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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Um exemplo de manifestação poética da música sertaneja



Seguindo seus Passos
Peão Carreiro e Zé Paulo
Composição: Peão Carreiro/Zé Paulo


Se eu fosse um invisível
Estaria sempre perto de você
Dirigindo pelas mãos da mente
Seguindo seus passos
Sem ninguém me ver
Seria seu anjo da guarda
Para que ninguém a tomasse de mim
Ouviria-se a cada segundo
A frase de amor mais linda do mundo
Como a voz do vento
Lhe dizendo assim
Te amo te amo te amo
Te amo te amo te amo
No quarto em que você dorme
Eu iria ser o seu despertador
E acordando todas as manhas
Banhando o seu corpo
Com a loção de amor
Cada passo que você mudasse
Estaria mais junto de mim
Bem pertinho do seu coração
Na ternura da minha paixão
Como a voz do vento
Lhe dizendo assim
Te amo te amo te amo
Te amo te amo te amo
Oralidade, lendas e tradições da cultura popular
O reflexo da "visão de mundo" das camadas subalternas do interior do Brasil


Serafim e Seus Filhos
Sérgio Reis

Composição: Ruy Maurity

São três machos e uma fêmea, por sinal Maria
Que com todos se parecia
Todos de olhar esperto para ver bem de perto
Quem de muito longe é que vinha
Filhos de dois juramentos, todos dois sangrentos
Em noite clarinha
Ê A Ô
O João quebra toco
Mané Quindim, Lourenço e Maria
Noite alta de silêncio e lua
Serafim o bom pastor de casa saía
Dos quatro meninos, dois levavam rifles
Outros dois levavam fumo e farinha
Bandoleros de los campos verdes
Dom Quixotes de nuestro desierto
Ê A Ô
Serafim bom de corte
Mané, João, Lourenço e Maria
Mas o tal Lourenço, dos quatro o mais novo
Era quem dos quatro tudo sabia
Resolveu deixar o bando e partir pra longe
Onde ninguém lhe conhecia
Serafim jurou vingança
Filho meu não dança, conforme a dança
Ê A Ô
E mataram Lourenço
Em noite alta de lua mansa
Todo mundo dessas redondezas
Conta que o tal Lourenço não deu sossego
Fez cair na vida sua irmã Maria
E os outros dois matou só de medo
Serafim depois que viu o filhos
LobisomemPerdeu o juízo
Ê A Ô
E morreu sete vezes
Até abrir caminho pro paraíso
A sabedoria do caipira na poesia de Rolando Boldrin





Eu, a Viola e Deus
Rolando Boldrin

Eu vim-me embora
E na hora cantou um passarinho
Porque eu vim sozinho
Eu, a viola e Deus
Vim parando assustado, espantado
Com as pedras do caminho
Cheguei bem cedinho
A viola, eu e Deus
Esperando encontrar o amor
Que é das velhas toadas canções
Feito as modas da gente cantar
Nas quebradas dos grandes sertões
A poeira do velho estradão
Deixou marcas no meu coração
E nas palmas da mão e do pé
Os catiras de uma mulher, ei...
Essa hora da gente ir-se embora é doída
Como é dolorida,
Eu, a viola e Deus
Eu vou-me embora
E na hora vai cantar um passarinho
Porque eu vou sozinho
Eu, a viola e Deus
Vou parando assustado, espantado
Com as pedras do caminho
Vou chegar cedinho
A viola, eu e Deus

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

A música caipira nas aulas de História
A problemática do êxodo rural e suas terríveis implicações





Dino Franco e Mouraí
Caboclo na cidade
Composição: Dino Franco e Nhô Chico

Seu moço eu já fui roceiro
No triângulo mineiro
Onde eu tinha o meu ranchinho.
Eu tinha uma vida boa
Com a Isabel minha patroa
E quatro barrigudinhos.
Eu tinha dois boi carreiros
Muito porco no chiqueiro
E um cavalo bom, arriado.
Espingarda cartucheira
Quatorze vaca leiteira
E um arrozal no banhado.
Na cidade eu só iaA cada quinze ou vinte dias
Para vender queijo na feira.
E no demais estava folgado
Todo dia era feriado, pescava a semana inteira.
Muita gente assim me diz
Que não tem mesmo raíz
Essa tal felicidade
Então aconteceu isso
Resolvi vender o sítio
Pra vir morar na cidade.
Minha filha Sebastiana
Que sempre foi tão bacana
Me dá pena da coitada.
Namorou um cabeludo
Que dizia Ter de tudo
Mas foi ver não tinha nada.
Se mandou para outras bandas
Ninguém sabe onde ele anda
E a filha está abandonada.
Como dói meu coração
Ver a sua situação
Nem solteira e nem casada.
Até mesmo a minha velha
Já está mudando de idéia
tem que ver como passeia.
Vai tomar banho de praia
Está usando mini-saia
E arrancando a sombrancelha.
Nem comigo se incomoda
Quer saber de andar na moda
Com as unhas todas vermelhas.
Depois que ficou madura
Começou a usar pintura
Credo em cruz que coisa feia.
Voltar "pra" Minas Gerais
Sei que agora não dá mais
Acabou o meu dinheiro.
Que saudade da palhoça
Eu sonho com a minha roça
No triângulo mineiro.
Nem sei como se deu isso
Quando eu vendi o sítio
Para vir morar na cidade.
Seu moço naquele dia
Eu vendi minha família
E a minha felicidade!