domingo, 10 de fevereiro de 2013

A crise do Feudalismo no século XIV

Saiba mais sobre a crise do século XIV na Europa Ocidental





O professor Edenilson Morais faz um breve comentário acerca dos fatores de crise do sistema feudal na Europa Ocidental ao longo do século XIV.

 

A Peste Negra na Baixa Idade Média



 Saiba mais sobre a epidemia que devastou a Europa no século XIV






Tudo começa quase como um resfriado comum. Dentro de um dia aparecem a febre, as manchas pretas do tamanho de bolas de bilhar no pescoço, e então a tosse com sangue. Poucos viveram mais de dois dias após o início da infecção, e muito rapidamente o destino dos corpos tornou-se um problema.
O ano era 1347. E esse foi o pior desastre biológico na história da humanidade, abalando os alicerces da ordem social vigente. Quase metade da população europeia morreu, e diante desse cenário apocalíptico foram registrados exemplos de nobreza e também de selvageria. Talvez a peste negra sirva como um exemplo para nosso próprio tempo, levando-nos a questionar a estabilidade da nossa sociedade diante de uma possível catástrofe como essa. E também a nossa vulnerabilidade frente a alguns novos assassinos microbiológicos, espalhados através de mudanças ecológicas ou do terrorismo biológico.
Foi dito que a peste negra teve início nas regiões mais remotas do império mongol, e se espalhou ao longo de suas rotas de comércio para o porto de Caffa no Mar Negro, de onde teria migrado através de embarcações para a Itália e toda Europa; sendo causada por uma bactéria mortal, a Yersina pestis, carregada nos estômagos das pulgas que infestavam os ratos que eram abundantes nas cidades da Idade Média. À medida que a doença matou os ratos, as pulgas moveram-se para outros hospedeiros, os seres humanos. Uma vez que as eram infectadas, tornavam-se elas mesmas agentes de transmissão, ao cuspir e tossir sangue contaminado. Em alguns casos a morte vinha em menos de 24 horas, ceifando a vida de famílias inteiras em poucos dias.
Então como a Europa lidou com uma epidemia dessa proporção? O que fez com que fosse controlada? E o mais importante, um evento como esse poderia acontecer de novo?

 

sábado, 9 de fevereiro de 2013

O incrível exército de Brancaleone



      Assista ao filme O Incrível Exército de Brancaleone  



          O filme “O Incrível Exército de Brancaleone” apresenta o sistema da sociedade feudal da Idade Média. Mostra as estruturas políticas, religiosas, culturais e mentais da época em que se passa. Brancaleone, um cavaleiro que apesar do título vive em uma cabana pobre com seu insubordinado cavalo Aquilante deixa bem clara a hierarquia medieval onde mais importante do que a situação financeira era a classe social.
 o incrivel exercito de brancaleone O Incrível Exército de Brancaleone: Resumo do Filme Contexto Histórico

       Outro ponto em que isso fica bem claro é quando quatro amigos maltrapilhos roubam um pergaminho que dá ao seu possuidor o direito de tomar o feudo de Aurocastro. Mesmo sendo os novos donos do papel eles não podem tomar posse da região porque são meros servos. Para isso eles recorrem ao falido cavaleiro em busca de um acordo pelas terras.
          A atividade comercial é representada por Habacuc, um velho judeu que sabe ler e viaja carregando seu imenso baú cheio de mercadorias. Bom negociador e esperto ele logo se interessa pelo pergaminho e apresenta os maltrapilhos à Brancalone visando obter algum lucro da situação.
       Como na Idade Média a única maneira de tornar-se nobre ou adquirir uma herança era se casar com a filha de um senhor feudal, Brancaleone vai participar de um torneio de cavalaria cujo premio era o saudoso e desejado casamento. Como era pobre e não possuía equipamentos de qualidade, que custavam caro, Brancaleone acaba perdendo e é obrigado a aceitar a proposta de dominar o feudo de Aurocastro e dividir suas riquezas com os donos do pergaminho.
 larmata de brancaleone O Incrível Exército de Brancaleone: Resumo do Filme Contexto Histórico

       Os cavaleiros nessa época obedeciam às leis de cavalaria, e uma delas era que se dois cavaleiros se cruzassem num mesmo caminho deveriam lutar para que o vencedor seguisse viagem. Foi o que aconteceu com Brancaleone ao encontrar um cavaleiro bizantino. Os dois iniciam uma luta, mas o filme apresenta o bizantino como trapaceiro que quer levar vantagem em tudo. Ele sempre pede tréguas na luta quando está e desvantagem, entre outras coisas. Essa visão por parte dos italianos se deve ao ressentimento deixado pela parte do império de Roma que ruíra (Ocidental), deixada de lado pela outra metade (Oriental).

 
           Outra característica feudal predominante na época é o Teocentrismo e as Cruzadas. Quando Brancaleone e seus companheiros seguem viagem encontram um feudo e o invadem. Logo descobrem que o local estava infestado pela peste e pensam que vão morrer. Desesperados eles encontram um grande grupo de fiéis em busca da Terra Prometida que alega que quem luta em defesa da fé é livrado de todo o mal, recebendo salvação e libertação do sofrimento material. Brancaleone e seus companheiros juntam-se a eles a fim de lutar contra os infiéis. Na época as Cruzadas eram muito disseminadas. Os cavaleiros lutavam em nome de Deus em busca de riquezas, prestígio e também garantia de salvação eterna.
           Outro trecho do filme em que as leis de cavalaria são abordadas é quando Brancaleone e sua tropa encontram Matelda e seu tutor. Á beira da morte o velho faz com que ele prometa cuidar e levar a jovem até seu prometido preservando sua honra. Mesmo apaixonado por ela Brancaleone é obrigado a rejeitá-la porque é dever dos cavaleiros protegerem donzelas em perigo e mantê-las puras.

 brancaleone O Incrível Exército de Brancaleone: Resumo do Filme Contexto Histórico

           Mais uma vez o bizantino é visto como traidor afinal ele abusa da moça e não conta a verdade mesmo após Brancaleone levar a culpa e ser condenado à morte. Como os homens só se casavam com mulheres virgens por conta da religião católica, Matelda é levada para um convento onde deve pagar pelo pecado cometido.
          Em outro ponto o ressentimento italiano fica ainda mais claro. O cavaleiro bizantino se oferece como falso refém para que Brancaleone peça um resgate a sua família e eles dividam a riqueza. Além do fato do homem enganar a própria família em troca de um resgate os seus familiares bizantinos são vistos como pessoas feias, más e traiçoeiras. Mesmo com o aviso de captura o pai do cavaleiro não paga o resgate, o que mostra falta de compaixão e solidariedade provavelmente o que os romanos do ocidente sentiram dos vizinhos orientais na época de crise que levou os à ruína.
           Ao chegarem a Aurocastro Brancaleone e sua tropa são muito bem recebidos como novos donos da terra. Isso acontece porque o senhor feudal tinha a obrigação de defender o povo dos inimigos durante as invasões, muito freqüentes no sistema feudal. Uma vez por ano a população de Aurocastro era “visitada” pelos Sarracenos que levavam tudo de valor. As pilhagens eram muito comuns na época, daí a necessidade de um bom exército em cada feudo.
         Os homens acabam sendo capturados e só são salvos pela fé, ou melhor, pela influencia que ela exercia sobre as pessoas na Idade Média. O grupo que lutava em nome de Deus aparece e pede que o verdadeiro dono do feudo, que reaparece, não se vingue dos homens que lhe roubaram alegando que eles haviam prometido lutar nas Cruzadas e nenhum homem pode tirar a vida daquele que promete lutar pela fé.
        Dessa forma Brancaleone e seu exército são salvos e resolvem seguir viagem com o grupo tendo como destino a Terra Santa. Já que haviam perdido Aurocastro só lhes restavam os frutos da luta pela fé: glória e salvação.


Fonte: http://www.essaseoutras.xpg.com.br

As crises do século XIV

 Saiba mais sobre a crise do Feudalismo no século XIV



segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Café filosófico





A identidade brasileira mito e literatura







A identidade brasileira não é uma essência, mas o processo de construção de uma grande narração coletiva em que o mito exerce papel decisivo. Porque é o mito que consolida em lendas e figuras toda experiência mágico-fantástica do povo. Tudo que apavora, tudo que alegra fundamente o povo está no mito, em suas raízes. Ele narra, conta. Se não faz isso, as coisas se perdem por entre rezas, rituais, festanças, assombrações -- coisas míticas também -- mas que o vento pode levar. Isso se evidencia na literatura, especialmente na obra de autores românticos e modernistas, que insistiram na providência do folclore, das festas rurais, no registro das façanhas caboclas...Todas dão o perfil de nossa identidade. Mas o mito tem também o poder de destilar realidades nunca imaginadas antes, e, neste sentido, ele não é só passado, mas vanguarda, nem só Brasil, mas universo. Idealizadora ou crítica, a literatura apropria-se do mito para reconstruir o imaginário nacional.



Palestra de José de Paula Ramos Jr. no programa Café Filosófico CPFL gravada no dia 18 de novembro, em São Paulo.

sábado, 2 de fevereiro de 2013

O Coronelismo





Cultura Retrô - Coronelismo








O tema desta edição é Coronelismo, sistema político controlado por ricos fazendeiros no inicio da República brasileira. E para refletir sobre o assunto, vamos rever um trecho de uma edição histórica do 'Telecurso'.

 

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Assista ao filme Xingu

Três irmãos, dois mundos, uma missão.
XINGU
Baseado em uma história real





Anos 1940. Três jovens irmãos decidem viver uma grande aventura. Orlando (Felipe Camargo), 27 anos, Cláudio (João Miguel), 25, e Leonardo (Caio Blat), 23, os Irmãos Villas-Bôas, alistam-se na Expedição Roncador-Xingu e partem numa missão desbravadora pelo Brasil Central. A saga começa com a travessia do Rio das Mortes e logo eles se tornam chefes da empreitada, envolvendo-se na defesa dos povos indígenas e de suas diversas culturas, registrando tudo num diário batizado de A Marcha para o Oeste.

Mais velho dos irmãos, Orlando é o articulador entre as etnias indígenas e o poder oficial, responsável por brecar a ingerência externa. Já Cláudio, é o grande idealista e o mais consciente da contradição da expedição – “Nós somos o antídoto e o veneno”, diz. O caçula é Leonardo, vibrante e corajoso. No entanto, suas atitudes podem causar um preço alto para a aventura dos irmãos.

Numa viagem sem paralelo na história, com batalhas, 1.500 quilômetros de picadas abertas, 1.000 quilômetros de rios percorridos, 19 campos de pouso abertos, 43 vilas e cidades desbravadas e 14 tribos contatadas, além das mais de 200 crises de malária, os irmãos Villas-Bôas conseguem fundar em 1961 o Parque Nacional do Xingu, um parque ecológico e reserva indígena que, na época, era o maior do mundo, do tamanho de um país como a Bélgica.

Na aventura, os Villas-Bôas conseguem passar pelo território Xavante, de índios corajosos e guerreiros sem nenhuma baixa de ambos os lados. Em seguida, deparam-se com os Kalapalos, os famosos e temidos que teriam matado o explorador inglês Percy Fawcett. Mas, apesar de toda a apreensão e ao contrário do que imaginavam, os irmãos ficam amigos do grande chefe Izarari, e se encantaram com a cultura e os costumes locais. Não previam ainda que ali viveriam a primeira tragédia de suas vidas: um surto de gripe, trazido por eles mesmos, que quase dizima toda a aldeia.

Ao recontar a saga dos irmãos, Xingu apresenta a luta pela criação do parque e pela salvação de tribos inteiras que transformaram os Villas-Bôas em heróis brasileiros, traçando diálogo com problemas crônicos do processo de formação brasileiro.

 

domingo, 20 de janeiro de 2013

Como Era Gostoso o meu Francês (1971)





Como Era Gostoso o meu Francês (1971)





No Brasil quinhentista, os franceses haviam invadido parte da costa do Rio de Janeiro. Em uma ilha, um pequeno grupo deles se rebela, e os integrantes são condenados à morte. Um dos franceses se atira ao mar e é tido como morto. Ele vai dar no continente e é novamente capturado pelos índios tupiniquins e pelos portugueses, que estavam munidos de canhões para combater os inimigos. Eles são atacados pelos índios tupinambás, amigo dos franceses, e os portugueses são mortos. Os nativos confundem o francês com os portugueses e o levam prisioneiro até a tribo, juntamente com os canhões. Tapiruçu, o irmão do cacique, fora morto e os tupinambás querem vingança. A tribo canibal decide matar o francês e comê-lo depois de oito luas. Eles lhe arranjam uma esposa e ele viverá com os índios durante este período. O francês ensina o manuseio do canhão aos tupinambás e aprende a usar o arco e a flecha. O filme se baseia nos relatos dos viajantes Jean de Lery (francês) e Hans Staden (alemão) que registraram a antropofagia e o embate cultural entre "a floresta e a civilização".

 

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Mensageiro da Liberdade



 Confira o documentário Tancredo Neves: Mensageiro da Liberdade


 
Tancredo Neves - Mensageiro da Liberdade (parte 1)






Tancredo Neves - Mensageiro da Liberdade (parte 2)









Tancredo Neves - Mensageiro da Liberdade (parte 3)







Tancredo Neves - Mensageiro da Liberdade (parte 4)







Tancredo Neves - Mensageiro da Liberdade (parte 5)









Tancredo Neves - Mensageiro da Liberdade (parte 6)







Tancredo Neves - Mensageiro da Liberdade (parte 7)







Tancredo Neves - Mensageiro da Liberdade (parte 8)






Este documentário conta a história do político que é exemplo de integridade e respeitado por todos os brasileiros como um dos maiores estadistas que o país já teve. O filme conta a biografia de Tancredo Neves por meio de depoimentos de amigos, familiares, colegas de trabalho e diversos nomes da política nacional.

Dentre os participantes do documentário estão o governador de Minas Gerais e neto de Tancredo, Aécio Neves; seu sobrinho, Francisco Dornelles; José Sarney, que o sucedeu na Presidência; José Serra, governador de São Paulo; e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que afirma acreditar que Tancredo conhecia os problemas do país e do mundo e, por isso, era um dos grandes personagens da História.

Dividida em tópicos, o filme mostra a infância de Tancredo; o início da carreira política, quando se elegeu vereador de São João Del Rei (MG), em 1935; o período em que foi Deputado Federal, Ministro da Justiça e Primeiro Ministro; do Golpe de 64; as Diretas Já; a conquista da Presidência da República e a doença que o vitimou aos 75 anos, impedindo-o de assumir o cargo. Os traços de sua personalidade típicamente mineira também serão retratados nas palavras do artista Ziraldo.

O filme é narrado pelo ator Othon Bastos e foi produzido pelo jornalista Fernando Barbosa Lima.
 

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

O nome da rosa (Umberto Eco)



 Assista ao filme O nome da rosa, baseado na obra homônima de Umberto Eco




O Nome da Rosa
Umberto Eco
Ficção de estreia de Umberto Eco, "O Nome da Rosa" é um romance cuja trama se desenrola em um mosteiro italiano na última semana de novembro de 1327. Ali, em meio a intensos debates religiosos, o frade franciscano inglês Guilherme de Baskerville e seu jovem auxiliar, Adso, envolvem-se na investigação das insólitas mortes de sete monges, em sete dias e sete noites. Os crimes se irradiam a partir da biblioteca do mosteiro: "o nome da rosa" era uma expressão usada na Idade Média para denotar o infinito poder das palavras.

Síntese
Ficção de estreia de um dos mais respeitados teóricos da semiótica, "O Nome da Rosa" transformou-se em prodígio editorial logo após seu lançamento, em 1980.

Tamanho sucesso não parecia provável para um romance cuja trama se desenrola em um mosteiro italiano na última semana de novembro de 1327.

Ali, em meio a intensos debates religiosos, o frade franciscano inglês Guilherme de Baskerville e seu jovem auxiliar, Adso, envolvem-se na investigação das insólitas mortes de sete monges, em sete dias e sete noites.

Os crimes se irradiam a partir da biblioteca do mosteiro - a maior biblioteca do mundo cristão, cuja riqueza ajuda a explicar o título do romance: "o nome da rosa" era uma expressão usada na Idade Média para denotar o infinito poder das palavras.

Narrado com a astúcia e a graça de quem apreciou (e explicou) como poucos as artes do romance policial, "O Nome da Rosa" encena discussões de grandes temas da filosofia europeia, num contexto que faz desses debates um ingrediente a mais da ficção.

O livro de Eco é ainda uma defesa da comédia - a expressão do homem livre, capaz de resistir com ironia ao peso de homens e livros.



 

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

UNICAMP 2ª FASE 2013

 Confira a correção da segunda fase 2013 da UNICAMP
 

HISTÓRIA
Questão 10
Por que as pessoas se casavam na Roma Antiga? Para esposar um dote, um dos meios honrosos de enriquecer, e para ter, em justas bodas, rebentos que, sendo legítimos, perpetuassem o corpo cívico, o núcleo dos cidadãos. Os políticos não falavam exatamente em
natalismo, futura mão de obra, mas em sustento do núcleo de cidadãos que fazia a cidade perdurar exercendo a “função de cidadão” ou devendo exercê-la.
(Adaptado de P. Ariès e G. Duby, História da Vida Privada. São Paulo: Companhia das Letras, 1990. v. 1, p. 47.)
a) Por que o casamento tinha uma conotação política entre os cidadãos, na Roma Antiga?
b) Indique dois grupos excluídos da cidadania durante a República romana (509-27 a.C.).
 



 resposta:
A) Segundo o texto, o casamento tinha uma conotação política, porque perpetuava o “corpo cívico” da República já que resultavam em filhos “legítimos” de Roma. Além disso, o casamento poderia possibilitar o enriquecimento dos cidadãos por meios “honrosos”.
 
B) Entre os grupos excluídos podemos citar:
- Escravos
- Libertos
-Mulheres


Questão 11
Tradicionalmente, a vitória dos cristãos sobre os muçulmanos na Batalha de Covadonga, na região da Península Ibérica, em 722, foi considerada o início da chamada Reconquista. Mais do que um decisivo confronto bélico, Covadonga foi uma luta dos habitantes locais por sua autonomia. A aproximação ideológica desta vitória, feita mais tarde por clérigos das Astúrias, conferiu à batalha a importância de um fato transcendente, associado ao que se considerava a missão da monarquia numa Hispânia que tombara diante dos seus inimigos.
(Adaptado de R. Ramos, B. V. Sousa e N. Monteiro (orgs.), História de Portugal. Lisboa: A Esfera dos Livros, 2009, p. 17-18.)
 
a) Explique o que foi a Reconquista.
b) De que maneiras a Batalha de Covadonga foi reutilizada no discurso histórico e político pelos clérigos das Astúrias?



resposta:
A) Denomina-se Reconquista o longo processo bélico entre cristãos e muçulmanos para “recuperar territórios” na Península Ibérica a partir do século VIII. O Último território reconquistado pelos cristãos foi o de Granada em 1492.
B) De acordo com o texto, a Batalha de Covadonga foi considerada um marco fundador da “Hispânia” monárquica e foi qualificada pelo clero asturiano como um evento de importância “transcendental”, cujo significado estava relacionado à fundação do Estado Nacional absoluto. Assim, a vitória cristã na Batalha de Covadonga serviu, no momento final da Reconquista, século XV, para conferir legitimidade à Monarquia espanhola que estava atrelada à Igreja Católica.

Questão 12
 Observe a imagem abaixo: 
 


Adriaen Van de Venne, A pesca de almas 1614. Amsterdã. Holanda

 a) A imagem representa a disputa entre calvinistas e católicos. Como estão representados os calvinistas na obra do artista holandês?
b) Explique a importância econômica da Holanda como potência marítima no contexto europeu do século XVII.


resposta:
a) São representados com uma indumentária típica, composta por uma veste negra de golas altas e brancas. A uniformidade das vestimentas sugere uma ausência de hierarquia, uma prerrogativa do calvinismo. A simplicidade, os gestos contidos e elegantes, a austeridade, a ausência de drama e a presença dos livros também fazem parte dos recursos estilísticos utilizados pelo artista na representação do ideário calvinista, o que pode simbolizar a modéstia, a clareza, o trabalho e a intelectualidade sem sofisticação.

b) Historicamente associada às atividades comerciais com outras regiões da Europa e adeptos do credo calvinista, a elite mercante holandesa se notabilizou pela eficiência na constituição de companhias marítimas de comércio, tais como a Companhia das Índias Ocidentais (WIC) e a Companhia das Índias Orientais (WOC), responsáveis por auferir grandes lucros para seus acionistas atravessando os oceanos em busca de oportunidades na América, África e Ásia. Deste modo, a Holanda se tornaria a maior potência marítima de fins do século XVI e início do século XVII até sua derrota nas guerras contra a Inglaterra desencadeadas pela adoção dos Atos de Navegação em 1651.




Questão 13

1549 e 1763 são os anos do estabelecimento de Salvador e Rio de Janeiro, respectivamente,
como capitais da área que viria a ser o Brasil. Em 1960, a terceira capital foi inaugurada.
Em relação ao estabelecimento das capitais, responda:
a) Quais os objetivos políticos do estabelecimento das duas primeiras capitais?
b) Por que a mudança da capital do Rio de Janeiro para Brasília pode ser vista como uma mudança política e estratégica?
 




resposta:

a) O estabelecimento da cidade de Salvador como capital brasileira em 1549  está relacionado à produção de cana-de-açúcar no Nordeste e à tentativa de aproximar a administração da colônia ao centro de produção econômica no período. Vale destacar também a criação do Governo Geral (1548), no sentido de centralizar as decisões relativas à colônia.
Por sua vez, a cidade do Rio de Janeiro se torna capital da colônia no momento em que a região sudeste se mostrava economicamente em evidência, por conta das explorações das minas, a decisão pombalina visava ampliar o controle sobre os carregamentos de ouro exportados.
b) O discurso oficial do governo de Juscelino Kubitschek apontava a mudança da capital  – prevista pela Constituição de 1891- como maneira de promover uma maior integração entre todas as regiões do país. A região central, nesse sentido, ficaria responsável pela irradiação das decisões federais. Além disso, o Rio de Janeiro era notado como frágil a ataques estrangeiros, uma vez que se localizava na costa brasilera.
Estrategicamente, a mudança da capital para Brasília  – cidade planejada e construída durante o governo de JK – contribui para o afastamento  entre o centro político do Brasil e os centros urbanos, evitando, assim,  que manifestações e revoltas de grande porte pudessem interferir no funcionamento do aparelho de Estado. Além disso, a construção de uma cidade planejada e exemplo de arquitetura inovadora contribuia para a tentativa de consagrar o presidente Kubitschek como responsável pelos “anos dourados” brasileiros.





Questão 14

Observe a distribuição de custos dos camponeses franceses, em percentual da colheita, às vésperas da Revolução de 1789. Esses custos referem-se ao arrendamento da terra, ao custo das sementes e aos impostos pagos ao rei, ao senhor da terra e ao clero.

a) Relacione os dados apresentados com as condições vividas pelos camponeses na França do final do Século XVIII.
b) Por quais motivos a questão econômica foi um elemento importante para o Terceiro Estado durante a Revolução Francesa?
 



 resposta:

a) O gráfico deixa clara a situação precária do camponês francês que consegue se apropriar somente de 35% da colheita de suas terras, uma vez que é forçado a dividir a maior parte dela entre os custos com sementes e obrigações devidas na forma de impostos
ao primeiro e segundo estados da sociedade (rei, clero e senhor). Sendo obrigado a destinar 45% de tudo que produz aos grupos da sociedade que sobre ele possuíam privilégios, o camponês se via impossibilitado de melhorar suas condições de vida. Em resumo, o gráfico reproduz a estrutura estamental da sociedade acesa às vésperas da Revolução Francesa.
 b) Às dificuldades econômicas enfrentadas pelo clero e pelos sans-culottes, que os mantinha em uma situação de miséria, juntava-se o descontentamento da burguesia francesa que protestava contra a intervenção estatal na economia marcada pela pratica mercantilista típica dos regimes absolutistas. Apesar de viver em uma condição econômica muito mais favorável que seus outros pares do terceiro estado, a burguesia se sentia explorada pelo peso dos impostos cobrados pelo Estado francês para manter os  privilégios das duas primeiras ordens, defendendo a adoção do liberalismo como forma de concederlhes maior autonomia para desenvolver seus negócios. De certo modo, os problemas de ordem econômica acabaram por aproximar os diferentes elementos que compunham o terceiro estado apesar das grandes diferenças que os marcavam.  




Questão 15
  No fim do século XIX, Frederick Jackson Turner elaborou uma tese sobre a “fronteira” como definidora do caráter dos Estados Unidos até então. A força do indivíduo, a democracia, a informalidade e até o caráter rude estariam presentes no diálogo entre a civilização e a barbárie que a fronteira propiciava. As tradições europeias foram sendo abandonadas à medida que o desbravador se aprofundava no território em expansão dos Estados Unidos.


Em relação à questão da fronteira nos Estados Unidos, responda:
a) De quais grupos ou países essas terras foram sendo retiradas no século XIX?
b) O que foi o “Destino Manifesto” e qual seu papel nessa expansão?
 


resposta:
a) O processo de expansão territorial estadunidense comumente denominado de "Marcha para o Oeste" contribuiu para expandir consideravelmente o território do país através de três estratégias principais: conflito militar, compra e negociação diplomática. As guerras levaram os Estados Unidos a incorporarem territórios indígenas, bem como parcelas de terras antes pertencentes ao México e aInglaterra. Através de compra os estadunidenses obtiveram territórios da Rússia, Espanha e França.
b) O "Destino Manifesto" se tratou de uma ideologia surgida na imprensa norteamericanos no início do século XIX que acabou sendo apropriada pelas autoridades políticas como argumento de defesa para a marcha para o oeste. De acordo com ela, cabia à nova nação a missão de difundir os ideais de liberdade e democracia por todo o território a oeste, devendo por isso expandir suas fronteiras
sobre territórios privados de tais valores. Baseado em preceitos religiosos que consideravam os norte-americanos iluminados por Deus para servir  de exemplo aos outros povos, o Destino Manifesto apresentava em sua essência a concepção de disseminação dos valores morais cristãos.


Questão 16

            Após a queda da monarquia, a República tentou ligar-se à memória da abolição. Seu principal argumento era a recusa do Exército em capturar os escravos fugidos. Reivindicava-se, assim, o reconhecimento dos republicanos militares como atores da abolição e redentores da pátria livre.
Nas comemorações oficiais da abolição, o 13 de maio e o 15 de novembro eram apresentados como datas complementares de um mesmo processo de modernização do país, abrindo as portas do Brasil ao progresso e à civilização. De modo complementar, ligava-se o sistema monárquico à escravidão e ao atraso do país.
(Adaptado de Robert Daibert Jr., “Guerra de Versões”. Revista de História da Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro, jun. 2008.
http://www.revistadehistoria.com.br/secao/capa/guerra-de-versoes. Acessado em 30/09/2012.)
 
a) Explique por que o regime republicano associou a monarquia à escravidão.
b) Como a questão militar contribuiu para o fim do Império do Brasil?
 

resposta:
A) Segundo o texto, o regime republicano associou a monarquia à escravidão como forma de desqualificar o regime anterior, associando-o ao “atraso do país”. Para os republicanos era imprescíndivel criar e legitimar uma memória do novo regime, associado ao “processo de modernização” que abriria ao Brasil as portas do “progresso”, “civilização”.
B) A chamada “questão militar” refere-se a um conjunto de episódios conflituosos entre militares e os políticos do império. Tais atritos multiplicaram-se a partir da Guerra do Paraguai e ganharam contornos de nítida insubordinação na década de 1880, quando o exército declarou que não capturaria mais escravos fugidos. Assim, ao longo da última década do Império, os militares foram retirando gradativamente o apoio ao regime monárquico, aliando-se a outros grupos de políticos,  efetivando o golpe republicano em 15 de novembro de 1889 e contribuindo decisivamente para a consolidação do novo regime.




Questão 17

 Em janeiro de 1932, o aniversário de São Paulo foi comemorado com enorme comício na Praça da Sé. A multidão empunhava bandeiras do Estado, além de cartazes com palavras de ordem como “Tudo pelo Brasil! Tudo por São Paulo!”, “Abaixo a ditadura!”, ou ainda “Constituição é Ordem e Justiça!”.
(Ilka Stern Cohen, “Quando perder é vencer”. Revista de História da Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro, jul. 2012.http://www.revistadehistoria.com.br/secao/dossie-imigracao-italiana/quando-perder-e-vencer. Acessado em 05/10/2012.)
a) Aponte dois aspectos que contribuíram para a tensão entre o governo Vargas e o Estado de São Paulo, em 1932.
b) Explique por que a Constituinte era uma reivindicação dos paulistas.
 



 resposta:

a) O candidato poderia citar o descontentamento dos paulistas com relação à destituição do governador do Estado de São Paulo e sua substituição por João Alberto Lins de Barros, vinculado ao movimento tenentista e nomeado interventor por Getúlio Vargas. Além disso, Vargas colocou fim à antiga política de valorização do café, estabelecendo novas relações com a oligarquia cafeeira, ressaltando a superioridade do papel do Estado nas diretrizes econômicas, e substituiu os comandos do Exército Paulista.
b) As camadas urbanas paulistas alegavam que o governo estabelecido por Vargas a partir de 1930 era incostitucional e autoritário, uma vez que suspendeu a Constituição de 1891 e não convocou, imediatamente, uma assembléia constituinte. O PRP, por sua vez, aliado ao PDP, utilizava deste argumento na tentativa de derrubar Getúlio Vargas e reestabelecer o poder das antigas oligarquias paulistas.

         

 Questão 18              


Na foto abaixo reproduzida, o presidente Jânio Quadros condecora o líder da Revolução Cubana, Ernesto Che Guevara.
 
a) Como essa condecoração pode ser explicada no contexto das propostas do governo Jânio Quadros para as relações externas do Brasil?
b) Quais grupos, no Brasil, criticaram esse acontecimento?




resposta:

   a) Após assumir a presidência da República em 1960, Jânio inicia diferentes programas voltados a atender às promessas que havia assumido durante a campanha ao mesmo tempo em que enfrentava sérios problemas  econômicos herdados da gestão JK. Uma das metas de Jânio para atender a necessidade de obter superávit primário para o país foi ampliar o mercado externo para produtos brasileiros voltando-se para uma aproximação com os mercados consumidores dos países do  bloco socialista. Chamada de "Política Externa Independente", a iniciativa de Jânio visava manter o Brasil no bloco dos países não-alinhados, permitindo que o país estabelecesse um comércio direto com componentes dos dois blocos ideológicos. A condecoração de Che Guevara, então ministro do novo governo socialista cubano, visava justamente aproximar o Brasil de Cuba e, deste modo, também da URSS.
b) Os grupos políticos de direita no Brasil, que já haviam se oposto à política nacionalista de Vargas e de JK, reunidos em torno da liderança de Carlos Lacerda então maior representante da União Democrática Nacional (UDN), protestaram contra a condecoração acusando Jânio de estar abraçando a doutrina socialista e repudiando a ligação histórica do Brasil com o bloco capitalista liderado pelos Estados Unidos. Também setores militares criticaram duramente a condecoração dada por Jânio a “Che”.             

fonte:  CURSO E COLÉGIO OFICINA DO ESTUDANTE
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