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domingo, 11 de novembro de 2012

Confira a correção do vestibular da Unicamp 2013



Confira a correção do vestibular da Unicamp 2013
 
Questão 1



A sabedoria de Sócrates, filósofo ateniense que viveu no século V a.C., encontra o seu ponto de partida na afirmação “sei que nada sei”, registrada na obra  Apologia de Sócrates. A frase foi uma  resposta aos que afirmavam que ele era o mais sábio dos homens. Após interrogar artesãos, políticos  e poetas, Sócrates chegou à conclusão de que ele se diferenciava dos demais por reconhecer a sua própria ignorância.
O “sei que nada sei” é um ponto de partida para a Filosofia, pois
a) aquele que se reconhece como ignorante torna-se mais sábio por querer adquirir conhecimentos.
b) é um exercício de humildade diante da cultura dos sábios do passado, uma vez que a função da Filosofia era reproduzir os ensinamentos dos filósofos gregos.
c) a dúvida é uma condição para o aprendizado e a Filosofia é o saber que estabelece verdades dogmáticas a partir de métodos rigorosos.
d) é uma forma de declarar ignorância e permanecer distante dos problemas concretos, preocupandose apenas com causas abstratas.
 


resposta:[A]

A questão pode assustar no primeiro contato ao questionar o aluno a respeito da tradição filosófica socrática, porém uma leitura cuidadosa das alternativas disponíveis não deixa dúvida que a única
alternativa correta é aquela que faz menção ao papel da Filosofia como a área do conhecimento que exige um constante aprendizado, a partir do reconhecimento da dúvida como ponto de partida para a aquisição do conhecimento.


Questão 2


Alexandre von Humboldt (1769-1859) foi um cientista que analisou o processo das descobertas marítimas do século XVI, classificando-o como um avanço científico ímpar. A descoberta do Novo Mundo foi marcante porque os trabalhos realizados para conhecer sua geografia tiveram incontestável influência no aperfeiçoamento dos mapas e nos métodos astronômicos para determinar a posição dos lugares. Humboldt constatou a importância das viagens imputando-lhes valor científico e histórico.
(Adaptado de H. B. Domingues, “Viagens científicas: descobrimento e colonização no Brasil no século XIX”, em Alda Heizer e
Antonio A. Passos Videira, Ciência, Civilização e Império nos trópicos. Rio de Janeiro: Acess Editora, 2001, p. 59.)
Assinale a alternativa correta.
a) O tema dos descobrimentos relaciona-se ao estudo da inferioridade da natureza americana, que justificava a exploração colonial e o trabalho compulsório.
b) Humboldt retoma o marco histórico dos descobrimentos e das viagens marítimas e reconhece suas contribuições para a expansão do conhecimento científico.
c) Os conhecimentos anteriores às proposições de Galileu foram preservados nos mapas, métodos astronômicos e conhecimentos geográficos do mundo resultantes dos descobrimentos.
d) Os descobrimentos tiveram grande repercussão no mundo contemporâneo por estabelecer os parâmetros religiosos e sociais com os quais se explica o processo da independência nas Américas.

resposta:[B]

Ao analisar o papel exercido pelo  processo de Expansão Marítima, Humboldt destaca a inegável contribuição deste evento histórico no aprimoramento da cartografia e dos métodos astronômicos, deste modo reconhecendo-o como de grande importância cientifica e histórica. Na alternativa "c" a UNICAMP tentou levar o aluno a se confundir ao afirmar que os conhecimentos cartográficos foram preservados, incorrendo em erro.


Questão 3
“Quando os portugueses começaram a povoar a terra havia muitos destes índios pela costa junto das Capitanias. Porque os índios se levantaram contra os portugueses, os governadores e capitães os destruíram pouco a pouco, e mataram muitos deles. Outros fugiram para o sertão, e assim ficou a costa despovoada de gentio ao longo das Capitanias. Junto delas ficaram alguns índios em aldeias que são de paz e amigos dos portugueses.”
(Pero de Magalhães Gandavo, Tratado da Terra do Brasil, em http://www.cce.ufsc.br/~nupill/literatura/ganda1.html. Acessado em 20/08/2012.)

Conforme o relato de Pero de Gandavo, escrito por volta de 1570, naquela época,
a) as aldeias de paz eram aquelas em que a catequese jesuítica permitia o sincretismo religioso como
forma de solucionar os conflitos entre indígenas e portugueses.
b) a violência contra os indígenas foi exercida com o intuito de desocupar o litoral e facilitar a circulação do ouro entre as minas e os portos.
c) a fuga dos indígenas para o interior era uma reação às perseguições feitas pelos portugueses e ocasionou o esvaziamento da costa.
d) houve resistência dos indígenas à presença portuguesa de forma semelhante às descritas por Pero Vaz de Caminha, em 1500.



resposta:[C]
De acordo com o documento do cronista Pero de Gandavo, os indígenas fugiam para o interior (sertão) como forma de resistência à presença portuguesa. Desde o início do período colonial, vários grupos se opuseram aos lusos, ocasionando diversos conflitos entre nativos e europeus. Fugir e se “interiorizar” dificultava a ação dos portugueses, na medida em que as matas eram locais desconhecidos e temidos, com caminhos fechados, animais ferozes e de difícil sobrevivência, seja pelo calor ou pela dificuldade de se encontrar alimentação. Interessante que o texto citado também mostra que, em muitos casos,  algumas sociedades indígenas também estabeleciam sistemas de alianças com os portugueses.






Questão 4

“Uma pobre mulher, enforcada em 1739 por ter roubado carvão, acreditava que não houvesse pecado nos pobres roubarem os ricos e que, de qualquer forma,Cristo havia morrido para obter o perdão para tais pecadores.”
(Christopher Hill, A Bíblia Inglesa e as revoluções do século XVII. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003, p. 608.)

Considerando o trecho acima, podemos afirmar, quanto à sociedade inglesa dos séculos XVII e XVIII, que:

a) A religião fornecia argumentos para diversos grupos sociais agirem de acordo com seus interesses e necessidades.
b) Ainda dominava na sociedade inglesa a ideia da necessidade da confissão intermediada pela Igreja para perdão dos pecados.
c) A reforma anglicana, ao atacar a propriedade privada, distanciou-se das elites inglesas e tornou-se a religião dos pobres.
d) As revoluções Puritana e Gloriosa foram um obstáculo ao desenvolvimento burguês da Inglaterra e contrapunham-se à relação entre religião e política.



resposta:[A]

A questão explora as consequências da Reforma na Inglaterra, passados mais de 200 anos após o Ato de Supremacia de Henrique VIII, de 1534, que fundou a Igreja Anglicana. No caso, demonstra-se a interpretação de uma “uma pobre mulher” em relação ao que seria o pecado, recorrendo à tradição reformista de livre interpretação da bíblia. Por este motivo, a alternativa “A” está correta, pois cada grupo utilizava os argumentos religiosos para justificar seus interesses na sociedade inglesa.
A alternativa “B” poderia confundir o candidato, mas está incorreta devido à afirmação de que ainda era dominante na sociedade inglesa do século XVIII a ideia de confissão intermediada pela igreja oficial. Além da ideia da livre interpretação da bíblia, central na doutrina protestante, diversos grupos ingleses se opunham a supremacia da Igreja Anglicana, não sendo esta, com isso, predominante na sociedade.



Questão 5

As exposições universais do século XIX, sobretudo as de Londres e Paris, se  caracterizavam
a) pelo louvor à superioridade europeia e pela apresentação otimista da técnica e da ciência.
b) pela crítica à expansão sobre a África, movimento considerado um freio ao progresso europeu.
c) pela crítica marxista aos princípios burgueses dominantes nos centros urbanos europeus.
d) pelo elogio das  sociedades burguesas associadas às vanguardas da época, como oCubismo, o Dadaísmo e o Surrealismo.



resposta:[A]

A questão aborda as transformações culturais em voga na Europa do século XIX, momento em que a  "superioridade" europeia e a "infalibilidade" da ciência eram celebradas como bases do modelo  civilizatório imposto sobre a  África e a  Ásia. Desta forma, as exposições atraiam milhares de  visitantes,  ávidos por consumir as inovações e, ao mesmo tempo, partilhar de forma coletiva do  otimismo diante de um mundo que se iluminava pela luz elétrica, ao mesmo tempo em que as distâncias eram encurtadas pela difusão do motor à combustão, entre outras inovações da época.



Questão 6

Assinale a afirmação correta sobre a política no Segundo Reinado no Brasil.
a) Tratava-se de um Estado centralizado, política e administrativamente, sem condições de promover a expansão das forças produtivas no país.
b) O imperador se opunha ao sistema eleitoral e exercia os poderes Moderador e Executivo, monopolizando os elementos centrais do sistema político e jurídico.
c) O surgimento do Partido Republicano, em 1870, institucionalizou uma proposta federalista que já existia em momentos anteriores.
d) A política imigratória, o abolicionismo e a separação entre a Igreja e o Estado
fortaleceram a monarquia e suas bases sociais, na década de 1870.



resposta:[C]
A política imperial durante o Segundo Reinado permitiu o desenvolvimento do café e o investimento nos anos da chamada “Era Mauá”. Do mesmo modo, o imperador permitia a eleição para a Câmara dos Deputados e para o Senado, sendo que o Executivo era exercido pelo Chefe do Gabinete Ministerial. A separação entre a Igreja e o Estado somente ocorreu durante o Governo Provisório da República. Dessa maneira, a alternativa C aparece como a única possível, pois os partidos republicanos resgatam as propostas federalistas anteriormente presentes durante o Período Regencial. Contudo, a alternativa C pode ser discutível pelo termo “institucionalizou”, pois durante as regências setores do Partido Liberal já propunham medidas federalistas.






Questão 7
Em discurso proferido no dia 12/03/1947, o presidente dos EUA, Harry Truman, afirmou:
“O governo grego tem operado numa atmosfera de caos e extremismo. A extensão da ajuda a esse país não quer dizer que os Estados Unidos estão de acordo com tudo o que o seu governo tem feito ou fará. No momento atual da história do mundo quase todas as nações se veem na contingência de escolher entre modos alternativos de vida. E a escolha, frequentes vezes, não é livre.”
(Harold C. Syrett (org.),  Documentos Históricos dos Estados Unidos. São Paulo: Cultrix, 1980, p. 316-317.)

Considerando o discurso do presidente Truman, bem como os processos históricos do pós Segunda Guerra Mundial, é correto afirmar que:
a) A “contingência de escolher entre modos alternativos de vida” se referia à escolha entre o fascismo alemão e a democracia liberal.
b) O caos do governo grego era uma referência aos problemas da Grécia com o Mercado
Comum Europeu e a necessidade de ajuda ao governo de Atenas.
c) O discurso nasceu do declínio do auxílio britânico na região da Grécia e da ascensão norte-americana no contexto da Guerra Fria.
d) O discurso é uma resposta ao Plano Marshall, que o governo de Londres tentava impor à Grécia, por meio do Banco Central Europeu.
  
resposta:[C]

 Logo de imediato, o aluno eliminaria nesta questão as alternativas "b" e "d" por  apresentarem informações anacrônicas, uma vez que o BCE foi fundado apenas em 1998  e o Mercado Comum Europeu nasceria apenas em 1957, com a entrada da Grécia ainda após este momento. Por fim, a questão "a" se anula ao tratar da continuidade do fascismo alemão após 1945. Com o fim da guerra estabeleceu-se a Guerra Fria em que as nações deveriam se posicionar dentro de um mundo bipolar liderado pelos Estados Unidos e pela União Soviética, com a inquestionável superação do modelo fascista. Com a guerra as antigas potências europeias entraram em declínio, permitindo a ascensão norte-americana como a nova força política e econômica do Ocidente.



Questão 8

O estudo da Ilustração nunca mais foi o mesmo após o holocausto, durante a Segunda
Guerra Mundial. A crença ingênua no poder regenerador da  razão inviabilizou-se.
Estilhaçou-se a cômoda certeza de que as Luzes foram a filosofia da burguesia triunfante, e dos quatro pontos da Europa surgiram evidências acerca da amplitude e variação do fenômeno, que não caberia mais considerar nem apenas burguês, nem eminentemente francês, nem restrito ao século XVIII.
(Adaptado de Laura de Mello e Souza, em http://www.revistadehistoria.com.br/secao/artigo /aspaixoesintelectuais. Acessado em 20/08/2012.)

A partir do texto, é correto afirmar que:
a) A experiência do holocausto, no século XX, pode ser interpretada como a negação do projeto das Luzes, porque rejeita a eficácia do poder do Estado.
b) A compreensão das Luzes não se prende à explicação do triunfo da burguesia, exigindo um estudo mais amplo sobre seus impactos na Europa.
c) O projeto das Luzes difundia o ideário do progresso e, contraditoriamente, ensejava o conhecimento científico.
d) O ideário das Luzes ajuda a compreender as revoluções liberais dos séculos XVIII e XIX, que defendiam a intolerância religiosa.


resposta:[B]

A partir do texto citado na questão, é possível perceber a crítica que se faz ao chamado pensamento das “Luzes”. O Iluminismo do século XVIII foi um movimento de questionamento de antigas verdades e baseava-se na ideia de “ousar saber”, de inquietude, de incertezas e, portanto, de manter um ininterrupto questionamento racional sobre as mais variadas questões sociais e políticas. O século das luzes, nesse sentido, pressupunha a racionalização do Estado, na prática da eficiência estatal, como movimento reformador de práticas governamentais. No entanto, a questão propõe uma crítica a essa racionalização,  que foi utilizada  de modo violento pela máquina burocrática do Partido Nazista, na eliminação racional e  sistemática de grupos considerados inferiores e passíveis de extermínio.



Questão 9

O Na América Latina, África, Ásia e Europa, a violência deixou uma marca de sofrimento e luto no contexto de regimes ditatoriais, guerras civis ou invasões ao longo do século XX.
Passados os conflitos, as próprias sociedades têm buscado estabelecer a verdade sobre os crimes ocorridos. Neste contexto, mais de 30 países do mundo criaram Comissões da
Verdade, que são organismos de investigação não judiciais.
(Adaptado de Museo de la Memória y los Derechos Humanos, em http://www.museodelamemoria.cl/elmuseo/sobre-elmuseo/comisiones-deverdad/.Acessado em 20/08/2012.)

As Comissões da Verdade
a) surgiram em países que tiveram experiências traumáticas, como as ditaduras no Chile e Brasil, e foram organizadas durante as lutas de resistência aos regimes ditatoriais.
b) sustentam que o conhecimento do passado interessa às vítimas e seus familiares, devendo ficar restrito a esse universo privado.
c) constituem instrumento político que tem como objetivo o estabelecimento de sentenças judiciais aos culpados e o pagamento de indenizações às vítimas.
d) existem em vários países, o que indica que as práticas autoritárias não foram umfenômeno de uma só nação, nem se restringiram a uma única forma de conflito.

 resposta:[D]

O fragmento de texto mencionado destaca as mais diversas ditaduras ocorridas em diferentes locais do mundo, caracterizadas como “regimes ditatoriais”, “guerras civis” ou “invasões”, ou seja, são fenômenos com características próprias e de acordo com os contextos específicos de cada região. Além disso, o documento afirma que as Comissões da Verdade não se tratam de investigações judiciais.

sábado, 5 de maio de 2012

Confira a correção comentada do vestibular Unicamp 2012 (2ª fase)

 




1. (Unicamp) Godrici de Finchale foi um mercador que viveu no século XI, na Baixa Idade Média, no leste da atual Inglaterra.
“Quando o rapaz, depois de ter passado os anos da infância sossegadamente em casa, chegou à idade varonil, principiou a aprender com cuidado e persistência o que ensina a experiência do mundo. Para isso decidiu não seguir a vida de lavrador, mas estudar, aprender e exercer os rudimentos de concepções mais sutis. Por esta razão, aspirando à profissão de mercador, começou a seguir o modo de vida do vendedor ambulante, aprendendo primeiro como ganhar em pequenos negócios e coisas de preço insignificante; e, então, sendo ainda um jovem, o seu espírito ousou pouco a pouco comprar, vender e ganhar com coisas de maior preço.”
(Adaptado de Reginald of Durnham, “Libellus de Vita et Miraculis S. Godrici”, em Fernando Espinosa, Antologia de textos históricos medievais. 3ª ed., Lisboa: Sá da Costa Editora, 1981, p. 198.)


a) Segundo o texto, o ofício de mercador exigia uma preparação diferente daquela do lavrador. Quais eram as diferenças entre esses dois ofícios?


b) Cite duas características do renascimento comercial e urbano ocorrido no final do período medieval.


Resolução
a) O lavrador seguia uma rotina imutável, sendo a utilização de seu tempo determinada pela Natureza; além disso, não se exigia dele nenhum esforço intelectual. Já o mercador seguia uma atividade determinada por sua própria iniciativa, na qual o tempo possuía um valor econômico próprio; além disso, era necessário que ele tivesse
um certo preparo intelectual, que lhe permitisse lucrar nos negócios e acumular riquezas.
b) Características econômicas:
– Crise do sistema feudal, assinalando o início da transição feudo-capitalista.
– Desenvolvimento das atividades mercantis, com o estabelecimento das rotas de comércio, a organi zação de feiras e a fundação de burgos.
– Expansão da circulação monetária e advento de atividades bancárias incipientes.
Características sociais:
– Desenvolvimento da vida urbana, com o crescimento das cidades já existentes e o surgimento de outras – muitas delas emancipadas da tutela feudal.
– Surgimento e ascensão econômica da burguesia.
– Expansão da atividade artesanal, com a organização das corporações de ofício.

2. (Unicamp) Durante a conquista espanhola no México, iniciada em 1519 por Cortés, a superioridade tecnológica dos europeus era amplamente compensada pela superioridade numérica dos indígenas e muitos truques foram inventados para atrapalhar o deslocamento dos cavalos: os indígenas acostumaram-se a cavar fossas profundas nas quais espetavam paus em que as montarias eram empaladas. Mais tarde, em 1521, canoas “encouraçadas” resistiriam às armas de fogo. A tática indígena evoluiu e adaptou-se às práticas do adversário: os mexicas, contraria mente ao costume, armaram ataques noturnos ou em terreno coberto. Por outro lado, se as epidemias de varíola já estavam dizimando as tropas de México-Tenochtitlan, também não poupavam os índios de Tlaxcala ou de Texcoco, que apoiavam os espanhóis.
(Adaptado de Carmen Bernand e Serge Gruzinski,  História do Novo Mundo. São Paulo: Edusp, 1997, p. 351.)


a) Identifique uma estratégia utilizada por espanhóis e outra pelos indígenas durante as disputas pelo domínio do México.
b) Explique por que houve acentuada queda demográfica entre as populações indígenas nas primeiras décadas após a conquista espanhola.


Resolução
a) Estratégias espanholas: alianças com povos inimigos dos astecas e abandono de roupas pertencentes a europeus mortos por moléstias infecto contagiosas, para que fossem utilizadas pelos indígenas, contaminando-os.
Estratégias indígenas: prática de combates noturnos e escavação de fossos para deter ataques de cavalaria.
b) Após a chegada dos espanhóis, as populações indígenas sofreram uma drástica redução demográfica, por força da mortandade provocada por diversos fatores: doenças trazidas pelos europeus, utilização de seu trabalho até a exaustão absoluta e fome resultante da destruição de seus meios de subsistência; deve-se ainda considerar o massacre sistemático dos nativos praticado pelos conquistadores.

3. (Unicamp) Durante o século XVIII, a capitania de São Paulo sofreu grandes transformações territoriais e administrativas. Em 1709, nasceu a capitania de São Paulo e das Minas do ouro, abrangendo imenso território correspondente à quase totalidade das atuais regiões Sul, Sudeste e CentroOeste, à exceção da então capitania do Rio de Janeiro e do Espírito Santo. Até 1748, sucessivos desmembramentos formaram as regiões de Minas, Santa Catarina, Rio Grande de São Pedro, Goiás e Mato Grosso. O novo
capitão-general, mais conhecido como Morgado de Mateus, foi diretamente instruído pelo futuro Marquês de Pombal a ocupar-se da fronteira oeste ameaçada pelos espanhóis e a fomentar a produção de gêneros de exportação.
(Adaptado de Ana Paula Medicci, "São Paulo nos projetos de império", em Wilma Peres Costa e Cecília Helena de Oliveira,  De um império a outro: formação do Brasil, séculos XVIII e XIX. São Paulo: Hucitec/Fapesp, 2007, p. 243.)


a) Cite duas atividades econômicas que sustentavam a capitania de São Paulo no século XVIII.


b) Considerando a política territorial na América Portuguesa nos séculos XVI e XVII, comente as mudanças significativas do século XVIII nesse aspecto.


Resolução
a) – Mineração de ouro, praticada por paulistas em Minas Gerais e, mais tarde, em Goiás e Mato Grosso.
– Relações comerciais com o Centro-Oeste, realizadas por meio das “monções”.
– Intermediação no comércio de gado muar e vacum entre o Sul e a região das Minas Gerais.
– No final do século XVIII, produção açucareira no contexto do Renascimento Agrícola
b) A expansão territorial luso-brasileira, realizada no século XVII por bandeirantes paulistas e missionários portugueses (estes últimos na Amazônia), foi consolidada no século XVIII.  Este processo foi implementado sob três aspectos: primeiramente, ocupação por meio de atividades econômicas específicas (pecuária no Sul, mineração no Centro-Oeste e “drogas do sertão” na Amazônia); em seguida, montagem de um aparelho administrativo que incluía a defesa militar; finalmente,
ratificação dessa situação por meio do Tratado de Madri (1750), que reconheceu a dominação portuguesa sobre uma vastíssima área a oeste do Meridiano de Tordesilhas, dando ao Brasil uma configuração muito próxima de suas fronteiras atuais.

4. (Unicamp)

Passar de Reino a Colônia
É desar [derrota]
É humilhação
que sofrer jamais podia
brasileiro de coração.


A quadrinha acima reflete o temor vivido no Brasil depois do retorno de D. João VI a Portugal em 1821. Apesar de seu filho Pedro ter ficado como regente, acirrou-se o antagonismo entre “brasileiros” e “portugueses” até que, em dezembro de 1821, as Cortes de Portugal determinaram o retorno do príncipe. Se ele acatasse, tudo poderia acontecer. Inclusive, dizia d. Leopoldina, “uma Confederação de Povos no sistema democrático como nos
Estados Livres da América do Norte”.
(Adaptado de Eduardo Schnoor, “Senhores do Brasil”, Revista de História da Biblioteca Nacional, nº 48. Rio de Janeiro, set. 2009, p. 36.)


a) Identifique os riscos temidos pelas elites do centro-sul do Brasil com o retorno de D. João VI a Lisboa e a pressão das Cortes para que D. Pedro I retornasse a Portugal.


b) Explique o que foi a Confederação do Equador.


Resolução
a) As elites brasileiras temiam que o Brasil fosse reduzido à condição de colônia, visto que, com o retorno de D. João VI a Portugal, deixara de ser a sede do Reino Unido. Quanto às Cortes de Lisboa, seu projeto recolonizador passava necessariamente pela volta de D. Pedro (que ainda não se tornara o imperador D. Pedro I) para Portugal. Com efeito, a condição do príncipe como regente do Brasil fazia deste último parte integrante do Reino Unido, inviabilizando sua possível volta ao status de mera colônia.
b) Revolução irrompida em Pernambuco em 1824, como reação ao autoritarismo de D. Pedro I, manifestado nos episódios da dissolução da Constituinte e da outorga da Constituição do Império. Foi um movimento de cunho liberal, separatista, republicano, federalista e lusófobo, tendo Frei Caneca como líder mais destacado. Estendeu-se àsprovíncias vizinhas de Pernambuco, mas foi duramente reprimido pelo governo imperial.




5. (Unicamp) A aventura à Amazônia liderada pelo naturalista Louis Agassiz estendeu-se de 1865 a 1866 e passou por várias regiões do Brasil: de Minas Gerais ao Nordeste e à Amazônia. Foi orientada pela teoria criacionista, que se opunha à teoria de Charles Darwin. Apesar de participar da expedição, o filósofo norte-americano Willian James questionou alguns estereótipos sobre os trópicos.
(Adaptado de Maria Helena P. T. Machado, “Algo mais que o paraíso”, Revista de História da Biblioteca Nacional, nº 52. Rio de Janeiro, jan. 2010, p.70.)


a) Qual a importância da teoria de Charles Darwin para o debate científico do século XIX.
b) Identifique dois estereótipos relativos às terras e às gentes do Brasil no século XIX.


Resolução
a) A teoria de Darwin, segundo a qual as espécies vegetais e animais – incluindo o próprio homem  – resultaram de uma longa evolução, veio contrapor-se à tradicional concepção judaico-cristã
do criacionismo, defensora da ideia de que todos os seres vivos foram criados diretamente por Deus. Nesse contexto, as ideias de Darwin aguçaram a polêmica entre ciência e religião – iniciada no século XVIII e que ainda é alimentada por alguns setores neste início de século XXI.
b) Estereótipos relativos às terras do Brasil: exuberância, grandiosidade e beleza da natureza e das paisagens. Estereótipos relativos às gentes do Brasil: preguiça natural da população, atribuída à influência do clima tropical, e miscigenação com raças consideradas inferiores.

6. (Unicamp) A Primeira Guerra Mundial abalou profundamente todos os povos envolvidos, e as revoluções de 1917-1918 foram, acima de tudo, revoltas contra aquele holocausto sem precedentes, principalmente nos países do lado que estava perdendo. Mas em certas áreas da Europa, e em nenhuma outra mais que na Rússia, foram mais que isso: foram revoluções sociais, rejeições populares do Estado, das classes dominantes e do status quo.
(Adaptado de Eric Hobsbawm, Sobre História. São Paulo: Companhia das Letras, 1998, p. 262-263.)


a) Relacione a Primeira Guerra Mundial e a situação da Rússia na época.
b) Cite e explique um princípio da Revolução Russa de 1917.


Resolução
a) Em 1914, a Rússia – embora potência europeia – era extremamente atrasada, fosse no plano econômico (predomínio da agricultura, praticada de forma arcaica), fosse no social (existência de uma massa de camponeses e operários miseráveis e forte influência da aristocracia fundiária e da Igreja Ortodoxa) ou no político (existência de uma monarquia autocrática). As derrotas sofridas pelo Império Russo no decorrer da guerra agravaram as contradições do regime czarista, abrindo caminho para a Revolução de 1917.
b) Em sua segunda fase (ascensão dos bolcheviques ao poder), a Revolução Russa propunha que o país saísse da guerra, para que nele fosse implantada a socialização de todos os meios de produção, suprimindo-se a propriedade privada e o sistema capitalista. Tais princípios estavam sintetizados no lema “Paz, Pão e Terra”.

7. (Unicamp) A população brasileira, segundo o censo de 1920, era de 30.365.605 habitantes. O número de votantes, entretanto, era restrito, conforme a tabela abaixo:
 
                                                  População apta a votar, 1920
População
Número
Total
30.635.605
Menos analfabetos, sobram
7.493.357
Menos as mulheres, sobram
4.470.068
Menos os estrangeiros, sobram
3.891.640
Menos os menores de 21 anos, sobram
3.218.243

(Adaptado de http://www.usp.br/revistausp/59/09-josemurilo.pdf. Acesso em 18/10/2011.) 

a) Indique duas práticas políticas existentes durante a Primeira República (1889-1930). 
b) Cite duas mudanças que ampliaram o eleitorado brasileiro após a Primeira República. 

Resolução 
a) Fraude eleitoral (as apurações eram realizadas pelo grupo político dominante) e “voto de cabresto” (controle dos eleitores por meio de relações clientelistas ou coercitivas, decorrentes da existência do coronelismo). 
b) Instituição do voto feminino e redução da idade eleitoral mínima para 18 anos, pela Constituição de 1934; concessão do direito de voto aos analfabetos e redução da idade eleitoral mínima para 16 anos, pela Constituição de 1988. 

8. (Unicamp) No dia 14 de dezembro de 1968, os leitores mais atentos do Jornal do Brasil puderam perceber que o jornal apresentava mudanças. Apesar do sol de dezembro, por exemplo, a previsão meteorológica anunciava no alto da primeira página, à esquerda: “Tempo negro. Temperatura sufocante. O ar está irrespirável. O país está sendo varrido por fortes ventos”. Pela primeira vez, no lugar dos editoriais, eram publicadas fotos: na maior, um lutador de judô, gigante, dominando um garoto. O título da foto: “Força hercúlea”. 
(Adaptado de Zuenir Ventura,1968: o ano que não terminou. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1988, p. 288-289.) 
 
a) Por que o Jornal do Brasil apresentava alterações no dia seguinte à edição do Ato Institucional 5 (AI-5), de 13/12/1968?
b) Que relação o jornal quis estabelecer entre o contexto político e a foto do lutador e o garoto?


Resolução
a) Porque o AI-5 significou um endurecimento do regime militar brasileiro, aumentando o poder repressivo do governo e cerceando drasticamente as liberdades políticas e civis.
b) O lutador simboliza a ditadura militar, enquanto o garoto representa a sociedade civil, impotente diante do poder discricionário imposto pelo AI-5.

9. (Unicamp) Faz cerca de vinte anos que “globalização” se tornou uma palavra-chave para a organização de nossos pensamentos no que respeita ao funcionamento do mundo. A palavra “globalização” entrou recentemente em nossos discursos e, mesmo entre muitos “progressistas” e “esquerdistas” do mundo capitalista avançado, palavras mais carregadas politicamente passaram a ter um papel secundário diante de “globalização”. A globalização pode ser vista como um processo, uma condição ou um tipo específico de projeto político.
(Adaptado de David Harvey, Espaços de Esperança. São Paulo: Edições Loyola, 2006, p. 79.)


a) Identifique uma característica política e uma cultural do processo de globalização.
b) Quais as principais críticas econômicas dos movimentos antiglobalização?


Resolução
a) Entre as características políticas da globalização está o fato de que os países passaram, quase todos, a compartilhar o sistema econômico capitalista, pois a globalização coincidiu com o quase fim do sistema socialista, a partir de fins da década de 1980, o que permitiu a livre circulação do capital por países que antes apenas utilizavam o sistema socialista de produção. Entre as características culturais, observam-se situações contraditórias, pois, ao mesmo tempo em que a globalização propõe a dominância de conjuntos culturais hegemônicos (como a popularização de comportamentos ocidentais), por outro lado, permite a difusão de culturas locais que procuram se afirmar frente à imposição dos sistemas culturais hegemônicos (como é o caso da divulgação da cultura de povos minoritários), bem como as disputas entre diferentes comportamentos religiosos.
b) Entre as diversas críticas propostas pelos movimentos antiglobalização, está aquela feita à predominância do sistema capitalista monopolista e financeiro, cuja tendência especulativa leva a uma enorme concentração de rendas. Essa concentração de rendas exacerba os núcleos de pobreza que se espalham pelo mundo e adquirem as mais diversas formas como, por exemplo, a atuação do grande capital na concentração de terras em áreas subdesenvolvidas, eliminando as áreas das culturas de subsistência, ou, a atuação de poucas empresas que controlam setores estratégicos, como a indústria farmacêutica, ou automobilística. Outra crítica recai sobre o processo de desregulamentação que permitiu o livre trânsito do capital e a especulação financeira capaz de impor sua forma de funcionamento aos enfraquecidos corpos estatais.

10. (Unicamp) A noção de cidadania gerada pela visão liberal a partir do século XVIII foi uma resposta do Estado às reivindicações da sociedade, e levou à institucionalização dos direitos civis, direitos políticos e direitos sociais. Mais contemporaneamente, a noção de cidadania redefine a ideia de direitos. O ponto de partida é a concepção de um direito a ter direitos e inclui a criação de novos direitos que emergem de lutas específicas.
a) O que são direitos civis e direitos sociais?
b) Dentre as “novas” gerações de direitos no contexto da cidadania, pode-se falar nos direitos difusos e coletivos e até em direitos bioéticos. Dê dois exemplos desses direitos da nova geração.


Resolução
a) Diferem conceitualmente os direitos civis dos direitos sociais. Os direitos civis se constituem garantias de cunho pessoal extensivas, por lei, a todos os cidadãos, enquanto que os direitos sociais têm por objetivo as garantias materiais essenciais ao pleno exercício de seus direitos civis. São eles: o direito à vida, direito a igualdades de gêneros etc.
No caso brasileiro, os direitos sociais – a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados – são garantidos pela Constituição Federal de 1988 – a Constituição Cidadã.
b) Os direitos difusos resultam de conquistas sociais e permitem de forma mais eficiente a solução de conflitos coletivos de ordem socioeconômica. Ultrapassam a esfera individual, pois são indivisíveis e podem ser reclamados pela coletividade. São exemplos: o Direito Ambiental e o  Direito do Consumidor.