sábado, 6 de abril de 2013

Questões de vestibular (PUC-RJ)

PUC-RJ
História
Prova discursiva 2001/2
Enunciado das questões e gabarito.
Concluídos entre os soberanos de Portugal e da Inglaterra, os TRATADOS DE 1810 - ALIANÇA E AMIZADE E COMÉRCIO E NAVEGAÇÃO - consolidariam a preponderância inglesa no Brasil ao pôr fim aos monopólios dos colonizadores portugueses.
a) Cite 2 determinações dos tratados que permitiram a consolidação da preponderância inglesa no Brasil.
 


Respostas possíveis
1. os produtos ingleses que ingressassem no Brasil pagariam tarifas alfandegárias privilegiadas de 15 "ad valorem";
2. aos súditos ingleses era garantida a liberdade religiosa e de consciência;
3. a Inquisição não poderia ser instalada nos domínios americanos de Portugal;
4. tráfico negreiro deveria ser gradualmente abolido, sendo que os traficantes negreiros portugueses somente poderiam resgatar escravos nos territórios africanos pertencentes a Portugal;
5. os súditos ingleses poderiam ter templos religiosos e cemitérios próprios;
6. aos súditos ingleses era assegurado o privilégio de terem magistrados especiais (os Juízes Conservadores) 



b) Comente UMA das determinações pondo em evidência como ela punha fim aos monopólios que distinguiam os colonizadores portugueses em sua colônia americana.




Respostas possíveis
1. a determinação nº 1 confirmava a perda do monopólio comercial pelos portugueses, em proveito dos comerciantes ingleses, tornada realidade desde a abertura dos portos em 1808;
2. as determinações nº 2, 3 e 5 punham fim ao monopólio religioso (ou "das almas"), exercido pela Igreja por meio da ação colonizadora da Coroa portuguesa;
a determinação no. 4 limitava de imediato o monopólio dos traficantes negreiros portugueses, ameaçando a longo prazo a sua continuidade, assim como a da própria escravidão no Brasil.
a determinação no. 6 quebrava o monopólio da aplicação da justiça, que distinguia o poder do Rei português ("o maior dos colonizadores") desde a instituição do Governo Geral em 1548


"A consciência das nossas responsabilidades indicava, imperativamente, o dever de restaurar a autoridade nacional, pondo termo a essa condição anômala da nossa existência política, que poderá conduzir-nos à desintegração como resultado final do choque de tendências inconciliáveis e do predomínio dos particularismos de ordem local [...] o estado de risco iminente da soberania nacional.
[...] Restauremos a Nação na sua autoridade e liberdade de ação: - na sua autoridade, dando-lhe os instrumentos de poder real e efetivo com que possa sobrepor-se às influências desagregadoras internas ou externas; - na sua liberdade, abrindo o plenário do julgamento nacional sobre os meios e os fins do governo e deixando-a construir livremente a sua história e o seu destino".
O texto acima reproduz parte da proclamação feita pelo presidente Getúlio Vargas ao povo do Brasil, no dia 10 de novembro de 1937, dia do golpe que instaurou o Estado Novo.
a) Tomando como referência o processo histórico da sociedade brasileira desde a Revolução de 30, caracterize um acontecimento que era apresentado pelo presidente da República como ameaçador da soberania nacional por ser a expressão "do choque de tendências inconciliáveis" ou "do predomínio dos particularismos de ordem local".




Respostas possíveis
1 -
A formação da Aliança Nacional Libertadora e a " Intentona Comunista": tentando imitar as frentes populares que surgiam na Europa, em oposição ao fascismo, surgiu, em março de 1935, a ANL. Tendo como presidente de honra o ex-capitão Luis Carlos Prestes, ela reunia membros das Forças Armadas, socialistas, comunistas, liberais democratas, operários e membros da classe média. O programa da ANL defendia o estabelecimento de um governo popular, a reforma agrária, o cancelamento da dívida externa, a nacionalização das empresas estrangeiras.
Com base na Lei de Segurança Nacional , o governo de Vargas a declarou ilegal. Em junho, ela foi fechada, tendo sido efetuadas inúmeras prisões.
Em novembro do mesmo ano, alguns dos membros da ANL, especialmente os comunistas, provocaram levantes em Natal, os quais obtiveram o apoio popular, no Recife e em várias unidades militares no Rio de Janeiro, mas que foram reprimidos pelo governo de Vargas.
As disputas e conflitos entre os membros da ANL e aqueles da Ação Integralista Brasileira eram apresentados por Vargas como o "choque de tendências inconciliáveis" que, ao cabo, conduziriam à desintegração política e social.
2 -
A Ação Integralista Brasileira
Em 1932, surgiu, em São Paulo, a Ação Integralista Brasileira, partido político inspirado no Fascismo. Sob a liderança do escritor paulista Plínio Salgado, a AIB congregava profissionais urbanos de classe média, oficiais das Forças Armadas, grandes proprietários e empresários. O integralismo tinha como lema Deus, Pátria e Família, pregava a existência de um partido político único, negando a representação individual dos cidadãos e se opondo ao liberalismo, ao socialismo e ao capitalismo financeiro.
As disputas e conflitos entre os membros da ANL e aqueles da Ação Integralista Brasileira eram apresentados por Vargas como o "choque de tendências inconciliáveis" que, ao cabo, conduziriam à desintegração política e social.
3 -
A Revolução Constitucionalista de São Paulo
Os primeiros momentos do governo saído da Revolução de 30 foram marcados por conflitos entre os tenentes e os representantes das oligarquias. Os conflitos se tornaram mais graves no Estado de São Paulo. O Partido Republicano Paulista e o Partido Democrático uniram-se numa Frente Única, com o apoio das oligarquias gaúcha e mineira, contra o governo de Getúlio Vargas. Às oligarquias interessava a reconstitucionalização do país, com a realização de eleições. Não sendo atendidas as reivindicações, os paulistas se revoltaram em julho de 1932.
Para Vargas e seus seguidores, a Revolução de 32 era a expressão do "predomínio dos particularismos de ordem local", que colocavam em "risco iminente" a soberania nacional.
4 -
A sucessão presidencial
A campanha para a sucessão presidencial de Vargas possibilitou a articulação dos grupos políticos favoráveis e dos que se opunham ao presidente; ao mesmo tempo, cresciam as medidas repressivas do governo federal, desencadeadas com a repressão à Intentona Comunista. A oligarquia paulista lançou a candidatura de Armando de Sales Oliveira, enquanto forças políticas ligadas a Vargas lançavam a candidatura do paraibano José Américo de Almeida. Getúlio Vargas e aqueles que o cercavam não confiavam em nenhum dos candidatos e, por outro lado, não se dispunham a deixar o governo.
Com o apoio do General Góis Monteiro, chefe do Estado do Exército e do general Eurico Gaspar Dutra, Ministro da Guerra, o presidente preparou um golpe de Estado. Todos eles entendiam que as candidaturas concorrentes expressavam "tendências inconciliáveis", sendo que uma delas representava o "predomínio dos particularismos de ordem local", pondo ambos em risco a soberania nacional.




b) Dizendo cumprir o "dever de restaurar a ordem nacional", Vargas instaurou o Estado Novo e outorgou uma nova Constituição política.
Cite três características da Constituição de 1937 que possibilitariam atender à "consciência de nossas responsabilidades" e restaurar a "Nação na sua autoridade e liberdade de ação", no entender do Presidente da República.




Repostas possíveis
1 -
Ao Governo Federal era atribuída a capacidade de intervir nos Estados, mediante a nomeação de interventores pelo Presidente da República;
2 -
ao Presidente da República competia privativamente decretar o estado de emergência e o estado de guerra, em caso de ameaça externa ou iminência de perturbações internas;
3 -
o Pesidente da República podia, durante o estado de emergência, suspender a liberdade de reunião, determinar a busca e apreensão em domicílio, além de censurar a correspondência e todas as comunicações orais e escritas;
4 -
somente os sindicatos regularmente reconhecidos pelo Estado tinham o direito de representação legal dos que participavam de uma determinada categoria de produção;
5 -
à Justiça do Trabalho competia dirimir os conflitos das relações entre empregadores e empregados;
6 -
a greve era declarada recurso anti-social, nociva ao trabalho e ao capital;
7 -
as questões relativas à segurança nacional competiam ao Conselho de Segurança Nacional;
8 -
o Presidente da República tinha o poder de expedir decretos-leis enquanto não fosse reunido o Parlamento Nacional;
9 -
eram dissolvidos a Câmara dos Deputados, o Senado Federal, as Assembléias Legislativas dos Estados e as Câmaras Municipais;
10 -
poderiam ser punidos com a pena de morte os praticantes de atos que tentassem submeter o território da nação à soberania de Estado estrangeiro; subverter a ordem política e social; ou desmembrar o território nacional.



"De fato, a situação mundial se tornou razoavelmente estável pouco depois da guerra de 1945, e permaneceu assim até meados da década de 1970, quando o sistema internacional e as unidades que o compunham entraram em outro período de extensa crise política e econômica. Até então, as duas superpotências aceitavam a divisão desigual do mundo, faziam todo esforço para resolver disputas de demarcação sem um choque aberto entre suas Forças Armadas que pudesse levar a uma guerra e, ao contrário da ideologia e da retórica da Guerra Fria, trabalhavam com base na suposição de que a coexistência pacífica entre elas era possível a longo prazo."
(Eric Hobsbawm, A Era dos Extremos. SP, Cia das Letras, 1997. P.225)



Considerando essa afirmação,
a) IDENTIFIQUE uma iniciativa tomada pelos Estados Unidos e União Soviética, para a estabilização militar e econômica de suas respectivas áreas de influência.




Resposta possível:
Estados Unidos: Plano Marshall ( sistematização da ajuda econômica dada pelos EUA para a reconstrução da Europa, em especial, a Alemanha Ocidental) e Otan (pacto militar de defesa coletiva congregando a maior parte dos países da Europa Ocidental, EUA e Canadá)
União Soviética: Comitê de Informação dos Partidos Comunistas e Operários -Kominform (Comitê com o objetivo de unificar a ação comunista em toda a Europa Ocidental); Conselho para a Assistência Econômica Mútua - Comecon ( Grupo de ajuda econômica aos países socialistas europeus baseado em uma concepção de economia planificada) e Pacto de Varsóvia  (organismo de defesa militar em resposta a Otan, congregando Alemanha Oriental, Polônia, Tchecoslováquia, Hungria, Romênia, Bulgária, Albânia e União Soviética).



b) CITE um exemplo de conflito que, durante esse período da Guerra Fria (1946 - 1973), colocou em risco a estabilidade do sistema internacional.




Resposta possível:
Grécia e Turquia, Berlim( o bloqueio soviético em 1948); a Guerra da Coréia, Indochina e Vietnã; Cuba (principalmente a crise dos mísseis); as independências dos países africanos principalmente Moçambique, Angola, Guiné Bissau, Rodésia e Namíbia e conflitos árabes-israelenses (Suez e Guerra dos Seis Dias).

"Depois de um longo período em que só se cultuava o que era novo, um período que resultou num ataque constante e sistemático às heranças vindas de tempos antigos, eis que, atualmente, o quotidiano urbano vê-se invadido pela necessidade de preservar a "memória urbana".
Maurício de Abreu, in "Sobre a memória das cidades".
"Mas a cidade não conta o seu passado, ela o contém, como as linhas da mão, escrito nos ângulos das ruas, nas grades das janelas, nos corrimãos das escadas, cada segmento riscado por arranhões, entalhes, esfoladuras".
Adaptado de Italo Calvino, "As cidades e a memória".

Usando os textos e tomando a cidade do Rio de Janeiro como referência,
a) apresente dois exemplos que "contenham , como as linhas da mão", o passado da cidade;




resposta:
Entre outros exemplos, o candidato deve citar:
1 -
O traçado das ruas da área central ainda não alterado pelo processo de modernização;
2 -
Alguns prédios remanescentes da cidade colonial ( o Mosteiro e a Igreja de São Bento; o Convento e a Igreja de Santo Antônio; o Paço Imperial, entre outros. )
3. -
Os prédios do final do século XIX / início do século XX tombados pelos projetos de preservação da memória urbana, como a Confeitaria Colombo, alguns prédios da Cinelândia , etc.




b) indique duas intervenções , na área central, que mostrem o "culto pelo novo". 



resposta:
Entre outros exemplos, o candidato pode citar:
1 -
A abertura da Avenida Central (hoje, Avenida Rio Branco) no início do século XX, para marcar o novo momento político vivido pelo país;
2 -
o desmonte do morro do Castelo, local da fundação da cidade, com a finalidade de "arejar" a área central mas também de abrir a esplanada onde iria se realizar a Feira do Centenário;
3 -
a abertura da Avenida Presidente Vargas, eixo de ligação com a Zona Norte da cidade, marcando no espaço urbano a ação do Estado Novo;
4 -
a construção dos edifícios que abrigariam os ministérios da Educação, da Fazenda , do Trabalho, etc.
5 -
os sucessivos aterramentos que modificaram o contorno da baía de Guanabara, como o mais recente, nos anos 50/60, o aterro do Flamengo.


Na nova ordem mundial, a tendência de globalização acelerou o processo de mundialização da produção graças à expansão dos conglomerados multinacionais. No mundo pós-Guerra Fria , o poder é medido pela capacidade econômica: disponibilidade de capitais, avanço tecnológico, qualificação da mão-de-obra, nível de produtividade e índices de competitividade.
Usando os indicadores apresentados acima, situe o Brasil
a) como potência regional; 

 resposta:
O candidato deve selecionar os indicadores que colocam o Brasil como a principal economia da América Latina, por exemplo, o PIB brasileiro corresponde, aproximadamente, a 54% da riqueza gerada n a América Latina.



b) na economia globalizada.
 
resposta:
Na economia globalizada, a posição brasileira é secundária , embora numerosos centros de pesquisa e alguns centros de excelência industrial possam ser competitivos em escala global.
 

Questões de vestibular (PUC-RJ)

História - PUC-RJ
Prova discursiva 2001
Questões 

 

 

1

"O que é o Terceiro Estado? Tudo. O que tem sido até agora na ordem política? Nada. O que deseja? Vir a ser alguma coisa.
Ele é o homem forte e robusto que tem um dos braços ainda acorrentado. Se suprimíssemos a ordem privilegiada, a nação não seria algo de menos e sim alguma coisa mais. Assim, que é o Terceiro Estado? Tudo, mas um tudo livre e florescente. Nada pode caminhar sem ele, tudo iria infinitamente melhor sem os outros (...)."
Abade Sieyès. O que é o Terceiro Estado?


Considerando o texto apresentado,
A) identifique 2 (dois) grupos sociais que compunham o Terceiro Estado e explique seus descontentamentos às vésperas da Revolução Francesa; 




Resposta

a) O candidato poderá identificar dois destes grupos sociais: A alta burguesia, formada por banqueiros, grandes comerciantes e grandes manufatureiros que, apesar de se beneficiarem com o monopólio do comércio externo, estavam descontentes por pagarem tributos, não terem privilégios de nascimento ( o julgamento em Tribunais especiais, os direitos de caça, o acesso aos cargos da Corte, aos comandos militares e às dignidades eclesiásticas, por exemplo) e nem poder político; a média burguesia, formada por proprietários de oficinas artesanais, lojas de comércio, profissionais liberais e funcionários do Estado, estava descontente com o Antigo Regime pela obrigação do pagamento de inúmeros tributos, pelo não usufruto de privilégios, pela pouca representação política e pelas limitações econômicas impostas pela política mercantilista do Estado absolutista como por exemplo, sua exclusão do monopólio do comércio externo; a baixa burguesia, formada na maioria poe pequenos comerciantes e artesãos, reclamava do peso do pagamento dos tributos (dízimo, talha real, corvéia, banalidades, impostos alfandegários, pedágios internos que dificultavam a circulação de mercadorias), das limitações impostas pelos regulamentos das Corporações de Ofício, da falta de privilégio e de participação política; os trabalhadores urbanos assalariados, além de descontentes com o ônus do pagamento de tributos e da exclusão de qualquer participação política, sentiam mais de perto os efeitos da crise do Antigo Regime pelas precárias condições de trabalho e de vida em que viviam nas cidades; e os camponeses livres e servos que, enraizados à terra há séculos, não conseguiam se libertar dessa condição, viviam cada vez mais empobrecidos pelo insuportável custo dos tributos (além dos tributos regulares pagos ao Estado e à Igreja, ainda pagavam obrigações aos senhores) e não tinham acesso à representação política.




B) cite, a partir dos descontentamentos do Terceiro Estado em relação ao Antigo Regime, 2 (duas) ações empreendidas pelos revolucionários franceses que tenham contribuído para alterar esta situação. 



Resposta
        b) A defesa dos princípios de liberdade e de igualdade jurídica através da abolição dos privilégios, da Constituição Civil do Clero, da liberdade de associação, do confisco dos bens eclesiásticos, da proclamação dos Direitos do Homem e do Cidadão, de medidas adotadas para a implantação de governos representativos (voto censitário, sufrágio universal), da abolição da escravidão nas colônias francesas, entre outras medidas.


2
"Quando a Guerra Civil começou, ninguém devia ter ficado muito surpreso, porque os conflitos de interesse entre Norte e Sul, e a incapacidade crescente de resolvê-los, tinham uma longa história que remonta às próprias origens da república americana."
(Peter Louis Eisenberg, A Guerra Civil Americana, SP: Ed. Brasiliense, 1982. p 39)
Considerando o texto apresentado,
A) cite 2 (dois) conflitos entre a sociedade do Norte e a do Sul que sejam anteriores à eclosão da Guerra Civil americana; 



Resposta
Podem ser mencionados conflitos relativos:
a) à dificuldade de se estabelecer uma política em relação às terra públicas nos territórios a Oeste: a antiga Ordenança do Noroeste, de 1787 (que estabelecia que os territórios a noroeste do Rio Ohio seriam livres da escravidão) teve de ser revista logo como bem demonstraram os Acordos do Missouri , de 1820, e o Projeto Wilmot, de 1848, e a Lei de 1850
b) à forma específica de ingresso dos territórios tornados estados na União: segundo o Norte, nos novos estados deveriam florescer apenas sociedades livres; segundo o Sul, o modelo da sociedade escravista deveria continuar e se estender ao Oeste; havia ainda uma terceira posição - a dos próprios novos estados que queriam decidir seu próprio rumo independentemente do disputado equilíbrio entre Norte e Sul.
c) à tentativa de manutenção da escravidão a todo custo pelos sulistas: com a negociação cada vez mais difícil do cumprimento de determinadas leis federais (como por exemplo a que obrigava à devolução de escravos fugitivos pelos estados livres), a solução secessionista era, em alguns estados sulistas já apresentada como inevitável.
d) ao descontentamento dos nortistas com a enorme bancada sulista no Congresso uma vez que a existência de escravos em grande quantidade no Sul contava para a representação proporcional (segundo cláusula da Constituição Americana, apesar de não votarem e serem considerados propriedade de outros homens no Sul, os escravos podiam ser contados para aquele efeito da seguinte forma => cada escravo corresponderia a 3/5 partes de um homem branco e livre).
e) à defesa de políticas econômicas diferenciadas: enquanto o Norte defendia o o protecionismo alfandegário (como defesa de sua precoce industrialização), o Sul era a favor do livre-cambismo (mais interessante à exportação de seu principal produto - o algodão).
f) à intensificação do movimento abolicionista nas cidades do Norte (ao longo da década de 1830) e sua difusão sob a forma de propaganda aos estados do Sul.
g) à pouca importância das relações escravistas para a economia dos estados do Norte, onde predominava o assalariamento, em contraste com o papel que tinha a escravidão no Sul, considerada espinha dorsal daquela economia no período. 




B) explique por que a emancipação dos escravos tornou-se uma questão ameaçadora e não negociável para o Sul. 





Resposta
A emancipação tornou-se uma questão ameaçadora para o Sul porque:
a) A manutenção da escravidão era crucial para aqueles estados. A escravidão era não apenas o sustentáculo das principais atividades econômicas do Sul, mas estruturava também todo um modo de existência social (relações de dominação política específicas, hierarquias sociais, costumes e atitudes dos diferentes grupos sociais envolvidos).
b) A escravidão como ordem ou instituição social expressava, ademais, a existência de um complexo universo mental que cabia ao Sul defender a qualquer custo, posto que o seu fim representaria, inevitavelmente, o fim também do modo de ser sulista .
c) A presença de uma grande porcentagem de negros escravizados ou libertos em determinados estados (como, por exemplo, na Carolina do Sul) constituía uma ameaça permanente às elites sulistas desses lugares. Para defender-se abusavam de leis draconianas para cercear a mobilidade do negro liberto (os chamados códigos negros) e descartavam a priori qualquer possibilidade de discutir a emancipação e a abolição.
d) A Declaração de Emancipação (1863), de Lincoln, ao reconhecer como livres todos os escravos nos Estados inimigos da União, implodia mais ainda a tentativa de resistência das forças confederadas.


3

O desenvolvimento econômico nacional foi um tema central dos debates políticos que, no início dos anos sessenta, mobilizaram diversos grupos sociais e os governos brasileiros da época. Particularmente, durante o governo João Goulart, esta temática figurou em projetos que a associaram à possibilidade de criação de uma ordem política democrática no Brasil. O movimento militar que ocasionou a deposição do presidente João Goulart, em 1964, por seu turno, acabou por implementar ações que redirecionaram tais perspectivas de desenvolvimento econômico.


A) Identifique 2 (duas) propostas do Governo João Goulart (1961-64) relacionadas à associação entre desenvolvimento econômico e democracia.





Resposta
A perspectiva do Governo João Goulart caracterizou-se, entre outros aspectos, por enfatizar propostas de desenvolvimento econômico capitalistas desconcentradoras de renda, valorizando e buscando legitimar a participação dos trabalhadores na conquista de novos patamares de bem estar social. Neste sentido, o aluno poderá identificar diversos aspectos, como por exemplo:
- A legalização dos sindicatos rurais; tolerância em relação à CGT (Comando Geral dos Trabalhadores);
- A proposta das Reformas de Base: reforma agrária, reestruturação da universidade, reforma tributária (inversão na carga de impostos), reforma bancária (crédito para pequenos e médios proprietários), reforma eleitoral (voto para analfabetos);
- A continuação da Política Externa Independente;
- A formulação do Plano Trienal (como um pacto para a viabilização das reformas);
- A anistia para os não oficiais revoltosos - sargentos e marinheiros do Exército e da marinha.



B) Explique em que direção os governos militares reorientaram a política de desenvolvimento econômico que vinha sendo formulada pelo Governo Goulart. 





Resposta
Os governos militares deram ênfase à associação entre desenvolvimento e segurança nacional, conforme a Doutrina formulada pela Escola Superior de Guerra (ESG). Nesses termos, o desenvolvimento econômico esteve associado aos grandes capitais internacionais e a participação democrática sofreu restrições em função da defesa da segurança do Estado; assim diversos grupos e suas respectivas reivindicações foram enquadrados como ameaças internas à segurança da Nação e do Estado.
O aluno poderá explicar diversas ações relacionadas à formulação acima, destacando-se, entre outras:
- A política econômica de crescimento que redundou no "milagre brasileiro";
- O estrito controle da participação e da expressão dos diversos movimentos sociais, através de censura e/ou intervenções nas respectivas associações;
- A política centralizadora de concessão de benefícios previdenciários;
- A extinção do pluripartidarismo e a implantação do bipartidarismo.



4

O trabalho escravo indígena e do negro africano desempenhou papel fundamental na colonização da América Portuguesa.
A) Considerando-se que, nos primórdios da colonização, o recurso à escravização dos "negros da terra" - isto é, dos indígenas _ foi uma prática recorrente inclusive nas áreas de plantio da cana-de-açúcar, cite 1 (uma) razão que tenha contribuído para a progressiva substituição dos escravos indígenas por escravos de origem africana nessa áreas. 




Resposta
O aluno poderá citar como razões:
. a escassez crescente de indígenas em função das fugas constantes e dos altos índices de mortalidade verificados;
. o posicionamento da Igreja interessada na catequese da população indígena e que se desdobrava em oposição a sua escravização;
. os interesses da burguesia mercantil portuguesa, relacionados aos lucros provenientes do tráfico escravo intercontinental;
. o interesse do Estado português em transformar tribos indígenas através de sua assimilação por meio da catequese em agentes que contribuiriam para a garantia da soberania portuguesa sobre a terra.



B) Caracterize 1 (uma) repercussão econômica, social ou demográfica do fim do tráfico negreiro intercontinental para a sociedade brasileira em meados do século XIX.





Resposta

O aluno poderá indicar e explicitar, por exemplo:
. o crescimento do tráfico escravo interprovincial. Grandes proprietários de escravos e de terras do nordeste em dificuldades econômicas vendiam a preços crescentes escravos para os plantadores de café do sudeste que demandavam crescimento de mão-de-obra no momento de expansão da lavoura cafeeira;
. a disponibilização de capitais até então imobilizados no tráfico para investimentos em outros setores da economia, tais como: setor de serviços, setor industrial e setor agrícola, mormente para a lavoura cafeeira;
. melhoramentos no campo dos transportes


5
"O fim do bloqueio a Berlim em maio de 1949 não impediu que os Estados Unidos, a Grã-Bretanha e a França mantivessem sua firme presença nos setores de ocupação ocidental da cidade. A partir daí, as fronteiras da Guerra Fria ficaram congeladas na Europa por mais de uma geração. (...) Relutantes em alterar o status quo europeu do pós-guerra, (...) em função do alto custo das mudanças para ambos os lados, (...) o campo de batalha da Guerra Fria foi deslocado para a Ásia e o Oriente Médio."
adaptado de Robert O. Paxton, Europe in the 20th Century (pp 557-8)


Considerando o texto apresentado,
A) cite 2 (dois) exemplos de conflitos asiáticos que exemplifiquem o deslocamento das maiores tensões da Guerra Fria para a Ásia e o Oriente Médio; 





Resposta
Os alunos poderão citar como exemplos de crises e conflitos na Ásia e no Oriente Médio:
. as crises do Irã, 1945/46 e 1951/53.
. a Guerra da Coréia, 1950-53.
. a Indochina, 1946/54; auxílio militar franco-americano ao Vietnã do Sul a partir de 1954.
. a nacionalização do canal de Suez, 1956; seguida de intervenção inglesa e francesa.
. a Jordânia, 1957.
. a guerra entre a Síria e o Líbano, 1958; seguida da intervenção dos EUA neste último país.
. o Iraque, 1958.
. o Tibete, 1960.
. o início da escalada americana no Vietnã, 1960; com a guerra se estendendo até 1972.


B) explique de que forma ou a partir de que mecanismos foram mantidas, no continente europeu, as respectivas áreas de influência das duas principais potências durante a Guerra Fria.


Resposta
Os alunos poderão relacionar em suas explicações da divisão da Europa em blocos, algumas das seguintes organizações criadas (de natureza econômica e militar) e medidas implementadas:
. o Plano Marshall
. Conselho de Assistência Econômica Mútua, COMECON.
. Comunidade Econômica Européia, CEE.
. o Pacto de Varsóvia
. Organização do Tratado do Atlântico Norte , OTAN.
. a Doutrina Truman
. a reativação do Cominform.
. os primeiros acordos para contenção de armas nucleares, em 1953.

Questões de vestibulares (PUC-RJ)

História
PUCRJ
Prova discursiva 2000/2
Enunciado das questões e gabarito
.


4
"A Revolução Industrial assinala a mais radical transformação da vida humana já registrada em documentos. Durante um breve período ela coincidiu com a História de um único país, a Grã-Bretanha. Assim, toda uma economia mundial foi edificada com base na Grã-Bretanha, ou antes, em torno desse país. [...] Houve um momento na história do mundo em que a Grã-Bretanha podia ser descrita como sua única oficina mecânica, seu único importador e exportador em grande escala, seu único transportador, seu único país imperialista e quase que seu único investidor estrangeiro; e, por esse motivo, sua única potência naval e o único país que possuía uma verdadeira política mundial. Grande parte desse monopólio devia-se simplesmente à solidão do pioneiro, soberano de tudo quanto se ocupa por causa da ausência de outros ocupantes."
E. J. Hobsbawm. Da revolução industrial inglesa ao imperialismo. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1983, p.9.

Ao falar da "solidão do pioneiro", o autor refere-se ao pioneirismo da Grã-Bretanha na Revolução Industrial.
a) Apresente DUAS razões que contribuíram para que a Grã-Bretanha tenha experimentado a "solidão do pioneiro" naquele processo.



Resposta O candidato deverá apresentar duas dentre as razões a seguir: a acumulação de capital, entre os séculos XVI e XVIII, por parte da burguesia e da gentry, nas atividades agrícolas, comerciais e manufatureiras; a existência de uma massa de mão-de-obra disponível, barata e farta, advinda do cercamento dos campos, para ser utilizada nas primeiras fábricas; a existência de mercados produtores de matérias-primas e de mercados consumidores para os produtos industrializados ingleses, decorrência de seu grande poderio naval e comercial que permitiu à Inglaterra formar um dos maiores impérios coloniais da época moderna; a abundância, em seu território, de jazidas de ferro e carvão, matérias-primas fundamentais para a construção das máquinas e para a produção de energia; a adoção, desde a Revolução Gloriosa, pelo Estado inglês, de uma política econômica que representava os interesses da burguesia.



b) Identifique DUAS mudanças ocorridas na sociedade inglesa no decorrer do século XIX que permitam exemplificar a afirmativa do autor de que "a Revolução Industrial assinala a mais radical transformação da vida humana já registrada em documentos".





Resposta O candidato poderá identificar duas dentre as seguintes mudanças: a crescente urbanização, visto que a concentração das indústrias, a aglomeração de um grande número de trabalhadores em um mesmo lugar e o aumento de atividades no setor terciário provocaram o surgimento e o extraordinário crescimento de cidades como Manchester, Liverpool, Bristol e principalmente Londres; o aumento demográfico, devido em parte às modificações nas técnicas agrícolas que possibilitaram o aumento da oferta de alimentos; o desenvolvimento da produção em massa, decorrência da introdução da máquina no processo produtivo, do rápido aprimoramento tecnológico e da maior divisão do trabalho; a adoção de políticas econômicas liberais e industriais que, fundamentadas nas concepções teóricas do "laissez-faire", subordinavam a economia a leis naturais, condenando as práticas mercantilistas e as sobrevivências feudais, defendendo a propriedade privada dos meios de produção pela burguesia, a livre-concorrência, a liberdade econômica para produzir, vender, investir, fazer circular as riquezas produzidas, comprar e fixar salário, a não-intervenção do Estado nas atividades econômicas e a afirmação de sua função apenas como mantenedor da ordem necessária ao funcionamento das leis do mercado; a configuração de dois grupos sociais básicos na sociedade: a burguesia - proprietária dos meios de produção - e o operariado - que vende sua força de trabalho em troca de um salário; as péssimas condições de trabalho e de vida existentes naquela época: a miséria dos bairros operários, a sujeira, a poluição, a falta de saneamento e de espaço, a exploração do trabalho de mulheres e crianças, as longas jornadas de trabalho, os baixos salários, o desemprego e a falta de uma legislação trabalhista; o início de movimentos de reação dos trabalhadores, como o Ludismo (destruição de máquinas, identificadas como as responsáveis pela sua situação de miséria) e o Cartismo (o envio ao Parlamento inglês da "Carta do Povo", onde se exigia o sufrágio universal masculino, o voto secreto, a remuneração dos parlamentares, uma representação mais igualitária nas eleições, entre outros itens); o início da organização do movimento operário com o surgimento das trade-unions (associações de trabalhadores, com objetivos inicialmente assistenciais, das quais se originariam os sindicatos); o surgimento de novas teorias sociais, como o Socialismo e o Anarquismo.


5
[...]"Nela, até agora, não podemos saber que haja ouro, nem prata, nem nenhuma coisa de metal, nem ferro lho vimos. Mas a terra em si é de muitos bons ares, frios e temperados como os de Entre-Douro e Minho.[...] E em tal maneira é graciosa que, querendo a aproveitar, dar-se-á nela tudo, por bem das águas que tem.
Mas o fruto que nela se pode fazer, me parece, que será salvar esta gente, e esta deve ser a principal semente que Vossa Alteza nela deve lançar.
E que aí não houvesse mais do que ter aqui pousada para esta navegação de Calecute, bastaria quanto mais disposição para se nela cumprir e fazer o que Vossa Alteza tanto deseja, a saber, acrescentamento da nossa santa fé."
Pero Vaz de Caminha. Carta a El-Rei Dom Manuel I (1500)

No trecho final da Carta ao Rei de Portugal, comunicando o achamento da Ilha de Vera Cruz, o escrivão Pero Vaz de Caminha reafirmava os objetivos mercantil e religioso que norteavam a expansão marítima portuguesa nos séculos XV e XVI.
A partir do trecho acima, faça o que se pede.
a) Caracterize o objetivo mercantil da expansão marítima portuguesa, considerando a noção de monopólio ou exclusivo comercial.
 



Resposta O candidato deve ter como referência inicial o fato de a expansão marítima portuguesa se apresentar como o primeiro momento da expansão marítima européia, que em sua dimensão mercantil tinha como objetivo principal superar os limites e dificuldades enfrentados pela economia portuguesa em particular, e pela européia em geral, nos anos finais das Idade Média: os preços elevados dos produtos orientais; a escassez de metais preciosos, em particular a prata - base de troca no comércio oriental; a escassez de alimentos; a busca de produtos tintoriais, como o pau-brasil; o interesse em expandir os "negócios açucareiros"; a conquista de pontos fornecedores de escravos; entre outros. Uma expansão que revelava também as disputas de interesses entre os grupos de comerciantes e os soberanos europeus (reinos e/ou cidades-estados).
O avanço pelo Mar Tenebroso (oceano Atlântico), contornando o continente africano e, logo em seguida, em direção ao Oriente (as "Índias"), tinha como objetivo a conquista de pontos fornecedores desses produtos, garantindo a exclusividade ou o monopólio do seu fornecimento no mercado europeu, modo de garantir elevados lucros. O controle monopolista ou exclusivo desses produtos implicava o controle exclusivo dos roteiros marítimos que a eles conduziam.
Esta é a lógica que preside a assinatura do Tratado de Tordesilhas entres os soberanos português e espanhóis (1494) e o posterior "achamento" da Ilha de Vera Cruz (1500) - "pousada para esta navegação de Calecute"- modos de garantir o controle exclusivo ou monopolista da Rota do Cabo, isto é, a rota que conduzia ao Oriente ("o caminho marítimo até as Índias") por meio da posse exclusiva dos litorais africano e americano no Atlântico Sul.


b) Caracterize o objetivo religioso daquela expansão, tendo como referência a diferença feita pelos europeus entre infiel e pagão.




Resposta
O candidato deve pôr em destaque que a aventura das navegações portuguesas apresentava-se também para a grande maioria dos seus participantes como condição de expansão da fé cristã, superando o "cerco" imposto pelos infiéis muçulmanos à Cristandade européia, que parecia assumir um ponto crítico com a queda de Constantinopla - a "segunda Roma", em 1453.
A expansão marítima portuguesa revestia-se, assim, do caráter de cruzada ao ir de encontro ao infiel muçulmano. Assumia, por outro lado, um caráter missionário ao ir ao encontro daqueles que eram vistos como pagãos, como os indígenas da Ilha de Vera Cruz - "cumprir e fazer o que Vossa Alteza tanto deseja, a saber, acrescentamento da nossa santa fé".

Depósito de questões de vestibular

História
PUC-RJ
Prova discursiva 2000
Enunciado das questões e gabarito
.


1
No decorrer de trezentos anos, a colonização portuguesa na América deu origem a diferentes regiões coloniais, como a região da lavoura açucareira, no litoral oriental, no século XVI; a região pastoril, no "Sertão" do Nordeste, no século XVII; a região de coleta das "drogas do sertão", no Vale amazônico, na segunda metade do século XVII; e a região de mineração, no centro do território, no século XVIII, entre outras.

ESCOLHA duas regiões coloniais e RESPONDA o que se pede a seguir:
I) Formas de organização da principal atividade econômica.
II) Padrões de relacionamento entre os colonizadores e colonos de origem européia e a população indígena. 



Resposta
Região da lavoura açucareira no litoral oriental no século XVI

  1. Predominância das grandes propriedades voltadas primordialmente para o cultivo da cana-de-açúcar que após o beneficiamento no engenho propriamente dito era exportada para a Europa pelos comerciantes reinóis. A conjugação da produção e do beneficiamento não se verificou em todas as propriedades. Ao lado dos canaviais observavam-se roças onde se plantavam gêneros para a subsistência. A quase totalidade do trabalho braçal era executada por escravos negros de origem africana.

  2. Relacionamento caracterizado pela posse da terra que implicou a dizimação de parte da população indígena e a interiorização de diversas tribos. Nessa região, verificou-se a escravização mais sistemática dos indígenas em duas circunstâncias: no início da colonização e nos momentos em que ocorreram problemas quanto ao fluxo de escravos africanos.
Região pastoril no "Sertão" do Nordeste no século XVII

  1. As fazendas de gado, via de regra latifúndios, expandiram-se pelos sertões de dentro e de fora geralmente seguindo o curso dos rios perenes. Empregavam-se relativamente poucos trabalhadores, em sua maioria mestiços, indígenas, brancos, sendo raro, mas não inexistente o uso de escravos negros em determinadas atividades. A produção era voltada para a subsistência e o mercado interno, ocorrendo a comercialização, nas grandes feiras, da carne verde ou salgada, do couro, do sebo e de outros derivados.

  2. Principalmente no início da ocupação da região, verificaram-se constantes choques entre colonos e tribos indígenas, decorrentes da necessidade de terras e de mão-de-obra.
Região de coleta das "drogas do sertão" no vale amazônico na segunda metade do século XVII

  1. A coleta das "drogas do sertão" se fazia nas missões religiosas estabelecidas no vale amazônico. Sob a direção de missionários brancos, principalmente jesuítas, o indígenas se internavam na floresta por cerca de 6 meses. Dedicavam-se à coleta de produtos, para serem exportados, em sua maior parte, através do porto de Belém. Nos demais meses a população do aldeamento dedicava-se à produção de gêneros para subsistência e ao artesanato. Paralelamente a população era catequizada.

  2. Nas missões, as relações entre missionários e indígenas eram mediadas pelo caráter persuasivo que embasava o esforço catequético. O interesse de colonos de outras regiões pela escravização de indígenas, principalmente daqueles que se encontravam já catequizados, levou à organização das "tropas de resgate" objetivando-se o apresamento. Contra isso diversas vezes se insurgiram os missionários, em favor dos quais se pronunciou a Coroa em meados do século XVII, ao proibir a entrada de colonos na floresta sem a companhia de missionários.
Região de mineração no centro do território no século XVIII

  1. A extração de ouro e diamantes se inseriu na lógica mercantil que deu sentido à colonização, a medida que esses produtos eram altamente valorizados no mercado europeu. Nesta região assistiu-se a uma significativa especialização do trabalho e ao crescimento do comércio. A unidade da extração era a data aurífera, cuja concessão era realizada por representantes da Coroa, obrigando todo o metal precioso e diamantes a serem quintados. Paralelamente à utilização da mão-de-obra escrava de origem africana observava-se a existência de trabalhadores livres de diferentes regiões e extrações sociais.

  2. Nesta região verificaram-se atritos em torno da terra, opondo colonizadores e colonos a tribos indígenas aí estabelecidas. Os indígenas desempenharam papel importante na busca de veios auríferos, acompanhando as bandeiras vicentinas de prospecção, em função dos seus conhecimentos da região.



2

"Invocando o direito natural, tal qual os americanos, a Revolução Francesa conferiu à sua obra um caráter universal que a liberdade britânica não possuía, e afirmou esse caráter com muito mais força. Ela não proclamou apenas a república: instituiu o sufrágio universal. Ela não liberou apenas os brancos: aboliu a escravidão. Ela não se contentou com a tolerância: mas reconheceu a liberdade de consciência, admitiu os protestantes e os judeus na cidade e, criando um estado civil, reconheceu a cada um o direito de não aderir a nenhuma religião."
Georges Lefebvre, "La Place de la Révolution Française dans l'Histoire du Monde," Annales. Économies, Sociétés, Civilisations. 3ème année, 3 (Juillet - Septembre 1948), p 264.



Considerando a afirmação acima:
a)  DESENVOLVA duas razões que justifiquem a importância do direito natural para se conferir um caráter universal à Revolução Francesa.
b)  CITE um exemplo de restrição à liberdade entre os britânicos e entre os norte-americanos, que suas respectivas Revoluções não eliminaram.

 

Resposta
a) A invocação do direito natural, pelas três Revoluções, traduziu-se em práticas bastante diferenciadas:
Na Revolução Inglesa (1688), ele foi fundamental para o estabelecimento de uma divisão de poderes (Rei, Câmara dos Lordes e Câmara dos Comuns) respaldada numa Constituição escrita – a Declaração dos Direitos (Bill of Rights). Com ela passou-se a assegurar limites efetivos ao absolutismo monárquico: o poder do rei via-se agora permanentemente controlado por um Parlamento bicameral, que passava a decidir sobre aquelas questões consideradas fundamentais para o governo – por exemplo, a cobrança de impostos, o comércio e a guerra. De um modo geral, a Revolução Inglesa possibilitou a entrada para a política daqueles súditos britânicos não nobres que representavam um conjunto de interesses econômicos nada desprezíveis, associado à ascendente burguesia do Sul e do Leste da ilha. E, ainda que tal fundação da liberdade viesse restringida aos britânicos, ela significava um considerável avanço nos quadros do Antigo Regime.
Na Revolução Americana (1776), o direito natural serviu para ampliar ainda mais a participação política, ao fundar uma nova liberdade com a República. Nesta nova ordem, abolia-se definitivamente as divisões hierárquicas associadas à idéia de diferentes "condições de gente" (nobres e plebeus) e mantinha-se a já conhecida divisão de poderes, atualizando-a (executivo, legislativo e judiciário). Tanto a Declaração de Independência quanto, mais tarde, a Constituição (1787), consolidaram uma república representativa e consideraram como sendo direitos inalienáveis de todos os homens a vida, a liberdade e a busca da felicidade.
Na Revolução Francesa (1789), muitos desses pontos viram-se radicalizados. A nova ordem republicana adotou o sufrágio universal (masculino) e estendeu a igualdade não apenas aos brancos, decretando o fim da ordem aristocrática, mas também aos negros abolindo a escravidão em suas colônias. Finalmente, reconheceu a liberdade de consciência, aceitando a pluralidade de credos religiosos ou a ausência deles, e inaugurou um estado civil, em que o poder secular e o espiritual foram definitivamente separados.
O desenvolvimento pelo(a) aluno(a) de quaisquer 2 questões, dentre as citadas acima, demonstrando o caráter universal assumido pelo direito natural quando aplicado à Revolução Francesa, estará correto.
b) Como exemplos da restrição de liberdade entre os britânicos, a leitura do texto permite-nos identificar a permanência da ordem aristocrática naquela sociedade, bem como a continuidade do regime monárquico, ainda que controlado pelo Parlamento.
Como exemplos da restrição da liberdade entre os norte-americanos, temos a exclusão da população escrava e dos índios da nova cidadania inaugurada pela República.



3
"O Rádio é o maior fator de expansão cultural e educação cívica dos nossos tempos, pois com a facilidade de penetração e a rapidez de divulgação das idéias, vencendo o espaço e o tempo, para atingir os mais longínquos rincões da terra brasileira, leva em suas ondas misteriosas e encantadoras a palpitação e a certeza do progresso, divulgando os acontecimentos marcantes da civilização que se verificam nos centros mais adiantados do mundo, mantendo unidos, pelo contato direto e permanente de seus elementos vitais, os pontos mais afastados do território pátrio."
(Décio Pacheco Silveira, Revista Cultura Política, 1941)

O surgimento de novos meios de comunicação social no decorrer do século XX possibilitou, em escala crescente, a circulação mais acelerada de informações, valores e idéias. No caso brasileiro, foram, de forma recorrente, instrumentos utilizados pelo Estado na concretização de seus projetos políticos.
RELACIONE duas idéias contidas no texto acima ao projeto político do Estado Novo (1937-1945).

Resposta
O aluno deve identificar no texto duas das seguintes idéias: 
a) o rádio como instrumento de integração do território nacional; 
b) o rádio como "fator de expansão cultural e educação cívica"; 
c) o rádio como propiciador de progresso; 
d) o rádio como meio de construção da nacionalidade brasileira.

Relacionando-as ao projeto político do Estado Novo (1937-45), pode-se dizer que o rádio foi um importante instrumento na constituição do que se pretendia: um novo Brasil educado, integrado, uma população organizada e com espírito patriótico. Por meios autoritários, o Estado, através dos Ministérios e do Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), promoveu diversas medidas naquela direção. Dentre as medidas de nacionalização/integração podemos considerar: 
a) a normalização do ensino secundário e universitário, enfatizando tanto a principalidade da língua portuguesa, como a exaltação da memória nacional, a partir de seus heróis e grandes acontecimentos; 
b) a "Marcha para o Oeste" (estímulos para colonização do centro-oeste brasileiro); 
c) a Consolidação das Leis do Trabalho; 
d) a promoção da cultura brasileira, especialmente, através das ondas da rádio, da música brasileira, particularmente do samba.
Nesse contexto, o rádio assume relevância como veículo possibilitador de comunicação com a população iletrada. A "Hora do Brasil", criada em 1939 pelo DIP, programa obrigatório em todas as rádios, divulgava os projetos e ações do Estado Novo. A Rádio Nacional é estatizada em 1940, tornando-se uma referência tanto em relação ao seu padrão tecnológico quanto à programação veiculada.