suas autoridades não consigam avançar no processo de paz.Em meio à polêmica em torno da nova iniciativa israelense, o presidente Lula está visitando a região. Historicamente, a posição do Brasil foi pela condenação do sionismo como uma política de cunho racista e o país deu velado apoio à causa dos palestinos, reconhecendo o seu direito a um Estado soberano, aliás tal qual reconheceu e reconhece o direito dos judeus a um Estado próprio. A situação na palestina é complexa e é muito difícil acreditar que o Brasil possa colaborar efetivamente para o encaminhamento da paz na região.

* Professor do Instituto de Relações Internacionais da USP e Pesquisador do CNPq. E-mail: piopenna@gmail.com

segunda-feira, 15 de março de 2010

Mineração e violência no período colonial mato-grossense

Abordagem acerca do caráter violento presente na sociedade mineradora do período colonial em Mato Grosso e Goiás, locais em que roubos, raptos, assassinatos eram constantes. Além da atuação dos bandoleiros e salteadores, existia o perigo iminente do ataques de índios bravios e de escravos quilombolas.
Os Estados Unidos e os Subsídios Agrícolas

Pio Penna Filho*

A Organização Mundial do Comércio (OMC) deu ganho de causa ao Brasil numa disputa comercial com os Estados Unidos, autorizando que o país exerça o direito a retaliação comercial, a título de medidas compensatórias. O montante chega a 830 milhões de dólares e pode ser aplicado na forma de aumento de impostos de importação sobre uma série de produtos norte-americanos. Tal decisão da OMC e, principalmente, a atitude do governo brasileiro de colocar em prática a retaliação, chamou a atenção de diversos analistas internacionais.
A atitude brasileira, todavia, não é vista de forma positiva por vários analistas. Alguns discordam da decisão de retaliar, chamando a atenção para o risco potencial de que ela possa desencadear uma “guerra comercial” com os Estados Unidos, o que traria grandes prejuízos à economia brasileira. Noutro caminho, existem aqueles que acham mais do que justo que a retaliação seja aplicada, uma vez que quem está desrespeitando as regras liberais da economia mundial são os Estados Unidos, e não o Brasil.
No centro da discórdia entre os dois países está a usual prática norte-americana (e também européia) de utilização em larga escala da política de subsídios agrícolas, prática que afeta enormemente a economia dos países menos desenvolvidos e que tem na agricultura um dos pilares de suas economias nacionais. Nesse sentido, não é só o Brasil que se sente prejudicado pelos subsídios agrícolas. Há uma vasta legião de descontentes que, infelizmente, ainda não tiveram força suficiente para reverter essa tendência num espectro mais amplo.
É curioso, na verdade até mesmo contraditório, que os países mais ricos do mundo são aqueles que mais subsídios destinam ao setor agrícola. A contradição está no fato de pregarem a liberalização econômica global ao mesmo tempo em que estimulam a defesa do setor menos produtivo de suas economias, que no caso é o agrícola. Esses países, dentre eles os Estados Unidos, gastam bilhões de dólares anualmente para manter a competitividade de sua produção agrícola, que de outra forma não suportaria a concorrência internacional.
O caso em questão está vinculado à produção do algodão. Os norte-americanos foram acusados pelo Brasil de dificultarem e prejudicarem as exportações brasileiras ao manterem seus preços competitivos de maneira artificial.
O setor algodoeiro é seleto, uma vez que a maior parte da produção mundial está concentrada em apenas 7 países. Juntos, China, Estados Unidos, Índia, Paquistão, Uzbequistão, Brasil e Turquia respondem por cerca de 80% da produção mundial. Outros países, por sua vez, dependem muito da receita do algodão na formação do seu produto interno bruto, como é o caso de Burkina Faso, Chade, Mali e Benin na África, apenas para citarmos alguns mais pobres e que são muito prejudicados no comércio mundial por causa dos subsídios dos ricos.
No caso do Brasil é evidente a participação de Mato Grosso como grande Estado produtor de algodão. Certamente, o Estado pode sair beneficiado a longo prazo, uma vez que um dos objetivos da reivindicação brasileira junto a OMC é conseguir manter uma pressão sobre os países ricos para que mudem suas legislações nacionais e as tornem adequadas ao mundo liberal que tanto prezam.






* Professor do Instituto de Relações Internacionais da USP e Pesquisador do CNPq. E-mail: piopenna@gmail.com

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Morre soldado da foto-símbolo da vitória da URSS sobre Hitler na Segunda Guerra
Abdoulkhakim Ismailov morreu aos 93 anos no Daguestão.Foto da bandeira soviética sobre o Reichstag pode ter sido encenada.
Da AFP

Um dos três soldados da extinta URSS imortalizados numa fotografia que mostra a bandeira soviética hasteada no telhado do Reichstag, a sede do Parlamento alemão, em Berlim, em maio de 1945, morreu aos 93 anos, anunciaram nesta quarta-feira (17) as autoridades russas.
Abdoulkhakim Ismailov, que foi declarado herói da União Soviética, morreu na terça-feira em Khassaviourt, Daguestão, república do Cáucaso russo, informou a prefeitura da cidade em seu site.
"Sua enorme experiência de vida e os serviços que prestou à pátria ficaram para sempre gravados nas memórias de gerações de hoje e de amanhã", segundo o comunicado.
Ismailov, que serviu ao Exército Vermelho desde 1939, chegou a participar da terrível batalha de Estalingrado (1942-1943), vencida pela URSS e que marcou o início do recuo das tropas nazistas de Adolf Hitler.



AP
A foto de Evgueni Khaldei registrando a tomada do Reichstag pelas tropas soviéticas.

Mas, foi nas ruínas de Berlim que se encontrou com a História, tornando-se um dos três soldados fotografados pelo jornalista da agência TASS, Evgueni Khaldei, quando agitava a bandeira soviética sobre o Reichstag.
A foto tornou-se símbolo da derrota do Terceiro Reich de Adolf Hitler. Mas historiadores afirmam que ela pode ser uma montagem e que teria sido tirada dias depois da tomada da cidade, com objetivo de propaganda.
A imagem é comparada, com frequência, com a fotografia que mostra seis soldados americanos fincando a bandeira estrelada em fevereiro de 1945 na Ilha de Iwo Jima no Japão.

fonte: www.g1.globo.com

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Saiba mais sobre a Coluna Prestes, movimento militar que abalou os alicerces da República Velha
Descrição das características da Coluna Prestes que percorreu cerca de 25 mil quilômetros do território brasileiro combatendo as forças militares leais ao governo da República Velha. Sob a liderança do "cavaleiro da esperança", Luis Carlos Prestes, a Coluna Prestes constitui-se numa verdadeira epopéia, uma vez que é uma das maiores marchas da história da humanidade.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

A visão do caipira sobre a deturpação dos valores familiares em nossa contemporaneidade
Nesta música o intérprete mostra a deturpação dos valores familiares, a própria desagregação da família é atestada na letra da canção.

A Vaca Já Foi Pro Brejo
Tião Carreiro e Pardinho
Mundo velho está perdido
Já não endereita mais
Os filhos de hoje em dia já não obedece os pais
É o começo do fimJá estou vendo sinais
Metade da mocidade estão virando marginais
É um bando de serpente
Os mocinhos vão na frente, as mocinhas vão atrás...
Pobre pai e pobre mãe
Morrendo de trabalhar
Deixa o coro no serviço pra fazer filho estudar
Compra carro a prestaçãoPara o filho passear
Os filhos vivem rodando fazendo pneu cantar
Ouvi um filho dizer
O meu pai tem que gemer, não mandei ninguém casar...
O filho parece reiFilha parece rainha
Eles que mandam na casa e ninguém tira farinha
Manda a mãe calar a bocaCoitada fica quietinha
O pai é um zero à esquerda, é um trem fora da linha
Cantando agora eu falo
Terreiro que não tem galo quem canta é frango e franguinha...
Pra ver a filha formadaUm grande amigo meu
O pão que o diabo amassou o pobre homem comeu
Quando a filha se formouFoi só desgosto que deu
Ela disse assim pro pai: "quem vai embora sou eu"
Pobre pai banhado em pranto
O seu desgosto foi tanto que o pobre velho morreu...
Meu mestre é Deus nas alturas
O mundo é meu colégio
Eu sei criticar cantando: Deus me deu o privilégio
Mato a cobra e mostro o pauEu mato e não apedrejo
Dragão de sete cabeças também mato e não alejo
Estamos no fim do respeito
Mundo velho não tem jeito, a vaca já foi pro brejo...
Mapa dinâmico da expansão romana

Assita no video acima, uma breve descrição do mapa dinâmico da expansão geográfica dos limítes do Império Romano.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Saiba mais sobre a atuação de agentes externos na superfície terrestre
Entre os agentes estão o clima, a temperatura e a umidade.Professor de geografia explica o que é intemperismo e erosão.
Do G1, em São Paulo

Numa aula em vídeo, o professor de geografia Robertson Costa, do Curso pH, no Rio de Janeiro, explica a atuação de agentes externos na superfície terrestre.
“A configuração da superfície terrestre obedece a duas fases: a fase de formação e a de transformação contínua”, afirma.
Segundo ele, a fase de formação se associa à atuação dos agentes endógenos ou internos, resultantes de movimentos tectônicos.
“Após a formação na superfície, nós temos uma transformação contínua, realizada pelos agentes externos ou exógenos, constituídos pela própria natureza, como o clima, a temperatura, a umidade, os ventos, a água dos rios e do mar.”
Essa atuação conjunta dos elementos externos promove uma série de transformações nas superfícies, nos compartimentos rochosos e de solo. “São transformações que acontecem no âmbito físico, químico e biológico. Isso é chamado de intemperismo.”
O intemperismo fragiliza e transforma o compartimento rochoso de uma maneira que ele fica suscetível a deslocamentos ou movimentações, que são chamados de erosão.

fonte: www.g1.globo.com

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

O Brasil e o Haiti

Pio Penna Filho*

O terremoto que atingiu o Haiti tornou a situação do país ainda mais grave do que já era. Marcado por um processo histórico conturbado, no qual prevaleceram figuras ditatoriais e regimes de exceção, os haitianos estão agora sofrendo os efeitos de uma catástrofe natural com poucos precedentes históricos.
O Haiti é o país mais pobre das Américas e o único considerado como estado falido, ou seja, aquele em que seu governo não consegue controlar o seu próprio território exercendo sobre ele sua autoridade, incluindo aí o monopólio do uso legítimo da violência e o provimento de serviços públicos, além de outros fatores.
Em sua história mais recente, a crise se agravou no início do segundo mandato do presidente Jean Bertrand Aristide, um padre que chegou ao poder pela primeira vez no início da década de 1990 prometendo executar uma verdadeira revolução social no país, mas que saiu sob fortes suspeitas de corrupção, fraude eleitoral e conexões com o narcotráfico internacional. Registre-se, todavia, que essa é a versão “oficial” da história. O padre, por sua vez, alega que foi deposto por um movimento organizado de fora, sob os auspícios dos Estados Unidos. Hoje, vive exilado na África do Sul.
O Brasil entra na história em 2004, quando o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas resolveu criar a Minustah, ou Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti, e convidou o governo brasileiro para assumir o comando da nova missão que estava sendo criada.
O objetivo principal da Minustah era estabilizar a situação política e social e evitar que o Haiti se desintegrasse como país, como havia ocorrido, na prática, com a Somália. É claro que há um interesse direto dos Estados Unidos na questão, uma vez que a proximidade geográfica com o território norte-americano proporciona a milhares de haitianos uma possibilidade concreta de migração e isso estava, de fato, ocorrendo. Não fosse isso, é difícil acreditar que os Estados Unidos iriam se preocupar com a sorte dos haitianos.
Em 2004, o governo brasileiro identificou na atuação frente a Minustah uma possibilidade de projetar internacionalmente o país. Como um dos objetivos da política externa brasileira é conseguir uma cadeira permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas, nada melhor do que uma demonstração de sua capacidade de atuação internacional numa situação de conflito e reconstrução de uma nação.
Desde então o Brasil tem investido bastante na missão de paz no Haiti. Estima-se que até o primeiro semestre de 2009 o tesouro brasileiro gastou quase R$577 milhões, sendo que aproximadamente 40% desse valor retornou a título de reembolso por parte das Nações Unidas.
Agora a situação mudou dramaticamente. Não se trata mais de operar num território com um governo desprovido de condições institucionais e de governabilidade. Se trata de atuar num território desprovido de quase tudo e no qual de uma hora para outra as já enormes demandas sociais se multiplicaram de forma assustadora. A missão da comunidade internacional deve, também, mudar. Caso contrário, o Brasil, que já se via numa situação delicada no Haiti, irá se confrontar com uma situação sem solução, uma vez que sozinho, ou associado a outros poucos países, não tem condições de fazer frente a nova realidade.

* Professor do Instituto de Relações Internacionais da USP e Pesquisador do CNPq. E-mail: piopenna@gmail.com

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Saiba mais sobre o processo histórico de Mato Grosso



São apresentadas algumas características do processo de formação histórica do território matogrossense ao longo dos séculos 18 e19, além do delineamento de suas potencialidades econômicas ao longo dos séculos 20 e 21.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

História de Mato Grosso - Bandeirantes e mineração
O ínicio da exploração econômica de Mato Grosso com a penetração do território pelos bandeirantes, que à procura de índios para a escravidão, acabaram encontrando ouro em Cuiabá. São apresentadas também, algumas características das bandeiras e a consequente expansão territorial brasileira no século 18.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Saiba mais sobre os fatores de repulsão e os fatores de atração que atuam decisivamente nos fluxos migratórios
O professor de geografia do curso PH André Freitas explica os fatores que levam à migração. Segundo ele, é uma boa dica de estudos para quem vai enfrentar vestibulares. De acordo com o professor, o migrante é aquele que se desloca, geralmente buscando melhores condições de vida através dessa viagem. A migração ocorre a partir dos fatores de repulsão: fome, guerras, epidemias, desemprego, entre outros; e de atração: emprego, oferta de melhores salários, disponibilidade de terras, democracias, liberdade religiosa. "Os fatores de atração direcionam o fluxo migratório", diz.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Chico Buarque o movimento operário
Linha de Montagem
Chico Buarque

Linha linha de montagem
A cor a coragem
Cora coração
Abecê abecedário
Ópera operário
Pé no pé no chão
Eu não sei bem o que seja
Mas sei que seja o que será
O que será que será que se veja
Vai passar por lá
Pensa pensa pensamento
Tem sustém sustento
Fé café com pão
Com pão com pão companheiro
Pára paradeiro
Mão irmão irmão
Na mão, o ferro e ferragem
O elo, a montagem do motor
E a gente dessa engrenagente
Dessa engrenagente
Dessa engrenagente
Dessa engrenagente sai maior
As cabeças levantadas
Máquinas paradas
Dia de pescar
Pois quem toca o trem pra frente
Também de repente
Pode o trem parar
Eu não sei bem o que seja
Mas sei que seja o que será
O que será que será que se veja
Vai passar por lá
Gente que conhece e prensa
A brasa da fornalha
O guincho do esmeril
Gente que carrega a tralha
Ai, essa tralha imensa
Chamada Brasil
Samba samba São Bernardo
Sanca São Caetano
Santa Santo André
Dia-a-dia Diadema
Quando for, me chame
Pra tomar um mé
A letra da música enfoca a atividade industrial na região do grande ABCD, na Grande São Paulo.
É dado ainda um enfoque sobre o cotidiano do operário brasileiro.
O trecho "as cabeças levantadas/máquinas paradas/dia de pescar/pois quem toca o trem pra frente/também de repente/pode o trem parar" fala da greve de trabalhadores, 'trem' pode significar a produção da indústria, como se o operário fosse condutor do trem, o que faz a máquina funcionar. É interessante notar que o ritmo repetitivo da música pode sugerir o ritmo repetitivo do trabalho do operário nas máquinas. Pode-se contextualizar também a luta do movimento operário no Brasil nas décadas finais do século XX, inclusive podemos fazer um intertexto com a ascensão de um líder operário, Luis Inácio Lula da Silva, à presidência da República nas eleições de 2002.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Um exemplo de manifestação poética da música sertaneja



Seguindo seus Passos
Peão Carreiro e Zé Paulo
Composição: Peão Carreiro/Zé Paulo


Se eu fosse um invisível
Estaria sempre perto de você
Dirigindo pelas mãos da mente
Seguindo seus passos
Sem ninguém me ver
Seria seu anjo da guarda
Para que ninguém a tomasse de mim
Ouviria-se a cada segundo
A frase de amor mais linda do mundo
Como a voz do vento
Lhe dizendo assim
Te amo te amo te amo
Te amo te amo te amo
No quarto em que você dorme
Eu iria ser o seu despertador
E acordando todas as manhas
Banhando o seu corpo
Com a loção de amor
Cada passo que você mudasse
Estaria mais junto de mim
Bem pertinho do seu coração
Na ternura da minha paixão
Como a voz do vento
Lhe dizendo assim
Te amo te amo te amo
Te amo te amo te amo
Oralidade, lendas e tradições da cultura popular
O reflexo da "visão de mundo" das camadas subalternas do interior do Brasil


Serafim e Seus Filhos
Sérgio Reis

Composição: Ruy Maurity

São três machos e uma fêmea, por sinal Maria
Que com todos se parecia
Todos de olhar esperto para ver bem de perto
Quem de muito longe é que vinha
Filhos de dois juramentos, todos dois sangrentos
Em noite clarinha
Ê A Ô
O João quebra toco
Mané Quindim, Lourenço e Maria
Noite alta de silêncio e lua
Serafim o bom pastor de casa saía
Dos quatro meninos, dois levavam rifles
Outros dois levavam fumo e farinha
Bandoleros de los campos verdes
Dom Quixotes de nuestro desierto
Ê A Ô
Serafim bom de corte
Mané, João, Lourenço e Maria
Mas o tal Lourenço, dos quatro o mais novo
Era quem dos quatro tudo sabia
Resolveu deixar o bando e partir pra longe
Onde ninguém lhe conhecia
Serafim jurou vingança
Filho meu não dança, conforme a dança
Ê A Ô
E mataram Lourenço
Em noite alta de lua mansa
Todo mundo dessas redondezas
Conta que o tal Lourenço não deu sossego
Fez cair na vida sua irmã Maria
E os outros dois matou só de medo
Serafim depois que viu o filhos
LobisomemPerdeu o juízo
Ê A Ô
E morreu sete vezes
Até abrir caminho pro paraíso
A sabedoria do caipira na poesia de Rolando Boldrin





Eu, a Viola e Deus
Rolando Boldrin

Eu vim-me embora
E na hora cantou um passarinho
Porque eu vim sozinho
Eu, a viola e Deus
Vim parando assustado, espantado
Com as pedras do caminho
Cheguei bem cedinho
A viola, eu e Deus
Esperando encontrar o amor
Que é das velhas toadas canções
Feito as modas da gente cantar
Nas quebradas dos grandes sertões
A poeira do velho estradão
Deixou marcas no meu coração
E nas palmas da mão e do pé
Os catiras de uma mulher, ei...
Essa hora da gente ir-se embora é doída
Como é dolorida,
Eu, a viola e Deus
Eu vou-me embora
E na hora vai cantar um passarinho
Porque eu vou sozinho
Eu, a viola e Deus
Vou parando assustado, espantado
Com as pedras do caminho
Vou chegar cedinho
A viola, eu e Deus

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

A música caipira nas aulas de História
A problemática do êxodo rural e suas terríveis implicações





Dino Franco e Mouraí
Caboclo na cidade
Composição: Dino Franco e Nhô Chico

Seu moço eu já fui roceiro
No triângulo mineiro
Onde eu tinha o meu ranchinho.
Eu tinha uma vida boa
Com a Isabel minha patroa
E quatro barrigudinhos.
Eu tinha dois boi carreiros
Muito porco no chiqueiro
E um cavalo bom, arriado.
Espingarda cartucheira
Quatorze vaca leiteira
E um arrozal no banhado.
Na cidade eu só iaA cada quinze ou vinte dias
Para vender queijo na feira.
E no demais estava folgado
Todo dia era feriado, pescava a semana inteira.
Muita gente assim me diz
Que não tem mesmo raíz
Essa tal felicidade
Então aconteceu isso
Resolvi vender o sítio
Pra vir morar na cidade.
Minha filha Sebastiana
Que sempre foi tão bacana
Me dá pena da coitada.
Namorou um cabeludo
Que dizia Ter de tudo
Mas foi ver não tinha nada.
Se mandou para outras bandas
Ninguém sabe onde ele anda
E a filha está abandonada.
Como dói meu coração
Ver a sua situação
Nem solteira e nem casada.
Até mesmo a minha velha
Já está mudando de idéia
tem que ver como passeia.
Vai tomar banho de praia
Está usando mini-saia
E arrancando a sombrancelha.
Nem comigo se incomoda
Quer saber de andar na moda
Com as unhas todas vermelhas.
Depois que ficou madura
Começou a usar pintura
Credo em cruz que coisa feia.
Voltar "pra" Minas Gerais
Sei que agora não dá mais
Acabou o meu dinheiro.
Que saudade da palhoça
Eu sonho com a minha roça
No triângulo mineiro.
Nem sei como se deu isso
Quando eu vendi o sítio
Para vir morar na cidade.
Seu moço naquele dia
Eu vendi minha família
E a minha felicidade!

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

"À TODA COMUNIDADE POBRE DA ZONA SUL"
Racionais Mc's
Chegou fim de semana todos querem diversão
Só alegria nós estamos no verão, mês de Janeiro São Paulo Zona Sul
Todo mundo a vontade calor céu azul
Eu quero aproveitar o sol
Encontrar os camaradadas prum basquetebol
Não pega nada Estou à 1 hora da minha quebrada
Logo mais, quero ver todos em paz
Um dois três carros na calçada
Feliz e agitada toda "prayboyzada"
As garagens abertas eles lavam os carros
Desperdiçam a água, eles fazem a festa
Vários estilos vagabundas, motocicletas
Coroa rico boca aberta, isca predileta
De verde florescente queimada sorridente
A mesma vaca loura circulando como sempre
Roda a banca dos playboys do Guarujá
Muitos manos se esquecem mas na minha não cresce sou assim e estou legal,
até me leve a mal malicioso e realista sou eu Mano Brown
Me dê 4 bons motivos pra não ser
Olha meu povo nas favelas e vai perceber
Daqui eu vejo uma caranga do ano
Toda equipada e o tiozinho guiando
Com seus filhos ao lado estão indo ao parque
Eufóricos brinquedos eletrônicos
Automaticamente eu imagino
A molecada lá da área como é que tá
Provalvelmente correndo pra lá e pra cá
Jogando bola descalços nas ruas de terra
É, brincam do jeito que dá
Gritando palavrão é o jeito deles
Eles não tem video-game às vezes nem televisão
Mas todos eles tem um dom São Cosme São Damião
A única proteção. No último natal papai Noel escondeu um brinquedo
Prateado, brilhava no meio do mato
Um menininho de 10 anos achou o presente,
Era de ferro com 12 balas no pente
E fim de ano foi melhor pra muita gente
Eles também gostariam de ter bicicleta
De ver seu pai fazendo cooper tipo atleta
Gostam de ir ao parque e se divertir ê que alguém os ensinasse a dirigir
Mas eles só querem paz e mesmo assim é um sonho
Fim de semana do Parque Sto. Antônio.
Refrão:Vamos passear no Parque
Deixa o menino brincar
Fim de Semana no parque
Vou rezar pra esse domingo não chover
Olha só aquele clube que da hora.
Olha aquela quadra, olha aquele campo Olha,
Olha quanta gente
Tem sorveteria cinema piscina quente
Olha quanto boy, olha quanta mina
Afoga essa vaca dentro da piscina
Tem corrida de kart dá pra ver é igualzinho o que eu ví ontem na TV,
Olha só aquele clube que da hora,
Olha o pretinho vendo tudo do lado de fora nem se lembra do dinheiro que tem que levar
Pro seu pai bem louco gritando dentro do bar nem se lembra de ontem de onde o futuro ele apenas sonha através do muro...
Milhares de casas amontoadas ruas de terra esse é o morro a minha área me espera
gritaria na feira (vamos chegando!)
Pode crer eu gosto disso mais calor humano
Na periferia a alegria é igual é quase meio dia a alegria é geral
É lá que moram meus irmãos meus amigos
E a maioria por aqui se parece comigo
E eu também sou bam bam bam e o que manda
O pessoal desde às 10 da manhã está no samba
Preste atenção no repique atenção no acorde (Como é que é Mano Brown ?)
Pode crer pela ordem
A número número 1 em baixa-renda da cidade Comunidade Zona Sul é dignidade
Tem um corpo no escadão a tiazinha desse o morro
Polícia a morte, polícia socorro
Aqui não vejo nenhum clube poliesportivo
Pra molecada frequentar nenhum incentivo
O investimento no lazer é muito escasso
O centro comunitário é um fracasso
Mas aí se quiser se destruir está no lugar certo
Tem bebida e cocaína sempre por perto
A cada esquina 100 200 metrosNem sempre é bom ser esperto
Schimth, Taurus, Rossi, Dreyer ou Campari
Pronúncia agradável estava inevitável
Nomes estrangeiros que estão no nosso morro pra matar e M.E.R.D.A.
Como se fosse hoje ainda me lembro 7 horas sábado 4 de Dezembro
Uma bala uma moto com 2 imbecis
Mataram nosso mano que fazia o morro mais feliz
E indiretamente ainda faz, mano Rogério esteja em paz
Vigiando lá de cima
A molecada do Parque Regina
Refrão
Tô cansado dessa porra de toda essa bobagem
Alcolismo,vingança treta malandragem Mãe angustiada, filho problemático
Famílias destruídas fins de semana trágicos
O sistema quer isso a molecada tem que aprender
Fim de semana no Parque Ipê
Refrão
"Pode crer Racionais Mc's e Negritude Junior juntos
Vamos investir em nós mesmos mantendo distância das Drogas e do alcool.
Aí rapaziada do Parque Ipê, Jd. São Luiz, Jd. Ingá, Parque Ararí, Váz de Lima,
Morro do Piolho e Vale das Virtudes e Pirajussara
É isso aí mano Brown (é isso ai Netinho paz à todos)"