sábado, 6 de abril de 2013

PUC RJ 1999

Depósito de questões de vestibular
Pontifícia Universidade Católica (PUCRJ) 
História
Prova discursiva 1999

 
 Enunciado das questões e gabarito .

1
A partir do final da Guerra do Paraguai (1870) aumentou de modo significativo o número de imigrantes europeus, em especial italianos, chegados ao Brasil.
1.1 Servindo-se também dos dados da tabela abaixo, apresente uma (1) razão para a saída dos imigrantes italianos de sua terra de origem e uma (1) razão para a sua vinda para o Brasil.



a) Razão de saída da Itália:


Resposta:
a) Ao se completar no início dos anos setenta do século passado, o processo de unificação da Itália tendeu a subordinar os interesses do Sul agrário aos do Norte industrializado, do que resultou de imediato a desorganização das formas tradicionais da vida econômica do Sul e, como decorrência, a expulsão dos camponeses de suas terras.
 
b) Razão de vinda para o Brasil:


Resposta:
b) A tabela indica que os imigrantes dirigiram-se preferencialmente para São Paulo – "il Paese della fazenda" -, por onde se expandiam os cafezais pela férteis terras do Oeste Novo. A propaganda feita pelas companhias encarregadas de recrutar trabalhadores na Europa punha em destaque as possibilidades abertas pela lavoura cafeeira para os que pretendiam iniciar uma "nova vida". O fato de as despesas da vinda para o Brasil terem passado a ser financiadas pelo governo contribuía para a aquela opção, sobretudo no momento em que países como os EUA, que tradicionalmente eram grandes receptores de mão-de-obra de origem européia, começavam a impor restrições à entrada dos mesmos.

 
1.2 No decorrer do século XIX, a utilização do trabalhador imigrante europeu no Brasil ocorreu sob duas formas principais: o sistema de parceria, utilizado inicialmente pelo Senador Vergueiro em sua fazenda em Ibicaba, e a imigração subvencionada. Caracterize duas (2) diferenças entre essas formas: 



Resposta:
a) No sistema de parceria, o imigrante era responsável pelas despesas de viagem e instalação no país; sob a imigração subvencionada, aquelas despesas cabiam ao governo, do que resultava o fato de que os imigrantes chegavam às fazendas de café sem dívidas, o que lhe permitia viver mais intensamente a representação de ser um "trabalhador livre".
b) No sistema de parceria a mão-de-obra imigrante era vista como um suplemento ao trabalho escravo, do que resultava que o ritmo e a organização do trabalho eram ditados pela lógica da escravidão. O trabalhador percebia por seu trabalho a diferença entre o rendimentos dos pés de café de que cuidava e as despesas que realizara na fazenda, do que resultava com freqüência o seu endividamento e a impossibilidade de mudar de propriedade e de patrão, ou seja, de se auto-representar como um trabalhador livre. No sistema de imigração subvencionada, o colono recebia uma dupla remuneração: uma parte fixa e outra variável, proporcional aos pés-de-café de que cuidava juntamente com sua família. Esta parte variável constituía-se em incentivo para o aumento de sua produtividade, abrindo-lhe ainda a possibilidade de acúmulo de um pequeno pecúlio. Ao lado disso, podia dispor como desejasse, inclusive vendendo, dos gêneros de subsistência que cultivava nas terras entre os cafezais.
 

"A onda revolucionária na Europa após 1917 gerou imediatamente uma resposta contra-revolucionária. Entretanto, tal resposta não significou o retorno à religião e a uma rígida estratificação social, com as quais muitos conservadores europeus tradicionais tentaram, no passado, enfrentar as ameaças revolucionárias. Desta vez, havia um novo fenômeno - o fascismo ou nazismo - e uma nova sociedade, em que comícios de rua proliferavam e multidões entusiasmadas aplaudiam a pregação de líderes uniformizados contra socialistas, intelectuais, estrangeiros e judeus." - Robert O. Paxton, Europe in the 20th Century. NY: Harcourt Brace Jovanovich, 1991
Tendo como referência o texto acima,

Dê dois (2) exemplos de como, em seu apelo às massas, o discurso fascista ou nazista justificou a necessidade de oposição ferrenha aos socialistas, liberais e estrangeiros.
 


Resposta:
O aluno poderá selecionar DOIS exemplos, que envolvam cada qual uma das muitas características listadas a seguir, sobre o discurso fascista/nazista dirigido às massas em oposição aos socialistas, liberais e estrangeiros:
Anti-liberalismo: Expressa-se particularmente na:

  • defesa do sindicalismo corporativista como uma doutrina que possa superar as idéias do laissez-faire da economia liberal;

  • idéia de economia crescentemente planejada em função dos interesses sociais, representados pelo Estado corporativo;

  • concepção de um Estado total que invada as diferentes esferas da vida social (família, escolas, trabalho, lazer, etc);

  • negação dos valores racionalistas do século XIX;

  • oposição aos poderes constitucionais clássicos, de representação parlamentar, incentivando em seu lugar a ação direta dos fasci de combate (bandos armados buscando a ‘justiça’ pelas própria mãos) e, posteriormente, a aceitação da supressão das liberdades políticas com o Estado de sítio;

  • proposta de um Estado autoritário e popular, guiado pelo líder – o füher ou o duce

  • proposta de uma sociedade de combatentes e produtores (contemplando os interesses sobretudo dos pequenos proprietários e pequenos comerciantes) contra o grande capital, identificado à ação dos trustes industriais e dos grandes financistas; etc
Anti-socialismo: Expressa-se sobretudo no:

  • temor da pauperização que atinge os setores médios urbanos no entre-guerras (mercado de trabalho comprimido + perda de status) num momento de grande ascenção do sindicalismo organizado, de crescimento dos partidos socialistas e da criação dos partidos comunistas na Europa, com o propósito de "fazer como na Rússia";

  • propósito de substituir a autonomia do movimento sindical por um sindicalismo atrelado ao corporativismo do Estado;

  • encaminhamento do fim da luta de classes, propondo a reconciliação dessas sob uma ordem corporativa e em nome da Nação, como interesse maior;

  • entendimento de que o marxismo é ao mesmo tempo inimigo e aliado do grande capital e, em alguns casos, aliado do judaísmo; etc
Perseguição aos estrangeiros: Expressa-se no:

  • desenvolvimento entre a população de europeus menos esclarecidos de um conjunto de concepções racistas , sob a forma de antisemitismo (o que tornava lugar comum, desde o século XIX, as políticas de russificação do czar dirigidas a vários povos e a conhecida prática dos pogroms contra os judeus);

  • revivalismo da hostilidade cristã medieval aos judeus, que se vê reforçada pela pregação das teorias racistas do século XIX, defensoras da eugenia;

  • o medo de perda da identidade cultural, como defendia Oswald Spengler em seu O Declínio do Oeste (1919): para este autor a "cultura"(identificada a tradições alemãs há muito enraizadas que diferiam dos valores mais gerais dos europeus ocidentais) estava sendo esmagada pela "civilização" (o cosmopolitismo e a cultura de massa comercializada que então se tornava marca do Ocidente); defendia por isso uma verdadeira cruzada contra os estrangeiros pela defesa dos valores "viris e espirituais germânicos";

  • expansionismo italiano (na tentativa de volta à glória da Roma Imperial) e germano-austríaco (na tentativa de reunificar o povo alemão disperso entre judeus e eslavos em muitas partes da Europa central);

  • conjunto de legislações restritivas aos estrangeiros aplicadas em vários países: proibindo o casamento com elementos identificados ao grupo ariano, estabelecendo quotas nas profissões e reduzindo a cidadania de alguns grupos étnicos;

  • a imposição, em alguns casos, de migrações forçadas, seguidas da expropriação de bens e, após os Decretos de Nuremberg (1935), o envio aos campos de concentração (de judeus e outros) torna-se de praxe na Alemanha.

Depósito de questões de História

Pontifícia Universidade Católica (PUCRJ)
História
Prova discursiva 1998
Enunciado das questões e
gabarito.
 

1
Em fins do século XIX, as principais potências capitalistas consolidaram seus domínios sobre vastas regiões do globo, dividindo entre si boa parte dos continentes africano e asiático e das ilhas do Pacífico. O desenvolvimento de uma economia internacional, baseada na concorrência do grande capital por novos mercados, investimentos e fontes de matéria prima, não dispensou dominações políticas e ações militares sempre que necessário. Em meio a governos direta ou indiretamente controlados pelas grandes potências, estiveram elites nativas ocidentalizadas, fortemente comprometidas com a manutenção desses "impérios informais". Rapidamente, a cultura, os valores e as instituições do Ocidente invadiram o cotidiano das populações coloniais de diferentes regiões do globo, quer elas quisessem ou não.
Considerando o texto acima:
a) IDENTIFIQUE três das potências capitalistas mencionadas e suas respectivas áreas de influência no período tratado (sejam estas últimas caracterizadas pela dominação política ou econômica apenas). 


Resposta:
Será tida como correta a resposta que apresente três dos seguintes exemplos de "grande potência capitalista" da época:
Na Europa: Inglaterra e França (principais potências); Alemanha (nova potência emergente); o Império Russo e os reinos da Itália, Holanda, Portugal e Espanha (poderão ser considerados, se apropriadamente relacionados às respectivas regiões coloniais e/ou dependentes).
Fora da Europa: os Estados Unidos e o Japão (as outras duas novas potências emergentes em fins do século XIX).
Dentre as principais áreas de influência (colônias ou não) de cada potência, podem ser citadas, na Ásia, África e Oriente Médio, as seguintes:
Da Inglaterra:
Na ÁSIA - Índia, Ceilão, Burma, Norte de Bornéu, portos de Hong Kong e Shangai na costa da China, Malásia e Singapura e Ilhas Adaman
No ORIENTE MÉDIO - Canal de Suez e Sul da Pérsia.
Na AFRICA - Egito, Sudão, Uganda, Somália Britânica, Rodésia, Nigéria, Serra Leoa, Costa do Ouro.
Da França:
Na ÁSIA - Indochina, portos indianos de Karikal, Pondicherry e Yanaon, região de Kwangsi e porto de Kwangchow, ao sul da China.
No ORIENTE MÉDIO - Canal de Suez.
Na ÁFRICA - Marrocos, Argélia, Tunísia, África Ocidental Francesa (Senegal, Mauritânia, Guiné Francesa, Costa do Marfim, Daomé, Niger e Tchad), Somália Francesa, África Equatorial Francesa e Madagascar.
Da Alemanha:
Na ÁSIA - Ilhas do Pacífico (Ilhas Mariana, Carolina e Kaiser Guilherme) e porto de Kiao-chow, na costa chinesa
No ORIENTE MÉDIO - regiões do Império Otomano, particularmente no Golfo Persa.
Na ÁFRICA - Camarões, África do Leste Alemã, África do Sudoeste Alemã e Togo.
Da Rússia:
Na ÁSIA - Sibéria, região norte da Mongólia, Mandchúria e Ilhas Sakalinas.
Da Itália:
Na ÁFRICA - Tripolitânia, Eritréia, Somália Italiana.
De Portugal:
Na ÁFRICA - Guiné Portuguesa, Ilha de São Tomé, Cabinda, Angola e Moçambique.
Da Espanha:
Na ÁFRICA - Guiné Espanhola, Marrocos Espanhol.
Dos Estados Unidos:
Na ÁSIA - Guam, Filipinas, Ilhas Aleutas, Alasca.
Do Japão:
Na ÁSIA - Mandchúria, Coréia, Ilhas Curilas, Porto Artur, no litoral da China.


b) EXPLIQUE a relação entre a busca de segurança para o comércio e investimentos das grandes potências e a difusão de valores ocidentais entre as populações coloniais. 


Resposta:
O aluno deverá relacionar a expansão econômica das grandes potências ocidentais nessas áreas (em busca de fontes de matéria prima e mercados para investirem seus capitais) à penetração cultural que a acompanha - isto é, à difusão dos valores e modos de ser do Ocidente. Poderá mencionar a esse respeito a promoção de uma visão eurocêntrica do mundo que considerava os habitantes das colônias ou das áreas de influência como seres 'inferiores'. Rotulados de 'pouco desenvolvidos' ou 'em estado de barbárie', estes povos que deveriam mirar-se nas grandes potências para poderem trilhar, algum dia, o feliz caminho do "Progresso" e da "Civilização". Muitas dessas idéias sobre o desenvolvimento das sociedades costumavam basear-se em algumas teorias de superioridade racial então em voga e na sempre presente intolerância religiosa, de modo a justificar a violência da dominação em curso. Os governantes das potências ocidentais viam um "sentido de missão" nessas práticas de dominação. Tratava-se, enfim, do "fardo do homem branco", (como apresentado no romance de Rudyard Kipling) capaz de conferir ao homem do Ocidente a tarefa de "civilizar", "cristianizar" e, até mesmo, "branquear" (pela via da imigração) as populações dessas muitas colônias.

"Durante os séculos XVI, XVII e XVIII, o Brasil foi uma colônia de Portugal. No século XIX não era mais; tornara-se um país independente politicamente. Durante trezentos anos, as vidas dos habitantes da Colônia estiveram submetidas aos interesses da Metrópole. Nas primeiras décadas do século passado, deixaram de estar, e muitos daqueles habitantes tornaram-se cidadãos de um novo país - o Império do Brasil".
(Ilmar Rohloff de Mattos e Luiz Affonso Seigneur de Albuquerque - Independência ou morte. A emancipação política do Brasil, p.3) RJ - Ed. Atual - 1994
a) EXPLIQUE dois mecanismos utilizados pelos colonizadores portugueses para submeter as vidas dos habitantes da Colônia aos seus interesses, durante os séculos XVI, XVII e XVIII.
 

Resposta:
As relações entre a Metrópole portuguesa e sua colônia americana foram caracterizadas pelas práticas monopolistas. Elas garantiam a submissão das vidas dos habitantes da colônia aos interesses da Metrópole. Nesse sentido, aparecem como mecanismos de submissão, dentre inúmeros outros: a) a imposição do monopólio comercial (a Colônia só pode comerciar com a metrópole ou através dela), que garantia a transferência de renda da Colônia para a Metrópole; 
b) a monopolização dos cargos administrativos pelos colonizadores; e c) a imposição de "uma fé, uma Lei, um Rei" aos habitantes da Colônia, expressada na imposição da religião católica, da língua portuguesa e das leis do Estado absoluto português, da qual decorria tanto a formação de cristãos e súditos quanto proibições, como a da existência da imprensa.


b) Levando em consideração tanto as rupturas ou descontinuidades quanto as permanências ou continuidades entre o Brasil Colônia e o Império do Brasil, EXPLIQUE duas razões por que NEM TODOS os habitantes se tornaram cidadãos do novo país independente, no início do século XIX.
 

Resposta:
A emancipação política do Brasil no início do século XIX, não provocou mudanças significativas em sua estrutura sócio-econômica de base colonial, na qual a presença marcante da escravidão permitia distinguir com nitidez três grandes contingentes entre os habitantes do novo Império: os que eram escravos; os que eram livres (e não possuíam escravos); e os que eram livres e proprietários de escravos. Deste modo, parcela considerável dos habitantes do Império do Brasil (cerca de metade dos 3.000.000 indivíduos) era constituída por aqueles por não serem livres não eram considerados cidadãos. Os pressupostos hierárquicos e excludentes que caracterizavam a sociedade gerada pela colonização se expressariam na nova organização política (de acordo com a Constituição de 1824), ao atribuir apenas aos que eram livres e proprietários (os cidadãos ativos) a responsabilidade pelos assuntos políticos, vedados aos que apenas eram livres (os cidadãos não ativos)

Puc-RJ (1998) Questões de História

Depósito de questões de vestibular

Pontifícia Universidade Católica (RJ) 1998 

História

 


Enunciado das questões e gabarito.


1. "Na virada do século, o Caribe transformou-se numa espécie de `grande lago americano' , destinado a atender à sede de investimento de uma sólida comunidade de negócios e às nascentes necessidades estratégicas e militares norte-americanas. Para além do Caribe e da América Central, as atenções se voltaram para o Pacífico. Essas áreas conformariam o laboratório para a retomada da doutrina do `Destino Manifesto', que no passado havia já servido de justificativa para ações expansionistas similares, em que o emprego da força era visto como inevitável."
Marco Pamplona, Revendo o sonho americano: 1890-1972.
A citação acima refere-se à expansão norte-americana no Caribe e no Pacífico, em fins do século XIX e inicio do século XX. A partir do exposto:
a) Explique como a doutrina do `Destino Manifesto' foi aplicada em benefício dos interesses expansionistas norte-americanos no Pacífico e no Caribe.
b) Cite 3 (três) características da presença econômica, cultural e política norte-americana no Caribe e na América Central, à época.

Resposta
a) Por meio da doutrina do "Destino Manifesto", que se baseava no pressuposto de que os norte-americanos constituíam um "povo escolhido" ao qual competia difundir os princípios democráticos e igualitários, buscou-se legitimar o expansionismo econômico norte-americano em direção às regiões citadas. Diferentemente dos europeus, os EUA promoviam um "império de portas abertas", em que a dominação comercial e financeira nem sempre se fazia acompanhar da dominação política direta. Por fim, tal doutrina via-se permeada de concepções racistas que, com base no spencerianismo e no darwinismo social de fins do século, serviam para exaltar a superioridade da cultura branca, anglo-saxônica e protestante - ou W.AS.P.


b) O candidato poderá citar:
· Maciços investimentos nas atividades relacionadas ao extrativismo e à agricultura de exportação das economias dessas regiões;
· Crescente participação de capital norte-americano nos empréstimos contratados por governos nessas regiões;
· Intervenção direta das tropas da marinha norte-americana em países dessas regiões: Haití, Nicarágua, Cuba e República Dominicana.
· Interferência norte-americana na configuração jurídico-institucional de países dessas regiões, como por exemplo, em Cuba, com a imposição da Emenda Platt à Constituição cubana.
· Estabelecimento de bases navais norte-americanas em regiões de relevância estratégica como a ilha de Guam, no Pacífico e Cuba (Guantánamo), no Caribe.
· A recuperação da Doutrina Monroe, pregando a "América para os americanos", numa tentativa de afastamento da Inglaterra e das demais potências européias da região da América Central e do Caribe.
· A busca do estreitamento de vínculos comerciais com os países latino-americanos em geral, com a promoção das primeiras Conferências Panamericanas.
· Reforço das atividades de missionários religiosos na difusão do protestantismo no Pacífico.
· A promoção de políticas higienistas e de educação em Cuba e Porto Rico.
 


2. De acordo com Celso Furtado, "ao concluir-se o terceiro quartel do século XIX, os termos do problema econômico brasileiro se haviam modificado basicamente. Surgira o produto [o café] que permitiria ao país reintegrar-se nas correntes em expansão do comércio mundial ".
Formação Econômica do Brasil
a) Com base na afirmativa acima, identifique UMA razão por que o Brasil não participara de modo significativo do comércio internacional, durante a primeira metade do século XIX.
b) Sabendo-se que a expansão cafeeira ocorreu em diferentes regiões no decorrer do século passado _ Vale do Paraíba e o Oeste paulista -, identifique DUAS diferenças entre aquelas regiões cafeeiras.

Resposta
a) A despeito de a lavoura cafeeira já vir se expandindo pelo Vale do Paraíba desde o fim do primeiro quartel do século XIX, apenas em meados desse século o café veio a ocupar um lugar de maior significação na pauta de exportações brasileiras, preenchendo o lugar de "produto-rei" característico de uma economia agro-exportadora de base mercantil. Por outro lado, o açúcar e o ouro, que, em momentos anteriores, haviam ocupado essa posição, vinham sofrendo uma crescente diminuição de sua importância nas exportações, devido, respectivamente, à concorrência antilhana, à do açúcar de beterraba e à queda no volume de extração


b) O candidato poderá identificar, por exemplo, as seguintes diferenças:
· Quanto à mão-de-obra predominante - No Vale do Paraíba, escrava de origem
africana. No Oeste Paulista, parceiros (no caso do Oeste Velho) e colonos (no caso do Oeste Novo).
· Quanto aos meios de transporte empregados no escoamento da produção até os portos - No vale do Paraíba, muares (até a década de 1850 ). No Oeste Paulista, ferrovias.
· Quanto às técnicas empregadas - No Vale do Paraíba, a organização da produção voltada para um maior controle sobre a escravaria aliada ao relevo caracterizado pelos morros em forma de meia-laranja contribuiu para que se verificasse um desgaste mais rápido do solo. No Oeste Paulista ocorreu a organização da produção em bases mais otimizadas, contribuindo para a manutenção de índices de produtividade mais duradouros.
· Quanto ao porto de escoamento - No Vale do Paraíba, o porto do Rio de Janeiro. No Oeste Paulista, o porto de Santos.
 


3. "Em comparação com o governo Vargas e os meses que se seguiram ao suicídio do presidente, os anos JK podem ser considerados de estabilidade política. Mais do que isso, foram anos de otimismo, embalados por altos índices de crescimento econômico, pelo sonho realizado da construção de Brasília. Os "cinqüenta anos em cinco" da propaganda oficial repercutiram em amplas camadas da população".
Boris Fausto _ História do Brasil.

Tendo como referência o texto acima,
a) identifique UMA característica do jogo político que possibilitou a estabilidade dos anos JK.
b) relacione o lema "cinqüenta anos em cinco" ao Plano de Metas e à definição nacional-desenvolvimentista da política econômica, utilizando ao menos dois exemplos.

Resposta
a) O candidato poderá identificar, por exemplo:
- Uma bancada no Congresso Nacional que dava sustentação aos projetos encaminhados pelo Executivo, a qual possuía no PSD e no PTB seus principais suportes. 
- Uma política de "boa vizinhança" em relação às Forças Armadas, expressa, por exemplo, na aquisição do porta-aviões Minas Gerais e na inclusão de militares em diversas autarquias e grupos executivos.
- Uma política agrária favorável aos interesses dos grande proprietários à medida que não colocava em xeque os mecanismos de dominação sobre a massa trabalhadora rural.
- A capacidade demonstrada pelo presidente em operar conciliatoriamente as estratégias populistas, conferindo-lhes uma marca pessoal.
- A sustentação de órgãos de assessoramento técnico como os grupos executivos - diretamente subordinados ao presidente da República.

b) O Plano de Metas visava estimular o desenvolvimento brasileiro, através principalmente, do incentivo ao setor industrial. Para tanto, buscou conjugar capitais estatais, capitais privados nacionais e capitais estrangeiros, favorecendo a entrada destes últimos por meio de diversos mecanismos cambiais e tributários. Nesse sentido, o governo JK se diferenciou da perspectiva nacionalista característica do segundo governo Vargas, ao enfatizar o binômio ordem e desenvolvimento. No entender do presidente e de sua equipe o atraso econômico poderia ser superado através de maciços investimentos em setores fundamentais, tais como o de infra-estrutura (estradas, portos, hidrelétricas etc), o de indústria de base (siderúrgicas, metalúrgicas) e de bens de consumo não duráveis (indústria automobilística, indústria eletro-eletrônica etc). Visando a "queima de etapas" em direção a um estágio mais avançado de desenvolvimento, o Plano de Metas propôs 36 metas a serem realizadas durante a gestão JK, sendo a construção da nova capital entendida como meta-síntese das demais.

Vestibular Puc-RJ 1997

Depósito de questões de vestibular

Pontifícia Universidade Católica (RJ) 1997 

História


1-) A Revolução Francesa desencadeou mudanças significativas no equilíbrio político entre os Estados europeus. Expressão maior dessas mudanças foram as revoluções liberais que se alastraram por todo o mundo atlântico, a partir de fins do século XVIII. Promovendo ora movimentos nacionalistas, ora rebeliões populares, as idéias republicanas contribuíram para ameaçar os impérios e monarquias no velho mundo, ao mesmo tempo em que aceleraram a independência de suas colônias no ultramar.
Considerando esta afirmação:
a) EXPLIQUE por que as idéias republicanas podem ser consideradas libertárias ou emancipadoras, no período tratado. 

resposta:
São libertárias ou emancipadoras, porque:
- opõem-se à sociedade aristocrática e suas ordens aos privilégios econômicos e políticos de certos grupos sociais ao poder absoluto do monarca à natureza divina atribuída a este poder. ENFIM, ao "Ancien Régime" e aos valores culturais que ele representa
- pregam a igualdade de direito e de condição, independentemente do nascimento do individuo a república como expressão de um compromisso entre os cidadãos que a compõem, direito de romper com esse compromisso se necessário, a autonomia ou soberania política do novo Estado identificado à Nação (libertação das colonias), equilíbrio dos poderes (Executivo/Legislativo/Judiciário), a necessidade de uma Constituição (definindo direitos e deveres do cidadão), eleição dos governantes. 


 
b) CITE um exemplo de revolução liberal ocorrida no mundo atlântico, mostrando em que isso alterou o equilíbrio dos Estados europeus, à época.

resposta:
Revolução Francesa (desencadeia a reação por parte das monarquias européias, o desfecho desses conflitos levará ao bloqueio continental de Bonaparte)
Revolução Americana (inaugura a quebra do "antigo sistema colonial", com o fim do monopólio comercial e da submissão política à Inglaterra)
Outra: Revolução do Haití.


2-) Assistimos, na última década, a uma alteração significativa das relações internacionais, em decorrência, entre outras coisas, do desmoronamento da URSS. Com isso, pode-se dizer que teve fim o período de equilíbrio entre as superpotências conhecido com o a "Era da Guerra Fria". Tal desfecho expressou, entre outras coisas, as reivindicações de liberdades civis e políticas de boa parte das populações russa e não-russa que se encontravam sob a órbita de dominação soviética.
Considerando o texto acima:
a) IDENTIFIQUE duas características do "período de equilíbrio" acima mencionado.


resposta:
O candidato poderá citar características relacionadas aos seguintes aspectos:
Oposição Comunismo/Capitalismo; Leste/Oeste; URSS/EUA; Oriente/Ocidente
Mundo dividido entre as áreas de influência das 2 potências
Maniqueísmo, polarização ideológica e censura nos respectivos blocos
Corrida armamentista
Guerras localizadas nas áreas de influência
Submissão dos demais conflitos ao conflito apresentado como principal


b) CARACTERIZE um importante desdobramento do fim da dominação soviética no Leste europeu. 



resposta:
Poderão ser mencionados os seguintes desdobramentos:
Ressurgimento dos nacionalismos no Leste Europeu e reorganização territorial
Busca de autonomia e independência de grupos nacionais antes submetidos
Maior desenvolvimento das relações de mercado nessas regiões
Instabilidade política
Início de democratização em alguns casos, acompanhado do fim da censura, etc


3-) Discutindo a respeito dos governos autoritários ocorridos no Brasil após 1930, Angela C. Gomes afirma que:
" é justamente nesses períodos (...) que os mais substanciais progressos na legislação social podem ser observados, quer consideremos o conjunto dos benefícios e serviços integrados ao corpo desta legislação, quer consideremos o número de beneficiários p or ela atingido".
(Ângela Maria de Castro Gomes. "Empresariado e legislação social na década de 30" In CPDOC/FGV. A Revolução de 30. Brasília: Ed. UnB., 1983, p.273)
Tomando por base as argumentações do texto acima:

a)IDENTIFIQUE os governos autoritários mencionados pela autora no texto.

resposta:
Dois períodos de governos autoritários:


  • 1930 - 1945 - Governo Vargas (1930-34 - Governo Provisório; 1937-45 - Estado Novo)
  • 1964 - 1985 - Governos militares


  • b) IDENTIFIQUE, para cada governo, os grupos sociais mais diretamente beneficiados pelas leis sociais então criadas.

    resposta:
    Anos 30/40: a legislação social beneficia os trabalhadores urbanos.
    Anos 60 (pós - 1964) - a legislação social estende-se aos trabalhadores rurais.


    c) CARACTERIZE duas medidas implementadas por essa legislação social em cada um dos governos autoritários em questão.

    resposta:
    Medidas implementadas:
    Anos 30: criação e/ou universalização de leis trabalhistas (jornada máxima de oito horas diárias, regulamentação do trabalho feminino e infantil, salário-mínimo, entre outros) e previdenciárias (aposentadoria, pensão, assistência médica)
    Anos 60: extensão dos direitos acima para os trabalhadores rurais através da implementação do Estatuto da Terra, em 1964, e da criação do FUNRURAL, em 1971.

    quarta-feira, 3 de abril de 2013

    Avaliação de História P2 do Primeiro Bimestre

    Confira a correção da avaliação de História do Primeiro Bimestre (Terceiro Ano)


    1. (Uerj 2008)  A União Europeia dá continuidade ao seu processo de ampliação. Com o ingresso da Bulgária e Romênia em 2007, o bloco passa a contar com 27 países-membros.
                (www.dw-world.de)

    Vem de longe o esforço europeu para desenvolver  estratégias que garantam a paz e o equilíbrio entre as nações que formam o continente. No século XIX, por exemplo, a tentativa realizada pelas nações participantes do Congresso de Viena (1814-1815) foi rompida com a unificação alemã, fruto da política empreendida por Bismarck.
    Apresente dois objetivos do Congresso de Viena e um efeito da unificação alemã sobre as relações políticas europeias estabelecidas na época.
      



    resposta da questão 1:
     Dois dos objetivos:
    - redefinir o mapa europeu a partir dos princípios de legitimidade e das compensações
    - restaurar o Antigo Regime
    - impedir o retorno de Napoleão Bonaparte ao trono francês
    - impedir o avanço das ideias liberais no continente
    - construir uma política de intervenções militares para sufocar movimentos revolucionários liberais e/ou nacionalistas

    Um dos efeitos:
    - rompimento do mapa estabelecido pelo Congresso de Viena
    - formação de alianças políticas bilaterais e trilaterais com claúsulas militares secretas
    - estímulo à corrida armamentista - "Paz Armada"
    - surgimento do revanchismo francês
    - estabelecimento do Estado alemão como peça fundamental no equilíbrio de poder do continente europeu. 



    2. (Uerj) A partir dos anos de 1848/1850, o panorama político europeu foi caracterizado pelo processo de construção do Reino da Itália e de formação do Império Alemão.

     



     Comparando os dois processos de unificação, descreva a participação dos setores populares em cada um deles.






    resposta:

    Na Itália, o processo de unificação contou com o apoio dos setores populares rurais e urbanos.Na Alemanha, o processo realizou-se a partir do Estado, que tomou a iniciativa de transformar a unificação no processo de modernização, sem contar com o apoio das camadas populares.





    3. (Unicamp 1996)  A Unificação Italiana mesclou as lutas nacionais com as reivindicações dos camponeses que queriam o fim do laço de servidão e o acesso à terra. Mas essas reivindicações não foram atendidas.



    a) De que forma a unificação beneficiou a população do norte da Itália em detrimento dos camponeses do sul?



    b) Quais as consequência sociais do aumento da miséria entre os camponeses italianos do sul?




    Resposta da questão 3:





     a) O norte liderou a unificação a partir de uma monarquia liberal industrializando-se com mão de obra barata do sul.



    b) Êxodo rural. Muitos desempregados emigraram para as Américas.  




    4. (Fuvest 95) "Fizemos a Itália, agora temos que fazer os italianos".

    "Ao invés da Prússia se fundir na Alemanha, a Alemanha se fundiu na Prússia".

    Estas frases, sobre as unificações italiana e alemã:

    a) aludem às diferenças que as marcaram, pois, enquanto a alemã foi feita em benefício da Prússia, a italiana, como demostra a escolha de Roma para capital, contemplou

    todas as regiões.

    b) apontam para as suas semelhanças, isto é, para o caráter autoritário e incompleto de ambas, decorrentes do passado fascista, no caso italiano, e nazista, no alemão.

    c) chamam a atenção para o caráter unilateral e autoritário das duas unificações, imposta pelo Piemonte, na Itália, e pela Prússia, na Alemanha.

    d) escondem suas naturezas contrastantes, pois a alemã foi autoritária e aristocrática e a italiana foi democrática e popular.

    e) tratam da unificação da Itália e da Alemanha, mas nada sugerem quanto ao caráter impositivo de processo liderado por Cavour, na Itália, e por Bismarck, na Ale manha.






    Resposta: [C]



    5. (Uerj) O dia 12 de setembro de 1990 marcou o fim da Segunda Guerra Mundial: a Alemanha, vencida há quarenta e cinco anos, dividida e colocada sob a tutela de seus vencedores, encontrou através de sua unificação a sua soberania plena e completa. A última unidade alemã tinha sido proclamada em 1871, na galeria dos espelhos do palácio de Versalhes, depois de uma guerra vitoriosa contra a França.

    ("Adaptado de Le Monde", 13/09/90)



    As conjunturas históricas indicadas no texto acima representam aspectos diferenciados. Os dois momentos de unificação, no entanto, transformaram a Alemanha em:

    a) um Estado unitário, com uma representação classista de deputados

    b) uma potência central, com um papel decisivo no equilíbrio de poder europeu

    c) uma república federal, com um regime parlamentar e uma constituição liberal

    d) uma nação democrática, com suas instituições liberais ampliadas do oeste para o leste





    resposta:[B]




    6. (Unicamp)  No Brasil, costumam dizer que para os escravos são necessários três PPP, a saber, "pau", "pão" e "pano". E, posto que comecem mal, principiando pelo castigo que é o pau, contudo, prouvera a Deus que tão abundante fosse o comer e o vestir como muitas vezes é o castigo.
    (André João Antonil, "Cultura e opulência do Brasil por suas drogas e minas", 1711)

    a) Qual a crítica ao sistema escravista feita pelo autor do trecho apresentado?

    b) Indique dois motivos que explicam a introdução da escravidão negra na porção americana do Império português.







    resposta:

    a) A forma violenta em que eram tratados, a miséria em que viviam, as más condições de vida (vestuário, alimentação, entre outras).

    b) Falta de mão-de-obra portuguesa, além dos lucros que o tráfico negreiro trazia ás metrópoles.





    7. (ENEM)



    O tráfico de escravos em direção à Bahia pode ser dividido em quatro períodos:



    1º – O ciclo da Guiné durante a segunda metade do século XVI;

    2º – O ciclo de Angola e do Congo no século XVII;

    3º – O ciclo da Costa da Mina durante os três primeiros quartos do século XVIII;

    4º – O ciclo da Baía de Benin entre 1770 e 1850, estando incluído aí o período do tráfico clandestino.



    A chegada dos daomeanos (jejes) ocorreu nos dois últimos períodos. A dos nagô-iorubás corresponde, sobretudo, ao último. A forte predominância dos iorubás na Bahia, de seus usos e costumes, seria explicável pela vinda maciça desse povo no último dos ciclos.



    VERGER, Pierre. Fluxo e refluxo do tráfico de escravos entre o golfo do Benin e a Bahia de Todos os Santos: dos séculos XVII a XIX. Tradução de Tasso Gadzanis. São Paulo: Corrupio, 1987. p. 9. (com adaptações).



    Os diferentes ciclos do tráfico de escravos da costa africana para a Bahia, no Brasil, indicam que:



    a) o início da escravidão no Brasil data do século XVI, quando foram trazidos para o Nordeste os chamados “negros da Guiné”, especialistas na extração de ouro.

    b) a diversidade das origens e dos costumes de cada nação africana é impossível de ser identificada, uma vez que a escravidão moldou os grupos envolvidos em um processo cultural comum.

    c) os ciclos correspondentes a cada período do tráfico de diferentes nações africanas para a Bahia estão relacionados aos distintos portos de comercialização de escravos.

    d) o tráfico de escravos jejes  para a Bahia, durante o ciclo da Baía de Benin, ocorreu de forma mais intensa a partir do final do século XVII até a segunda metade do século XVIII.

    e) a escravidão nessa província se estendeu do século XVI até o início do século XVIII, diferentemente do que ocorreu em outras regiões do País.



    Resposta: [C] 



    8. (ENEM) A identidade negra não surge da tomada de consciência de uma diferença de pigmentação ou de uma diferença biológica entre populações negras e brancas e(ou) negras e amarelas. Ela resulta de um longo processo histórico que começa com o descobrimento, no século XV, do continente africano e de seus habitantes pelos navegadores portugueses, descobrimento esse que abriu o caminho às relações mercantilistas com a África, ao tráfico negreiro, à escravidão e, enfim, à colonização do continente africano e de seus povos. K. Munanga. Algumas considerações sobre a diversidade e a identidade negra no Brasil.

    In: "Diversidade na educação: reflexões e experiências". Brasília: SEMTEC/MEC, 2003, p. 37. Com relação ao assunto tratado no texto, é correto afirmar que

    a) a colonização da África pelos europeus foi simultânea ao descobrimento desse continente.

    b) a existência de lucrativo comércio na África levou os portugueses a desenvolverem esse continente.

    c) o surgimento do tráfico negreiro foi posterior ao início da escravidão no Brasil.

    d) a exploração da África decorreu do movimento de expansão européia do início da Idade Moderna.

    e) a colonização da África antecedeu as relações comerciais entre esse continente e a Europa.





    resposta:[D]




    9. (ENEM) Os tropeiros foram figuras decisivas na formação de vilarejos e cidades do Brasil colonial. A palavra tropeiro vem de “tropa” que, no passado, se referia ao conjunto de homens que transportava gado e mercadoria. Por volta do século XVIII, muita coisa era levada de um lugar a outro no lombo de mulas. O tropeirismo acabou associado à atividade mineradora, cujo auge foi a exploração de ouro em Minas Gerais e, mais tarde, em Goiás. A extração de pedras preciosas também atraiu grandes contigentes populacionais para as novas áreas e, por isso, era cada vez mais necessário dispor de alimentos e produtos básicos. A alimentação dos tropeiros era constituída por toucinho, feijão preto, farinha, pimenta-do-reino, café, fubá e coité (um molho de vinagre com fruto cáustico espremido). Nos pousos, os tropeiros comiam feijão quase sem molho com pedaços de carne de sol e toucinho, que era servido com farofa e couve picada. O feijão tropeiro é um dos pratos típicos da cozinha mineira e recebe esse nome porque era preparado pelos cozinheiros das tropas que conduziam o gado.

    Disponível em: http://www.tribunadoplanalto.com.br. Acesso em: 27 nov. 2008.



    A criação do feijão tropeiro na culinária brasileira está relacionada à


    A) atividade comercial exercida pelos homens que trabalhavam nas minas.

    B) atividade culinária exercida pelos moradores cozinheiros que viviam nas regiões das minas.

    C) atividade mercantil exercida pelos homens que transportavam gado e mercadoria.

    D) atividade agropecuária exercida pelos tropeiros que necessitavam dispor de alimentos.

    E) atividade mineradora exercida pelos tropeiros no auge da exploração do ouro.





    Resolução:[C]

    Os tropeiros do século XVIII percorriam longas distâncias transportando gado e mercadorias, principalmente para as regiões de mineração. Sua alimentação, portanto, deveria constituir-se de gêneros que não se estragassem com facilidade, como feijão preto, farinha, pedaços de carne de sol e toucinho. 




    10. (Unicamp-SP) No Brasil colonial, além da produção açucareira escravista, o historiador Caio Prado Junior (em Formação do Brasil Contemporâneo) enumera outras atividades econômicas importantes como, por exemplo, a mineração do século XVIII, que era também uma atividade voltada para o comércio externo.


    a) Caracterize a mineração no século XVIII em termos de região geográfica, organização do trabalho e desenvolvimento urbano.



    b) Cite e caracterize duas outras atividades econômicas do Brasil colonial que não eram voltadas para o comércio externo.



    Resposta: 

    a) Nas Minas Gerais e no Centro-Oeste é que se desenvolveu a mineração, apoiada sobretudo no trabalho escravo mas também em modalidades de trabalho livre. A população numerosa demandava grande quantidade de produtos e serviços permitindo o intenso desenvolvimento de atividades comerciais e urbanas.



    b) A agricultura de subsistência e a pecuária que abastecia os centros urbanos com o fornecimento de carne e de animais empregados para o transporte e a agricultura de subsistência.



    segunda-feira, 1 de abril de 2013

    A Marcha para o Oeste

    Saiba mais sobre a Marcha para o Oeste



    Confira as principais características da política de colonização dos territórios mato-grossense e amazônico durante o Estado Novo. Nesta video-aula o professor Edenilson Morais comenta as características e as consequências da Marcha para o Oeste.

     

    A expansão territorial na América Portugesa

    Saiba mais sobre a expansão territorial brasileira ao longo dos séculos XVII e XVIII

    Conheça as principais fatores que contribuiram para o processo histórico de expansão territorial da América portuguesa e os acordos assinados entre Portugal e Espanha para delimitar os limítes de seus territórios coloniais na América do Sul.