quarta-feira, 9 de março de 2011

Confira as avaliações de História do primeiro bimestre


CNDL - COLÉGIO NOTRE DAME DE LOURDES

AVALIAÇÃO DE HISTÓRIA DO BRASIL PRIMEIRO ANO


1. (CNDL) Leia o texto do padre André João Antonil sobre a criação de gado no Nordeste, depois responda às questões propostas. As fazendas e os currais de gado situam onde há largueza de campo e águas, por isso os currais da Bahia estão nas margens do rio São Francisco. E, posto que sejam muitos os currais da parte da Bahia, chegam a muito maior número os de Pernambuco. As boiadas que vêm para a Bahia possuem de cem, cento e cinquenta, a duzentas e trezentas cabeças de gado. Os que trazem são brancos, mulatos e pretos, e também índios, que com este trabalho procuram ter algum lucro.
Cultura e opulência do Brasil. Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: Edusp, 1982.

a) Em que área do Nordeste se desenvolveu a pecuária e por que essa área favoreceu a expansão dessa atividade econômica?
Resposta: A pecuária desenvolveu-se na região nordeste, ao longo do vale do rio São Francisco entre outros motivos em razão da grande existência nessa áreas de pastagens naturais e ainda pela facilidade na utilização dos recursos hídricos do "velho Chico".
b) Caracterize a mão de obra empregada na criação de gado no período colonial brasileiro.
Resposta: A mão de obra empregada na pecuária colonial brasileira foi majoritariamente exercida por trabalhadores livres, os chamados "camaradas", entretanto houve também a utilização de alguns poucos escravos nessa atividade que exigia mão de obra reduzida e pouco investimento de capital.

2. (UNESP) A pecuária, ao longo de praticamente todo período colonial brasileiro, foi uma atividade econômica sempre secundária, mas sempre em expansão, ao contrário do que ocorreu com a agricultura canavieira e com a mineração aurífera. Explique, com relação à pecuária, o porquê destas características.
Resposta: A pecuária sempre se apresentou como uma atividade paralela e complementar, tanto a produção açucareira quanto à produção aurífera, visto que era subsidiária dessas atividades principais, a criação de gado visava o consumo interno, ou seja o abastecimento de alimento destinado às regiões produtoras de açúcar e de ouro.


3. (UFPB) O texto, a seguir, retrata uma das mais tristes páginas da história do Brasil: a escravidão.

“O bojo dos navios da danação e da morte era o ventre da besta mercantilista: uma má­quina de moer carne humana, funcionando incessantemente para alimentar as plantações e os engenhos, as minas e as mesas, a casa e a cama dos senhores – e, mais do que tudo, os cofres dos traficantes de homens.”

(Fonte: BUENO, Eduardo. Brasil: uma história – Cinco séculos de um país em construção. São Paulo: Leya, 2010. p. 124).

Sobre a escravidão como atividade econômica no Brasil Colônia, é correto afirmar:
a) As pressões inglesas, para que o tráfico de escravos continuasse, aumentaram após 1850. Porém, no Brasil, com a Lei Eusébio de Queiróz, ocorreu o fim do tráfico inter­continental e, praticamente, desapareceu o tráfico interno entre as regiões.
b) A mão-de-obra escrava no Brasil, diferente de outros lugares, não era permitida em atividades econômicas complementares. Por isso, destinaram-se escravos exclusivamente às plantações de cana-de-açúcar, às minas e à produção do café.
c) A compra e posse de escravos, durante todo o período em que perdurou a escravidão, só foi permitida para quem pudesse manter um número de, pelo menos, 30 cativos. Essa proibição justificava-se, devido aos altos custos para se ter escravos.
d) Muitos cativos, no início da escravidão, conseguiam a liberdade, após adquirirem a carta de alforria. Isso explica o grande número de ex-escravos que, na Paraíba, conseguiram tornar-se grandes proprietários de terras.
e) Os escravos, amontoados e em condições desumanas, eram transportados da África para o Brasil, nos porões dos navios negreiros, como forma de diminuição de custos. Com isso, muitos cativos morriam antes de chegarem ao destino.
Resposta: Alternativa E. Os escravos em transportados da África para a América portuguesa nos chamados navios negreiros em terríveis condições, onde muitos africanos acabavam morrendo. Isso demonstra uma das faces cruéis do tráfico negreiro.
4. (PUC-RIO 2009) Sobre as características da sociedade escravista colonial da América portuguesa estão corretas as afirmações abaixo, À EXCEÇÃO de uma. Indique-a.
a) O início do processo de colonização na América portuguesa foi marcado pela utilização dos índios – denominados “negros da terra” – como mão-de-obra.
b) Na América portuguesa, ocorreu o predomínio da utilização da mão-de-obra escrava africana seja em áreas ligadas à agro-exportação, como o nordeste açucareiro a partir do final do século XVI, seja na região mineradora a partir do século XVIII.
c) A partir do século XVI, com a introdução da mão-de-obra escrava africana, a escravidão indígena acabou por completo em todas as regiões da América portuguesa.
d) Em algumas regiões da América portuguesa, os senhores permitiram que alguns de seus escravos pudessem realizar uma lavoura de subsistência dentro dos latifúndios agroexportadores, o que os historiadores denominam de “brecha camponesa”.
e) Nas cidades coloniais da América portuguesa, escravos e escravas trabalharam vendendo mercadorias como doces, legumes e frutas, sendo conhecidos como “escravos de ganho”.
Resposta: Alternativa C. Embora a escravidão africana fosse predominante em todo o período de vigência da escravidão no Brasil, os índios também foram utilizado como mão-de-obra escrava, principalmente nas regiões menos dinâmicas economicamente, a exemplo de São Paulo, onde os bandeirantes escravização milhares de índios.

5. (FUVEST 2009)

Trabalho escravo ou escravidão por dívida é uma forma de escravidão que consiste na privação da liberdade de uma pessoa (ou grupo), que fica obrigada a trabalhar para pagar uma dívida que o empregador alega ter sido contraída no momento da contratação. Essa forma de escravidão já existia no Brasil, quando era preponderante a escravidão de negros africanos que os transformava legalmente em propriedade dos seus senhores. As leis abolicionistas não se referiram à escravidão por dívida. Na atualidade, pelo artigo 149 do Código Penal Brasileiro, o conceito de redução de pessoas à condição de escravos foi ampliado de modo a incluir também os casos de situação degradante e de jornadas de trabalho excessivas.
(Adaptado de Neide Estergi. A luta contra o trabalho escravo, 2007.)

Com base no texto, considere as afirmações abaixo:

I. O escravo africano era propriedade de seus senhores no período anterior à Abolição.

II. O trabalho escravo foi extinto, em todas as suas formas, com a Lei Áurea.

III. A escravidão de negros africanos não é a única modalidade de trabalho escravo na história do Brasil.

IV. A privação da liberdade de uma pessoa, sob a alegação de dívida contraída no momento do contrato de trabalho, não é uma modalidade de escravidão.

V. As jornadas excessivas e a situação degradante de trabalho são consideradas formas de escravidão pela legislação brasileira atual.

São corretas apenas as afirmações:
a) I, II e IV
b) I, III e V
c) I, IV e V
d) II, III e IV
e) III, IV e V
Resposta: Alternativa B. Estão corretos os itens I, III e V.
Questão desafio
(CNDL) Leia o texto a seguir.
O longo, rendoso e doce reinado do açúcar em terras brasileiras – iniciado em 1532 e ainda sem data para acabar – trouxe consequências amargas para o país. Plantada com avidez e impaciência no luxuriante solo de aluvião do Nordeste, a cana-de-açúcar deu luz ao Brasil, colocando-o no mapa do comércio planetário. O pó branco tornou-se “o principal nervo e substância da riqueza da terra”, segundo um antigo cronista. Com os dividendos, de qualquer forma logo emigrados para Portugal e, dali, para a Holanda – vieram a devastação das matas, a escravidão indígena em larga escala, os desatinos do monopólio e da monocultura, a infâmia inominável do tráfico negreiro, a vertigem do lucro fácil, o latifúndio, a pirâmide social escravista, a ganância desenfreada – vícios que o Brasil em vez de sanar, incorporou.
(BUENO, Eduardo. Doçura e amargor do açúcar. In: Brasil: uma história – cinco séculos de um país em construção. São Paulo: Leya, 2010. p. 47.)
Com base no texto e em seus conhecimentos sobre o tema citado, responda.
a) Quais as razões da escolha do açúcar como produto responsável pelo início da colonização sistemática da América Portuguesa.
Resposta: Possibilidade de lucros com a comercialização do produto no mercado europeu, condições geográficas favoráveis na América Portuguesa, financiamento holandês na produção de açúcar, experiência portuguesa no plantio da cana-de-açúcar.

b) Apresente as principais características da plantation açucareira na América Portuguesa.
Resposta: Monocultura, escravidão, latifúndio, produção voltada para o mercado externo (exportação).


c) Cite três consequências da expansão do cultivo de cana-de-açúcar no período colonial brasileiro.
Resposta: Poderíamos citar a devastação das matas, a escravidão indígena em larga escala, os desatinos do monopólio e da monocultura, a infâmia inominável do tráfico negreiro, a vertigem do lucro fácil, o latifúndio, a pirâmide social escravista, a ganância desenfreada.


AVALIAÇÃO DE HISTÓRIA DO BRASIL - SEGUNDO ANO


1. (UNESP) A expansão da economia do café para o oeste paulista, na segunda metade do século XIX, e a grande imigração para a lavoura de café trouxeram modificações na história do Brasil, como
a) o fortalecimento da economia de subsistência e a manutenção da escravidão.
b) a diversificação econômica e o avanço do processo de urbanização.
c) A divisão dos latifúndios no Vale do Paraíba e a crise da economia paulista.
d) O fim da república oligárquica e o crescimento do movimento camponês.
e) a adoção do sufrágio universal nas eleições federais e a centralização do poder.
Resposta: Alternativa B. Diversificação econômica e urbanização das cidades como Rio de Janeiro e São Paulo que passaram por um processo de modernização.
2. (UFLA - adaptada) Com base no contexto do café na história brasileira, analise as afirmativas a seguir e, a seguir, assinale a alternativa CORRETA.
I. A dinâmica da produção e da cultura do café, em especial no Vale Paraíba, no século XIX, obedeceu a padrões já encontrados na economia colonial, como, por exemplo, o latifúndio.
II. O oeste paulista, além da mão-de-obra escrava, pôde atrair mais facilmente o imigrante, principalmente após 1850.
III. A expansão do café no século XIX propiciou a dinamização de um conjunto de modernizações, como bancos, estradas e ferrovias.
IV. O café, introduzido no país em 1727, no atual Estado do Pará, adapta-se no Sudeste, especificamente em São Paulo, a partir de 1760, onde inicia sua expansão para as outras áreas da região.
a) Apenas as alternativas I, III e IV são corretas.
b) Apenas as alternativas I, II e IV são corretas.
c) Apenas as alternativas II, III e IV são corretas.
d) Apenas as alternativas I, II e III são corretas.
Resposta: Alternativa D. Os itens I, II e III estão corretos. O item IV está incorreto pois o café começou a ser plantado em larga escala no Rio de Janeiro e só depois se expandiu para São Paulo.



3. (UFMG) Considerando-se as relações entre a conjuntura econômica e o sistema de transporte brasileiro no século XIX, é CORRETO afirmar que
a) o surgimento de uma extensa rede viária destinada ao escoamento da produção industrial foi possível, fundamentalmente, a partir do investimento público capitaneado pelo Banco do Brasil.
b) as principais rotas do sistema de circulação então criadas subsistem até os dias de hoje, notadamente no que respeita às auto-estradas, que começaram a surgir no fim do século, para atender à crescente produção de automóveis.
c) as principais vias de transporte criadas à época se situaram na Região Sudeste, atendendo às demandas crescentes da cafeicultura, sendo os investimentos oriundos, em grande parte, de capital estrangeiro.
d) o comércio do açúcar, reabilitado após a crise da mineração, estimulou o surgimento de inúmeras autovias e ferrovias, construídas com capital nacional e que se concentravam na região da mata nordestina.
Resposta: Alternativa C. A construção de ferrovias que teve a participação do capital estrangeiro, notadamente o britânico, facilitou o escoamento da produção de café do Sudeste do Brasil durante a segunda metade do século XIX.





4. (FUVEST) É possível defender a tese de que o café é um produto que ao mesmo tempo facilitou e dificultou o início da industrialização no Brasil.
Argumente sobre essa tese.
Resposta: Os capitais acumulados na atividade cafeeira foram aplicados na indústria. O café dinamizou o mercado interno, introduzindo a mão de obra assalariada do imigrante e modernizou os transportes e o sistema financeiro, ambos benéficos à indústria.Todavia o Estado brasileiro era controlado pela aristocracia agrária e, por esta razão, não implementou uma política industrial para o país. Apesar do relativo desenvolvimento industrial ocorrido com a expansão cafeeira continuávamos ainda com uma economia essencialmente agroexportadora, os setores básicos da industrialização (química, siderúrgia, etc) ainda não tinham se desenvolvidos para que pudessem alavancar outras necessidades industriais. O sucesso do café sustenta a ideia que o Brasil é um país com vocação agrícola, a riqueza gerada pelo café garantia as divisas necessárias para o país. Portanto o café foi tanto impulsionador como limitador de nossa industrialização.




5. (UFPR) Afirma-se que o processo de industrialização do Brasil no século XIX começou tardiamente, enquanto na Europa já eram grandes as transformações resultantes da indústria. Quais teriam sido os fatores que contribuíram para retardar tal processo?
Resposta: Falta de incentivos do governo que acreditava na vocação agrícola do país, falta de mercado consumidor e de mão de obra assalariada abundante, carência de recursos financeiros para serem investidos na atividade, dependência externa, concorrência com a produção britânica.



Questão desafio


“Vizinhos! - É Olécia que está escrevendo
Saúde boa e bem vai se vivendo.
Faz sete meses que silenciamos
No fim de tal destino já acampamos.
Vivemos em florestas, em cabanas,
E imensamente estamos trabalhando.
Vivemos juntos, não nos separaram,
da vila quinze léguas nos distaram.
Na mata, sob montanhas....Não chiamos:
Não há estradas, trilhas palmilhamos.
Brasil! Também se sofre nessa terra:
Pegou-nos logo a febre amarela.
Em três meses na Ilha das Flores
Morreram três mulheres e três homens
(...)
Que mais escrevo? Novas não alardam.
De cobras cinco nossos se finaram.
Aqui anda um povo rude pelo mato
Que mata e come a gente. Fuja deste fato.
Se Deus quiser, e nós nos recompormos.
Quarenta fomos, em dezoito somos.
(...)
FRANKÓ, Iwan. Carta do Brasil, 1895, in: ANDREAZZA,
Maria Luiza. O Paraíso das Delícias. Curitiba: Aos Quatro
Ventos, 1999.



O poema acima foi composto a partir das notícias que chegavam na Europa Oriental sobre a situação dos imigrantes eslavos que vieram para o Brasil em 1895. Tal movimento demográfico era parte das chamadas “Grandes Migrações”, que implicaram a transferência de milhões de europeus para as Américas, sobretudo a partir da segunda metade do século XIX.

a) Cite dois fatores relacionados ao contexto europeu do século XIX que estimularam este grande movimento migratório.
Resposta: O contexto histórico vivido na Europa na segunda metade do século XIX era marcado por graves crises econômicas e agitações políticas. Muitos países enfrentavam crise no abastecimento, desemprego e ainda estavam envolvidos em conflitos bélicos como as guerras pela unificação da Itália e da Alemanha, nesse período. Esses fatos acabaram estimulando a vinda de muitos imigrantes europeus para o Brasil em busca de melhores condições de vida e de trabalho.


b) Indique dois aspectos presentes no poema que expressam as dificuldades enfrentadas por imigrantes pobres que vieram se estabelecer no Brasil em fins do século XIX.
Resposta: A dificuldade de adaptação dos imigrantes no primeiros tempos de Brasil, as doenças tropicais e os animais peçonhentos que vitimavam alguns deles. Percebe-se que as condições de trabalho eram marcadas por grandes dificuldades a serem enfrentados pelos primeiros imigrantes.





AVALIAÇÃO DE HISTÓRIA DO BRASIL - TERCEIRO ANO

1. (Uerj)

Ano

Produção aurífera (kg)

1699

725

1701

1785

1704

9000

1720

25000

1725

20000

(LINHARES, Maria Yedda (org.). História geral do Brasil. Rio de Janeiro, Campus, 1990.)

O século XVIII foi marcado por inúmeras descobertas de ouro no Brasil, possibilitando um aumento da extração desse metal, como se observa na tabela acima.

Essas descobertas provocaram mudanças significativas na organização colonial, tais como:

a) recuperação agrícola do Nordeste e redução das atividades pastoris.

b) estabelecimento da capital na cidade do Rio de Janeiro e incentivo às atividades urbanas.

c) declínio da utilização de mão-de-obra escrava e ampliação do trabalho assalariado nas minas.

d) superação da condição de colônia e elevação do Brasil à condição de Reino Unido a Portugal e Algarves.

Resposta: Alternativa B. Com o aumento da produção de ouro, a capital foi transferida para o Rio de Janeiro. Outra importante consequência da mineração foi o desenvolvimento do comércio interno.

2. (UNESP) "As minas do Brasil se vão de dia em dia acabando, como mostra a experiência; muitas delas já não dão nem para as despesas; antigamente (...) tirava-se tanto que só a capitania das Minas Gerais pagava dos direitos dos quintos cem arroubas de ouro todos os anos."

J.J. da Cunha Azeredo Coutinho. Discurso sobre o estado atual das minas do Brasil, 1804.

a) Aponte uma das causas do declínio da produção aurífera na região das Minas gerais na época em que o texto foi escrito.

Resposta: A queda na produção devido à utilização de técnicas rudimentares, o ouro era de aluvião e se escasseava rapidamente. Outro fator que contribuiu para o declínio da produção aurífera foi a excessiva tributação cobrada nas regiões mineradoras.

b) Indique duas conseqüências econômicas da atividade mineradora para a Colônia.

Resposta: Incremento do comércio interno, transferência do eixo econômico do Nordeste para o Centro-Sul, dinamização da economia de subsistência (expansão da pecuária), deu origem a um mercado de consumo bem dinâmico na região, aliviou a situação de dependência econômica de Portugal em relação a Inglaterra (Tratado de Methuen, 1703).

3. (UFRJ) "Cada ano, vêm nas frotas quantidades de portugueses e de estrangeiros, para passarem às minas. Das cidades, vilas e recôncavos e sertões do Brasil, vão brancos, pardos e pretos, e muitos índios, de que os paulistas se servem. A mistura é de toda condição de pessoas: homens e mulheres, moços e velhos, pobres e ricos, nobres e plebeus, seculares e clérigos, e religiosos de diversos institutos, muitos dos quais não têm no Brasil convento nem casa."

André João Antonil, "Das pessoas que andam nas minas e tiram ouro dos ribeiros", in Cultura e opulência do Brasil, 1a. edição 1711

A corrida do ouro às minas brasileiras ocorrida nas primeiras décadas do século XVIII, proporcionou significativas mudanças na economia e na sociedade colonial.

Identifique duas importantes transformações ocorridas na sociedade colonial a partir do ciclo do ouro, em Minas Gerais, no século XVIII. Resposta: Rápido processo de urbanização e, devido a esse fato temos também o desenvolvimento do mercado interno na colônia. Com o crescimento populacional aumenta-se também os dispositivos de controle social sobre a população escrava e setores marginalizados da população livre e, controle fiscal e burocrático por parte de autoridades metropolitaas. Nas transformações socioculturais, destaca-se o aparecimento de pólos artísticos urbanos, como a arte barroca e as sociedades literárias.

4. (UNESP) "Já se verificando nesta época a diminuição dos produtos das Minas, viu-se o capitão Bom Jardim obrigado a voltar suas vistas para a agricultura (...)

Seus vizinhos teriam feito melhor se tivessem seguido exemplo tão louvável em vez de desertar o país, quando o ouro desapareceu.”

Jonh Mawe. Viagens ao Interior do Brasil, principalmente aos Distritos do Ouro e Diamantes.

Segundo as observações do viajante inglês, os efeitos imediatos da decadência da extração aurífera em Minas Gerais foram:

a) a esterilização do solo mineiro e a queda da produção agropecuária.

b) a crise econômica e a consolidação do poder político das antigas elites mineiras.

c) a instalação de manufaturas e a suspensão dos impostos sobre as riquezas.

d) a conversão agrícola da economia e o esvaziamento demográfico da província.

e) a interrupção da exploração do ouro e a decadência das cidades.

Resposta: Alternativa D. De acordo com a leitura desse documento histórico é possível concluir que a decadência aurífera provocou o deslocamento da economia para o setor agrícola e o descrescimo populacional da região.

5. (FUVEST) Na segunda metade do século XVII, Portugal encontrava-se em grave crise econômica.

a) Explique o motivo dessa crise.

Resposta: O aumento da dependência econômica de Portugal em relação a Inglaterra, em razão do grande déficit econômico enfrentado pela Coroa portuguesa.

b) De que forma o Brasil contribui para solucioná-la?

Resposta: A descoberta de ouro durante o século XVIII possibilitou um equilíbrio nas finanças lusitanas, uma vez que os impostos arrecadados na produção de ouro na América portuguesa possibilitaram a quitação dos débitos portugueses com a Inglaterra, aliviando a precária situação financeira que Portugal atravessava naquele contexto histórico.

Questão desafio

(Unicamp-SP) No Brasil colonial, além da produção açucareira escravista, o historiador Caio Prado Junior (em Formação do Brasil Contemporâneo) enumera outras atividades econômicas importantes como, por exemplo, a mineração do século XVIII, que era também uma atividade voltada para o comércio externo.

a) Caracterize a mineração no século XVIII em termos de região geográfica, organização do trabalho e desenvolvimento urbano.

b) Cite e caracterize duas outras atividades econômicas do Brasil colonial que não eram voltadas para o comércio externo.

Resposta: a) Nas Minas Gerais e no Centro-Oeste é que se desenvolveu a mineração, apoiada sobretudo no trabalho escravo mas também em modalidades de trabalho livre. A população numerosa demandava grande quantidade de produtos e serviços permitindo o intenso desenvolvimento de atividades comerciais e urbanas.

b) A agricultura de subsistência e a pecuária que abastecia os centros urbanos com o fornecimento de carne e de animais empregados para o transporte e a agricultura de subsistência.


Saiba mais sobre a União Ibérica e o Brasil holandês

CNDL - Colégio Notre Dame de Lourdes
Primeiro Ano - Primeiro Bimestre
Coleção Pitágoras
Capítulo 2 - A Plantation Escravista



A crise de sucessão dinástica em Portugal

A história das invasões holandesas liga-se à passagem do trono português à coroa espanhola, como resultado de uma crise sucessória que pôs fim à dinastia de Avis (1580). Na batalha de Alcácir-Quibir, no dia 4 de agosto de 1578, o rei de Portugal, D. Sebastião desapareceu em combate. Como D. Sebastião não possuía herdeiros diretos, o trono português ficou sob a regência de seu tio-avô, o Cardeal D. Henrique, aclamado rei no dia 28 de agosto de 1578. As duas grandes preocupações na gestão do cardeal-rei foram: o resgate de cativos aprisionados na África e a nomeação de um sucessor legal que pudesse evitar ao país uma guerra civil. O quadro de crise política se agravava, pois, com o trono “vazio”, vários pretendentes passaram a disputar a coroa portuguesa.
De um lado, D. Catarina de Médicis, rainha da França, que se dizia descendente do antigo rei D. João III. De outro, D. Catarina, duquesa de Bragança e sobrinha do Cardeal D. Henrique (a que se reunia maiores direitos). E. ainda, D. Antonio, Prior de Crato e Filipe II, rei da Espanha, bisnetos de D. Manuel, o venturoso.
A disputa acirrou-se entre D. Catarina de Bragança, D. Antonio e Filipe II. Buscando uma solução para tal problema, D. Henrique decidiu convocar as Cortes. D. Henrique acabou nomeando cinco governadores para constituírem uma regência interina, mas morreu tuberculoso em 31 de janeiro de 1580, legando um problema de difícil solução.
D. Antonio gozava de certa popularidade, pois o povo rejeitava a ideia de um soberano espanhol, vendo no Prior do Crato o único candidato capaz de desafiar o poderio de Filipe II. A duquesa de Bragança contava com o apoio de nobres e clérigos. Já Filipe II soube articular diplomaticamente as relações políticas e econômicas com a nobreza, o clero e a burguesia, obtendo uma forte aliança. Após a morte do cardeal-rei, as cortes continuaram reunidas. No final de junho de 1580, Filipe II invadiu Portugal com um forte exército para assegurar a sua coroação. Em contrapartida, D. Antonio organizou uma resistência, na qual foi aclamado rei pelo povo em Lisboa, Santarém, Setúbal e outros lugares. Mas na batalha de Alcântara, as tropas espanholas derrotaram o improvisado exército revoltosos, pacificando o país em dois meses. Consequentemente, Felipe II reuniu as cortes em Tomar, em abril de 1581, onde foi solenemente aclamado rei de Portugal com o título de Filipe I.

A União Ibérica e o Brasil Holandês - 1580 - 1640

Anexação de Portugal. Desde 1556 a Espanha era governada por Filipe II (1556 - 1598), membro de uma das mais poderosas dinastias européias: os Habsburgos ou Casa d'Áustria, que além da Espanha detinha o controle do Sacro-Império Romano Germânico, sediado na Áustria, com influências também sobre a Alemanha e a Itália.

Nos tempos do reinado de Filipe II, a exploração das minas de prata da América espanhola havia atingido o seu apogeu. Com a entrada da prata do México e do Peru, a Espanha se transformara, durante o século XVI, na mais poderosa nação européia. Isso levou os historiadores a classificarem o século XVI como o século da preponderância espanhola. Tendo em mãos recursos abundantes, Filipe II aliou o poderio econômico a uma agressiva política internacional, da qual resultou a anexação de Portugal (até então, reino independente) e a independência da Holanda (até então, possessão espanhola). Vejamos como Portugal passou ao domínio espanhol.



Em 1578, o rei de Portugal, D. Sebastião, morreu na batalha de Alcácer-Quibir, no atual Marrocos, em luta contra os árabes. Com a morte do rei, que não tinha descendentes, o trono de Portugal foi ocupado pelo seu tio-avô, o velho cardeal D. Henrique, que, no entanto, faleceu em 1580, naturalmente sem deixar descendência... Com a morte deste último, extinguia-se a dinastia de Avis, que se encontrava no trono desde 1385, com a ascensão de D. João I, mestre de Avis.

Vários pretendentes se candidataram então ao trono vago: D. Catarina, duquesa de Bragança, D. Antônio, prior do Crato e, também, Felipe II, rei da Espanha, que descendia, pelo lado materno, em linha direta, do rei D. Manuel, o Venturoso, que reinou nos tempos de Cabral. Depois de invadir Portugal e derrotar seus concorrentes, o poderoso monarca espanhol declarou: "Portugal, lo herdé, lo compré y lo conquisté".

Assim, de 1580 até 1640, o rei da Espanha passou a ser, ao mesmo tempo, rei de Portugal, dando origem ao período conhecido como “União Ibérica”.

Portugal havia adotado até então uma política internacional muito prudente, evitando, tanto quanto possível, atritos nessa área, ciente de sua própria fragilidade. Essa situação foi altera­da completamente com a sua anexação pela Espanha, já que Portugal herdou, de imediato, todos os numerosos inimigos dos Habsburgos. Do ponto de vista colonial, o mais temível inimigo era a Holanda.



Holandeses no Brasil

Origens da Holanda. Os Países Baixos (atuais Bélgica, Holanda e parte do norte da França), desde a segunda metade da Idade Média, constituíram -se numa região de grande prosperidade econômica, cujas manufaturas têxteis desfrutavam inigualável reputação internacional. Formou-se, assim, nos Países Baixos, uma poderosa burguesia mercantil, uma das mais progressistas da Europa.

Os Países Baixos eram possessões dos Habsburgos e tinham grande autonomia no rei­nado de Carlos V (pai de Filipe II). Suas tradições e interesses econômicos locais eram respeitados.

Essa situação se alterou profundamente com a ascensão de Filipe II, que herdou do pai o trono espanhol e os Países Baixos. A razão da mudança explica-se por dois motivos básicos: em primeiro lugar, o advento do protestantismo tinha polarizado o mundo cristão no século XVI, provocando intermináveis conflitos entre católicos e protestantes. Nos Países Baixos, em razão do predomínio burguês, difundiu-se rapidamente o calvinismo, ao passo que a Espanha mantinha-se profundamente católica. E Filipe II era considerado o mais poderoso e o mais devotado monarca católico. Em segundo lugar, Filipe II era um rei absolutista. Assim, com a sua chegada ao trono terminou a fase de benevolência em relação aos Países Baixos. O novo monarca pôs fim à tolerância religiosa e substituiu os governantes nativos por administradores espanhóis de sua confiança, subordinando os Países Baixos diretamente à Espanha.

A reação nos Países Baixos foi imediata, com a eclosão de revoltas por toda parte. A fim de reprimi-las, Filipe II enviou tropas espanholas sob o comando do violento duque de Alba. À repressão político-religiosa, somou se o confisco dos bens dos revoltosos, conforme relatou o duque de Alba ao rei: “Atualmente detenho criminosos riquíssimos e temíveis e os submeto a multas em dinheiro; logo me ocuparei das cidades criminosas. Desse modo às arcas de Vossa Majestade fluirão somas consideráveis”.



Territórios da Casa de Habsburgo ao tempo de Filipe II


Contra essa violência espanhola uniram-se dezessete províncias dos Países Baixos para resistir melhor. Porém, a luta anticatólica, antiabsolutista e antiespanhola dos Países Baixos começou a tomar, com o tempo, uma coloração mais radical e passou a ameaçar a própria ordem social. A nobreza e os ricos mercadores começaram a se sentir ameaçados em seus privilégios pela crescente participação popular na rebelião antiespanhola, principalmente nas províncias do sul - Bélgica atual. A fim de evitar o agravamento dessa tendência indesejável para a camada dominante, as províncias do sul decidiram abandonar a luta e se submeter aos espanhóis em 1579. No entanto, continuaram a resistir as sete províncias do norte, que formaram a União de Utrecht, em 1581, e não mais reconheceram a autoridade de Filipe II.

Sob a liderança de Guilherme, o Taciturno, prosseguiu a luta da União de Utrecht. Guilherme, entretanto, foi assassinado em 1584, o que conduziu à criação de um Conselho Nacional, integrado pela nobreza e pela burguesia. Nasceram, desse modo, as Províncias Unidas dos Países Baixos na República da Holanda.

Em sua luta contra a Espanha, a Holanda foi apoiada ativamente pela Inglaterra. Assim, devido à tenaz resistência holandesa e à ampliação do conflito, a Espanha aceitou finalmente uma trégua - a trégua dos 12 anos: de 1609 a 1621 –, que foi, na prática, o reconhecimento da independência da Holanda.

Reflexos da Guerra dos Países Baixos em Portugal. Desde a Idade Média, Portugal mantinha com os Países Baixos relações comerciais, que se intensificaram na época da expansão marítima. Os mercadores flamengos eram os principais compradores e distribuidores dos produtos orientais trazidos por Portugal.

Ora, essa situação se alterou radicalmente com a Guerra dos Países Baixos. A Espanha, que nesse tempo já havia incorporado o reino português, adotou, em represália aos Países Baixos, medidas restritivas ao comércio com seus portos, incluindo Portugal.

Para a Holanda, que conquistara a independência, tais medidas tornaram-se permanentes. Porém, uma vez vedado o acesso aos portos portugueses, os mercadores de Amsterdã decidiram atuar diretamente no Índico. As primeiras experiências acabaram fracassando, mas a solução para o comércio direto foi finalmente encontrada com a constituição da Companhia das Índias Orientais (1602), que passou a ter o monopólio do comércio oriental, garantindo desse modo a lucratividade da empresa.

O êxito dessa experiência induziu os holandeses a constituírem, em 1621, exatamente no momento em que expirava a trégua dos 12 anos, a Companhia das Índias Ocidentais, a quem os Estados Gerais (órgão político supremo da Holanda) concederam o monopólio do tráfico de escravos, da navegação e do comércio por 24 anos, na América e na África. A essa nova companhia deve-se creditar a maior façanha dos holandeses: a conquista de quase todo o nordeste açucareiro no Brasil.

Os holandeses na Bahia (1624-1625). A primeira tentativa de conquista holandesa no Brasil ocorreu em 1624. O alvo visado era Salvador, a capital da colônia.

Os holandeses não faziam muito segredo de seus planos. Diogo de Mendonça Furtado, governador da Bahia, tinha conhecimento do fato, embora não tomasse nenhuma providência para repelir o iminente ataque holandês. Resultado: no ano de 1624, quando a invasão holandesa se efetivou, bastaram pouco mais de 24 horas para que a cidade fosse completamente dominada. O governador Mendonça Furtado foi preso e enviado a Amsterdã. O seu lugar foi ocupado pelo holandês Van Dorth.
Passado o pânico inicial, os colonos se reagruparam e começaram a resistência. Destacou-se aqui o bispo Dom Marcos Teixeira, que mobilizou os moradores através do apelo religioso: a luta contra os holandeses foi apresentada como luta contra os heréticos calvinistas. Essa luta guerrilheira que então se iniciou, contabilizou alguns êxitos, entre eles a morte do próprio governador holandês, Van Dorth. Enfim, os holandeses foram repelidos por uma esquadra luso­espanhola, conhecida com v nome pomposo de Jornada dos Vassalos. Essa primeira tentativa holandesa durou praticamente um ano: de 1624 a 1625.

Apesar do fracasso em Salvador, os holandeses foram amplamente recompensados, em 1628, com a apreensão, nas Antilhas, de um dos maiores carregamentos de prata americana para a Espanha. A façanha é atribuída a Piet Heyn, comandante da esquadra holandesa. Os recursos obtidos com esse ato de pirataria ser­viram para financiar uma segunda tentativa, desta vez contra Pernambuco.

A Insurreição Pernambucana (1645-1654)

A Holanda, ao longo do processo de consolidação de sua expansão marítimo-comercial, teve de enfrentar sérias dificuldades para a expansão de suas atividades mercantis. Primeiramente, foi obrigada a entrar em um desgastante conflito no qual lutava pela independência da região dos Países Baixos do poderio espanhol. Externamente, necessitava urgentemente de ampliar seus negócios através da criação de colônias no continente americano.

Ao mesmo tempo em que lutava com os espanhóis, a Holanda criou a Companhia das Índias Orientais. Essa empresa foi responsável por tratar das questões mercantis holandesas. Entre suas primeiras ações, a Companhia organizou um conjunto de invasões ao território brasileiro que tinha um duplo objetivo: fixar pólos de exploração açucareira no Nordeste e enfraquecer a Espanha, que na época desfrutava dos lucros das possessões coloniais lusitanas por conta da União Ibérica.

Após não conseguirem invadir Salvador, as expedições holandesas tiveram êxito em controlar a região de Pernambuco, a partir de 1630. Nesse tempo, a administração holandesa financiou a exploração açucareira oferecendo empréstimos aos senhores-de-engenho. Sob o comando de Maurício de Nassau, o Nordeste açucareiro parecia desfrutar de um período próspero. No entanto, enquanto Nassau favorecia os senhores-de-engenho, o governo holandês gastava boa parte de seus lucros com as guerras em prol de sua independência.

Esses conflitos esvaziaram os cofres do Estado holandês, que a partir de então não tinha mais condições de bancar a produção açucareira no Brasil. Com isso, a Companhia de Comércio foi pressionada a cobrar suas dívidas junto aos senhores-de-engenho nordestinos. Inconformados com a mudança na política colonial holandesa, vários proprietários de terra da região começaram a se opor à presença dos holandeses. Dava-se início a uma seqüência de conflitos que marcaram a chamada Insurreição Pernambucana.

Os colonos, que inicialmente não contaram com o apoio lusitano, empreenderam a formação de tropas que venceram os primeiros embates contra a Holanda. Com a liderança de Filipe Camarão e Henrique Dias, os colonos resistiam à agora desinteressante presença holandesa. A Batalha das Tabocas e de Guararapes foram dois grandes golpes que enfraqueceram o poderio dos invasores em terras tupiniquins. Já não podendo fazer frente às tropas luso-pernambucanas, os holandeses encerraram seu período de dominação com a derrota na batalha de Campina da Taborda, em 1654.

Ainda consta que, para garantir a reintegração de suas posses, Portugal concedeu uma indenização de 63 toneladas de ouro. A Holanda, já enfraquecida com os conflitos no cenário americano e europeu, optou pela retirada de suas tropas e o aceite da indenização. Expulsos do Brasil, os holandeses rumaram para as Antilhas onde passaram a produzir um açúcar mais barato que influenciou na crise açucareira do nordeste brasileiro.



Conheça as atividades secundárias do Brasil Imperial

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Capítulo 2 - A economia no Brasil Imperial

Outras atividades econômicas


Outras atividades econômicas no Brasil Imperial
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Outras atividades econômicas

Observe o mapa a seguir.


Como você deve ter observado no mapa, outras atividades econômicas desenvolveram-se no Brasil do século XIX. Elas podem não ter tido a importância que teve o café na pauta das exportações brasileiras, mas também foram significativas, principalmente a borracha.

O látex, retirado das seringueiras da região amazônica, só começou a ser extraído em quantidades significativas a partir de 1850. Com a invenção do processo de vulcanização da borracha e, mais tarde, com o desenvolvimento da produção de veículos e pneus, o látex passou a ser um dos produtos mais procurados no mercado mundial.

Para alcançar altos preços no mercado externo, a extração do látex passou a ser uma atividade bastante lucrativa e, entre 1890 e 1910, contribuiu decisivamente para a pauta de exportações brasileira.

A mão de obra utilizada na extração do látex era predominantemente de nordestinos, retirantes da seca e da miséria em que se encontrava o Nordeste brasileiro. Os métodos de extração eram rudimentares, basicamente manuais.

Durante o período da euforia da borracha, grandes fortunas se formaram no Norte do país. Manaus e Belém se urbanizaram. Entretanto, a euforia durou pouco. A partir dos primeiros anos da década de 1910, a produção começou a declinar e se acelerou com a concorrência da borracha extraída na Ásia.

O cacau foi outro produto significativo para a pauta de exportações brasileira no final do século XIX e primeiras décadas do século XX. Cultivado primeiramente na Amazônia, onde já existia em estado natural, o cacau passou para o Pará e, depois, foi levado para a Bahia onde se aclimatou e desenvolveu, favorecido pela mão de obra farta e barata de migrantes e ex-escravos. Assim como a borracha na Amazônia, o cacau gerou fortunas na Bahia, principalmente em Ilhéus e Itabuna, criou uma nova elite política de plantadores de cacau que passou a comandar a política regional baiana.

Além dos produtos, havia a produção de subsistência espalhada pelas várias regiões do país; a pecuária no Sul; a produção de açúcar e algodão no Nordeste; manufaturados têxteis; a produção de ferro em Minas Gerais e cimento em Juiz de Fora.

Saiba mais sobre o século XVIII e a mineração no Brasil colônia

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A mineração no período colonial brasileiro

O século de ouro no Brasil

Em 1703 Portugal assinou com a Inglaterra o Tratado de Methuen. As conseqüências desse acordo agravaram a situação da balança comercial portuguesa, já fragilizada pelo declínio da cana-de-açúcar. Pouco tempo depois, foi encontrada no Brasil a primeira grande jazida de ouro. A Coroa viu nessa descoberta a possibilidade de sanar todos os problemas que assolavam a sua economia.

O ciclo econômico da mineração na América portuguesa teve início no final do século XVII, após a decadência da produção açucareira. A atividade extrativista era voltada para o ouro e os diamantes, nas regiões onde hoje se encontram os estados de Goiás, Mato Grosso e, especialmente, Minas Gerais. O apogeu da mineração ocorreu entre 1750 e 1770, justamente quando a Inglaterra começou a se consolidar como potência industrial e exercer influência econômica cada vez maior sobre Portugal.

A metrópole procurava por minérios preciosos em sua colônia desde a descoberta das Minas de Potosí na América espanhola, em 1530. A primeira descoberta de jazidas de ouro é atribuída a um paulista, Antonio Rodrigues Arzão, em 1638. Porém, a disputa pelo ouro só se iniciou de fato em 1698, com a descoberta das jazidas de Ouro Preto (MG).

Os governadores relataram a descoberta ao rei de Portugal. A notícia desencadeou um enorme deslocamento populacional – homens em busca de enriquecimento rápido – de Portugal e de diversos pontos da colônia, provocando profunda carestia numa região ainda selvagem e sem estrutura para receber aquela quantidade de pessoas. Outra conseqüência dessa “febre do ouro” foi a evasão de grande parte da população de diversas regiões da colônia, bem como da metrópole, tornando muitas delas despovoadas.

A população era bastante heterogênea, com predomínio dos paulistas, que em geral andavam descalços. Era fácil diferenciá-los dos estrangeiros, que chegavam à colônia calçados e com roupas pesadas e por isso ficaram conhecidos como emboabas, “pássaro emplumado” em tupi.

Os paulistas se julgavam donos das minas por direito de descoberta e não queriam dividir os lucros com os emboabas. Estes controlavam as entradas e saídas da minas, assim como a quantidade de ouro extraída. Representavam a Coroa portuguesa e se fixaram especialmente na Bahia, sob o comando do comerciante Nunes Viana.

Para melhor controlar a mineração, Portugal decidiu que todo ouro deveria permanecer em Minas Gerais até que os impostos fossem pagos, o que atrapalhou muito o comércio com a Bahia e os negócios de muitos emboabas que lá viviam. Irritado com a nova lei, Nunes Viana se desentendeu com Borba Gato, guarda-mor das minas. Viana decidiu não acatar a decisão da Coroa e foi expulso. Porém, como não contava com o apoio dos emboabas, estes se rebelaram e, com isso, surgiu o primeiro grande conflito entre nativos e estrangeiros na colônia.

A Guerra dos Emboabas

A maior parte das minas estava concentrada nas mãos dos emboabas. Os paulistas, que contavam com a ajuda dos índios, ocupavam especialmente a região do Rio das Mortes. Os emboabas decidiram expulsá-los de lá, encurralando-os e massacrando-os.

Assim, os emboabas assumiram o controle da maior parte das minas, desafiando a autoridade portuguesa. Foi necessário que a Coroa enviassem um novo governador para negociar com os emboabas e lhes prometer inúmeros privilégios em troca do controle político da região.

Os paulistas derrotados seguiram para Mato Grosso, onde descobriram ouro em 1719, e para Goiás. Isso deslocou e expandiu ainda mais a ocupação portuguesa, fazendo do ouro uma febre e algo que parecia ser uma garantia de riqueza perpétua.

A exploração do ouro

O ouro explorado por aqui ficou conhecido como ouro de aluvião, depositado no fundo dos rios e de fácil extração (ao contrário das minas de prata, que exigiam uma escavação profunda). A extração de aluvião era mais fácil e por outro lado, de esgotamento mais rápido.

Havia basicamente duas formas de explorar o ouro:

- Lavra: grande extração, que utilizava mão de obra escrava. À medida que o ouro do local ia se esgotando, a lavra se deslocava para outra região, deixando o que restara para a faiscação, praticada por pequenos mineradores.

- Faiscação: pequena extração, praticada quase sem o trabalho de escravos. Técnica de baixo custo, que tornava a mineração acessível a qualquer homem livre.

A fiscalização portuguesa

A fiscalização sobre a extração do ouro foi extremamente rigorosa, uma vez que o objetivo de Portugal era garantir sua renda sobre o metal.

O imposto cobrado sobre o ouro garimpado era o quinto. A cobrança se dava da seguinte forma:

- Toda jazida descoberta deveria ser imediatamente comunicada à Intendência das Minas mais próxima (órgão que fiscalizava a extração do ouro).

- O intendente dividia a área descoberta em “datas”.

- O descobridor podia escolher duas datas: uma como descobridor e outra como mineiro. A terceira data era escolhida pela Coroa.

Como as técnicas utilizadas eram rudimentares, cresceu a dependência do trabalho escravo: só com o aumento de trabalho é que poderia haver crescimento da produção. Assim, os escravos eram submetidos a um esforço físico brutal.

Porém, por mais que a exploração crescesse, a arrecadação do quinto não aumentava, pois as fraudes eram comuns.

Em 1690 foram criadas as Casas de Fundição, estabelecimentos controlados pela Fazenda Real que recebiam todo o ouro extraído, transformavam-no em barras timbradas e devidamente quintada e, após esse processo, devolviam-nas ao proprietário.

As Casas de Fundição causaram enorme revolta entre os colonos. O trabalho que tinham para transportar o ouro até elas, a burocracia, as taxas e a dificuldade de contrabandear contribuíram para piorar as relações entre Metrópole e colônia. Num determinado momento, o conflito explodiu, na Revolta de Vila Rica, em 1720 (também conhecida como Revolta de Filipe dos Santos, nome de seu líder). Os mineradores foram derrotados e obrigados a pagar 52 arrobas de ouro por ano para substituir o sistema das Casas. Isso aumentou a arrecadação de Portugal até 1730, quando voltou a cair. Para evitar a queda, a Coroa instaurou uma cobrança de impostos per capita: uma taxa sobre cada morador da zona mineradora.

Os mineradores não concordaram e propuseram um acordo, sugerindo 100 arrobas anuais de ouro. O rei português, D. José, decidiu manter o imposto, tendo as 100 arrobas como piso mínimo. Se esse teto não fosse atingido seria aplicada a derrama, cuja importância cresceu desde 1690. Porém, a partir de 1760, a produção de ouro começou a decair rapidamente, embora Portugal tenha insistido em manter a mesma arrecadação. Isso resultou em diversas revoltas de cunho econômico contra a metrópole.

As consequências do ouro

Urbanização: graças à altíssima migração para a região das minas iniciou-se um intenso processo de urbanização no interior da colônia, em vez de no litoral. Um grande número de povoados surgiu, logo se transformando em cidades importantes, onde foram instalados os serviços de fiscalização da Coroa e de administração urbana. Havia também a presença da Igreja Católica.

Diversidade e mobilidade social: a cidade se desenvolve a partir de três locais básicos: o mercado, a prefeitura e a igreja.

Essa sociedade passou a agregar os mais diferentes tipos: mineradores ricos, faiscadores pobres, negros libertos, vendedores ambulantes, artesãos, profissionais liberais e mulheres de várias condições. Essa diversidade de grupos levou a uma variedade de interesses na colônia, distintos daqueles da Coroa.

Aos poucos, a diversidade aumentou:

- Mineradores começaram a oferecer a liberdade para alguns escravos em troca de uma cota de garimpo de outro. Cresceu o número de negros livres com dificuldade de conseguir trabalho.

- Mulheres eram raras na região. A maioria dos homens casados esperava voltar depressa para casa e não levava a esposa consigo. Isso aumentou muito a miscigenação, pois era comum mineradores ricos manterem amantes negras e mestiças, dando cargos importantes em seus negócios aos filhos dessas uniões ilegítimas.

A elite passou a ser educada na Europa, e jovens trouxeram para a colônia influências de correntes intelectuais estrangeiras, criando, no novo ambiente urbano, uma forte explosão cultural. Seu resultado foi o Barroco, um movimento artístico cujas produções locais traziam características próprias, além das presentes nos modelos europeus.

As reformas pombalinas

O marquês de Pombal foi ministro de d. José, que sucedeu D. João V, em 1750. Seu governo foi marcado por problemas econômicos causados pela diminuição da arrecadação aurífera na colônia e pelo aumento das dívidas com a Inglaterra. Pombal tomou as rédeas do governo, numa tentativa de tirar de Portugal os resquícios do Antigo Regime.

O projeto de reformas de Pombal era contraditório: buscava fortalecer a monarquia e ao mesmo tempo colocar Portugal no ritmo das mudanças que aconteciam na Europa, tentando estabelecer o absolutismo esclarecido no país.

As reformas pombalinas são tradicionalmente divididas em dois conjuntos, referindo-se a dois aspectos diferentes: colônia e metrópole. Elas agiam para aumentar o domínio metropolitano, fortalecendo o Pacto Colonial.

Em Portugal:

- Redução do poder da Companhia de Jesus. Pombal queria uma educação que fosse voltada para o desenvolvimento do Estado, com estudos de economia e ciência política. Era necessário afastar os jesuítas.

- A fim de conseguir mais capital, Pombal passou a proteger os cristãos-novos, dos de manufaturas, atacados pelos jesuítas. Criou leis que proibiam considerar os cristãos-novos inferiores aos antigos, igualando nobreza e mercadores burgueses.

- Educação: uma das reformas mais importantes, laicizando o ensino, reformando a Universidade de Coimbra e estimulando o ensino superior. A educação passou a ser controlada pelo Estado e o currículo escolar foi unificado. Os jesuítas foram substituídos nas escolas por diretores apontados por Pombal.

Na colônia:

- Centralização de poder na colônia: extinção das capitanias hereditárias; unificação dos estados do Maranhão e do Brasil; transferência da capital de Salvador para o Rio de Janeiro, determinando que o ouro e diamantes só poderiam sair da América por essa cidade.

- Expulsão dos jesuítas e proibição da escravidão indígena;

- Ensino deveria ser exclusivamente em português, mesmo para os índios, antes ensinados em tupi, idioma que foi banido da colônia;

- Aumento do quinto para 100 arrobas e intensificação da derrama;

- Criação de novas companhias de comércio em diversas regiões da colônia;

- Diversificação econômica: algodão no Maranhão, retomada da cana em Pernambuco, incentivo à produção de tabaco;

- Incentivo à produção de manufaturados.