sábado, 5 de maio de 2012

Saiba mais sobre o processo de independência do Brasil

 
Saiba mais sobre o processo de independência do Brasil




Confira o resumo sobre o processo histórico que conduziu à independência da América Portuguesa.

Teste seus conhecimentos sobre o processo de emancipação política do Brasil

1. (UFG 2008) Leia os fragmentos a seguir.

"Não corram tanto ou pensarão que estamos fugindo!"
("REVISTA DE HISTÓRIA DA BIBLIOTECA NACIONAL". Rio de Janeiro, ano 1, n. 1, jul. 2005, p. 24.)

"Preferindo abandonar a Europa, D. João procedeu com exato conhecimento de si mesmo. Sabendo-se incapaz de  heroísmo, escolheu a solução pacífica de encabeçar o êxodo e procurar no morno torpor dos trópicos a  tranqüilidade ou o ócio para que nasceu".
(MONTEIRO, Tobias. "História do Império: a elaboração da Independência". Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: EDUSP, 1981. p. 55. [Adaptado].

O embarque da família real para o Brasil, em 1807, deu origem a contraditórias narrativas. A frase acima, atribuída  à rainha D. Maria I, tornou-se popular, passando a constituir uma versão narrativa ainda vigorosa. Nos anos de  1920, os estudos sobre a Independência refizeram o percurso do embarque, assegurando uma interpretação  republicana sobre esse acontecimento, tal como exemplificado no trecho do jornalista e historiador Tobias Monteiro.

Sobre essa versão narrativa em torno do embarque, pode-se dizer que pretendia
a) conquistar a simpatia da Inglaterra, ressaltando a importância do apoio inglês no translado da corte portuguesa  para o Brasil.
b) associar a figura do rei ao pragmatismo político, demonstrando que o deslocamento da corte era um ato de  enfrentamento a Napoleão.
c) ridicularizar o ato do embarque, agregando à interpretação desse acontecimento os elementos de tragédia,  comicidade e ironia.
d) culpabilizar a rainha pela decisão do embarque, afirmando-lhe o estado de demência lamentado por seus  súditos.
e) explicar o financiamento do ócio real por parte da colônia, comprovando que o embarque fora uma estratégia  articulada pelo rei.

resposta:[C]

2. (UERJ 2009) O impacto da vinda da Família Real portuguesa para o Brasil implicou alterações significativas para a cidade do Rio de Janeiro que se prolongaram durante todo o período conhecido como "joanino". Essas alterações produziram uma nova dinâmica socioeconômica e redefiniram, em vários aspectos, a inserção da cidade no contexto internacional.

Uma função urbana associada a essa nova inserção está indicada em:
a) crescente pólo turístico em função da chegada da Missão Artística Francesa.
b) expressivo núcleo comercial articulado à nascente rede ferroviária brasileira.
c) principal porto brasileiro relacionado à importação legal de manufaturas britânicas.
d) importante centro religioso decorrente da instalação do Tribunal da Santa Inquisição.


resposta:[C]

3. (G1) Neste texto, Ruy Castro se transporta no tempo e se vê como um jornalista a noticiar a chegada da Família Real ao Rio de Janeiro, ocorrida há 200 anos.

É hoje!
Rio de Janeiro. O príncipe regente dom João desembarca hoje no Rio com sua família e um enorme séquito de nobres, funcionários, aderentes e criados. Precisou que Napoleão botasse suas tropas nos calcanhares da Corte para que esta fizesse o que há cem anos lhe vinha sendo sugerido: transferir-se para o Brasil.
Não se sabe o que, a médio prazo, isso representará para a metrópole. Mas, para a desde já ex-colônia, será supimpa. Porque, a partir de agora, ela será a metrópole. E, para estar à altura de suas novas funções, terá de passar por  uma reforma em regra  - não apenas cosmética, para receber o corpo diplomático, o comércio internacional e os grã-finos de toda parte. Mas, principalmente, estrutural. Afinal, é um completo arcabouço administrativo que se está mudando.
Para cá virão os ministérios, as secretarias, as intendências, as representações e a burocracia em geral. Papéis sem conta serão despachados entre esses serviços, o que exigirá uma superfrota de estafetas [mensageiros]. A  produção de lacre para documentos terá de decuplicar.  O Brasil importará papel, tinta e mata-borrões em quantidade, mas as penas talvez possam ser fabricadas aqui, colhidas dos traseiros das aves locais.
Estima-se que, do Reino, chegarão 15 mil pessoas nos próximos meses. Será um tremendo impacto numa  cidade de 60 mil habitantes.  Provocará mudanças na moradia, na alimentação, nos transportes, no vestuário, nas  finanças, na medicina, no ensino, na língua. Com a criação da Imprensa Régia, virão os jornais. O regente mandará  trazer sua biblioteca. Da escrita e da leitura, brotarão as ideias.
Até hoje, na história do mundo, nunca a sede de um império colonial se transferiu para sua própria colônia. É  um feito inédito - digno de Portugal. E que pode não se repetir nunca mais.
(Ruy Castro. "Folha de S. Paulo", 08/03/2008)

O texto de Ruy Castro apresenta algumas mudanças ocorridas na Colônia após a chegada da Família Real  portuguesa ao Rio de Janeiro, as quais foram fundamentais para o processo da Independência.

Assinale a alternativa que apresenta uma medida adotada e sua importância para a emancipação política do Brasil.
a) a transferência do corpo diplomático, do comércio internacional e dos grã-finos, pois garantiu a formação de  uma elite nacional interessada na autonomia.
b) um sensível crescimento da leitura e da escrita, com a criação da Imprensa Régia, os jornais, a biblioteca e o ensino, o que abriu espaço à formação e difusão de novas idéias.
c) a vinda de ministérios, secretarias e intendências, pois sem essa burocracia seria impossível a formação de uma  nação.
d) a importação de papel, tinta e mata-borrões, sem os quais as aves não seriam utilizadas para o desenvolvimento  de uma produção local.
e) as mudanças na moradia, na alimentação, nos transportes e no vestuário, pois favoreceram a formação de uma  classe média crítica e transformadora.

resposta:[B]

4. (Ufla) Leia o seguinte texto:
"Na manhã de 29 de novembro de 1807, circulou a informação de que a Rainha, o Príncipe Regente e toda a Corte estava fugindo para o Brasil, sob a proteção da Marinha Britânica. Nunca algo semelhante tinha acontecido na história de qualquer país europeu, rei nenhum havia ido tão longe a ponto de cruzar um oceano para viver e reinar do outro lado do mundo."
(Revista "Super Interessante", Outubro de 2007)

Com base no texto, responda:

a) Indique uma das ordens imediatas do Príncipe Regente ao pisar em terras brasileiras.
b) No que diz respeito à chegada da Família Real ao Brasil em 1808, apresente duas conseqüências que tenham tido significativa relevância no sentido de modificar o rumo histórico do país.


resposta:
a) A abertura dos Portos Brasileiros às Nações Amigas em 1808.
b) Entre as conseqüências relevantes da chegada da Família Real portuguesa ao Brasil em 1808, pode-se mencionar o Tratado de Comércio e Navegação de 1810 com a Inglaterra, que além de constituir-se em obstáculo ao desenvolvimento da atividade industrial no Brasil, iniciava a vinculação do Brasil à órbita do capitalismo britânico, e a  elevação do Brasil à condição de Reino Unido de Portugal e Algarves em1815, retirando-lhe a condição de Colônia.

5. (PUC RIO 2008) 

 

 
A imagem a seguir, do pintor Jean Baptiste Debret, intitulada "Um funcionário do governo sai a passeio com a  família", constitui um registro do cotidiano daqueles que habitavam o Rio de Janeiro no tempo do governo joanino  (1808 - 1821). A partir da observação da gravura e de seus conhecimentos sobre o período:

a) APRESENTE dois elementos que identificam a posição dos diferentes grupos sociais na hierarquia da sociedade  da época. JUSTIFIQUE.
b) EXPLIQUE por que durante o governo de D. João VI o Rio de Janeiro passou a ser identificado como "nova  Lisboa".

resposta:

a) O pai (branco) à frente dos demais membros da família simboliza a autoridade e o poder dos homens sobre  as mulheres na sociedade da época. O lugar ocupado pela dona de casa (branca) na fila, atrás dos filhos - fossem esses meninos ou meninas - e à frente dos escravos, evidencia, respectivamente, seu papel de mãe  dos filhos do marido e de administradora de um lar extenso. A mulher branca exercia, portanto, o domínio  sobre os escravos e as escravas no espaço da casa. As redes de poder e hierarquia envolvendo a própria  comunidade negra também são perceptíveis na imagem: os escravos(as) que aparecem com melhores  vestimentas provavelmente desfrutavam uma posição vantajosa em relação aos seus pares na hierarquia  social. Os pés descalços marcam a condição de escravo, diferenciando-os dos libertos e dos livres.
b) O governo de D. João VI proporcionou uma série de melhorias na cidade do Rio de Janeiro e beneficiou os grandes proprietários e comerciantes das capitanias do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais que, por estarem próximos da Corte, desfrutavam de privilégios, proteção e prestígio social. A política joanina gerou um aumento significativo dos impostos para a manutenção da Corte na cidade do Rio de Janeiro, que passou a ser identificada como "nova Lisboa", sobretudo por aqueles que habitavam as demais regiões do Brasil. Comentava-se que o Rio de Janeiro passara a sediar grupos que defendiam os interesses "portugueses" oprimindo os "brasileiros" do restante do país. Sendo assim, o domínio político da colônia passara de Lisboa para o Rio de Janeiro. A Revolução Pernambucana de 1817 constitui um exemplo de tal insatisfação.

6. (Fuvest 2012) Fui à terra fazer compras com Glennie. Há muitas casas inglesas, tais como celeiros e armazéns não diferentes do que chamamos na Inglaterra de armazéns italianos, de secos e molhados, mas, em geral, os ingleses aqui vendem suas mercadorias em grosso a retalhistas nativos ou franceses. (...) As ruas estão, em geral, repletas de mercadorias inglesas. A cada porta as palavras Superfino de Londres saltam aos olhos: algodão estampado, panos largos, louça de barro, mas, acima de tudo, ferragens de Birmingham, podem-se obter um pouco mais caro do que em nossa terra nas lojas do Brasil.
Maria Graham. Diário de uma viagem ao Brasil. São Paulo, Edusp, 1990, p. 230 (publicado originalmente em 1824). Adaptado.

Esse trecho do diário da inglesa Maria Graham refere-se à sua estada no Rio de Janeiro em 1822 e foi escrito em 21 de janeiro deste mesmo ano. Essas anotações mostram alguns efeitos
a) do Ato de Navegação, de 1651, que retirou da Inglaterra o controle militar e comercial dos mares do norte, mas permitiu sua interferência nas colônias ultramarinas do sul.
b) do Tratado de Methuen, de 1703, que estabeleceu a troca regular de produtos portugueses por mercadorias de outros países europeus, que seriam também distribuídas nas colônias.
c) da abertura dos portos do Brasil às nações amigas, decretada por D. João em 1808, após a chegada da família real portuguesa à América.
d) do Tratado de Comércio e Navegação, de 1810, que deu início à exportação de produtos do Brasil para a Inglaterra e eliminou a concorrência hispano americana.
e) da ação expansionista inglesa sobre a América do Sul, gradualmente anexada ao Império Britânico, após sua vitória sobre as tropas napoleônicas, em 1815.




resposta:[C]

7. (Mackenzie) Não foram os brasileiros os agentes iniciais da independência, nem precisavam sê-lo. Em 1820, era muito mais Portugal que precisava reconquistar o Brasil que este a necessitar de uma separação. 
("A Nação Mercantilista" - Jorge Caldeira) 

O texto se reporta a um importante fato que tem, pelas suas conseqüências, relação direta com nossa Independência em 1822. Assinale-o nas alternativas a seguir.
a) A invasão de Portugal em 1820 por tropas napoleônicas e a fuga da corte para o Brasil.
b) O declínio da economia brasileira entre 1808 e 1821, daí o interesse português em recuperá-la.
c) A inversão brasileira, resultado do progresso entre 1808 e 1821, tendo em contrapartida a decadência da economia portuguesa, fatos que provocaram a Revolução do Porto de 1820, com claros objetivos de recolonizar o Brasil.
d) Como D. João VI após a Revolução do Porto recusa-se a voltar para Portugal, desencadeou-se uma revolta da população brasileira pela Independência.
e) A Revolução do Porto de 1820, essencialmente liberal, não tinha pretensões mercantilistas em relação ao Brasil.


resposta:[C]

8. (Ufrj) A instalação da Corte portuguesa no Rio de Janeiro, em 1808, representou uma alternativa para um contexto de crise política na Metrópole e a possibilidade de implementar as bases para a formação de um império luso-brasileiro na América.
a) Cite duas medidas adotadas pelo regente D. João que contribuíram para o estabelecimento de bases para a formação de um império luso-brasileiro na América.
b) A despeito de a transferência da Corte portuguesa para o Rio de Janeiro ter sido analisada como mera fuga frente à invasão francesa em Portugal, estudos têm revelado que a idéia da mudança para o Brasil não era nova. Cite dois argumentos apresentados por aqueles que, já no século XVIII, defendiam essa medida.


resposta:

a) Dom João reorganizou a administração do Brasil, criando os ministérios do Reino, da Marinha e Ultramar e da Guerra e Estrangeiros, além de outros órgãos de administração pública e justiça portuguesas. Outro aspecto importante se refere ao ano de 1815, quando o Brasil foi elevado à categoria de Reino, e todos os domínios portugueses passaram a ser chamados de Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves. Com essa decisão, oficializava-se a emancipação política da colônia, pois a autonomia do Brasil foi reconhecida diante de Portugal.
b) Muitos homens públicos portugueses defendiam a viagem ao Brasil como a única saída para a crise que assolava o país. Com a vinda ao Brasil, a Coroa portuguesa preservaria a parte mais rica de suas possessões e garantiria a dinastia de Bragança. Além disso, caso Dom João decidisse aceitar as determinações francesas, corria o risco de perder parte de suas colônias para os ingleses, que certamente fariam planos para invasões.

9. (Unesp) As colônias européias da América realizaram as suas independências entre os anos de 1776 e 1824. O movimento iniciou-se com a emancipação das colônias inglesas da América do Norte. O processo de independência da América Latina ocorreu, com algumas exceções, entre 1808 e 1824. Considerando-se esse processo de independência, explique:
a) O pioneirismo das 13 colônias inglesas da América.
b) A conjuntura política e econômica européia favorável à libertação das colônias espanholas e portuguesa da América.

Resolução
a) As Treze Colônias inglesas da América do Norte foram pioneiras no processo de independência porque este foi liderado pelas colônias de povoamento (Norte) que, por suas próprias características, já haviam alcançado no século XVIII um grau de desenvolvimento econômico e social bastante superior ao das colônias de exploração. Outrossim, as colônias de povoamento gozavam de autonomia administrativa; e, quando esta lhes foi limitada pelo Parlamento Inglês, os colonos iniciaram o processo de independência.
b) Hegemonia napoleônica sobre o continente europeu, provocando o enfraquecimento da autoridade da Espanha sobre suas colônias e, de outro lado, forçando a transferência da Família Real Portuguesa para o Brasil. Deve-se ainda acrescentar: o interesse histórico em quebrar o Pacto Colonial Ibérico, a fim de ampliar seus mercados consumidores, visando satisfazer as necessidades do capitalismo industrial; e a influência da ideologia liberal (originada do iluminismo do século XVIII)

10. (Unesp) Leia a declaração. 
Como é para o bem do povo e felicidade geral da nação, estou pronto; diga ao povo que fico.
("D. Pedro, Príncipe Regente, 9 de janeiro de 1822".)

a) Qual o significado da decisão tomada pelo Príncipe Regente?
b) Explique o que foi a Revolução do Porto, iniciada em 1820, e aponte suas consequências para a porção americana do Império Português.

resposta:
a) Com essa decisão, Dom Pedro, demonstrava contrariar as Cortes de Lisboa, que pediam seu retorno a Portugal. As tensões entre as Cortes e dom Pedro fazem parte do processo que conduziu o Brasil à independência.
b) A Revolução do Porto foi um movimento influenciado pelas ideias iluministas, que buscou acabar com o absolutismo. Entretanto, ese movimento tinha aspectos contraditórios: ao mesmo tempo em que reivindicava princípios liberais, como a monarquia constitucional, passou a defender a colonização do Brasil nos moldes do que acontecia antes da vinda da família real - resquício do Antigo Regime. O projeto dos revolucionários portugueses era também convocar as Cortes, assembleia que redigiria a constituição de Portugal.

11. (Puc) "Pedro, se o Brasil se separar, antes seja para ti, que me hás de respeitar, do que para algum desses aventureiros."
A recomendação feita por D. João VI ao filho D. Pedro, que permaneceria como Regente do Brasil, logo após a partida de seu pai para Portugal em 1821, está diretamente relacionada com:
a) a vitória do movimento liberal da cidade do Porto, em 1820, que estabeleceu a monarquia constitucional em Portugal, limitando os poderes absolutistas do Rei.
b) a divergência entre os representantes políticos brasileiros na Maçonaria e D. Pedro, que queria preservar os direitos da dinastia de Bragança.
c) a revolta das tropas aquarteladas no Rio de Janeiro, contrárias à decisão do Príncipe regente, que pretendia permanecer no país.
d) a adesão imediata do "Partido Brasileiro" à política defendida pelas "Cortes de Lisboa", favoráveis à manutenção do Reino Unido a Portugal e Algarves.



resposta:[A]

12. (Unifesp) A independência do Brasil, quando comparada com a independência dos demais países da América do Sul, apresenta semelhanças e diferenças. Indique as principais
a) semelhanças.
b) diferenças.


resposta:
a) Entre as semelhanças nos processos de independência entre o Brasil e os países da América do Sul, podemos destacar que em ambos os casos o desencadeamento do processo se dá no contexto da crise do Antigo Sistema Colonial, quando os desdobramentos da Revolução Industrial na Inglaterra, que propõe o livre-cambismo, contrapõem-se ao regime de monopólios, que era a espinha dorsal do Antigo Sistema Colonial. Não só há semelhança na crise que é comum às áreas coloniais daquele período, como o próprio desencadeamento do processo, que foi de uma forma ou de outra diretamente afetado pelas Guerras Napoleônicas. É no contexto destas guerras que se desencadeia e se acelera o processo de emancipação política. Outra semelhança importante foi o fato de que a emancipação política foi conduzida pelas elites sociais sem implicar mudanças profundas, ou seja, sobreviveram formas variadas de trabalho compulsório, grandes unidades de produção e economia voltada para o mercado externo, simplesmente redefinindo-se os laços de dependência.
b) Entre as diferenças, podemos destacar, no caso da América portuguesa, a preservação da unidade territorial e, na América espanhola, a fragmentação política. Na América do Sul, o Brasil era a única monarquia entre repúblicas. Comparado aos demais países sul-americanos, o Brasil monárquico apresentou uma maior estabilidade política, contrastando com sucessivos movimentos de revoltas, guerras civis e mudanças de governo por meios não institucionais.
A Independência do Brasil guarda, em relação aos demais países da América do Sul, um caráter singular, uma vez que, com a invasão de Portugal por tropas hispano-francesas, a família real se transferiu para o Brasil.

13. (Unicamp) A respeito da Independência na Bahia, o historiador João José Reis afirmou o seguinte: Os escravos não testemunharam passivamente a Independência. Muitos chegaram a acreditar, às vezes de maneira organizada, que lhes cabia um melhor papel no palco político. Os sinais desse projeto dos negros são claros. Em abril de 1823, dona Maria Bárbara Garcez Pinto informava seu marido em Portugal, em uma pitoresca linguagem: "A crioulada fez requerimentos para serem livres". Em outras palavras, os escravos negros nascidos no Brasil (crioulos) ousavam pedir, organizadamente, a liberdade! (Adaptado de O Jogo Duro do Dois de Julho: o "Partido Negro" na Independência da Bahia, em João José Reis e Eduardo Silva, Negociação e Conflito. A resistência negra no Brasil escravista. São Paulo: Cia das Letras, 1988, p. 92).

a) A partir do texto, como se pode questionar o estereótipo do "escravo ignorante"?
b) Identifique dois motivos pelos quais a atuação dos escravos despertava temor entre os senhores.
c) De que maneira esse enunciado problematiza a versão tradicional da Independência do Brasil?


resposta:
a)A partir do texto, percebe-se que os escravos não eram apenas parte integrante, mas também atuante nos processos revolucionários, expressando seus próprios interesses, tais como o fim da escravidão.
b) Os motivos que levaram os senhores a temer a atuação dos escravos eram de ordem econômica sócio-política: os temor era de os negros conquistarem a liberdade, o que poderia ocasionar grandes prejuízos, além de colocar em risco o poder dos senhores.
c) Na versão tradicional da independência do Brasil, tal episódio aparece como tendo ocorrido de maneira pacífica e sem a participação popular. No entanto, a participação dos negros nas guerras contra as tropas portuguesas na Bahia mostra que tal fato não foi pacífico e contou com a participação popular de escravos negros.

14. (Ufpi) "... todos os brasileiros, e sobretudo os brancos, não percebem suficientemente que é tempo de se fechar a porta aos debates políticos (...). Se se continua a falar dos direitos dos homens, da igualdade, terminar-se-á por pronunciar a palavra fatal: liberdade, palavra terrível e que tem muito mais força num País de escravos que em qualquer outra parte ..."
(MOTA, Carlos Guilherme (org.). "1822: dimensões". São Paulo: Perspectiva, 1972. p. 482.)

O texto acima, escrito provavelmente por volta de 1823/1824, é parte de uma carta sobre a independência do Brasil, enviada por um observador europeu a D. João VI. 
Leia com atenção o texto e, a seguir, assinale a alternativa que expressa a configuração social do processo brasileiro de independência.
a) A democracia racial, decorrente de uma intensa miscigenação durante o período colonial, contribuiu para conciliar, logo nos primeiros anos do Império, os interesses dos distintos grupos sociais.
b) A "solução monárquica", através da qual a jovem nação optava por afastar-se de seus vizinhos americanos e adotar modelos políticos europeus, foi historicamente necessária como instrumento de conciliação das raças no Brasil.
c) O "haitianismo", temor da elite branca brasileira de que se repetisse no Brasil uma revolução negra, tal qual ocorrera no Haiti, limitou as bases sociais da independência e justificou manifestações como essa da carta transcrita.
d) Em razão de temores como aquele expresso na carta citada, a independência fez-se acompanhar de um processo crescente de enfraquecimento da escravidão. Os mesmos grupos que lideraram o processo de independência liderariam, anos depois, a abolição da escravatura.
e) O temor expresso na carta é infundado, pois além de contar com um número pequeno de escravos à época da independência, as relações entre os escravos e seus senhores, no Brasil, sempre foram cordiais, decorrendo justamente disso a noção de "democracia racial".


resposta:[C]

15. (Ufrrj) Leia os textos a seguir, reflita e responda. 
Após a Independência política do Brasil, em 1822, era necessário organizar o novo Estado, fazendo leis e regulamentando a administração por meio de uma Constituição. Para tanto, reuniu-se em maio de 1823, uma Assembléia Constituinte composta por 90 deputados pertencentes à aristocracia rural.(...) Na abertura dos trabalhos, o Imperador D. Pedro I revelou sua posição autoritária, comprometendo-se a defender a futura Constituição desde que ela fosse digna do Brasil e dele próprio.
VICENTINO, C; DORIGO, G. "História Geral do Brasil." São Paulo: Scipione, 2001.

A Independência política do Brasil, em 1822, foi cercada de divergências, entre elas, o desagrado do Imperador com a possibilidade, prevista no projeto constitucional, de o seu poder vir a ser limitado, o que resultou no fechamento da Constituinte em novembro de 1823. Uma comissão, então, foi nomeada por D. Pedro I para elaborar um novo projeto constitucional, outorgado por este imperador, em 25 de março de 1824. Em relação à Constituição Imperial, de 1824, é correto afirmar que nela
a) foi consagrada a extinção do tráfico de escravos, devido à pressão da sociedade liberal do Rio de Janeiro.
b) foi introduzido o sufrágio universal, somente para os homens maiores de 18 anos e alfabetizados, mantendo a exigência do voto secreto.
c) foi abolido o padroado, assegurando ampla liberdade religiosa a todos os brasileiros natos, limitando os cultos religiosos aos seus templos.
d) o poder moderador era atribuição exclusiva do Imperador, conferindo a ele, proeminência sobre os demais poderes.
e) o poder executivo seria exercido pelos ministros de Estado, tendo estes total controle sobre o poder moderador.


resposta:[D]

16. (Ufrrj) A citação a seguir destaca a chegada da corte portuguesa ao Rio de Janeiro, em 1808, como um início de uma fase de grandes mudanças para a cidade que perdia então a sua imagem colonial. 
Para o Rio de Janeiro, principalmente, era toda uma fase de sua história que agora terminava. Fase de grandes transformações realizadas sob o impacto das necessidades de toda ordem despertadas pela chegada e instalação da Corte portuguesa. Em pouco mais de uma década, a cidade passara por um processo de modernização material e atualização cultural, perdendo muito de sua aparência colonial para transformar-se numa metrópole.
FALCÓN, F. C.; MATTOS, I. R. de. "O Processo de Independência no Rio de Janeiro". In: MOTA, C. G. (org). 1822. Dimensões. São Paulo: Perspectiva, 1972.

Entre as medidas que favoreceram essas transformações podem ser assinaladas:
a) o início da construção do Paço Imperial, a sede do governo, a criação da Imprensa Régia e a instalação da iluminação a gás.
b) a construção da primeira estrada de ferro do Brasil, a criação do banco do Brasil e a fundação da Imperial Academia de Música.
c) o estabelecimento da Intendência Geral de Polícia, a fundação do Banco do Brasil e a criação da Imprensa Régia.
d) a criação da Imprensa Régia, a instalação da iluminação a gás e a construção da primeira estrada de ferro do Brasil.
e) a permissão de instalação de manufaturas no Brasil, o estabelecimento da Intendência geral de Polícia e a construção da primeira estrada de ferro do Brasil.


resposta:[C]

17. (UFSM) 

 
(TEIXEIRA, Francisco M. P. "Brasil História e Sociedade". São Paulo: Ática, 2000. p.162.)

O quadro Independência ou Morte, de Pedro Américo, concluído em 1888, é uma representação do 7 de setembro de 1822, quando o Brasil rompeu com Portugal. Essa representação enaltece o fato e enfatiza a bravura do herói D. Pedro, ocultando que
a) o fim do pacto colonial, decretado na Conjuração Baiana, conduziu à ruptura entre o Brasil e Portugal.
b) o processo de emancipação política iniciara com a instalação da Corte portuguesa no Brasil e que as medidas de D. João puseram fim ao monopólio metropolitano.
c) o Brasil continuara a ser uma extensão política e administrativa de Portugal, mesmo depois do 7 de setembro.
d) a Abertura dos Portos e a Revolução Pernambucana se constituíram nos únicos momentos decisivos da separação Brasil-Portugal.
e) a separação estava consumada, o processo estava completo, visto que havia, em todo o Brasil, uma forte adesão militar, popular e escravista à emancipação.

resposta:[B]

18. (UFMG) Analise estas duas representações do chamado Grito do Ipiranga, de 7 de setembro de 1822:


 
A partir da análise dessas duas representações e considerando-se outros conhecimentos sobre o assunto, é CORRETO afirmar que, em ambas,
a) a disposição dos atores - coletivos e individuais -, bem como dos aspectos que compõem o cenário, é diferenciada e expressa uma visão particular sobre D. Pedro - na primeira, como o protagonista central; na segunda, como líder de uma ação popular.
b) as mesmas concepções históricas e estéticas fundamentam e explicam a participação dos mesmos grupos sociais e personagens históricos - o príncipe, militares, mulheres, camponeses e crianças.
c) D. Pedro, embora seja o protagonista, se destaca de modo diferente - na primeira, ele recebe o apoio de diversos grupos sociais; na segunda, a participação das camadas populares é mais restrita.
d) os artistas conseguem causar um mesmo efeito - descrever a Indepêndencia do Brasil como um ato solene, grandioso, sem participação popular e protagonizado por D. Pedro.


resposta da questão 18:[A]
 

19. (PITÁGORAS) Analise o quadro de Cândido Portinari.

 

Indique o trecho condizente com o contexto expresso pela imagem.
a) “O momento expunha a complexa realidade do império luso-brasileiro. Em jogo estava a questão: quem conseguiria exercer a hegemonia política nesse vasto império? A burguesia portuguesa tentava assumir o controle do reino e do império lusitano.”
b) “Com a metrópole ocupada pelas tropas de Napoleão, tornou-se inevitável a abertura dos portos brasileiros a outras nações, ou seja, a livre entrada de produtos estrangeiros para a numerosa Corte portuguesa instalada na América.”
c) “As transformações ocorridas na França e na América do Norte na segunda metade do século XVIII também abalaram o poder português na América, onde o descontentamento dos colonos culminou na contestação do poder metropolitano.”
d) “Testemunhos de viajantes, rumores, notícias e livros eram agora pregadores dos princípios liberais, que os antigos poderosos não tardaram a nomear de diabólicos. As incendiárias ideias representavam o fim das tiranias cometidas em nome de Deus.”
e) “Aproveitando-se das tensões políticas, grupos dirigentes da Província Cisplatina proclamaram sua separação do império brasileiro e sua incorporação à República Argentina, provocando uma guerra na qual o mal-preparado Exército Brasileiro foi derrotado.”

resposta: [B]


20. (ENEM) Após a Independência, integramo-nos como exportadores de produtos primários à divisão internacional do trabalho, estruturada ao redor da Grã-Bretanha. O Brasil especializou-se na produção, com braço escravo importado da África, de plantas tropicais para a Europa e a América do Norte. Isso atrasou o desenvolvimento de nossa economia por pelo menos uns oitenta anos. Éramos um país essencialmente agrícola e tecnicamente atrasado por depender de produtores cativos. Não se poderia confiar a trabalhadores forçados outros instrumentos de produção que os mais toscos e baratos. O atraso econômico forçou o Brasil a se voltar para fora. Era do exterior que vinham os bens de consumo que fundamentavam um padrão de vida “civilizado”, marca que distinguia as classes cultas e “naturalmente” dominantes do povaréu primitivo e miserável. (…) E de fora vinham também os capitais que permitiam iniciar a construção de uma infra-estrutura de serviços urbanos, de energia, transportes e comunicações.
(Paul Singer. Evolução da economia e vinculação internacional. In: I. Sachs; J. Willheim; P. S. Pinheiro (Orgs.). Brasil: um século de transformações. São Paulo: Cia. das Letras, 2001, p. 80).

Levando-se em consideração as afirmações acima, relativas à estrutura econômica do Brasil por ocasião da independência política (1822), é correto afirmar que o país

a) se industrializou rapidamente devido ao desenvolvimento alcançado no período colonial.
b extinguiu a produção colonial baseada na escravidão e fundamentou a produção no trabalho livre.
c) se tornou dependente da economia européia por realizar tardiamente sua industrialização em relação a outros países.
d) se tornou dependente do capital estrangeiro, que foi introduzido no país sem trazer ganhos para a infra-estrutura de serviços urbanos.
e) teve sua industrialização estimulada pela Grã-Bretanha, que investiu capitais em vários setores produtivos.

Resposta: Letra C

Habilidade: Analisar diferentes processos de produção ou circulação de riquezas e suas implicações sócio-espaciais.

Comentários: A questão da dependência econômica do Brasil, em relação ao capital estrangeiro, é um dos pontos discutidos na escola, no contexto da independência política de Portugal. O Brasil manteve-se dependente, uma vez que ficou preso à economia agrária e escravista, com pouco ou nenhum estímulo à indústria.




Confira a correção comentada do vestibular Unicamp 2012 (2ª fase)

 




1. (Unicamp) Godrici de Finchale foi um mercador que viveu no século XI, na Baixa Idade Média, no leste da atual Inglaterra.
“Quando o rapaz, depois de ter passado os anos da infância sossegadamente em casa, chegou à idade varonil, principiou a aprender com cuidado e persistência o que ensina a experiência do mundo. Para isso decidiu não seguir a vida de lavrador, mas estudar, aprender e exercer os rudimentos de concepções mais sutis. Por esta razão, aspirando à profissão de mercador, começou a seguir o modo de vida do vendedor ambulante, aprendendo primeiro como ganhar em pequenos negócios e coisas de preço insignificante; e, então, sendo ainda um jovem, o seu espírito ousou pouco a pouco comprar, vender e ganhar com coisas de maior preço.”
(Adaptado de Reginald of Durnham, “Libellus de Vita et Miraculis S. Godrici”, em Fernando Espinosa, Antologia de textos históricos medievais. 3ª ed., Lisboa: Sá da Costa Editora, 1981, p. 198.)


a) Segundo o texto, o ofício de mercador exigia uma preparação diferente daquela do lavrador. Quais eram as diferenças entre esses dois ofícios?


b) Cite duas características do renascimento comercial e urbano ocorrido no final do período medieval.


Resolução
a) O lavrador seguia uma rotina imutável, sendo a utilização de seu tempo determinada pela Natureza; além disso, não se exigia dele nenhum esforço intelectual. Já o mercador seguia uma atividade determinada por sua própria iniciativa, na qual o tempo possuía um valor econômico próprio; além disso, era necessário que ele tivesse
um certo preparo intelectual, que lhe permitisse lucrar nos negócios e acumular riquezas.
b) Características econômicas:
– Crise do sistema feudal, assinalando o início da transição feudo-capitalista.
– Desenvolvimento das atividades mercantis, com o estabelecimento das rotas de comércio, a organi zação de feiras e a fundação de burgos.
– Expansão da circulação monetária e advento de atividades bancárias incipientes.
Características sociais:
– Desenvolvimento da vida urbana, com o crescimento das cidades já existentes e o surgimento de outras – muitas delas emancipadas da tutela feudal.
– Surgimento e ascensão econômica da burguesia.
– Expansão da atividade artesanal, com a organização das corporações de ofício.

2. (Unicamp) Durante a conquista espanhola no México, iniciada em 1519 por Cortés, a superioridade tecnológica dos europeus era amplamente compensada pela superioridade numérica dos indígenas e muitos truques foram inventados para atrapalhar o deslocamento dos cavalos: os indígenas acostumaram-se a cavar fossas profundas nas quais espetavam paus em que as montarias eram empaladas. Mais tarde, em 1521, canoas “encouraçadas” resistiriam às armas de fogo. A tática indígena evoluiu e adaptou-se às práticas do adversário: os mexicas, contraria mente ao costume, armaram ataques noturnos ou em terreno coberto. Por outro lado, se as epidemias de varíola já estavam dizimando as tropas de México-Tenochtitlan, também não poupavam os índios de Tlaxcala ou de Texcoco, que apoiavam os espanhóis.
(Adaptado de Carmen Bernand e Serge Gruzinski,  História do Novo Mundo. São Paulo: Edusp, 1997, p. 351.)


a) Identifique uma estratégia utilizada por espanhóis e outra pelos indígenas durante as disputas pelo domínio do México.
b) Explique por que houve acentuada queda demográfica entre as populações indígenas nas primeiras décadas após a conquista espanhola.


Resolução
a) Estratégias espanholas: alianças com povos inimigos dos astecas e abandono de roupas pertencentes a europeus mortos por moléstias infecto contagiosas, para que fossem utilizadas pelos indígenas, contaminando-os.
Estratégias indígenas: prática de combates noturnos e escavação de fossos para deter ataques de cavalaria.
b) Após a chegada dos espanhóis, as populações indígenas sofreram uma drástica redução demográfica, por força da mortandade provocada por diversos fatores: doenças trazidas pelos europeus, utilização de seu trabalho até a exaustão absoluta e fome resultante da destruição de seus meios de subsistência; deve-se ainda considerar o massacre sistemático dos nativos praticado pelos conquistadores.

3. (Unicamp) Durante o século XVIII, a capitania de São Paulo sofreu grandes transformações territoriais e administrativas. Em 1709, nasceu a capitania de São Paulo e das Minas do ouro, abrangendo imenso território correspondente à quase totalidade das atuais regiões Sul, Sudeste e CentroOeste, à exceção da então capitania do Rio de Janeiro e do Espírito Santo. Até 1748, sucessivos desmembramentos formaram as regiões de Minas, Santa Catarina, Rio Grande de São Pedro, Goiás e Mato Grosso. O novo
capitão-general, mais conhecido como Morgado de Mateus, foi diretamente instruído pelo futuro Marquês de Pombal a ocupar-se da fronteira oeste ameaçada pelos espanhóis e a fomentar a produção de gêneros de exportação.
(Adaptado de Ana Paula Medicci, "São Paulo nos projetos de império", em Wilma Peres Costa e Cecília Helena de Oliveira,  De um império a outro: formação do Brasil, séculos XVIII e XIX. São Paulo: Hucitec/Fapesp, 2007, p. 243.)


a) Cite duas atividades econômicas que sustentavam a capitania de São Paulo no século XVIII.


b) Considerando a política territorial na América Portuguesa nos séculos XVI e XVII, comente as mudanças significativas do século XVIII nesse aspecto.


Resolução
a) – Mineração de ouro, praticada por paulistas em Minas Gerais e, mais tarde, em Goiás e Mato Grosso.
– Relações comerciais com o Centro-Oeste, realizadas por meio das “monções”.
– Intermediação no comércio de gado muar e vacum entre o Sul e a região das Minas Gerais.
– No final do século XVIII, produção açucareira no contexto do Renascimento Agrícola
b) A expansão territorial luso-brasileira, realizada no século XVII por bandeirantes paulistas e missionários portugueses (estes últimos na Amazônia), foi consolidada no século XVIII.  Este processo foi implementado sob três aspectos: primeiramente, ocupação por meio de atividades econômicas específicas (pecuária no Sul, mineração no Centro-Oeste e “drogas do sertão” na Amazônia); em seguida, montagem de um aparelho administrativo que incluía a defesa militar; finalmente,
ratificação dessa situação por meio do Tratado de Madri (1750), que reconheceu a dominação portuguesa sobre uma vastíssima área a oeste do Meridiano de Tordesilhas, dando ao Brasil uma configuração muito próxima de suas fronteiras atuais.

4. (Unicamp)

Passar de Reino a Colônia
É desar [derrota]
É humilhação
que sofrer jamais podia
brasileiro de coração.


A quadrinha acima reflete o temor vivido no Brasil depois do retorno de D. João VI a Portugal em 1821. Apesar de seu filho Pedro ter ficado como regente, acirrou-se o antagonismo entre “brasileiros” e “portugueses” até que, em dezembro de 1821, as Cortes de Portugal determinaram o retorno do príncipe. Se ele acatasse, tudo poderia acontecer. Inclusive, dizia d. Leopoldina, “uma Confederação de Povos no sistema democrático como nos
Estados Livres da América do Norte”.
(Adaptado de Eduardo Schnoor, “Senhores do Brasil”, Revista de História da Biblioteca Nacional, nº 48. Rio de Janeiro, set. 2009, p. 36.)


a) Identifique os riscos temidos pelas elites do centro-sul do Brasil com o retorno de D. João VI a Lisboa e a pressão das Cortes para que D. Pedro I retornasse a Portugal.


b) Explique o que foi a Confederação do Equador.


Resolução
a) As elites brasileiras temiam que o Brasil fosse reduzido à condição de colônia, visto que, com o retorno de D. João VI a Portugal, deixara de ser a sede do Reino Unido. Quanto às Cortes de Lisboa, seu projeto recolonizador passava necessariamente pela volta de D. Pedro (que ainda não se tornara o imperador D. Pedro I) para Portugal. Com efeito, a condição do príncipe como regente do Brasil fazia deste último parte integrante do Reino Unido, inviabilizando sua possível volta ao status de mera colônia.
b) Revolução irrompida em Pernambuco em 1824, como reação ao autoritarismo de D. Pedro I, manifestado nos episódios da dissolução da Constituinte e da outorga da Constituição do Império. Foi um movimento de cunho liberal, separatista, republicano, federalista e lusófobo, tendo Frei Caneca como líder mais destacado. Estendeu-se àsprovíncias vizinhas de Pernambuco, mas foi duramente reprimido pelo governo imperial.




5. (Unicamp) A aventura à Amazônia liderada pelo naturalista Louis Agassiz estendeu-se de 1865 a 1866 e passou por várias regiões do Brasil: de Minas Gerais ao Nordeste e à Amazônia. Foi orientada pela teoria criacionista, que se opunha à teoria de Charles Darwin. Apesar de participar da expedição, o filósofo norte-americano Willian James questionou alguns estereótipos sobre os trópicos.
(Adaptado de Maria Helena P. T. Machado, “Algo mais que o paraíso”, Revista de História da Biblioteca Nacional, nº 52. Rio de Janeiro, jan. 2010, p.70.)


a) Qual a importância da teoria de Charles Darwin para o debate científico do século XIX.
b) Identifique dois estereótipos relativos às terras e às gentes do Brasil no século XIX.


Resolução
a) A teoria de Darwin, segundo a qual as espécies vegetais e animais – incluindo o próprio homem  – resultaram de uma longa evolução, veio contrapor-se à tradicional concepção judaico-cristã
do criacionismo, defensora da ideia de que todos os seres vivos foram criados diretamente por Deus. Nesse contexto, as ideias de Darwin aguçaram a polêmica entre ciência e religião – iniciada no século XVIII e que ainda é alimentada por alguns setores neste início de século XXI.
b) Estereótipos relativos às terras do Brasil: exuberância, grandiosidade e beleza da natureza e das paisagens. Estereótipos relativos às gentes do Brasil: preguiça natural da população, atribuída à influência do clima tropical, e miscigenação com raças consideradas inferiores.

6. (Unicamp) A Primeira Guerra Mundial abalou profundamente todos os povos envolvidos, e as revoluções de 1917-1918 foram, acima de tudo, revoltas contra aquele holocausto sem precedentes, principalmente nos países do lado que estava perdendo. Mas em certas áreas da Europa, e em nenhuma outra mais que na Rússia, foram mais que isso: foram revoluções sociais, rejeições populares do Estado, das classes dominantes e do status quo.
(Adaptado de Eric Hobsbawm, Sobre História. São Paulo: Companhia das Letras, 1998, p. 262-263.)


a) Relacione a Primeira Guerra Mundial e a situação da Rússia na época.
b) Cite e explique um princípio da Revolução Russa de 1917.


Resolução
a) Em 1914, a Rússia – embora potência europeia – era extremamente atrasada, fosse no plano econômico (predomínio da agricultura, praticada de forma arcaica), fosse no social (existência de uma massa de camponeses e operários miseráveis e forte influência da aristocracia fundiária e da Igreja Ortodoxa) ou no político (existência de uma monarquia autocrática). As derrotas sofridas pelo Império Russo no decorrer da guerra agravaram as contradições do regime czarista, abrindo caminho para a Revolução de 1917.
b) Em sua segunda fase (ascensão dos bolcheviques ao poder), a Revolução Russa propunha que o país saísse da guerra, para que nele fosse implantada a socialização de todos os meios de produção, suprimindo-se a propriedade privada e o sistema capitalista. Tais princípios estavam sintetizados no lema “Paz, Pão e Terra”.

7. (Unicamp) A população brasileira, segundo o censo de 1920, era de 30.365.605 habitantes. O número de votantes, entretanto, era restrito, conforme a tabela abaixo:
 
                                                  População apta a votar, 1920
População
Número
Total
30.635.605
Menos analfabetos, sobram
7.493.357
Menos as mulheres, sobram
4.470.068
Menos os estrangeiros, sobram
3.891.640
Menos os menores de 21 anos, sobram
3.218.243

(Adaptado de http://www.usp.br/revistausp/59/09-josemurilo.pdf. Acesso em 18/10/2011.) 

a) Indique duas práticas políticas existentes durante a Primeira República (1889-1930). 
b) Cite duas mudanças que ampliaram o eleitorado brasileiro após a Primeira República. 

Resolução 
a) Fraude eleitoral (as apurações eram realizadas pelo grupo político dominante) e “voto de cabresto” (controle dos eleitores por meio de relações clientelistas ou coercitivas, decorrentes da existência do coronelismo). 
b) Instituição do voto feminino e redução da idade eleitoral mínima para 18 anos, pela Constituição de 1934; concessão do direito de voto aos analfabetos e redução da idade eleitoral mínima para 16 anos, pela Constituição de 1988. 

8. (Unicamp) No dia 14 de dezembro de 1968, os leitores mais atentos do Jornal do Brasil puderam perceber que o jornal apresentava mudanças. Apesar do sol de dezembro, por exemplo, a previsão meteorológica anunciava no alto da primeira página, à esquerda: “Tempo negro. Temperatura sufocante. O ar está irrespirável. O país está sendo varrido por fortes ventos”. Pela primeira vez, no lugar dos editoriais, eram publicadas fotos: na maior, um lutador de judô, gigante, dominando um garoto. O título da foto: “Força hercúlea”. 
(Adaptado de Zuenir Ventura,1968: o ano que não terminou. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1988, p. 288-289.) 
 
a) Por que o Jornal do Brasil apresentava alterações no dia seguinte à edição do Ato Institucional 5 (AI-5), de 13/12/1968?
b) Que relação o jornal quis estabelecer entre o contexto político e a foto do lutador e o garoto?


Resolução
a) Porque o AI-5 significou um endurecimento do regime militar brasileiro, aumentando o poder repressivo do governo e cerceando drasticamente as liberdades políticas e civis.
b) O lutador simboliza a ditadura militar, enquanto o garoto representa a sociedade civil, impotente diante do poder discricionário imposto pelo AI-5.

9. (Unicamp) Faz cerca de vinte anos que “globalização” se tornou uma palavra-chave para a organização de nossos pensamentos no que respeita ao funcionamento do mundo. A palavra “globalização” entrou recentemente em nossos discursos e, mesmo entre muitos “progressistas” e “esquerdistas” do mundo capitalista avançado, palavras mais carregadas politicamente passaram a ter um papel secundário diante de “globalização”. A globalização pode ser vista como um processo, uma condição ou um tipo específico de projeto político.
(Adaptado de David Harvey, Espaços de Esperança. São Paulo: Edições Loyola, 2006, p. 79.)


a) Identifique uma característica política e uma cultural do processo de globalização.
b) Quais as principais críticas econômicas dos movimentos antiglobalização?


Resolução
a) Entre as características políticas da globalização está o fato de que os países passaram, quase todos, a compartilhar o sistema econômico capitalista, pois a globalização coincidiu com o quase fim do sistema socialista, a partir de fins da década de 1980, o que permitiu a livre circulação do capital por países que antes apenas utilizavam o sistema socialista de produção. Entre as características culturais, observam-se situações contraditórias, pois, ao mesmo tempo em que a globalização propõe a dominância de conjuntos culturais hegemônicos (como a popularização de comportamentos ocidentais), por outro lado, permite a difusão de culturas locais que procuram se afirmar frente à imposição dos sistemas culturais hegemônicos (como é o caso da divulgação da cultura de povos minoritários), bem como as disputas entre diferentes comportamentos religiosos.
b) Entre as diversas críticas propostas pelos movimentos antiglobalização, está aquela feita à predominância do sistema capitalista monopolista e financeiro, cuja tendência especulativa leva a uma enorme concentração de rendas. Essa concentração de rendas exacerba os núcleos de pobreza que se espalham pelo mundo e adquirem as mais diversas formas como, por exemplo, a atuação do grande capital na concentração de terras em áreas subdesenvolvidas, eliminando as áreas das culturas de subsistência, ou, a atuação de poucas empresas que controlam setores estratégicos, como a indústria farmacêutica, ou automobilística. Outra crítica recai sobre o processo de desregulamentação que permitiu o livre trânsito do capital e a especulação financeira capaz de impor sua forma de funcionamento aos enfraquecidos corpos estatais.

10. (Unicamp) A noção de cidadania gerada pela visão liberal a partir do século XVIII foi uma resposta do Estado às reivindicações da sociedade, e levou à institucionalização dos direitos civis, direitos políticos e direitos sociais. Mais contemporaneamente, a noção de cidadania redefine a ideia de direitos. O ponto de partida é a concepção de um direito a ter direitos e inclui a criação de novos direitos que emergem de lutas específicas.
a) O que são direitos civis e direitos sociais?
b) Dentre as “novas” gerações de direitos no contexto da cidadania, pode-se falar nos direitos difusos e coletivos e até em direitos bioéticos. Dê dois exemplos desses direitos da nova geração.


Resolução
a) Diferem conceitualmente os direitos civis dos direitos sociais. Os direitos civis se constituem garantias de cunho pessoal extensivas, por lei, a todos os cidadãos, enquanto que os direitos sociais têm por objetivo as garantias materiais essenciais ao pleno exercício de seus direitos civis. São eles: o direito à vida, direito a igualdades de gêneros etc.
No caso brasileiro, os direitos sociais – a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados – são garantidos pela Constituição Federal de 1988 – a Constituição Cidadã.
b) Os direitos difusos resultam de conquistas sociais e permitem de forma mais eficiente a solução de conflitos coletivos de ordem socioeconômica. Ultrapassam a esfera individual, pois são indivisíveis e podem ser reclamados pela coletividade. São exemplos: o Direito Ambiental e o  Direito do Consumidor.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Video-aula sobre Sociedade, cultura e cotidiano no Brasil imperial

 Videoaula: Sociedade, cultura e cotidiano no Brasil Imperial



Confira um resumo do capítulo sobre as principais características da sociedade, cultura e vida cotidiana ao longo do século XIX no Brasil.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Confira a avaliação de História (segunda chamada do segundo bimestre)


AVALIAÇÃO DE HISTÓRIA GERAL
SEGUNDA CHAMADA DO 2º BIMESTRE
 PRIMEIRA SÉRIE

 

1. (UFRN) Na Grécia Antiga, às vésperas da guerra entre Atenas e Esparta, dois personagens políticos rivais, um espartano e outro ateniense, referindo-se às motivações e intenções de suas respectivas cidades, assim se expressaram: Outros, com efeito, podem ter dinheiro em abundância e naus e cavalos, mas temos aliados valentes, que não devem ser entregues aos atenienses; votai, portanto, pela guerra, lacedemônios, como convém à dignidade de Esparta, e não permitais que Atenas se torne maior.
Discurso de Stenelaídas - éforo espartano. Apud TUCÍDIDES. "A Guerra do Peloponeso". 3. ed. Brasília: Editora UnB, 1999. p. 54-55.

Agora estes homens recém-chegados proclamam que devemos dar independência a todos os helenos. Nenhum de vós, porém, deve pensar que iremos entrar em guerra por motivos banais se nos recusarmos a revogar o decreto da cidade de Mégara [...]. Ide com a determinação de não ceder sob pretexto algum, grande ou pequeno e de não vivermos amedrontados por causa dos bens que possuímos.
Discurso de Péricles - líder ateniense. Apud TUCÍDIDES. "A Guerra do Peloponeso". 3. ed. Brasília: Editora UnB, 1999. p. 78.

Tomando como ponto de partida esses dois fragmentos de discursos proferidos no final do século V a. C., explique como Atenas chegou à situação de domínio quase total da comunidade helênica e estabeleça a relação existente entre democracia e imperialismo no mundo grego nesse período.


resposta:

A situação de domínio de Atenas:
a) Sistema de colonização grega - A partir do conflito entre a colonização grega e a colonização persa, dando origem às guerras médicas; Atenas conquistou a liderança do mundo  grego.
b) Criação da Confederação de Delos - Sob a liderança de Atenas, da qual participavam inúmeras cidades gregas que estabeleciam entre si relações comerciais e militares.

Relações entre Democracia e Imperialismo:
a) Atenas, como cidade preponderante na Liga de Delos, se beneficiava dos recursos da Liga para reformas urbanas e  políticas, fortalecendo sua democracia interna.
b) Péricles, no seu governo, ampliou a participação popular nos tribunais e nas magistraturas, fortalecendo a democracia  fundada por Clístenes.

2. (Ufv) A Grécia Antiga, no século V a.C., foi marcada por grandes disputas entre dois blocos rivais de cidades-Estado: a Liga de Delos, liderada por Atenas (a pólis democrática) e a Liga do Peloponeso, liderada por Esparta (a pólis oligárquica e militarizada). Os confrontos entre essas ligas resultaram na Guerra do Peloponeso. Por que se pode dizer que a Guerra do Peloponeso levou ao esgotamento das cidades-Estado?



resposta: Porque enfraquecido pelo desgaste das guerras, o mundo grego foi conquistado pelos macedônios que  vinham de um processo de expansionismo territorial no  contexto das guerras gregas.


3. (FGV 2006) :"Ninguém cuidava de atingir um objetivo honesto, pois não se sabia se se ia viver o suficiente para realizá-lo. Ninguém era retido nem pelo temor dos deuses nem pelas leis humanas; não se cuidava mais da piedade do que da impiedade desde que se via todos morrerem indistintamente."
Tucídides. In WOLFF, Francis. "Sócrates". São Paulo: Brasiliense, 1987, p. 31.

Sobre a crise provocada pela Guerra do Peloponeso é correto afirmar:
a) O final da guerra resultou em um período de florescimento cultural e político, denominado "Século de Péricles".
b) Após o tratado de paz assinado por atenienses e espartanos em 421 a.C., a guerra recomeçou com a traição de Péricles.
c) A primeira potência hegemônica da guerra foi Esparta, sucedeu-lhe Tebas e, por fim, Atenas.
d) A guerra que durou quase trinta anos e provocou uma terrível peste em Atenas, da qual foi vítima o próprio Péricles, criou as condições para a intervenção de Filipe da Macedônia.
e) A guerra foi um conflito entre os persas e os gregos e teve início com a invasão persa da cidade grega de Mileto em 430 a.C.


resposta:[D]

4. (Pucpr 2005) A Grécia formou brilhante civilização, apresentando, contudo, desunião política, com suas numerosas "polis" ou cidades-estados. Assim, analise as afirmações que se seguem:
I. Esparta, militarista, passou a ser uma democracia nos séculos V e IV a.C.
II. Atenas alcançou seu maior brilho após a Segunda Guerra Médica, na qual foi decisiva para a derrota dos persas.
III. Atenas chefiou a Liga do Peloponeso, enquanto Esparta organizou a Liga de Delos. IV. Subornadas pelo ouro e prata de Felipe da Macedônia, as cidades gregas aceitaram sua liderança sem nenhuma resistência.

São afirmações corretas:
a) I e II.
b) II, III e IV.
c) I, III e IV.
d) apenas III.
e) apenas I.


resposta:[E]

5. (Uel) Sobre o lugar social da mulher no contexto do pensamento dos filósofos gregos clássicos, é correto afirmar:
a) Na "Polis grega", as mulheres deveriam restringir-se à execução das tarefas domésticas, cabendo aos cidadãos a atuação na vida política, jurídica e administrativa.
b) Pelo fato de as mulheres possuírem habilidades diferentes em relação aos homens, Platão lhes concede tarefas menos exigentes, tais como o cuidado do lar e o exercício da filosofia.
c) Para Aristóteles, a justiça como eqüidade, se aplica também à esfera doméstica, devendo as mulheres receber tratamento baseado nos mesmos princípios válidos para os cidadãos.
d) Era consenso que a mulher deveria atuar, além da esfera privada, também na esfera pública, tendo o direito de influenciar nas decisões políticas.
e) Entendia-se que a tarefa das mulheres, que assumiam postos de liderança na Polis, era a de gerar filhos saudáveis para o Estado.


resposta:[A]

Questão extra
INSTRUÇÃO: Para responder à questão 1, relacione os períodos históricos da civilização grega (coluna A) a suas respectivas características essenciais (coluna B).


Coluna A

1. Período Homérico
2. Período Arcaico
3. Período Clássico
4. Período Helenístico

Coluna B

( ) Consolidação das estruturas fundamentais da polis, a mais célebre das instituições gregas. O período é marcado pela expansão territorial e pela intensificação do comércio entre as cidades.

( ) Dissolução da comunidade gentilícia conhecida como génos, com a formação das cidades-estado. Grande parte do conhecimento sobre o período deve-se às informações fornecidas pelos poemas Ilíada e Odisséia.

( ) Difusão da cultura grega no Oriente, a partir das campanhas militares de Alexandre Magno, levando à fusão do racionalismo grego com o misticismo oriental. Ocorreu, no período, a progressiva ruptura na identificação do cidadão com sua polis de origem.

( ) Formação da Confederação de Delos, que consolidava a hegemonia comercial e política de Atenas. Verificou-se, neste período, o máximo desenvolvimento da filosofia, da poesia, das ciências e das artes.

A numeração correta na coluna B, de cima para baixo, é
            a)        2 – 1 – 4 – 3
            b)        1 – 2 – 3 – 4
            c)        3 – 2 – 4 – 1
            d)        4 – 3 – 1 – 2
            e)        3 – 4 – 2 – 1

resposta:[A]



TERCEIRA SÉRIE

 

1. (UFRJ-2000) “Grande e bom amigo:
 Depois de quinze anos de sacrifícios consagrados à liberdade da América para obter um sistema de garantias que, tanto na paz como na guerra, seja o escudo de nosso novo destino, já é tempo de que os interesses e as relações que unem entre si as repúblicas americanas, antes colônias espanholas, tenham uma  base fundamental que eternize, se for possível, a duração destes governos.
 Organizar aquele sistema e consolidar o poder deste grande corpo político cabe ao exercício de uma autoridade sublime, que dirija a política de nossos governos, cuja ação mantenha a uniformidade de seus princípios e cuja simples evocação acalme nossas tempestades. Tão respeitável autoridade não pode existir a não ser numa assembléia de representantes nomeados por cada uma de nossas repúblicas e reunidos sob os auspícios da vitória obtida por nossas armas contra o poder espanhol”.
 (CARTA DE SIMON BOLÍVAR AOS GOVERNOS DAS REPÚBLICAS DA COLÔMBIA, MÉXICO, RIO DA PRATA, CHILE E GUATEMALA. Lima, 7/12/1824. IN:”BOLÍVAR”. Org.: M. L. Bellotto e A. M. M. Corrêa. Ed. Ática.)
 
 Entre o final do século XVIII e as primeiras décadas do século XIX ocorreram em várias partes da América colonial processos de independência. Contextos históricos diversos, assim como personagens e agentes diferentes. Cenários com realidades econômicas variadas. Estavam em jogo políticas coloniais diferenciadas de franceses, ingleses, espanhóis e portugueses.
 No seu conjunto - guardando as especificidades - o processo de independência nas Américas ocorreu com lutas e muitos conflitos. Contudo, os desdobramentos dos vários processos de independência não seriam iguais. Estruturas de governo, organização política e divisões territoriais marcariam estas diferenças.
a) Caracterize o processo de independência do Haiti.
b) Apresente duas características dos processos de independência na América Espanhola e duas características deste processo na América Portuguesa.

 resposta:
a) O processo haitiano de independência caracterizou-se pelo estabelecimento de lutas anti-coloniais marcadas por um caráter racial (negros e mulatos contra brancos e escravos contra senhores). O movimento possui ligação com os ideais e desdobramentos da Revolução Francesa que estimularam os intuitos separatistas. A participação e liderança dos negros, deu ao movimento do Haiti uma expressividade de ruptura radical traçando objetivos de bases mais populares: fim do domínio   da   Metrópole, da escravidão e a busca   pela   posse   de   propriedades dos manifestantes .
b) Na América Espanhola instituiu-se o republicanismo; manteve-se a tradicional fragmentação territorial, o processo foi conduzido pelos  interesses das elites locais que mantiveram a estrutura econômica vigente até então. Diferentemente da América Portuguesa, os processos nas áreas hispânicas foram marcados por guerras de independência lideradas pela elite criolla com relativa participação das camadas populares.
 Na América Portuguesa estabeleceu-se o regime monárquico que  manteve  a unidade territorial e a estrutura econômica baseada no latifúndio monocultor-exportador de bases sociais escravistas. O processo de Independência do Brasil foi marcado pela confluência de interesses políticos e econômicos de setores portugueses e brasileiros desenrolando-se de forma pacífica. As massas nesse processo mantiveram-se alheias.


2. (Unesp) Além disso, brotavam na América os interesses regionais privilegiados das classes criollas, exportadoras e latifundiárias que geralmente, em relação ao Império Britânico, só pensavam em romper com a Espanha para poderem enriquecer à vontade."
(Jorge Abelardo Ramos. HISTÓRIA DA NAÇÃO LATINO-AMERICANA.)

Baseando-se na análise do autor, responda.
a) Por que se estabelece relação entre as classes criollas da América e o Império Britânico?
b) Aponte uma diferença entre os processos de independência da América espanhola e do Brasil.



 
resposta:

a) Para as elites criollas e para o Império Britânico a independência da América espanhola representava o fim do Pacto Colonial, dando aos primeiros a liberdade de ampliação dos lucros, controlando as atividades econômicas e para os ingleses o livre acesso ao comércio de produtos industrializados e à obtenção de matérias-primas.

b) Na América espanhola ocorreram lutas de independência com relativa participação popular. Já no Brasil a independência ocorreu de forma pacífica orientada de acordo com os interesses da elite agrária.


3. (Pucmg) Os anos iniciais do século XIX marcaram uma conjuntura na qual foram efetivados os processos de independência política e a formação dos Estados Nacionais dos países latino-americanos. Sobre esses processos, é correto afirmar que, EXCETO:
a) o ideário burguês liberal legitimou o discurso das lideranças emancipacionistas.
b) a abolição da escravidão e do tributo indígena ampliou a participação efetiva dos trabalhadores.
c) a liberdade foi a palavra de ordem, entendida de formas variadas pelos agentes sociais.
d) a pressão do imperialismo inglês forçou a derrubada de privilégios e restrições ao comércio.
e) os setores crioulos assumiram a direção política e acabaram com os monopólios régios.


resposta:[B]

4. (Uff) Ao final das guerras de independência na América Espanhola, o clima de instabilidade política alastrou-se por toda parte multiplicando-se as lutas de facções e a sucessão de governos frágeis em quase todos os territórios hispano-americanos. Assinale a opção que explica melhor a instabilidade política vigente na América Espanhola na primeira metade do século XIX.
a) Nesse período não foi possível a formação de blocos de poder hegemônicos que viabilizassem estruturas estatais sólidas nos países resultantes do esfacelamento do império hispano-americano. Isto favoreceu o poder pulverizado e efêmero de vários caudilhos.
b) As economias hispano-americanas estavam totalmente destruídas, rompendo-se por conseguinte, o comércio com a Europa, outrora vigoroso, e a possibilidade de alianças políticas no interior das classes dominantes.
c) A manutenção das heranças políticas coloniais, sobretudo a estrutura dos Vice-Reinados, favoreceu o caudilhismo e retardou a formação dos Estados Nacionais.
d) A opção pelo regime republicano, ao invés do monárquico, é a chave para se compreender não só a instabilidade política das jovens nações hispano-americanas, mas também a fragmentação territorial e a descentralização dos regimes nelas instauradas.
e) A instabilidade política hispano-americana deveu-se, basicamente, à multiplicação de regimes militares, a exemplo do pan-americanismo bolivariano, herança do pós-independência que marcaria a tradição política do continente.


resposta:[A]

(Ufu) Assinale a alternativa que contempla as características da maioria dos países da América Latina, durante a primeira metade do século XIX.
a) Houve decadência do poder político do caudilhismo, em decorrência da democratização da sociedade.
b) A formação de um pacto político entre federalistas e centralistas garantiu a implantação da república e a estabilidade política logo após a independência.
c) A adoção do direito de voto pata todo habitante maior de 21 anos, permitiu a ampliação da representatividade popular nos Congressos nacionais.
d) Foram implantadas repúblicas conservadoras e autoritárias, onde a instabilidade política e a marginalização social das camadas populares eram predominantes.
e) O modelo econômico foi reorganizado, direcionando a produção para o mercado interno de cada país, o que provocou a ampliação da renda média dos trabalhadores.


resposta:[D]

Questão extra
(Unesp) " Se a economia do mundo do século XIX foi formada principalmente sob influência da revolução industrial britânica, sua política e ideologia foram formadas fundamentalmente pela Revolução Francesa."
(Hobsbawm, E. J., "A Era das Revoluções", 1789-1848.)

Após a leitura do texto, responda.
a) Por que o autor denomina o período de 1789 a 1848 de "Era das revoluções"?
b) Em relação à América Latina, como se manifestou a dupla revolução apontada pelo autor?


resposta:
a) Esse período, compreendido entre o início da Revolução Francesa e a "Primavera dos Povos", corresponde à fase das Revoluções Burguesas que se opuseram ao Antigo Regime, no quadro da consolidação do sistema capitalista.
b) No plano econômico, pela eliminação do Pacto Colonial e pela passagem para a órbita do capitalismo inglês. No plano político-ideológíco, pela constituição de Estados Nacionais dotados de um discurso liberal, mas adequado aos interesses das classes dominantes.

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O programa, da disciplina Conteúdos e Didática da História do Curso de Pedagogia Unesp/Univesp, discute de que maneira os africanos são retratados pela História da civilização. Concomitantemente, "A história, o africano e o afro-brasileiro" mostra como a lei 10.639, que torna obrigatório o ensino de História e Cultura Afro-Brasileira em todas as escolas brasileiras, tem contribuído para o deslocamento da perspectiva histórica africana, tradicionalmente centrada na Europa.

 

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Uma análise do trabalho de Sérgio Buarque de Holanda sobre a atenção que ele deu para a história social, política, econômica e cultural da capitania de Minas Gerais. A florescência artística e literária em Minas Gerais durante o ciclo da mineração e o caráter ilusório da atividade mineradora.
 

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Palestra de Maria Odila Dias, professora de História da PUC de São Paulo, no seminário "Atualidade de Sérgio Buarque de Holanda" realizado pelo Instituto de Estudos Brasileiros, IEB/USP, entre 13 e 16 de setembro de 2011.

Como Sérgio Buarque de Holanda descreve o Império no Brasil e o processo político no livro Capítulos de História do Império, organizado por Fernando Novais. Os costumes da sociedade colonial que não mudaram com a Independência, o liberalismo de fachada e o excesso de poder do Imperador Dom Pedro II.