domingo, 17 de abril de 2011

Saiba mais sobre as invasões holandesas

Conheça os principais aspectos do período colonial brasileiro

De olho no vestibular

CNDL – Colégio Notre Dame de Lourdes Primeiro Ano – Primeiro Bimestre Coleção Pitágoras Capítulo 3 A descoberta do ouro e a ocupação das regiões mineradoras


De olho no vestibular


Q1. (UFMT) Sejam quais forem as causas da preferência ou da facilidade com que o europeu se transformava em ‘pai de mamelucos bárbaros’, explique-se isso sexualmente ou socialmente, o caso é que a mestiçagem se fez em larga escala.


(RICARDO, C. A marcha para o Oeste. 4ª ed., vol. 1. Rio de Janeiro/São Paulo:Livraria


José Olympio Editora/Editora da Universidade de São Paulo, 1970, p.79.)


O texto acima revela uma das formas pela qual os índios foram incorporados à América Portuguesa. Considerando a importância das Bandeiras nesse contexto, analise atentamente as afirmativas.


I - A ação das Bandeiras foi fundamental para a preservação da cultura indígena no Brasil.


II - Norteados pelos princípios cristãos, muitos casamentos foram celebrados entre índios e europeus.


III - A violência sexual contra mulheres índias foi um dos desdobramentos das expedições bandeirantes.


IV - As Bandeiras foram responsáveis pela incorporação dos índios ao mundo dos brancos como mão-de-obra.


Estão corretas as afirmativas


a) III e IV, apenas.


b) II, III e IV, apenas.


c) II e III, apenas.


d) I e II, apenas.


e) I, II, III e IV.



Q2. (PUC) A extração de ouro na região das Minas, no século XVIII, produziu várias rotas de circulação e de comércio. Entre elas podemos destacar a ligação por terra das Minas com


a) o Norte, que permitia a chegada de trabalhadores indígenas da Amazônia e de especiarias.


b) a Europa, que facilitava o escoamento do ouro e a entrada de matérias-primas e alimentos.


c) o Rio de Janeiro, que permitia acesso mais rápido e fácil dos minérios aos portos.


d) a Bolívia, que articulava a produção de ouro para Portugal à extração da prata boliviana para a Espanha.


e) o Sul, que abastecia a região mineradora de produtos industrializados, de gado e de açúcar.






Q3. (UECE) "A corrida do ouro, entre o final do século XVII e a primeira década do século XVIII, foi talvez a maior migração de homens brancos livres na América Portuguesa ao longo de todo o período colonial. Não há nada na história do Brasil que se compare a este movimento".


Fonte: ROMEIRO, Adriana. A Febre do Ouro. "Revista Nossa História". Rio de Janeiro: ano III, n. 36, outubro, 2006, p 13/21.


No que compete à situação vivida pelos moradores das Gerais na época da corrida do ouro, considere as seguintes afirmativas:


I - Nos primeiros tempos, a fome foi companheira fiel dos povoadores que, desconhecendo a pobreza da zona mineradora, se lançavam na aventura do ouro. Nas ondas de fome, ocorridas em períodos críticos, os trabalhadores recorriam à caça para garantir algum sustento.


II - O sal era raro, mas a cachaça era farta. Nas condições em que trabalhavam (escravos, na maioria) a aguardente proporcionava um estado de semi-embriaguez que tornava mais suportáveis as condições de trabalho.


III - A imagem caótica típica dos relatos dessa época, não correspondia à realidade, uma vez que a fluidez geográfica dos trabalhadores dava-se ao sabor das novas descobertas e do esgotamento das velhas lavras.



São corretas


a) apenas I e II


b) apenas I e III


c) apenas II e III


d) I, II e III






Q4. (UEL) Os principais produtos econômicos exportados pelo Brasil colônia do século XVIII foram:


a) Ouro, açúcar e madeira.


b) Açúcar, diamantes e erva-mate.


c) Madeira, ouro e gado.


d) Açúcar, madeira e erva-mate.


e) Diamantes, ouro e gado.






Q5. (UFPI) Assinale a alternativa correta sobre a exploração de metais preciosos no Brasil Colonial.


a) A Metrópole portuguesa permitiu o livre acesso de ordens religiosas e a construção de templos católicos na região das minas.


b) A busca pelo ouro intensificou a substituição do trabalho escravo pelo trabalho livre e provocou a diminuição do preço do escravo africano no Brasil.


c) A arrecadação de tributos possibilitou à Coroa Portuguesa reduzir a entrada de escravos na Colônia e a investir na lavoura açucareira no Nordeste brasileiro.


d) A exploração de diamantes democratizou, aos setores pobres da população colonial, o acesso às riquezas e diminuiu a importação de escravos africanos em Portugal.


e) As atividades mineradoras promoveram uma grande imigração de Portugal para o Brasil e intensificaram o recolhimento de tributos por parte da Coroa Portuguesa.







Q6. (UFU) A indústria mineradora no Brasil nunca foi além, na verdade, desta aventura passageira que mal tocava um ponto para abandoná-lo logo em seguida e passar adiante. É esta a causa principal por que, apesar da riqueza relativamente avultada que produziu, drenada aliás toda para fora do país, deixou tão poucos vestígios, a não ser a prodigiosa destruição de recursos naturais que semeou pelos distritos mineradores, e que ainda hoje fere a vista do observador; e também este aspecto geral de ruína que em princípio do século passado [XIX] Saint-Hilaire notava consternado, e que não se apagou ainda de todo em nossos dias.


PRADO JÚNIOR, Caio. "Formação do Brasil Contemporâneo", São Paulo: Brasiliense, 1942. p. 171.



No trecho acima, o historiador Caio Prado Júnior refere-se a uma das causas do declínio da mineração do Brasil entre o final do século XVIII e o início do século XIX. A respeito desse assunto e considerando a citação acima, marque a alternativa correta.


a) Viajantes naturalistas que estiveram na região das minas no início do século XIX tenderam a relatar o aspecto decadente da civilização e da paisagem que lá se originaram a partir do século XVIII. Esses relatos são marcados por uma visão eurocêntrica de mundo e por uma crítica ambiental de base cientificista.


b) A indústria mineradora era uma atividade manufatureira clandestina no período colonial, por isso, ela era realizada sem a devida fiscalização do Estado, o que acarretava em práticas predatórias da natureza. Também em razão de sua clandestinidade, não há muitos vestígios que comprovem sua existência histórica.


c) A região mineradora do Brasil entre os séculos XVIII e XIX restringia-se às adjacências de cidades mineiras que hoje são consideradas patrimônio histórico, como Ouro Preto, Tiradentes e Diamantina, por exemplo. Caio Prado Júnior e Saint-Hilaire as consideram ruínas, negando-lhes, assim, os seus valores histórico e estético.


d) O declínio da mineração no Brasil é tratado, no trecho anterior, como resultado da exploração sistemática dos recursos naturais. Isso se deu em função de a indústria mineradora ser altamente poluente, pois eliminava gases tóxicos na atmosfera, decorrentes da fusão do aço, do cobre e do alumínio.






Q7. (UFV) A exploração de depósitos auríferos nas Minas Gerais provocou uma série de mudanças na Colônia e nas suas relações com a Metrópole. Com relação aos efeitos da economia mineradora, é INCORRETO afirmar que:


a) contribuiu para o deslocamento do centro econômico colonial das capitanias do Nordeste para a região das minas, onde a ação fiscal e administrativa do governo se tornou menos rígida.


b) deu origem a uma sociedade com maior mobilidade social e distribuição de riqueza do que aquela que se formou no Nordeste em função da produção açucareira.


c) foi acompanhada da eclosão de diversas rebeliões, sendo a mais conhecida a Inconfidência Mineira, considerada o principal movimento de contestação do estatuto colonial.


d) atraiu legiões de imigrantes de vários pontos do Império Português e de outros países, contribuindo também para o aumento das importações de escravos africanos.


e) incentivou as artes em geral, com destaque para o estilo barroco, que não tinha a exuberância do barroco europeu, mas denotava a busca de uma expressão artística própria.



GABARITO


Q1. resposta: [A]


Q2. resposta:[C]


Q3. resposta:[A]


Q4. resposta:[A]


Q5. resposta:[E]


Q6. resposta:[B]


Q7. resposta:[A]


Saiba mais sobre a imigração para o Brasil no século XIX


CNDL – Colégio Notre Dame de Lourdes

Segundo Ano – Primeiro Bimestre

Coleção Pitágoras Capítulo 3

A introdução do trabalho livre no Brasil


Imigração

A partir de década de 1870 a estrutura econômica brasileira passou por grandes mudanças, que refletiram nas relações sociais e políticas existentes. Progressivamente a mão-de-obra escrava negra foi perdendo espaço para o trabalho assalariado imigrante nas lavouras agrícolas brasileiras. O café foi se consolidando como principal produto brasileiro para a exportação, provocando uma onda de crescimento econômico como nunca havia aparecido no Brasil independente. A imigração européia colaborou com a urbanização da sociedade brasileira, e junto com o assalariamento da mão de obra, levou ao aparecimento de um incipiente mercado interno para bens de consumo popular no país, o que acabou por levar ao aparecimento das primeiras unidades industriais no Brasil. Em suma, o capitalismo se implantava nas estruturas sócio-econômicas brasileiras, superando o antigo sistema mercantil-escravista. As transformações na estrutura produtiva brasileira iniciaram com o acúmulo de capitais proporcionados pelo comércio internacional do café, possibilitando reinvestimentos dos lucros obtidos com a comercialização no próprio setor produtivo, assim como pela substituição da mão de obra escrava pela mão-de-obra assalariada nas atividades produtivas, motivada, entre outros fatores, pelo fim do tráfico de escravos no oceano Atlântico e pela pressão internacional contrária à exploração escravista no Brasil. O assalariamento se deu a partir da introdução da mão-de-obra emigrante européia nas atividades produtivas do país, criando assim um mercado nacional para bens de consumo popular. Por outro lado, como nem todos os imigrantes europeus no Brasil se ocuparam com as lavouras de café, dedicando-se às atividades comerciais, aos serviços e ao artesanato, houve espaço para o processo de urbanização da sociedade brasileira, sobretudo na região Sudeste, assim como a criação de bancos comerciais no país. Todos esses fatores, assim como os investimentos públicos imperiais em infra-estrutura principalmente em ferrovias e estradas na região central do país (São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais), foram determinantes para o surgimento das primeiras indústrias no país.

ALBUQUERQUE, Georgina de. No cafezal, 1930. Óleo sobre tela.

O sistema de parceria

A imigração iniciou-se no nosso país baseada em um sistema chamado “parceria”, idealizado por um grande fazendeiro, o Senador Vergueiro, na década de 1840. Por esse sistema, o fazendeiro pagava as despesas da viagem do imigrante, fornecia a alimentação a crédito, as ferramentas, alguns pés de café e um lote de terra para que plantasse gêneros de subsistência. Quando os pés de café começavam a produzir o imigrante deveria ressarcir o fazendeiro, pagando-lhe o capital investido com jurus, além de entregar metade de sua produção de café. O imigrante dificilmente conseguia pagar o fazendeiro e ficava preso à fazenda, o que causava tensões e conflitos entre trabalhadores e patrões. O sistema de “parceria” não deu certo, muito embora tenha sobrevivido por um longo tempo no campo brasileiro. Os imigrantes exerciam diversas funções em seus países de origem, eram artesãos, trabalhadores da indústria doméstica e, mesmo sendo camponeses, não sabiam cuidar dos pés de café. Além disso, recebiam dos fazendeiro as piores terras, pouco produtivas, e viviam endividados. Entretanto, o problema mais grave da imigração residia no tratamento dispensado aos imigrantes pelos fazendeiros que, acostumados com a escravidão, tratavam os trabalhadores como se fossem escravos. Por isso tudo, várias revoltas eclodiram, o que aconteceu inclusive na fazenda Ibicaba, de propriedade do idealizador do sistema de parceria.
Apesar de o sistema não funcionar como fora idealizado, o projeto de Vergueiro, um homem muito além de seu tempo, era muito interessante. Em primeiro lugar, o senador acreditava que os imigrantes, livres dos débitos, poderiam se estabelecer por conta própria. Também preocupava-se com a educação primária e secundária dos trabalhadores do campo, além de criar um fazenda modelo para ensinar práticas agrícolas aos imigrantes.
Como se pode perceber pelo projeto de Vergueiro, uma vez que o imigrante pagasse as dívidas contraídas, poderia se estabelecer por conta própria. Isto quer dizer que era possível que o imigrante abandonasse seu empregador e se estabelecesse em um pequeno lote de terra. E esse era um grande problema que tinha de ser resolvido. Se o trabalhador não era mais cativo, a terra não podia continuar a ser livre como fora desde os tempos coloniais. O governo brasileiro não queria que a agricultura brasileira se desenvolvesse por meio de pequenas unidades de produção. Defendia a continuidade da agricultura de exportação baseada na grande propriedade de terra.
Nessa medida, o governo imperial precisava encontrar uma forma de impedir que os imigrantes se aproximassem da terra livre que existia, em abundância no Brasil.

Contextualizando o tema

A Lei de Terras de 1850

A solução encontrada pelo governo para a questão territorial foi a promulgação da Lei de Terras, em 1850, que atribuía valor imobiliário às terras, que não seriam mais doados como haviam sido as sesmarias. Essa lei foi um dos estatutos responsáveis pela consolidação dos latifúndios no Brasil com o fechamento da fronteira agrícola e exclusão do acesso à terra dos brancos e mulatos pobres, dos negros e da maioria dos imigrantes europeus.

Além do fechamento da fronteira agrícola, os pequenos proprietários passaram a ter, gradativamente suas terras espoliadas pelos latifundiários por meio do processo de grilagem. As terras devolutas foram apropriadas pelos grandes donas de terra, por meio de falsificação de documentos, suborno dos responsáveis pela regularização fundiária e assassinato de posseiros.



Assim, a concentração de terras nas mãos de poucos, que se iniciara no período colonial, consolidou-se.



Contextualizando o tema











A imigração subvencionada







ROCCO, Antonio. Os imigrantes, 1910. Acervo Pinacoteca do Estado de São Paulo.



Além de dificultar o acesso à terra no Brasil, o governo passou a subvencionar a imigração, garantindo mão de obra para as grandes propriedades. Pela imigração subvencionada, o Estado pagava as despesas da viagem do imigrante para o Brasil, garantia-lhe um salário fixo e participação na colheita.



Como do sistema de parceira resultaram maus-tratos e exploração dos imigrantes, a imagem do Brasil ficou comprometida no exterior. Para melhorar a imagem do país e despertar o interesse dos europeus em imigrar para cá, o governo brasileiro passou a fazer uma intensa propaganda das vantagens que o país e a imigração subvencionada ofereciam aos imigrantes.



Cabe lembrar que, a partir de 1870, a conjuntura internacional era bastante favorável ao Brasil, em razão das crises enfrentadas por Itália e Alemanha – que elevaram o desemprego e o custo de vida nesses países – além da política de restrição à imigração adotada pelos Estados Unidos.Com as novas vantagens oferecidas aos imigrantes, gradativamente, os cafeicultores substituíram a mão de obra escrava pela livre.




SAGALL, Lasar. Navio de Imigrantes. 1939-41.



Os imigrantes viajavam como passageiros de terceira classe, em vapores, que levavam semanas para chegar ao seu destino. Após a chegada ao Brasil e depois de passar pela inspetoria de imigração, os recém-chegados iam para as hospedarias de imigrantes, existentes no Rio de Janeiro, Juiz de Fora e São Paulo, de onde partiam para as fazendas de café ou para as áreas de colonização no Sul do país.





Análises e interpretações: versões, opiniões e fontes diversas





Leia os documentos a seguir.





O Imigrante Italiano no Brasil



(Carta publicada no La Battaglia (A Batalha), no jornal paulistano de tendência anarquista que denunciava abusos dos cafeicultores para com os imigrantes italianos)





A sua Excelência



Cônsul da Itália em São Paulo



Há três anos trabalhado na fazenda na qual o administrador tem o vicio infame de maltratar os pobres filhos do trabalhador, em especial o italiano.



Ora, é preciso que sua Excia.saiba que o abaixo assinado é um pobre pai de família com quatro filhos menores e mulher, o que quer dizer, unicamente dois braços à disposição do serviço da fazenda. Caí doente há 3 meses e não pude trabalhar por 30 dias, sendo, desde então, objeto de escárnio e maus tratos por parte dos empregados da fazenda. Resisti pacientemente, até que, não podendo mais suportar as humilhações, resolvi abandonar a fazenda há 15 dias e não receber o que tinha direito. Parti deixando meus familiares, com a esperança de que o fazendeiro em pouco tempo os deixasse livres para partir,mas, até hoje não os vi, o que me fez acreditar que estão proibidos de sair da fazenda.



(Fonte: La Battaglia, São Paulo, 23/07/1911)





Fonte: DEL PRIORE, NEVES e ALAMBERT, Mary, Maria de Fátima das e Francisco. Documentos de História do Brasil – de Cabral aos anos 90. editora Scipione, São Paulo





Sobre a moradia dos imigrantes:





[...] Eram casebres baixos, cheios de frestas, caindo aos pedaços, que deixavam transparecer, pelos buracos usados como janelas e pelas fissuras dos muros, cenas tristes; no interior, poucos cômodos imundos, onde se chegava por escadas precárias. As paredes, revestidas de pó secular, enegrecidas e úmidas pelas chuvas que desciam livremente do teto, infiltrando-se entre as pedras; o chão do térreo era de terra ou pedras mal ajustadas, aqui e ali arrebentadas ou incompletas; o plano superior dos sobrados era formado por tabuleiros bamboleantes, nas janelas não haviam batentes, eram tapadas por vidros ou folhas de papel. Os únicos móveis eram ,um ou dois leitos sobre cavaletes, cobertos de palha ou papel, um baú para os pertences e os utensílios para cozinha e agricultura. Alguns santos vermelhos ou azuis, algumas vezes um calendário; o número de cômodos era variável, mas sempre inferior às necessidades da família: cada quarto serve a três ou quatro pessoas. Uma coabitação forçada. O chamado banheiro não existe, o hábito é fazer as necessidades corporais no modo que Mantegazza chama “poético”, mas que, por mais que contenha a luz do sul – ou o astro de prata – e as carícis da livre aragem, não deixa de ser, por isso mesmo, anti-higiênico para a medicina, indecente para a limpeza e ainda lúbrico para a moral.



Atti della giunta inchiesta agrara e sulle condizione della classe agricola









6. Tendo como parâmetro as informações dos documentos, argumente contra, ou a favor, da afirmativa de que os fazendeiros tratavam os imigrantes como tratavam os seus escravos.



resposta: Atividade opinativa. Professor, avalie a coerência da argumentação do aluno.



O tema em foco



Leia o trecho do verbete.



Lei de Terras: A Lei nº 601 do Império do Brasil, conhecida como Lei de Terras, foi sancionada em 18 de setembro de 1850, 14 dias após a aprovação da lei da abolição do tráfico atlântico de escravos. Determinou que as terras devolutas do país não poderiam ser ocupadas por qualquer outro título que não o de compra ao Estado em hasta pública, garantindo, porém, os direitos dos ocupantes de terra por posse mansa e pacífica e dos possuidores de sesmarias com empreendimentos agrícolas instalados até aquela data. Previa ainda a criação de uma Repartição Geral de Terras Públicas.





A definição de um nova política de terras esteve na agenda de consolidação da Monarquia desde a independência política. Ainda em 1822 foi revogado o instituto de doação das sesmarias, ao mesmo tempo que os reiterados compromissos com a extinção do tráfico africano colocavam no centro dos debates a aprovação de uma nova polítca de terras [...]



O primeiro projeto de lei agrário apresentado pelo Conselho de Estado, em 1842, buscava resolver suas ordens de problemas associados. Por um lado, a substituição do trabalho escravo pelo trabalho livre, baseada no estímulo à imigração e à colonização estrangeira, sobretudo a europeia [...] Por outro lado, tratava-se de demarcar com clareza os limites entre terras públicas e privadas, até então fuídos, buscando retirar do controle privado as terras improdutivas [...]



Em 1850, a iminência da extinção do tráfico africano faria com que o gabinete conservador finalmente lograsse a aprovação de uma lei de terras, regulamentada pelo Decreto nº 1, 318, de 30 de janeiro de 1854. O novo projeto, porém, ampliava consideravelmente, em relação à propostas de 1842, o tamanho das posses que podiam ser legitimadas e suprimia a proposta de instituir um imposto territorial. Para separa as terras públicas das particulares, era necessário legitimar posses e revalidar sesmarias, que deveriam ser declaradas e depois demarcadas. Para tanto, era necessário formar um cadastro de terras ocupadas, para o que foi instituída a obrigatoriedade de declaração nos Registros Paroquiais de Terras, então instituídos, realizando-se os registros em todo o império entre 1855 e 1860. A Repartição Geral de Terras Públicas, entretanto, jamais teve condições de implementar os trabalhos de medição e revalidação dos registros.



Os analistas são unânimes em considerar as limitações da aplicação da lei de 1850, embora a considerem um marco na história da propriedade privada da terra no Brasil e na sua transformação em mercadoria [...]



Se a separação entre as terras públicas e privadas permaneceu tênue, os limites entre os terrenos privados tornaram-se mais nítidos, ao mesmo tempo em que reduzia a incidência de direitos superpostos no interior das propriedades, eliminando, a médio prazo, muitos direitos costumeiros de arrendatários, posseiros e agregados [...]





MATTO, Hebe. Lei de Terras In: VAIFAS, Ronaldo, org. Dicionário do Brasil Imperial. (1822-1889). Rio de Janeiro: Objetiva, 2002. p. 467-8.






7. Defina "Lei de Terras".



resposta: A Lei de Terras de 1850 determinava que as terras devolutas do país não poderiam ser ocupadas por qualquer outro título que não o de compra ao Estado em hasta pública, garantindo, porém, os direitos dos ocupantes de ter por posse mansa e pacífica e dos possuidores de sesmarias com empreendimentos agrícolas instalados até aquela data. Previa ainda a criação de uma Repartição Geral de Terras Públicas.



8. Explique o que foram os Registros Paroquiais de Terras.





resposta: Para separar as terras públicas das particulares, era necessário legitimar posses e revalidar sesmarias, que deveriam ser declaradas e depois demarcadas. Para tanto, era necessário formar um cadastro de terras ocupadas, para o que foi instituída a obrigatoriedade de declaração no Registros Paroquiais de Terras, então instituídos, realizando-se os registros em todo o império entre 1855 e 1860.


9. Apresente o maior impacto da Lei de Terras na estrutura agrária do país.





resposta: O maior impacto foi a transformação da terra em mercadoria.

Leia o texto a seguir.


A imigração assalariada


O fracasso das tentativas de trazer europeus para trabalharem na agricultura, desde as colônias de povoamento de D. João até as de parceria do senador Vergueiro, deveu-se a que esses sistemas na satisfaziam a prioridade dos latifundiários, que era a substituição da mão de obra escrava por outra que não comprometesse o sistema produtivo assentado na grande propriedade agroexportadora.



O fim do trafico tornou o problema urgente, e a Lei de Terras, assegurando o impedimento ao imigrante de acesso à terra, possibilitou o incremento do programa de captação de europeus para trabalharem nas fazendas brasileiras como assalariados. Embora iniciada após a corrente espanhola (1856) e austríaca (1872), a corrente imigratória italiana ganhou força a partir de 1875, dirigindo-se sobretudo para a província de São Paulo.



O grande contingente de italianos que veio para o Brasil explica-se devido à situação política explosiva e prolongada gerada pela unificação italiana e pela propriedade fundiárias nesse país, restrita a poucos. Um enorme proletariado rural que ali existia, pressionado ainda mais por uma seqüência de secas e seduzido pelas condições maravilhosas de trabalho oferecidas pela propaganda enganosa das agências de imigração brasileiras, trouxeram milhares de trabalhadores italianos para o Brasil.



O primeiro grupo que chegou a São Paulo em 1877 era de duas mil pessoas, mas apenas a partir da década seguinte a imigração ganha impulso, atingindo 80 749 em 1888. O incremento da imigração deveu-se à ação de negociantes ligados direta ou indiretamente aos governos provinciais e imperial e à lavoura cafeeira. Conforme avançava a campanha abolicionista e crescia a procura internacional do café, mais se empenhavam os governos em medidas que suprissem o déficit de mão de obra. Várias leis foram decretadas nesse sentido.



Os imigrantes que se dirigiam majoritariamente para São Paulo aportavam em Santos e subiam a serra até a capital da província. Lá ficavam em hospedarias especializadas em recebê-los, como a Hospedaria do Brás, com acomodações para quatro mil pessoas. De lá, eram os imigrantes encaminhados para as fazendas pelas agências. Formaram-se diversas sociedades destinadas a cuidar da boa recepção dos adventícios, como a Sociedade Promotora de Imigração, fundada em 1886 em São Paulo pelo Conde de Parnaíba. Principalmente antes dessa, e a despeito do interesse que se tinha pelo imigrante, as fraudes foram a regra na trazida dos trabalhadores que deveriam substituir os escravos.





Os imigrantes, depois de uma semana ou pouco mais nas hospedarias, se dirigiam para as fazendas de café. As leis brasileiras que regulavam a imigração favoreciam sobretudo o fazendeiro, obrigando o imigrante a trabalhar para ele no mínimo por cinco ano, período excessivamente longo. O colono não podia ser contratado um segunda vez se não tivesse um certificado de quitação com o primeiro empregador. Em caso de dívida, era obrigado a trabalhar gratuitamente por até dois anos.



No final do Império essas leis praticamente não eram respeitadas em São Paulo devido à grande demanda de trabalhadores livres, que estabeleciam contratos verbais com os fazendeiros, facilmente rescindíveis por ambas as partes a qualquer momento [...]

MALERBA, Jurandir. O Brasil Imperial. Maringá: Eduem, 1999. p. 103-5



Contextualizando o tema







10. Explique as razões para a vinda de grandes continentes de italianos para o Brasil.

resposta: As razões para a vinda de grandes contingentes de italianos, foram a instável situação política gerada pela unificação italiana, a restrição da propriedade de terras, as condições climáticas e a propaganda das agências de imigração brasileiras.

11. Como se dava a trajetória do imigrante entre sua chegada no porto de Santos e o início de seu trabalho na fazenda de café?

resposta: Após chegarem a Santos, os imigrantes subiam até a capital da província onde ficavam acomodados em hospedarias especializadas para recebê-los. De lá, os imigrantes eram encaminhados para as fazendas pelas agências.

12. Apresente a forma como as leis imperiais regulavam a relação de trabalho entre o fazendeiro e o imigrante.



resposta: As leis brasileiras favoreciam, sobretudo, o fazendeiro, obrigando o imigrante a trabalhar para ele pelo período de, no mínimo, cinco anos. O colono não podia ser contratado uma segunda vez se não tivesse um certificado de quitação com o primeiro empregador. Em caso de dívida, era obrigado a trabalhar gratuitamente por até dois anos.


Construindo habilidades e competências

Leia o manifesto.



Manifesto das Mulheres da Via Campesina

09/03/2009

Nós mulheres, camponesas, ribeirinhas, extrativistas, indígenas, quilombolas e sem terra, queremos denunciar com nossas ações políticas a extrema gravidade da situação dos trabalhadores rurais no Brasil.. Não nos subordinaremos a este modelo capitalista e patriarcal de sociedade, concentrador de poder e de riquezas. Não queremos o projeto de agricultura do agronegócio, hidronegócio e das empresas transnacionais no Brasil.

Nos mobilizamos para denunciar a crise política, econômica, social e ambiental criada pelas elites que controlam o Estado: capital financeiro internacional e transnacionais. Não aceitamos pagar a conta da crise, com a super-exploracão de nosso trabalho, baixos salários, aumento da jornada de trabalho e com o avanço da exploração sobre os recursos naturais. Por isso, DENUNCIAMOS:

O AGRO E O HIDRO NEGÓCIO SÃO INSUSTENTÁVEIS: os monocultivos, com destaque para a cana, soja e eucalipto, causam um forte desequilíbrio ambiental, sérios problemas sociais, gerando graves conseqüências para a humanidade, através do uso intensivo de venenos. É um modelo que se apropria e domina a água, a terra, as fontes de energia, os minérios, as sementes e toda biodiversidade. Exerce controle das sementes, através dos transgênicos, que provoca o aumento de doenças, especialmente em mulheres e crianças. Avança sobre os recursos naturais, com a ganância de aumentar seus lucros sobre as florestas, na Amazônia e no que resta do Cerrado, da Mata Atlântica, do bioma Pampa e do Semi-Árido nordestino.

SUPER-EXPLORAÇÃO DO TRABALHO: os grandes lucros deste modelo são obtidos através de baixos salários, precarização, ameaça constante de desemprego e condições semelhantes de trabalho escravo. É esta super-exploração do trabalho que permite que a mercadoria fruto deste modelo, seja uma das mais baratas e competitivas do mundo.

FINANCIAMENTO DO ESTADO: este modelo é beneficiado através de investimento público que tira dos pobres em forma de impostos e passa os recursos para os bancos e empresas. O governo brasileiro recolhe da sociedade, todos os anos, cerca de 150 bilhões de reais para transferir aos bancos na forma de pagamento de uma dívida, que o povo não fez e nunca foi consultado. Os donos desses títulos não são mais que 20 mil ricos, entre donos de bancos, especuladores nacionais e internacionais. Sem esses recursos, o governo não consegue investir em educação, emprego, saúde, direitos previdenciários, habitação e reforma agrária. Este repasse se dá principalmente através do FAT e do BNDES – órgãos governamentais. É o modelo mais rentável para os capitalistas, e o mais dependente dos investimentos públicos. Por gerar divisas em dólar, o governo e o Estado lhes dão total amparo. Em especial, em linhas de crédito: o agronegócio recebe mais de 65 bilhões de reais por ano dos bancos públicos, e com isenção dos impostos de exportação. Exportar apenas matéria prima não desenvolve o país, nem distribui renda a todos e todas.

ALIANÇA QUE AFETA A SOBERANIA ALIMENTAR E O CONTROLE DA AGRICULTURA BRASILEIRA: há uma aliança entre os grandes proprietários de terra com as empresas transnacionais que controlam o fornecimento dos insumos industriais -adubos, fertilizantes, venenos e máquinas- , o preço e o mercado de cada produto. O Brasil continua priorizando a exportação de matérias primas, sem valor agregado, vendendo a preços baixos, e transferindo parte de nossas riquezas naturais, inclusas no produto.

A CRIMINALIZAÇÃO DA LUTA: nos últimos tempos, o Estado tem utilizado todo aparato policial, o poder judiciário e a mídia para defender as empresas, o agronegócio e a propriedade privada e criminalizar as lutas sociais.

Reafirmamos a luta como única saída para as transformações sociais! E temos o direito de lutar!

Nos mobilizamos para defender a agroecologia, a biodiversidade, a agricultura camponesa cooperada, a produção de alimentos saudáveis, a reforma agrária, os direitos previdenciários, a saúde e educação gratuita e de qualidade para todos. Para defender a terra, a água, as sementes, a energia e o petróleo como bens da natureza a serviço dos seres humanos.

Rompemos o silêncio para resgatar a cultura e o conhecimento camponês, resgatar o nosso Brasil. E para isso, convocamos todo o povo brasileiro a ir à luta, para se unir para construir um novo projeto de desenvolvimento - que beneficie o povo brasileiro e não as empresas e os bancos.

Seguiremos lutando e organizando as mulheres, os homens, a juventude trabalhadora e as crianças para defender os nossos direitos de viver no Brasil justo, igualitário e soberano.

VIVA 08 DE MARÇO: DIA INTERNACIONAL DE LUTA DAS MULHERES TRABALHADORAS!

VIA CAMPESINA BRASIL e FETRAF - MARÇO 2009


Disponível em: www, mst.org.br - acesso em 21 abr. 2011.

No dia 9 de março de 2009, as mulheres da Via Campesina invadiram o Ministério da Agricultura, destruíram carregamentos de celulose para exportação da Aracruz, entre outras ações coletivas. No manifesto, há a explicação para o seu comportamento pouco ortodoxo.

Argumente contra ou favor dos pontos levantados pelas mulheres da Via Campesina no seu Manifesto. Debata suas ideias com os seus colegas na sala de aula.



De olho no vestibular


1. (PUC) No Brasil do século XIX, destaca-se uma política imigrantista, que visava atrair estrangeiros para povoar e colonizar os vazios demográficos permitindo a posse do território e a produção de riquezas. Sobre a política de imigração, assinale a afirmativa CORRETA.

a) O perfil do imigrante desejável era o que se enquadrasse na categoria de agricultor, colono e artesão que estivesse disposto a se estabelecer no campo.

b) O estrangeiro vinha para a substituição da mão-de-obra escrava. Era, portanto, trabalhador com acesso à propriedade de terras vinculadas à Coroa portuguesa.

c) O aumento da entrada de imigrantes no país coincide com o desenvolvimento econômico advindo dos engenhos de cana-de-açúcar no Nordeste.

d) O processo de adaptação do imigrante ao país sempre coube ao Estado que, com a imigração subvencionada, catequizava e inseria o estrangeiro no Brasil.


resposta: [A]

2. (Fatec) :Em 4 de setembro de 1850, foi sancionada no Brasil a Lei Eusébio de Queirós (ministro da Justiça), que abolia o tráfico negreiro em nosso país. Em decorrência dessa lei, o governo imperial brasileiro aprovou outra, "a Lei de Terras". Dentre as alternativas a seguir, assinale a correta.

a) A Lei de Terras facilitava a ocupação de propriedades pelos imigrantes que passaram a chegar ao Brasil.

b) A Lei de Terras dificultou a posse das terras pelos imigrantes, mas facilitou aos negros libertos o acesso a elas.

c) O governo imperial, temendo o controle das terras pelo coronéis, inspirou-se no "Act Homesteade" americano, para realizar uma distribuição de terras aos camponeses mais pobres.

d) A Lei de Terras visava a aumentar o valor das terras e obrigar os imigrantes a vender sua força de trabalho para os cafeicultores.

e) O objetivo do governo imperial, com esta lei, era proteger e regularizar a situação das dezenas de quilombos que existiam no Brasil.

resposta:[D]

3. (PUCPR) Entre a extinção do tráfico de escravos em 1850 e o impulso da imigração estrangeira, na sociedade brasileira ainda baseada na exploração servil, a agricultura cafeeira serviu-se:

a) de trabalhadores livres atraídos das regiões pastoris do centro-oeste.

b) de escravos vindos do norte, principalmente da região amazônica da borracha.

c) da mão-de-obra indígena, principalmente fornecida pelos aldeamentos do norte do Paraná e sul de Mato Grosso.

d) de trabalhadores livres sulistas, que deixavam as suas regiões agrícolas em busca de razoáveis salários pagos na lavoura cafeeira.

e) de escravos vindos do nordeste, principalmente das áreas açucareiras.



resposta:[E]


4. (UFRN) Durante o século XIX, no Brasil, desenvolveu-se uma campanha em favor da abolição da escravidão negra. A culminância dessa campanha deu-se com a Lei Áurea, em 1888. Ao ser extinta a escravidão, os libertos

a) permaneceram nas mesmas condições de vida, dada a inexistência de uma política governamental que os integrasse à sociedade.

b) iniciaram negócios próprios, inserindo-se no mercado capitalista, graças a subsídios do governo.

c) ocuparam postos no mercado de trabalho capitalista, em razão da política governamental de educação formal.

d) foram alvo de atitudes segregacionistas da sociedade branca, dificultando-lhes a ascensão social em razão das disposições previstas nas leis abolicionistas.


resposta:[A]


5. (UFRN) No século XIX, atendendo-se a necessidades de mão-de-obra na agricultura, adotou-se uma política de imigração de trabalhadores livres para o Brasil. Naquele período,

a) os cafeicultores paulistas opunham-se à vinda de imigrantes italianos, que, influenciados pelas idéias socialistas-anarquistas, lideravam movimentos reivindicatórios.

b) a aprovação da Lei de Terras facilitou a fixação dos colonos em pequenas propriedades, exploradas por mão-de-obra familiar e voltadas para o mercado interno.

c) os senhores de engenho pressionaram para que o governo brasileiro patrocinasse a vinda de imigrantes, de modo a reerguer a produção açucareira.

d) o ajustamento social dos colonos imigrantes foi dificultado pelo padrão escravista de administração e pela influência da mentalidade senhorial nas relações de trabalho.









resposta:[D]











Para saber mais





FARIA, Augusto C,; BARROS, Edgar Luiz de. Os abolicionista. São Paulo: Ática (Coleção O Cotidiano da História).



LIBBY, Douglas; PAIVA, Eduardo França. A escravidão no Brasil. São Paulo: Moderna.



MONTENEGRO, Antônio Torres. Reinventando a liberdade. A abolição da escravatura no Brasil. São Paulo: Atual (Coleção História em Documentos).







Saiba mais sobre o Macartismo


Macartismo



Senador McCarthy exibindo um jornal que elogiava a perseguição aos comunistas.


Passada a Segunda Guerra Mundial, o jogo político internacional ficara polarizado entre as nações comunistas e capitalistas. Nesse contexto, a chamada Guerra Fria se desenvolveu com uma das várias manifestações que reafirmavam claramente esse processo de polarização. Nos EUA, tal divisão de perspectivas acabou favorecendo a perseguição daqueles que tivessem algum tipo de relação com a militância comunista.

Sob o âmbito político, a perseguição aos comunistas ganhou um relevante espaço através das ações empreendidas pelo senador Joseph Raymond McCarthy. Por meio de discursos inflamados e diversos projetos de lei, esse estadista conseguiu aprovar a formação de comitês e leis que determinavam o controle e a imposição de penalidades contra aqueles que tivessem algum envolvimento com “atividades antiamericanas”.

Na prática, as polêmicas atividades antiamericanas eram um sinônimo empregado para qualquer manifestação política inspirada pelo comunismo. O sucesso dessa política acabou atingindo tais proporções que o próprio anticomunismo passou a também ser chamado de “macartismo”, em homenagem a uma de suas mais evidentes representantes.

Apesar de defender a ampla perseguição aos comunistas, o senador McCarthy tinha suas ações limitadas ao quadro de funcionários do Governo Federal. De tempos em tempos, ele ia até o público para exibir gráficos, mapas e relatórios que indicavam a perseguição dos funcionários suspeitos de atividade comunista. Por meio de tais ações, reforçava uma noção de patriotismo distorcida que ia contra as próprias liberdades a serem garantidas em uma democracia.

A notoriedade delegada ao “macartismo”, principalmente na década de 1950, pode ser vista como sendo auge de um costume anterior. Nos finais da década de 1930, o Comitê de Atividades Antiamericanas já desenvolvia um trabalho semelhante ao divulgar várias “listas negras” onde acusavam intelectuais, escritores e artistas de terem envolvimento com o comunismo.

Ao atingirmos a década de 1960, a euforia das manifestações anticomunistas dava lugar para o desenvolvimento de outros caminhos. A ascensão do movimento hippie e as novas reflexões da intelectualidade colocavam em questão essa visão política por simples dualidades opostas. Os jovens dessa época conseguiam notar as injustiças vigentes no mundo capitalista, mas não concordavam com a faceta autoritária de algumas experiências do socialismo.

Nos dias de hoje, o macartismo é utilizado para se definir qualquer tipo de perseguição sistemática aos comunistas. Nos Estados Unidos, podemos ver que a atenção anteriormente dedicada aos comunistas hoje se volta contra os países islâmicos acusados de protegerem terroristas.


Por Rainer Sousa
Graduado em História
Equipe Brasil Escola

Saiba mais sobre o processo abolicionista brasileiro

CNDL – Colégio Notre Dame de Lourdes

Primeiro Ano – Primeiro Bimestre

Coleção Pitágoras Capítulo 3

A introdução do trabalho livre no Brasil




O fim do tráfico negreiro




Segundo os historiadores Eduardo Paiva de Douglas Libby, o tráfico negreiro nunca foi tão itenso como entre 1810 e 1850. Na primeira metade do século XIX, um número em torno de 1 700 000 africanos foi desembarcado no Brasil, dado impressionante, se comparado com os dois milhões de negros que foram trazidos da África, durante todo o período colonial. É importante ressaltar que esse número na intensidade do tráfico negreiro se deu em um contexto internacional que se tornava cada vez mais desfavorável ao comércio de africanos. Em 1807, a Inglaterra proibiu a importação de negros em suas colônias. No ano seguinte, também os Estados Unidos colocaram o tráfico na ilegalidade. O fim do tráfico britânico foi o início de uma obsessiva campanha da Inglaterra para colocar um ponto final no comércio internacional de escravos no mundo inteiro. Acreditava-se que, com o fim do tráfico, cessaria a escravidão, uma instituição imoral para a maioria dos súditos ingleses. A Grã-Bretanha investiu em manobras diplomáticas, depois militares, apoiadas por sua potente Marinha Real. As demais nações, entre elas o Brasil, tiveram de extinguir o tráfico negreiro. Não se pode esquecer que a primeira metade do século XIX corresponde ao período de consolidação do capitalismo industrial na Inglaterra e, em consequência, da ideia de que o trabalho adequado era o assalariado. O trabalho escravo, nessa medida, devia ser extinto. Em 1810, os ingleses já haviam demonstrado sua intenção de colocar um fim no tráfico negreiro no Brasil. Os tratados assinados entre Brasil e Inglaterra, em 1827, incluíam uma cláusula que dispunha sobre o fim do tráfico no Brasil. No ano de 1831. Entretanto, essa cláusula não foi cumprida, o que cunhou a famosa expressão “lei para inglês ver”. As pressões inglesas, contudo, não cessaram. Antes, os navios ingleses restringiam as capturas à costa da África ou ao mar aberto. A partir de 1840, a Marinha Britânica passou a investir em águas no litoral brasileiro. Em 1845, o governo inglês resolver tomar medidas drásticas, uma vez que o tráfico africano para o Brasil, continuava intenso. Foi aprovada pela Inglaterra a Bill Aberdeen, lei que conferia à Marinha Britânica o direito de aprisionar os navios negreiros em águas marítimas brasileiras.
Somente em 1850 o governo brasileiro aprovou e assinou a Lei Eusébio de Queirós, que proibiu definitivamente a importação de escravos africanos para o Brasil. Mesmo depois de aprovada a Lei Eusébio de Queirós, ainda entraram no Brasil alguns escravos traficados, mas muito poucos se comparado ao período anterior.

Eusébio de Queirós (1812-1868) , político brasileiro do século XIX, a lei que proibia o tráfico intercontinental de escravos para o Brasil levava o seu nome.



Confira o Navio Negreiro na voz de Caetano Veloso



O Navio negreiro de Castro Alves, juntamente com o fillme Amistad, ao som de Caetano Veloso.



Análise e interpretações: versões, opiniões e fontes diversas


Observe o quadro a seguir.


1. Analise o impacto da Bill Aberdeen, baseando-se no quadro sobre a importação de escravos no Brasil.

Resposta: Examinando o quadro e o gráfico, pode-se observar que, apesar de um número menor de escravos importados no ano da edição do Bill Aberdeen, nos anos seguintes o número volta a crescer, demonstrando que a Marinha Britânica não estava aprisionando os navios negreiros. A diminuição efetiva do número de escravos importados se deu com a Lei Eusébio de Queirós, que proibiu definitivamente o tráfico negreiro para o Brasil.



O tema em foco


Leia o texto.



Foram inúmeros os episódios de escravos crioulos vindos do Nordeste - através do tráfico provincial - que se negavam a serem vendidos, trocarem de senhor e trabalharem nas lavouras cafeeiras. Intentavam fugas e provocavam mesmo insubordinação. Com as fugas, as comunidades escravas não só se reorganizavam como também negociavam melhores condições de vida e de trabalho. Com relação ao tráfico interprovincial nos anos 1850 e 1860 para abastecer de cativos várias áreas do Sudeste escravista, é também importante pensar um processo de formação de identidades. Não necessariamente um estrangeiro, mas alguém que tinha de integrar-se e/ou forjar comunidades, os escravos crioulos vindos do Norre - sua presença, direitos costumeiros, experiência de escravidão e nas relações senhor-escravo - ajudavam a redefinir as diversas e complexas comunidades escravas no Sudeste. Rapidamente, juntavam-se aos africanos desembarcados 10 a 15 anos antes. Os ritmos das aproximações e distanciamentos entre africanos e crioulos neste processo eram tão complexos como aqueles só entre africanos.


Identidades, linguagens, culturas e memórias sociais entre crioulos e africanos - guardadas as devidas especificidades socioeconômicas e demográficas - foram reinventadas no contexto do tráfico interprovincial, quando escravos crioulos foram trazidos para regiões com alto índice de concentração de população escrava africana desembarcada entre 1845 e 1855.

SOARES, Carlos Eugênio; GOMES, Flávio. Em busca de um "risonho futuro': seduções, identidades e comunidades em fuga no Rio de Janeiro escravista (século XIX). Lócus. Revista de História. V. 7. n.2. 2001. p. 22-3.


2. Analise como o tráfico interprovincial permitiu a reinvenção de novas identidades negras no Sudeste escravista.

Resposta: A convivência dos escravos crioulos vindos do Norte - seus hábitos, direitos costumeiros, experiências de escravidão e nas relações senhor-escravo - com os africanos desembarcados 10 ou 15 anos antes no Brasil permitiu a reinvenção de identidades, linguagens, culturas e memórias sociais entre croulos e africanos.










O movimento abolicionista


Nas últimas décadas do século XIX, a maioria da sociedade brasileira era antiescravista. A Guerra de Secessão, nos Estados Unidos, da qual resultara a abolição da escravidão naquele país, tivera forte impacto nas nações que ainda mantinham a escravatura, como Cuba, Porto Rico e Brasil, e estimulou as campanhas abolicionistas. No Brasil, foram fundados clubes e associações abolicionistas formados pelos mais diversos setores da sociedade. Eram promovidas festas beneficentes, quermesses, palestras e comícios em praça pública, fosse para angariar fundos para a causa abolicionista, fosse para condenar a escravidão. A imprensa era um dos principais veículos de defesa do abolicionismo. No parlamento, a questão escravista era mais delicada. Como a maioria dos deputados era proprietária de terras e escravos, defendia a emancipação lenta e gradual dos cativos, com o pagamento, pelo governo, de indenização aos seus senhores. A Lei do Ventre Livre Em setembro de 1871, os deputados aprovaram numa perspectiva de emancipação gradual dos cativos, a Lei do Ventre Livre, que declarava libertos os filhos de mulher escrava que nascessem no país a partir da promulgação da lei. Os filhos ficariam sob a guarda do senhor até a idade de 8 anos. A partir de então, o senhor poderia liberta-los, em troca de títulos públicos, ou se utilizar gratuitamente de seus serviços até completarem 21 anos. Na realidade, a Lei do Ventre Livre pretendia esvaziar o movimento abolicionista e, ao mesmo tempo, garantir aos proprietários de terras uma transição segura para o trabalho assalariado. A Lei do Ventre Livre teve pouca eficácia. Para se ter uma ideia, o número de crianças libertadas em 1879 e 1880, quando teriam alcançado os 8 anos, era insignificante. Até o final de 1880, apenas 4 500 escravos haviam sido libertados pelo Fundo de Emancipação, isto é, apenas 0,3% da população escrava do país naquele ano. Esses resultados insignificantes da Lei do Ventre Livre acabaram por agitar a campanha abolicionista. As ações dos grupos abolicionistas eram bastante diversas, sendo a campanha da libertação voluntária, isto é, as alforrias concedidas pelos senhores, a mais importante na primeira metade da década de 1880. Essas alforrias superaram significativamente as promovidas pelo Estado, o que demonstrava o avanço da sociedade civil frente às autoridades públicas. Diversos municípios espalhados pelo Norte, Nordeste e Sul do Brasil, seguindo o exemplo do Ceará, libertaram seus escravos e declararam-se territórios livres. A pequena população do Amazonas também foi libertada em 1884. Em 1885, mais de 85% dos escravos do Rio Grande do Sul haviam sido libertados. À essa altura, a escravidão encontrava-se reduzida às províncias do Centro-Sul. Grupos abolicionistas radicais, como os Caifazes, organizavam fugas e rebeliões dos escravos nas fazendas. Em contrapartida, os proprietários formavam os Clubes da Lavoura e Comércio, que contavam com milícias próprias para reprimir a fuga e revolta dos cativos e a ação dos abolicionistas. Sequer o Exercito se dispunha mais a reprimir os defensores da abolição. A Lei dos Sexagenários e a Lei Áurea Em 1885, mais uma vez, o governo tentou conter os ânimos abolicionistas com a promulgação da Lei Saraiva-Cotegipe, mais conhecida como Lei dos Sexagenários, por libertar os escravos que tivessem mais de 60 anos. Essa lei, na verdade, só beneficiava os próprios senhores, uma vez que ficavam livres dos escravos improdutivos e dispendiosos. A lei ainda previa que os escravos libertos deviam trabalhar de graça até os 65 anos, e estabelecia o pagamento de indenização aos seus senhores. A Lei dos Sexagenários acirrou ainda mais os ânimos abolicionistas. O movimento tornou-se cada vez mais radical, o que levou a princesa Isabel, que ocupava interinamente o trono, a assinar, em 1888, a Lei Áurea, abolindo definitivamente a escravidão no Brasil.

Charge de Ângelo Agostini sobre o movimento abolicionista no Brasil.


O tema em foco

Observe a imagem a seguir.



3. Analise o conteúdo dessa imagem.



Resposta: Analise a imagem com os alunos, procurando destacar o tratamento dado à Princesa Isabel e discuta o imaginário construído em torno dela.




Análise e interpretação: versões, opiniões e fontes diversas



Quando se afirmou que, com a Lei dos Sexagenários, os parlamentares pretendiam se livrar dos escravos improdutivos e dispendiosos, apresenta-se, de imediato, a discriminação contra os idosos que não podiam mais trabalhar (muitas vezes estavam doentes), e acabavam não contando como peças úteis no plantel escravos. Nos nossos dias, a situação dos idosos – homens livres, cidadãos – ainda é preocupante. A discriminação continua e nem sempre os idosos têm um final de vida digno. O Estatuto do Idoso visa, exatamente, a proteger aqueles que já deram sua contribuição para o país e merecem uma velhice com dignidade.


4. a) Pesquise o Estatuto do Idoso e apresente seus principais pontos. Registre, também, sua opinião sobre a proteção à velhice no país. Debata o tema em sala de aula.


Resposta: Nessa atividade coordene o debate em sala de aula e avalie a verticalidade da pesquisa dos alunos.


Leia o texto a seguir.


Entre os negros africanos e seus descendentes, a figura da Princesa se revestiu, por décadas, de um significado muitas vezes incompreendido até mesmo pelos monarquistas destronados. Meses antes da queda do império, o republicano Rui Barbosa comentava indignado o fenômeno. Inconformado com as manifestações de gratidão que os negros devotavam à Princesa Isabel, ele só encontrava uma explicação para o fato: eles não sabiam como desfrutar a liberdade alcançada. Encarava essa devoção com mau uso da condição adquirida. Via essas atitudes e comemorações como expressões de servilismo e subserviência. Nas palavras do jurista e político, publicadas no Diário de Notícias, de 19 de março de 1889, "ao manipanso [ídolo africano] grotesco das senzalas, próprio para a gente da África, sucedida o feiticismo da idolatria áulica, digna de uma nação de libertos inconscientes". De acordo com a apreciação de Rui, os negros estariam dando continuidade aos costume de adorar ídolos. Considerava-os inconsientes devido a sua herança e costumes selvagens. Se por um lado estava certo em considerar a atitude dos negros uma continuidade, por outro não se dava conta de que, ao comemorarem a Abolição, saudando e enaltecendo a princesa, estavam expressando sua concepção de realeza tal como a entendiam na África. Não se tratava de uma má assimilação da ideia de liberdade, mas de uma maneira diversa de compreender e comemorar essa conquista. Invertendo-se o olhar, a insconciência não vinha dos negros, mas do próprio Rui, que não conhecia nem compreendia os meandros da cultura africana.


DAIBERT JR, Robert. Sob o manto de Isabel. Revista Nossa História. Rio de Janeiro: Biblioteca Nacional, nº12, out. 2004. p. 31-2.




b) Explique por que o autor afirma que a “inconsciência não vinha dos negros, mas do próprio Rui, que não conhecia os meandros da cultura africana”.


Resposta: Rui Barbosa acreditava que o culto dos negros à Princesa Isabel estava intimamente ligado ao seu costume selvagem de adorar ídolos. Ele não conseguia compreender, por não conhecer os meandros da cultura africana, que, ao comemorarem a Abolição, saudando e enaltecendo a Princesa Isabel, estavam expressando sua concepção de realeza tal como a entendiam na África. Não se tratava, como acreditava Rui, de um má assimilação da ideia de liberdade, mas de uma maneira diversa de compreender e comemorar sua conquista.



O tema em foco


Leia o texto a seguir.


Isabel Cristina Augusta Miguela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bragança e Bourbon, a princesa Isabel (1846-1921), herdeira do trono de D. Pedro II, passou à história como a "libertadora" dos escravos, fascínio dos monarquistas de ondem e de sempre e terror dos republicanos de primeira hora, que penaram para dissociar a sua imagem dinástica da abolição do escravismo em 1888.


"Ela foi uma mulher do século XIX, marcada por uma visão católica reacionária-aristocrática que, de alguma forma, contribuiu para a modificação do cenário imperial brasileiro. Não foi tão abnegadamente altruísta em sua política, nem tão responsável pela farsa de uma abolição incompleta da miséria, nem tão imobilizada pelas estruturas patriarcais machistas, nem tão rebelde e revolucionária. Ela sempre buscou pavimentar o caminho para o trono por meio do que chamei de 'política do coração'", explica Robert Daibert, autor da tese de doutorado Princesa Isabel: a "política do coração" entre o trono e o altar [...] "Sua luta antiescravista é a ponta do iceberg, cujas bases giravam ao redor de um abolicionismo católico, afinado com a visão do papa e dos bispos. Ou seja, estavam baseadas em um abolicionismo redentor, doador da liberdade, previdente, previsível, pacífico. E, acima de tudo, esse abolicionismo deveria garantir a formação de libertos ordeiros, catolicamente civilizados e fiéis à Igreja e à sua concepção de sociedade e política", analisa.


HAAG, Carlos. Uma "Redentora" em busca de redenção. A polêmica "política do coração" da princesa Isabel. Pesquisa FAPESP. nº 152. out. 2008. p. 85.



5. Analise o perfil do abolicionismo da princesa Isabel.

Resposta: O abolicionismo da Princesa Isabel foi um abolicionismo redentor, doador de liberdade, previdente, previsível, pacífico, voltado para a formação de libertos ordeiros, catolicamente civilizados e fiéis à Igreja e à sua concepçã de sociedade e política.




Confira essa crônica de Machado de Assis publicada poucos dias após da promulgação da Lei Áurea



Crônica publicada no jornal carioca Gazeta de Notícias, em 19 de maio de 1888, ou seja, seis dias após a abolição oficial da escravatura no Brasil com a promulgação da Lei Áurea.

Repare a fina ironia de Machado ao utilizar como narrador um personagem extraído da alta sociedade proprietário de escravos e certo prestígio perante a imprensa e a população local como um todo.



Contextualizando o tema estudado


No ano do centenário da abolição, várias composições musicais abordavam a temática da história e cultura negra no Brasil. Confira um exemplo, o som da Banda Reflexus da Mãe África.