terça-feira, 1 de dezembro de 2009

FGV-SP 2009

HISTÓRIIA
46 E
Tendo assumido a chefia do povo, três anos após a queda dos tiranos (…) começou, primeiramente, a repartir todos os atenienses em dez tribos ao invés de quatro, com a intenção de misturá-los a fim de que mais indivíduos participassem do poder (...) Em seguida, estabeleceu que a Bulé (Conselho) teria quinhentos membros ao invés de quatrocentos. (…) Dividiu igualmente o território da cidade em trinta grupos de demos, dez reunindo os demos urbanos, dez os do litoral, dez os do interior, dando a estes grupos a denominação de tritias.
[Aristóteles, Constituição de Atenas apud Jaime Pinsky (org.), Cem textos de história antiga]
O texto apresenta
a) a tirania de Pisístrato.
b) as reformas de Sólon.
c) a reação aristocrática.
d) a legislação de Drácon.
e) as reformas de Clístenes.

Resolução
A queda dos tiranos (governo ruim e exercido por uma só pessoa, segundo a classificação de Aristóteles) possibilitou a ascensão do legislador Clístenes, cujasreformas acabaram por criar a democracia em Atenas.
A ampliação do direito à participação política fica demonstrada pela substituição das antigas quatrotribos – formadas por laços sanguíneos – por outras dez, compostas de homens de diferentes origens e condições. Da mesma forma, ampliam o número deconselheiros para quinhentos indivíduos, sendo cinquenta indicados por cada tribo.
47 B
Segundo o historiador Paul Lovejoy, com o tráfico negreiro em grande escala a escravidão na África deixou de ser uma entre outras formas de dependência pessoal, como ocorria na sociedade “de linhagem”. A partir de então, o continente negro pôde ser integrado a uma rede internacional de escravidão controlada pela burguesia mercantil europeia.
(José Jobson de A. Arruda e Nelson Piletti, Toda a História)
Considerando o texto e os conhecimentos sobre a história africana, pode-se afirmar que
a) as sociedades africanas, essencialmente o Congo, desconhecedor do Estado e do trabalho compulsório, desorganizaram-se completamente diante da chegada dos europeus.
b) o contato das nações europeias com a África subsaariana, a partir do século XV, trouxe importantes transformações para o continente e, em especial, deu novo significado à escravidão.
c) com a chegada dos portugueses a Ceuta em 1415, os povos africanos iniciaram seus contatos comerciais a longa distância e iniciaram o uso do ouro como meio de troca.
d) a ausência de Estados organizados na África subsaariana permitiu que os colonizadores europeus construíssem impérios coloniais, como se estabeleceu na América.
e) antes da chegada europeia na África abaixo da linha do Equador, a escravidão de negros nesse continente era uma experiência das poucas regiões islamizadas.
Resolução
De acordo com o texto, embora já presente na África subsaariana, a escravidão adquiriu novos significados a partir do contato dos africanos com os europeus, no século XV. Se anteriormente era utilizada como uma forma de dependência pessoal, a partir de então, adquire, fundamentalmente, aspectos mercantis.
48 D
(…) Deus tinha distribuído tarefas específicas a cada homem; uns deviam orar pela salvação de todos, outros deviam lutar para proteger o povo; cabia aos membros do terceiro estado, de longe o mais numeroso, alimentar, com seu trabalho, os homens de religião e da guerra. Este padrão, que rapidamente marcou a consciência coletiva, apresentava uma forma simples e em conformidade com o plano divino e assim sancionava a desigualdade social e todas as formas de exploração econômica (…)
(Georges Duby, As três ordens ou o imaginário do feudalismo apud Patrícia Ramos Braick e Myrian Becho Mota, História: das cavernas ao Terceiro Milênio)
A partir do texto, é correto concluir que
a) a Igreja não reconhecia importância nas atividades que estivessem desligadas da religião, assim a condição de não nobre revelava um sujeito vítima do castigo divino.
b) a rigidez da estrutura da sociedade feudal não foi regra durante a Idade Média, pois a partir do século X, estabeleceu-se uma dinâmica sociedade de classes.
c) as posições sociais menos importantes derivavam menos da vontade divina e mais da ausência de empenho dos homens, segundo a teologia cristã medieval.
d) a sociedade feudal estruturava-se de forma rígida, de ter minada pelo nascimento e com pequenas possibilidades de movimentação entre as camadas sociais.
e) a suposta imobilidade da sociedade medieval tem fundamento nas teses teológicas de santo Agostinho, que defendiam a supremacia da razão em detrimento da fé.
Resolução
A sociedade feudal caracterizava-se por ser estamental, cuja posição era determinada pelo nascimento, com raríssima possibilidade de mobilidade. Estava classificada em ordens (de acordo com a Igreja) nas quais cada indivíduo possuía uma função/atividade, que em conjunto assegurariam o seu perfeito funcionamento.

49 B
Leia as assertivas.
I. Entre os astecas, os camponeses e os escravos – prisioneiros de guerra ou criminosos – formavam a camada mais baixa da sociedade.
II. Fazia parte da cultura asteca oferecer aos deuses sacrifícios humanos.
III. Entre os astecas, existiam técnicas avançadas de construção, como de represas e obras de irrigação, além dos templos religiosos.
IV. O Império Inca, grosso modo, ocupava as encostas dos Andes e a sua consolidação ocorreu em meados do século XV.
V. A estrutura política dos incas permitia uma participação da maioria da população, por meio de consultas periódicas.
Acerca das civilizações pré-colombianas, estão corretas as afirmativas
a) I e III, apenas.
b) I, II, III e IV, apenas.
c) II, III e V, apenas.
d) III, IV e V, apenas.
e) I, II, III, IV e V.
Resolução
A assertiva V está incorreta, pois a forma de governo seguida pelos incas era um império teocrático, cujo governante possuía poderes absolutos.

50 B
A linha mais secular associa-se com os levellers e os diggers os quais, embora seus programas diferissem muito, ofereciam soluções políticas e sociais para os males terrenos. Tais grupos surgiram dos acalorados debates, realizados em Putney em 1647, entre oficiais do exército (favoráveis aos grandes comerciantes e donos das propriedades rurais) e os “agitadores”, que represen tavam as fileiras da tropa.
(George Rude, Ideologia e protesto popular apud Adhemar Marques et alli, História contemporânea através de textos)
No contexto das revoluções inglesas do século XVII, os levellers se constituíam em um grupo
a) moderado, ligados à pequena nobreza rural, e defensores da articulação entre os interesses do rei Carlos I e do Parlamento, além de reivindicarem o poder religioso para os presbiterianos.
b) extremista, com representantes entre os camponeses sem terra, aliados aos presbiterianos, defensores de uma sociedade que abolisse a propriedade privada e o dízimo pago à Igreja Anglicana.
c) moderado, ligados a médios proprietários rurais, e aliados ao Novo Modelo de Exército liderado por Oliver Cromwell, defendiam o controle sobre o poder real e ampliação do poder do Parlamento.
d) radical, pertencentes à pequena burguesia urbana, que defendiam uma série de transformações sociais, como a restrição às grandes propriedades e separação entre Igreja e Estado.
e) conciliador, formado pela grande burguesia urbana, aliados da gentry e dos independentes, eram defensores da ampliação do poder do Parlamento e da liberdade
econômica.
Resolução
No contexto da Revolução Puritana (1642-60), os partidários do Parlamento incluíam dois grupos extremistas, com reivindicações radicais: os levellers (niveladores) e os diggers (cavadores). Os primeiros, originários da pequena burguesia e das camadas baixas urbanas, desejavam diminuir as diferenças socioeconômicas por meio de restrições à grande propriedade.
Os segundos, de origem rural, ganharam esse nome porque, quando se deparavam com áreas incultas ou abandonadas, delas se apropriavam e passavam a cavá-las para a semeadura. As reivindi cações de levellers e diggers constituíam uma ameaça aos interesses da gentry (pequena nobreza rural) e da burguesia urbana, que lideravam a Revolução. Por isso, foram persegui dos e eliminados pelo governo de Cromwell.
51 C
É constante que o tabaco do Brasil é tão necessário para o resgate de negros quanto os mesmos negros são precisos para a conservação da América portuguesa. Nas mesmas circunstâncias se acham outras nações que têm colônias; nenhuma delas se pode sustentar sem escravos e todas precisam do nosso tabaco para o comércio de resgate …
(Instrução dada ao Marquês de Valença por Martinho de Melo e Castro em 10 de setembro de 1779 apud Mafalda P. Zemella, O abastecimento da capitania das Minas Gerais no século XVIII. Adaptado.)
A partir do documento, é correto afirmar que
a) o caráter de extrema especialização da exploração dos metais preciosos trouxe uma série de descuidos com as outras atividades econômicas, como o tabaco e o açúcar, desorganizando toda a economia colonial.
b) a especificidade da exploração de ouro no interior da colônia brasileira exigiu uma mão de obra também específica: trabalhadores em condição intermediária entre o trabalho compulsório e o trabalho livre.
c) com a exploração aurífera em Minas Gerais, a necessidade de mão de obra compulsória fez com que aumentasse a produção de tabaco, pois essa mercadoria servia como moeda de troca para escravos na África.
d) com a presença holandesa no nordeste do Brasil e a proibição metropolitana em relação ao comércio interno, inúmeros prejuízos atingiram a economia colonial, em especial a produção de tabaco de Pernambuco.
e) devido ao extremo cuidado com a mineração, o Conselho Ultramarino proibiu a produção de tabaco fora da Bahia e exigiu que a chegada de escravos da África fosse feita apenas pelo porto do Rio de Janeiro.
Resolução
Desde o século XVI, quando da implantação da produção açucareira, o tabaco (produzido especialmente no Recôncavo baiano) servia de moeda de troca por escravos nas feitorias da África. Entretanto, no século XVIII, com a necessidade de um número cada vez maior de braços escravos para a exploração aurífera, a produção de fumo consequentemente aumentou para a prática do escambo.
52 E
Com a convocação dos Estados Gerais [em 1788], a aristocracia esperava completar o processo que esvaziaria a monarquia de seu poder absoluto. Seu cálculo, teoricamente correto, baseava-se na certeza de que controlaria todas as decisões dos Estados Gerais. (…) essa instituição (…) tinha seus representantes eleitos internamente a cada ordem e, quando em funcionamento, a votação era em separado, correspondendo um voto a cada ordem. (…)
Mas, na prática, o cálculo da aristocracia revelou-se um verdadeiro suicídio político para ela e para o regime que representava (…)
(Modesto Florenzano, As revoluções burguesas)
Esse “suicídio político” consubstanciou-se, pois
a) a aristocracia francesa, que defendia reformas nas obrigações servis, objetivando ampliar os ganhos tributários do Estado, foi forçada a aceitar o fim dos privilégios fiscais da nobreza togada e do baixo clero.
b) se estabeleceu um acordo tácito entre os jacobinos e os girondinos, na Convenção, a partir de 1789, e uma série de reformas estruturais, baseadas nas ideias iluministas, determinou a gradual extinção das obrigaçõesfeudais.
c) as reformas políticas propostas pela aristocracia geraram uma maior participação das camadas sociais presentes no Terceiro Estado, em especial a alta burguesia, que comandou o Comitê de Salvação Pública, em 1789.
d) a tentativa da aristocracia francesa em limitar a influência que a alta burguesia exercia sobre o soberano Luis XVI fracassou e abriu espaço para que o rei convocasse uma Assembleia Nacional Constituinte para julho de 1789.
e) após um pouco mais de um mês de funcionamento, em junho de 1789, o Terceiro Estado transformou os Estados Gerais em Assembleia Nacional Constituinte, um dos momentos iniciais da Revolução Francesa.
Resolução
A Assembleia dos Estados Gerais era formada por representantes dos três estados que compunham a sociedade francesa, sendo convocada pelo rei Luís XVI, em caráter consultivo, para reunir-se no Palácio de Versalhes em maio de 1788. Apesar da confiança do Terceiro Estado – que possuía a maioria dos votos em número de representantes – para impor limites aos privilégios das duas outras ordens, os notáveis (clero e nobreza) conseguiram manter o sistema tradicional de votação, ou seja, o voto por estado. Tal manipulação, ao ser declarada em Assembleia Nacional Constituinte, desencadeou a revolta do Terceiro Estado e uma série de protestos populares que culminariam com a tomada da Bastilha em 14 de julho de 1789.
53 D
(…) os cidadãos armados foram de fato convocados para cumprir a “missão pacificadora” combatendo as insurreições, sedições, rebeliões, movimentos quilombolas e todo tipo de “desordens” promovidos pelos “inimigos da nação”. Os contingentes da Guarda Nacional só eram acionados, porém, se constatada a ineficácia das força policiais.
[Ronaldo Vainfas (dir.), Dicionário do Brasil Imperial (1822-1889)]
Essa instituição foi criada no contexto
a) do Grito do Ipiranga, em 1822, como resposta imediata às ameaças portuguesas de mandar tropas para evitar a emancipação política do Brasil.
b) da dissolução da Assembleia Nacional Constituinte, em 1823, quando as forças repressivas do Império foram derrotadas por milícias particulares.
c) da Confederação do Equador, em 1824, por causa da enorme força militar e do prestígio político conquistados pelos pernambucanos.
d) da abdicação de Dom Pedro I, em 1831, pois houve uma série de agitações políticas e sociais no Rio de Janeiro, inclusive rebeliões entre grupos militares.
e) do Golpe da Maioridade, em 1840, pois a maior parte das províncias do norte e nordeste não aceitava a coroação de Dom Pedro II com apenas 15 anos de idade.
Resolução
A abdicação de D. Pedro I, em 7 de abril de 1931, consolidou a independência do Brasil e devolveu o País aos brasileiros. Parecia que a paz havia se estabelecido no Império. As facções políticas mais atuantes, po rém, começaram, ime diatamente, a se articular na defesa de suas ideias e reivin dicações. Os choques se suce diam e os motins eram cons tantes, ameaçando conti nuamente a ordem pública. As próprias tropas convocadas para sufocar as sedições e agitações acabavam por compor-se com os agitadores, tornando mais crítica a situação. Por essa razão, foi criada a Guarda Nacional, dentro da visão dos liberais moderados, como um instrumento de repressão das elites.

54 B
(…) a luta contra o capitalismo e a burguesia é inseparável da luta contra o Estado. Acabar com a classe que detém os meios de produção sem liquidar ao mesmo tempo com o Estado é deixar aberto o caminho para a reconstrução da sociedade de classes e para um novo tipo de exploração social.
(Angel J. Capelletti, apud Adhemar Marques et alli, História contemporânea através de textos)
O fragmento define parte do ideário
a) liberal.
b) anarquista.
c) corporativista.
d) socialista cristão.
e) marxista-leninista.
Resolução
O anarquismo defende a destruição do sistema capitalista, cujos fundamentos são a propriedade privada dos meios de produção, geradora da divisão social em classes. Contudo, não se pode admitir a continuidade da existência de um Estado (mesmo que proletário, como queria Marx), pois manter-se-ia outra forma de diferenciação social – o poder, o que impediria a construção de uma comunidade autoges tora e igualitária.

55 A
Uma abordagem crítica desse conflito revela crimes de guerra cometidos por Caxias, pelo conde d’Eu; põe a nu a matança de meninos de nove a quinze anos (…) dá-nos o perfil inteiro do massacre de um povo e, mais do que isso, mostra o Império do Brasil a serviço da Inglaterra, esmagando um país livre para não desequilibrar o sistema de dominação que o imperialismo inglês mantinha na América do Sul.
(Júlio José Chiavenato, A guerra contra o Paraguai)
Na primeira década de 1860, o governo paraguaio (…) buscou ter participação ativa nos acontecimentos platinos, apoiando o governo uruguaio hostilizado pela Argentina e pelo Império [do Brasil]. (…) A Guerra do Paraguai foi, na verdade, resultado do processo de construção dos Estados nacionais no Rio da Prata e, ao mesmo tempo, marco nas suas consolidações.
(Francisco Doratioto, Maldita guerra)
Os fragmentos permitem que se conclua que
a) a Guerra do Paraguai foi um evento sobre o qual é possível a construção de interpretações diversas, muitas vezes conflitantes.
b) os interesses britânicos foram os únicos responsáveis pela Guerra do Brasil, como esse conflito é conhecido no Paraguai.
c) as repúblicas sulamericanas objetivavam destruir o Império brasileiro, pela ligação deste com os interesses do capitalismo inglês.
d) a reunificação do Prata, apoiada pelo Império brasileiro, fez aguçar as tensões diplomáticas com a Argentina e o Uruguai.
e) a maior guerra da América do Sul teve início com agressão uruguaia ao Paraguai, devido aos acordos secretos dessa nação com a Argentina.
Resolução
A questão apresenta duas versões a respeito das causas da Guerra do Paraguai (1864-1870): a primeira coloca o Brasil a serviço do imperialismo inglês, interessado na destruição do modelo paraguaio de desenvolvimento autossustentado; e a segunda apresenta um conflito de interesses entre as nações que compunham o Cone Sul da América.

56 C
“Duas pessoas inventaram o New Deal: o presidente do Brasil e o presidente dos Estados Unidos”. O autor da frase foi o próprio criador do histórico plano de recuperação da economia norte-americana, Franklin Delano Roosevelt (1882-1945). O elogio foi feito em visita ao Rio de Janeiro, em novembro de 1936, e referiase ao governo de Getúlio Vargas.
(Flávio Limoncic, Os inventores do ‘New Deal’ in Revista da História da Biblioteca Nacional, agosto de 2009)
Sobre o New Deal, é correto afirmar que
a) recuperou as doutrinas liberais de Adam Smith no sentido de restabelecer o dinamismo da economia por meio das regras de mercado, além de controlar as atividades sindicais para evitar aumentos salariais que comprometessem o crescimento nacional.
b) foi decisivo na recuperação da economia capitalista por desenvolver práticas que reduziram a produção aos mesmos níveis da demanda, com a constituição de rígidos orçamentos públicos sem déficits.
c) efetivou, a partir das ideias do economista John Keynes, a intervenção do Estado na ordem econômica, principalmente por meio dos investimentos públicos em grandes obras, o que resolveria parte do problema do desemprego.
d) limitou-se em reorganizar as instituições bancárias, que passaram a sofrer com a intensa vigilância do governo norte-americano e foram obrigadas a conceder linhas de crédito populares para os agricultores.
e) optou pela utilização de algumas ortodoxias econômicas, a partir do modelo teórico de J. K. Galbraith como a concentração de capitais em atividades essenciais, principalmente as indústrias do aço e do petróleo.
Resolução
O New Deal (Novo Acordo) foi o conjunto de medidas adotadas pelo governo norte-americano para a recuperação da economia abalada com a crise de 1929. De acordo com as ideias preconizadas pelo economista inglês J.M. Keynes, o Estado teria um papel decisivo no reaquecimento econômico por meio de medidas intervencionistas, tais como: a realização de obras públicas que absorveriam a mão de obra ociosa, o controle da produção e a fiscalização das instituições financeiras.

57 E
Havia uma certa combinação (…) de que, ao Manifesto dos mineiros, se seguiria um manifesto dos baianos, no mesmo sentido. Havia contatos com alguns elementos baianos, professores de direito, antigos deputados estaduais e federais, sobretudo mais moços, como Luís Viana Filho e Aliomar Baleeiro. Mas diante da represália do governo ao Manifesto dos mineiros, os baianos acharam que não valeria a pena sacrifício inútil.
[Depoimento de Dario de Almeida Magalhães in Valentina da Rocha Lima (coordenação), Getúlio – uma história oral]
O Manifesto dos Mineiros
a) circulou clandestinamente a partir de novembro de 1935, em apoio aos militares desencadeadores da chamada Intentona Comunista.
b) foi escrito em 1935 e publicado em 1937, defendia uma presença mais forte do Estado na atividade econômica e nos planos estratégicos.
c) foi publicado em 1939, contou com o apoio de lideranças sindicais reformistas e defendia a imediata entrada do Brasil na guerra ao lado das forças aliadas.
d) foi elaborado em 1941, por alguns interventores estaduais, como Adhemar de Barros, de São Paulo, e defendia a convocação de uma assembleia constituinte.
e) foi construído e publicado no contexto do envolvimento do Brasil na Segunda Guerra, em 1943, e defendia a redemocratização do Brasil.
Resolução
A entrada e a participação do Brasil, junto aos Aliados contra o Eixo, na Segunda Guerra Mundial geraram um questionamento da política ditatorial varguista no Estado Novo. A pressão social pela abertura do regime e pela volta ao Estado de direito se apresentou em variadas formas de protesto. Um dos mais destacados foi o Manifesto dos Mineiros, em que, entre os seus signatários, estava o ex-presidente Arthur Bernardes.
58 A
(Augusto Bandeira, O Correio da Manhã, 10.07.1962, apud Jayme Brener, Jornal do Século XX, p. 226)
A charge mostra o presidente Jango
a) interessado no restabelecimento do presidencialismo, pois a sua posse, em 1961, só foi garantida com a instituição do parlamentarismo.
b) defendendo a manutenção do sistema parlamentarista, posição contrária de Carlos Lacerda (UDN) e de Adhemar de Barros (PSP).
c) responsabilizado pela radicalização política do governo em função da opção pelo sistema parlamentarista e pela reforma agrária.
d) recebendo apoio das Ligas Camponesas para defender a aprovação de uma emenda constitucional que estabe leceria a reforma agrária.
e) alheio à grave crise política gerada pela institucionalização do parlamentarismo e preocupado com as eleições presidenciais de 1965.
Resolução
A charge do jornal “O Correio da Manhã” apresenta o presidente João Goulart preparando um churrasco do parlamentarismo para comê-lo mais tarde. Impedido legalmente de assumir o cargo, por causa da oposição dos militares – que o viam como comunista e herdeiro do getulismo –, Goulart não aceitou a solução par lamentarista que diminuíra drasticamente as suas funções. Suas esperanças estavam voltadas para o plebiscito previsto para abril de 1963. No dia 10 de julho de 1962, Jango conseguiu apoio à indicação do gaúcho Francisco de Paula Brochado da Rocha para a chefia de governo, com o intuito de conseguir aprovar a antecipação do referendo. Brochado da Rocha renunciou, sem alcançar seu objetivo, mas, no dia seguinte à renuncia, uma greve forçou o estabelecimento da data para o dia 6 de janeiro de 1963. Em 1.º de janeiro, o governo aumentou o salário em 75%, garantindo o apoio dos trabalhadores para a vitória do não ao parlamentarismo.
59 A
O Chile voltou a polarizar-se nas eleições de 1970, mas desta vez entre a direita e a esquerda, diante do fracasso do governo de Eduardo Frei. A Esquerda se apresentava mais uma vez com Salvador Allende, através de uma frente chamada Unidade Popular. (…) Allende triunfou,embora obtendo apenas 34% dos votos, mas favorecendo-se da divisão das outras candidaturas.
[Emir Sader, Chile (1818-1990) – Da independência à redemocratização]
Assinale a alternativa que apresenta corretamente o governo de Salvador Allende.
a) Caracterizou-se pela construção do socialismo pela via pacífica, e contou com um programa de reformas econômicas, como a nacionalização de mineradoras e estatização de bancos.
b) Representou um grave retrocesso na organização popular na América Latina, pois o governo chileno estabeleceu alianças conservadoras, inclusive com setores da extrema-direita.
c) Constituiu-se na primeira experiência nacionalista radical da América Latina, com a estatização do petróleo, mas, paradoxalmente, com a privatização da telefonia e das ferrovias.
d) Estruturou-se a partir da chamada terceira via, ou seja, um sistema conciliador entre o socialismo e o capitalismo, daí ter sofrido importante oposição do Brasil e, principalmente, de Cuba.
e) Organizou a Operação Condor, que perseguia militantes políticos que lutavam contra regimes autoritários, em parceria com as forças repressivas da Argentina, do Paraguai e do Uruguai.
Resolução
Eleito democraticamente em 1970 por uma coligação de partidos de esquerda (Unidade Popular), Salvador Allende, de orientação marxista, empreendeu a implantação do chamado socialismo, por via pacífica, com a adoção de medidas como: reforma agrária, nacionalização de empresas estrangeiras, estatização de mineradoras (principalmente a de produção de cobre). Importante lembrar que essas medidas angariaram uma forte oposição a seu governo por parte dos Estados Unidos (contexto da Guerra Fria), bem como dos setores conservadores, o que culminaria em um golpe de Estado comandado pelo general Augusto Pinochet em 1973.

60 C
A cor amarela foi escolhida como símbolo da campanha das diretas. Mais do que a mensagem de sabedoria que muitos quiseram sustentar, tratava-se de uma forma de não deixar o vermelho das bandeiras de esquerda dominar as praças e avenidas.
(Flavio de Campos, Oficina de história: história do Brasil)
O objetivo do movimento Diretas Já! era o restabelecimento das eleições diretas para a presidência da República, daí a luta pela aprovação de uma emenda constitucional, a Dante de Oliveira. Acerca desse processo, assinale a alternativa correta.
a) Com a aprovação da emenda Dante de Oliveira, articu - lou-se uma chapa encabeçada por Ulisses Guimarães, tendo como vice, Itamar Franco, que representavam todas as forças políticas de oposição ao regime autoritário nascido em 1964.
b) A aprovação da emenda Dante de Oliveira permitiu uma ampla articulação política de oposição ao regime de exceção, a Aliança Liberal, que venceu as eleições diretas de 1985, com a chapa José Sarney (PMDB) e Leonel Brizola (PDT).
c) A emenda Dante de Oliveira não foi aprovada e o PMDB, em aliança com setores dissidentes do partido governista, por meio do Colégio Eleitoral, elegeram Tancredo Neves como presidente do Brasil, em janeiro de 1985.
d) A derrota da emenda Dante de Oliveira enveredou o movimento Diretas Já! para caminhos mais radicais, como o apoio à Greve Geral de junho de 1984 e a recusa em participar do Colégio Eleitoral em janeiro de 1985.
e) Para a aprovação da emenda Dante de Oliveira, as forças de oposição à Ditadura Militar foram obrigadas a aceitar as eleições diretas apenas em 1989 e o Colégio Eleitoral elegeu o senador Itamar Franco para presidente do Brasil.
Resolução
A vitória da oposição, nas eleições diretas para governador em importantes Estados do sul-sudeste (PR, SP, MG e RJ), estimulou estes setores da oposição a encampar a proposta petista de forçar o governo militar a promover eleições diretas também para presidente da República. Deslanchou-se, assim, a campanha das Diretas Já!, com grandes comícios realizados por todo o Brasil. Entretanto, para que isso fosse possível, era necessário mudar a Constituição por meio de uma emenda que deveria ser aprovada por dois terços dos votos no Congresso. A proposta de alteração constitucional foi apresentada pelo deputado Dante de Oliveira e, apesar da euforia oposicionista, acabou der rotada.
A partir daí, a oposição se uniu (menos o PT) em torno de um candidato único – Tancredo Neves – para enfrentar o candidato do partido governista no Colégio Eleitoral. A candidatura oficial de Paulo Maluf dividiu o PDS, levando à formação do Frente Liberal. Numa hábil manobra, Tancredo aproximou-se da dissidência, oferecendo a esta a vice-presidência. José Sarney filiou-se ao PMDB (em função do voto vinculado)
formando a Aliança Democrática, que derrotou Maluf pelo voto indireto.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

história na mídia

Nazista é julgado por morte 27.900 judeus na Polônia

O suposto criminoso nazista ucraniano John Demjanjuk, de 89 anos e entregue pelos Estados Unidos à Alemanha em maio, responde a partir de hoje, na Audiência de Munique, por cumplicidade no assassinato de 27.900 judeus no campo de extermínio de Sobibór, na Polônia.
Demjanjuk, que foi guarda voluntário da SS (as tropas de proteção do partido nazista alemão), responde por acusações feitas pela Promotoria de Munique e apoiadas por testemunhos de sobreviventes e 30 familiares das vítimas.
Será um julgamento por indícios, já que quase não há mais testemunhas do ocorrido nos seis meses em que Demjanjuk supostamente atuou como Trawniki (guarda voluntário) em Sobibór.
Trata-se do último grande processo na Alemanha por delitos do nazismo, devido à avançada idade tanto dos criminosos quanto de suas vítimas, além de ser também o primeiro julgamento de um estrangeiro no país. Demjanjuk é ucraniano.
A principal prova contra ele é um carteira de identidade das SS com o número 1393, segundo a qual prestou serviços no campo e durante o período em que morreram 27.900 judeus em Sobibór.
Demjanjuk, que nasceu em Dobowoije (Ucrânia) em 1920, nega ter trabalhado como guarda voluntário e foi recrutado pelo Exército Vermelho para lutar contra as tropas de Hitler, mas, em 1942, foi capturado pelas SS.
Segundo a acusação, foi treinado até se tornar um dos 150 Trawniki do campo.


fonte: Agência EFE http://www.yahoo.com.br/ acesso em 30/11/2009

domingo, 29 de novembro de 2009

Carandiru

INTERTEXTO
Massacre do Carandiru






Estação Carandiru








Estação Carandiru (1999) é um livro do médico oncologista, professor e escritor Dráuzio Varella (1943).
No best-seller, o autor conta sua experiência como médico voluntário, a partir de 1989, na Casa de Detenção de São Paulo, onde realiza atendimento em saúde, especialmente na prevenção da AIDS. Conta o que ouviu dos presos ou o que presenciou e termina com um relato do massacre de 1992, quando foram assassinados cento e onze detentos no "Pavilhão 9". O autor registra que, segundo os presos, foram mais de "...250 mortos, contados os que sairam feridos e nunca retornaram".
Editado pela Companhia das Letras, o livro é considerado um dos maiores fenômenos editoriais brasileiros, com mais de 460 mil exemplares vendidos e Prêmio Jabuti 2000 de Livro do Ano de Não-Ficção. Foi adaptado para o cinema com o filme Carandiru.




O massacre na Casa de Detenção de São Paulo ou o massacre do Carandiru, como foi popularizado pela mídia, ocorreu no dia 2 de outubro de 1992, quando uma rebelião causou a morte de cento e onze detentos pela Polícia Militar do Estado de São Paulo.










Origem da rebelião e intervenção policial
A rebelião teve início com uma briga de presos no Pavilhão 9 da Casa de Detenção. A intervenção da Polícia Militar, liderada pelo coronel Ubiratan Guimarães, tinha como justificativa acalmar a rebelião, mas acabou por realizar uma verdadeira chacina no local. Sobreviventes afirmam que o número de mortos é superior ao divulgado e que a Polícia estava atirando em detentos que já haviam se rendido ou que estavam se escondendo em suas celas. Nenhum dos sessenta e oito policiais envolvidos no massacre foram mortos. A promotoria do julgamento do coronel Ubiratan classificou a intervenção como sendo "desastrosa e mal-preparada".


Carandiru (filme)

Brasil Argentina 2002 147 min
Produção
Direção
Hector Babenco



Roteiro/Guião
Hector Babenco
Fernando Bonassi

Victor Navas


Elenco
Luiz Carlos Vasconcelos
Rodrigo SantoroMilton GonçalvesAilton Graça
Maria Luisa Mendonça














Carandiru é um filme brasileiro e argentino de 2002, do gênero drama, dirigido pelo argentino naturalizado brasileiro Hector Babenco.
O filme é uma superprodução baseado no livro Estação Carandiru, do médico Drauzio Varella, onde ele narra suas experiências com a dura realidade dos presídios brasileiros em um trabalho de prevenção à AIDS realizado na Casa de Detenção.
O orçamento de Carandiru foi de doze milhões de reais.

Sinopse
O filme aborda o cotidiano da extinta "Casa de Detenção", mais conhecida por Carandiru (por se localizar no bairro de mesmo nome na cidade de São Paulo), antes e durante o massacre ocorrido em 2 de outubro de 1992, em que 111 presos foram mortos.





Canções

"Diário de um Detento" (Mano Brown, Jocenir) – Racionais MC's em Sobrevivendo No Inferno (1997)

"Haiti" (Caetano Veloso, Gilberto Gil) – Caetano Veloso e Gilberto Gil em Tropicália 2 (1993)










Diário de um Detento

Essa canção de rap do grupo Racionais MC's, foi escrita pelo ex-detento Jocenir. A letra da música aborda a a rebelião do presídio do Carandiru, ocorrida em 2 de outubro de 1992, quando 111 presídiários foram mortos pela polícia em evento que ficou conhecido como Massacre do Carandiru. O nome também é titulo de um livro do mesmo autor.








Curiosidades
Até então não se sabe ao certo de quem veio a ordem para atuar, mas aponta-se para o então governador de São Paulo, Luiz Antônio Fleury Filho. Ao longo da música existem duas passagens em que é citado o nome de Fleury. Esta foi a música que impulsionou a carreira do grupo e ainda hoje é considerada a melhor música do grupo Racionais MC's.
Diário de um Detento é quase todo cantado por Mano Brown, um dos quatro integrantes da banda, e em um pequeno trecho ocorre a participação de Ice Blue, outro integrante do grupo.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

HISTÓRIA NA MÍDIA


Maluf e Tuma responderão por ocultar mortos na ditadura

Foto de 1990 mostra um funcionário colocando em sacos algumas das 1500 ossadas encontradas no Cemitério Dom Bosco em Perus, zona oeste de São Paulo. O Ministério Público Federal em São Paulo (MPF-SP) ofereceu nesta quinta-feira denúncia à Justiça Federal contra o ex-governador de São Paulo, deputado federal Paulo Maluf (PP-SP), e o senador Romeu Tuma (PTB-SP) por ocultação de cadáveres durante o período da ditadura militar no Brasil (1964-1985).
O Ministério Público Federal em São Paulo (MPF-SP) ofereceu hoje denúncia à Justiça Federal contra o ex-governador de São Paulo, deputado federal Paulo Maluf (PP-SP), e o senador Romeu Tuma (PTB-SP) por ocultação de cadáveres durante o período da ditadura militar no Brasil (1964-1985). Além dos dois parlamentares, foram denunciados em duas ações civis públicas o ex-prefeito da capital paulista Miguel Colasuonno, o médico legista e ex-chefe do necrotério do Instituto Médico Legal (IML) de São Paulo Harry Shibata, e o ex-diretor do Serviço Funerário Municipal Fábio Pereira Bueno.
O MPF-SP requer na Justiça que os cinco percam suas funções públicas e o direito à aposentadoria, bem como sejam condenados a reparar danos morais coletivos, mediante indenização de, no mínimo, 10% do patrimônio pessoal de cada um. Por se tratar de ações civis públicas, a iniciativa não ameaça os mandatos de Tuma e Maluf, protegidos pela Constituição Federal. A procuradora responsável pelo caso, Eugênia Augusta Gonzaga Fávero, propôs que as indenizações sejam revertidas em medidas que preservem a memória das vítimas da ditadura.
Nas ações entregues à Justiça, o MPF-SP afirma que desaparecidos políticos foram sepultados nos cemitérios de Perus e Vila Formosa, na capital paulista, de forma "ilegal" e "clandestina", com a participação do IML e da Prefeitura de São Paulo. Segundo a procuradora, ambos contribuíram para que as ossadas permanecessem sem identificação em valas comuns dos cemitérios e atestaram falsos motivos de morte a vítimas de tortura. De acordo com a denúncia, o legista Harry Shibata teria ocultado os reais motivos dos óbitos de inúmeros militantes políticos, como, por exemplo, do jornalista Vladimir Herzog.
O MPF-SP aponta que Paulo Maluf, quando era prefeito, ordenou a construção do cemitério de Perus. De acordo com as ações, algumas valas do recinto tinham quadras marcadas específicas para receber a ossada de "terroristas". Os documentos entregues à Justiça apontam ainda que o projeto original do cemitério previa um crematório, mas a Prefeitura desistiu após a empresa contratada ter estranhado o plano, que não previa um hall para orações. De acordo com o MPF-SP, o governo municipal chegou a fazer sugestões buscando mudar a legislação para dispensar a autorização da família para realizar procedimento, o que possibilitaria que indigentes fossem cremados.
As denúncias salientam ainda a participação nas operações de agentes do Departamento Estadual de Ordem Política e Social, o Deops, órgão estadual de repressão que teve como chefe o atual senador Romeu Tuma. Segundo o MPF-SP, há documentos que comprovam a ocorrência de interrogatórios "sob tortura" na instituição e que demonstram que Tuma tinha conhecimento das várias mortes ocorridas sob a tutela de policiais do Deops, mas não as comunicou aos familiares dos mortos.
As ações civis públicas oferecidas hoje pelo MPF não são as primeiras que procuram responsabilizar o Estado pela ocultação da ossada de perseguidos políticos. No Distrito Federal tramita ação, com atuação do MPF-DF e do MPF-PA, para identificar guerrilheiros e moradores da região do Araguaia, mortos na ofensiva do governo para exterminar a guerrilha na década de 1970. No Rio Grande do Sul, o MPF pediu a abertura de inquérito para que sejam apuradas as reais circunstâncias da morte do presidente João Goulart, na Argentina, em 1976.
"Depois de 39 anos, abordar de forma leviana um assunto dessa natureza é no mínimo uma acusação ridícula", disse Maluf, em nota. A reportagem procurou Tuma, mas o senador estava em voo. Segundo sua assessoria, Tuma ainda não recebeu informações sobre a denúncia.


quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Vendo o monstro se criar
Por: José Valmir Dantas de Andrade
Os episódios de corrupção envolvendo somente as mansões dos homens públicos não focam uma série de outras ações corruptas; a imprensa foca tão somente o fato individual. O que seria viável era fazer uma discussão mais profícua sobre causas. A filosofia tem um princípio básico segundo o qual nada surge e/ou emerge do nada, do acaso. Nada é causa de si mesmo. Há sempre uma gênese, uma origem das coisas; uma causa que causa os fenômenos. No caso particular da corrupção no Brasil, não é algo natural, sempre houve uma estrutura jurídico-política que, reforçada pelo modo de produção capitalista, a forjou e sustentou. E, diga-se de passagem, o modo de produção capitalista encontrou no Brasil, um solo fértil para produzir e reproduzir corrupção e desigualdade social.
A nossa elite, por sua vez, sempre nadou de braçadas, certos da impunidade, certos de que as leis no nosso país, até hoje, só têm servido para punir pobres e minorias excluídas. O músico Herbert Viana ilustrou de uma forma eloqüente a nossa realidade, na música Selvagem, quando canta:
"A polícia apresenta suas armas
Escudos transparentes, cassetetes
Capacetes reluzentes
E a determinação de manter tudo
Em seu lugar
O governo apresenta suas armas
Discurso reticente, novidade inconsistente
E a liberdade cai por terraAos pés de um filme de Godard
A cidade apresenta suas armas
Meninos nos sinais, mendigos pelos cantos
E o espanto está nos olhos de quem vê
O grande monstro a se criar
Os negros apresentam suas armas
As costas marcadas, as mãos calejadas
E a esperteza que só tem quem tá
Cansado de apanhar".
As nossas cidades foram formadas e, ainda estão se formando a partir destes arquétipos; são mansões da elite governante, os mendigos pelas ruas, meninos nos sinais e o espanto em nossos olhos vendo, impotentes, o grande monstro a se criar. Essa situação em si já é amoral e, mais amoral ainda, é saber que a desigualdade, além de tudo, de toda a sua gravidade, aqui é fruto de corrupção. Para ser mais claro, é fruto de roubo da coisa pública.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

HISTÓRIA NA MÍDIA






Modelo cubano é posto em xeque no 50º aniversário da revolução
Historiadores dizem ser difícil fazer um balanço dos avanços de Cuba. É preciso relativizar impacto do embargo dos EUA, afirmam analistas.
Daniel Buarque
Do G1, em São Paulo



Foto: AFP
Anúncio comemora o 50º aniversário da Revolução Cubana (Foto: AFP)
Um dos principais marcos da história do continente, a Revolução Cubana completa 50 anos nesta quinta-feira (1º). Alvo ao mesmo tempo de idolatria e de críticas violentas, o modelo cubano entra na sua sexta década depois de tirar do poder um ditador e instaurar um modelo político controverso, aclamado em sua busca pela igualdade social e acusado de tolher a liberdade da população.

Por mais recheada de polêmicas e debates que seja a história recente de Cuba, a importância da tomada do poder pelo grupo liderado por Fidel Castro, 50 anos atrás, é consensual, segundo o historiador Luís Fernando Ayerbe, autor de “A Revolução Cubana” (Ed. UNESP).
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“O momento de tomada do poder é fundamental, pois é quando um grupo de rebeldes idealistas consegue apoio popular para derrotar uma ditadura bem armada. É muito importante. O que veio depois disso foi um processo longo, que não é consenso entre os pesquisadores e que leva a muita divergência”, disse, em entrevista ao G1. Segundo o historiador Antoni Kapcia, professor da universidade britânica de Nottingham especialista em América Latina, entretanto, foi este momento revolucionário que pôs em marcha o que se seguiu desde então. “O momento exato da revolução foi o que pôs em marcha o processo que se seguiu e que mudou a história do continente. É o ponto em que tudo começou, um ponto de mudança que se seguiu até 1962, quando se tornou claro o que aconteceria desde então”, disse ao G1. “As mesmas estruturas e ideologia dos primeiros anos sobrevivem até hoje, bem como os processos de participação e envolvimento popular. Também sobrevive o compromisso com o bem-estar social. Paralelo a isso, há a sobrevivência do embargo norte-americano”, disse Kapcia. Balanço Segundo os pesquisadores ouvidos pelo G1, é difícil fazer um balanço que avalie os avanços e retrocessos de Cuba desde a revolução. Eles apontam que houve erros do governo instaurado em 1959, mas alegam que Cuba muitas vezes agiu sob pressão internacional, e que, por ser um caso único no mundo atual, não pode ser julgado de forma simplista. “É difícil dizer se o modelo cubano é bem-sucedido ou se fracassou. O sistema implantado funcionou muito bem em termos de benefícios aos cidadãos, manutenção da unidade e da segurança, incluindo participação popular e resistência ao embargo. Cuba é um caso único, que resistiu a todo tipo de pressão internacional, e seu modelo não pode ser copiado, por mais que seja inspiração para movimentos de esquerda que existem até hoje no continente”, disse o professor britânico. Embargo No cerne das discussões sobre os lados positivos e negativos do modelo cubano encontra-se o cerco dos Estados Unidos à economia do país: o embargo econômico. Para os que defendem a ilha, o bloqueio econômico é responsável pela penúria em que vivem muitos cubanos. Sem poder fazer negócios com a mais importante economia do mundo, a ilha amarga sérios problemas econômicos, e acaba penalizando a qualidade de vida. Segundo os historiadores entrevistados, o embargo é, sim, importante, mas não pode ser apontado como única causa dos problemas cubanos. “O embargo norte-americano é muito mais importante de que os críticos de Cuba sabem, e muito menos relevante do que o governo cubano historicamente alega. Ele foi responsável pela aproximação entre Cuba e a União Soviética, por exemplo, e fez com que a economia cubana se tornasse dependente do Estado. As coisas pioraram nos anos 90, é verdade, e não se pode ignorar seus efeitos, mas culpar o embargo por tudo é tirar a responsabilidade dos cubanos por muitos erros na condução do país”, disse Kapcia. O professor Ayerbe faz coro com o britânico, e diz que o impacto do embargo precisa ser relativizado. “É um grave problema, atrapalha a economia do país e sua integração global, mas o país já vem estreitando relações comerciais com muitos países do mundo, independentemente do bloqueio dos Estados Unidos. Não se pode dizer que é o fator principal dos problemas cubanos, por mais que seja, sim, importante.” A mudança de liderança política nos Estados Unidos, entretanto, não deve diminuir a pressão do país em relação a Cuba, segundo Ayerbe. “É difícil imaginar que o embargo vai ser encerrado pelo novo governo dos EUA. Obama já disse ser contra o embargo, mas existem vários entraves políticos e econômicos, que fazem com que o governo mantenha a política em relação à ilha.” Futuro A manutenção do modelo atual e o futuro de Cuba têm sido objeto de análises no mundo inteiro desde que Fidel Castro se afastou do poder, em 2006, e renunciou à presidência, no início de 2008. Para alguns pesquisadores, o caminho a ser seguido pelo irmão do líder da Revolução, Raúl Castro, segue os passos do que aconteceu na China, que se abriu ao capital internacional. Para o professor da universidade britânica, no entanto, os passos de Raúl na presidência dão impressão de que a guinada política do país não vai ser tão radical. “Os líderes cubanos têm medo dos custos de seguir o modelo chinês, que é cheio de desigualdades e de corrupção. Não acredito que eles sigam este exemplo, e acho que vão tentar seguir o que existe no Vietnã, que tem uma economia mais moderna e aberta, mas menos capitalista que a da china atual. Não acho que eles estejam próximos de se tornar uma democracia multipartidária, entretanto.”

HISTÓRIA NA MÍDIA

Cronologia da Revolução Cubana
Veja as principais datas da revolução que levou Fidel Castro ao poder em Cuba
Da BBC

1959: Nasce a Revolução
01/01/1959 - Fulgencio Batista renunciou ao cargo de presidente de Cuba e fugiu do país quando guerrilheiros revolucionários, liderados por Fidel Castro, entraram na cidade de Santiago de Cuba. Enquanto uma coluna do Exército 26 de Julho de Fidel Castro entrou no porto da cidade, um outro grupo de rebeldes tomou a capital, Havana, levando o general Batista a fugir às 3 horas da manhã para Ciudad Trujillo, na República Dominicana. Depois de perder o apoio do governo dos EUA, o governo de Batista ficou em situação frágil quando a ofensiva contra os rebeldes em meados de julho fracassou. O general Batista havia liderado dois golpes. No segundo, em 1952, ele tomou o lugar do presidente eleito Carlos Prío.
16/02/1959 - O líder revolucionário Fidel Castro tornou-se o mais jovem premiê da história de Cuba, assumindo o cargo aos 32 anos. O Exército 26 de Julho assumiu o controle do país no dia 1º de janeiro, após a fuga do presidente Fulgencio Batista.
Fidel sucedeu a José Miró Córdoba, que assumira o cargo no dia 5 de janeiro, mas renunciou dias depois sem explicação, juntamente com todo o gabinete.
"Nós temos grandes planos", disse Fidel Castro. "Sofremos quando não conseguimos colocá-los (os planos) em prática rapidamente, mas preparativos técnicos levam tempo."
15/04/1959 - Fidel Castro visita os EUA, numa viagem marcada por tensões com o governo americano, preocupado com sua retórica anti-americana. Apesar de a Casa Branca ter reconhecido formalmente o novo regime cubano seis dias após Fidel ter tomado o poder, o presidente Dwight D. Eisenhower não encontrou Fidel durante sua visita, devido principalmente a tensões causadas pela decisão cubana de nacionalizar fábricas e propriedades agrárias controladas por americanos.
Os EUA romperam relações diplomáticas com Cuba em janeiro de 1961.

1960: Divergências entre os EUA e Cuba
05/07/1960 - O governo anunciou que todas as empresas americanas em Cuba seriam nacionalizadas sem indenização.
A ordem foi um dos primeiros passos na guerra econômica já em andamento entre os dois países, e ocorreu depois que os EUA reduziram a cota de importação de açúcar em 700 mil toneladas.
O clima era de tensão desde que Fidel Castro sancionou a primeira Lei de Reforma Agrária, que permitiu a expropriação de latifúndios por um preço considerado inadequado pelas prorietárias, as empresas americanas.

1961: Invasão da Baía dos Porcos
17/04/1961 - Um exército de contra-revolucionários invadiu a ilha com o objetivo de destruir o líder do país, Fidel Castro.
A força, com cerca de 1,4 mil exilados cubanos, desembarcou na Baía dos Porcos, com apoio de forças aéreas e navais dos EUA. Miró Cardona, líder do movimento, disse que havia começado a batalha "para liberar nossa pátria do regime despótico de Fidel Castro".
Fidel liderou, ele próprio, a operação para repelir a invasão, dizendo em um discurso na rádio cubana que "os gloriosos soldados do Exército revolucionário e da milícia nacional estão lutando contra o inimigo em todos os pontos onde ele desembarcar".
19/04/1961 - A invasão da Baía dos Porcos terminou depois que os exilados cubanos que tentaram derrubar o governo de Fidel Castro foram capturados.
Os contra-revolucionários apoiados pelos EUA tinham a intenção de penetrar na ilha e unir os cubanos em torno de sua causa.
Mas o apoio não veio, e a Brigada 2506 ficou atolada em um pântano na Baía dos Porcos.
Um total de 104 membros da Brigada 2506 foram mortos e 1.189 foram capturados.
01/05/1961 - O primeiro-ministro de Cuba, Fidel Castro, proibiu eleições no país depois de declarar a ilha uma "nação socialista".
Discursando em um desfile de 1º de Maio em Havana, Fidel disse que "a revolução não tem tempo para eleições".
"Não há governo mais democrático na América Latina do que o governo revolucionário", acrescentou ele.
De acordo com o correspondente da BBC Erik de Mauny, a revolução de Fidel Castro parecia então ser popular entre os agricultores, mas não entre as classes mais abonadas que tiveram suas terras e propriedades confiscadas.
04/09/1961 - Os EUA aprovaram uma lei autorizando o presidente Kennedy a impor um "embargo comercial total" contra Cuba. A Lei de Ajuda Externa proibiu qualquer auxílio à ilha.
Um embargo parcial já havia sido imposto pelo presidente Eisenhower em 1960, mas excluía alimentos e remédios.

1962: A Crise dos Mísseis
22/10/1962 - Após a descoberta de mísseis soviéticos em Cuba, o presidente Kennedy fez um pronunciamento na TV declarando um bloqueio naval contra Cuba e ameaçando: "É política desta nação considerar qualquer lançamento de míssil nuclear contra qualquer nação do Hemisfério Ocidental um ataque contra os Estados Unidos, exigindo uma resposta retaliatória completa à União Soviética."
Analistas disseram que o mundo estava à beira da guerra nuclear.
28/10/1962 - O líder russo Nikita Khrushchev concordou em desmobilizar todos os mísseis russos colocados em Cuba, pondo fim à ameaça iminente de guerra nuclear.
O anúncio foi feito em uma mensagem pública ao presidente americano John F. Kennedy na Rádio Moscou.
Em resposta, Kennedy disse que a decisão era "uma importante contribuição à paz" e prometeu que os EUA não invadiriam Cuba.
O clima era de tensão desde que um avião de reconhecimento U2 havia revelado a existência de vários mísseis na ilha no dia 14 de outubro.
24/12/1962 - O último dos mais de mil prisioneiros da invasão da Baía dos Porcos, em Cuba, foi enviado para os EUA antes do Natal. O governo concordou em receber uma recompensa de US$ 53 milhões em alimentos e suprimentos médicos, doada por empresas de várias partes dos EUA, como condição para a libertação dos exilados cubanos.
O transporte por via aérea dos prisioneiros começou no dia 23, quando os primeiros 107 homens embarcaram em um DC-6 da Pan American World Airways em uma base militar perto de Havana.
Uma multidão de 10 mil exilados cubanos nos EUA receberam os 1.113 homens libertados por Cuba no Dinner Key Auditorium, no subúrbio de Miami.

1963-1971: Morre 'Che' Guevara
09/10/1967 - Surgiram notícias de que o líder revolucionário marxista Ernesto "Che" Guevara fora morto durante uma batalha entre soldados do Exército e guerrilheiros na selva boliviana.
Uma declaração emitida pelo comandante da 8ª Divisão do Exército Boliviano, coronel Joaquín Zenteno Anaya, anunciava que o líder guerrilheiro de 39 anos havia sido morto a tiros perto do vilarejo de Higueras, no sudeste do país.
Guevara era um ex-braço direito do premiê cubano Fidel Castro, mas desaparecera em 1965 e seu paradeiro vinha sendo muito debatido desde então.
Um exame necrológico no corpo de Che Guevara, realizado dois dias após sua morte, sugeriu que ele não foi morto num tiroteio, mas capturado e executado um dia depois.

1971-1980: Vozes dissidentes
04/11/1975 - Começou um envio maciço de tropas cubanas para Angola, uma semana antes da data marcada pelos nacionalistas para declarar a independência do país.
As tropas apóiam o Movimento Popular para a Libertação de Angola (MPLA), que vinha lutando pela independência de Portugal desde 1961.
As forças cubanas se confrontariam, em Angola, com as tropas da África do Sul, que apóiavam as forças da Unita.
Angola era o mais novo front das várias guerras "indiretas" entre a União Soviética, que entrou com as forças cubanas, e o Ocidente, que apoiava a Unita.
27/03/1976 - Forças sul-africanas retiram-se de Angola, no que foi visto como uma vitória da presença militar cubana no país.
As tropas cubanas tinham sido enviadas a Angola antes da independência do país, em novembro do ano anterior, e vinham lutando contra tropas sul-africanas que apoiavam as forças rebeldes da Unita.
As forças cubanas apoiavam o comunista Movimento Pela Libertação de Angola (MPLA), e receberam apoio da União Soviética.
02/12/1976 - Castro se tornou presidente de Cuba depois de mudanças na Constituição do país.
Ele vinha ocupando o cargo de primeiro-ministro desde 1959, após a vitória da revolução cubana e da fuga de Fulgencio Batista.
As mudanças constitucionais tinham o objetivo de institucionalizar a revolução e fazer de Fidel Castro presidente do Conselho de Estado e Conselho de Ministros.
A Constituição foi aprovada por um referendo nacional no dia 15 de fevereiro deste ano.

1981-1990: Resistência no exílio
31/10/1980 - O êxodo em massa de cubanos para os EUA, conhecido como "Fuga de Mariel", teve fim depois de um acordo entre os dois países.
Os cubanos começaram a seguir para os EUA no dia 15 de abril, quando, depois de uma desaceleração da economia do país, o governo anunciou que quem quisesse poderia partir.
Um total de 125 mil migrantes havia deixado o porto de Mariel, em Cuba, para fazer a travessia para a Flórida.
Mas o êxodo se mostrou um problema para o presidente americano Jimmy Carter, depois que foi descoberto que vários dos exilados eram ex-prisioneiros ou pessoas com problemas mentais.
25/10/1983 - Forças invasoras americanas entraram em choque com soldados cubanos na ilha caribenha de Granada.
Uma coalizão dos EUA e forças regionais entrou em Granada depois de uma luta de poder na ilha que se seguiu ao assassinato do primeiro-ministro Maurice Bishop seis dias antes.
Bishop desenvolvera laços estreitos com Cuba desde que chegara ao poder na revolução de Granada, em 1979.
A invasão foi considerada pelas Nações Unidas como "uma violação flagrante das leis internacionais" por 122 votos a nove.
17/09/1989 - Os últimos soldados cubanos que haviam entrado na Etiópia em 1977, como parte da Guerra de Ogaden, deixam o país.
Cerca de 15 mil soldados cubanos tomaram parte inicialmente no conflito na conturbada região do leste da África durante uma de várias guerras indiretas entre as potências.
Cuba apoiou os etíopes contra a Somália em uma batalha pelo deserto de Ogaden.
Cerca de 400 cubanos morreram durante o conflito inicial, que durou até 1978 - embora vários dos soldados tenham permanecido no país até a década de 80.

1991-1995: Fim de uma longa relação
06/11/1993 - O governo cubano anunciou que as estatais cubanas seriam abertas ao investimento privado.
A iniciativa tinha o objetivo de estimular a economia de Cuba, gravemente afetada pela dissolução de seu principal parceiro comercial, a União Soviética, em 1991.
Com o fim da União Soviética, Cuba permanece como um dos poucos países comunistas do mundo, ao lado de Coréia do Norte e Vietnã.
Os EUA mantém um embargo comercial com Cuba desde que Fidel Castro ordenou a nacionalização de todas as sua indústrias na ilha em 1961.
12/03/1996 - O Congresso dos EUA aprovou lei reforçando o embargo comercial do país a Cuba.
A Lei Helms-Burton ampliou a medida, tornando passíveis de processo empresas estrangeiras que tenham relações comerciais com Cuba.
A lei tinha o objetivo de trazer "uma transição pacífica para uma democracia representativa e uma economia de mercado em Cuba".
A proposta não foi aprovada originalmente quando foi apresentada no Congresso em 1995, mas foi reapresentada depois que caças cubanos derrubaram dois aviões privados operados por um grupo anti-castrista no mês anterior.

1996-2000: Entre a realidade e a esperança
21/01/1998 - O papa João Paulo 2º pediu reformas e a libertação de presos políticos em Cuba, ao mesmo tempo em que condenou tentativas dos EUA de isolar o país.
Em pronunciamento na capital, Havana, o papa disse que a liberdade de consciência é "a base e o fundamento de todos os direitos humanos".
Um Estado moderno não pode tornar o ateísmo ou a religião um de seus ordenamentos políticos", acrescentou.
João Paulo 2º foi o primeiro pontífice a visitar a ilha caribenha comunista. O presidente Fidel Castro, que estudou em um colégio jesuíta, declarou Cuba um Estado ateu depois que assumiu o poder em 1959.
27/11/1999 - Um menino cubano e dois adultos que sobreviveram ao naufrágio de um barco que seguia para os EUA foram resgatados perto do litoral da Flórida.
A Guarda Costeira encontrou também os corpos de outros sete passageiros que se afogaram, inclusive o da mãe do garoto.
O menino, Elián González, foi resgatado por um pescador a cerca de 3 quilômetros da costa de Fort Lauderdale.
07/12/1999 - Os cubanos realizaram protestos diante da embaixada dos EUA em Havana, exigindo a volta de Elián González, de seis anos. Ele havia sobrevivido ao naufrágio em que sua mãe morreu, na costa da Flórida. Cubanos munidos de faixas gritavam palavras de ordem anti-americanas; e o presidente cubano, Fidel Castro, acusou os EUA de "seqüestrarem" o menino. Os colegas de classe de Elián também estavam na manifestação realizada na capital cubana.
22/04/2000 - Agentes federais dos EUA tomaram o menino de parentes depois de uma batida na casa deles em Miami nas primeiras horas da manhã.
Cerca de 25 agentes derrubaram a porta da casa e saíram do imóvel com Elián enrolado em um cobertor.
O menino foi colocado em um veículo e levado do local em meio a cenas caóticas.
Elián foi colocado em um avião e levado para a base da Força Aérea de Andrews, no subúrbio de Washington, onde viu seu pai pela primeira vez em cinco meses.
14/12/2000 - O presidente da Rússia, Vladimir Putin, visitou Cuba, onde assinou um acordo para estimular o comércio bilateral.
Durante esta primeira visita de um líder russo desde a desintegração da União Soviética, Putin disse que vinha examinando formas de perdoar a dívida cubana de US$ 11 bilhões.
O comércio da Rússia com Cuba diminuiu acentuadamente desde 1991, chegando agora a US$ 1 bilhão por ano, em comparação aos US$ 3,6 bilhões no último ano de existência da União Soviética.
Mas Putin disse que há questões que ainda precisam ser resolvidas com Cuba, como o pagamento da dívida cubana para com Moscou.

2001-2009: Sem Fidel
06/05/2002 - Cuba foi incluída na lista de países do "Eixo do Mal" dos EUA e acusada de procurar desenvolver armas biológicas.
O subsecretário de Estado americano, John Bolton, colocou a ilha ao lado de Líbia e Síria em uma nova lista de países considerados "Estados que patrocinam terrorismo".
Os três estão "buscando armas de destruição em massa", disse Bolton.
O "Eixo do Mal" original, identificado pelo presidente americano, George W.Bush depois dos ataques de 11 de setembro, era formado por Coréia do Norte, Iraque e Irã.
12/05/2002 - O ex-presidente dos EUA, Jimmy Carter, chegou a Cuba para uma visita de seis dias que tem o objetivo de ajudar a aproximar os dois vizinhos, que brigam há mais de 40 anos.
O governo cubano não está realmente interessado em ter relações normais com o governo dos EUA.
Carter foi recebido no aeroporto por Fidel Castro e conversou com políticos e dissidentes antes de um pronunciamento na TV.
O ex-presidente foi o político americano que ocupou cargo mais elevado a visitar Cuba desde que Fidel Castro subiu ao poder há 43 anos.
Depois que deixou o cargo em 1981, Carter criou uma organização pela causa da paz e o entendimento entre os povos.
01/08/2006 - O veterano líder cubano, Fidel Castro, passou o poder temporariamente a seu irmão, Raúl, por causa de uma doença.
Uma nota escrita pelo presidente e lida na TV por seu secretário pessoal, dizia que Fidel Castro tinha se submetido a uma cirurgia para estancar uma hemorragia interna.
O líder cubano, que completara 80 anos, disse que uma agenda muito cheia nas últiams semanas afetara sua saúde.
Esta foi a primeira vez que Fidel Castro abriu mão de algum de seus poderes desde que assumiu o governo, em 1959.
04/08/2006 - O presidente dos EUA, George W. Bush pediu aos cubanos que trabalhassem por uma transição democrática em suas primeiras declarações desde que Fidel Castro passou por uma cirurgia no estômago.
Bush prometeu apoio de Washington aos cubanos que procurarem "construir um governo de transição em Cuba comprometido com a democracia".
Desde que Fidel Castro passara o poder a seu irmão, Raúl, três dias antes, nenhuma imagem de nenhum dos dois foi divulgada.
Os meios de comunicação cubanos destacaram que as Forças Armadas estavam preparadas para qualquer ataque ao sistema comunista.
11/08/2007 - Um conhecido dissidente cubano foi libertado depois de quase 15 anos na prisão por revelar segredos da segurança do Estado.
Francisco Chaviano, um ex-professor, foi condenado em 1995 e recebeu liberdade condicional.
A Comissão Cubana para os Direitos Humanos e a Reconciliação Nacional, que é independente, disse que ele era o prisioneiro político preso há mais tempo no país.
Chaviano foi um dos principais dissidentes e ativistas pelos direitos humanos de Cuba em meados da década de 90. Em 2006, a Anistia Internacional havia dito que o julgamento militar a que ele havia sido submetido não atendia aos padrões internacionais.
19/02/2008 - O debilitado líder cubano, Fidel Castro, anunciou que não aceitaria outro mandato como presidente, encerrando seus 49 anos no poder.
O líder, de 81 anos de idade, passou o governo temporariamente a seu irmão, Raúl, em julho de 2006, quando foi operado, e não foi visto em público desde então.
O novo Parlamento de Cuba se reuniria em seguida para eleger um novo presidente.
Washington pediu a Cuba que realize eleições livres, e disse que seu embargo que já dura décadas deve continuar em vigor.
25/02/2008 - Raúl Castro foi indicado por unanimidade sucessor de seu irmão, Fidel, como líder de Cuba, pela Assembléia Nacional.
Raúl, na verdade, vinha sendo presidente desde que Fidel foi operado em julho de 2006. Acredita-se que Raúl foi o único nome em uma votação vista como uma formalidade.
Em discurso à nação depois da votação a portas fechadas, Raúl Castro disse que o governo cubano iria continuar a consultar Fidel, de 81 anos, sobre as grandes decisões de Estado - uma iniciativa apoiada pelos integrantes da Assembléia Nacional.
"O comandante-em-chefe da Revolução Cubana é único, Fidel é Fidel, como todos bem sabemos, ele é insubstituível", disse Raúl Castro.
25/12/2008 - O presidente de Cuba, Raúl Castro, teve um encontro com o líder venezuelano Hugo Chávez em sua primeira viagem ao exterior depois que assumiu o poder, substituindo Fidel Castro.
Os dois líderes assinaram uma série de acordos nas áreas comercial e de energia.
O encontro ocorreu poucas semanas antes do 50º aniversário da Revolução Cubana, e Chávez dusse que a viagem teve a "mesma importância" que a primeira viagem internacional de Fidel, também à Venezuela, em 1959.
Na visita de Raúl, também foram anunciados mais de 300 projetos conjuntos nas áreas de saúde, educação, cultura e esporte.
Wyclef Jean - Guantanamera
Hola! Soy Celia Cruz
Y estoy aqui con Wyclef, celebrando Carnival; Azucar!!
Guantanamera
We out here in Miami just shining
Guajira, Guantanamera
Worldwide Guan-tana-mera
Bout to bring it to you in stereo
Guajira voy, de na meda
Yo soy un hombre sincero
That was then, this is now
Welcome to the Carnival, the arrival... c'mon!
De donde crecen las palmas
Spanish Harlem! Oahh-eee-ohh!
Boogie Down Bronx! Oahh-eee-ohh!Manhattan! Oahh-eee-ohh!
Back to Staten! Oahh-eee-ohh!
Guantanamera
Hey yo I'm standing at the bar with a, Cuban cigar
Guajira, Guantanamera
Hey, yo, I think she's eyeing me from afar
Guan-tana-mera...Guajira Guan-tana-mera...
Verse One: Wyclef JeanYo, I wrote this in Haiti, overlooking Cuba
I asked her what's her name, she said, 'Guantanamera'
Remind me of an old latin song, my uncle used to play
On his old forty-five when he used to be alive
She went from a young girl, to a grown womanLike a Virgin,
so she sex with no average mahn
Peep the figure, move like a caterpillar
Fly like a butterfly, let your soul feel her glide
Pac Woman better yet Space Invader
If your name was Chun-Li, we'd be playin Street Fighter
Penny for your thoughts, a nickel for your kiss
A dime if you tell me that you love me
Chorus:Guantanamera
Hey yo, I'm standin at the bar with a,
Cuban cigarGuajira, Guantanamera
Yo, I think she's eyeing me from afar
Guan-tana-mera...
Guajira Guan-tana-mera...
Soy una mujer, sincera
Do you speak English?
De donde crecen las palmas
Can I buy you a drink?
Soy una mujer sincera
Uh-huh uh-huh uh-huh
De donde crecen las palmas
You killin me
Y antes de morir, yo quiero cantar mis versos del alma
Te quiero mama, te quiero!!
Guantanamera
Aiyyo I'm standing at the bar with a, Cuban cigar
Guajira, Guantanamera
Hey yo John Forte, she's eyeing me from far
Guan-tana-mera...Guajira Guan-tana-mera
Verse Two: Lauryn Hill Yo, she was a rose in Spanish Harlem,
mamacita beg your pardon
Make stakes at a faster rate then she fornicates
Pure traits of genius, Goddess of Black Venus
Crab niggaz angry cause they can't get between usto no sele-xion, smooth complexion
The lexicon of Lexington, parents came from Cuba
Part Mexican, pure sweet, dimes fell to her feet
She like Movado, and shook her hips like Delgado
And broke niggaz down from the Grounds to
Apolloand then some, she took her act sent it to dim sumAnd waited patiently while the businessmen come
Call late on purpose, got even politicians nervous
And made plans to infiltrate the street secret service
This gentle flower, fertility was her powerSweet persona,
Venus Flytrap primadonna
Que sera que sera she turned dinero to dinera
Guantanamera
Hey yo
I'm standing at the bar with a, Cuban cigar
Guajira GuantanameraHey yo... I think she's eyein me from afar
Guan-tana-mera...Guajira Guan-tana-mera..
FUVEST 2010 - RESOLUÇÃO COMENTADA


10 E
Cesarismo/cesarista são termos utilizados para caracterizar governantes atuais que, à maneira de Júlio César (de onde o nome), na antiga Roma, exercem um poder
a) teocrático.
b) democrático.
c) aristocrático.
d) burocrático.
e) autocrático.
Resolução
O termo “cesarismo”, aplicado a governos autoritários de caráter personalista (o exemplo clássico é o de Napoleão Bonaparte) tem sua origem, mais do que na referência a Júlio César propriamente dito, na autocracia imperial romana, na qual os imperadores – intitulados “Césares” – governavam de forma discricionária.

11 D
“A instituição das corveias variava de acordo com os domínios senhoriais, e, no interior de cada um, de acordo com o estatuto jurídico dos camponeses, ou de seus mansos [parcelas de terra].”
Marc Bloch. Os caracteres originais da França rural, 1952.
Esta frase sobre o feudalismo trata
a) da vassalagem.
b) do colonato.
c) do comitatus.
d) da servidão.
e) da guilda.
Resolução
A corveia era a única obrigação servil, dentro do feudalismo, que não se caracterizava pelo pagamento em gêneros. Consistia no trabalho obrigatório do servo no manso senhorial (terra de uso exclusivo do senhor), duas ou três vezes por semana. Essa atividade não se restringia ao trabalho agrícola, podendo incluir outras tarefas, como a reparação de fortificações ou a desobstrução dos caminhos durante o inverno.

12 C
Os primeiros jesuítas chegaram à Bahia com o governador-geral Tomé de Sousa, em 1549, e em pouco tempo se espalharam por outras regiões da colônia, permanecendo até sua expulsão, pelo governo de Portugal, em 1759. Sobre as ações dos jesuítas nesse período, é correto afirmar que
a) criaram escolas de arte que foram responsáveis pelo desenvolvimento do barroco mineiro.
b) defenderam os princípios humanistas e lutaram pelo reconhecimento dos direitos civis dos nativos.
c) foram responsáveis pela educação dos filhos dos colonos, por meio da criação de colégios secundários e escolas de “ler e escrever”.
d) causaram constantes atritos com os colonos por defenderem, esses religiosos, a preservação das culturas indígenas.
e) formularam acordos políticos e diplomáticos que garantiram a incorporação da região amazônica ao domínio português.
Resolução
A questão aborda a mais importante atividade desenvol vida no Brasil pela Companhia de Jesus (embora sua atuação mais conhecida seja a catequese dos índios): o controle do ensino na Colônia, o que contribuiu para dar certa unidade cultural a uma população dispersa por um imenso território.
Obs.: Os jesuítas notabilizaram-se como protetores dos índios e seus defensores contra a escravização. Nessa tarefa, promoveram a aculturação dos nativos, o que, paradoxalmente, contribuiu para que eles fossem submetidos com mais facilidade ao poder dos colonizadores.

13 B
“E o pior é que a maior parte do ouro que se tira das minas passa em pó e em moeda para os reinos estranhos e a menor quantidade é a que fica em Portugal e nas cidades do Brasil...”
João Antonil. Cultura e opulência do Brasil por suas drogas e minas, 1711.
Esta frase indica que as riquezas minerais da colônia
a) produziram ruptura nas relações entre Brasil e Portugal.
b) foram utilizadas, em grande parte, para o cumprimento do Tratado de Methuen entre Portugal e Inglaterra.
c) prestaram-se, exclusivamente, aos interesses mercantilistas da França, da Inglaterra e da Alemanha.
d) foram desviadas, majoritariamente, para a Europa por meio do contrabando na região do rio da Prata.
e) possibilitaram os acordos com a Holanda que asseguraram a importação de escravos africanos.
Resolução
Alternativa escolhida por eliminação, pois o texto de Antonil – até por se referir a “reinos estranhos”, no plural – não permite afirmar que a Inglaterra seria a única beneficiária do ouro brasileiro; aliás, o autor sugere que o desvio do metal precioso poderia ser consequência de contrabando. Ademais, o Tratado de Methuen é apenas o fato mais notório da grande dependência econômica de Portugal em relação à Inglaterra, dependência essa que remontava ao primeiro empréstimo feito por Londres a Lisboa em 1641, logo após a Restauração.

14 A
Carlos III, rei da Espanha entre 1759 e 1788, implementou profundas reformas – conhecidas como bourbônicas – que tiveram grandes repercussões sobre as colônias espanholas na América. Entre elas,
a) o estabelecimento de medidas econômicas e políticas, para maior controle da Coroa sobre as colônias.
b) o redirecionamento da economia colonial, para valorizar a indústria em detrimento da agricultura de exportação.
c) a promulgação de medidas políticas, levando à separação entre a Igreja Católica e a Coroa.
d) a reestruturação das tradicionais comunidades indígenas, visando instituir a propriedade privada.
e) a decretação de medidas excepcionais, permitindo a escravização dos africanos e, também, a dos indígenas.
Resolução
Carlos III, representante espanhol do despotismo esclarecido, procurou deter a decadência que minava a Espanha, como, na mesma época Pombal tentava fazer em Portugal. Entre outras medidas de Carlos III para tornar mais rentável a exploração das colônias hispano-americanas, devem-se mencionar a criação de companhias de comércio, a supressão do regime de “porto único”, a criação do Vice-Reino do Prata e a extinção da mita.
Obs.: Didaticamente, as “reformas bourbônicas” ocorridas no reinado de Carlos III são atribuídas a seu principal ministro, o conde de Aranda.

15 D
“Eis que uma revolução, proclamando um governo absolutamente independente da sujeição à corte do Rio de Janeiro, rebentou em Pernambuco, em março de 1817. É um assunto para o nosso ânimo tão pouco simpático que, se nos fora permitido [colocar] sobre ele um véu, o deixaríamos fora do quadro que nos propusemos tratar.”
F. A. Varnhagen. História geral do Brasil, 1854.
O texto trata da Revolução pernambucana de 1817. Com relação a esse acontecimento é possível afirmar que os insurgentes
a) pretendiam a separação de Pernambuco do restante do reino, impondo a expulsão dos portugueses desse território.
b) contaram com a ativa participação de homens negros, pondo em risco a manutenção da escravidão na região.
c) dominaram Pernambuco e o norte da colônia, decretando o fim dos privilégios da Companhia do Grão-Pará e Maranhão.
d) propuseram a independência e a república, congregando proprietários, comerciantes e pessoas das camadas populares.
e) implantaram um governo de terror, ameaçando o direito dos pequenos proprietários à livre exploração da terra.
Resolução
A Revolução Pernambucana de 1817, ocorrida no quadro dos movimentos emancipacionistas latinoamericanos do início do século XIX, objetivava implantar uma república independente em Pernambuco. E, embora conduzida pelas classes dominantes, contou com o apoio dos setores populares.
Obs.: A alternativa a não pode ser inteiramente descartada, pois o movimento de 1817 pretendia de fato separar Pernambuco do Reino Unido criado em 1815; além disso, o antilusitanismo foi uma tônica presente nas principais insurreições lá ocorridas,
desde a Guerra dos Mascates (1710-12) até a Revolução Praieira (1848-49), passando pela Revolução de 1817 e pela Confederação do Equador em 1824.

16 E
No Ocidente, o período entre 1848 e 1875 “é primariamente o do maciço avanço da economia do capitalismo industrial, em escala mundial, da ordem social que o representa, das ideias e credos que pareciam legitimá-lo e ratificá-lo”.
E. J. Hobsbawm. A era do capital 1848-1875.
A “ordem social” e as “ideias e credos” a que se refere o autor caracterizam-se, respectivamente, como
a) aristocrática e conservadoras.
b) socialista e anarquistas.
c) popular e democráticas.
d) tradicional e positivistas.
e) burguesa e liberais.
Resolução
O período citado envolve o início da Segunda Revolução Industrial e do capitalismo monopolista; ele corresponde à consolidação da ordem social dominada pela burguesia e, no plano políticoideológico e econômico, do liberalismo. Este último deve ser entendido em dois níveis: como acesso dos cidadãos à vida política, passando pelo crivo do voto censitário; e como não intervenção do Estado nas relações econômicas, embora coubesse aos governos capita listas um papel crucial na luta pela abertura e/ou conquista de mercados.
17 C
No “Manifesto Antropófago”, lançado em São Paulo, em 1928, lê-se: “Queremos a Revolução Caraíba (...). A unificação de todas as revoltas eficazes na direção do homem (...). Sem nós, a Europa não teria sequer a sua pobre declaração dos direitos do homem.”
Essas passagens expressam a
a) defesa de concepções artísticas do impressionismo.
b) crítica aos princípios da Revolução Francesa.
c) valorização da cultura nacional.
d) adesão à ideologia socialista.
e) afinidade com a cultura norte-americana.
Resolução
O movimento antropofágico (e não “antropófago”) foi uma das correntes que, a partir de 1922, constituíramo Modernismo brasileiro. Caracterizadas pelo estar -dalhaço e pelo desejo de causar impacto, tinham comotraço comum a valorização da cultura brasileira e desuas raízes antropológicas. Esse viés nacionalista
explica a crítica feita no texto à Declaração dos Direitos do Homem da Revolução Francesa – o quepode ter induzido alguns candidatos a optar pela alternativa b.

18 B
A partir da redemocratização do Brasil (1985), é possível observar mudanças econômicas significativas no país.
Entre elas, a
a) exclusão de produtos agrícolas do rol das principais exportações brasileiras.
b) privatização de empresas estatais em diversos setores como os de comunicação e de mineração.
c) ampliação das tarifas alfandegárias de importação, protegendo a indústria nacional.
d) implementação da reforma agrária sem pagamento de indenização aos proprietários.
e) continuidade do comércio internacional voltado prioritariamente aos mercados africanos e asiáticos.
Resolução
Durante o regime militar (1964 - 85), registrou-se uma forte presença do governo na economia, tanto por meio de empresas estatais como por uma política francamente intervencionista. Com a redemocratização, passaram a prevalecer entre os dirigentes do País as ideias neoliberais, traduzidas em medidas como a facilitação das importações e a privatização de empresas e serviços estatais – processo que alcançou o ápice sob a administração de Fernando Henrique Cardoso (1995 - 2002).

19 A
“Mandela para presidente – a escolha do povo”
Fonte: AFP, 1984.
Cartaz de 1994 da campanha de Nelson Mandela à presidência da África do Sul.
Essa campanha representou a
a) luta dos sul-africanos contra o regime do apartheid então vigente.
b) conciliação entre os segregacionistas e os partidários da democracia racial.
c) proposta de ampliação da luta anti-apartheid no continente africano.
d) contemporização diante dos atos de violência contra os direitos humanos.
e) superação dos preconceitos raciais por parte dos africânderes.
Resolução
O regime do apartheid, instituído na África do Sul em 1948, começou a ser desmontado pelo presidente Frederik De Klerk, mas somente se plenificou com a eleição do líder negro Nelson Mandela para a Presidência da República, em 1994.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009



Intertexto


"Leviatã" de Hobbes e "O lobo" de Pitty




Livro mais famoso do filósofo inglês Thomas Hobbes, Leviatã foi publicado em 1651. O seu título se deve ao monstro bíblico Leviatã. O livro, cujo título por extenso é Leviatã ou matéria, forma e poder de um Estado eclesiástico e civil, trata da estrutura da sociedade organizada.
Hobbes alega serem os humanos egoístas por natureza. Com essa natureza tenderiam a guerrear entre si, todos contra todos ("
Bellum omnia omnes"). Assim, para não exterminarmo-nos uns aos outros será necessário um Contrato Social que estabeleça a paz, a qual levará os homens a abdicarem da guerra contra outros homens. Mas, egoístas que são, necessitam de um soberano (Leviatã) que puna aqueles que não obedecem ao contrato social.
Notar que um soberano pode ser uma pessoa tanto quanto um grupo, eleito ou não. Porém, na perspectiva de Hobbes, a melhor forma de governo era a
monarquia — sem a presença concomitante de um Parlamento, pois este dividiria o poder e, portanto, seria um estorvo ao Leviatã e levaria a sociedade ao caos (como na guerra civil inglesa).


Hobbes faz um esforço de análise da sociedade partindo da dissecação dos seus componentes básicos, o Homem e as suas sensações. Ele trabalha inicialmente com uma série de definições, em uma tentativa de criar axiomas da humanidade à semelhança dos que existem na geometria. Define as várias paixões e sentimentos de maneira impessoal e com base em princípios científicos (da época, lembremos que Hobbes viveu no séc. XVII).
Hobbes descreve o Homem em seu Estado Natural como egoísta, egocêntrico e inseguro. Ele não conhece leis e não tem conceito de justiça; ele somente segue os ditames de suas paixões e desejos temperados com algumas sugestões de sua razão natural. Onde não existe governo ou lei, os homens naturalmente caem em "discórdia". Desde que os recursos são limitados, ali haverá "competição", que leva ao medo, à inveja e a disputa. Semeada a "desconfiança", perde-se a segurança de confiar no próximo. Na busca pela "glória", derruba-se os outros pelas costas, já que, para Hobbes, os homens são iguais nas capacidades e na expectativa de êxito, nenhuma pessoa ou nenhum grupo pode, com segurança, reter o poder. Assim sendo, o conflito é perpétuo, e "cada homem é inimigo de outro homem". Nesse estado de guerra nada de bom pode surgir. Enquanto cada um se concentra na autodefesa e na conquista, o trabalho produtivo é impossível. Não existe tranqüilidade para a busca do conhecimento, não existe motivação para construir ou explorar não existe lugar para as artes e letras, não existe espaço para a sociedade só "medo contínuo e perigo de morte violenta". Então a vida do homem nesse estado será "solitária, pobre, sórdida, brutal e curta".
Em contrapartida ao estado de guerra descrito acima, os próprios homens almejariam uma ordem ansiando pela garantia de paz, assim, um Estado que garantisse essa paz, essa vida "acordada".




Obsevemos agora a letra da canção de Pitty que toma como mote o pensamento de Hobbes acerca da humanidade em seu estágio primitivo.




O Lobo
Pitty
Composição: Pitty


Houve um tempo em que os homens
Em suas tribos eram iguais
Veio a fome e então a guerra
Pra alimentá-los como animais
Não houve tempo em que o homem
Por sobre a Terra viveu em paz
Desde sempre tudo é motivo
Pra jorrar sangue cada vez mais.
O homem é o lobo do homem!
O homem é o lobo do homem!
Sempre em busca do próprio gozo
E todo zelo ficou pra trás
Nunca cede e nem esquece
O que aprendeu com seus ancestrais
Não perdoa e nem releva
Nunca vê que já é demais.
O homem é o lobo do homem!
O homem é o lobo do homem!











A filosofia de Hobbes é materialista e mecanicista. Assim como a percepção é explicada mecanicamente a partir das excitações transmitidas pelo cérebro, assim a moral se reduz ao interesse e à paixão. Na fonte de todos os nossos valores, há o que Hobbes denomina endeavour, em inglês, e conatus, em latim, isto é, o instinto de conservação ou, mais exatamente, de afirmação e de crescimento de si próprio; esforço próprio a todos os seres para unir-se ao que lhes agrada e fugir do que lhes desagrada (esse tema do conatus será reencontrado no spinozismo).
É partindo de tais fundamentos psicológicos que Hobbes elabora sua justificação do despotismo. O absolutismo da época de Hobbes geralmente se apóia na teologia (Deus teria investido os reis de seu poder absoluto). Hobbes, ao justificar o poder absoluto do soberano, descobre-lhe uma origem natural.
Para ele, o direito, em todos os casos, reduz-se à força; mas distingue dois momentos na história da humanidade: o estado natural e o estado político. No estado natural, o poder de cada um é medido por seu poder real; cada um tem exatamente tanto de direito quanto de força e todos só pensam na própria conservação e nos interesses pessoais. Para Hobbes, o homem se distingue dos insetos sociais, como as abelhas e as formigas; por isso, o homem não possui instinto social. Ele não é sociável por natureza e só o será por acidente.
Para compreender como o homem se resolve a criar a instituição artificial do governo, basta descrever o que se passa no estado natural; o homem, por natureza, procura ultrapassar todos os seus semelhantes: ele não busca apenas a satisfação de suas necessidades naturais, mas sobretudo as alegrias da vaidade (pride). O maior sofrimento é ser desprezado. Assim sendo, o ofendido procura vingar-se, mas - observa Hobbes, antecipando aqui os temas hegelianos - comumente não deseja a morte de seu adversário e deseja seu cativeiro a fim de poder ler, em seu olhar atemorizado e submisso, o reconhecimento de sua própria superioridade.
É claro que esse estado, em que cada um procura senão a morte, ao menos a sujeição do outro, é um estado extremamente infeliz. As expressões pelas quais Hobbes o descreve são célebres: "Homo homini lupus", o homem é o lobo do homem; "Bellum omnium contra omnes", é a guerra de todos contra todos. Não pensemos que mesmo os homens mais robustos desfrutem tranqüilamente as vitórias que sua força lhe assegura. Aquele que possui grande força muscular não está ao abrigo da astúcia do mais fraco. Este último - por maquinação secreta ou a partir de hábeis alianças - sempre é o suficientemente forte para vencer o mais forte. Por conseguinte, ao invés de uma desigualdade, é uma espécie de igualdade dos homens no estado natural que faz sua infelicidade. Pois, em definitivo, ninguém está protegido; o estado natural é, para todos, um estado de insegurança e de angústia.
Assim sendo, o homem sempre tem medo de ser morto ou escravizado e esse temor, em última instância mais poderoso do que o orgulho, é a paixão que vai dar a palavra à razão. (Essa psicologia da vaidade e do medo é, em Hobbes, uma espécie de laicização da oposição teológica entre o orgulho espiritual e o temor a Deus ou humildade.) É o medo, portanto, que vai obrigar os homens a fundarem um estado social e a autoridade política.
Os homens, portanto, vão se encarregar de estabelecer a paz e a segurança. Só haverá paz concretizável se cada um renunciar ao direito absoluto que tem sobre todas as coisas. Isto só será possível se cada um abdicar de seus direitos absolutos em favor de um soberano que, ao herdar os direitos de todos, terá um poder absoluto. Não existe aí a intervenção de uma exigência moral. Simplesmente o medo é maior do que a vaidade e os homens concordam em transmitir todos os seus poderes a um soberano. Quanto a este último, notemo-lo bem, ele é o senhor absoluto desde então, mas não possui o menor compromisso em relação a seus súditos.
Seu direito não tem outro limite que seu poder e sua vontade. No estado de sociedade, como no de natureza, a força é a única medida do direito. No estado social, o monopólio da força pertence ao soberano. Houve, da parte de cada indivíduo, uma atemorizada renúncia do seu próprio poder. Mas não houve pacto nem contrato, o que houve, como diz Halbwachs, foi "uma alienação e não uma delegação de poderes". O efeito comum do poder consistirá, para todos, na segurança, uma vez que o soberano terá, de fato, o maior interesse em fazer reinar a ordem se quiser permanecer no poder. Apesar de tudo, esse poder absoluto permanece um poder de fato que encontrará seus limites no dia em que os súditos preferirem morrer do que obedecer. Em todo caso, esta á a origem psicológica que Hobbes atribui ao poder despótico. Ele chama de Leviatã ao seu estado totalitário em lembrança de uma passagem da Bíblia (Jó XLI) em que tal palavra designa um animal monstruoso, cruel e invencível que é o rei dos orgulhosos.
Finalmente, o totalitarismo de Hobbes submete - apesar de prudentes reservas - o poder religioso ao poder político. Assim é que ele exclui o "papismo" e o "presbiterianismo" por causa "dessa autoridade que alguns concedem ao papa em reinos que não lhe pertencem ou que alguns bispos, em suas dioceses, querem usurpar".




fontes: wikipédia e site mundodosfilosofos.com.br

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

VESTIBULAR UNEMAT - 2009 INVERNO


HISTÓRIA
QUESTÃO 11
Durante a Primeira República (1889-1930), um dos maiores empreendimentos econômicos no Estado de Mato Grosso foi a empresa Mate Laranjeira. Sobre a sua estrutura organizacional, formas de funcionamento e atividades desenvolvidas assinale a alternativa incorreta.
a. Parte das quotas acionárias da empresa Mate Laranjeira pertenciam à família Murtinho.
b. O plantio da erva-mate exigia grandes investimentos na preparação do solo com vistas à obtenção de bom nível de produtividade.
c. A forma monopolizadora de agir da empresa Mate Laranjeira criou sérios obstáculos para o processo de migração na região, onde o referido empreendimento mantinha suas atividades.
d. A empresa Mate Laranjeira empregava grande quantidade de trabalhadores de origem paraguaia, conhecidos como “mineros”.
e. A fiscalização e controle do patrimônio constituído pela Mate Laranjeira eram feitos por força policial criada pela própria empresa.
QUESTÃO 12
Sobre o processo de Independência das Treze Colônias, atualmente, Estados Unidos da América, é incorreto afirmar.
a. A Lei do Chá (1773), que obrigava os colonos a adquirirem este produto somente da Inglaterra, foi um motivos que levaram as Treze Colônias a lutar pela independência.
b. A Declaração de Independência dos Estados Unidos da América foi assinada, no ano de 1776, pelos representantes das Treze Colônias.
c. A Constituição dos Estados Unidos, proclamada em 1787, adotou para o país o voto censitário e masculino.
d. O reconhecimento da Independência dos Estados Unidos da América, pela Inglaterra, ocorreu em 1783.
e. A França e a Espanha apoiaram a Inglaterra na luta contra as Treze Colônias porque temiam que suas colônias na América também se sublevassem.
QUESTÃO 13
A recente crise do Senado da República no Brasil relacionada aos denominados “atos secretos” trouxe para a mídia a discussão sobre determinados procedimentos que constituem parte da cultura política em nosso país. Sobre esse tema, assinale a alternativa correta.
a. Apesar das dimensões da crise, ela não atingiu os partidos políticos que ficaram imunes ao debate em torno das medidas administrativas adotadas pelo Senado.
b. A existência de “atos secretos” demonstra, por parte dos responsáveis pela sua edição, o interesse em dar ampla publicidade sobre as medidas administrativas que adota.
c. O evento ocorrido no Senado Federal se enquadra nas práticas políticas definidas historiograficamente como clientelismo e nepotismo.
d. O presidente do Senado Federal, José Sarney, ao prestar todos os esclarecimentos na Comissão de Ética, encerrou o episódio dos “atos secretos”.
e. Os “atos secretos” demonstram claramente a adoção dos critérios de impessoalidade e de requisitos pautados no mérito para a nomeação dos servidores beneficiados por este procedimento.
QUESTÃO 14
Para muitos historiadores, o período compreendido entre1850 e 1914, do ponto de vista econômico, é conhecido como “Segunda Revolução Industrial”. Sobre o tema assinale a alternativa correta.
a. Nesse período, a industrialização se concentrou na Inglaterra, que era conhecida como a Oficina do Mundo.
b. Esta fase da industrialização ficou limitada ao uso do ferro, do carvão e do vapor.
c. Nesta época, devido ao progresso econômico que a industrialização proporcionou, o movimento operário praticamente desapareceu na Europa e nos Estados Unidos.
d. Entre os anos de 1873 e 1896, ocorreu uma grave crise econômica na Europa, cuja maior consequência foi o fim dos trustes e cartéis.
e. A deflagração da I Guerra Mundial (1914 - 1918) teve como uma de suas motivações a rivalidade entre as nações industrializadas, resultante do acelerado desenvolvimento econômico ocorrido a partir do final do século XIX.
QUESTÃO 15
A mudança de regime político no Brasil de Monarquia para República resultou de uma série de diferentes fatores. Em relação ao tema, assinale a alternativa incorreta.
a. A avançada idade do imperador Pedro II com sua propalada incapacidade em continuar a governar o país era um dos argumentos utilizados contra a continuidade do regime monárquico.
b. As transformações econômicas na região oeste de São Paulo, com o crescimento da produção cafeeira, fortaleceu o ideário republicano entre parcela da burguesia paulista, que fundou em 1873 o Partido Republicano Paulista (PRP).
c. A criação do Partido Republicano, em 1870, com ativa participação política em todas as províncias no Império, foi a principal causa da mudança do regime Monárquico para República, em 1889.
d. As ideias positivistas difundidas por Benjamin Constant obtiveram grande aceitação por parte dos militares, reforçando, no interior da corporação, a necessidade da mudança do regime.
e. Uma das principais ideias difundidas pelos propagandistas republicanos era a de que a Monarquia significava o atraso e o conservadorismo, e a República, o avanço e o progresso político e social.
QUESTÃO 16
Após o fim da I Guerra Mundial, em 1918, a Itália, como outras nações européias, foi palco de grave crise política, econômica e social. Com base nessa afirmação, assinale a alternativa incorreta.
a. Os trabalhadores italianos sob o fascismo tiveram ampliadas as suas reivindicações, ao mesmo tempo que conquistaram plena liberdade de organização.
b. O medo de uma revolução socialista nesse país, nos moldes da União Soviética, levou
a burguesia a apoiar e financiar os grupos de extrema direita, especialmente o Partido Nacional Fascista.
c. O Partido Nacional Fascista, liderado por Benito Mussolini, defendia a ideia de um Estado forte centralizado.
d. Os fascistas italianos tinham como objetivo garantir a ordem capitalista, os lucros e as propriedades que estavam sendo ameaçadas pelo avanço do comunismo na Europa.
e. Sob o comando de Benito Mussolini e através de uma ideologia expansionista, a Itália conquistou a Etiópia (1935), país do Nordeste africano.
QUESTÃO 17
Do ponto de vista sócio-político e econômico, assinale a alternativa que representa corretamente o período presidencial de Juscelino Kubitschek.
a. A indústria que menos cresceu foi a automobilística, resultado da retração do ingresso de capitais estrangeiros no Brasil.
b. Mesmo com o grande volume de recursos aplicados no Programa de Metas, o governo Kubitschek não teve problemas de déficits do orçamento federal.
c. Apesar das tensas relações entre o Brasil e o FMI, o presidente Kubitschek optou por não romper com o Fundo Monetário Internacional.
d. Dois importantes partidos apoiaram, no Congresso Nacional, os projetos do governo de Juscelino Kubitschek, o PSD e o PTB.
e. Os índices de crescimento e desenvolvimento econômico, durante o governo JK, inibiram o movimento sindical que não conseguiu organizar sequer uma greve dos trabalhadores.
QUESTÃO 18
O ano de 2009 está sendo marcado por inúmeras divergências políticas entre alguns países do continente sul-americano. Assinale a alternativa que expressa corretamente um desses conflitos.
a. Brasil e Bolívia romperam relações diplomáticas por trinta dias devido à nacionalização da refinaria da Petrobrás naquele país.
b. O presidente Evo Morales colocou seu exército de prontidão com o objetivo de forçar o governo chileno a abrir negociação no sentido de criar uma saída para o mar, atendendo a uma demanda boliviana.
c. A notícia de instalação de bases militares norte-americanas, no território colombiano, levou alguns países sul-americanos, sobretudo a Venezuela, a protestar veementemente, inclusive com ameaças de retaliação.
d. O presidente equatoriano Rafael Correa rompeu relações diplomáticas com a Venezuela em virtude de divergências relativas ao combate de drogas na região andina.
e. O governo brasileiro fechou questão, definindo que não pagará nada além do que foi estipulado no contrato com o Paraguai, em relação à venda do excedente de energia elétrica produzida na Usina de Itaipu.
QUESTÃO 19
Uma das características do período colonial brasileiro se refere ao denominado “exclusivo” colonial. Sobre o tema, assinale a alternativa correta.
a. Apesar do controle exercido pela metrópole portuguesa, a colônia brasileira estava liberada para comercializar com outras nações.
b. As concepções que regulavam as normas do “exclusivo” colonial foram criadas segundo os preceitos da revolução industrial.
c. A regra básica, que regia o “exclusivo” colonial, era permitir que navios estrangeiros transportassem produtos da colônia brasileira desde que pagassem os devidos impostos.
d. Um dos princípios básicos, que regiam as relações comerciais definidas pelo “exclusivo”, era obter maior lucro possível com a revenda dos produtos da colônia e, ao mesmo tempo, lucrar com a venda de produtos da metrópole, sem concorrência na Colônia.
e. O “exclusivo” colonial funcionou de maneira eficaz e, com isto, pode evitar todas as formas de desvio, inclusive o contrabando, reflexo da capacidade de Portugal monopolizar seu comércio colonial.
QUESTÃO 20
Em outubro de 2009, completou 80 anos uma das maiores crises da economia capitalista conhecida como “Queda da Bolsa de Nova Iorque de 1929”, cujas implicações tiveram proporções globais. A partir dessa informação, assinale a alternativa incorreta.
a. Na União Soviética, a crise de 1929 teve um impacto avassalador, impedindo que este país colocasse, em prática, o seu programa de rápida industrialização e estabilidade econômica.
b. Esta crise reduziu drasticamente os empréstimos norte-americanos e com isso agravou ainda mais a situação dos países europeus que estavam se recuperando dos excessivos gastos com a I Guerra Mundial.
c. Os países da América Latina como o Brasil, que dependiam da exportação de matériasprimas e alimentos, reduziram fortemente o seu comércio com os países industrializados.
d. Nos Estados Unidos, com a crise, a economia foi reduzida pela metade e o número de desempregados teve um aumento expressivo.
e. Na Europa, a crise de 1929 fortaleceu e, ao mesmo tempo, favoreceu os grupos políticos que combatiam e defendiam os regimes totalitários.
GABARITO
11. B
12. E
13. C
14. E
15. C
16. A
17. E
18. C
19. D
20. A