domingo, 15 de maio de 2011

A crise da ordem liberal e a Segunda Guerra Mundial

Coleção Pitágoras - Terceiro Ano
Segundo Bimestre
Capítulo 4
A crise da ordem liberal e a Segunda Guerra Mundial







PICASSO, Pablo. Guernica, 1937


"Conta-se que Aberz, embaixador de Hitler em Paris, ficou tão impressionado com a obra, que teria perguntado a Picasso, apresentando desinteresse:
- É obra sua?
- Não. Sua. - Replicou o artista com frieza. [...]"
CARRASCO, Walcir. Picasso. São Paulo: Abril, 1977. p. 20. Coleção Mestres da Pintura.

Confira abaixo um resumo do que você irá estudar neste capítulo


Crise de 1929 - crash na Bolsa e New Deal



O maior período de crise econômica mundial ocorreu entre os anos de 1929 e 1933. Atingiu, em primeiro lugar, a economia norte-americana, espalhando-se em seguida para a Europa e, a seguir, para todos os continentes.


Veja, a seguir, as etapas da crise:


· Em 1929 vivia-se um momento de euforia, de intensa especulação na Bolsa de Valores dos Estados Unidos. Os valores das ações estavam em níveis elevadíssimos, fora da realidade.


· De repente, em 24 de outubro, 70 milhões de títulos foram jogados no mercado - mas não encontraram quem os comprasse. Sem demanda pelos papéis, os preços das ações e dos títulos despencaram, gerando uma onda de desconfiança irracional. O dia passou à história como "Quinta-Feira Negra".


· A desconfiança contaminou outras áreas da economia, inclusive o setor produtivo. Os bancos congelaram os empréstimos, as fábricas começaram a parar, a demanda se retraiu, os lucros despencaram.


· Como uma bola de neve, as falências se sucederam e milhões de trabalhadores perderam o emprego.


· Quando a crise atingiu proporções internacionais, o comércio mundial ficou reduzido a um terço do que era antes de 1929.


· Tentando proteger suas economias, os países aumentaram as taxas alfandegárias, o que reduziu ainda mais o comércio internacional.


· Coube aos Estados instituir mecanismos para controlar a crise e reativar a produção.


Conheça a importância da Crise de 1929



Professor de história explica causas e efeitos da maior de todas as crises do capitalismo. Aspectos podem ser comparados com a crise financeira dos últimos anos.


New Deal


· Nos EUA, o presidente Herbert Hoover preferiu deixar que o próprio mercado se regulasse, o que provocou uma crise social sem precedentes.


· Em 1933, com a eleição de Franklin Delano Roosevelt, criou-se o New Deal, um programa de intervenção estatal na economia.


· Roosevelt interveio em todo o sistema econômico. Criou um audacioso plano de obras públicas, controlou o sistema financeiro, desvalorizou o dólar (para favorecer as exportações) e criou a Previdência Social.


· O plano de Roosevelt fortaleceu e consolidou o sistema capitalista nos EUA. Nos anos de sua aplicação, o grande capital passou por um intenso processo de desenvolvimento e concentração, enquanto pequenas empresas eram eliminadas ou absorvidas.


· O período de 1929 a 1933 deixou uma lição: os mercados vivem crises periódicas - e se não ocorrem respostas rápidas para os problemas, essas crises tendem a se alastrar, afetando vários setores da economia e podendo alcançar um poder de destruição em massa.


Professor explica a Crise de 29 e o New Deal




O professor de história Rogério Athayde, do Colégio PH, no Rio de Janeiro, fala das causas e consequências da crise de 29. Ele também dá mais informações sobre o New Deal.

Violência e propaganda foram as armas de Adolf Hitler



Após a derrota na Primeira Guerra Mundial (1914-1918), a Alemanha foi forçada a assinar o Tratado de Versalhes, em 1919. De acordo com seus termos, o país perdeu grande parte de seu território, além de sofrer fortes restrições no campo militar. Foi proibida de desenvolver uma indústria bélica, de exigir o serviço militar obrigatório e de possuir um exército superior a cem mil homens. Para piorar, deveria pagar aos aliados uma vultosa indenização pelos danos provocados pelo conflito. O Tratado de Versalhes foi considerado humilhante pelos alemães e vigorou sobre um país arrasado e caótico, tanto no aspecto político quanto no econômico. O período de crise estendeu-se de 1919 a 1933. Nesse panorama conturbado, o nazismo surgiu e se fortaleceu. Aos poucos, chegou ao governo do país, impondo-lhe uma ditadura baseada no militarismo e no terror.


Uma república desastrosa


Diante da eminente derrota para os aliados, na Primeira Guerra, o imperador alemão, Guilherme 2º, abdicou ao trono no final de 1918. Em 9 de novembro, foi proclamada a República na Alemanha. Estabeleceu-se um governo provisório, liderado pelo Partido Social-Democrata, que assinou a paz com as outras nações e convocou eleições para uma Assembléia Nacional Constituinte. Entretanto, chefiados por Rosa Luxemburgo e Karl Liebknecht, os comunistas alemães viam na crise uma oportunidade de tomar o poder, por meio de uma rebelião. Porém, o governo e as forças armadas acabaram sufocando o levante, cujos líderes foram mortos. Nem por isso, o governo republicano deixou de enfrentar uma oposição de esquerda e de direita, na medida em que era incapaz de lidar com a precária economia alemã, que sofria uma terrível escalada hiperinflacionária. A sociedade alemã empobrecia cada vez mais. Isso apenas fazia aumentar a tensão social e política, já muito grande. Em novembro de 1923, o marco alemão estava tão desvalorizado, que um único dólar equivalia a 4 bilhões e 200 milhões de marcos.


Inflação na Alemanha pós-guerra


O Partido Nacional-Socialista foi fundado, em 1920, por Adolf Hitler, um antigo cabo do exército alemão, de origem austríaca. Defendia exagerados ideais nacionalistas, que também se misturavam ao militarismo. Nos primeiros momentos, o grupo era inexpressivo. Reunia inconformados com a derrota alemã e os que não acreditavam no regime republicano. Em 1923, aproveitando-se dos níveis estratrosféricos da hiperinflação, Hitler e seus correligionários decidiram seguir o exemplo dos comunistas, organizando uma revolta armada na cidade de Munique. Tal como o levante socialista de 1918, porém, o golpe nazista fracassou e Hitler foi preso. Permaneceu na cadeia durante oito meses. Nesse tempo, passou suas idéias para o papel, com o auxílio de Rudolf Hess, um companheiro de partido. Assim surgiu o livro "Minha Luta" ("Mein Kampf"), que se transformaria numa espécie de Bíblia da Alemanha nazista.


Ilusões demagógicas de Hitler


Entre 1924 e 1929 as idéias de Hitler não encontraram eco na sociedade alemã. O nacional-socialismo só viria a obter respaldo popular após o advento da grande depressão mundial em 1929. Então, a já combalida economia da Alemanha entrou em colapso, com a falência de milhares de empresas, o que elevou para 6 milhões o número de desempregados. O desespero gerado pela miséria e a incerteza quanto ao futuro, a facilidade humana de acreditar na demagogia e nas soluções autoritárias, a necessidade de resgatar a autoestima nacional depois das humilhações do Tratado de Versalhes foram alguns dos fatores que fizeram da Alemanha um terreno fértil a ser semeado pelos nazistas. O discurso de um líder carismático como Adolf Hitler oferecia segurança e a perspectiva de melhores dias, com promessas e ilusões demagógicas. Além da classe média, dos camponeses e do operariado em desespero, as Forças Armadas também se identificavam com as posições nacionalistas de Hitler. Os grandes capitalistas alemães, por sua vez, acharam conveniente financiar os nazistas, que aparentavam protegê-los da ameaça comunista. Assim, de 1930 a 1932, o número de deputados do Partido Nazista no Parlamento alemão passou de 170 para 230.


Adolf Hitler e o início do 3º Reich


No Parlamento, o próprio Hitler que se mostrou competente no plano das negociações políticas. Desse modo, a 30 de janeiro de 1933, o líder nacional-socialista foi nomeado Chanceler, ou Primeiro-Ministro, o principal cargo executivo da República alemã. Popularmente, já era chamado de "Führer" (condutor). Tinha início o que os nazistas chamavam de III Reich (Terceiro Império), designação que se refere ao Sacro Império Germânico, da Idade Média, e ao Segundo Império, que se estendeu da Unificação dos Estados germânicos, em 1871, à República, em 1918.


Ricardo Carvalho comenta a ascensão do Nazismo




Confira um trecho do programa Vestibular em Foco com Ricardo Carvalho comentando sobre a ascensão de Hitler, o Nazi-Fascismo e a II Guerra Mundial.


O ditador Hitler e seu colega italiano Mussolini


Ideologicamente, Hitler se apropriou de idéias nacionalistas já em voga na Alemanha, radicalizando-as. Defendia a necessidade de unidade nacional, garantida por um Estado governado por um partido único, o Nazista, do qual ele era o líder supremo. Identificado com a própria nação, Hitler passou a ser cultuado como um super-homem pela imensa maioria do povo alemão.


Superioridade racial da raça ariana


O nazismo proclamava também a "superioridade biológica da raça ariana" (a que pertenceria o povo alemão) e, conseqüentemente, a necessidade de dominar as "raças inferiores". Entre estes, colocavam-se os judeus, os eslavos, os ciganos e os negros. Também era necessário extinguir os considerados "doentes incuráveis": homossexuais, epiléticos, esquizofrênicos, retardados, alcoólatras, etc. Com a ascensão de Hitler ao poder, a ideologia nazista passou a influenciar também a ciência do país, que se dedicou a inventar teorias supostamente biológicas para o racismo e o anti-semitismo.


A conquista do "espaço vital"


Com fundamento nesses princípios, o propósito nazista era construir um império ariano, puro e forte, centralizado em torno de Hitler. O passo decisivo para esse projeto se tornar realidade seria a expansão territorial e a integração de todas as comunidades germânicas da Europa num "espaço vital" único. Além da própria Alemanha, isso incluiria a Áustria, a Tchecoslováquia, a Prússia (oeste da Polônia) e a Ucrânia.


Concorrência comunista


Porém, para triunfar, o nazismo precisava combater seu principal concorrente ideológico, o socialismo revolucionário ou comunismo, com o qual teria de disputar a adesão popular. Igualmente totalitário, o comunismo também se arvorava a construir uma sociedade perfeita, não só na Alemanha, mas no mundo. Entretanto, no lugar de uma raça superior, colocava uma classe social - o proletariado - à frente do processo. Por isso, o anticomunismo constituía um ponto central do pensamento de Hitler. Desenvolvendo uma propaganda agressiva e eficiente, administrada por Joseph Goebbels, o Partido Nazista se infiltrou em toda a sociedade alemã e controlou a imprensa, a rádio, o teatro, o cinema, a literatura e as artes. Conseguiu incutir na mentalidade do povo a visão de mundo nazista e a devocão incondicional ao Führer. A educação da infância e juventude, em especial, foi usada como uma ferramenta do Estado, para gravar no cérebro e no coração de crianças e adolescentes o orgulho de pertencer à raça ariana, bem como a obediência e a fidelidade ao "Führer".


Sturmabteilungen (SA) e Schutzstafell (SS)


Mas a vitória do nazismo não se deveu exclusivamente ao trabalho ideológico, Hitler também empregou a força para conquistar a Alemanha. Nesse ponto manifesta-se o caráter essencialmente militarista do nacional-socialismo que, desde o início, contou com a participação de organizações paramilitares próprias.


Heinrich Himmler


Para começar, foram criadas as SA ("Sturmapteilungen"), ou Divisões de Assalto, uma espécie de milícia particular nazista. Composta por desempregados, ex-militares, desajustados de qualquer espécie e até criminosos comuns, espalhavam o terror junto aos inimigos de Hitler, por meio da surra, da tortura e do assassinato. O grupo quase saiu do controle dos líderes e precisou ser transformado numa nova instituição a SS (Schutzstafell), ou Tropas de Proteção, um grupo de elite que contava com homens selecionados e disciplinados. A partir de 1929, sob o comando de Heinrich Himmler, a SS cresceu e chegou a contar com um exército próprio, a Waffen SS (SS Armada), independente do Exército alemão. Além disso, também absorveu a Gestapo, a polícia secreta nazista, em 1939, juntamente com a qual comandaria os campos de concentração e extermínio nos países ocupados.


As vítimas preferenciais do nazismo: os judeus


Nos seis anos anteriores à Segunda Guerra Mundial, iniciada em 1939, os nazistas institucionalizaram a violência, prendendo arbitrariamente e executando seus inimigos políticos: comunistas, sindicalistas e líderes esquerdistas de modo geral. O nacional-socialismo soube manipular os instintos agressivos do ser humano e canalizou o ódio dos alemães particularmente contra os judeus, pois existia uma tradição anti-semita entre os povos nórdicos. Desse modo, os judeus serviram como bode expiatório para todos os males alemães. A partir de 1934, o anti-semitismo tornou-se uma prática do governo, além de nacional. Os judeus foram proibidos de trabalhar em repartições públicas. Suas lojas e fábricas foram expropriadas pelo governo. Além disso, eram obrigados a usar braçadeiras com a estrela de Davi, para poderem ser facilmente discriminados. A radicalização do anti-semitismo oficial forçou mais da metade da população judaico-alemã a deixar o país, à procura de exílio. Às vésperas da Segunda Guerra Mundial, restavam apenas 250 mil judeus na Alemanha, menos de 0,5% da população total. Com a Guerra, tanto estes quanto os judeus dos paíes ocupados por Hitler foram enviados para os campos de extermínio, o que resultou no holocausto - o massacre de 6 milhões de pessoas.


Ricardo Carvalho comenta as guerras do século XX



O professor de História do EducaBahia faz um comentário sobre as principais características das guerras do século XX


Rumo à Segunda Guerra Mundial


Inglaterra, França e Estados Unidos, as três potências democráticas, não se preocuparam em deter a ascensão do nazismo. Acreditavam que uma Alemanha forte funcionaria como um cordão de isolamento, livrando o Ocidente da influência da União Soviética. Esta, por sua vez, assinou um pacto de não-agressão com a Alemanha, em agosto de 1939, em que se comprometiam a não atacar uma à outra e se manterem neutras caso uma delas fosse atacada por uma terceira potência. Desse modo, a Alemanha logo começou a contar com crédito e recursos internacionais e passou a prosperar. Surgiram empresas industriais poderosas, de minério, petróleo, borracha, etc., da noite para o dia. Foram construídas grandes obras públicas, como estradas e aeroportos, reduzindo rapidamente e logo acabando (ou quase) com desemprego. A recuperação econômica deu cada vez mais popularidade aos nazistas. Ao mesmo tempo, o grosso da população alemã recuperava autoconfiança. Aproveitando-se disso tudo, Hitler gradativamente deixou de respeitar as cláusulas do Tratado de Versalhes. A partir de 1935, a indústria bélica foi reconstruída e o serviço militar tornou-se obrigatório.


O eixo nazi-fascista


Em 1938, Hitler aliou-se ao ditador italiano Benito Mussolini formando o eixo nazi-fascista. Ainda no mesmo ano, passou a controlar a totalidade das finanças alemãs, colocando-se à frente do Banco do Reich. Também anexou a Áustria e os Sudetos, na Tchecoslováquia. Eram regiões de numerosa população germânica, ricas em matérias-primas e complexos industriais. As potências democráticas e a URSS mantinham-se na passiva posição de simples observadores, mas os acontecimentos se precipitavam rapidamente na direção de uma Segunda Guerra Mundial.
A Segunda Guerra Mundial, entre 1939 e 1945, possibilitou o desenvolvimento pleno de tendências sociais latentes no mundo, após a Primeira Guerra Mundial. Envolveu interesses econômicos, mas foi marcada também pela defesa de interesses ideológicos que punham em disputa várias visões sobre a política, o homem e a sociedade. O mundo estava tomado pelas doutrinas do fascismo, na Itália, do nazismo e do anti-semitismo na Alemanha e do comunismo na União Soviética. A guerra refletiu a disputa econômica e política dos grandes países industrializados, mas também um confronto em torno do melhor modelo ideológico capaz de orientar, naquele momento histórico, o desenvolvimento da humanidade. Em campos diferentes se defrontavam três sistemas políto-econômicos: as democracias liberais capitalistas, os nazi-fascistas e os comunistas.
No âmbito das relações exteriores o mundo apresentava um equilíbrio precário, desde o fim da Primeira Guerra, em 1918. Este foi testado ao extremo diante da política expansionista alemã liderada por Hitler, ao mesmo tempo em que se consolidava o regime comunista na União Soviética. Em 1938, a Alemanha ocupou a Áustria e, posteriormente, a região de Sudetos na Tchecoslováquia, deixando claro que os planos militares de Hitler não se limitavam aos territórios de língua alemã. O nazismo, que até então era visto como uma possível defesa contra o comunismo pelas democracias liberais, começava a revelar-se uma faca de dois gumes.


Conferência de Munique


Diante dessa ofensiva, os chefes de Estado da Inglaterra, da França, da Itália e da Alemanha reuniram-se na cidade de Munique (Conferência de Munique). O resultado dessa negociação foi o reconhecimento do direito alemão de anexar a região dos Sudetos, cuja população tinha origem germânica em sua maioria. Assim, o nazismo parecia estar com o caminho aberto para seus objetivos expansionistas e nacionalistas. Há historiadores que analisam a Conferência de Munique como uma forma de a França e a Inglaterra "empurrarem" a Alemanha contra a União Soviética, já que a reunião legitimou a invasão alemã de um território que dava passagem à Rússia. Ao perceber a complacência francesa e inglesa, Hitler ganhou mais confiança. Ao mesmo tempo, assinou um pacto de não-agressão com o ditador russo Josef Stálin. Em setembro de 1939, tropas alemãs invadiram a Polônia, dando início à guerra que, até seu final, em 1945, mataria cerca de 40 milhões de pessoas.


As idéias racistas e de superioridade germânica difundidas pelo nazismo desde 1933, quando Hitler subiu ao poder, foram o fermento ideológico que uniu fortemente o povo alemão em torno dessa verdadeira cruzada, empreendida em nome da construção de um império ariano.


Ações de extermínio


A Polônia foi o exemplo mais trágico dos objetivos e das disposições da política nazista. Cerca de 5,8 milhões de poloneses foram exterminados pelos alemães, e destes apenas 123 mil eram militares. Ou seja, o alvo dos alemães eram principalmente os civis judeus, que formavam parte significativa da população polonesa. Assim, desde a invasão da Polônia de 1939, ficou claro que, para a Alemanha, essa seria uma guerra de extermínio dos povos que o nazismo considerava inferiores ou indesejáveis: além dos judeus, os eslavos e ciganos, sem falar em homossexuais e nos deficientes físicos e mentais.
Para eles, foram criados campos de concentração, como Treblinka, Auschwitz, Birkenau e Sobibor, onde os "indesejáveis" eram exterminados em ritmo industrial. Havia, inclusive, a preocupação das autoridades alemãs em criar métodos mais eficientes e baratos de matar um maior número de pessoas no menor tempo possível. Vale lembrar também que o dinheiro e os bens dessas pessoas - em especial dos judeus - eram expropriados pelos nazistas, que tentaram lucrar inclusive com os cadáveres, fabricando sabão com gordura humana e botões com ossos.


A guerra na Europa


Depois da rápida vitória sobre a Polônia, as tropas alemãs não pararam mais. Atacaram primeiramente a França, que também sucumbiu em poucos dias, e depois a Inglaterra, que resistiu heroicamente e enfrentaria os alemães e seus aliados, italianos e japoneses, até o fim da guerra, na Europa, no norte da África e no Oriente. O primeiro-ministro britânico Winston Churchill foi o primeiro estadista ocidental a perceber a ameaça nazista e a ela se opor tenazmente, malgrado, Hitler, a princípio, manifestasse interesse num armistício com os ingleses.
Em meados de 1941, rompendo o acordo com Stálin, Hitler decidiu atacar a União Soviética. Contrariando as estratégias de seus generais, que queriam primeiro tomar Moscou, fez questão de invadir Leningrado, símbolo da Revolução Russa de 1917. No entanto, Leningrado resistiu bravamente, embora a cidade tenha ficado sem luz e sem suprimentos, sob um cerco que durou 900 dias.
Os russos, porém, não se rendiam e contaram com a aliança com seu inverno austero, ao qual os alemães não estavam acostumados. Ainda assim, as tropas nazistas chegaram a 30 quilômetros de Moscou, decididos a tomar a cidade. Foi quando se deu a virada no chamado front oriental europeu. O general Zukhov, comandante do exército vermelho, conevenceu Stálin a trazer para a Europa as tropas russas estacionadas na Ásia, o extremo oriente da União Soviética, por temora uma invasão japonesa. Esses reforços tiveram um papel decisivo na contenção dos nazistas. No Oriente, onde o Japão já desenvolvia uma política expansionista análoga à de Hitler, outro fato veio reverter os rumos da guerra, a partir do bombardeio japonês à ilha de Pearl Harbour, pertencente aos Estados Unidos, no final de 1941. Atacados por um aliado de Hitler, os americanos tinham agora um motivo para intervir diretamente na guerra, em vez de apenas prestar apoio econômico aos ingleses.


A partir daí, a guerra se estendeu pelo mundo inteiro. Assistiu-se também a um velocíssimo desenvolvimento bélico norte-americano, o que colocaria o país na posição de maior potência militar ao longo do século 20.
Na Europa, a guerra envolvia a população civil, além da militar, e provocou uma grande devastação humana operada pelo avanço nazi-fascista. Já nos oceanos Pacífico e Índico, as batalhas se travavam entre navios e aviões ou em territórios cuja população local - muitas vezes indígena - não se envolvia no conflito. Mesmo assim, o número de mortos e feridos foi grande entre os militares, em especial do Japão e dos Estados Unidos, os principais protagonistas das batalhas nessa região.


Batalha de Stalingrado
O cerco alemão à União Soviética teve que retroceder no fim de 1941, mas Hitler retomou seus planos em setembro de 1942, dando início à batalha de Stalingrado, que se estendeu até fevereiro de 1943, com a vitória dos soviéticos. Esta batalha deu início à contra-ofensiva soviética que mudaria os rumos da guerra. A partir de então, os russos pressionariam os alemães de volta para seu país, enquanto, na Europa ocidental, americanos e ingleses reconquistavam posições na Itália e na França. Em 6 junho de 1944 (o chamado Dia D), sob o comando geral do general americano Dwight Eisenhower, ocorreu o desembarque das tropas aliadas na Normandia (França), a partir do que os alemães se viram pressionados nos dois lados da Europa. Ao mesmo tempo, as populações dos países invadidos pelos nazistas organizavam movimentos de resistência à ocupação, sabotando os alemães e cooperando com os aliados.

Derrota do Eixo


O chamado Eixo, formado pela Alemanha, Itália e Japão, foi derrotado em 1945, depois de seis anos de conflito. Isso aconteceu em duas etapas. Na Alemanha, ocupada pelos aliados, Hitler suicidou-se e seus generais se renderam incondicionalmente em 8 de maio. O Japão resistiu mais alguns meses, até que as cidades de Hiroshima e Nagasaki foram destruídas pelas bombas atômicas norte-americanas, em agosto. Foi a primeira vez que se usou armas nucleares num conflito e seu poder de devastação obrigou os japoneses à rendição.


Julgamento dos nazistas em Nuremberg
Em novembro de 1945, os líderes nazistas capturados foram julgados no tribunal internacional de Nuremberg, em razão dos crimes cometidos contra a humanidade. Calcula-se que cerca de 6 milhões de judeus tenham sido mortos nos campos de extermínio e nos guetos. A guerra deixou, ainda, um saldo de 18 milhões de russos mortos, 5,8 milhões de poloneses e 4,2 milhões de alemães, sem falar nos outros povos diretamente envolvidos, cujas mortes também se contam aos milhares.
Muitos criminosos nazistas, porém, não se deixaram julgar, Hermann Göering, um dos principais comandantes nazistas, sucidou-se na prisão antes de ir ao tribunal. Kurt Franz, o comandante do campo de Treblinka, responsável direto pela morte de 600 mil judeus, foi condenado à prisão perpétua, mas foi indultado antes da morte, em 1993. Gustav Franz Wagner, comandante de Sobibor, culpado da morte de 250 mil pessoas, fugiu e escondeu-se em Atibaia (SP), onde viveu tranquilamente até ser descoberto e suicidar-se, em 1980.


Herança do conflito


Novas relações mundiais se configuraram após a guerra, já que seus principais vencedores - os Estados Unidos e a União Soviética - eram adversários ideológicos e possuíam uma capacidade bélica equivalente, o que os impedia de partir para um conflito aberto. Teve início a chamada Guerra Fria: o mundo foi dividido em dois blocos, o comunista e o capitalista, ambos com suas promessas de desenvolvimento, paz e prosperidade para seus cidadãos, assim como suas fragilidades, crises e fracassos sociais e econômicos.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Conheça os motins, sedições e resistência escrava no período colonial brasileiro

CNDL - Colégio Notre Dame de Lourdes


História do Brasil - Segundo Bimestre


Capítulo 4 - Primeiro Ano


Motins, sedições e resistência escrava








Guerra dos Emboabas, obra de Carybé.









Problematização do tema





1. Quais as motivações das revoltas que eclodiram na América Portuguesa?





Algumas das revoltas que eclodiram na América Portuguesa estão intimamente ligada às políticas metropolitanas adotadas para a colônia. Outras derivaram de interesses específicos dos colonos, tais como disputas de terras, por territórios de mando, enfrentamento de grandes potentados, reações às políticas das câmaras, entre outros motivos.





2. Quais são as interpretações historiográficas acerca das relações entre colônia e metrópole?





Na visão reducionista acreditava-se que a colônia estava totalmente submissa em relação à metrópole e não possuía vida própria. Essa interpretação dizia que as colônias só faziam responder os interesses econômicos metropolitanos, essa tese torna difícil explicar a razão da eclosão das revoltas. Uma outra versão revisionista aponta que havia interesses específicos dos colonos em jogo, ou seja, a colônia possuía uma dinâmica interna baseada nas relações de poder, de trabalho e na sociabilidade entre as populações coloniais, essa perspectiva torna fácil explicar a ocorrência de revoltas. Ainda, há uma outra versão historiografia que aponta para a existência de uma espécie de convenção entre o Rei de Portugal e seus vassalos na América Portuguesa com o objetivo de manter a paz na colônia, entretanto muitas vezes, essas convenções foram desrespeitadas.





3. Na sua opinião, qual dessas interpretações historiográficas explica melhor a eclosão das revoltas na América Portuguesa?





Resposta pessoal, entretanto espera-se que o aluno argumente que a visão revisionista das revoltas coloniais é a que melhor explica a ocorrência das mesmas.





4. Por que não se usa mais opor movimentos de contestação dos movimentos de oposição?





Todas as revoltas coloniais tiveram muitas faces. Elas não foram só de contestação ou só de oposição. É importante estudar os movimentos nas suas especificidades, sem construir tipologias que engessem a análise de cada um deles.





5. Por que a análise da resistência escrava é diferente daquela feita para as revoltas dos vassalos?





No que se refere à resistência escrava, a análise é bem diferente. Não havia convenções entre o soberano e os cativos que, embora tivessem direitos, muitas vezes eram vítimas de extrema violência de seus senhores. Não obstante seja preciso relativizar a posição de vítima que a historiografia marxista conferiu ao escravo e relevar as negociações e as acomodações entre os cativos e seus senhores, muitos escravos negaram o sistema escravista e procuraram formas de escapar da escravidão ou enfrentá-la de forma violenta.



Conheça a história da Guerra dos Bárbaros





Um índia velha cachimbeira conta à seus netos a História de luta de seus antepassados contra as invasões dos colonizadores do Nordeste do Brasil, provocadas pela expansão da pecuária bovina. A historiografia oficial denominou os confrontos de “Guerra dos Bárbaros”. Resta-nos saber se são bárbaros os índios ou os europeus que os exterminaram.





Análise e interpretação: versões, opiniões e fontes diversos







Aldeia dos tapuias, Rugendas.





1. Um dos resultados da Revolta de Beckman está representado na imagem acima. Apresente a leitura da imagem, destacando qual foi o resultado da revolta.





A imagem mostra os índios em uma redução (missão) sob a tutela dos padres jesuítas. Após a Revolta de Beckman, os jesuítas que haviam sido expulsos do Maranhão pelos revoltosos retornaram e continuaram fiéis aos seus princípios de não escravização dos indígenas pelos colonos.





O tema em foco











2. Leia o texto a seguir.



Quem eram os mascates?



Da expulsão dos holandeses (1654) até o fim do século, muitos portugueses imigraram para o Brasil. Alguns vinham morar na colônia a conselho de parentes que já estavam aqui. Outros vieram como comissários volantes, isto é, como comerciantes temporários que, ao fim de várias viagens, resolveram fixar residência no Brasil. Muitos também chegavam como funcionários da Coroa, empregados na cobrança de impostos e em outras funções da administração colonial. Havia ainda, aqueles que se transferiram para cá como militares de tropas pagas pela metrópole. Aos poucos, essas pessoas foram ocupando posições de destaque na sociedade colonial, sobretudo através do comércio. Muitos desses comerciantes portugueses passaram a financiar a produção açucareira e vender açúcar para a Europa. Outros começaram a trazer produtos de Portugal para revendê-los na Colônia. E outros ainda, passaram a explorar o tráfico de escravos africanos para o Brasil.



3. Em que medida essas novas funções dos comerciantes portugueses foram determinantes para a eclosão da Guerra dos Mascates?







A importância cada vez maior adquirida pelos comerciantes moradores do Recife que desejavam a elevação à condição de Vila. Os olindenses não concordavam com isso pois poderiam perder a condição de centro de poder em Pernambuco. Esse foi um dos principais motivos da eclosão da chamada Guerra dos Mascates.





A guerra dos Emboabas ocorrida em Minas Gerais



A palavra emboaba, de origem tupi, significava “pinto calçudo”, aquele que usava calçado. Era a alcunha empregada pelos paulistas constituíam um grupo muito peculiar, dotado de uma identidade cultural formada ao longo de dois séculos. Naturais das vilas de São Paulo, orgulhavam-se de ter descoberto as primeiras minas de ouro em ao sertão inóspito, e por essa razão reivindicavam para si o direito de conquista – isto é, a posse e o domínio sobre a região mineradora. Em meio à multidão de forasteiros vindos de todas as partes da América Portuguesa, os paulistas preservavam a identidade de grupo. Falavam a língua geral, de origem indígena, tinha práticas culturais mestiças, como a arte de sobrevivência nos matos, vestiam-se de forma estranha, recusando-se a usar calçados, e mais importante, pautavam-se por um código de valores assentado em ideais de bravura e honra.



Isolados pela Serra do Mar, desligados do circuito da economia açucareira e voltados para o apresamento de índios, os homens da vila de São Paulo e Campo de Piratininga se organizavam em clãs e parentelas, que disputavam entre si a honra e o prestígio social.



Mas não era só isso que fazia dos paulistas um grupo à parte. Desde o início do século XVIII, eles encarnavam a mais formidável máquina de guerra da América portuguesa, acionada nos momentos em que a Coroa necessitava de sertanejos, experientes nas artes de sobrevivência e luta no mato. Adeptos das técnicas de guerrilhas, apreendidas com os índios, sabiam como poucos derrotar inimigos insidiosos como quilombolas de Palmares e bárbaros das Guerras do Açu – grande levante de índios, ocorrido no Nordeste durante a segunda metade do século XVII.





ROMEIRO, Adriana. Uma guerra no sertão. Revista Nossa História. Rio de Janeiro: Ed. Vera Cruz, nº 25, Nov. 2005. P. 71 (fragmento)



5.



a) Defina o "direito de conquista" reivindicado pelos paulistas.



Os paulistas reivindicavam a posse e o domínio da região das minas uma vez que eles a haviam descoberto.



b) Apresente os traços definidores da identidade cultural peculiar dos paulistas.



Os paulistas falavam a língua geral do Brasil, de origem indígena, tinham práticas culturais mestiças, como a arte da sobrevivência nos matos, vestiam-se de forma estranha, recusavam-se a usar calçados e pautavam-se por códigos de valores assentados em iedais de bravura e honra.



c) Em que circunstâncias os paulistas eram requisitados pela Coroa Portuguesa?



Eles eram requisitados pela Coroa no momento em que esta precisava de sertanejos, experientes nas artes de sobrevivência e lutas no mato.





De olho no vestibular





1. (Fatec) No século XVIII, a colônia Brasil passou por vários conflitos internos.



Entre eles temos a



a) Guerra dos Emboabas, luta entre paulistas e gaúchos pelo controle da região das Minas Gerais. Essa guerra impediu a entrada dos forasteiros nas terras paulistas e manteve o controle da capitania de São Paulo sobre a mineração.



b) Revolta Liberal, tentativa de reagir ao avanço conservador da monarquia portuguesa, que usava de seus símbolos monárquicos e das baionetas do Exército da Guarda Nacional, como forma de cooptar e intimidar os colonos portugueses.



c) Revolta de Filipe dos Santos, levante ocorrido em Vila Rica e liderado pelo tropeiro Filipe dos Santos. O motivo foi a cobrança do quinto, a quinta parte do ouro fundido pelas Casas de Fundição controladas pelo poder imperial.



d) Farroupilha, revolta que defendia a proclamação da República Rio-Grandense (República dos Farrapos) como forma de obter liberdades políticas, fim dos tributos coloniais e proibição da importação do charque argentino.



e) Cabanagem, movimento de elite dirigido por padres, militares e proprietários rurais, que propunham a proclamação da república como forma de combater o controle econômico exercido pelos comerciantes portugueses.



resposta: [C]





2. (Fatec 2008) Naquela época, a sociedade da América Portuguesa já era suficientemente complexa para abrigar tensões e conflitos variados, nem sempre redutíveis a meras oposições. Assim, colonos se engalfinharam com colonos, e autoridades da metrópole se opuseram a companheiros de administração. O século (XVIII) começava tenso, e seus primeiros vinte anos seriam marcados por uma sucessão de revoltas e motins, constituindo um conjunto em que, pela primeira vez, a dominação portuguesa na América do Sul corria sério risco.



(L. de Mello e Souza e M. F. B. Bicalho, 1689-1720. O império deste mundo.)





O texto faz referência aos movimentos



a) pela independência do Brasil, tais como a Inconfidência Mineira e a Conjuração Baiana.



b) políticos separatistas, como a Farroupilha e o Movimento Constitucionalista paulista.





c) pela instituição da república no Brasil, denominados pelos historiadores de Cabanagem e Balaiada.





d) pela abolição da escravidão, tais como a Guerra dos Palmares e a Guerra dos Malês.





e) de insubordinação à autoridade metropolitana, como os Motins do Maneta e a Guerra dos Mascates.





Resolução



O texto refere-se a um período em que ocorreram no Brasil Colonial agitações, motins e conflitos variados. Os principais deles (incluindo a Guerra dos Mascates) fazem parte dos chamados “Movimentos Nativistas”. Outros, de caráter episódico e menos significativos, incluem os “Motins do Maneta”, em Salvador, e a “Revolta de Nosso Pai”, em Pernambuco.





3. (FGV) Antunes voltou ao capão e transmitiu a seus companheiros as promessas de Bento. Os paulistas saíram dos matos aos poucos, depondo as armas. Muitos não passavam de meninos; outros eram bastante velhos. Sujos, magros, cambaleavam, apoiavam-se em seus companheiros. Estendiam a mão, ajoelhados, suplicando por água e comida. Bento fez com que os paulistas se reunissem numa clareira para receber água e comida. Os emboabas saíram da circunvalação, formando-se em torno dos prisioneiros. Bento deu ordem de fogo. Os paulistas que não morreram pelos tiros foram sacrificados a golpes de espada.



(Ana Miranda, "O retrato do rei")





O texto trata do chamado Capão da Traição, episódio que faz parte da Guerra dos Emboabas, que se constituiu





a) em um conflito opondo paulistas e forasteiros pelo controle das áreas de mineração e tensões relacionadas com o comércio e a especulação de artigos de consumo como a carne de gado, controlada pelos forasteiros.





b) em uma rebelião envolvendo senhores de minas de regiões distantes dos maiores centros - como Vila Rica - que não aceitavam a legislação portuguesa referente à distribuição das datas e a cobrança do dízimo.



c) no primeiro movimento colonial organizado que tinha como principal objetivo separar a região das Minas Gerais do domínio do Rio de Janeiro, assim como da metrópole portuguesa, e que teve a participação de escravos.



d) no mais importante movimento nativista da segunda metade do século XVIII, que envolveu índios cativos, escravos africanos e pequenos mineradores e faiscadores contra a criação das Casas de Fundição.



e) na primeira rebelião ligada aos princípios do liberalismo, pois defendia reformas nas práticas coloniais e exigia que qualquer aumento nos tributos tivesse a garantia de representação política para os colonos.







resposta:[A]





4. (UFMG 2010) O século XVIII foi palco de uma série de movimentos e sedições, nos quais, em diferentes graus e a partir de diferentes estratégias, os vassalos da América Portuguesa procuraram redefinir o formato de suas relações com a Coroa Portuguesa.



Considerando-se esse contexto, é CORRETO afirmar que







A) a revolta de Filipe dos Santos, em Minas Gerais, na primeira metade desse século, reforçou os mecanismos de controle sobre os vassalos.



B) a revolta do Vintém e a do Quebra-quilos, na segunda metade desse século, ao desafiarem a Coroa, colocaram em crise a sede do Vice-Reinado.



C) a revolta dos Távora procurou estabelecer novos limites para a cobrança do Subsídio Literário, destinado à educação dos vassalos.



D) os conflitos entre paulistas e emboabas, nas Minas Gerais, levaram à instalação das casas de fundição nessa Capitania.





resposta: [A


]



5. (UEMG/2010) Leia atentamente o trecho selecionado, a seguir:





“... decadência em que se [achava] o povo das Minas, vexação em que se [via] causada da multidão de negros fugidos e aquilombados que [havia] em todas elas, de que [resultavam] os extraordinários casos que continuamente [estavam] sucedendo nos cruéis assassínios e roubos violentos que a cada instante [estavam] fazendo...”





Representação da Câmara de Vila Rica ao Rei de Portugal de 31 de agosto de 1743. Arquivo Público Mineiro. Seção Colonial. Códice CMOP 49 fl.81. Citada no livro Vassalos Rebeldes, de Carla M.J.Anastasia, Belo Horizonte: C/Arte, 1998. p.130



O aumento da violência nos sertões mineiros, durante o século XVIII, a que se refere o fragmento acima, é considerado resultado histórico





a) da substituição do trabalho escravo em Minas Gerais pelo trabalho imigrante italiano, após a proibição do tráfico negreiro.





b) do declínio da comercialização da cana-de-açúcar no território mineiro, em virtude da concorrência do produto oriundo das Antilhas Holandesas.



c) das crises de fome e abastecimento provocadas pela corrida do ouro ao território mineiro, constantes fugas de escravos e o aumento da cobrança de impostos sobre os alimentos.



d) dos abusos cometidos pelos jagunços contratados pelos senhores de engenhos, para matar os negros reconhecidos como assassinos profissionais.





resposta: [C]



6. (UPE 2009) Olinda e Recife viveram momentos históricos diferentes desde os tempos da colonização portuguesa. Chegaram, inclusive, a ter conflitos que assinalavam divergências de interesse. Um deles, a Guerra dos Mascates, que





a) mostrou a decadência econômica de Olinda que sofria com suas dívidas financeiras em crescimento.





b) afirmou a importância política do Recife, com seu rico porto, independente até das ordens vindas de Portugal.



c) consagrou o poderio da aristocracia olindense, com amplo domínio da produção do açúcar na colônia.



d) consolidou o governo de Castro e Caldas, aliado dos recifenses e líder político no conflito.



e) criou condições para recuperação de Olinda, dificultando as atividades comerciais do Recife.



Resolução:





Em 1710 Recife foi elevada a categoria de vila, chegando ao nível de Olinda. Nesse período, vila do Recife era povoada por muitos comerciantes portugueses. O comércio tornou-se forte devido ao porto, que era a porta de entrada dos produtos europeus em Pernambuco. A crise da economia do açúcar provocou a decadência dos senhores de engenho e, conseqüentemente, da vila de Olinda (residência da aristocracia pernambucana). No contexto do final do século XVII e início do século XVIII, os senhores de engenho dívidas cada vez maiores junto aos comerciantes portugueses do Recife. Com isso, a Guerra dos Mascates foi muito mais um conflito entre credores (comerciantes do recifenses) e devedores (senhores de engenho olindenses).







Gabarito: letra A







domingo, 8 de maio de 2011

Saiba mais sobre sociedade, cultura e cotidiano no Brasil Imperial

CNDL - Colégio Notre Dame de Lourdes
Segundo Ano - História do Brasil
Segundo Bimestre - Capítulo 4
Sociedade, cultura e cotidiano no Brasil Imperial


DEBRET, Jean Baptiste. Jantar no Brasil. 1835/1839. Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil. Paris.





Problematização do tema

A chegada da Corte portuguesa ao Brasil foi responsável por várias mudanças econômicas e políticas, mas gerou, também, situações complicadas para os habitantes da cidade do Rio de Janeiro. A cidade não tinha condições, àquela altura, de comportar todos aqueles que chegavam de Portugal. Era ainda um centro urbano com características coloniais, assim como a maioria das cidades brasileiras, com ruelas estreitas, freqüentadas por negros de ganho, muita sujeira e pouco conforto para os que lá viviam e para os que lá se dirigiam. Não havia remoção de lixo, sistema de esgoto ou qualquer outra noção de higiene pública.
O Príncipe Regente instalou-se, com pompa e circunstância, na Casa dos Governadores, cedida pelo então vice-rei, D. Marcos de Noronha. Os nobres foram instalados no prédio da Cadeia e no Convento do Carmo. Entretanto, esses prédios eram claramente insuficientes para abrigar toda a comitiva de D. João que, então, ordenou que as melhores residências da cidade fossem desapropriadas para acolher os portugueses.
Era comum os sobrados, localizados no centro da cidade, amanhecerem com um aviso com as iniciais P.R.
(Príncipe Regente) preso à porta, o que significava que a moradia havia sido desapropriada para abrigar membros da comitiva de D. João. Por isso a sigla P.R. ficou conhecida entre os moradores do Rio de Janeiro como “Ponha-se na Rua”.

Leia, a seguir, sobre as medidas tomadas pelo desembargador Petra com a chegada de D. João ao Rio de Janeiro.

Os fidalgos que as instalações do Paço não puderam acolher ocuparam casas diversas, cujos proprietários e inquilinos foram coagidos a abandonar em virtude de uma velha lei das aposentadorias. Esta lei concedia ao rei o direito de requisitar qualquer residência para uso de um súdito seu [...]
Um dia, estava o desembargador Petra a meditar no sofrimento do povo, quando lhe entrou pela sala um fidalgo que o visitava pela quarta vez [...]
O desembargador Petra fez chamar sua senhora à sala, e apenas a viu chegar, disse-lhe:
- Apronte-se Sra. D. Joaquina, estamos em vésperas de separar-nos: este nobre fidalgo já me pediu a casa, depois mobília, agora criado; amanhã, provavelmente há de querer que eu lhe dê mulher, e como não tenho outra senão a senhora, e não há remédio senão servi-lo, apronte-se D. Joaquina, apronte-se!
O fidalgo saiu furioso e foi direto ao Príncipe Regente queixar-se da zombaria de que fora objeto; mas o desembargador Petra, interrogado pelo Príncipe, tais coisas disse as violências cessaram e o sistema de aposentadorias foi mais suavemente executado.


FERREZ, Gilberto. O Paço da Cidade do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Fundação Nacional Pró-Memória, 1984.

Gradativamente, a situação no Rio de Janeiro começou a se acomodar e a presença da Corte contribuiu para a difusão de hábitos mais sofisticados entre os membros da elite da cidade, ainda que esses novos hábitos convivessem com a pobreza, a desordem e a criminalidade.
Com o passar do tempo, a sociedade brasileira começou a se transformar. O crescimento da economia cafeeira e o surto industrial (1850-1880) mudaram o cenário do país, particularmente na Região Sudeste. Cidades cresciam, outras surgiam. Progressos urbanos se avolumaram: bondes, iluminação a gás, praças, chafarizes, hotéis, teatros, bibliotecas, confeitarias, lojas em estilo parisiense, etc.
As ferrovias diminuíram as distâncias e aumentavam o intercâmbio de mercadorias e ideias. A sociedade tornava-se mais heterogênea. Nos centros urbanos, surgiam novos bairros, novas moradias (palacetes e cortiços), as atividades profissionais se multiplicavam (operários, condutores de bondes, ourives, relojoeiros, tipógrafos, caixeiros, pedreiros, serralheiros, etc).




A classe média urbana se formava e tornava-se gradativamente mais complexa. Nas cidades, a população se diversificava: negros libertos, homens livres pobres, imigrantes, proprietários rurais e empresários de vários ramos.

Neste capítulo, você irá estudar as mudanças e permanências na sociedade, cultura e na vida cotidiana do Brasil entre 1808 e 1889.

Pense sobre o que acabou de ler e discuta:

1. Por que a cidade do Rio de Janeiro não estava preparada para receber a Corte Portuguesa, em 1808?

resposta: O Rio de Janeiro naquela época era ainda um centro urbano com características coloniais, assim como a maioria das cidades brasileiras, com ruelas estreitas, frequentadas por negros de ganho, muita sujeira e pouco conforto para os que para lá se dirigiam e para os que lá viviam.

2. Como se deu a acolhida dos nobres da comitiva de D. João?

resposta: D. João e sua família se intalaram na Casa dos Governadores. Os nobres foram instalados no prédio da Cadeia e no Convento do Carmo. Entretanto, esses prédios eram claramente insuficientes pra abrigar toda a comitiva de D. João que, então, ordenou que as melhores residências da cidade fossem desapropriadas para acolher os portugueses.

3. Quais as mudanças mais marcantes puderam ser observadas na região Sudeste?
resposta: A presença da Corte contribuiu para a difusão de hábitos mais sofisticados entre os da elite da cidade, ainda que esses novos hábitos convivessem com a pobreza, a desordem e a crimanilidade. As cidades cresceram e se modernizaram, os progressos urbanos se avolumaram, tais como os bondes, iluminação à gás, praças, chafarizes, hotéis, teatros, bibliotecas, confeitarias, lojas em estilo parisiense, etc.

4. Qual a importância do desenvolvimento das ferrovias?
resposta: As ferrovias diminuiram as distâncias e aumentaram a circulação de mercadorias e ideias.

5. Em que medida a estrutura populacional se tornava mais complexa no Brasil?
resposta: Nas cidades a população se diversificava: negros libertos, homens livres pobres, imigrantes, proprietários rurais e empresários de ramos variados.

Análise e interpretação: versões, opiniões e fontes diversas



Este capítulo apresenta as mudanças e permanências na sociedade, cultura e no cotidiano brasileiro, sobretudo no Rio de Janeiro, após a instalação da Corte Portuguesa, em 1808. Nessa medida, aborda as características da cidade do Rio de Janeiro antes da chegada da Corte; o cotidiano dessa cidade com a presença de D. João VI; as mudanças culturais com a importação de estilos literários, criação da imprensa, desenvolvimento do teatro, da música erudita e dos ritmos populares. Analisa-se, ainda no capítulo, o processo de urbanização do Brasil imperial, destacando-se também, as permanências coloniais das cidades do país.



O capítulo trata ainda, da desordem na corte, enfatizando os capoeiras, que amedrontaram a população carioca durante décadas e os jogos de azar, realizados nos chamados public houses , lugar da prostituição, da vadiagem, da desordem, combatida de forma tenaz pelas autoridades policiais da capital do império.



As atividades, além de buscar desenvolver habilidades cognitivas mais sofisticadas, tratam também de introduzir novas teses como. por exemplo, na seção "Análise e interpretação", relativa oa subtítulo "Mudanças culturais após a chegada da Corte Portuguesa", que examina a inovadora questão de que a Missão Artística Francesa não foi trazida ao Brasil por D. João. Nesse mesmo subtítulo, pede-se, na seção "O tema em foco", uma análise iconográfica do auto-retrato de Debret e solicita-se a leitura de um texto sobre os viajantes, que vieram para o Brasil após a chegada da Corte. Pede-se, ainda, a leitura de um texto de Luiz Felipe de Alencastro sobre a música no Império, onde predominou os ritmos afro-brasileiros.

No subtítulo "O desenvolvimento da urbanização", tratou-se, na seção "Análise e interpretação", das permanências coloniais nas cidades brasileiras, além da apresentação de quadros com números da população brasileira para serem analisados pelos alunos. Essas atividades acessam habilidades cognitivas operacionais, fugindo da mera evocação. Na seção "O tema em foco", um texto de Mário Maestri analisa os aspectos da urbanização e da arquitetura do Império, com ênfase nas mudanças nos conjuntos arquitetônicos.

No subtítulo "A desordem na Corte", trata-se de examinar, na seção Análise e interpretação, o verbete "capoeira". A seção "O tema em foco" aborda o jogo, outra forma de contravenção no Império, praticado nas chamadas public houses onde se generalizava a prostituição e o crime.
Na seção "Construindo habilidades e competências", apresenta-se um texto sobre o "marginal" da cidade do Rio de Janeiro, morador dos morros, que foi cantado em prosa e verso naquela época. Pede-se ao aluno que compare os malandros daquela época com os traficantes de hoje, também cantados pelo hip hop. Analisadas as músicas de ambas as épocas, os alunos deverão debater, em sala de aula, as mudanças no conceito de marginalidade.

Fonte: Rede Pitágoras - ANASTASIA, Carla Maria Junho, História: ensino médio, 2º ano, livro 1. 1ª ed. - Belo Horizonte: Editora Educacional, 2010. (Manual do Professor, pp. 29-30)





Confira um super resumo do capítulo Sociedade, Cultura e Cotidiano no Brasil Imperial






Leia o texto.


É difícil saber se a "missão artística" foi um plano estratégico da Corte de D. João ou uma espécie de afastamento compulsório de artista ligados a Napoleão. Parece ter existido uma convergência de interesses. De um lado, artistas formados pela Academia francesa inesperadamente desempregados.
De outro, uma monarquia estacionada na América e carente de representação oficial. Foi a partir da conjugação dessas situações que surgiu aquela que é hoje conhecida como a "Missão Francesa de 1816".
A versão oficial sustenta que em 1815 o governo encarregou D. Pedro José Joaquim Vito de Menezes Coutinho (c. 1775-1823) o marquês de Marialva, embaixador extraordinário de Portugal na França, de contratar diversos artistas reconhecidos em seu meio, a fim de criar uma escola para a formação artística e de trabalhadores industriais. Mas por que a Corte selecionaria justamente os franceses, ainda mais os ligados a Napoleão, responsável direto pela tranferência da família real para o Brasil? Mesmo que as relações entre os dois países fossem oficialmente amigáveis desde 1814, havia no mercado artistas italianos, paisagistas holandeses, retratistas ingleses e pintores portugueses e nacionais à disposição. Com certeza, trariam menos embaraços políticos.
Além do mais, o marquês de Marialva mal teve tempo de se inteirar do tema, uma vez que deixou o cargo em 1815, sendo substituído por Francisco José Maria de Brito. Sabe-se qua o novo ministro trocou intensa correspondência com Joachim Lebreton (1760-1819), administrador das obras de arte no Museu do Louvre e secretário perpétuo da Classe de Belas-Artes do Instituto de França. A iniciativa de formar um grupo de artistas para servir à Corte portuguesa pode ter sido toda do influente Lebreton, e não do Estado português.
De onde veio, então, a teoria de uma "missão" convocada por D. João? Começou com um membro do grupo, Jean-Baptiste Debret, que no terceiro volume da Viagem pitoresca e histórica ao Brasil se refere a um "convite". A versão virariam tese quando Araújo Porto Alegre, discípulo dileto de Debret, sustentou a interpretação do mestre. Em diversos textos mencionou a "colônia artística", inspirando outras análises consagradas, como o artigo de Araújo Viana "Das artes plásticas no Brasil em geral e na cidade do Rio de Janeiro em particular" (1915)


Mas o grupo ainda não era definido como uma "missão". Foi Afonso Taunay quem adotou a expressão em seu longo artigo "A Missão Artística de 1816", na edição de 1912 da Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB). Bisneto de Nicolas Taunay, o historiador afirma que "a colônia americana vivia abandonada, esquecida e ignorada pelo mundo culto", e só contava com pintores e escultores "medíocres". A vinda dos pintores franceses tiraria "a colônia da modorra secular". Em 1916, o próprio IHGB promoveria uma série de comemorações por conta do centenário da chegada do grupo. Juntava-se o prestígio da família Taunay com a tradição do IHGB, e a "colônia de artistas" passou a ser entendida como uma "missão". Tal interpretação receberia estatuto de verdade com a publicação do ensaio de Taunay em livro, em 1956.



SCHWARCZ, Lília. Eram os franceses mercenários? Revista de História. Rio de Janeiro: Biblioteca Nacional, nº 36, set. 2008.

1. A historiografia tem afirmado que a "Missão Francesa" veio para o Brasil contratada por D. João. Hoje, essa tese é discutida.
a) Apresente quais eram as razões para que D. João não contratasse ou convidasse artistas franceses para vir ao Brasil.



resposta: Com tantos artistas no mercado - italianos, holandeses, ingleses, portugueses - era inexplicável que D. João fosse convidar ou contratar logo franceses, próximos de Napoleão, responsável direto pela transferência da família real para o Brasil.

b) Explique de onde veio a ideia de uma "missão" convocada por D. João.

resposta: Essa ideia começou com Debret que se referiu a um "convite" no 3º volume da Viagem pitoresca e histórica ao Brasil. A versão virou tese, quando seu discípulo Araújo Porto Alegre, sustentou a interpretação do mestre, inspirando outras análises consagradas como a de Araújo Viana.

Construindo habilidades e competências






Leia o texto



[...] No Rio de Janeito, a imensa maioria das pessoas que vivia na pobreza era constituída de negros e mulatos, originários da própria cidade ou vindos principalmente do Vale do Paraíba. Desde a decadência da produção cafeeira naquela região, por volta de 1860, um número considerável de negros se dirigia à capital em busca de trabalho. Assim, no Rio Rio de Janeiro, a pobreza era logo identificada com a cor da pele dos ex-escravos, criando na cidade uma íntima relação entre pobreza e população negra. As condições de trabalho para essa gente, mesmo para quem tinha emprego regular na indústria ou no setor terceário, eram extremamente difíceis e penosas. Por isso, de acordo com Fernando Henrique Cardoso, "o negro livre tinha de optar entre continuar trabalhando nas mesmas condições que antes, com status formal de cidadão, ou reagir a tudo o que o trabalho desqualificado pela própria escravidão significava, passando a viver na ociosidade e no desregramento". Assim, muitos iriam optar justamente pelo desregramento e pela ociosidade, produzindo uma espécie de "marginal" tipicamente carioca do início do século, o malandro. Sem trabalho formal, esse sujeito, vivendo de pequenos expedientes (jogos, carteados, bicho, pequenos golpes, etc) foi cantado de diversas maneiras por inúmeros compositores da nossa música popular [...]



MORAES, José Geraldo V de. Cidade e cultura na Primeira República. São Paulo: Atual, 1994. p. 42-3.



O tema em foco

Observe a tela "Autorretrato em aquarela, numa estalagem, 1816", de Jean-Baptiste Debret.



MORAES, José Geraldo V de. Cidade e cultura na Primeira República. São Paulo: Atual, 1994. p. 42-3.

De olho no vestibular



1. (UFV-2009) Observe a imagem abaixo:




Escravos serradores.

A escravidão urbana, no Brasil do século XIX, apresentou algumas singularidades, quando contrastada com os padrões de organização da escravidão rural. Sobre a escravidão urbana no Brasil, é CORRETO afirmar que:
a) os escravos de ganho, que circulavam livremente pelas cidades realizando tarefas manuais e de ofícios, eram uma de suas mais visíveis manifestações.
b) os proprietários urbanos de escravos detinham um número de escravos muito maior do que nos campos, em função da disponibilidade trazida pelo tráfico negreiro.
c) na ausência de trabalhadores livres, os escravos foram mobilizados para o trabalho nas fábricas nas cidades do litoral.
d) os escravos urbanos tinham chances menores de atingir a liberdade, pois a produtividade do trabalho era muito maior na lavoura cafeeira.

resposta: [A]



2. (UFU 2007) O trecho a seguir, escrito na década de 1850, refere-se à proliferação de anúncios comerciais na mídia escrita e em espaços urbanos do Brasil, especialmente na corte do Rio de Janeiro.
“[...] O anúncio [...] esse agente do industrialismo, esse representante vivo do "make money", triunfa até mesmo nas límpidas esferas onde outrora reinava soberana a inspiração”.
"Novo correio das Modas", ago-set 1854. APUD: MAUAD, Ana Maria. Imagem e autoimagem do Segundo Reinado. In: "História da Vida Privada no Brasil". Vol. 2, São Paulo: Companhia das Letras, 2002. p. 202.
Considerando a citação apresentada e o contexto da época, marque a alternativa INCORRETA.

a) Os anúncios que proliferavam na mídia e nos espaços urbanos do Rio de Janeiro na década de 1850 eram financiados por comerciantes norte-americanos. Tais anúncios faziam propaganda abolicionista, pregavam a respeito da necessidade da industrialização e divulgavam idéias liberais.
b) A década de 1850 representa um momento da História do Brasil em que o liberalismo e os valores burgueses começavam a seduzir setores da elite imperial. Sintomas disso são as primeiras tentativas de industrialização e a construção das primeiras estradas de ferro no Brasil.
c) A partir da década de 1850, o processo de introdução de idéias liberais e valores capitalistas no Brasil imperial foi intensificado. O fim do tráfico negreiro, o desenvolvimento das lavouras de café e o advento da literatura romântica, por exemplo, são alguns fenômenos articulados a esse processo.
d) A ideologia da industrialização, as idéias antiescravistas e o liberalismo, que ganhavam força no Brasil a partir da década de 1850, ora disputavam espaço ora se conjugavam com os valores tradicionais das elites do Império, fundados no ruralismo, nas relações senhoriais, no poder patriarcal, no clientelismo e na distinção social.

resposta:[A]

3. (UFSM) "Minha terra tem palmeiras / Onde canta o sabiá; / As aves que aqui gorjeiam, / Não gorjeiam como lá. // Nosso céu tem mais estrelas, / Nossas várzeas têm mais flores, [...]./ Não permita Deus que eu morra, Sem que eu volte para lá [...]"
("Canção do exílio", de Gonçalves Dias.)

Esses versos, escritos por Gonçalves Dias quando estudava em Coimbra e publicados em livro em 1846, relacionam-se com o seguinte momento da história política brasileira:

a) consolidação do escravismo a partir da exuberância tropical e do Estado imperial.
b) luta pelo estabelecimento de uma sociedade agrária, latifundiária e baseada no trabalho assalariado.
c) manutenção dos vínculos culturais com Portugal e exaltação de aspectos europeus da paisagem americana.
d) construção do Estado nacional brasileiro e formação de uma identidade própria.
e) construção de um passado místico no Brasil, enraizado na figura do seu primitivo habitante: o índio.
resposta:[D]

4. (Fatec 2007) O problema que nós queremos resolver é o de fazer desse composto de senhor e escravo um cidadão. (Joaquim Nabuco, 1883.) Essa frase expressa o anseio
a) por uma divisão racial clara e que deveria ser mantida.
b) por uma reforma agrária imediata.
c) pela liberdade dos indígenas, até então escravizados.
d) por uma sociedade livre e que integrasse os escravos como seus cidadãos.
e) pela liberdade dos escravos e sua deportação para a África.

resposta:[D]

Questões extras





1. (ENEM-2009) O suíço Thomas Davatz chegou a São Paulo em 1855 para trabalhar como colono na fazenda de café Ibicaba, em Campinas. A perspectiva de prosperidade que o atraiu para o Brasil deu lugar a insatisfação e revolta, que ele registrou em livro. Sobre o percurso entre o porto de Santos e o planalto paulista, escreveu Davatz: “As estradas do Brasil, salvo em alguns trechos, são péssimas. Em quase toda parte, falta qualquer espécie de calçamento ou mesmo de saibro. Constam apenas de terra simples, sem nenhum benefício. É fácil prever que nessas estradas não se encontram estalagens e hospedarias como as da Europa. Nas cidades maiores, o viajante pode naturalmente encontrar aposento sofrível; nunca, porém, qualquer coisa de comparável à comodidade que proporciona na Europa qualquer estalagem rural. Tais cidades são, porém, muito poucas na distância que vai de Santos a Ibicaba e que se percorre em cinquenta horas no mínimo”. Em 1867 foi inaugurada a ferrovia ligando Santos a Jundiaí, o que abreviou o tempo de viagem entre o litoral e o planalto para menos de um dia. Nos anos seguintes, foram construídos outros ramais ferroviários que articularam o interior cafeeiro ao porto de exportação, Santos.

DAVATZ, T. Memórias de um colono no Brasil. São Paulo: Livraria Martins, 1941.

O impacto das ferrovias na promoção de projetos de colonização com base em imigrantes europeus foi importante, porque

a) o percurso dos imigrantes até o interior, antes das ferrovias, era feito a pé ou em muares; no entanto, o tempo de viagem era aceitável, uma vez que o café era plantado nas proximidades da capital, São Paulo.
b) a expansão da malha ferroviária pelo interior de São Paulo permitiu que mão-de-obra estrangeira fosse contratada para trabalhar em cafezais de regiões cada vez mais distantes do porto de Santos.
c) o escoamento da produção de café se viu beneficiado pelos aportes de capital, principalmente de colonos italianos, que desejavam melhorar sua situação econômica.
d) os fazendeiros puderam prescindir da mão-de-obra europeia e contrataram trabalhadores brasileiros provenientes de outras regiões para trabalhar em suas plantações.
e) as notícias de terras acessíveis atraíram para São Paulo grande quantidade de imigrantes, que adquiriram vastas propriedades produtivas.
resposta: [B]

2. (UFV-2006) Segundo Renato Ortiz, em meados do século XIX, o movimento romântico brasileiro tentou construir um modelo de
"ser nacional", porém faltavam àqueles escritores condições sociais que lhes possibilitassem discutir de forma mais abrangente a problemática proposta.
(ORTIZ, Renato. Cultura brasileira & identidade nacional. 5. ed. São Paulo: Brasiliense, 1994. p. 37.)
Com base nessa interpretação e nos conhecimentos sobre a sociedade brasileira do século XIX, assinale a afirmativa CORRETA:

a) Os escritores românticos brasileiros fundiam o índio idealizado com o branco de origem europeia, descartando o negro, na tentativa de aproximar o país do padrão europeu de civilização.
b) A pressão exercida pelos abolicionistas contra a escravização de índios e negros fez com que a sociedade brasileira se caracterizasse, desde o período colonial, pela ausência de desigualdades étnicas.
c) A existência de um amplo público leitor no Brasil do século XIX permitiu que os literatos estabelecessem em suas obras uma crítica contundente à dominação exercida pelas elites agrárias.
d) A construção da identidade nacional era uma questão superada em meados do século XIX, uma vez que a colonização portuguesa não criara obstáculos ao desenvolvimento do sentimento de brasilidade.
e) A economia brasileira se caracterizou, desde o período colonial, pela dependência em relação ao mercado europeu, mas em termos artísticos e culturais o país sempre preservou sua soberania.

resposta: [A]








3. (UNIFESP-2009) Tudo compreendeu o meu bom Pancrácio; daí para cá, tenho-lhe despedido alguns pontapés, um ou outro puxão de orelhas, e chamo-lhe besta quando lhe não chamo filho do diabo; cousas todas que ele recebe humildemente, e (Deus me perdoe!) creio que até alegre.



(Machado de Assis. “Bons dias!”, in Obra completa, vol. III. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1986.)

O fragmento é de uma crônica de 19 de maio de 1888, que conta o caso, fictício, de um escravista que se converteu à causa abolicionista poucos dias antes da Lei Áurea e agora se gabava de ter alforriado Pancrácio, seu escravo. O ex-proprietário explica que Pancrácio, além de continuar a apanhar, recebe um salário pequeno. Podemos interpretar tal crônica machadiana como uma representação da:



a) ampla difusão dos ideais abolicionistas no Segundo Império, que apenas formalizou, com a Lei Áurea, o fim do trabalho escravo no Brasil.
b) aceitação rápida e fácil pelos proprietários de escravos das novas relações de trabalho e da necessidade de erradicar qualquer
preconceito racial e social.
c) mudança abrupta provocada pela abolição da escravidão, que trouxe sérios prejuízos para os antigos proprietários e para a produção agrícola.
d) falta de consciência dos escravos para a necessidade de lutar por direitos sociais e pela recuperação de sua identidade africana.
e) persistência da mentalidade escravista, que reproduzia as relações entre senhor e escravo, mesmo após a proclamação da Lei Áurea.

resposta: [E]

sábado, 7 de maio de 2011

Confira o Simulado Notrevest 1 com as questões de História do Brasil

SIMULADO 1 SEGUNDO BIMESTRE



HISTÓRIA DO BRASIL – PRIMEIRO ANO



1. (FGV) Antunes voltou ao capão e transmitiu a seus companheiros as promessas de Bento. Os paulistas saíram dos matos aos poucos, depondo as armas. Muitos não passavam de meninos; outros eram bastante velhos. Sujos, magros, cambaleavam, apoiavam-se em seus companheiros. Estendiam a mão, ajoelhados, suplicando por água e comida. Bento fez com que os paulistas se reunissem numa clareira para receber água e comida. Os emboabas saíram da circunvalação, formando-se em torno dos prisioneiros. Bento deu ordem de fogo. Os paulistas que não morreram pelos tiros foram sacrificados a golpes de espada.

(Ana Miranda, "O retrato do rei")

O texto trata do chamado Capão da Traição, episódio que faz parte da Guerra dos Emboabas, que se constituiu

a) em um conflito opondo paulistas e forasteiros pelo controle das áreas de mineração e tensões relacionadas com o comércio e a especulação de artigos de consumo como a carne de gado, controlada pelos forasteiros.

b) em uma rebelião envolvendo senhores de minas de regiões distantes dos maiores centros - como Vila Rica - que não aceitavam a legislação portuguesa referente à distribuição das datas e a cobrança do dízimo.

c) no primeiro movimento colonial organizado que tinha como principal objetivo separar a região das Minas Gerais do domínio do Rio de Janeiro, assim como da metrópole portuguesa, e que teve a participação de escravos.

d) no mais importante movimento nativista da segunda metade do século XVIII, que envolveu índios cativos, escravos africanos e pequenos mineradores e faiscadores contra a criação das Casas de Fundição.

e) na primeira rebelião ligada aos princípios do liberalismo, pois defendia reformas nas práticas coloniais e exigia que qualquer aumento nos tributos tivesse a garantia de representação política para os colonos.

resposta:[A]

2. (Cesgranrio) No período colonial surgiram várias rebeliões e movimentos de libertação que questionavam a dominação portuguesa sobre o Brasil. A respeito dessas rebeliões, podemos afirmar que:

I - Todos os movimentos de contestação visavam a separação definitiva do Brasil de Portugal.
II - Até a 1ª metade do século XVIII, os movimentos contestatórios exigiam mudanças, mas não o rompimento do estatuto colonial.
III - Desde o final do século XVIII, os movimentos de libertação sofreram a influência do Iluminismo e defendiam o fim do pacto colonial.
IV - A luta pela abolição da escravatura era uma das propostas presentes em basicamente todas as rebeliões.
V - Uma das razões de vários movimentos era o abuso tributário da Coroa portuguesa em relação aos colonos.

Estão corretas as afirmativas:
a) somente I, II e III.
b) somente I, III e V.
c) somente II, III e IV.
d) somente II, III e V.
e) somente III, IV e V

resposta:[D]

3. (ESPM/2009) A coroa criou a Companhia Geral de Comércio do Maranhão, que monopolizaria o comércio da região, tendo, entre outras obrigações, de fornecer 500 escravos negros por ano, durante 20 anos, além de fornecer aos habitantes gêneros alimentícios importados e adquirir tudo o que fosse produzido na região para a exportação.
(Luís César Costa e Leonel Itaussu. História do Brasil)

Contra a ação da Companhia Geral do Comércio do Maranhão ocorreu, no século XVII, a revolta nativista conhecida por:

a) Aclamação de Amador Bueno;
b) Guerra dos Emboabas;
c) Guerra dos Mascates;
d) Revolta de Felipe dos Santos;
e) Revolta de Beckman.

Resposta: [E]


4. (UFRN) A Guerra dos Emboabas, a dos Mascates e a Revolta de Vila Rica, verificadas nas primeiras décadas do século XVIII, podem ser caracterizadas como:


a) movimentos isolados em defesa de idéias liberais, nas diversas capitanias, com a intenção de se criarem governos republicanos;

b) movimentos de defesa das terras brasileiras, que resultaram num sentimento nacionalista, visando à independência política;

c) manifestações de rebeldia localizadas, que contestavam aspectos da política econômica de dominação do governo português;

d) manifestações das camadas populares das regiões envolvidas; contra as elites locais, negando a autoridade do governo metropolitano.

Resposta: [C]

HISTÓRIA DO BRASIL – SEGUNDO ANO


1. (Unifesp) "Será exagero... dizer-se que os colonos se acham sujeitos a uma nova espécie de escravidão, mais vantajosa para os patrões do que a verdadeira, pois recebem os europeus por preços bem mais moderados do que os dos africanos... Sem falar no fato do trabalho dos brancos ser mais proveitoso do que o dos negros?"
(Thomas Davatz, "Memórias de um colono no Brasil", 1854-1857.)

Do texto pode-se afirmar que:

a) denuncia por igual a escravidão de negros e brancos.
b) revela a tentativa do governo de estimular a escravidão branca.
c) indica a razão pela qual fracassou o sistema de parceria.
d) defende que o trabalho escravo é mais produtivo que o livre.
e) ignora o enorme prejuízo que os fazendeiros tiveram com a contratação dos colonos.

resposta:[C]

2. (ENEM)



Um dia, os imigrantes aglomerados na amurada da proa chegavam à fedentina quente de um porto, num silêncio de mato e de febre amarela. Santos. — É aqui! Buenos Aires é aqui! — Tinham trocado o rótulo das bagagens, desciam em fila. Faziam suas necessidades nos trens dos animais onde iam. Jogavam-nos num pavilhão comum em São Paulo. — Buenos Aires é aqui! — Amontoados com trouxas, sanfonas e baús, num carro de bois, que pretos guiavam através do mato por estradas esburacadas, chegavam uma tarde nas senzalas donde acabava de sair o braço escravo. Formavam militarmente nas madrugadas do terreiro homens e mulheres, ante feitores de espingarda ao ombro.

(Oswald de Andrade. Marco Zero II – Chão. Rio de Janeiro: Globo, 1991).

Levando-se em consideração o texto de Oswald de Andrade e a pintura de Antonio Rocco reproduzida acima, relativos à imigração européia para o Brasil, é correto afirmar que

a) a visão da imigração presente na pintura é trágica e, no texto, otimista.
b) a pintura confirma a visão do texto quanto à imigração de argentinos para o Brasil.
c) os dois autores retratam dificuldades dos imigrantes na chegada ao Brasil.
d) Antonio Rocco retrata de forma otimista a imigração, destacando o pioneirismo do imigrante.
e) Oswald de Andrade mostra que a condição de vida do imigrante era melhor que a dos ex-escravos.

Resposta: [C]

3. (PITÁGORAS) O século XIX inicia-se marcado pelas transformações do sistema capitalista mundial, que aos poucos deixava de se basear numa economia comercial e avançava para uma economia industrial. Esse processo vai apresentar modificações no cenário das relações socioeconômicas em vários países, trazendo novas práticas para a obtenção de lucros. Segundo Emília Viotti da Costa, as transformações na economia mundial provocaram uma reavaliação da política de terra, e em diferentes países foram decretadas leis em torno desta questão.
Fonte: http://www.brasilescola.com/historiaab/lei-terras-1850.htm

No Brasil, em 1850, a solução encontrada foi a promulgação da Lei de Terras que teve como CONSEQUÊNCIA a
a) organização de um audacioso projeto de reforma agrária em todo o território nacional.
b) ampliação do número de imigrantes que vieram para receber as terras brasileiras.
c) adoção do sistema de parceria em que negros e mulatos foram expulsos de suas terras.
d) consolidação dos latifúndios, sabendo que essa lei atribuía valor imobiliário às terras.
e) proibição de plantar, em terras brasileiras, qualquer outro produto que não fosse o café.

Resposta: [D]

4. (PITÁGORAS) A política imigratória brasileira na segunda metade do século XIX apresentava o embate entre dois direcionamentos. De um lado, da parte do governo, havia a necessidade de uma nação mais ― “civilizada”, mais ― “branca” e, para tanto, seria conveniente trazer pequenos proprietários que povoassem especialmente o Sul do país, afastando a cobiça dos nossos vizinhos platinos pela região. De outro, havia a necessidade dos grandes proprietários de terra que desejavam perpetuar a agroexportação e que não estavam interessados na introdução de pequenos proprietários; pelo contrário, imigrantes deveriam entrar em larga escala no país para resolver o problema da escassez de escravos, iniciada a partir de 1850, com a proibição de seu tráfico.

Dentre as alternativas a seguir, assinale aquela que apresenta uma consequência da política imigratória que indica que os grandes proprietários conseguiram impor suas regras ao governo imperial.
a) O governo passou a se responsabilizar inteiramente pelas despesas de translado e de assentamento dos imigrantes nos núcleos coloniais.
b) O governo desapropriou terras improdutivas dos grandes latifúndios para disponibilizá-las às levas de imigrantes europeus que entraram no Brasil a partir de 1850.
c) A exemplo dos Estados Unidos, o governo Imperial decretou lei que assegurava a qualquer chefe de família, maior de 21 anos, o acesso às terras públicas desocupadas. Tal fato atraiu milhares de europeus ao Brasil.
d) O Estado brasileiro criou lei que determinava uma associação entre o acesso à terra a um tipo de formação profissional do imigrante que ampliasse de maneira significativa as chances de sucesso do novo empreendimento.
e) A Lei de Terras de 1850, ao tornar públicas todas as terras devolutas e conferir-lhes valor imobiliário, acabou dificultando aos imigrantes o acesso à propriedade da terra.

resposta:[E]

HISTÓRIA DO BRASIL – TERCEIRO ANO

1. (PITÁGORAS) Observe a obra ― Proclamação da Independência, de autoria de François-René Moreaux, pintada em 1844.


A partir da análise da tela, é possível afirmar que essa representação pictórica sugere os seguintes significados:


I. O quadro foi resultado da observação direta do acontecimento histórico retratado. Nele, o príncipe D. Pedro está destacado de seus súditos, é o foco da ação e foi imortalizado como um monarca seguro de si e do país que tinha sob sua responsabilidade.

II. O futuro Imperador do Brasil não foi mostrado como o líder de uma população negra e mestiça. Trata-se da representação de um país branco, uma vez que nela não há negros ou indígenas.

III. A imagem foi construída com o propósito de esvaziar a participação das elites agrárias e mercantis no processo de independência, colaborando para reforçar o mito de que a independência teria sido fruto da ação individual de D. Pedro.

IV. o pintor não esteve a serviço da versão das elites cariocas acerca da emancipação e do Império; sua preocupação maior foi representar o povo como participante ativo, sempre disposto a saudar o ato memorável de D. Pedro.

Está(ao) CORRETA(S)

a) I e II.
b) I e III.
c) II e III.
d) II e IV.
e) III e IV.

resposta: [C]

2. (UFRRJ) Leia os textos a seguir, reflita e responda.

Após a Independência política do Brasil, em 1822, era necessário organizar o novo Estado, fazendo leis e regulamentando a administração por meio de uma Constituição. Para tanto, reuniu-se em maio de 1823, uma Assembléia Constituinte composta por 90 deputados pertencentes à aristocracia rural.(...) Na abertura dos trabalhos, o Imperador D. Pedro I revelou sua posição autoritária, comprometendo-se a defender a futura Constituição desde que ela fosse digna do Brasil e dele próprio.

VICENTINO, C; DORIGO, G. "História Geral do Brasil." São Paulo: Scipione, 2001.

A Independência política do Brasil, em 1822, foi cercada de divergências, entre elas, o desagrado do Imperador com a possibilidade, prevista no projeto constitucional, de o seu poder vir a ser limitado, o que resultou no fechamento da Constituinte em novembro de 1823. Uma comissão, então, foi nomeada por D. Pedro I para elaborar um novo projeto constitucional, outorgado por este imperador, em 25 de março de 1824.

Em relação à Constituição Imperial, de 1824, é correto afirmar que nela

a) foi consagrada a extinção do tráfico de escravos, devido à pressão da sociedade liberal do Rio de Janeiro.
b) foi introduzido o sufrágio universal, somente para os homens maiores de 18 anos e alfabetizados, mantendo a exigência do voto secreto.
c) foi abolido o padroado, assegurando ampla liberdade religiosa a todos os brasileiros natos, limitando os cultos religiosos aos seus templos.
d) o poder moderador era atribuição exclusiva do Imperador, conferindo a ele, proeminência sobre os demais poderes.
e) o poder executivo seria exercido pelos ministros de Estado, tendo estes total controle sobre o poder moderador.

resposta:[D]


3. (ENEM) Constituição de 1824:

“Art. 98. O Poder Moderador é a chave de toda a organização política, e é delegado privativamente ao Imperador (…) para que incessantemente vele sobre a manutenção da Independência, equilíbrio, e harmonia dos demais poderes políticos (...) dissolvendo a Câmara dos Deputados nos casos em que o exigir a salvação do Estado.”

Frei Caneca:

“O Poder Moderador da nova invenção maquiavélica é a chave mestra da opressão da nação brasileira e o garrote mais forte da liberdade dos povos. Por ele, o imperador pode dissolver a Câmara dos Deputados, que é a representante do povo, ficando sempre no gozo de seus direitos o Senado, que é o representante dos apaniguados do imperador.”
(Voto sobre o juramento do projeto de Constituição)

Para Frei Caneca, o Poder Moderador definido pela Constituição outorgada pelo Imperador em 1824 era

a) adequado ao funcionamento de uma monarquia constitucional, pois os senadores eram escolhidos pelo Imperador.
b) eficaz e responsável pela liberdade dos povos, porque garantia a representação da sociedade nas duas esferas do poder legislativo.
c) arbitrário, porque permitia ao Imperador dissolver a Câmara dos Deputados, o poder representativo da sociedade.
d) neutro e fraco, especialmente nos momentos de crise, pois era incapaz de controlar os deputados representantes da Nação.
e) capaz de responder às exigências políticas da nação, pois supria as deficiências da representação política.

Letra: [C]


4. (FGV/2009)
Observe o quadro.

(Flavio de Campos e Miriam Dolhnikoff, Atlas História do Brasil)


O quadro apresenta

a) as transformações institucionais originárias da reforma constitucional de 1834, chamada de Ato Adicional.
b) a mais importante reforma constitucional do Brasil monárquico, com a instituição da eleição direta a partir de 1850.
c) a reorganização do poder político, determinada pela efetivação do Brasil como Reino Unido a Portugal e Algarves, em 1815.
d) a organização de um parlamentarismo às avessas, em que as principais decisões derivavam do poder legislativo.
e) a organização do Estado brasileiro, segundo as determinações da Constituição outorgada de 1824.
resposta: [E]


5. (PITÁGORAS) Leia os trechos sobre as revoltas regenciais no Brasil durante o período imperial.


Trecho 01 Trecho 02



Ocorreu no Maranhão em dezembro de 1838 e foi liderada pelos liberais que eram contrários aos abusos da oligarquia local. Os rebeldes chegaram a tomar a Vila de Caxias, a segunda mais importante da província, mas foram derrotados pelas tropas governamentais, após dois anos de lutas sangrentas.



Ocorreu em Salvador, no ano de 1835. Mais de 50% da população da cidade era composta de negros que viviam em péssimas condições, mesmo os libertos. O objetivo da revolta era libertar os negros e massacrar os brancos e mulatos, esses últimos considerados traidores. Os negros foram derrotados pelas forças do governo.





Os trechos se referem , RESPECTIVAMENTE, às seguintes revoltas:

a) Sabinada e Cabanagem.
b) Revolta dos Malês e Balaiada.
c) Balaiada e Sabinada.
d) Cabanagem e Revolta dos Malês.
e) Balaiada e Revolta dos Malês.

resposta: [E]