segunda-feira, 16 de novembro de 2009

VESTIBULAR UFGD - 2009 VERÃO


28. Em tempos coloniais, Espanha e Portugal disputaram o domínio sobre a bacia do alto curso do rio Paraguai, onde está localizado o Pantanal. Nesse período houve alguns eventos históricos significativos para o sucesso da conquista e colonização luso-brasileira dessa região platina, quais sejam:
(A) o movimento dos bandeirantes paulistas que expandiram os dominios de Portugal para alem dos limites estabelecidos pelo Tratado de Tordesilhas, de 1494, e a descoberta, das minas de ouro em Cuiabá.
(B) a fundacão, em fins do seculo XVI, do povoado de Santiago de Xerez, localizado na bacia do rio Aquidauana, e a criacao do Presídio de Miranda, na segunda metade do século XVIII, os quais significaram postos avancados do Império Português nos confins dos sertoes.
(C) o funcionamento, entre 1631 e 1659, da Reducão Nossa Senhora da Fé, localizada na região do Itatim, precisamente as margens do rio Mbotetey, atual Miranda, onde padres jesuitas evangelizaram os índios Payagua e Guaikuru, convertendo-os a Fé Cristã e convencendo-os à se tornarem suditos do rei de Portugal.
(D) a fundacão do Forte de Coimbra,em1776, e do povoado de Albuquerque, em 1778, o que foi feito, respectivamente, a mando de Domingo Martinez de Irala e Couto de Magalhães.
(E) a alianca dos indios Payagua com o Rei de Portugal, firmada em 1678, e a descoberta de ouro e diamante as margens do rio Taquari, no atual município sul-matogrossense de Coxim, ocorrida em 1781.
29. Durante a guerra entre o Paraguai e a Tríplice Aliança (1864-1870), algumas regiões da antiga Província de Mato Grosso foram atacadas pelas tropas de Solano Lopes. Essas tropas causaram prejuízos materiais e baixas na população local. Dentre as regiões atingidas, estão

(A) as cidades de Aquidauana, Nioaque e Campo Grande, e o Forte de Coimbra.
(B) a cidade de Corumba, o Forte de Coimbra e a Colonia Militar dos Dourados.
(C) as cidades de Santana do Paranaiba, Coxim e Rio Verde, e o Forte Olímpio.
(D) as cidades de Corumba, Ladario, Caceres e Cuiaba, o Forte de Coimbra e o Presídio de Nioaque.
(E) as cidades de Corumbá e Cáceres, a Colonia Militar dos Dourados e a Marinha de Ladario.

30. Para a independência das colônias da América Espanhola, concorreram diversos fatores, alguns dos quais remontavam a antigas contradições enquanto outros tinham um caráter mais circunstancial. Assinale a alternativa que contém fator(es) que NÃO concorreu(ram) para o processo de independência das antigas colônias espanholas.
(A) Devido ao papel de destaque do Brasil na geopolitica da América do Sul, a independência e o apoio militar brasileiros aos lideres dos territorios vizinhos - Argentina, Uruguai e Paraguai – foram fundamentais para o êxito da autonomia política dessa regiaoemrelacao a Espanha.
(B) O favorecimento dos ou (brancos, nascidos na Espanha), que, em detrimento dos
(brancos, nascidos na America), eram indicados pela metrópole para os mais altos cargos administrativos, jurídicos e eclesiásticos, alimentou na elite intencões de autonomia política.
(C) A ocupacao da Espanha por Napoleao e a deposicao do rei Fernando VII, que foi substituido por José Bonaparte, enfraqueceu os vinculos das colônias com a metrópole, uma vez que o novo governante nao era reconhecido, nem pelos líderes políticos nem pela sociedade colonial em geral, como sucessor legítimo.
(D) Em diversas regiões da América Espanhola, sobretudo no México, os primeiros movimentos em prol da autonomia política foram protagonizados pelas camadas mais pobres e segregadas (indígenas, mesticos e brancos pobres) da populacão. Todavia, a consolidacão da independência só ocorreu sob a lideranca das elites .
(E) A sociedade que emergiu a partir da colonizacao espanhola apresentava profundas contradicões de natureza étnicorracial, social e economica. Nesse sentido, os motivos que levavam indigenas, mesticos e escravos a se engajarem nas lutas pela independencia das colonias eram muito diversos dos interesses dos criollos.

31. Desde a chegada das primeiras caravelas, as formas de relacionamento estabelecidas entre povos indígenas e portugueses, assim como as expectativas dos
colonizadores e do Estado brasileiro em relação à integração dos nativos à sociedade luso-brasileira, variaram de acordo com as circunstâncias históricas.
Acerca dessa temática, assinale a alternativa correta. Iracema Guarani,
(A) Entre 1500 e 1540, as relacões dos indígenas com os portugueses, que se estabeleciam nas poucas feitorias ao longo do litoral, eram relativamente amenas. Os
portugueses ainda nao disputavam as novas terras para estabelecer colonias e lavouras de cana-de-acucar. Muitos deles, a exemplo de Diogo Alvares Correa (Caramuru) e João Ramalho se integraram aos grupos do litoral, tiveram mulheres indígenas, numerosa prole mestica e um modo de vida indigena.
(B) Os jesuítas chegaram juntamente com o primeiro governador geral do Brasil, Tomé de Sousa, em 1549. Ao longo de todo periodo colonial, a Companhia de Jesus
exerceu trabalhos catequeticos e administrou a mão-de-obra indígena das aldeias. Essa modalidade de exploracão da mão-de-obra, que beneficiava tanto os jesuítas quanto os colonos, era chamada de “livre administracão”.
(C) Ao longo do periodo do Brasil imperial, o reconhecimento dos direitos indigenas alcancou seu momento mais elevado. Os romances e o de José de Alencar, refletem os sentimentos de respeito e admiracao da nacao brasileira pelos povos indígenas.
criollos.
(D) Diante da ausencia de uma politica pública de protecão aos indígenas, por volta de 1910 a Igreja Catolica criou o Servico de Protecão ao Índio – SPI. A partir da década de
1970, esse orgão foi extinto e em seu lugar surgiu o Conselho Indigenista Missionário – CIMI.
(E) A Constituicão de 1988 cria a Fundacão Nacional Índioa(FUNAI) visando a integracao progressiva e harmoniosa dos indígenas a comunhão nacional, de acordo com os interesses maiores do pais. Diante desses principios, a expectativa da Carta Magna de 1988 e a de que a médio ou longo prazo os povos indigenas sejam absorvidos pela sociedade nacional.
32. Embora a escravidão tenha sido abolida no Brasil há cerca de 120 anos, ainda persistem formas degradantes de exploração do trabalho, comumente denominadas. Em relação ao trabalho compulsório (não livre), assinale a alternativa correta.
(A) As relacões escravistas introduzidas pelos portugueses no Brasil se inspiravam no escravismo da sociedade Greco- Romana. Na Grécia e Roma antigas, os escravos eram
capturados entre os povos julgados bárbaros e inferiores e submetidos as mesmas condicoes de trabalho que os africanos no Brasil.
(B) A característica central dos regimes escravistas e a negacão da liberdade do escravo. No Brasil o do escravo era o de uma mercadoria, de um objeto de compra e venda.
(C) A escravidão por dívidas consistia em aliciar trabalhadores endividados, interessados em acertar as contas com o antigo patrão. Desse modo, o trabalhador aceitava temporariamente a condicão de escravo ate obter os recursos necessários para saldar sua divida.
(D) No Brasil, as modalidades de trabalho compulsorio sempre estiveram vinculadas unicamente ao ambito rural, enquanto o trabalho livre (assalariado) e exclusivo do meio urbano (oficinas de artesanato, fabricas e servicos).
(E) O trabalho remunerado com um salário mínimo é uma modalidade de trabalho compulsorio, similar ao trabalho escravo.

33. Leia os dois textos a seguir.
“A PRINCESA IMPERIAL Regente em Nome de Sua Majestade o Imperador o Senhor D. Pedro II, Faz saber a todos os súditos do IMPÉRIO que a Assembléia Geral
Decretou e Ela sancionou a Lei seguinte:
Art. 1o - E declarada extinta desde a data desta Lei a escravidão no Brasil.
Art. 2o - Revogam-se as disposicoes em contrario”.
Lei no 3.353, de 13 de maio de 1888.
"Eu sou negro, e hoje enfrento a realidade
E abracado a Beija-Flor, meu amor
Reclamo a verdadeira liberdade”.
Samba-Enredo Sou negro, do Egito à liberdade.
Autores: Ivancue, Claudio Inspiracao, Marcelo Guimaraes, Aloisio Santos.

Oprimeiro texto traz os dois artigos da chamada Lei Áurea que, em 2008, completou 120 anos; o segundo, um trecho do samba-enredo apresentado no Carnaval de 1988 pela Escola de Samba Beija-Flor de Nilópolis. Relacionando um texto ao outro, e considerando o contexto da assinatura da Lei Áurea e suas consequências, assinale a alternativa correta.

(A) Embora a escravidao estivesse presente em todo o Brasil, a economia cafeeira do Centro-Sul abdicou desde sua implantacão desse tipo de mao-de-obra. A expressão “reclamo a verdadeira liberdade”, no segundo texto, demonstra o desconforto do poeta em relacão a suposta presenca da escravidão no Centro-Sul do Brasil, local onde
o carnaval e bastante saliente.
(B) A assinatura da Lei n° 3.353, descrita no primeiro texto, teve como consequência direta o fortalecimento da Monarquia. A abolicão da escravidão, por conta disso, representou, para os ex-escravizados, a verdadeira liberdade, reivindicada pelo poeta no segundo texto.
(C) A assinatura da Lei Aurea, pela Princesa Isabel, apenas oficializou a condicão de liberdade de todos os trabalhadores escravizados, pois eles ja gozavam deste privilégio desde a Lei do Ventre Livre, de 1871. Assim, o segundo texto remete a liberdade já conquistada anteriormente a Lei áurea.
(D) Os movimentos abolicionistas que pressionaram a assinatura da citada lei contaram com a forte presenca de artistas, dentre eles, poetas. O trecho do poema citado no segundo texto faz parte da arte engajada e pode ser tomado como denúncia de que as marcas da escravidão ainda se fazem presentes na sociedade brasileira.
(E) O movimento abolicionista não contou com a participacão dos trabalhadores escravizados, os quais, desde o inicio da escravatura, não encontraram espacos para esbocar qualquer reacao ativa contra sua sina. O segundo texto apresenta o desconforto dos afro-brasileiros com o discurso vitimizador da esquerda política brasileira que atualmente defende a implementacao de políticas de reparacão.

34. A crise financeira que assolou o Planeta em 2008 foi muito noticiada pela imprensa brasileira. Muitos analistas econômicos acabaram por compará-la ao processo que levou à quebra da bolsa de Nova Iorque, em 1929, e ao início da Grande Depressão. Quanto à reação do Brasil à crise mundial de 1929 e seus reflexos, assinale a alternativa correta.
(A) Um dos efeitos da crise na economia brasileira foi a queda do preco do cafe, motivo pelo qual Washington Luis, antecipando-se as propostas dos partidarios de Getúlio Vargas, promoveu uma politica de valorizacao daquele produto, efetuando sua compra, estocagem e queima.
(B) Seguindo os principios propostos pelo economista Keynes, Getulio Vargas implementou no Brasil uma politica que previa a não-intervencão do Estado na economia. Essa forma de organizacao politico-economica ficou conhecida como internacionalista.
(C) Se, por um lado, a Grande Depressão atingiu negativamente a cafeicultura, por outro, contribuiu para o desenvolvimento da industria brasileira no processo
conhecido como “industrializacao por substituicão de importacões”.
(D) Para por fim aos reflexos da crise mundial, o governo brasileiro investiu na democratizacão das instituicões. O fim da política do cafe com leite e a implantacão do Estado Novo são exemplos dessa politica.
(E) Primeiramente Washington Luis, depois Getulio Vargas, para fortalecer o mercado financeiro, disponibilizaram créditos aos investidores internacionais, desestimulando a producão industrial e fortalecendo o setor primario, tido como a única fonte de riqueza de um país.
35. A Europa do século XVIII assistiu a uma revolução filosófica, denominada Iluminismo. As respostas para os problemas de ordem social, da natureza e do Universo anteriormente obtidas na Tradição ou na Bíblia, passaram a ser buscadas em explicações racionais, laicas. Daquele período, o mundo ocidental herdou várias teorias políticas e econômicas que influenciam a humanidade até o presente. Com relação a essas teorias, assinale a alternativa correta.

(A) John Locke (1632-1704) e considerado um dos fundadores do liberalismo politico ao defender o fortalecimento do Estado frente as liberdades individuais, visando limitar a livre competicão e o acesso a propriedade privada.
(B) A democracia moderna e, em grande medida, devedora do pensamento de Montesquieu (1689-1755), pensador que propunha a distribuicão do poder do Estado em três poderes autonomos e complementares, o Executivo, o Legislativo e o Judiciario.
(C) Rousseau (1712-1778), embora defendesse a liberdade, apoiava o absolutismo monárquico e a propriedade privada como expressões da essência bondosa do ser humano quando em estado de natureza.
(D) Com a finalidade de estabelecer um humanismo cristão, Voltaire (1694-1778) propunha que houvesse alianca entre o poder desempenhado pelo Estado e pelas igrejas cristãs. Isso possibilitaria ao Cristianismo vencer as religiões pagãs da época e instaurar a teocracia religiosa cristã, para ele, modelo ideal de governo.
(E) A doutrina do liberalismo econômico formulada por Adam Smith (1723-1790) propunha a total liberdade do Estado para intervir na economia, organizando as leis da oferta e da procura e normatizando a política de precos.

36. Ao longo da história do ocidente, o cristianismo desempenhou papel fundamental na explicação dos processos históricos. No entanto, na história do cristianismo, é possível encontrar doutrinas ou linhas de pensamento contrárias aos dogmas oficiais. Por conta disso os dissidentes fundaram novas igrejas de acordo com suas convicções religiosas. Com relação aos processos de criação de novas igrejas cristãs, assinale a alternativa correta.
(A) O difícil relacionamento entre a igreja romana e a bizantina culminou, em 1054, no Cisma do Oriente, quando o patriarca de Constantinopla rejeitou a supremacia da Sé Romana.
(B) O Grande Cisma do Ocidente foi uma ruptura que ocorreu no cristianismo entre 1378 e 1414, motivada por questões políticas entre Avignon e Roma. Esse cisma e o que explica a existência na atualidade de padres e pastores como ministros religiosos.
(C) No século XVI, as críticas a instituicão clerical tornaram-se bastante intensas. Partidários da teologia tomista, os reformadores protestantes se contrapuseram a doutrina católica do sacerdocio universal e da predestinacão.
(D) Embora Martinho Lutero, ex-monge agostiniano, negasse os princípios da salvacão pela fé e da livre interpretacão da Bilbia, defendidos pela Igreja Catolica, o reformador manteve, na Confissao de Augsburgo, o dogma da transubstanciacao e o latim como lingua oficial de culto.
(E) Areforma religiosa acontecida na Inglaterra no século XVI levou a criacão da Igreja Anglicana. Essa se igualava em tudo ao calvinismo, pois também negava a presenca de imagens sacras em seus templos e a necessidade de um clero.
GABARITO
28 - A
29 - B
30 - A
31 - A
32 - B
33 - D
34 - C
35 - B
36 - A

domingo, 15 de novembro de 2009

O movimento negro no Brasil

O MOVIMENTO NEGRO NO BRASIL


manifestação popular no dia da Consciência Negra





No século XX, dando continuidade a uma longa trajetória de lutas, o movimento negro brasileiro se fundamentou de forma coletiva para enfrentar preconceitos e discriminações e defender suas convicções. Um dos marcos significativos dessa luta foi a instituição, no ano de 1931, da Frente Negra Brasileira, que, posteriormente, foi colocada na ilegalidade pela ditadura do Estado Novo. Mais tarde, em 1944, surgiu o Teatro Experimental do Negro, dirigido por Abdias Nascimento.
Abdias Nascimento sendo homenageado pelo presidente Lula.
Essa entidade passou a editar o jornal Quilombo, cujo primeiro exemplar circulou em 8 de dezembro de 1948.
Em 1950, realizoou-se o I Congresso Negro Brasileiro. Esse movimento cresceu nos anos seguintes, ganhando destaque a formação da Associação Cultural do Negro (1954), em São Paulo.
O movimento enfraqueceu-se em 1964, para ter novo crescimento após 1975, ainda sob o regime militar, com a difusão de entidades negras como o Instituto Brasileiro de Estudos Africanistas, o Centro de Cultura e Arte Negra, o Instituto de Pesquisas das Culturas Negras e muitos outros. Essas entidades tinham como inspiração os movimentos dos Estados Unidos pelos direitos civis e a independência de Angola, Moçambique, Cabo Verde e Guiné-Bissau.
Em 1978, surgiu o Movimento Negro Unificado, que passou a coordenar em todo o país outras entidades que surgiam. A partir de 1982, com a posse dos primeiros governadores eleitos democraticamente, em alguns estados, a exemplo de São Paulo, foram criados Conselhos de Cultura e da Comunidade Negra, exemplo que foi seguido pelo governo federal em 1985.



fonte: CAMPOS, Flávio de et alli, Ritmos da História 9° ano, 3ª ed. São Paulo:Ed. Escala Educacional, 2009 (Coleção Ritmos da História) pp.268-9.
A seguir temos importantes canções para se trabalhar a questão do negro na História do Brasil. A primeira, "Vida de Negro" foi composta por Dorival Caymmi e fez parte da trilha sonora da novela "A escrava Isaura" que fez bastante sucesso no Brasil e posteriormente em dezenas de países mundo à fora. Apesar de essa novela ter mostrado a imagem do negro escravizado, na maioria das vezes, subserviente e passivo ante a imposição da escravidão e de colocar a abolição do trabalho escravo como uma benésse da Princesa Isabel e destacar apenas a participação de abolicionista brancos, é possível se traçar um paralelo com as releituras que se faz no presente sobre a processo histórico da resistência dos escravos ao longo da História do Brasil. O mais importante aqui é destacar o papel do negro em nossa história, os diversos movimentos de resistência empreendidos, a atuação das irmandades religiosas, os quilombos, o movimento abolicionista, as insurreições que contaram com expressiva participação dos negros, as lutas no pós-abolição, etc.



















Dorival Caymmi
Vida de Negro


Vida de negro é difícil, é difícil com quê
Vida de negro é difícil, é difícil com quê
Eu quero morrer de noite na tocaia me matar
Eu quero morrer de açoite se tu negra me deixar
Vida de negro é difícil, é difícil com quê
Vida de negro é difícil, é difícil com quê
Meu amor eu vou me embora nessa terra vou morrer
O dia não vou mais ver nunca mais eu vou viver
Vida de negro é difícil, é difícil com quê
Vida de negro é difícil, é difícil com quê
Lê Lê Lê Lê Lê Lê Lê Lê Lê Lê
Lê Lê Lê Lê Lê Lê Lê Lê Lê Lê








A segunda canção é mais recente, "Sou negrão" é um hino de evocação ao orgulho de ser negro, é um grande estímulo para a alma e auto-estima dos negros brasileiros, demonstrando os objetivos do negros no Brasil e reclamando um maior espaço para essa camada da população em todos os setores da sociedade brasileira. Ao longo da letra da música composta por Rappin' Hood são mencionados os nomes de grandes personalidades negras do Brasil e do exterior, que se destacaram por lutar pelos seus objetivos e pelos interesses de seus irmãos como um todo e que conseguiram alcançar suas metas, provando assim o valor de sua gente, servindo de exemplo para iniciativas similares.
















Sou Negrão
Rappin Hood


Subi o morro pra cantar (o rap ahh, o rap ahh)
Que é pra malando se ligar (o rap ahh, o rap ahh)
Que malandragem é trabalhar (o rap ahh, o rap ahh)
E a pivetada estudar
Não tenho toda malandragem de Bezerra da Silva
Nem o canto refinado de Paulinho da Viola
Sou só mais um neguinho pelas ruas da vida
Que quer se divertir, fazer um som e jogar bola
Rappin Hood sou, hã, sujeito homem
Se eu tô com o microfone é tudo no meu nome
Sou Possemente Zulu, se liga no som
Sou negrão, certo sangue bom
20 de novembro temos que repensar
A liberdade do negro, tanto teve de lutar
O negro não é marginal, não é perigo
Negro ser humano, só quer ter amigo
Na antiga era o funk, agora é o rap
Vem puxando o movimento com o negro de talento
O negro é bonito quando está sorrindo
Como versou Jorge Ben, o negro é lindo
E é por causa disso tudo que estamos aqui
Se falam mal do negro, eu não tô nem a
Pois já briguei muito, já falei demais
Mas o que o negro quer agora realmente é a paz
Andar na rua no maior sossego
Constituir família, ter o seu emprego
Como Grande Othelo, João do Pulo, BB King e o Blues
Raul de Souza, Milles Davis, improviso no jazz
Pixinguinha e Cartola, velha guarda do samba
Luiz Melodia e Milton Nascimento, dois bambas
Vieram os metralhas como rap abolição
Falando do negro e de sua opinião
Pois, muitos negros já percorreram a trilha do sucesso
Jackson do Pandeiro, Candeia e Aniceto
Kizomba, Festa da Raça com Martinho e a Vila
No ano do centenário, grande maravilha
E a rainha do samba, Clementina de Jesus
Que já partiu pra melhor mas Quelé divina luz
E no futebol, temos rei Pelé
Garrincha de pernas tortas num perfeito balé
Sou negrão, hei
Sou negrão, hou
Luiz Gonzaga era preto, era o rei do baião
Jair Rodrigues disparou no festival da canção
Dener com a bola, mais que um dom
Preto quer trabalhar, não quer meter um oitão
Futuro, presente, passado, realmente jogados
Fizemos a história, perdemos a memória
Temos nosso valor, temos nosso valor
Bob Marley, paz e amor
Diamante negro do gol de bicicleta
Leônidas da Silva, craque da época
O Malcom X daqui, Zumbi temos que exaltar
Em Palmares teve muito que lutar
Martin Luther King com a sua teoria
Estados Unidos o movimento explodia
Apartheid, um por todos e todos por um
Nelson Mandela sem problema nenhum
Sou Negrão, hei
Sou Negrão, hou
Ivo Meirelles, Jamelão e aí Mangueira
Luta marcial, jogar capoeira
Negra mulher, preta Dandara
Leci Brandão, Jovelina, Ivone Lara
Cabelo rasta, dança afoxé
Anastácia e Benedita, muito axé
Djavan e o seu som genial
O rei do balanço, mestre James Brown
Também falando de maninhos que não aceitam revide
Aqui vai o meu alô pra Dj Hum e Thaíde
E a reunião da grande massa black
Acontece aqui, nos versos do samba-rap
Na intenção de ver um dia o negro sorrindo
Gilberto Gil, Tim Maia, os símbolos
Não esquecendo de falar de Sandra de Sá
Com os seus olhos coloridos fez a massa balançar
Sou negrão, hei
Sou negrão, hou
DMN decretou o que todos têm medo
É 4P, poder para o povo preto
Não o poder do dinheiro, não a corrupção
Sim o poder do som, Revolusom
Como um solo de Hendrix faz você viajar
Coisa de preto mano, pode chegar
Brother vem dançar porque a dança começou
Vindo do Fundo de Quital
Mente Zulu chegou e ese é o recado que acabamos de mandar
Pra toda raça negra escutar e agitar
Portanto honre sua raça, honre sua cor
Não tenha medo de falar, fale com muito amor
Sou negrão, hei
Sou negrão,

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

A nova ordem mundial: em busca da identidade

A nova ordem mundial: em busca da identidade

Com o fim da bipolarização mundial entre os blocos capitalista, liderado pelos Estados Unidos, e socialista, capitaneado pela União Soviética, foi instalada uma nova ordem mundial multipolar.
Caricatura alusiva à Guerra Fria.
Agora, o grande problema na agenda global são as diferenças entre os países do Sul - subdesenvolvidos e em desenvolvimento - e os desenvolvidos países do Norte. Além disso, a bipolarização, entre socialismo e capitalismo, foi substiutuída por tensões de ordem étnica, pela luta das minorias pelo reconhecimento de seus direitos, da sua identidade e da sua soberania.

nova ordem mundial

Segundo alguns estudiosos, o mundo pós-Guerra Fria seria, a bem da verdade, uma "desordem mundial", um verdadeiro caos, no sentido da ausência de regulação, do predomínio de um mercado instável, da multiplicação de conflitos, mafias, gangues, criminalidade e exclusões de todos os tipos.

Cartaz sobre a Globalização que traz os dizeres: "Eles conspiram sob portas fechadas para criar uma nova ordem mundial".

ATIVIDADES SOBRE A NOVA ORDEM MUNDIAL

1. Proponha aos alunos que ouçam a música "Fora da Ordem" , de Caetano Veloso, e analisem, coletivamente, a letra da música.

Obs.: essa atividade é mais indicada para séries finais do Ensino Médio.

Fora da Ordem (Caetano Veloso)
Vapor Barato, um mero serviçal do narcotráfico,

Foi encontrado na ruína de uma escola em construção

Aqui tudo parece que é ainda construção e já é ruína

Tudo é menino e menina no olho da rua

O asfalto, a ponte, o viaduto ganindo pra a lua

Nada continua

E o cano da pistola que as crianças mordem

Reflete as cores da paisagem da cidade que é muito

mais bonita e muito mais intensa do que no cartão postal.
Alguma coisa está fora da ordem

Fora da nova ordem mundial.
Escuras coxas duras tuas duas de acrobata mulata,

Tua batata da perna moderna, a trupe intrépida em que fluis

Te encontro em Sampa de onde mal se vê quem sobe ou desce a rampa

Alguma coisa em nossa transa é quase luz forte demais

Parece pôr tudo à prova, parece fogo, parece, parece paz

Parece paz

Pletora de alegria, um show de Jorge Benjor dentro de nós

É muito, é grande, é total.


Alguma coisa está fora da ordem

Fora da nova ordem mundial.


Meu canto esconde-se como um bando de Ianomânis nafloresta

Na minha testa caem, vêm colocar-se plumas de um velho cocar

Estou de pé em cima do monte de imundo lixo baiano

Cuspo chicletes do ódio no esgoto exposto do Leblon

Mas retribuo a piscadela do garoto de frete do Trianon

Eu sei o que é bomEu não espero pelo dia em que todos os homens concordem

Apenas sei de diversas harmonias bonitas possíveis sem juízofinal.


Alguma coisa está fora da ordem

Fora da nova ordem mundial.

Fora da Ordem (Caetano Veloso)

Intérprete: Caetano Veloso

Disco: Circuladô (1991)

Gravadora: PolyGram

2. Oriente os alunos para um debate sobre a reunificação da Alemanha, enfatizando a situação atual desse país nos aspectos da vida política e da reestruturação econômica.

3. Proponha aos alunos um estudo com o auxílio de livros, atlas e jornais sobre o tema: "O fim da bipolarização mundial e os novos blocos regionais".

4. Divida a classe em grupos, de forma que cada grupo fique responsável pela linha do tempo referente a uma década do período da Guerra Fria. Posteriormente, proponha aos alunos unirem as linhas do tempo com o objetivo de construir uma pequena cronologia dos fatos mais importantes ocorridos durante a Guerra Fria.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

SIMULADO DE HISTÓRIA – TERCEIRO ANO – CNDL
PROFESSOR EDENILSON MORAIS


01. (Pitágoras) "O dia 27 de julho de 1214 caiu num domingo. Domingo é o dia do Senhor, e como tal lhe deve ser inteiramente dedicado. Conheci camponeses que ainda estremeciam quando o mau tempo os forçava a fazer a colheita num domingo: sentiam pairar sobre si a cólera do céu. Para os fiéis do século XIII, ela era muito mais ameaçadora. E o pároco de sua igreja não proibia, nesse dia, apenas o trabalho manual. Tentava convencê-los a purificar integralmente o tempo dominical, a evitar as três máculas, as do dinheiro, do sexo e do sangue derramado. Daí que naquele tempo ninguém gostasse de lidar com dinheiro no domingo. Por esta razão os maridos, se fossem piedosos, evitavam aproximar-se de suas mulheres nesse dia, e os homens de armas, se fossem piedosos, sacar da espada."
(DUBY, G. "O domingo de Bouvines". Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1993. p. 13.)
O texto de George Duby revela um aspecto da vida do homem medieval responsável pela normatização da sociedade. Comparando com a sociedade atual é possível AFIRMAR que:
a) o homem medieval tinha sua vida normatizada pelo Estado enquanto que hoje ele se encontra livre, agindo de acordo com sua vontade.
b) o homem medieval estava ligado a uma vida de máculas e, na sociedade atual, ele se encontra livre de concepções religiosas.
c) o trabalho estava associado ao tempo da Igreja enquanto que na sociedade atual está atrelado ao tempo do capital.
d) o trabalho era visto como benção divina, enquanto hoje é uma necessidade para a subsistência.
e) o pensamento teológico da época garantia o controle social e hoje o pensamento religioso não apresenta nenhuma interferência no comportamento da sociedade.

02. “O panorama do comércio europeu modificou-se profundamente nos séculos XII e XIII. A evolução das técnicas mercantis, resultante da intensificação das transações e de uma maior necessidade de capitais e de crédito, levou à substituição do pequeno mercador itinerante pelo grande comerciante sedentarizado. Graças à utilização das letras de pagamento e de câmbio, à organização de seguros e à formação de associações ou companhias comerciais, tornou-se possível aos mercadores fazer negócios a distância, sem abandonar a cidade natal. Surgiram os primeiros banqueiros, dispondo de uma rede
de sócios e empregados.”
(ESPINOSA, Fernanda. Antologia de textos medievais. Lisboa: Sá da Costa, 1972. p. 223. Adaptado.)
Considerando as informações acima, assinale a alternativa correta.
a) A partir dos séculos XII e XIII, houve uma retração do comércio na Europa.
b) Os grandes comerciantes tornaram-se agricultores, cedendo espaço para a atuação dos mercadores itinerantes.
c) O incentivo ao crédito e o surgimento das letras de pagamento e de câmbio ampliaram as fronteiras comerciais.
d) Os banqueiros abandonaram suas cidades de origem para formar associações comer- ciais.
e) Os mercadores da época constituíram associações conhecidas pelo nome de “corporações de ofício”.
03. No processo transição da Idade Média para a Moderna uma mudança significativa foi o advento do Absolutismo, justificado por duas teorias – o Direito Divino e o Contrato Social.
A respeito do Absolutismo é CORRETO afirmar que
a) significou um pacto de poder entre nobres e camponeses, tendo em vista o centralismo político, administrativo e militar nas mãos do rei;
b) expressou os interesses das burguesias mercantis européias pelo crescimento do comércio colonial através de práticas como o livre cambismo;
c) representou o estrangulamento dos interesses burgueses pelos senhores feudais que, desde o século XVI, tentavam criar repúblicas liberais na Europa;
d) foi o processo de centralização política, administrativa e militar na figura dos reis, os nobres tiveram seus poderes reduzidos, mas não os privilégios.
e) foi fruto de entendimentos políticos entre o rei e a maioria de seus súditos visando a melhoria das condições de vida dos camponeses e a diminuição dos impostos

04. (Pitágoras) A seguir, estão, respectivamente, afirmações de frei Bartolomé de Las Casas e do jurista espanhol Juan Ginés Sepúlveda sobre aspectos das relações entre europeus e indígenas no momento da conquista e colonização da América. Leia-os atentamente.
"A causa pela qual os espanhóis destruíram tal infinidade de almas foi unicamente não terem outra finalidade última senão o ouro, para enriquecer em pouco tempo, subindo de um salto a posições que absolutamente não convinham a suas pessoas; enfim, não foi senão sua avareza que causou a perda desses povos, que por serem tão dóceis e tão benignos foram tão fáceis de subjugar; e quando os índios acreditaram encontrar algum acolhimento favorável entre esses bárbaros, viram-se tratados pior que animais e como se fossem menos ainda que o excremento das ruas; e assim morreram, sem Fé e sem Sacramentos, tantos milhões de pessoas. [...]."
(LAS CASAS, Bartolomé de. O Paraíso Destruído. tradução de Heraldo Barbuy. Porto Alegre: L&PM, 1985. p. 30.)
“Aqueles que superam os outros em prudência e razão são os senhores; ao contrário, porém, os preguiçosos, os espíritos lentos, são, por natureza, servos. E é justo e útil que sejam servos. Pela própria lei divina, será sempre justo e conforme o direito natural que as nações bárbaras e desumanas, estranhas à vida civil e aos costumes pacíficos, estejam submetidas a príncipes e nações mais cultas e humanas, de modo que eles abandonem a barbárie e se conformem a uma vida mais humana e ao culto da virtude. E se eles recusarem esse domínio, pode-se impô-lo pelo meio das armas e essa guerra será justa, bem como o declara o direito natural que os homens honrados, inteligentes, virtuosos e humanos dominem aqueles que não têm essas virtudes.”
(SEPÚLVEDA, Juan Gines. Apud. MORAES, José Geraldo Vinci de. Caminhos das civilizações. São Paulo, Atual, 1998, p. 179.)

Comparando os pontos de vista acima expressos, é possível CONCLUIR que
a) Bartolomé de Las Casas e Sepúlveda estavam de acordo quanto a incapacidade dos indígenas de se adaptarem aos padrões culturais do colonizador, por isso defendiam que a Igreja Católica e a Coroa Espanhola deveriam somar esforços no projeto de colonização.
b) Sepúlveda e Bartolomé de Las Casas estavam de acordo quanto ao fato de que os indígenas deveriam ser identificados como escravos naturais, encontrando argumentos do ponto de vista jurídico e religioso para promover a destruição das suas culturas.
c) Sepúlveda defendia os indígenas, questionando a superioridade da civilização européia porque estava a serviço da Coroa Espanhola, ao passo que Bartolomé de Las Casas defendia os indígenas porque representava a Igreja Católica no serviço de evangelização dos nativos.
d) Bartolomé de Las Casas ressaltou as atrocidades cometidas contra os indígenas pelos espanhóis, ao passo que Sepúlveda as justificou, defendendo a superioridade da cultura européia em relação a dos povos nativos.
e) Sepúlveda e Bartolomé de Las Casas afirmavam que, muito embora os indígenas não fossem bárbaros, deveriam receber uma educação européia a fim de compreenderem a destruição que estaria implicada no projeto colonizador dos espanhóis.


05. (Pitágoras) Considere:
“(...) Foram diversos os aportes civilizatórios da África para o Brasil, e algumas regiões tiveram especial relevância nesse processo, como é o caso de Angola. Práticas religiosas, conhecimentos técnicos agrícolas e de mineração, valores sociais, costumes na vida cotidiana e hábitos de alimentação fizeram parte da bagagem cultural que os escravizados trouxeram para a formação de nosso país. (...) Os laços que ligam o Brasil a Angola existem há muito tempo. Remontam à formação do Império português, do qual fizeram parte, e se estendem por séculos, chegando aos nossos dias. (...) Após a década de 1980, surgiram novas rotas de migração. Inicialmente provenientes de Angola, hoje acrescidas de recentes levas vindas do Congo, essas populações de refugiados são formadas principalmente por jovens do sexo masculino. A nova diáspora centro-africana para o Brasil é fruto de guerras e das impossibilidades geradas por séculos de espoliação. E nós temos uma identidade e uma responsabilidade histórica com esses povos.”
(LIMA E SOUZA, Mônica. “Venho de Angola, camará” in Revista de História da Biblioteca Nacional, ano 4, n° 39, p. 15-17)

“Trago a minha banda /Só quem sabe onde é Luanda / Saberá lhe dar valor”
(Gilberto Gil, Palco)

A partir dos textos, é possível AFIRMAR que
I. as heranças congo-angolanas permitem perceber e reconhecer a influência da África em nossa formação cultural.
II. Angola alimentou o Brasil de braços, tradições e saberes, marcando uma interdependência histórica entre os dois países que chega aos dias de hoje.
III. as relações do Brasil com a África se limitam à memória da escravidão iniciada na época da formação do Império português.
IV. uma vez que a África pouco explica quem somos, não há motivos para aproximar a História do Brasil da História da África.
Estão corretas as afirmativas
a) I e II
b) I e III
c) II e III
d) II e IV
e) III e IV
06. Durante os processos de independência dos países da América Latina, a Inglaterra colocou-se ao lado dos países latino-americanos contra suas metrópoles, buscando transformá-los em mercados fornecedores de matérias-primas e consumidores de produtos industrializados. Os Estados Unidos, por sua vez, objetivando estender sua influência política e econômica e reduzir a das potências européias sobre a América, lançaram, em 1823, uma doutrina cujo lema era “América para os americanos”. Essa reação dos Estados Unidos ficou conhecida como:
a) Doutrina Monroe.
b) Doutrina Trumman.
c) Plano Marshall.
d) Doutrina Washington.
e) Doutrina Grant.

07. Com base na figura acima e em seus conhecimentos, pode-se dizer que a Política do Big Stick, estabelecida pelos Estados Unidos no início do século XX, constituiu:
I. uma política populacional baseada nas teorias malthusianas sobre o descompasso entre a produção de alimentos e o crescimento demográfico;
II. uma política externa com a qual se pretendeu reservar o direito dos Estados Unidos de intervirem na América Latina.
III. uma política interna cujo objetivo era a superação das contradições socioeconômicas existente sentre o Norte e o Sul.
Assinale a opção correta:
a) apenas a alternativa III está correta.
b) apenas as alternativas I e III estão corretas.
c) apenas a alternativa I está correta.
d) apenas a alternativa II está correta.
e) apenas as alternativas II e III estão corretas.


08. (CNDL)
WIND OF CHANGE / VENTO DA MUDANÇA
(Scorpions)
(...)Você já imaginou
Que nós podemos ser íntimos, como irmãos?
O futuro está no arEu posso senti-lo em todo lugar
Soprando com o vento da mudança
Leve-me à magia do momentoEm uma noite de glória
Onde as crianças do amanhã ficam sonhando
No vento da mudança
(...) Leve-me à magia do momento
Em uma noite de glória
Onde as crianças de amanhã compartilham seus sonhos
Com você e comigo
O vento da mudança sopra direto
Na cara do tempo
Como uma ventania que irá tocar
O sino de liberdade pela paz de espírito
Wind of change, Scorpions. Crazy Word, 1990. Mercury Records.

Essa canção da banda de rock alemã Scorpions transformou-se no hino da queda do Muro de Berlim e dos acontecimentos históricos que provocaram o final da Guerra Fria.
Sobre o referido contexto histórico, são feitas as seguintes afirmações.
I – A expressão "vento da mudança", citada na letra da música, simboliza o processo histórico que instituiu a "Cortina de Ferro" no Leste Europeu.
II - A queda do Muro de Berlim foi o marco histórico mais relevante dos diversos movimentos contra a ditadura e em defesa da democracia no Leste Europeu.
III – Há exatos 20 anos, a derrubada do Muro de Berlim simbolizou a queda do socialismo na Alemanha Oriental e o início do processo de reunificação alemã.
IV – O fim da URSS e a derrubada dos regimes socialistas no Leste Europeu marcaram o fim da ordem bipolar e a inauguração de uma nova era, o chamado vento da mudança mencionado na canção.

São corretas.
a) I e II.
b) II, III e IV.
c) I, III e IV.
d) I e III.
e) II e III.
09. A Queda do Muro de Berlim, em 1989, pode ser analisada sob vários enfoques. Assinale a alternativa que pode representar uma dessas interpretações.
a) Consolidação do comunismo na República Democrática Alemã.
b) Vitória do capitalismo neoliberal sobre o socialismo real.
c) Incorporação dos países da Europa do Leste ao Mercado Comum Europeu.
d) Fortalecimento da presença soviética no cenário político da Europa.
e) Estancamento da migração de alemães-orientais para o território da República Federal da Alemanha.
GABARITO
01. C
02. C
03. D
04. D
05. A
06. A
07. D
08. B
09. B
O colapso do socialismo

Um dos fenômenos mais relevantes das últimas décadas do século passado foi o processo de exaustão do socialismo na União Soviética e em seus satélites do Leste Europeu.
Os inúmeros problemas que atingiam as nações socialistas - a economia planificada, lenta e atrasada, a grande corrupção, o aumento do alcoolismo, do uso de drogas e da criminalidade - levaram à necessidade de a URSS adotar reformas econômicas e um programa de democratização da vida política e cultural.
Mikail Gorbachev assumiu a secretaria geral do Partido Comunista e, em 1986, no XXVII Congresso dos PCUS, o novo líder soviético lançou as linhas gerais das reformas que pretendia implantar na URSS. A perestroika dizia respeito às necessárias transformações na economia soviética, e a glasnost pretendia democratizar o país e tornar transparentes os atos do governo.
A perestroika permitia a entrada na URSS de mecanismos da economia de mercado para enfrentar a burocratização e a centralização e tornar as indústrias soviéticas competitivas, além de garantir o lucro em empresas privadas; a abertura parcial do mercado soviético ao capitalismo estrangeiro; a presença controlada de multi-nacionais; a maior autonomia de empresas estatais.
Já a glanost foi reponsável pela liberalização política, pela liberdade de criação de novos partidos e pela presença de um parlamento eleito pelo voto popular.
Entre 1988 e 1991, foram vários os acontercimentos que atestaram as mudanças profundas pela quais passava a União Soviética. O Exécito Vermelho deixou o Afeganistão e a Hungria; as repúblicas balticas - Estôoia, Letônia e Lituânia - tornaram-se independentes, assim como a Ucrânia, a Bielorrússia, a Moldávia e a Georgia; caiu o Muro de Berlim; todos os regimes burocráticos foram derrubados.
A Alemanha foi reunificada em 1990.
Os costumes também passaram por significativas mudanças: apresentações de shows de rock, concurso de misses, transparência nas informações, com tratamento de temos antes considerados tabus na União Soviética, tais como prostituição e consumo de drogas.
Uma música que retrata bem esse contexto histórico é "Mickey Mouse em Moscou" da banda Capital Inicial. Gravada em 1989, ilustra todas as transformaçõs processadas no Leste Europeu com a derrubada do Muro de Berlim e as tranformações processadas na Europa e no resto do planeta. O mundo assistia naquele momento a uma grande revolução. Mesmo sem violência generalizada, o fim dos regimes comunistas do Leste europeu foi sem dúvida uma revolução porque mudou completamente o sistema político, econômico, social e cultural da região.
Acompanhe a letra abaixo e veja o clipe dessa canção.

Mickey Mouse em Moscou
Capital Inicial
Eu vejo eles dançando
em cima do muro
no meio do mundo
no meio do mundo dividido
Spielberg, Einenstein
Vodka, CIA
Las Vegas, Gremlin
Tolstói, John Wayne
Champagne, Caviar
Mickey Mouse em Moscou
Batman, Trotsky
Bolshoi, Rock'n'roll
Quem são estes homens
que vivem atrás da cortina
quem são estes homens
Ninguém mais vai jogar
flores mortas no muro
ninguém mais vai pichar
frases fortes no escuro
Em cima do muro
no meio do mundo
no meio do mundo dividido
Spielberg...
Um raio atravessa a nação
e cem anos passam num dia
Eu nunca pensei que fosse ver
Eu nunca pensei que fosse ver
Ninguém mais vai jogar
flores mortas no muro
ninguém mais vai pichar
Eleição presidencial brasileira de 1989

Em 15 de janeiro de 1985, Tancredo Neves vence as eleições para presidente da República do Brasil no Colégio Eleitoral, encerrando a ditadura militar no país. Entretanto, Neves morre e quem assume o cargo é José Sarney, seu vice. Sarney é visto com suspeita pela população, pois faz parte de uma dissidência da Aliança Renovadora Nacional (rebatizada de Partido Democrático Social em 1980), o partido dos militares, que mais tarde formaria o Partido da Frente Liberal (atual Democratas). Isso sem contar que havia dúvidas constitucionais sobre se era Sarney ou o então presidente da Câmara dos Deputados, Ulysses Guimarães, quem deveria assumir o cargo e que foi decisivo o apoio do general Leônidas Pires Gonçalves, indicado por Neves como Ministro do Exército, para que a posse de Sarney se concretizasse. Entretanto, conforme prometido, o governo Sarney redemocratizou o país e, em 1986, ocorreram eleições para formar a Assembléia Nacional Constituinte, que promulgou uma nova constituição em 5 de outubro de 1988. A Constituição determinava a realização de eleições diretas para presidente, governador, senadores e deputados no ano seguinte. Durante o governo Sarney, partidos até então clandestinos como o PSB e o PC do B foram legalizados.
Criou-se a partir de então uma grande expectativa por parte da sociedade brasileira pelas possíveis candidaturas que lançariam para a corrida presidencial de 1989 afinal há quase trinta anos o eleitor brasileiro não elegia seu presidente da República. Uma geração inteira de brasileiros, ainda não eleitora em 1960, quando Jânio Quadros vence as eleições, vota em 1989 pela primeira vez para presidente da República.

SANTIAGO. O interior, ano 16, nº 773, 16 a 21/11/1989.


O cantor paraense Alipio Martins foi bastante sagaz em fazer uma leitura bastante crítica daquele contexto histórico brasileiro ao lançar uma canção intitulada "Os presidenciáveis" em que conjecturava os potenciais candidatos ao cargo de principal mandatário da nação, entre esses digníssimos postulantes eram mencionados os nomes de Lula, Brizola, Jânio Quadros, Ulisses Guimarães, do presidente José Sarney em fim de mandato, e até os nomes do apresentador Silvio Santos (o que acabou por se concretizar por algum tempo) e de Pelé, nomes que desfrutavam de grande popularidade na época, foram citados na letra da música.







Assim sendo, as eleições de 1989 foram as primeiras desde 1960 em que os cidadãos brasileiros aptos a votar escolheram seu presidente da República. Por serem relativamente novos, os partidos políticos estavam pouco mobilizados e vinte e duas candidaturas à presidência foram lançadas. Essa quantidade expressiva de candidatos mantém o recorde de eleição presidencial com mais candidatos. Entre eles, os representantes da esquerda, Leonel Brizola (PDT), Roberto Freire (PCB) e Luís Inácio Lula da Silva (PT). Entre os moderados estavam Ulisses Guimarães, Mario Covas e Aureliano Chaves. Representando a direita concorriam Paulo Maluf (PDS) e Fernando Collor (PRN). Outros candidatos de menor expressão também se habilitaram ao cargo.
A campanha presidencial transcorreu numa conjuntura internacional específica: a do colapso do socialismo e da emergência do neoliberalismo e da globalização. Os dois candidatos mais fortes, Collor e Lula, tinham posições diametralmente opostas. Enquanto Collor defendia o receituário neoliberal, Lula voltava-se para a defesa da justiça social, da reforma agrária, da moratória da dívida externa e de uma política de combate à miséria e ao desemprego.

Lula votando no segundo turno das eleições de 1989.
Como nenhum candidato obteve a maioria absoluta dos votos válidos, isto é, excluídos os brancos e nulos, a eleição foi realizada em dois turnos, conforme a então nova lei previa. O primeiro foi realizado em 15 de novembro de 1989, data que marcava o centésimo aniversário da proclamação da República, e o segundo em 17 de dezembro do mesmo ano. Foram para o segundo turno os candidatos Luiz Inácio Lula da Silva, da coligação encabeçada pelo Partido dos Trabalhadores, e Fernando Collor de Mello, da coligação encabeçada pelo hoje extinto Partido da Reconstrução Nacional.
O nível de entusiasmo era grande, com artistas participando ativamente da campanha de Lula, cantando o hoje célebre
jingle "Lula Lá" no horário reservado à propaganda eleitoral do candidato. Outros, como Marília Pêra, preferiram apoiar à candidatura de Fernando Collor de Mello e foram duramente criticados mais tarde, durante o processo de impeachment do mesmo.
Durante o segundo turno, um pool de emissoras (
Rede Bandeirantes, Rede Globo, Rede Manchete e SBT) realizou dois debates entre os candidatos.

Lula e Collor no debate televisivo, ao fundo a apresentadora Marília Gabriela.

Durante o Jornal Nacional do dia seguinte, um dos debates (o segundo) foi editado de uma forma em que o candidato do PRN parecia ter se saído melhor do que o do PT. Tal fato foi visto como uma ação de favoritismo político a Collor, que até então mantinha um relacionamento forte com Roberto Marinho, dono da Globo. Muitos atribuem a vitória de Collor na eleição devido a este fato em específico. Mas também há outros que influenciaram o voto do eleitor, como a revelação que a campanha de Collor fez sobre a existência de uma filha que Lula teve fora do casamento. A ex-namorada de Lula participou da campanha de Collor, denunciando aos eleitores que Lula mandou-lhe fazer um aborto e que lhe tinha confessado que odiava negros. Há, entretanto, quem defenda que a simples "inexperiência" de Lula em cargos executivos o fez perder a eleição.
Fernando Collor de Mello e sua ex-esposa, Rosane Collor, em campanha pela presidência.

Novamente para celebrar esse acontecimento histórico brasileiro, o cantor Alipio Martins apresentou mais um exemplo de sua genialidade política, com inteligência política similar a de Juca Chaves, apresenta desta feita as lamentações dos candidatos derrotados no pleito eleitoral daquele ano. Ao longo da letra da canção são ilustrados as falas de Lula que promete fazer um governo paralelo e comenta que só não ganhou por não ter os ternos de Collor e este não possuir a sua barba. Em seguida é a vez de Leonel Brizola que diz "Conseguiram te enganar! Conseguiram me enganar! Eu nadei e morri na lagoa e o que é pior com um sapo barbudo" numa clara referência à aliança entre PT e PDT no segundo turno. A seguir é a vez de Aureliano Chaves, candidato do PFL que se recusou a renunciar em favor do proprietário do Baú da Felicidade que tripudia dizendo que enquanto ele ficará fazendo seus programas de auditório, Chaves ficará em casa de pijamas. Até mesmo o candidato Afif Domingos, aquele que se popularizou pelo jingle "dois patinhos na lagou, vote Afif 22" e pelo slogan "juntos chegaremos lá", é mencionado como aquele que acreditou nas promessas da vidente que havia lhe garantido que este seria eleito e o mesmo acabou caindo como patinho.

Foi uma brilhante leitura do contexto histórico que encheu os brasileiros de esperança em um futuro melhor, com a consolidação da democracia, o controle inflacionário, a estabilidade econômica e principalmente a melhoria dos indicadores sociais no país.


Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/eleição_presidencial_brasileira_de_1989

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Análise da música "Perplexo" da banda Paralamas do Sucesso

Perplexo
Os Paralamas do Sucesso

Composição: Herbert Vianna/Bi Ribeiro/João Barone

Tentei te entender
Você não soube explicar
Fiz questão de ir lá ver
Não consegui enxergar
Desempregado, despejado, sem ter onde cair morto

Endividado sem ter mais com que pagar
Nesse país, nesse país, nesse país
Que alguém te disse que era nosso
Ah, ah, ah, ah...
Mandaram avisar

Que agora tudo mudou
Eu quis acreditar
Outra mudança chegou
Fim da censura, do dinheiro, muda nome, corta zero

Entra na fila de outra fila pra pagar
Quero entender, quero entender, quero entender
Tudo o que eu posso e o que não posso
Não penso mais no futuro

É tudo imprevisível
Posso morrer de vergonha
Mas eu ainda estou vivo
Segunda-feira,

Terça-feira,
Quarta-feira,
Quinta-feira,
Sexta-feira,
Sábado de aleluia
Eu vou lutar, eu vou lutar
Eu sou Maguila, não sou Tyson.

A canção foi composta no final da década de 1980 e ilustra claramente a decepção da juventude brasileira com os governos da chamada Nova República. A transição democrática, com a eleição indireta de Tancredo Neves, que não chegou a assumir e acabou sendo substituído por seu vice José Sarney, frustraram as expectativas da sociedade brasileira que ansiava por mudanças nas estruturas sócio-econômicas do país. Nesse referido período histórico ocorreram diversas tentativas de estabilização da economia e controle inflacionários em variados planos econômicos que adotavam medidas ortodoxas e heterodoxas, tais como congelamento de preços e salários que invariavelmente não alcançavam seus principais objetivos.
O Brasil vivia um período de afirmação de diversos direitos sociais e implantação da Constituição de 1988, além da censura que foi extinta.
As sucessivas mudanças na moeda brasileira também frustaram a população brasileira, "muda nome, corta zero", apenas no governo de José Sarney (1985-1990) ocorreram três planos econômicos, Cruzado, Verão e Bresser Pereira.
Na letra da música percebemos ainda os problemas do desemprego, do subemprego, da falta de moradia e da crise econômica brasileira.
O eu-lírico da canção é um trabalhador brasileiro, assalariado que precisa trabalhar duro cotidianamente para conseguir sobreviver e manter sua família.
Essa personagem demonstra estar decepcionado e não ter esperanças de que o futuro apresente melhores condições de vida para os proletários como ele pois segundo ele "tudo é imprevisível".
Uma música importante para se conhecer e entender o panorama político, econômico, social e cultural do final dos anos 80.
O Rappa

Me deixa


Larararala, larararararara
Podem avisar, pode avisar
Invente uma doença que me
Deixe em casa pra sonhar
Pode avisar, podem avisar
Invente uma doença que me
Deixe em casa pra sonhar
Com o novo enredo outro dia de folia
Com o novo enredo outro dia de folia
Eu ia explodir, eu ia explodir
Mas eles não vão ver os meus pedaços por aí
Eu ia explodir, eu ia explodir
Mas eles não vão ver os meus pedaços por aí
Me deixa que hoje eu to de
Bobeira, bobeira
Me deixa que hoje eu tô de
Bobeira, bobeira
Larararala, larararararara
Hoje eu desafio o mundo
Sem sair da minha casa
Hoje eu sou um homem mais sincero
E mais justo comigo
Hoje eu desafio o mundo
Sem sair da minha casa
Hoje eu sou um homem mais sincero e
Mais justo comigo
Podem os homens vir que
Não vão me abalar
Os cães farejam o medo,
Logo não vão me encontrar
Não se trata de coragem
Mas meus olhos estão distantes
Me camuflam na paisagem
Dando um tempo,
Pra cantar
Me deixa, que hoje eu tô de
Bobeira, bobeira
Me deixa, deixa, deixa
Que hoje eu to de
Bobeira, bobeira
Hoje eu desafio o mundo
Sem sair da minha casa
Hoje eu sou um homem mais sincero
E mais justo comigo
Hoje eu desafio o mundo
Sem sair da minha casa
Hoje eu sou um homem mais sincero e
Mais justo comigo
Podem os homens vir que
Não vão me abalar
Os cães farejam o medo,
Logo não vão me encontrar
Não se trata de coragem
Mas meus olhos estão distantes
Me camuflam na paisagem
Dando um tempo, tempo, tempo
Pra cantar
Me deixa, que hoje eu tô de
Bobeira, bobeira
Me deixa, que hoje eu tô de
Bobeira, bobeira Me deixa, deixa, deixa
Que hoje eu tô de
Bobeira, bobeira
Me deixa, ve se me deixa,
Que hoje eu to de bobeira,
Bobeira, bobeira…


O Caso Silvio Santos
O episódio Sílvio Santos foi o principal desafio enfrentado pela Justiça Eleitoral na campanha de 1989. Não é exagero dizer que o quadro institucional da eleição e a credibilidade do TSE estiveram em jogo, naquele momento. Afinal, se a legislação permitia a entrada extemporânea de um candidato na disputa, ao TSE cabia a decisão final e soberana sobre o desenrolar dos acontecimentos. Questão delicada, sem dúvida, já que interferiria diretamente no jogo eleitoral e colocava a descoberto a fragilidade da legislação e das instituições.É difícil encontrar situação comparável em toda a história da Justiça Eleitoral. Nunca é demais lembrar que os dados já estavam lançados e que era grande a expectativa criada em torno destas eleições, as primeiras diretas para a Presidência da República, depois de um intervalo de 29 anos. Buscando um paralelo, alguns analistas e políticos afirmavam que a decisão do TSE poderia provocar uma alteração tão profunda no quadro político do país quanto aquela que, em 1985, declarou o fim da fidelidade partidária. A despeito do episódio Sílvio Santos ter sido classificado pela maior parte dos meios de comunicação como degradante e vergonhoso, a primeira indagação objetiva que se deve fazer diz respeito à própria possibilidade legal de entrada de um candidato às vésperas da data marcada para o pleito. Esta possibilidade existia, e este fato deve ser frisado para que melhor se possa avaliar a legislação então em vigor e aquilatar o desempenho da Justiça Eleitoral.
Com o veto do Presidente Sarney ao artigo 8º da Lei Eleitoral, ficou extinto o prazo mínimo de 6 meses para a filiação partidária dos candidatos. Dessa forma, tornou-se possível a entrada de um candidato, não só a qualquer momento, mas até mesmo sem um vínculo partidário anterior. Por outro lado, o veto ao artigo 30, que assegurava aos partidos o direito de recurso contra qualquer decisão do TSE, baseava-se no artigo 121 da Constituição, segundo o qual "são irrecorríveis as decisões do TSE, salvo as que contrariem esta Constituição e as denegatórias de habeas-corpus ou mandado de segurança". Estes dispositivos jurídicos conferiram ao Tribunal a condição de autoridade máxima e final em questões como a que estamos considerando.Independentemente das chances eleitorais de Sílvio Santos, sua entrada na disputa, a apenas 15 dias do pleito, criou uma celeuma talvez sem paralelo em outros países democráticos. A credibilidade da Justiça Eleitoral foi colocada em xeque, num grau também inédito na história da instituição. Enquanto alguns impugnavam previamente os juízes, prevendo que eles se curvariam aos interesses do Poder Executivo, outros diziam que o Tribunal deveria tomar o partido anti-Sarney, buscando uma saída dita "política" ou "moral", que, na verdade, implicaria em ignorar a letra da lei. Num extremo ou no outro, a insinuação era de que os ministros iriam decidir sob pressão, desconsiderando cânones jurídicos.Nunca as ligações pretéritas ou presentes dos juízes foram tão esmiuçadas, deixando-se subentender que tais laços explicariam a direção do voto a ser dado. Supunha-se, por exemplo, que o Ministro Rezek acompanharia as declarações do professor João Leitão de Abreu, contrárias à candidatura de Sílvio Santos, já que eram notórios tanto sua admiração como seu dever de lealdade para com esse ex-Ministro do Supremo Tribunal Federal, duas vezes Ministro-Chefe da Casa Civil da Presidência da República, nos governos Médici e Figueiredo, responsável direto pela nomeação de Rezek para o STF. Da mesma forma, supunha-se que o Ministro-Relator do processo, Antônio Vilas-Boas, como advogado da Telebrás, agiria sob a influência do Ministro das Comunicações, Antônio Carlos Magalhães, intransigente adversário da nova candidatura. Alegava-se, ainda, que outros ministros, ao contrário, mostrariam fidelidade ao Presidente Sarney, visto como o promotor da nova candidatura.Ora, não existe nada mais pernicioso para a credibilidade de uma instituição com funções de magistratura do que a possibilidade de orientar-se em suas deliberações por interesses particulares ou por compromissos com grupos de poder. Um órgão de justiça especialmente criado para arbitrar conflitos só pode deliberar respeitando a lei, fundamentando suas decisões em argumentos lógico-formais. Qualquer outro tipo de consideração, seja assentada em critérios políticos ou de natureza "moral", contrariaria a natureza do Tribunal, desgastando a sua credibilidade e, indiretamente também, a própria estabilidade do processo sucessório presidencial.
No dia 9 de novembro de 1989, quando todas as especulações já haviam sido feitas, as atenções voltaram-se para o TSE. Era a data em que seria julgado o pedido de registro de novos candidatos. Chegaram ao Tribunal, por um lado, o pedido feito pelo Partido Municipalista Brasileiro de registro das novas candidaturas de Señor Abravanel (verdadeiro nome de Sílvio Santos) e de Marcondes Iran Benevides Gadelha para os cargos de Presidente e Vice-Presidente da República, e por outro, diversas solicitações de impugnação. De acordo , contudo, com o art. 22 da Resolução 15.362/89, só deveriam ser examinadas as impugnações provenientes de "impugnantes habilitados", ou seja, do Ministério Público Eleitoral, de candidatos e de partidos políticos com registro no Tribunal. Dessa forma, não foram consideradas legítimas as solicitações de impugnação encaminhadas por 7 advogados, por um Juiz de Direito, por 146 cidadãos, de dirigentes e membros fundadores do Instituto de Estatística Econômica Intersindical. Como impugnantes habilitados apresentaram-se: o Ministério Público Eleitoral, representado pelo Procurador-Geral Eleitoral; o PC do B; o PDT; o PTR; o PSC; e o PRN, este último representando a "Coligação Brasil Novo", suporte da campanha de Fernando Collor. Pelo impugnado, isto é, pelo PMB, tiveram o direito de usar a palavra três advogados.Ao Ministro-Relator do processo, Ministro Vilas Boas, cabia, de acordo com as normas regimentais, tornar públicos o parecer do Procurador Geral Eleitoral e as razões arroladas nos pedidos de impugnação encaminhados pelos partidos políticos, e, em seguida, proferir o seu próprio voto. O parecer do Procurador Geral era de que Sílvio Santos deveria ser considerado inelegível. Considerava que esta candidatura feria os dispositivos que protegem a normalidade e a legitimidade das eleições contra a influência do poder econômico ou abuso do exercício de função, cargo ou emprego na Administração direta ou indireta. Para a proteção contra este tipo de influência a lei exige o afastamento da função, no mínimo 3 meses antes da data das eleições, dos candidatos proprietários ou que exerçam cargos de direção em empresas concessionárias ou permissionárias de serviço público. Como dirigente do SBT (Sistema Brasileiro de Televisão), Sílvio Santos poderia, em tese, ser enquadrado nessa exigência. Os partidos impugnantes, contudo, foram além da questão da inelegibilidade, suscitando preliminares quanto à filiação partidária e quanto ao registro do PMB.O primeiro Ministro a pronunciar-se votou pelo indeferimento das novas candidaturas, fundando-se, sobretudo, no exame da situação legal do PMB. Vale a pena reproduzir aqui suas ponderações, já que todos os demais votos, sem exceção, basearam-se em argumento jurídico semelhante, negando, por unanimidade, o registro de Sílvio Santos e Marcondes Gadelha. Disse o Ministro Vilas Boas, apoiando-se exclusivamente na legislação: o PMB "teve o prazo de um ano para atender as exigências legais necessárias à obtenção do registro definitivo. Por força do art. 6º, parágrafo único, da Lei 7.664, de 29.06.1988, esse prazo foi prorrogado por 12 meses, de forma que se esgotaria em 15.10.1989. Em 13.10.1989, às vésperas portanto do término do aludido prazo, o PMB requereu o seu registro definitivo ...Ocorre, porém, que o PMB, como atesta informação da secretaria, embora comprove ter realizado Convenção Nacional com eleição da Comissão Executiva Nacional e alegue ter realizado convenções para eleger seus Diretórios Regionais em 10 unidades da Federação, apenas consta 4 certidões comprobatórias de tal providência fornecidas pelos Estados de Pernambuco, Maranhão, Amazonas e Rondônia. Desse descumprimento decorre, conforme salienta a mesma informação, a ineficácia dos atos preliminares do Partido, em 15/10, isto é, tornou-se sem efeito naquela data o registro provisório da mencionada agremiação partidária. ...Tenho, pois, como certo que a escolha dos novos candidatos, depois de caduco o registro provisório do PMB, torna insustentáveis as respectivas candidaturas, pois estas não podem subsistir sem aquele nos termos dos artigos 87 do Código Eleitoral e 77, parágrafo 2º da Constituição Federal". Além da procedência dos argumentos contra a existência jurídica do PMB, o que por si só bastaria para invalidar o registro dos novos candidatos, o Ministro-Relator considerou também válidas as ponderações sobre a inelegibilidade de Sílvio Santos, em virtude de sua condição de dirigente do SBT.
Em síntese, o fato de o PMB não reunir os pressupostos necessários à sua existência legal e a condição de inelegibilidade de Sílvio Santos como empresário de comunicações colocaram um ponto final nessa tentativa de alterar os rumos da disputa às vésperas do pleito, bem como nas insinuações de que os juízes agiriam sob constrangimentos alheios à sua função. Como disse o Ministro Miguel Ferrante, ao justificar o seu voto, o TSE cuidou nesta decisão "exclusivamente da reta aplicação do direito, indiferente ao tumulto das paixões que o caso desencadeou". Tratou, "simplesmente de fazer prevalecer o império da lei, a que todos devemos obediência e respeito. Obediência e respeito, sem transigências e sem tibiezas, sem o que não poderão subsistir o regime democrático e o estado de direito".
A aplicação da lei encerrou o episódio, fortalecendo a imagem de credibilidade da Justiça Eleitoral. É claro que isto não significa que a unanimidade formada entre os juízes seja uma amostra do que se passava nos círculos políticos ou com a população em geral. O importante é que os ministros agiram como magistrados, eqüidistantes das partes em disputa. Um compromisso prevaleceu: a obediência à Constituição. Referindo-se à fidelidade à lei, como o único parâmetro a orientar o judiciário, disse o Ministro Rezek ao proferir seu voto, cumprindo salientar que, como Presidente do TSE, regimentalmente ele só teria obrigação de pronunciar-se em caso de empate entre os outros seis ministros: "...examinando, nos últimos dias, este tormentoso feito, nós nos defrontamos com um trabalho árduo, não exatamente previsto para esta fase do processo eleitoral, e fizemos por bem desenvolvê-lo, tal como manda a Constituição. Convivemos, nesse período, não apenas como o trabalho: também com manifestações da mais variada origem, da mais variada índole; manifestações inteiramente lícitas, na medida em que não advindas de algum núcleo de poder, mas de pessoas comuns, de populares e articulistas da imprensa, que valem-se do seu direito de dizer o que pensam, sem pretender com isso que o Tribunal seja permeável, no deslinde de uma questão jurídica, a considerações de tal natureza. Lembro, entretanto, que convivemos também com algumas manifestações reveladoras do desconhecimento do fenômeno judiciário, que insinuaram perspectivas decisórias à base de fatores tão absolutamente desimportantes quanto teria ocorrido se pretendessem inferir a provável decisão de um membro da Casa por sua origem étnica, por sua confissão religiosa ou por sua vizinhança habitacional. Chegou-se perto disso... Um dia, quando atendidas tantas outras prioridade, é possível que a sociedade brasileira venha a entender melhor a função judiciária e suas características. Deus sabe quando isso ocorrerá. Mas talvez então alguém se lembre de que, neste momento histórico, o Tribunal Superior Eleitoral contribuiu para o alcance de semelhante propósito".
fonte:
http://www.politicavoz.com.br/direitoeleitoral

terça-feira, 3 de novembro de 2009

AVALIAÇÃO DE HISTÓRIA - SEGUNDO ANO
CNDL - PROFESSOR EDENILSON MORAIS


01. (CNDL) Analisando os dados das tabelas abaixo podemos dizer que no final do regime militar (1964-1985):



a) o Brasil estava conseguindo manter uma distribuição de renda e uma inflação equilibrados.
b) diminuíram as disparidades de distribuição de renda no Brasil.
c) a inflação alta não foi um instrumento de concentração de renda.
d) o Brasil tem uma melhor distribuição de renda que os Estados Unidos.
e) as classes pobres tiveram sua renda sensivelmente diminuída, podendo a inflação ter funcionado como instrumento transferidor de renda.

02. (CNDL) A professora de História apresentou aos alunos da 2ª série do Ensino Médio uma charge do cartunista Paulo Caruso, feita em 1984 e intitulada “Diretas Já”.



Ela pediu aos alunos que interpretassem a charge levando em consideração os dados e fatos relativos ao contexto histórico da década de 1980.

As afirmativas a seguir apresentam algumas interpretações feitas pelos alunos.

I – Trata-se de uma irônica alusão ao quadro de Pedro Américo, O grito do Ipiranga, do século XIX, e retrata a frente de oposições à ditadura militar.
II – Do lado esquerdo estão as lideranças oposicionistas, tais como Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Dante de Oliveira. Do lado direito estão os militares contrários às “Diretas Já”.
III – Por suas origens humildes, Lula foi representado como o carroceiro no canto inferior esquerdo da charge (número 1).
IV – A charge foi encomendada para comemorar a vitória da campanha pelas eleições diretas para presidente da República.

Está correto o que se afirma nos itens:
a) I e IV.
b) I, II e III.
c) III e IV.
d) II e IV.
e) I e III.

03. (CNDL) ) Com base nas fotos, compare o estilo e as condições políticas dos breves mandatos de Jânio Quadros e Fernando Collor de Mello.












04. (CNDL) Com base na charge abaixo responda quais eram as principais metas do Plano Cruzado e quais foram suas consequências.








05. (UFMG) “Neste momento, estamos passando de um estágio emocional para um estágio racional. Em fevereiro, a inflação – a inflação mais a correção monetária – estava nos conduzindo para uma situação na qual o Brasil seria um país absolutamente ingovernável. Naquela ocasião, fizemos o que achamos que deveria ter sido feito, sem levar em consideração os custos políticos das nossas decisões, e sim o bem do povo [...] Uma vez anunciada a reforma econômica, o que se viu foi uma extraordinária adesão popular. Não podíamos antever que a reação seria tão favorável. O povo tomou consciência da cidadania.
Trecho de entrevista concedida pelo, então, Presidente da República, José Sarney. Veja, n. 949, 12 nov. 1986.

Nesse trecho, o entrevistado faz referência à reforma econômica conhecida como:
a) Política do “Feijão com Arroz”, que previa uma redução da intervenção do Estado na economia, buscando deixar o mercado cumprir seu papel.
b) Plano Cruzado, que adotou medidas heterodoxas – como o congelamento de preços e o gatilho salarial –, visando ao controle da inflação.
c) Plano SALTE, que pretendeu estimular as taxas de crescimento da economia nacional por meio da decretação da moratória da dívida externa.
d) Plano Verão, que combinou medidas ortodoxas e heterodoxas, com ênfase especial no controle dos salários dos trabalhadores.

06. (CNDL) Em poucos anos, entre 1986 e 1990, o Brasil assistiu a planos econômicos, ajustes, alterações e complementações nas políticas monetárias, fiscal, salarial e cambial. Planos e medidas de todo o tipo, com o mesmo objetivo sempre:
a) o controle da dívida externa, intensa campanha para amenizar os problemas sociais, a modernização do Estado.
b) a estabilização da economia por controle da inflação, a renegociação da dívida externa e a retomada do crescimento auto-sustentado.
c) a reforma administrativa, o controle do déficit público e a contração da demanda.
d) o aumento do consumo, o saneamento das contas públicas e a retomada do crescimento.
e) a reforma administrativa, o programa de privatizações, um projeto de desregulamentação e liberalização da economia.

07. (CNDL) Não obstante, na conjuntura da Nova República, a sociedade civil possa ter pleiteado direitos e defendido novas formas de organização, sabemos que no Brasil atual esses direitos não atingem à população como um todo. Leia os versos da música a seguir.

Pense no Haiti, reze pelo Haiti

O Haiti é aqui - o Haiti não é aqui [...]

E se, ao furar o sinal, o velho sinal vermelho habitual

Notar um homem mijando na esquina da rua sobre um saco brilhante de lixo do Leblon

E quando ouvir o silêncio sorridente de São Paulo

Diante da chacina 111 presos indefesos, mas presos são quase todos pretos

Ou quase pretos, ou quase brancos quase pretos de tão pobres

E pobres são como podres e todos sabem como se tratam os pretos [...]

Composição: Caetano Veloso e Gilberto Gil

Explique, a partir dos versos da música, como funcionam os direitos no Brasil.















Textos para as questões 08 e 09.



“Livre do açoite da senzala, preso na miséria da favela”. Esta frase do Samba-Enredo da Mangueira em 1988, desvela a realidade da população negra brasileira no pós-abolição.

08. Por que isto ocorreu?





09. O que fazer para modificar essa realidade?


























10. (CNDL) Analise o trecho da canção de Cazuza e Frejat e o poema de Augusto de Campos. Leve em consideração o processo político e social brasileiro e o papel da cultura na mobilização dos estudantes e intelectuais brasileiros.

Ideologia
Meu partido é um coração partido
E as minhas ilusões estão todas perdidas
Os meus sonhos foram todos vendidos
[...]
E aquele garoto que ia mudar o mundo
Frequenta agora as festas do Grand monde
Meus heróis morreram de overdose
Meus inimigos estão no poder
Ideologia, eu quero uma pra viver

(Cazuza e Frejat, 1988)


(Augusto de Campos, 1985)

A partir da análise dos textos, considere as afirmações abaixo.

I – A década de 1980 caracteriza-se peleo declínio do entusiasmo político em comparação com as décadas passadas. Paradoxalmente, no processo de transição democrática, ocorre um refluxo das organizações estudantis e sindicais.
II – Para Cazuza, falta ideologia para sua geração, acomodada pelos prazeres individuais e traída pelos interesses pessoais.
III – Para Augusto de Campos, trata-se de um espécie de ressaca, de momento de reclusão, reflexão e balanço da atuação e dos desejos de sua geração, muito ativa nos anos 60 e 70.

Dentre as afirmativas, estão corretas.
a) I e II.
b) I e III.
c) II e III.
d) I, II e III.