quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

O coronel e o lobisomem

O coronel e o lobisomem – trecho para análise:

José Atanásio

“Num repente, relembrei estar em noite de lobisomem – era sexta-feira. (...)

Já um estirão era andado quando, numa roça de mandioca, adveio aquele figurão de cachorro, uma peça de vinte palmos de pêlo e raiva. (...)

Dei um pulo de cabrito e preparado estava para a guerra do lobisomem. Por descargo de consciência, do que nem carecia, chamei os santos de que sou devocioneiro:

- São Jorge, Santo Onofre, São José!

Em presença de tal apelação, mais brabento apareceu a peste. Ciscava o chão de soltar terra e macega no longe de dez braças ou mais. Era trabalho de gelar qualquer cristão que não levasse o nome de Ponciano de Azevedo Furtado. Dos olhos do lobisomem pingava labareda, em risco de contaminar de fogo o verdal adjacente. Tanta chispa largava o penitente, que um caçador de paca, estando em distância de bom respeito, cuidou que o mato estivesse ardendo. Já nessa altura eu tinha pegado a segurança de uma figueira, no galho mais firme, aguardava a deliberação do lobisomem. Garrucha engatilhada, só pedia que o assombrado desse franquia de tiro. Sabidão, cheio de voltas e negaças, deu ele de fazer macaquices que nunca cuidei que um lobisomem pudesse fazer. Aquele par de brasas espiava aqui e lá na esperança de que eu pensasse ser uma súcia deles e não uma pessoa sozinha. O que o galhofista queria é que eu, coronel de ânimo desenfreado, fosse para o barro denegrir a farda e deslustrar a patente. Sujeito especial em lobisomem como eu não ia cair em armadilha de pouco pau. No alto da figueira estava, no alto da figueira fiquei.”

(CARVALHO, José Cândido de. O coronel e o lobisomem; deixados do Ofício Superior da Guerra Nacional, Ponciano de Azevedo Furtado, natural da praça de Campos dos Goitacazes, 20, ed. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1976, p.178-9.)

Memória da Narrativa

Dizem que lobisomem seria uma criatura lendária, um homem que, de quando em quando, transforma-se em lobo, ficando maior e mais forte que o canino e ávido por carne humana. A hipertricose (aumento da espessura do pêlo do corpo), uma doença rara, poderia ocasionar boa parte das visões de lobisomens (uma mistura de lobo e de homem) na idade média.

Há várias histórias em todo o mundo sobre essa fera da criptozoologia. Uma delas é a do Lobisomem em Campos dos Goitacazes, narrada por João Oliveira: “... na localidade de Baixa Grande, zona rural de Campos dos Goitacazes, RJ, um vigia da Usina Baixa Grande matou com um tiro certeiro um enorme animal que rondava a Usina. Com medo de que o animal ainda estivesse vivo, não se aproximou. Chamou um policial de plantão num posto policial próximo. Qual a sua surpresa, ao descobrir que o enorme animal nada mais era que um morador local, de 68 anos, um cidadão que há anos residia sozinho, um sujeito esquisito e de pouco conversa. Esse fato, além de verdadeiro, tem algo assustador: o policial afirma que, ao chegar no local, ainda viu as mãos do lobisomem voltar à forma natural humana. E mais, com vários depoimentos tomados no local, de pessoas que juravam haver visto por anos a presença de tal entidade, as autoridades arquivaram o caso, pois ficou comprovado que o vigia havia realmente matado um lobisomem."

José Cândido de Carvalho (1914-1989) – natural de Campos dos Goitacazes, no norte do Rio de Janeiro – é dono de um estilo absolutamente inconfundível ao retratar personagens e situações burlescas que nos levam ao riso solto, seguido de um certo impacto que nos faz refletir sobre nossa sociedade, nosso país. O coronel e o lobisomem, publicado em 1964, é tido pela crítica como uma das obras-primas do moderno romance brasileiro, a qual foi levada para as telas de cinema nos tempos recentes. Descontraído, José Cândido procura se expressar de forma clara e objetiva, sem perder o tom hilariante de uma boa prosa. Para que sua narrativa se fixe na idéia inconfundível de uma boa e interessante história, ele usa recursos expressivos, exigidos pela razão lógica (sintática), representados pela expressão gráfica da respiração na frase, das suspensões, dos movimentos da voz. Sua linguagem é simples, criativa (inventiva) e coloquial.

Possuidor de um forte poder de reavivar palavras e ressuscitar verbetes de expressão popular, a plástica de sua narrativa se torna agradável e dá novo sentido a palavras que parecem ser bizarras na oralidade cotidiana. Em O coronel e o lobisomem, Cândido narra um confronto de um militar com um exótico animal, que por crendice popular teria fincado pés nas paragens de sua terra natal. Ao descrever as peripécias do coronel Ponciano, como se quisesse fazer parte da história dele, José Cândido enaltece as bravatas do militar e o coloca na condição de destemido, porém, com desfecho hilariante. Isso porque o coronel nem sempre age de acordo com a preparação militar que diz haver recebido, mas foge de qualquer enfrentamento, com a impressão de ser estrategista e mais audacioso que a lendária besta.

Criação literária

Sua narrativa incomum chamou a atenção de grandes escritores. Veja, por exemplo, o comentário de Raquel de Queiroz sobre a obra de José Cândido de Carvalho:

“E tem mais: se a criação literária de JCC é importante, importantíssimo igualmente é o homem na sua linguagem. De tal jeito importante que não sei de ninguém, no momento, que renove o idioma como o renova ele. Vira e revira a língua, arrevesa as palavras, bota-lhes rabo e chifre de sufixos e prefixos, todos funcionando para uma complementação especial de sentidos, sendo, porém, que nenhuma provém de fonte erudita, ou não falada: nenhum é pedante ou difícil, tudo correntio, tudo gostoso, nascido de parto natural, diferente só para maior boniteza ou acuidade específica. No léxico de Zé Cândido não aparece uma palavra que não seja possível; se ela não havia até aqui, estava fazendo falta. No mais, o que ele faz principalmente é usar a palavra no sentido novo, ou imprevisto, ou desacostumado. Mas no cabo fica tudo tão bem encartadinho e num dizer tão fiel da idéia que se destina a exprimir, que a gente fica pensando por que é que já não se dizia aquilo assim, antes.”

É importante notar a relação apontada por Raquel entre rabo e chifre e prefixos e sufixos. Nesse simpático e descontraído texto de uma das mais brilhantes romancistas da engajada literatura brasileira dos anos 30, Raquel usa dos mesmos recursos estilísticos de JCC para mencionar os afixos gramaticais. Rabos e chifres são respectivas metáforas de sufixos e prefixos. O sufixo é comparado a um rabo por se agregar ao final de uma palavra; o prefixo, a um chifre, por anteceder ao radical de uma palavra.

Mas Raquel não pára por aí. Outra observação importante é que na visão dela as palavras de Zé Cândido não provêm de “fonte erudita ou não falada”. Diante de tal afirmação, sugere que tais verbetes provêm de fonte popular ou da tradição oral. Com isso, ela apresenta duas possibilidades de criação da palavra: uma ligada à forma, outra ligada ao contexto. Ao criar sentido novo para palavras antigas, JCC explora o uso incomum de certos verbetes. É nesse sentido que se pode afirmar que Cândido é um grande explorador de neologismos em sua obra. O texto é rico em neologismo porque explora a criação de uma palavra pelo acréscimo de rabo e chifre (sufixo e prefixo), pela junção de radicais ou de elemento de composição ou por seu uso com um sentido novo, ou imprevisto ou desacostumado, como enfatiza a romancista. É importante salientar que o acréscimo de afixos ou a junção de radicais trabalha com as formas das palavras; já o sentido novo depende do contexto em que a palavra é empregada.

Segundo Raquel de Queiroz, o resultado desse trabalho com a linguagem é muito bom, a tal ponto que ficamos pensando “por que é que já não se dizia aquilo assim, antes”. Essa sensação que o novo provoca nos leitores mais atentos é o que determina o verdadeiro valor do neologismo lingüístico. Para que isso faça sentido, a principal qualidade que um neologismo deve apresentar para atingir esse objetivo é a existência de um perfeito casamento entre a palavra e o que ela exprime. Ou seja, provocar a sensação da plena compreensão do assunto, ao fazer uso de palavras com um dizer tão fiel da idéia que se destina a exprimir. Diante do valor desses neologismos ficamos tão tentados a exercer o direito de empregá-los, que a própria Raquel de Queiroz, talvez envolvida pela linguagem de José Cândido, em duas palavras, faz uso de sufixos para potencializar a expressividade de suas observações sobre o recurso do autor: boniteza e encartadinho. É brilhante a forma como ela se expressa ao dizer encartadinho, ao invés de dizer “muito bem encartado”, do mesmo modo que pertinho significa “muito perto”.

Expressividade do texto

A oralidade possui diferentes recursos para expressar uma idéia que vai além das formas gramaticais. Quando o enunciatário transmite sua mensagem de forma oral, utiliza palavras escolhidas na memória presente e as organiza para dar maior expressividade ao tema enunciado. Flexível, a função oral permite inserir no discurso alguns artifícios que propiciam a boa comunicação, ou seja, recursos como o olhar, o tom de voz, os gestos, as pausas, a entonação.

Já a comunicação escrita é mais limitada, sem poder recorrer a esses recursos expressivos corporais. Para que a narrativa seja mais apropriada ao sentido do enredo e mais bem comunicada, a escrita se vale de outros recursos mais adequados aos símbolos lingüísticos, já que não pode amparar-se nos recursos da fala. Como contribuição para a boa organização das frases, dos períodos, das idéias enfim, entram em cena componentes muito especiais: os sinais de pontuação, que determinam a expressividade do texto.

Celso Pedro Luft, em A vírgula – considerações sobre o seu ensino e o seu emprego –, assim fala sobre a pontuação da língua portuguesa: “A nossa língua portuguesa – a pontuação em língua portuguesa – obedece a critérios sintáticos e não prosódicos. Sempre é importante lembrar isso a todos aqueles que escrevem para que se previnam de bisonhas vírgulas de ouvidos. Essa ligação entre pausa e vírgula deve ser a responsável pela maioria dos erros de pontuação. E penso que está na hora de desligar as duas coisas. No entanto, mesmo em gramáticas recentes, e de autores bem conceituados, persiste a ilusão. Quantas vezes fazemos pausa entre sujeito e verbo, entre verbo e complemento. E no entanto é elementar que nessas estruturas não cabe vírgula. Por quê? Porque a nossa virgulação é de base sintática, e não separa o que é sintaticamente ligado.”

Para enriquecer as qualidades do lobisomem, por exemplo, o narrador usa muito o recurso das vírgulas, para separa os apostos. Três trechos demonstram isso com clareza: “Adveio aquele figurão de cachorro, uma peça de vinte palmos de pêlo e raiva.”, “... quando, numa roça de mandioca, adveio aquele figurão de cachorro...”, e “O que o galhofista queria é que eu, coronel de ânimo desenfreado, fosse para o barro...”. Também, a função da vírgula no último período do texto “No alto da figueira estava, no alto da figueira fiquei.” serve para separar duas orações de estruturas semelhantes. Aliás, essa construção enfatiza a intenção de o coronel permanecer onde bem estava.

Outro exemplo do uso de pontuação expressiva no texto, demarcado pelo ponto de exclamação, está no trecho em que ele invoca os santos dos quais é devoto: “- São Jorge, Santo Onofre, São José!”.

Marcadores da narrativa e da oralidade

Há muito, muito mesmo de oralidade no texto. A bem da verdade ele é rico em recursos prosódicos, pois são bravatas, episódios bizarros, nos quais o coronel esteve envolvido, em franco desafio ao seu preparo militar. As referências que ele faz ao lobisomem, como “peste, penitente, sabidão, assombrado” são marcações claras da oralidade, no caso de quem conta uma história. Como se contasse uma anedota, ele não se preocupa em manter o paralelo dos codinomes; em um dado momento, ele trata a besta de pessoa, ao dizer “... uma súcia deles e não uma pessoa sozinha”.

As comparações também são características da oralidade e foram empregadas pelo autor para enriquecer as ilustrações das imagens que ele procura formar na cabeça do interlocutor. “Dei um pulo de cabrito”, uma forma descontraída de dizer que se desviou ou se distancio; “Era trabalho de gelar qualquer cristão”, como algo assustador; “Cheio de voltas e negaças”, no sentido de esquivar-se. “Deu ele de executar macaquices”, como mudança de hábito, em movimentos bruscos. E daí por diante.

O tempo é bem apropriado ao texto, com o objetivo de criar o clima de suspense. Diz a lenda que o lobisomem se transforma numa noite de lua cheia, na terça-feira ou na sexta-feira. Na instância da narrativa observamos uma clara indicação de tempo no início do trecho “Num repente, relembrei estar em noite de lobisomem – era sexta-feira”. Quanto ao espaço, a ambientação em cenário rural se revela adequada ao fato narrado: “Já um estirão era andado quando, numa roça de mandioca,...”. O que se percebe é que o coronel perseguiu o lobisomem por um bom tempo (“Já um estirão era andado...”), até encontrá-lo num ambiente campestre, longe da cidade. Em Goitacazes as narrativas da aparição do lobisomem sempre fizeram referências a uma região rural, afastada da cidade.

O narrador é o próprio personagem, que se defronta com o lobisomem e se apresenta no trecho “Era trabalho de gelar qualquer cristão que não levasse o nome de Ponciano de Azevedo Furtado”. A apresentação é feita na terceira pessoa, porque há um claro interesse de autovaorização; o personagem apresenta-se dando o nome completo, o que demonstra ser pessoa de família importante (não se trata de qualquer cristão, é Ponciano de Azevedo Furtado). No início do livro, Ponciano deixa claro ter origem de família rica e importante: “Herdei do meu avô Simeão terras de muitas medidas, gado do mais gordo, pasto do mais fino.”.

Da instância lexical

Além do neologismo e da transformação de palavras, podemos destacar pelo menos quatro palavras no texto em que os sufixos funcionam para “uma complementação especial de sentido”: devocioneiro, brabento, galhofista e verdal, ambas com sufixos distintos entre si. Devocioneiro = devoto (o sufixo –eiro indica profissão, ofício, ocupação, como em barbeiro, carteiro, porteiro). Brabento = brabo (o sufixo –ento significa “provido ou cheio de”, como em ciumento, avarento, barulhento. Galhofista = galhofeiro, gozador, brincalhão (o sufixo –ista indica ocupação, ofício, prática, como em motorista, tenista, violonista). Verdal, cujo sinônimo mais próximo seria matagal (o sufixo –al indica quantidade, cultura de vegetais, como em areal, em bananal, em arrozal).

Do ponto de vista da transformação destacamos uma sutil e rica substituição do verbo cuidar, empregada na frase “... cuidou que o mato estivesse ardendo”. O sentido aqui empregado é o mesmo que empregou Camões no quarto verso da segunda estrofe do seu mais expressivo soneto sobre o Amor “É cuidar que se ganha em se perder”. Distante da compreensão denotativa para “atentar, preocupar-se, prestar atenção, tomar cuidado, vigiar”, cuidar foi empregado como verbo transitivo direto, no sentido de supor, julgar. É possível dizer que a escolha vocabular é um elemento de composição do personagem, pois mostra a formação e a origem dele (região do país, poder, autovalorização, humor, tendência ao exagero etc.).

Ainda sobre o artifício dos sentidos contrários, vemos no trecho “Sujeito especial em lobisomem como eu não ia cair em armadilha de pouco pau” o uso adequado de palavras com mudança de significados, porém, próximas da idéia que se transmite. Especial, por exemplo, significa “característico, exclusivo, peculiar, particular, privado etc”. Nesse caso foi empregado como especialista, conhecedor, uma atribuição particular do estado de conhecimento do indivíduo. Como o radical é o mesmo, a idéia é transmitida e bem compreendida, embora a palavra empregada seja outra. Armadilha de pouco pau nos remete à idéia de dificuldade de baixa complexidade, ou seja, dificuldade fácil de contornar, de escapar. Por isso, por ser ele um especialista em assuntos de defesa (militar) não cairia na estratégia do lobisomem de o fazer pensar que a besta estava em bando, para intimidar o “valente” coronel.

Os recursos expressivos do texto

O autor usa de alguns recursos estilísticos expressivos para enriquecer a história de heroísmo do coronel. Ele faz uma apresentação hiperbólica do lobisomem, como se quisesse enaltecer as qualidades do adversário, para elevar a condição de superioridade de Ponciano diante dos campeiros. Ao introduzir o adversário, ele se refere a “... figurão de cachorro, uma peça de vinte palmos de pelo e raiva...”, “Ciscava o chão de soltar terra e macega no longo de dez braças ou mais.”, “Dos olhos do lobisomem pingava labareda...”, “Tanta chispa largava o penitente...”, “... queria que eu pensasse ser uma súcia deles...”. A intenção de Ponciano era fazer crer que estava diante de um animal contra o qual nenhum mortal teria coragem de levantar-se, do qual ele não temia. Mas seu medo fica evidente no seguinte trecho: “Já nessa altura eu tinha pegado a segurança de uma figueira”. Ele leva um susto de medo, mas diz “dei um pulo de cabrito”, para atenuar seu temor. E para dizer que isso não significava tanto, ressalva que “preparado estava para a guerra do lobisomem”. Todavia, “no alto da figueira estava, no alto da figueira fiquei.”.

Como recurso para não revelar esse sentimento inferior, apesar de apresentar o lobisomem como um ser aterrorizador, uma figura assustadora, ele se valoriza, diminui os atributos do animal, para engrandecer-se, e até cria uma intenção para o lobisomem em querer enredá-lo em uma armadilha: “O que o galhofista queria é que eu, coronel de ânimo desenfreado, fosse para o barro denegrir a farda e deslustrar a patente. Sujeito especial em lobisomem como eu não ia cair em armadilha de pouco pau”. Essa seria uma justificativa para ele não descer do galho e enfrentar o animal.

Enfim, ao usar de variedades para chamar o lobisomem de “Figurão de cachorro” (da família de caninos), “a peste” (como aquilo que age para contaminar os outros), “o penitente” (que carrega maldição consigo, ou que penitencia), “o assombrado” (decorrente de uma maldição), “o galhofista” (que é dado a brincadeiras e zombetearias), o narrador procura produzir no texto o efeito de mostrar ao interlocutor as muitas facetas do animal, detalhes assustadores e surpreendentes, além de emprestar ao caso um sabor especial.

Conclusão do ponto de vista estilístico.

O texto fala do encontro do coronel com um lobisomem. O narrador é o próprio coronel, que ao falar de si mesmo, introduz seu nome completo. Ao usar a terceira pessoa em lugar da primeira ressalta não sua pessoa, mas a personagem que encarna o coronel valente, que enfrentaria uma fera, cuja guerra não seria para qualquer cristão, mas, sim, para Ponciano de Azevedo Furtado.

O léxico é bem planejado e se posiciona em dois eixos: o da Hipérbole (com relação ao animal) e o do eufemismo (com relação ao coronel). O narrador exagera os atributos do animal que enfrentaria. Expressões como “... figurão de cachorro, uma peça de vinte palmos de pelo e raiva...”, “Ciscava o chão de soltar terra e macega no longo de dez braças ou mais.”, “Dos olhos do lobisomem pingava labareda...”, “Tanta chispa largava o penitente...”, “... queria que eu pensasse ser uma súcia deles...” enfatizavam a dimensão de perigo que oferecia seu oponente, de quem ele dizia não ter medo, porém, sua fuga era uma estratégia de preparo militar.

Sua condição, porém, é tratada de forma diferente. Usa um conjunto de eufemismo ao falar de sua atitude diante do animal, para emprestar ao caso um sabor especial de coragem e valentia. Ele se assusta, mas diz que foi um reflexo de “um pulo de cabrito”. Procura não demonstrar medo, mas “Por descargo de consciência, do que nem carecia, chamei os santos de que sou devocioneiro”. Ao ver os artifícios do lobisomem, ele sobe em uma figueira e lá no alto fica, com a intenção de não sair.

Outro recurso sintático empregado para dar expressividade ao texto é a vírgula. Bem colocada, a vírgula tem o papel de enriquecer as qualidades do lobisomem, principalmente por meio da separação do aposto. Sem falar no exemplo do uso de pontuação expressiva no texto (demarcado pelo ponto de exclamação), contido no trecho em que ele invoca os santos dos quais é devoto: “- São Jorge, Santo Onofre, São José!”.

José Candido de Carvalho usa uma linguagem corrente, agradável e de fácil assimilação. Os verbetes empregados são de origembastante popular, com algumas alterações na forma natural, provocadas pelo emprego de sufixos e prefixos, que funcionam como “uma complementação especial de sentido”. Isso reforça a condição do emprego de neologismo ao longo de todo o texto. Segundo Raquel de Queiroz, o resultado desse trabalho com a linguagem é muito bom, a tal ponto que ficamos pensando “por que é que já não se dizia aquilo assim, antes”.

fonte: http://www.mundocultural.com.br/

CNDL PRIMEIRO ANO
HISTÓRIA DO BRASIL
CAPÍTULO 1
A POLÍTICA COLONIZADORA
COLONIZAÇÃO DO BRASIL




Além da defesa do território, a colonização do Brasil teve outra finalidade: transformar a colônia num empreendimento lucrativo para Portugal.


Durante o reinado de Dom João III (1521-1557), o comércio português na Índia entrou em crise, em virtude da concorrência de outras nações européias, principalmente da Holanda e da Inglaterra. Ao mesmo tempo, as enormes despesas com a montagem e a manutenção do império português na África e na Ásia - construção de navios, pagamento de tripulações, edificação de fortalezas etc. - arruinaram as finanças do país. Nessa situação, tornava-se urgente o aproveitamento do Brasil, até então pouco lucrativo. Por outro lado, os portugueses esperavam encontrar metais preciosos, incentivados pelas notícias da descoberta de grandes jazidas de ouro e prata na América espanhola.

A expedição de Martim Afonso de Souza
Em 1530, Dom João III enviou ao Brasil a expedição de Martim Afonso de Sousa, cujos principais objetivos eram verificar a existência de metais preciosos, explorar e patrulhar o litoral e estabelecer os fundamentos da colonização do Brasil. Martim Afonso tinha poderes para nomear autoridades e distribuir terras às pessoas que quisessem permanecer aqui para desempenhar essa missão.


Martim Afonso percorreu quase todo o litoral brasileiro. De Pernambuco, enviou dois barcos para explorar o litoral norte; organizou expedições rumo ao sertão, partindo de Cabo Frio e de Cananéia; chegou até a foz do rio da Prata e depois retornou ao litoral paulista, onde fundou a vila de São Vicente (1532). Ali se organizaram alguns povoados, iniciou-se o plantio da cana e foram construídos os primeiros engenhos da colônia. Começava assim a colonização efetiva do Brasil, apoiada na produção de açúcar para o mercado externo.

Descobrimento do Brasil
Pouco depois do retorno de Vasco da Gama a Portugal, o Rei Dom Manuel, o Venturoso, mandou organizar uma esquadra com o objetivo de garantir a supremacia portuguesa na Índia. Outra finalidade da expedição era difundir a religião cristã entre os pagãos.


A esquadra, a maior até então organizada em Portugal, era composta de treze navios e tinha uma tripulação de aproximadamente 1200 homens. Para comandá-la, o rei escolheu Pedro Álvares Cabral, fidalgo de uma das mais tradicionais famílias portuguesas.

Fonte: www.brasilescola.com




Conheça as características da expedição de Martim Afonso de Souza



Martim Afonso de Souza deu início à colonização efetiva do Brasil em 1530 e fundou a vila de São Vicente, em 1532.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Conheça a história do cacique Tibiriça

Tibiriçá foi o primeiro índio a ser catequizado pelo padre José de Anchieta. Foi convertido e batizado pelos jesuítas José de Anchieta e Leonardo Nunes. Seu nome de batismo cristão foi Martim Afonso, em homenagem ao fundador de São Vicente. Sua data de nascimento é calculada em 1440. Seus restos mortais encontram-se na cripta da Catedral da Sé, na cidade de São Paulo.

"Maioral" ou "Vigilância da Terra", na língua Tupi, Cacique guaianás ou tupi, sendo divergentes nesse ponto as opiniões dos historiadores. Chefe de uma parte da nação indígena estabelecida nos campos de Piratininga, com sede na aldeia de Inhampuambuçu. Irmão de Piquerobi e de Caiubi, índios que salientaram durante a colonização do Brasil, o primeiro como inimigo e o segundo como grande colaborador dos jesuítas.

Teve muitos filhos. Com a índia Potira , teve Ítalo, Ará, Pirijá, Aratá, Toruí e Bartira. A índia Bartira, viria a ser mulher de João Ramalho, de quem era grande amigo e a pedido do qual defendeu os portugueses quando chegaram a São Vicente.

Em 1554, acompanhou Manuel da Nóbrega e Anchieta na obra da fundação de São Paulo, e estabeleceu-se no local onde hoje se encontra o mosteiro de São Bento, espalhando seus índios pelas imediações. A atual rua de São Bento era por esse motivo chamada primitivamente Martim Afonso (nome que fora batizado o cacique). Graças à sua influência, os jesuítas puderam agrupar as primeiras cabanas de neófitos nas proximidades do colégio. Tibiriça deu aos jesuítas a maior prova de fidelidade, a 9 de Julho de 1562 ( e não 10 como habitualmente se escreve), quando, levantando a bandeira e uma espada de pau pintada e enfeitada de diversas cores, repeliu com bravura o ataque à vila de São Paulo, efetuado pelos índios tupi, guaianás e carijós, chefiados por seu sobrinho (filho de Piquerobi) Jagoanharo.


Em 1580, Susana Dias, sua neta, fundou uma fazenda à beira do Rio Tietê, a oeste da cidade de São Paulo, próximo à cachoeira denominada pelos indígenas de "Parnaíba": hoje, é a cidade de Santana do Parnaíba.

Referências
DE LUCA, Roberto Ribeiro, Ascendentes e Descendentes do Alferes Joaquim Franco de Camargo e Maria Lourença de Moraes Edicon, s/d. pp. 117-118;
RODRIGUES, Edith Porchat. Informações Históricas sobre São Paulo no Século de sua Fundação, Martins Editora, 1954, pp. 142-143.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Saiba mais sobre o Realismo e sobre o Naturalismo

O professor Zé Carlos Bastos, do EducaBahia, faz uma abordagem a respeito das característas principais destas duas escolas literárias.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

domingo, 9 de janeiro de 2011


Relembre frases que marcaram a história do Brasil



Muitas das frases mais notáveis da história do país foram criadas ou citadas por escritores e políticos. Jornalistas e historiadores comentam algumas das mais conhecidas.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011




Sem Lula
Por Bernardo Ricupero
cientista político e professor do Departamento de Ciência Política da USP





As últimas semanas do governo Lula corresponderam à consagração definitiva do ex-líder sindical. Foi-se num crescendo, onde vale destacar o discurso de final de ano do ainda presidente: o batismo pela Petrobrás de um campo de petróleo de Lula. O clímax desse processo foi a posse de Dilma Rousseff. Não por acaso, o governo Lula atingiu 87% de aprovação, índice inédito desde que esse tipo de pesquisa começou a ser realizado.

Como é natural, os diferentes discursos proferidos por Lula e Dilma realizaram uma espécie de balanço dos últimos oito anos, além da nova presidenta indicar diretrizes para o futuro. É interessante que, ao avaliarem a “era Lula”, não destacaram apenas as realizações econômicas – como o crescimento de quase 8% esse ano – e os feitos sociais – principalmente a redução da pobreza – mas a recuperação da confiança do brasileiro.

Ou seja, um dos principais méritos do último governo não teria propriamente cor política, não sendo o resultado de uma orientação de esquerda ou de direita, mas seria, em boa medida, o resultado da capacidade de Lula liderar e inspirar seus concidadãos. Significativamente, um governo que não tinha nada de esquerdista, o de Ronald Reagan, gostava de se apresentar como aquele que tinha recuperado a autoestima dos EUA depois do fiasco da Guerra do Vietnã, também, em grande parte, devido às qualidades do ex-presidente.

Os discursos, como é comum nessas ocasiões, fornecem diversos outros exemplos de apelos não políticos. Entre eles, vale ressaltar as seguidas referências à família, bastante estranhas à tradição de esquerda. A imagem sugerida a respeito do presidente é de uma espécie de chefe de família, cioso pelo destino de seus filhos e filhas.

Mais importante, a auto-avaliação daqueles que estiveram à frente do governo nos últimos anos destacou a importância de Lula. Tal representação não deixa de contrastar com a primeira eleição do metalúrgico, em 2002, quando o triunfo foi encarado como igualmente, se não, como principalmente do PT.

Nessa referência, talvez se pudesse tomar os últimos dias do governo Lula como a culminação do que foi chamado de lulismo, fenômeno que é identificado principalmente com a progressiva desvinculação de Lula do PT. Nessa mudança, a crise do “mensalão” e a desilusão por ela provocada teriam sido decisivas.

O lulismo não se reduz, entretanto, à autonomização de Lula do PT. Há outras implicações relevantes, uma delas, como indicou quem melhor o estudou, o cientista político André Singer, o apoio ao ex-presidente e a seu partido já não vem tanto dos setores organizados, mas de um subproletaridado. A partir daí, abre-se caminho para a aproximação do lulismo com o getulismo, já que a liderança dos dois presidentes apoiou-se, em grande parte, na relação direta com as massas.

É sintomático no discurso de despedida de Lula a referência implícita à carta testamento de Getúlio. No entanto, sugere-se uma quase inversão, o governante não mais saindo “da vida para entrar na História”, mas saindo do “governo para viver a vida das ruas”. No mesmo sentido, a resolução indicada no discurso do ex-presidente, de continuar a viver “no coração do povo”, foi literalmente realizada na posse da sua sucessora, quando, numa imagem forte, o já cidadão comum desceu a rampa do Palácio do Planalto e se confundiu com a multidão.

A relação do lulismo com o getulismo é, porém, mais complexa do que se pode imaginar. Se, por um lado, há continuidade no estilo das duas lideranças, por outro lado, não menos significativas são as mudanças sociais e políticas ocorridas entre seus governos.

Na verdade, há, como tem indicado Luiz Werneck Vianna, uma certa ironia em que Lula e o PT no governo se assemelhem a Getúlio e ao PTB. Até porque o partido, que surgiu das greves do ABC do final dos anos 1970, teve como base programática inicial a crítica ao populismo, que impediria as classes de representarem diretamente seus interesses. Em compensação, a eleição de Lula, já em 2002, é indicativa de transformações profundas no Brasil, que tornaram possível a vitória de um partido com forte apoio nos movimentos sociais surgidos desde o fim da ditadura.


Mesmo durante os anos Lula, além do crescente apoio do subproletariado, o governo não deixou de contar com a sustentação, por vezes resignada, dos movimentos sociais. Não por acaso, o desfecho da “crise do mensalão” foi diferente do “Collorgate”, em que o então presidente só podia apelar aos “descamisados” .

Isto é, o governo Lula se sustentou em duas pernas: os movimentos sociais, tradicionalmente identificados com o PT, e um subproletarido, do qual o presidente se tornou interlocutor direto. É provável, portanto, que um dos aspectos mais diferentes do novo governo seja de estilo: Dilma não podendo se identificar com a maioria da população brasileira como faz Lula.

sábado, 1 de janeiro de 2011

Conheça a história da canção "Tu vuò fà l'americano"


"Tu vuò fa l'americano" (Você finge ser americano) é uma canção em língua napolitana do cantor italiano Renato Carosone.

Carosone compôs a canção em 1956, juntamente com Nicola "Nisa" Salerno. Combinando swing e jazz, tornou-se uma de suas canções mais conhecidas. Encomendada por Rapetti, diretor da Casa Ricordi, para um concurso de rádio, a música foi composta por Carosone em um espaço de tempo muito curto após a leitura das letras de Nisa. Ele imediatamente percebeu que a canção se tornaria um grande sucesso. A canção foi apresentada no filme de 1960 do diretor Melville Shavelson It Started In Naples , em que foi cantada por Sofia Loren e Clark Gable. Também foi cantada por Rosario Fiorello no filme de 1999 O Talentoso Ripley e ganhou uma cover da banda The Puppini Sisters.


Um dos maiores símbolos do processo de americanização


A letra é sobre um italiano que imita o estilo de vida contemporâneo norte-americano e age como um Yankee: bebendo uísque e refrigerante, dançando ao som do rock 'n roll, jogando baseball e fumando cigarros Camel, mas que ainda depende dos pais. A canção é geralmente considerada uma sátira sobre o processo da americanização que ocorreu nos primeiros anos do pós-guerra, quando o sul da Itália ainda era uma sociedade rural tradicional.

O próprio Carosone escreveu que suas canções "foram profundamente baseadas no sonho americano, interpretando jazz e seus derivados como um símbolo de uma "América", a terra do progresso e do bem-estar, mas sempre ao estilo napolitano, fazendo desse símbolo uma paródia dissimulada de seus costumes". Segundo o jornal italiano La Repubblica "Tu vuò fa l'americano" é o símbolo da parábola artística de Carosone, já que se aposentou da música em 1960, apenas quatro anos após lançar a canção.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010



A política externa da era Lula

Pio Penna Filho


Professor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB) e Pesquisador do CNPq. E-mail: piopenna@gmail.com

O presidente Lula está se despedindo de oito anos de governo com uma popularidade impressionante, tendo superado todas as pesquisas que analisam a imagem popular de um presidente da república feitas até o momento no Brasil. Creio ser oportuno, no ocaso do seu governo, um balanço dos oito anos de sua política externa.
A projeção internacional do Brasil aumentou após os dois governos de Lula. Nunca tivemos uma visibilidade internacional como temos agora. Isso começou com a própria eleição do Lula, uma vez que o fato de um ex-metalúrgico ter chegado ao poder num país das dimensões do Brasil logo chamou a atenção do mundo. Na sequencia, o carisma do presidente completou e ampliou a imagem inicial favorável.
No contexto regional, apontado como prioritário pela politica externa, muitos foram os desafios encontrados. O Brasil teve que lidar com governos que apresentaram reivindicações sensíveis ao país, como foram os casos do Paraguai (revisão do Tratado de Itaipu) e Bolívia (revisão dos contratos de compra de gás), com a postura dura do governo equatoriano (no caso de investimentos brasileiros no país), se equilibrar politicamente frente às iniciativas bolivarianas da Venezuela chavista, inclusive de sua entrada no Mercosul, e das idas e vindas da Argentina, principalmente no âmbito do Mercosul.
Apontada pelos críticos como uma espécie de “diplomacia da generosidade” (por quase sempre ceder às exigências econômicas e comerciais dos vizinhos), a atitude brasileira na América do Sul tentou contemporizar uma postura de esquerda com pragmatismo político, nem sempre sendo bem sucedida, sobretudo por sua ambiguidade. Evitou assumir responsabilidades maiores, como no caso da crise envolvendo o governo Uribe (na Colômbia), as Farcs, a Venezuela, o Equador e a presença militar norte-americana na região.
No plano mundial, talvez o fato mais marcante tenha sido o reposicionamento do Brasil no sistema financeiro internacional e sua capacidade para enfrentar a pior crise econômica desde o crash da bolsa de Nova Iorque, em 1929. O presidente Lula não se conteve quando anunciou, por exemplo, que passamos a credores do FMI e chegou a criticar, duramente, a irresponsabilidade especulativa dos ricos que, afinal, foram os grandes responsáveis pela crise.
Uma novidade foi a retomada das chamadas relações Sul-Sul. Iniciativas como a IBAS (fórum de diálogo envolvendo Índia, Brasil e África do Sul) e reforço nos programas de cooperação com países menos desenvolvidos, principalmente no continente africano, marcaram de forma contundente a política externa nos últimos oito anos.
Mas a nossa diplomaciateve também os seus pontos fracos. Nos envolvemos no imbróglio hondurenho e continuamos, literalmente, a secar gelo no Haiti. A diplomacia fraquejou também frente à questão dos direitos humanos. Na África, Lula visitou países governados por ditaduras e fez feio ao lado de contumazes desrespeitadores dos mais elementares direitos. Tentou justificar o injustificável quando associou os presos políticos cubanos a bandidos comuns. Iniciou uma aproximação duvidosa com o Irã, um Estado quase pária no sistema internacional.


Em suma, a política externa da era Lula teve aspectos positivos e negativos, aliás como qualquer política externa. O diferencial é que pelo menos saímos um pouco do tradicional, arriscando e ensaiando o exercício de um papel que certamente não poderemos nos furtar num futuro não muito distante.
Conheça a articulação para a formação da candidatura de Tancredo Neves

O historiador Marco Antônio Villa fala sobre a história das eleições no Brasil. Neste vídeo, você assiste a como os partidos articularam a candidatura de Tancredo Neves à presidência da República.
1989: A disputa acirrada no 1º turno


O historiador Marco Antônio Villa, da Universidade Federal de São Carlos, fala sobre a história das eleições no Brasil. Neste vídeo, o historiador conta como foi a disputa pela posto presidencial - havia 22 candidatos - no primeiro turno da primeira eleição direta desde 1960. Enquanto Collor se manteve confortável na liderança, Lula e Brizola brigaram pelo segundo lugar e pelo direito de ir ao segundo turno.
Os presidentes da Ditadura



O historiador Marco Antônio Villa, da Universidade Federal de São Carlos, fala sobre a história das eleições no Brasil. Neste vídeo, Villa discute o O historiador Marco Antônio Villa, da Universidade Federal de São Carlos, fala sobre a história das eleições no Brasil. Neste vídeo, Villa discute o período em que o país foi governado por presidentes militares eleitos primeiro pelo Congresso e depois pelo Colégio Eleitoral. O historiador compara o processo eleitoral do regime brasileiro com o de outras ditaduras da América Latina.
Saiba mais sobre a a participação das mulheres e dos analfabetos nas eleições brasileiras




O historiador Marco Antônio Villa fala sobre a história das eleições no Brasil. Neste vídeo, você assiste o comentário do especialista sobre a participação das mulheres e de analfabetos nas eleições, esta última oficializada na Constituição de 1988.
Conheça as características das eleições entre 1945 e 1960



O historiador Marco Antônio Villa, da Universidade Federal de São Carlos, fala sobre a história das eleições no Brasil. Neste vídeo, o historiador discute a alternância de poder entre situação e oposição entre 1945 e 1960, período marcado pelos mandatos do Marechal Dutra, Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek e Jânio Quadros.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Entenda os fatores que levaram o Brasil a entrar na Primeira Guerra Mundial


Trecho da aula de história do Brasil sobre a entrada do país na 1ª Guerra Mundial. Ministrada pelo professor João Daniel.
Ossos oferecem visão sobre a vida dos neandertais
Por Carl Zimmer

New York Times News Service
No fundo de uma caverna, nas florestas do norte da Espanha, estão os resquícios de um terrível massacre. As primeiras pistas apareceram em 1994, quando exploradores encontraram na caverna El Sidrón o que acharam se tratar de mandíbulas humanas. Inicialmente, imaginou-se que os ossos fossem da época da Guerra Civil espanhola. Na ocasião, soldados republicanos usaram a caverna como esconderijo. A polícia descobriu mais fragmentos de ossos em El Sidrón, que foram enviados a cientistas forenses. Estes determinaram que os ossos não pertenciam a soldados, ou mesmo ao humano moderno. Aqueles eram restos mortais de neandertais, mortos há 50 mil anos.

Hoje, El Sidrón é um dos locais mais importantes do mundo para se aprender sobre neandertais, que viveram na Europa e na Ásia entre 240 mil a 30 mil anos atrás. Cientistas descobriram outros 1.800 fragmentos de ossos na caverna, alguns dos quais geraram trechos de DNA.

Mas o mistério permanece há 16 anos. O que aconteceu às vítimas de El Sidrón? Num artigo desta semana em “The Proceedings of the National Academy of Sciences”, cientistas espanhóis que analisaram os ossos e o DNA relatam a terrível resposta. As vítimas eram doze membros de uma mesma família, mortos por canibais.

“Essa é uma descoberta impressionante”, disse Todd Disotell, antropólogo da Universidade de Nova York. Chris Stringer, do Museu de História Natural de Londres, disse que o artigo “nos dá o primeiro vislumbre de estruturas sociais entre os neandertais”.



Todos os ossos foram localizados num espaço com o tamanho de um quarto, apelidado pelos cientistas de Túnel de Ossos. Eles estavam misturados numa confusão de cascalho e lama, sugerindo que eles não morreram nesse cômodo. Em vez disso, eles morreram na superfície acima da caverna.

Seus restos mortais não poderiam ter ficado ali por muito tempo. “Os ossos não foram varridos ou desgastados pela erosão”, disse Carles Lalueza-Fox, da Universidade Pompeu Fabra, em Barcelona, co-autor do novo artigo. Parte do teto no Túnel de Ossos provavelmente desabou durante uma tempestade, e os ossos teriam caído dentro da caverna.




Nenhum osso animal foi arrastado ao Túnel de Ossos junto aos de neandertais. Na verdade, a única outra coisa que os cientistas encontraram lá foram fragmentos de lâminas de ossos. E quando os cientistas examinaram detalhadamente os ossos, eles encontraram marcas de cortes – sinais de que as lâminas haviam sido usadas para separar os músculos dos ossos. Os ossos grandes haviam sido quebrados e abertos. A partir dessas pistas, os cientistas concluíram que os neandertais foram vítimas de canibalismo. Indicações de canibalismo entre neandertais foram encontradas em outros locais, mas El Sidrón é excepcional pela extensão das evidências.

Ao examinar os fragmentos de ossos, os cientistas tentaram juntar os pedaços. Alguns dentes soltos se encaixam com precisão em mandíbulas, por exemplo. “A coisa toda era muito complicada. Na verdade, aquilo estava uma bagunça”, afirmou Lalueza-Fox.

Após anos resolvendo esses quebra-cabeças anatômicos, Lalueza-Fox e seus colegas identificaram 12 indivíduos. O formato dos ossos permitiu que os cientistas estimassem idade e sexo. Os ossos pertenciam a três homens, três mulheres, três meninos adolescentes e três crianças, incluindo um bebê.

Assim que os cientistas souberam com o que estavam lidando, eles examinaram o DNA nos ossos. A escuridão fria e úmida de El Sidrón fez da caverna um excelente armazém para DNA antigo. Lalueza-Fox e seus colegas publicaram uma série de intrigantes relatos sobre seu DNA. Em dois indivíduos, por exemplo, eles encontraram uma variante de gene que pode lhes ter dado cabelos ruivos. Eles se lançaram num ambicioso projeto de encontrar DNA nos dentes de todos os 12 indivíduos. Em um teste, eles conseguiram identificar um cromossomo Y em quatro. Os cientistas já haviam identificado esses quatro como machos – os três homens e um menino adolescente – com base em seus ossos.

Em seguida, os cientistas buscaram por DNA mitocondrial, que é passado de mãe para filho. Eles procuraram especificamente por dois pequenos trechos, chamados HVR1 e HVR2, especialmente inclinados a mutações de geração a geração. Os 12 neandertais geraram HVR1 e HVR2. Os cientistas descobriram que sete deles pertenciam à mesma linhagem mitocondrial, quatro a uma segunda linhagem, e um deles a uma terceira.

Lalueza-Fox argumenta que os neandertais deviam ser parentes próximos. “Se você sai às ruas e coleta amostras de 12 indivíduos aleatoriamente, é praticamente impossível encontrar sete deles com a mesma linhagem mitocondrial”, disse ele. “Mas se você for à festa de aniversario de uma avó, a probabilidade é a de encontrar irmãos, irmãs e primos em primeiro grau. Você facilmente encontraria sete pessoas com a mesma linhagem mitocondrial”.

Os três homens possuíam o mesmo DNA mitocondrial, o que pode significar que eles eram irmãos, primos ou tios. As fêmeas, porém, vinham todas de diferentes linhagens. Lalueza-Fox sugere que os neandertais viviam em pequenos grupos de parentes próximos. Quando dois grupos se encontravam, eles algumas vezes trocavam filhas.

“Só consigo imaginar as meninas neandertais, entregues tão cruelmente quanto as meninas modernas, tendo de deixar seus familiares mais próximos em seu dia de ‘casamento’”, disse Mary Stiner, antropóloga da Universidade do Arizona.

Linda Vigilant, antropóloga do Instituto Max Planck de Antropologia Evolucionária, na Alemanha, considera a pesquisa “um bom começo”. Mas ela contesta a afirmação de Lalueza-Fox, de que os neandertais seriam familiares próximos por pertencerem à mesma linhagem mitocondrial. Em seus estudos com chimpanzés selvagens, ela afirma que alguns chimpanzés com HVR1 e HVR2 idênticos não possuem parentesco próximo.



A melhor forma de resolver o debate, segundo Vigilant, é encontrar mais DNA neandertal, ao qual os genes de El Sidrón possam ser comparados. “É empolgante pensar que podemos realmente ser capazes de solucionar essa questão num futuro próximo”, disse Vigilant.

Lalueza-Fox acha que pode ser possível desenhar uma genealogia detalhada dos neandertais de El Sidrón nos próximos anos. Ele também espera compreender melhor como eles morreram. As lâminas de pedra podem oferecer uma pista. Elas foram feitas de rochas localizadas a apenas algumas milhas da caverna. As vítimas podem ter entrado no território de outro grupo de neandertais. Por seu ato de invasão, eles pagaram o maior preço possível.

Tradutor:
Gabriela D'Ávila

Fonte: www.noticias.uol.com.br

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Conheça mais detalhes da assinatura do Tratado de Tordesilhas

Tratado de Tordesilhas : a divisão do mundo
Por Cristiana Gomes
Na época das grandes navegações, os europeus acreditavam que os povos não cristãos e não civilizados poderiam ser dominados e por esta razão achavam que podiam ocupar todas as terras que iam descobrindo mesmo se essas terras já tivessem dono.

Começou assim uma verdadeira disputa entre Portugal e Espanha pela ocupação de terras.


Para evitar que Portugal e Espanha brigassem pela disputa de terras, os governos desses dois países resolveram pedir ao papa que fizesse uma divisão das terras descobertas e das terras ainda por descobrir.

Em 1493, o papa Alexandre VI criou um documento chamado Bula. Nesse documento, ficava estabelecido que as terras situadas até 100 léguas a partir das ilhas de Cabo Verde seriam de Portugal e as que ficassem além dessa linha seriam da Espanha.

O medo que Portugal tinha de perder o domínio de suas conquistas foi tão grande que, por meio de forte pressão, o governo português convenceu a Espanha a aceitar a revisão dos termos da bula e assinar o Tratado de Tordesilhas (1494).

Então os limites foram alterados de 100 para 370 léguas.

De acordo com o Tratado de Tordesilhas, as terras situadas até 370 léguas a oeste de Cabo Verde pertenciam a Portugal, e as terras a oeste dessa linha pertenciam a Espanha.

O Brasil ainda não havia sido descoberto e Portugal não tinha idéia das terras que possuía. Hoje sabemos onde passava a linha de Tordesilhas: de Belém (Pará) à cidade de Laguna (Santa Catarina).

De acordo com o Tratado, boa parte do território brasileiro pertencia a Portugal, mesmo se fosse descoberto por espanhóis.

Portugueses e brasileiros não respeitaram o tratado e ocuparam as terras que seriam dos espanhóis. Foi assim que o nosso território ganhou a forma atual.

Apesar dessa invasão, os espanhóis não se defenderam, pois estavam ocupados demais com as terras que descobriram no resto da América, ao norte, a oeste e ao sul do Brasil.


Mesmo após 250 anos de descobrimento, os brasileiros continuavam avançando para o interior, não respeitando a linha de Tordesilhas. A maioria nem sabia que ela existia. E assim, terras que seriam da Espanha, foram habitadas por brasileiros.

fonte: site infoescola.com

domingo, 19 de dezembro de 2010

Saiba mais sobre a obra-prima de Picasso, Guernica

Uma das pinturas mais famosas do mundo, Guernica, tem como tema principal a Guerra Civil Espanhola. O mural, feito por Pablo Picasso, representa o bombardeamento da cidade espanhola de Guernica, em 1937, por forças aéreas alemãs, aliadas a Franco.
A destruição de Guernica foi a primeira demonstração da técnica de bombardeamentos de saturação, mais tarde empregado na 2ª Guerra Mundial. O Mural constituiu uma visão profética da desgraça.
Em primeiro plano no quadro, está uma figura fragmentada com a cabeça cortada, à esquerda, e um braço também cortado, ao centro, agarrando uma espada quebrada, emblema bem conhecido da resistência heróica. Junto à espada quebrada encontra-se uma flor, como uma mensagem de esperança numa vida nova, apesar das tentativas do Homem para a destruir constantemente. A comovente delicadeza da flor parece aumentar o horror geral da cena caótica.

Entre as complexas imagens cubistas de "Guernica”, a mãe e o filho são imediatamente interpretados. Uma criança morta, pende inerte nos braços da mãe. O grito da mãe está representado pela língua que sugere a um punhal ou um estilhaço de vidro. Formas semelhantes aparecem um pouco por todo o quadro. A angústia no rosto da mulher que segura a criança é especialmente penetrante, talvez aumentada pelo contraste entre o estilo do rosto e a representação mais convencional da criança.


Embora Picasso raramente desse interpretação aos seus trabalhos, disse que o cavalo ou a angústia do cavalo, que se encontra no centro, representa o Povo.

Por cima da cabeça do cavalo, está um candeeiro elétrico aceso, em forma de sol, que sugere o "olho de deus" que tudo vê.

No lado direito do quadro, duas mulheres olham horrorizadas para o cavalo ferido com medo e pena, sugerindo certas semelhanças, em conceito e semelhança, com as imagens de Cristo na cruz e a presença das três Marias em cena. Picasso procurava talvez uma imagem moderna e secular para exprimir o sofrimento humano, mas uma que não tivesse qualquer simbolismo cristão explicito.

A figura à direita do quadro parece estar a ser consumida pelas chamas de um edifício a arder. Esta figura é também freqüentemente comparada à figura central de "os fuzilamentos" do 3 de Maio de 1808 de Goya. Existe ainda uma semelhança entre os elementos que levaram a ambos os quadros: os dois foram atos de selvagem brutalidade contra pessoas inocentes.
Se existe uma chave para a compreensão da obra de Picasso , ele encontra-se nos olhos por ele pintados. É tão grande a importância de tal órgão que o espectador sente-se imediatamente por ele atraído. No entanto ao pretender dar maior significado à expressão de conjunto estabelece novas associações entre cada traço do rosto e o meio exterior. Aliás, o motivo essencial da criação do Cubismo foi precisamente esse desejo de dissecação, de analisar os objetos para poder reconstitui-los sobre a tela, relevando a estrutura interna e os elementos que nos estão escondidos. A ausência de cor, ou seja, o monocromático é apropriado ao tema do quadro, ainda hoje politicamente controverso em Espanha. O simbolismo da cena resiste a uma interpretação precisa, apesar de vários elementos tradicionais.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Saiba mais sobre a evolução histórica de Cáceres, a princesinha do Paraguai



Neste video, o professor de História Edenilson Morais faz um breve relato acerca da formção histórica de Cáceres, cidade mato-grossense que no período colonial brasileiro exerceu um importante papel na definição da fronteira com o domínio espanhol na América do Sul e que recentemente recebeu o título de patrimônio cultural do Brasil, concedido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).
Fundada em 6 de outubro de 1778, a pequena Vila Maria do Paraguai, nome escolhido para homenagear a rainha portuguesa, D. Maria I, acumula em sua história um forte patrimônio cultural. Além de seu centro histórico, das fazendas, das usinas, das manifestações ligadas ao Pantanal e ao Rio Paraguai, temos ainda, a sua pré-história construída por dezenas de nações indígenas e milhares de habitantes, confirmados pelas pesquisas arqueológicas mais recentes.
O local escolhido para a fundação de Cáceres era estratégico para a defesa e incremento da fronteira sudoeste de Mato Grosso em função da facilidade de comunicação entre Vila Bela da Santíssima Trindade e Cuiabá, as duas principais vilas mato-grossenses no século XVIII.
A Fazenda Jacobina, que ainda hoje mantêm sua importância histórica, destaca-se na primeira metade do século XIX por ser a maior da província de Mato Grosso em termos de área e produção.
Em fevereiro de 1754, foi assentado o Marco do Jauru, na foz do rio Jauru no rio Paraguai, definindo assim os limites dos impérios coloniais espanhol e português na América do Sul, fruto do tratado de Madrid. O Marco do Jauru foi transferido em 1883 para a Praça Central de Cáceres e foi tombado pelo Iphan em 1978, no ano do bicentenário da cidade. Junto com a Catedral de São Luis – construída entre 1919 e 1965 – os dois monumentos estão até hoje entre os principais atrativos turísticos da cidade.
Cáceres ao longo de sua história, escapou das duas grandes tragédias mato-grossenses do século XIX: a Guerra do Paraguai e a peste de varíola. Ao fim da guerra, com a livre navegação da bacia do Prata e por conseqüência do rio Paraguai, Cáceres iniciou uma nova fase de desenvolvimento. Foi elevada à condição de cidade em 1874 e recebeu grandes fazendas-indústrias destinadas a produção de carne enlatada para a exportação.
Atualmente, ainda existem importantes construções como as da Fazenda Descalvados, com capela, casa grande, alojamento de operários e galpões industriais, que ainda são utilizados pelo eco-turismo.
A navegação pelo rio Paraguai também proporcionou a chegada de novos materiais de construção e novas influências, o que por sua vez acabou resultando numa arquitetura eclética e rebuscada em grande parte dos imóveis do centro histórico de Cáceres.
Por tudo isso hoje a cidade de Cáceres, a famosa princesinha do Paraguai, é patrimônio cultural brasileiro.
Confira a aula em video.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Conheça a importância histórica dos quilombos em Mato Grosso




O professor de História, Edenilson Morais fala sobre a importância histórica da formação de quilombos em Mato Grosso e pra inicio de conversa é interessante que você tenha em mente que assim como ocorreu em todo o Brasil, também aqui em Mato Grosso o número de quilombos foi bastante expressivo ao longo do período de vigência da escravidão. O mais famoso de todos eles foi o Quilombo do Piolho ou Quariterê, localizado as margens do rio Guaporé e instalado entre 1770/1771, constituindo-se como uma aldeia composta por elementos de variadas etnias, além de negros, tínhamos também muitos índios e mestiços habitando essa comunidade quilombola.
Na época em que fora destruído pelas expedições enviadas pelas autoridades da capitania de Mato Grosso, quem governava esse quilombo era Tereza de Benguela, conhecida entre os quilombolas como “Rainha Tereza”.
Pouco tempo após a destruição desse quilombo, o capitao-general de Mato Grosso, João de Albuquerque de Melo Pereira e Cáceres, ordenou a criação de uma aldeia no exato lugar onde, antes, existia o Quilombo do Piolho. Para isso, libertou vários casais de velhos escravos e os enviou para o local que recebeu o nome de Aldeia Carlota, em homenagem à rainha de Portugal, D. Carlota Joaquina.
Outros quilombos importantes foram instalados na região de Chapada dos Guimarães, principalmente na segunda metade do século 19. Um dos mais importantes quilombos de que se teve notícia estava situado nessa região, às margens do rio Manso.
Foi na década de 1870 que as notícias da existência dos quilombos chapadenses foram divulgadas com grande intensidade, isso no momento histórico em que já estavam em franco avanço as leis abolicionistas, responsáveis pela abolição da escravatura.
Outro quilombo localizado na região foi o do Cansanção, que causava temor a população chapadense devido aos constantes ataques ás propriedades rurais da região.
Vale lembrar ainda que os quilombos eram constituídos não somente de escravos africanos, mas também de homens livres pobres, dentre os quais se incluem soldados desertores e até mesmo criminosos fugitivos da lei, isso sem falar nos indígenas que também marcava presença nos quilombos.
As autoridades governamentais realizavam constantes expedições militares para combater os quilombos.
Somente no fim da década de 1870 é que os quilombos da região da Chapada foram severamente perseguidos e os quilombolas, quando aprisionados, eram inquiridos pelas autoridades, com o objetivo de se obter mais informações sobre esses redutos de resistência.
Mesmo tendo alguns quilombos sofrido perseguições e até mesmo destruição total, sua proliferação no território matogrossense foi uma realidade presente até a véspera da abolição. Esse fenômeno social marcou profundamente a reação da camada mais pobre da sociedade, pois os quilombos, antes de se apresentarem apenas como um refugio de negros escravos, representou o espaço conquistado pelos excluídos, ou seja, negros, brancos pobres e índios.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Professor explica a Revolução Russa
Bolcheviques derrubaram o czarismo em 1917. Lucas Kodama Seco é professor de história em cursinho em São Paulo.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Professor de história explica a Lei da Anistia, aprovada em 1979
Lei favoreceu o processo de redemocratização, que já estava em curso.
Além dos presos políticos, também anistiou militares da repressão.




Em 1979, o Brasil aprova a Lei da Anistia. Ela é fruto de uma série de conquistas sociais e políticas que o Brasil vinha alcançando ao longo do governo Geisel, de acordo com Rogério Athayde, professor de história do Curso pH, no Rio de Janeiro.


No governo Figueiredo, em agosto, a lei é aprovada, favorecendo o processo de redemocratização, que já estava em curso. "Antes, em 1978, havia sido aprovado o fim do Ato Institucional número 5, passo fundamental para que o processo de redemocratização tivesse lugar", ressalta.


Com a Lei da Anistia, exilados políticos retornam ao Brasil. "Figuras importantes, como Leonel Brizola e Prestes voltam ao país e têm a disposição de lutar de forma efetiva pelo fim da ditadura militar."


Segundo o professor, a Lei da Anistia libera alguns presos políticos, mas permaneceram detidos aqueles acusados de terrorismo, que tinham participado da luta armada.


"A Lei da Anistia também será sempre lembrada por um problema, porque ela também anistia militares que participaram da repressão."
Outro fator que contribuiu para o processo de redemocratização foi a campanha pelas Diretas Já, em 1984.
Conheça a história de Gengis Khan, o conquistador










Temudjin, mais conhecido como Gengis Khan, o bárbaro mongol, viveu de 1162 a 1227 e constituiu o maior império da História, unindo China, Turquia, Turkestão, Irã, Iraque e parte de Rússia.



O exército mongol funcionava com precisão e eficiência admiráveis. Organizava-se em dezenas, formados por dez homens que atuavam juntos em combate, saque ou obtenção de suprimentos.



A cada dez dezenas havia um chefe. A cada cem um Kan. E cada mil formavam uma “horda” que era dirigida por um general submisso ao "Grande Khan".



Aprendiam a montar e a utilizar as armas, em especial o arco composto, desde crianças. Todos os homens não incapacitados até 60 anos deviam participar da caça e da guerra.



Dessa maneira, o exército mongol reunia literalmente a totalidade da população masculina adulta.









Os mongóis combatiam sob um restrito código de disciplina. O abandono de um companheiro na batalha era castigado com a morte.



Genghis Khan organizou seu exército de uma forma espetacular, seguindo um sistema decimal, (10 / 100 / 1000 / 10.000). A unidade de 10.000 homens era a maior unidade combatente, como uma divisão moderna, capaz de manter por si só uma prolongada luta.



Os soldados individualmente se identificavam com a unidade de 1.000 homens da qual tomavam parte - o equivalente a um regimento moderno. As tribos mongóis originárias formavam suas próprias unidades de 1.000 homens cada.







Os povos conquistados, como os tártaros e os Merkits, eram desagregados e divididos em unidades de 100 guerreiros, para que não pudessem ser uma ameaça organizada para a família reinante.



O exército estava dividido em dezenas (arban), centenas (yaghun), milhares (mingghan) e dezenas de milhares (tumen).







Os guerreiros mongóis eram especialistas em emboscadas e ataques de surpresa. Os chefes de seu exército faziam grande uso de patrulhas de reconhecimento e de movimentos sincronizados para atacar o inimigo em desvantagem. Eram dirigidos por seus respectivos chefes, mas os cinco generais mais importantes do exercito mongol foram denominados os “Lobos de Temudjin”: Bogorchu suanda (irmão jurado); Yebe a Flecha; Kubilai; Yelme e Subotei.



Estes generais eram guerreiros tão formidáveis, que os inimigos diziam que “eles se alimentavam de sereno e carne humana, e eram tão ferozes que o grande Kahn tinha que amarrá-los”. Quando os liberava para irem à guerra, cavalgavam ao vento diante dos arqueiros, com a boca aberta, babando de alegria.







Ao contrário de todos os exércitos da história, os Mongóis não levavam provisões em suas campanhas, viviam do que encontravam em suas marchas. No deserto sobreviviam bebendo sangue de cavalo (abriam uma pequena ferida para beber dele) e iogurte de leite de égua.



Tinham um hábil serviço de espionagem e estudavam e copiavam técnicas utilizadas pelos seus adversários, como os elefantes persas ou as máquinas pesadas dos chineses.







Os mongóis fizeram uso exaustivo do terror. Se a população de uma cidade era massacrada depois de sua captura, era mais provável que a próxima cidade se rendesse sem luta. Iam se rendendo, cidade após cidade, ante a chegada do exército mongol.



Genghis Khan, não construiu o maior império da história apenas com força bruta e matanças. Também era um grande estrategista, brilhante e bárbaro governante, e um terrível vingador.



Genghis Khan, ou Temudjin, que significa "o que trabalha o ferro", tinha muitos inimigos, entre os quais se destacavam:



- Targutai, que havia matado o seu pai e o perseguia para ser definitivamente o rei dos mongóis.



- Os Mekitas, que o perseguiam porque seu pai Yesuguei havia seqüestrado a bela Joguelún, a mãe de Temudjin.



- Yamuga, um amigo que havia realizado um pacto de sangue e que havia traído Temudjin.



O Grande Khan derrotou todos eles. Os chineses possuíam uma cidade completamente inexpugnável, que os mongóis não podiam vencer, mas sitiaram por longo período ocasionando enormes prejuízos.



O Grande Khan ofereceu aos chineses uma troca para levantar o sitio a cidade:



- “Dêem-me todos os pássaros e aves de sua cidade e eu os deixarei em paz”.



Os chineses fizeram isto com alegria e entregaram todos eles em grandes gaiolas.



Quando o Grande Khan teve as aves em seu poder, passou óleo em suas asas e ateou-lhes fogo e soltou, deixando que voassem para seus ninhos nos telhados da cidade, incendiando-a. Desesperados, os habitantes correram para fora, caindo pelas espadas mongóis.





Em uma batalha crucial contra seus inimigos Targutai e Yamuga, Temudjin, vendo que suas forças eram inferiores, fez com que cada soldado fizesse um boneco do porte de uma pessoa e o pusesse em cada um dos cavalos reserva: quando um cavalo se cansava, montavam no ao lado, sendo este exército um dos mais rápidos da história. O exército via-se duas vezes mais numeroso, atemorizando os adversários, o que foi decisivo para o desenlace vitorioso das batalhas.



O Grande Khan implantou o sistema de correios mais rápido da história, já que cada mensageiro ia a galope rápido, com um bom par de cavalos de reserva, utilizando um sistema de percurso com um alcance de 25 quilômetros por hora, durante 4 horas contínuas para levar as mensagens de um posto a outro.



Durante o percurso os soldados não paravam para trocar os cavalos, evitando perdas de tempo.







Quando os Merkitas raptaram a sua esposa, com ataques fulminantes destruiu vários acampamentos merkitas até encontrar a sua amada. Nesse mesmo dia fez amor com ela por toda noite, vindo seu primogênito a nascer nove meses depois.



A cavalaria mongol não podia fazer frente a uma carga da cavalaria pesada, pelo que simulavam fugir para provocar investidas exaustivas de seus inimigos e torná-los vulneráveis. Depois giravam velozmente, convertendo-se nos caçadores.









Quando suas conquistas os levaram a Hungria, ao não poder comparar a cavalaria rápida mongol com a cavalaria pesada húngara, que era muito afamada pelas proteções que utilizavam seus soldados, como peitoris, escudos e lanças, que naquelas épocas pesavam demais, mas eram imbatíveis nas lutas frente a frente, Gengis Khan simulava retiradas. Quando os cavalos húngaros se esgotavam debaixo do peso das armaduras, os mongóis contra-atacavam por todos os flancos com seus rápidos cavalos, indo atrás deles e atirando flechas e matando-os pelas costas.







Gengis Khan implantou um código de leis muito severas inspirado nas crenças e costumes turco-mongóis. Só seus Generais tinham certa imunidade contra estas leis, porque lhes permitia cometer certo número de erros, enquanto que para o resto do povo não havia perdão.


Aprenda as diferenças entre o Colonialismo e o Neocolonialismo

Aprenda as diferenças entre o Colonialismo e o Neocolonialismo


O professor de história do CPV Eduardo Duique dá uma aula em vídeo sobre as diferenças entre colonialismo e neocolonialismo.
"Estamos falando de momentos diferentes da história, o colonialismo tem seu grande momento no século 16. O neocolonialismo se concentra nos séculos 19 e 20", diz. Enquanto o primeiro surge dentro do contexto do capitalismo comercial e mercantil e é estruturado e apoiado pelos estados absolutistas europeus da idade moderna, o neocolonialismo está relacionado à segunda revolução industrial e ao capitalismo financeiro e monopolista. O apoio, neste segundo, vem dos estados burgueses e liberais da Europa contemporânea, dos Estados Unidos da América e do Japão.
Confira a aula em video.

Marcus Bianco explica a estrutura do sistema colonial

O Professor de História, Marcus Bianco, do Curso Dom Bosco, em Curitiba e COC-Paraíso, em São Paulo, explica de forma simples a estrutura do sistema colonial.