
quinta-feira, 20 de maio de 2010
Motins, sedições e resistência escrava

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Capítulo 4
O tema em foco
Observe a tela "Autorretrato em aquarela, numa estalagem, 1816", de Jean-Baptiste Debret.


1. A historiografia tem afirmado que a "Missão Francesa" veio para o Brasil contratada por D. João. Hoje, essa tese é discutida.
a) Apresente quais eram as razõe para que D. João não contratasse ou convidasse artistas franceses para vir ao Brasil.
Com tantos artistas no mercado - italianos, holandeses, ingleses, portugueses - era inexplicável que D. João fosse convidar ou contratar logo franceses, próximos de Napoleão, responsável direto pela transferência da família real para o Brasil.
b) Explique de onde veio a ideia de uma "missão" convocada por D. João.
Essa ideia começou com Debret que se referiu a um "convite" no 3º volume da Viagem pitoresca e histórica ao Brasil. A versão virou tese, quando seu discípulo Araújo Porto Alegre, sustentou a interpretação do mestre, inspirando outras análises consagradas como a de Araújo Viana.
Segundo Ano terça-feira, 18 de maio de 2010
Objetivos específicos
* Conhecer as condições do Rio de Janeiro na conjuntura da chegada da Corte portuguesa nessa cidade.
* Analisar as mudanças culturais no Brasil após a chegada da Corte portuguesa no país.
* Definir Missão Francesa.
* Avaliar o desenvolvimento da imprensa no Brasil.
* Identificar estilos literários importados da Europa no século XIX.
* Diferenciar os gostos culturais das elites letradas daqueles das classes populares.
* Avaliar as mudanças ocorridas na transformação do entrudo no carnaval.
* Analisar as permanências e mudanças no processo de urbanização e no cotidiano das cidades do Brasil imperial.
* Analisar transgressões cometidas no Brasil imperial, principalmente a capoeira e os jogos de azar.

Pio Penna Filho*
A diplomacia brasileira está comemorando o acordo envolvendo o polêmico programa nuclear iraniano. Como amplamente noticiado, Brasil e Turquia conseguiram o que parecia impossível, ou seja, fazer com que o Irã aceite enriquecer o seu urânio nos países credenciados pela Agência Internacional de Energia Atômica, abrindo mão da plena autonomia do seu programa de enriquecimento.
Mas mesmo esse acordo parece insuficiente para aplacar a ira do “Ocidente” contra o Irã. Poucas horas após a divulgação do acordo entre as autoridades dos três países envolvidos, os céticos ocidentais já estavam com o discurso pronto para acusar Teerã de buscar tão somente ganhar tempo com essa iniciativa, como se o esforço e a participação brasileira e turca fossem dignas de desconfiança. O fato é que as mais graduadas autoridades norte-americanas e os seus subordinados tradicionais não querem admitir sequer a possibilidade de que o Irã pode tratar com responsabilidade o seu programa nuclear.

Chama atenção do fato de que quase ninguém questiona o fato de que tropas norte-americanas estão estacionadas em dois países que fazem fronteira com o Irã (no Iraque e no Afeganistão). Afinal de contas, quem está ameaçando quem? Os norte-americanos, que estão com suas tropas circundando o Irã, ou o incipiente programa nuclear iraniano? O Irã, é preciso dizer, é um dos poucos países do mundo que não aceita a hegemonia norte-americana global e, muito menos, no contexto do Oriente Próximo.

O fato de o Brasil ter disponibilizado a sua diplomacia para buscar uma solução pacífica e negociada com os iranianos é um verdadeiro contraste com a política deliberadamente agressiva e pouco construtiva que os Estados Unidos desempenham naquela região.
É notório que as barbaridades cometidas por Israel, por exemplo, contra os palestinos, só acontecem na escala que o mundo assiste por conta do apoio que o governo israelense recebe dos Estados Unidos. Se os norte-americanos estivessem, de fato, comprometidos com a paz, como querem fazer crer as suas suspeitas autoridades, eles deveriam começar por quem de fato é uma ameaça real e concreta para a estabilidade regional.
Outro ponto importante é observar que o Brasil não tem nada a perder colocando os seus bons ofícios a serviço da paz mundial. A diplomacia brasileira agiu com lisura em todo esse processo e sua atitude não busca apenas projetar a imagem do país no contexto internacional. No fundo, há também uma preocupação, mesmo que não explicitada, com as imperfeições do sistema internacional e as injustiças derivadas da estrutura de poder mundial. Quem pode garantir que daqui alguns anos não será a nossa vez de enfrentar os tradicionais “donos do mundo” e sua sede infinita de poder?
Enfim, mesmo que o ceticismo das potências ocidentais prevaleça sobre o arranjo conseguido pelo Brasil e pela Turquia com relação ao programa nuclear iraniano e que os Estados Unidos consigam impor suas almejadas sanções contra o Irã, pelo menos agora ficará mais evidente de onde parte a boa vontade e de onde parte o desejo de vingança e do exercício desmedido do poder.
Essa guerra foi o sistema geopolítico do imediato pós-Segunda Guerra Mundial. O assunto é relevante porque se conecta com outros assuntos do vestibular, como a descolonização afro-asiática.
A lógica era simples, um mundo bipolar dividido entre duas superpotências, Estados Unidos e União Soviética.
De um lado, os Estados Unidos defendiam o modelo de organização capitalista. Do outro, a União Soviética pretendia impor ao mundo o sistema socialista de organização.
Dentro dessa lógica, há uma grande disputa pela hegemonia mundial. Os dois querem controlar o planeta.
Veja a aula completa em vídeo.
segunda-feira, 17 de maio de 2010
Não sou homofóbico, cara, mas uma vez, saindo da faculdade, saca só o que aconteceu. Eu tava aguardando o ônibus, 11h da noite, quando dois gays apareceram. Sabe-se lá de onde. Aproximaram de mim e puxaram conversa. Perguntaram coisas triviais como: Tal ônibus já passou? Que ônibus cê tá esperando? Opa!, estranhei. Será que demora? Disseram que eram cabeleireiros. Até me deram um cartão, que, segundo eles, valia um corte “completamente de graça”. Meu, os caras já estavam incomodando... Cada vez mais invasivos, tocavam meu ombro como se eu tivesse dado confiança. Eu não tava gostando daquilo, mas fazer o que? Não sou de briga. Quando o ônibus se aproximou, fiz sinal para que o motorista parasse. Assim que entrei, os caras também subiram. Falavam alto, gesticulavam excessivamente e faziam alvoroço. Na hora em que iam passando a roleta, fingi que ia tirar uma dúvida com o motorista e desci imediatamente. Pensa que me livrei dos caras? Na mesma hora em que me viram fora do ônibus, os dois se puseram a gritar: Para, motorista. Pelo amor de Deus. Motorista, para. Nossa colega ficou! Pra quê? O ônibus entrou em polvorosa: todo mundo correu pra janela na intenção de ver o que tava acontecendo.” Este meu amigo costuma dizer que tem Manoel que não é mané, mas tem Odair (é só um exemplo) que é. No dia em que isso ocorreu, no entanto, ele afirma que se sentiu constrangido, um verdadeiro mané. Se tivesse denunciado, o inusitado logo se constataria. Os papéis de agressor e vítima (algo raro) estavam invertidos. Um caso fabuloso pra justiça brasileira: o lobo em pele de ovelha – longe de qualquer maledicência ou atitude politicamente incorreta. quinta-feira, 13 de maio de 2010
Independência nessas regiões se intensificou após a 2ª Guerra Mundial.Confira a aula de história em vídeo.
A luta pela independência nessas regiões se intensificou logo após a Segunda Guerra Mundial.
A crise das potências colonialistas, que entraram em franca decadência após a guerra, é uma das principais razões da descolonização. Essa queda abriu espaço para a luta pela autonomia nacional nas colônias.
Outro motivo é que a nova lógica dos pós-guerra, que é a lógica da Guerra Fria, é marcada pela luta por áreas de influência. Estados Unidos e União Soviética passam a estimular a descolonização afro-asiática, buscando ampliar seus domínios.
Além disso, há o desenvolvimento do sentimento nacionalista nas colônias. Os três tipos de descolonização são: pacífico, como ocorreu na Índia; violento, como é o caso da Indochina e tardio, como ocorreu no território de Angola.
Confira a aula completa em vídeo.
quarta-feira, 12 de maio de 2010
terça-feira, 11 de maio de 2010
Pio Penna Filho*
A África do Sul será a sede da Copa do mundo de futebol de 2010. No país, que possui a economia mais avançada do continente africano, as expectativas são grandes. A Copa tem um significado muito especial para os sul-africanos, sobretudo para os negros, que elegeram o futebol como um dos seus esportes preferidos. Depois de passar pela terrível experiência do apartheid os sul-africanos estão agora eufóricos e ansiosos para mostrar ao mundo um pouco da sua riqueza cultural e do seu belo país.
A maior parte das pessoas que passa pela África do Sul fica impressionada com as belas paisagens do país e com a diversidade étnica e cultural do seu povo. Mesmo tendo sofrido as agruras e o barbarismo da discriminação racial imposta pela minoria branca, a maioria dos sul-africanos demonstra uma grande vivacidade e otimismo com o futuro do país. Há algo de alegre e contagiante no povo da África que também está presente entre os sul-africanos.
A diversidade cultural é um traço marcante da África do Sul. Existem onze línguas predominantes e os vários grupos étnicos que juntos formam a população do país vivem em harmonia. Embora existam territórios com predominância étnica, há também muitos grupos vivendo em espaços próximos ou comuns, incluindo os brancos. Isso geralmente se dá em grandes cidades, como em Joanesburgo e na Cidade do Cabo.
A economia sul-africana é bem diversificada e possui uma importante base industrial. O produto interno bruto do país é, de longe, o mais elevado do continente. Hoje, situa-se em torno de 470 bilhões de dólares, sendo a renda per capita estimada em pouco mais de 10 mil dólares. O dinamismo econômico faz da África do Sul um Estado estratégico para toda a região austral do continente africano, uma vez que ajuda a estimular a economia regional.
Mas nem tudo no país da Copa vai bem. Existem muitos problemas sociais e o governo encontra enormes dificuldades para conseguir implementar políticas de inclusão social. É fato que a pressão social é muito grande, em parte porque há uma demanda reprimida que vem dos tempos da segregação racial (apartheid), quando a maior parte da população estava excluída ou semi-excluída das políticas públicas. O panorama atual pode ser resumido da seguinte forma: apesar de existir vontade política para promover mudanças e dar atenção especial à população historicamente marginalizada (principalmente os negros), faltam recursos para atender a uma demanda tão grande. O resultado é que, por vezes, a insatisfação popular se exacerba.
Mas mesmo com todos os seus problemas a África do Sul segue adiante. Não gostaria, nesse breve artigo, de replicar apenas as mazelas e os problemas sociais que o país enfrenta. Penso que o mais importante agora é olhar com otimismo todo o significado que o esporte e, em especial, o futebol, tem para a população sul-africana que, carinhosamente, chama o seu selecionado de “Bafana Bafana”, o que em português poderia ser traduzido como “garotos”.
Aqueles que terão oportunidade de conhecer o país da Copa certamente voltarão da África com outra visão do país e do continente, uma vez que é praticamente impossível não admirar sua diversidade cultural, suas belezas naturais e, sobretudo, o jeito de ser otimista e alegre do africano.
* Professor do Instituto de Relações Internacionais da USP e Pesquisador do CNPq.
segunda-feira, 10 de maio de 2010
Caracteristicas das sociedades que habitavam o continente africano antes da chegada dos colonizadores europeus
Nesta teleaula você conhecerá a origem das múltiplas línguas do continente africano e suas influências inclusive na América Portuguesa. Aprenderá aspectos da migração banta pela África, bem como a influência da religião muçulmana nesta região.
domingo, 9 de maio de 2010
Liu e Léu
Tardes morenas de Mato Grosso
Composição: Goiá
Com a rainha do meu destino fui conhecer o jardim de Alá
Onde nas flores nas madrugadas ainda canta o sabiá
Tardes morenas de Mato Grosso a paz do mundo achei por lá
Árvores lindas e bem cuidadas
Soltando flores amareladas sobre as calçadas de Cuiabá
Domingo triste da despedida chora a viola lá do "Crispim"
Deixei o Mato Grosso querido mas pela Deusa chorando eu vim
Eu fiz pra ela um simples verso, o universo sorriu pra mim
Minha viola brilhou nos campos
Devido aos bandos de pirilampos nos verdes campos de lá Coxim
A novo aurora tão radiosa aconteceu e segui além
Em Campo Grande passei pensando porque será que quero outro alguém
Mais um amor assim repentino as vezes vale por mais de cem
Tratei do modo tão caprichoso
Aquele lindo rosto charmoso, olhar manhoso de quem quer bem
Adeus rainha matogrossense não sei se foi meu bem ou meu mal
Só sei que nunca na minha vida eu conheci outro amor igual
Adeus gatinha tão carinhosa estatua viva escultural
Adeus menina de fala franca
Que tem a graça pureza e panca da garça branca do pantanal!
sábado, 8 de maio de 2010
Chora Viola
Tião Carreiro e Pardinho
Composição: Lourival dos Santos / Tião Carreiro
Eu não caio do cavalo nem do burro e nem do galho
Ganho dinheiro cantando a viola é meu trabalho
No lugar onde tem seca, eu de sede lá não caio
Levanto de madrugada e bebo o pingo de orvalho
Chora Viola
Não Como gato por lebre , não compro cipó por laço
Eu não durmo de botina não dou beijos sem abraço
Fiz um ponto lá na mata caprichei e dei um nó
Meus amigos eu ajudo, inimigo eu tenho dó
Chora Viola
A Lua é dona da noite o sol é dono do dia
Admiro as mulheres que gostam de cantorias
Mato a onça e bebo o sangue, furo a terra e tiro o ouro
Quem sabe aguentar saudade não aguenta desaforo
Chora Viola
Eu ando de pé no chão piso por cima da brasa
Quem não gosta de viola que não ponha o pé lá em casa
A viola está tinindo, o cantador tá de pé
Quem não gosta de viola, brasileiro bom não é
Chora Viola
Tião Carreiro e Pardinho
Pagode em Brasília
Quem tem mulher que namora
quem tem burro impacador
quem tem a roça no mato me chame que jeito eu dou
eu tiro a roça do mato sua lavoura melhora
e o burro impacador eu corto ele de espora
e a mulher namoradeira eu passo o coro e mando embora
Tem prisioneiro inocente no fundo de uma prisão
tem muita sogra increnqueira e tem violeiro embruião
pro prisioneiro inocente eu arranjo adevogado
e a sogra increnqueira eu dou de laço dobrado
e os violeiro embruião com meus versos estão quebrado
Bahia deu Rui Barbosa
Rio Grande deu Getúlio
Em minas deu Juscelino
de São Paulo eu me orgulho
baiano não nasce burro e gaucho é o rei das cochilhas
Paulista ninguém contesta é um brasileiro que brilha
Quero ver cabra de peito pra fazer outra Brasília
No Estado de Goiás meu pagode está mandando
No Bazar do Vardomiro em Brasília é o soberano
No repique da viola balancei o chão goiano
Vou fazer a retirada e despedir dos paulistano
Adeus que eu já vou me embora que Goiás tá me chamando
sexta-feira, 7 de maio de 2010
Eu te amo
Eu te amo
Eu te amo
Oh, sim eu te amo!
Eu mais ainda
Oh, meu amor...
Como a onda irresoluta
Eu te amo
Eu te amo
Oh, sim eu te amo!
Eu mais ainda
Oh, meu amor...
Você é a onda, eu a ilha nua
Eu vou
Você vai e você vem
Entre meu dorso
Você vai e você vem
Entre meu dorso
E eu concordo
Eu te amo
Eu te amo
Oh sim eu te amo
E eu mais ainda
Oh, meu amor ...
Como a onda irresoluta
Eu vou
Você vai e você vem
Entre meu dorso
Você vai e você vem
Entre meu dorso
E eu me seguro
Eu te amo
E eu mais ainda
Eu te amo
E eu mais ainda
Segure-me
Eu vou
Você vai e você vem
Entre meus rins
Você vai e você vem
Entre meus rins
Não! agora!
Venha!
Nesta teleaula você conhecerá a lenda que se mistura com a história da fundação de Roma e saberá como a cidade passou de monarquia a República. Além disso, verá que, durante as guerras púnicas, os romanos destruíram a cidade de Cartago e se tornaram donos do norte da África.
O mundo Romano: da monarquia a República
Nesta teleaula você verá que a cultura é fundamental para o conhecimento histórico e que, para entender a História, é preciso recuperar a memória dos acontecimentos e dos processos históricos. Além disso, aprenderá que a divisão da História é importante para a compreensão do passado, do presente e do futuro.
Saiba mais sobre os períodos Paleolítico e Neolítico
A grande aventura da História, a fascinante epopéia do ser humano ao longo da Pré-História, sua conquistas e realizações.
quinta-feira, 6 de maio de 2010
terça-feira, 4 de maio de 2010
Pio Penna Filho*
Pela primeira vez a Copa do Mundo de Futebol será realizada em solo africano. Notícia alvissareira para boa parte dos africanos que, assim como os brasileiros, adoram o futebol. Essa é uma rara oportunidade que coloca a África no centro das atenções dessa modalidade tão especial do esporte. Outro ponto importante, que vem como efeito colateral da realização da Copa na África, é colocar o continente no centro das atenções mundiais, o que será uma oportunidade e tanto para ajudar a desfazer uma série de visões equivocadas sobre a África como um todo.
Embora ainda persista uma visão pessimista sobre quase tudo o que diz respeito ao continente africano, felizmente essa perspectiva está começando a mudar. Ainda está muito forte no imaginário popular uma percepção negativa da África, geralmente associada ao fracasso dos seus Estados, às várias guerras civis que ocorreram simultaneamente durante a década de 1990, às epidemias, à fome, enfim, a um quadro essencialmente negativo que vigorou durante muitos anos e que comprometeu a imagem internacional de praticamente todo o continente.
Mas as coisas estão mudando rapidamente do outro lado do Atlântico. O quadro caótico dos anos 1990 já é coisa do passado. Vários conflitos foram superados e a paz voltou a reinar em muitos países que viveram num verdadeiro inferno até poucos anos atrás.
Num período relativamente curto de tempo, com o seu início verificado ainda no final da década de 1990, a maior parte dos países africanos conseguiu retomar o crescimento econômico e a estabilidade política, revertendo um período de profunda crise e exaustão. Hoje, a realidade africana é bem diferente, embora em algumas regiões e países a situação de crise persista, mas agora como exceção.
Um dado que mostra a retomada do crescimento na África é que nos últimos dez anos a média de crescimento do produto interno bruto dos países do continente se situou entre 5,5 e 6%. Acima, portanto, da média dos outros continentes. Assim como houve crescimento econômico e incremento do comércio internacional, vem ocorrendo um substancial aumento dos investimentos estrangeiros no continente, o que demonstra que os investidores estão retomando a confiança e, naturalmente, os lucros na África.
Outro dado importante é que os países mais desenvolvidos e os chamados emergentes, como a China, a Índia e o Brasil, estão, por assim dizer, redescobrindo a África. Isso é importante porque demonstra o renovado interesse pelo continente, o que acaba influenciando positivamente sua nova inserção internacional.
Todavia, mais importante do que tudo o que foi dito acima, é que os próprios africanos estão repensando sua trajetória política e econômica e agindo de forma mais positiva com relação ao presente e ao futuro. Há uma nova elite política mais preocupada com o desenvolvimento econômico, com a democracia, com os direitos humanos, com a questão social, enfim, preocupada com o que poderíamos chamar de um recomeço, ou de um verdadeiro renascimento, como preferem muitos intelectuais africanos.
O Brasil tem acompanhado essas transformações de perto. Aumentamos nossa rede de embaixadas na África e revigoramos nossa política africana, fato que já tem dado resultados concretos em termos de aumento do comércio e dos investimentos brasileiros na África.
* Professor do Instituto de Relações Internacionais da USP e Pesquisador do CNPq. E-mail: piopenna@gmail.com
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
O Exército de um Homem Só é um romance escrito por Moacyr Scliar, publicado em 1973 e traduzido para mais de dez idiomas.
O livro relata a saga de Mayer Guiznburg, um judeu que chegou a Porto Alegre ainda menino, vindo da Rússia. Ele se transforma em Capitão Birobidjan, uma espécie de Don Quixote do bairro do Bom Fim, em Porto Alegre, e tenta construir Nova Birobidjan, uma utopia socialista, apesar de tudo e de todos que se opõe a ele, incluindo seu pai que o queria ao rabino.
O livro é contado em terceira pessoa e cada capítulo remete a um ano ou conjunto de anos. O primeiro e o último é 1970, mas recua para 1916, 1928, 1929, 1930, até voltar para 1970.
Exército De Um Homem Só
Engenheiros do Hawaii
Não importa se só tocam
o primeiro acorde da canção
a gente escreve o resto
em linhas tortas
nas portas da percepção
em paredes de banheiro
nas folhas que o outono leva ao chão
em livros de história
seremos a memória
dos dias que virão
(se é que eles virão)
Não importam se só tocam
o primeiro verso da canção
a gente escreve o resto
sem muita pressa
com muita precisão
nos interessa o que não foi impresso
e continua sendo escrito à mão
escrito à luz de velas
quase na escuridão
longe da multidão
Somos um exército
(o exército de um homem só)
no difícil exercício de viver em paz
Somos um exército
(o exército de um homem só)
sem bandeira,
sem fronteiras para defender, pra defender...
Não importa se só tocam
o primeiro acorde da canção
a gente escreve o resto
e o resto é restoé falsificação
é sangue falso, bang-bang italiano
suíngue falso, turista americano
livres dessa estória
a nossa trajetória não precisa explicação
(e não tem explicação)
Somos um exército
(o exército de um homem só)
no difícil exercício de viver em paz
somos um exército
(o exército de um homem só)
sem bandeira,
sem fronteiras para defender,
pra defender...
Não interessa o bom senso diz
não interessa o que diz o rei
(se no jogo não há juiz não há jogada fora da lei)
não interessa o que diz o ditad
onão interessa o que o estado diz
nós falamos outra língua
moramos em outro país
Somos um exército(o exército de um homem só)
sem bandeira,
sem fronteiras para defender
Somos um exército
(o exército de um homem só)
Nesse exército
(o exército de um homem só)
todos sabem que tanto fazser culpado ou ser capaz...
tanto faz ...
Itália e Alemanha se unificam na segunda metade do século 19 e mudam a organização geopolítica da Europa, entrando no jogo dos países imperialistas.
Depois da unificação, sofrem um processo incessante de industrialização e começam uma busca por colônias. Essas colônias, no entanto, já eram dominadas pela França e pela Inglaterra. Têm início vários conflitos imperialistas.
Esses conflitos, aliados a outros fatores, levam à criação de um clima pré-guerra na Europa. Os Estados começam a se armar, para se prevenir. O estopim para a guerra é o atentado em Sarajevo que mata o arquiduque Francisco Ferdinando, herdeiro do trono austríaco.
Confira a aula completa no vídeo.
domingo, 2 de maio de 2010
Rafael

“Os caminhantes, até mesmo os loucos, não errarão.” (Isaías, 35:8)
Há dois anos assistia futebol na sala com os filhos. Até que, de uma hora pra outra, passou a agir de maneira estranha, realmente esquisita. Uma tarde desapareceu. Ausentou-se durante dias. Foi encontrado vagando maltrapilho pelos arrabaldes. Desordenadamente, à procura de sua casa.
Sábado, três horas da tarde, a camisa aberta no peito, arrepende-se de atitudes remotas que tomara inconsequentemente – muitas, a esposa sequer imaginava que tivessem acontecido. Lamenta-se. “Eu não devia ter feito isso...” Revela segredos ocultos durante décadas.
Sentado na cadeira de balanço é flagrado pela velha. Dizia: “Túnica, vem cá. Vem cá, Túnica.” Como se alguém estivesse junto dele. Aos oitenta anos, os cabelos brancos, coitado, delira. Recebe com carinho a visita dos parentes mortos.
“Com quem você está conversando aí, Rafael?”, pergunta a velha. Na presença dos familiares, finge lucidez. “Eu?... com ninguém, ora. Quem disse?!”
“Não tem vergonha não, velho? Fica ai sozinho, dizendo bobagem, passa gente no portão vai pensar que você está ficando maluco!”
Humilhado, não demora muito ele entra para o quarto.
A todo momento se lembra de que é preciso ir embora. “Estão me chamando.” Quem?, indagam. Entre frases desconexas, balbucia: “Minha casa não é aqui”, e põe-se a girar no quintal; braços abertos, olhando para o céu. “Onde é então?”
Toma remédio controlado: tão forte, adormece no sofá assim que o ingere. “Só assim ele dá sossego.”
Acorda de madrugada, quatro horas está de pé. Se a esposa não acorda a tempo, ele abre a porta (pensando ser a do banheiro), urina dentro do guarda-roupa.
“Tenho que ir...”
Quando moço, orgulhava-se. Quase fora, como pracinha, combater na Segunda Grande Guerra. Quase. Fora convocado. Iria à Europa. Mas, nos dias que antecediam o embarque – enquanto se despedia dos parentes, com bravura: “Servir a Pátria” –, recebeu a triste notícia de que os nossos inimigos alemães já haviam sido derrotados, e ele não mais guerrearia contra os nazistas. Não mais se integraria à Força Expedicionária Brasileira. Nem haveria de ganhar pelo seu mérito medalha alguma. Hoje murmura: “Eu teria morrido na guerra.”
De hora em hora os filhos se revezam na sentinela. “Por que não morre logo?... Droga!” Quem dá as ordens é a mãe: “Não deixe ele aí sozinho.” “Hora do banho.” “Cuidado, tira essa faca da mão dele!” E se por acaso ele sussurra de novo: “Tenho que ir”, ela grita, de onde estiver: “Tranca o portão!” E logo alguém prestativo corre com o cadeado.
A esposa sofre junto. Todos os dias, pela manhã, passeia agarrada ao braço dele. De manhã, bem cedo. “Só com Lenita.” Senão protesta: “Me larga”, grita, quer fugir. Os vizinhos: “É normal”, dizem. “Nessa idade a gente volta a ser criança.” Então ela o leva ao passeio: “Pra ver se ele distrai.” Na volta, ouve-o consternada resmungar: “Minhas pernas doem, Lenita.” Depois, os dois velhinhos passam longas horas na varanda, defronte do pequeno jardim. Lá fora, sol forte às duas horas da tarde: ninguém na rua... A romã amadurece no pé. As flores, lindas! A samambaia. Uma folha seca desprende-se do galho, cai bem devagar no capim rasteiro. Um passarinho brinca alegre na grama. Ao voar, com alguma coisa no bico descreve meia parábola:
“Olha lá!”
“O que, Rafael?”
“Um passarinho.”
Odair de Morais é escritor e colabora com o DC Ilustrado.
Professor_odair@hotmail.com
