sábado, 5 de dezembro de 2009

A Guerra contra o terrorismo

Guerra ao Terror é uma iniciativa militar desencadeada pelos
Estados Unidos a partir dos atentados de 11 de setembro. O então presidente George W. Bush dos EUA, declarou a "Guerra ao Terror" como parte de uma estratégia global de combate ao terrorismo.


Inicialmente com forte apelo religioso neoconservador, George Bush chegou declarar uma "Cruzada contra o Terror" e contra o "Eixo do Mal", no que ficou conhecido como
Doutrina Bush. Isto gerou forte reação entre os aliados europeus acabaram exigindo a moderação no uso de conceitos histórico-religiosos como parte da terminologia do discurso anti-terror.
Como parte das operações militares da "Guerra do Terror", os Estados Unidos invadiram e ocuparam países como o
Afeganistão e o Iraque.
Foram mobilizados diferentes esforços simultâneos na Guerra ao Terror, no plano
político-diplomático, econômico, militar e de inteligência ou contra-inteligência.

Objetivos dos EUA e controvérsias
O principal alvo da chamada "Guerra ao Terror" passou a ser os Estados apoiadores de movimentos ou grupos
terroristas, chamados de "Estados-bandido" ou "Estados-pária" (Rougue States), os mesmos que inicialmente eram chamados de "Eixo do Mal".
Uma das controvérsias mantidas durante todo o período dos anos 2000, diz respeito à classificação destes inimigos, já que na prática, os
Estados Unidos e seus aliados da OTAN é que definiram quem é ou não terrorista e quem são os governos que apoiam ou não o terrorismo. Um exemplo deste tipo de crítica partiu da Rússia e da China que passaram a definir o separatismo e o extremismo como sinônimos de terrorismo e criaram uma aliança para combater o extremismo, terrorismo e separatismo, a Organização de Cooperação de Xangai. Esta organização passou a classificar os movimentos separatistas checheno e uigure, respectivamente, na Rússia e China, como grupos terroristas
Existem grandes controvérsias a respeito dos objetivos declarados e da eficácia desta luta contra o terror. Através desta, os EUA conseguiram manter um estado de tensão permanente desde 2001, sempre referindo-se à ameaça constante do terrorismo como o maior mal existente sobre a terra.
O objetivo central da Guerra ao Terror seria eliminar o
Terrorismo. Entretanto a impossibilidade de realizar tal objetivo gerou grandes críticas e controvérsias, mesmo porque, não havia terrorismo no Iraque antes da invasão americana e hoje este país é alvo de inúmeros atentados terroristas.
Alguns críticos consideram que estas guerras têm objetivos menos defensivos (defesa contra o terrorismo) e mais ofensivos do que o governo dos Estados Unidos declara, como por exemplo, garantindo poder ao expandir a rede de bases militares americanas no mundo eassegurando o controle de áreas estratégicas devido à presença de grandes reservas de petróleo e gás natural (Iraque) ou por ser rota de escoamento destas riquezas (Afeganistão)
.
A crescente antipatia pela "Guerra ao Terror" tanto no caso do povo americano como das populações de países europeus, deve-se em grande parte à incapacidade de resolução ou pacificação dos conflitos já iniciados. No caso americano isto é agravado pela grande sensibilidade da
opinião pública média em relação às baixas militares de soldados americanos envolvidos nas guerras do Iraque e Afeganistão. No caso dos países europeus da OTAN envolvidos na "Guerra ao Terror", a antipatia inicial já era grande devido ao grande número de muçulmanos na Europa, especialmente diante da forte polarização religiosa do discurso "anti-terror" americano, que generalizava a associação do termo "terrorista" com "muçulmano". Além disto, os países europeus que se nvolveram diretamente na guerra ao terror, enviando tropas para o Iraque e Afeganistão, tornaram-se alvo de atentados terroristas.
A dificuldade de pacificar os países ocupados (
Iraque e o Afeganistão), é considerado como um dos fatores centrais para várias crises, com a queda da popularidade do Governo Bush e o fim do ciclo político com os Neoconservadores do Partido Republicano no poder. Também está associado à crise de confiança mundial no poder americano, que entre outros fatores, colaborou para fortalecer a percepção de decadência do poder dos Estados Unidos. Entre outros fatores, este processo colaborou para aprofundar a crise econômica dos EUA até 2007-2008, levando ao colapso financeiro de 2008.

Canções para se trabalhar a tematica da Doutrina Bush e a guerra ao terrorismo

1 "American Idiot" - Green Day


American Idiot
Don't wanna be an American idiot.
Don't wanna a nation that under the new midia
And can you hear the sound of hysteria?
The subliminal mind fuck America.
Welcome to a new kind of tension.
All across the alienation.
Where everything isn't meant to be ok.
Television dreams of tomorrow.
We're not the one to meant to follow.
For that's enough to argue to.
Well maybe I am the faggot America.
Bem, talvez eu esteja fodendo a America.
I'm not a part of a redneck agenda.
Mas eu não sou parte de um grupinho ignorante
Now everybody do the propaganda!
Agora todo mundo faz propaganda.
And sing along in the age of paranoia.
E canta junto feito um bando de paranoicos
Welcome to a new kind of tension.
All across the alienation.
Where everything isn't meant to be ok
Television dreams of tomorrow.
We're not the one to meant to follow.
For that's enough to argue to.
Don't want to be an American idiot.
One nation controlled by the media.
Information age of hysteria.
Is going out to idiot America.
Welcome to a new kind of tension.
All across the alienation.
Where everything isn't meant to be ok.
Television dreams of tomorrow.
We're not the one to meant to follow.
For that's enough to argue to.

Idiota Americano

Não queira ser um idiota americano.

De uma nação governada pela nova mídia.
E você pode ouvir o som da histeria?
O sublime sentimento de foder com a América
Bem-vindo a um novo tipo de tensão.
Baseado na alienação
Onde tudo é feito para nao ser certo
Os sonhos criados pela televisão
Os quais não somos obrigados a seguir
Já nos dão razão suficiente para nos opor
Bem, talvez eu esteja fodendo a America.
Mas eu não sou parte de um grupinho ignorante
Agora todo mundo faz propaganda.
E canta junto feito um bando de paranóicos
Bem-vindo a um novo tipo de tensão.
Baseado na alienação
Onde tudo é feito para não ser certo
Os sonhos criados pela televisão
Os quais não somos obrigados a seguir
Já nos dão razão suficiente para nos opor
Não queira ser um idiota americano
De uma nação governada pela mídia.
Onde a informação é descontrolada
O que começa a transformá-la em idiota
Bem-vindo a um novo tipo de tensão.
Baseado na alienação
Onde tudo é feito para não dar certo
Os sonhos criados pela televisao
Os quais não somos obrigados a seguir
Já nos dão razão suficiente para nos opor

2 "Where'd You Go" - Fort Minor


Where'd you go?
Onde você foi?
I miss you so,
Eu sinto muito sua falta,
Seems like it's been forever,
Parece que é pra sempre,
That you've been gone.
que você foi embora
She said "some days I feel like shit,
Ela disse "Alguns dias eu me sinto como merda,
Some days I wanna quit, and just be normal for a bit,"
alguns dias eu quero parar e ser normal só um pouco...
I don't understand why you have to always be gone,
Eu não entendo porque você tem sempre que ir,
I get along but the trips always feel so long,
Eu vou junto mas as viagens sempre parecem tão longas
And, I find myself trying to stay by the phone,
E eu me encontro ligando, fico no telefone
'cause your voice always helps me to not feel so alone,
Porque sua voz sempre me ajuda quando me sinto só
But I feel like an idiot, workin' my day around the call,
Mas me sinto um idiota esperando sua ligação...
But when I pick up I don't have much to say,
Mas quando eu atendo não tenho muito a dizer
So, I want you to know it's a little fucked up,
Então eu quero que você saiba que é um pouco fóda
That I'm stuck here waitin', at times debatin',
Que eu fico aqui esperando, às vezes debatendo
Tellin' you that i've had it with you and your career,
contando a você o que eu tive com você e com sua carreira,
Me and the rest of the family here singing "where'd you go?"
Eu e o resto da familia aqui cantando "onde você foi?"

Where'd You Go
Onde Você Foi?
Where'd you go?
Onde você foi?
I miss you so,
Eu sinto muito sua falta,
Seems like it's been forever,
Parece que é pra sempre,
That you've been gone.
que você foi embora
She said "some days I feel like shit,
Ela disse "Alguns dias eu me sinto como merda,
Some days I wanna quit, and just be normal for a bit,"
alguns dias eu quero parar e ser normal só um pouco...
I don't understand why you have to always be gone,
Eu não entendo porque você tem sempre que ir,
I get along but the trips always feel so long,
Eu vou junto mas as viagens sempre parecem tão longas
And, I find myself trying to stay by the phone,
E eu me encontro ligando, fico no telefone
'cause your voice always helps me to not feel so alone,
Porque sua voz sempre me ajuda quando me sinto só
But I feel like an idiot, workin' my day around the call,
Mas me sinto um idiota esperando sua ligação...
But when I pick up I don't have much to say,
Mas quando eu atendo não tenho muito a dizer
So, I want you to know it's a little fucked up,
Então eu quero que você saiba que é um pouco foda
That I'm stuck here waitin', at times debatin',
Que eu fico aqui esperando, às vezes debatendo
Tellin' you that i've had it with you and your career,
contando a você o que eu tive com você e com sua carreira,
Me and the rest of the family here singing "where'd you go?"
Eu e o resto da familia aqui cantando "onde você foi?"
Where'd you go?
Onde você foi?
I miss you so,
Eu sinto muito sua falta,
Seems like it's been forever,
Parece que é pra sempre,
That you've been gone.
Que você foi embora
Where'd you go?
Onde você foi?
I miss you so,
Eu sinto sua falta
Seems like it's been forever,
Parece que é pra sempre,
That you've been gone,
Que você foi embora
Please come back home...
Por Favor, volta pra casa!
You know the place where you used to live,
Você sabe o lugar que morávamos
Used to barbecue up burgers and ribs,
Usado para churrasco de hamburgueres e costelas
Used to have a little party every halloween with candy by the pile,
Usada para fazer uma pequena festa de Helloween com doces pelos cantos,
But now, you only stop by every once and a while,
Mas agora você só aparece de vez em quando...
Shit, I find myself just fillin' my time,
Merda!! Eu me deparo apenas preenchendo meu tempo
With anything to keep the thought of you from my mind,
Fazendo coisas para tirá-la da minha cabeça
I'm doin' fine, I plan to keep it that way,
Estou indo bem, e planejo continuar assim.
You can call me if you find that you have something to say,
Você pode me ligar se achar que há algo a dizer
And I'll tell you, I want you to know it's a little fucked up,
E então eu quero que você saiba que é um pouco foda
That I'm stuck here waitin', at times debatin',
Que eu fico aqui esperando, às vezes debatendo
Tellin' you that i've had it with you and your career,
contando a você o que eu tive com você e com sua carreira
Me and the rest of the family here singing "where'd you go?"
Eu e o resto da família aqui cantando "onde você foi?"
Where'd you go?
Onde você foi?
I miss you so,
Eu sinto muito sua falta,
Seems like it's been forever,
Parece que é pra sempre,
That you've been gone.
Que você foi embora
Where'd you go?
Onde você foi?
I miss you so,
Eu sinto sua falta
Seems like it's been forever,
Parece que é pra sempre,
That you've been gone,
Que você foi embora
Please come back home...
Por Favor, volta pra casa!
I want you to know it's a little fucked up,
Eu quero que você saiba que é um pouco foda
That I'm stuck here waitin', no longer debatin',
Que eu fico aqui esperando , não mais debatendo
Tired of sittin' and hatin' and makin' these excuses,
Cansado(a) de sentar e detestando e fazendo essas desculpas
For why you're not around, and feeling so useless,
Por enquanto você não está por perto
It seems one thing has been true all along,
Parece que algo foi verdadeiro todo o tempo
You don't really know what you've got 'til it's gone,
Você realmente não sabe o que tem até perdê-lo
I guess I've had it with you and your career,
Eu aposto que tive algo com você e com sua carreira
When you come back I won't be here and you can sing it...
Quando você voltar eu não estarei mais aqui e você poderá cantar isso...
Where'd you go?
Onde você foi?
I miss you so,
Eu sinto muito sua falta,
Seems like it's been forever,
Parece que é pra sempre,
That you've been gone.
que você foi embora..
Where'd you go?
Onde você foi?
I miss you so,
Eu sinto sua falta
Seems like it's been forever,
Parece que é pra sempre,
That you've been gone,
Que você foi embora
Please come back home...
Por Favor, volta pra casa!

3 wake me up when september ends

4 Limp Biskit - "behind blue eyes "

5 "like toy soldiers" - Eminem

As clássicas pin-ups

Pin-up


Fotografias de pin-ups na revista estadunidense Yank, the Army Weekly.
Uma pin-up é uma
modelo cujas imagens sensuais produzidas em grande escala exercem um forte atrativo na cultura pop. Destinadas à exibição informal, as pin-ups constituem-se num tipo leve de erotismo. As mulheres consideradas pin-ups são geralmente modelos e atrizes.



histórico

Pin-up de Patrick Hitte.


Pin-up também pode se referir a desenhos, pinturas e outras ilustrações feitas por imitação a estas fotos. O termo foi documentado pela primeira vez em inglês em 1941; contudo, seu uso pode ser rastreado pelo menos até a década de 1890. As imagens “pin up” podiam ser recortadas de revistas, jornais, cartões postais, cromo-litografias e assim por diante. Tais fotos apareciam freqüentemente em calendários, os quais eram produzidos para serem pendurados (em inglês, pin up) de alguma forma. Posteriormente, posters de “pin-up girls” começaram a ser produzidos em massa.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Os caudilhos no Rio Grande do Sul
Por Voltaire Schilling

Ideologia e História
Os historiadores Loiva Otero Félix e César Guazelli consideram o caudilho um líder carismático, encontrado no século XIX, no contexto das lutas de fronteira.
À medida que se proclama a República, ocorrem alterações significativas no perfil destes chefes político-militares.
“Os coronéis do Império eram incontestavelmente os da fronteira e da Campanha, com nítido acento caudilhista, militar e com influência da Região do Prata.”
“O caudilho gaúcho teve seu poder reconhecido mais pelo consenso do grupo social do que pela força. Na segunda metade do século XIX, seu papel de
chefe eleitoral tornou-se preponderante.”
O Caudilhismo
O caudilho exerce um tipo de poder em sentido restrito. Sua dominação localiza-se em um grupo social determinado e pode estar fundamentada no costume ou tradição, na lei, na graça pessoal ou carisma. Em geral, o caudilho utiliza, como meios para obter essa dominação, o oportunismo político, militar ou religioso, meios econômicos especiais, qualidades peculiares como valor, audácia, poder de persuasão, inteligência, machismo, etc. e ainda o emprego de uma clientela mais ou menos numerosa que pode ser de diferentes classes e incluir desde grupos de camponeses em busca de proteção e ajuda até familiares e amigos, incluindo aqui relações de compadrio, e também, em alguns casos, a orientação de uma bandeira ou partidarismo político.
O Tempo e o espaço do Caudilhismo
SÉCULO XVIII E XIX PAMPA ARGENTINO E URUGUAIO CAMPANHA e FRONTEIRA

O caudilhismo do Rio Grande do Sul, apesar de ter por berço a mesma região geográfica – os campos de fronteira com atividade criatória, sem reconhecer divisões políticas, baseados, isto sim, em situações de parentesco e de atividades econômicas – difere da sua raiz platina, uma vez que, no período pós-independência, os estanceiros-militares ou estanceiros-caudilhos gozavam de ampla autonomia, inclusive fazendo leis e administrando a justiça em seus territórios.
Quem da Pátria a liberdade
defende como um leão?
João
Quem sempre um soldado encontra
no destemido campônio?
Antônio.
Quem na guerra faz brilhar
de república a bandeira?
Silveira.
Vencer a força que oprime
toda nação brasileira
é o que aqui faz com glória
João Antônio da Silveira.
Fernando Diáz
“No Brasil o termo é empregado pejorativamente, no sentido de que o político pretende se apossar do governo por um golpe de força e instalar um governo autoritário”.
César Guazelli
“Assim como a Banda Oriental, como no noroeste e no litoral argentino, o Rio Grande do Sul pastoril, do século XIX, foi caudilhesco, deixando de sê-lo apenas quando a organização do Estado oligárquico contemplou a classe dominante regional com vantagens”.
Tabajara Ruas
“A história do Rio Grande do Sul é análoga à do Prata. Trata-se, ali, de território de caudilho”.
Jacques Lambert
“A América Portuguesa escapou ao caudilhismo sob forma nacional, conheceu-o apenas sob formas regionais, em particular no Estado do Rio Grande do Sul”.
Traços Do Caudilho Rio-Grandense
• Carisma
• Aceitação de seu poder de fato
• Reconhecimento de sua autoridade
• Consenso de seus liderados
• Predomínio de seu papel militar
• Caráter transitório
• Símbolo da identidade coletiva
• Foco de culto pessoal
O Caudilhismo no Rio Grande do Sul
O caudilhismo foi traço marcante no Rio Grande do Sul, em face da ocupação militarizada da área fronteiriça. Não pode ser dissociado de seu contexto platino, já que são constatadas aproximações e semelhanças.
A oligarquia rural é fornecedora de caudilhos, revolucionários e legalistas, tanto em nível regional como nacional, já que a classe dominante rio-grandense, os estancieiros, fazia valer sua posição do poder central, em relação à classe dominante regional, ora apoiando o governo central, se houvesse interesses comuns, ora auxiliando os revolucionários, se em conflito com os interesses oligárquicos.

O Tempo dos Caudilhos
Situa-se entre a independência da dominação espanhola e a consolidação territorial latino-americana.
No Brasil, não há unanimidade entre os historiadores e estudiosos dos movimentos sociais sobre a existência e a importância de caudilhos em nossa história.
Há manifestações caudilhescas desde os conflitos lusoespanhóis na estruturação das fronteiras Argentina, uruguaia e riograndense.
Os últimos a merecerem tal designativo pela imprensa foram Batista Luzardo e Leonel Brizola, nas décadas finais do século XX.
Bento Gonçalves
Estancieiro gaúcho, participou ativamente das campanhas brasileiras do Prata, sendo nomeado Comandante da Fronteira Sul e também Comandante da Guarda Nacional na região. Chefe revolucionário e líder republicano na guerra dos farrapos.
Segundo Rocha Pombo, “banditismo heróico, avesso, tanto ao predomínio de estranhos, como à própria ordem legal interna. A vida móvel e agitada fez do gaúcho um verdadeiro beduíno de campanha. O gaúcho criou o caudilho”.
Proclamação
“Rio-grandenses! Raiou a aurora de vossa felicidade![...] O Brasil em massa se levanta como um só homem para sacudir o férreo jugo do segundo Pedro. É este o momento de mostrardes ao mundo que sois rio-grandenses. Se assim fizerdes vereis em breve tremular o estandarte tricolor em todos os pontos da República; os riograndenses iludidos virão aos vossos braços, e não só salvareis a Pátria como sereis os libertadores do Brasil inteiro. Viva a liberdade! Vivam os rio-grandenses! Vivam nossos irmãos paulistas! Viva a futura Assembléia do Rio Grande.
Quartel General em Cacequi, 13 de julho de1842.
Bento Gonçalves da Silva.
Bento Manoel Ribeiro
Durante a Revolução Farroupilha, em função de seu temperamento singular, mentalidade “mais caudilhesca do que militar”, adotou posições controvertidas e aparentemente inexplicáveis. Militar experimentado e bem relacionado na campanha por laços de parentesco, dispunha de notável clientela.
David Canabarro
Possuía grande tino militar.
Entrou na Revolução Farroupilha um ano depois do seu início, como tenente-coronel, tendo sido promovido a general por suas estratégias de comando nos últimos anos do conflito. Liderou campanhas militares no Rio da Prata. Era “rude, extravagante, descuidado de filigranas morais”, no dizer de Lindolfo Collor.
“Senhor, o primeiro de vossos soldados que transpuser a fronteira fornecerá o sangue com que assinaremos a paz com os imperiais. Acima de nosso amor à República está nosso brio de brasileiros.
Quisemos, ontem, a separação de nossa pátria, hoje almejamos a sua integridade.Vossos homens, se ousarem invadir nosso país, encontrarão, ombro a ombro, os republicanos de Piratini e os monarquistas do senhor D. Pedro II”.
Resposta de Canabarro ao emissário de Rosas.
Bento Manoel Ribeiro
Militar de raros méritos: estrategista, tático, profundo conhecedor do terreno e com grande capacidade de nele se orientar. Líder em combate, na combinação de infantaria e cavalaria. Conhecedor da psicologia de seus homens e dos adversários, dentre estes, os caudilhos platinos.
Antônio de Souza Neto
Para Garibaldi, Neto foi um modelo de cavaleiro. Não era muito “estratégico”. Era um “senhor da espada” e republicano. Defendeu com convicção seus ideais, proclamando a República Rio-grandense. Por suas características pessoais, liderança, coragem, carisma e amor pela guerra, foi considerado um exemplo de caudilho na Revolução de 1835.
Antônio de Souza Neto “...sustentou a Revolução Farroupilha na ausência de Bento Gonçalves.” Othelo Rosa “...uma figura de caudilho (...) Traçada diretamente para a ficção.”
Tabajara Ruas
Manifesto Federalista
Cidadãos! Às armas!
Os inimigos da Pátria, arvorados em governo legal, implantaram nela terror como meio de ação, lançaram mão do punhal para matar em plena paz. (...) O Rio Grande, pátria de heróis, está convertido em terra de escravos.(...) A nossa causa é justa porque queremos reconstruir a nossa pátria sobre bases de liberdade.(...)
Às armas, compatriotas! Lutamos pela liberdade da pátria. Deus será conosco. Viva a Nação Brasileira! Viva o Rio Grande do Sul! Viva o Exército Libertador! Viva o Partido Federal!
General em Chefe, João Nunes da Silva Tavares.
Acampamento na Carpintaria, 05 de fevereiro de 1893.

Gaspar Silveira Martins
Nascido na elite, era rebelde e agressivo. Ávido pela aclamação popular. Constituía o estereótipo do caudilho gaúcho. Alto, de peito cheio e corpulento, com uma barba farta e ajeitada. Sua voz ressoante e mente ágil impressionaram todos os que o conheceram.“Não sabia falar baixo (...). Quando saia do recinto onde tinha palestrado, parecia ficar durante algum tempo no ar, ressonando, o eco de sua voz (...). Era um homem fascinador das massas, condutor de homens, verdadeiro caudilho (...).” Participou da Revolução de 1893. Líder do partido Republicano Federalista.
Gumercindo Saraiva
Caudilho da fronteira. Assumiu uma posição de comando dos homens do campo, que tinham especial admiração pela coragem física, destreza com que dominava o cavalo e pela habilidade em manejar uma lâmina. Foi mais estrategista do que combatente, considerado por alguns, o “Napoleão dos Pampas”. Tornou-se a esperança da Revolução Federalista, levando seus maragatos até o Paraná, ameaçando o governo do Presidente Floriano Peixoto.
João Antônio da Silveira
Fazendeiro e republicano convicto, participou das campanhas platinas, o que lhe rendeu grande prestígio em armas.Integrante da Guarda Nacional, exerceu o poder militar na fronteira e nas Missões, reunindo por sua liderança e carisma, grande força na defesa da causa farrapa. Terminada a Revolução, entra, ao lado do Império, nas lutas do Prata, contra Rosas, e participa, ativamente, da luta contra os paraguaios em Uruguaiana.
Firmino Paim Filho
Em 1923, quando inicia a revolução maragata, Firmino Paim Filho, que era um dos maiores fazendeiros da região nordeste do Estado e coronel da Guarda Nacional, organizada a Brigada provisória do Nordeste, com a qual deu permanente combate às tropas do revoltoso caudilho Felipe Portinho. Em 1924, por ocasião da Revolta dos Tenentes, novamente organiza uma coluna para enfrentar Luís Carlos Prestes, perseguindo-o pelo interior do Brasil.
Firmino de Paula
Grande fazendeiro, teve fundamental importância na propaganda republicana. Era coronel da Guarda Nacional ao iniciar a Revolução Federalista, comandando a 5º Brigada da Divisão Norte, sendo o principal adversário em armas de Gumercindo Saraiva.
Em 1923, chamado novamente pelo governo, organiza e comanda, com oitenta anos, a Brigada Provisória do Norte com a qual deu combate aos revoltosos maragatos.
José Antônio Flores da Cunha
Nasceu em Santana do Livramento.Conforme Arthur Ferreira Filho, teria sido o maior caudilho do moderno Rio Grande do Sul, se não o “prejudicasse” a cultura jurídica e literária. Aderiu á Revolução de 1923, pelo desejo de defender o Partido Republicano. Adquiriu fama de valentia por combater e vencer várias vezes. Ficou conhecido por sua estratégia de guerrilha. “Era homem do Pampa”, impulsivo, violento, amável, emotivo até as lágrimas, capaz de atrair e repelir, de fazer amigos dedicados e inimigos rancorosos.
Joca Tavares
Líder militar, fundador do Partido Federalista e um forte opositor do PRR. Participou de combates contra o governo castilhista, comandou as articulações com os exilados e conquistou o apoio de caudilhos uruguaios para lutar na Revolução Federalista.
Juca Tigre
Aparício Saraiva, irmão de Gumercindo.
(Morto em 1904)
Entre os caudilhos maragatos de 1893, não pode se esquecer o Coronel José Serafim de Castilhos, conhecido na paz e na guerra pelo apelido de Juca Tigre. Era um gaúcho de São Gabriel, violento na ação, mas acessível aos sentimentos de generosidade.
1923 de Caudilhos a Coronéis
Leonel Rocha
Pequeno agricultor e quase analfabeto, Leonel Rocha trabalhava de enxada em terras que não lhe pertenciam, o que o diferencia de todos os demais caudilhos gaúchos. Em 1923, reúne uma coluna de quase mil homens, mantendo combate com a maior e melhor parte da coluna do General Firmino de Paula. Os fazendeiros o desprezavam, os roceiros viam nele um espelho de seus próprios sentimentos, um depositário de suas insatisfações, preconceitos e de suas vagas esperanças.
Vazulmiro Dutra
Cumpriu as etapas de um genuíno caudilho, conforme escreve Loiva Otero Félix. Exercitou-se na vida econômica, foi estancieiro, assumiu papel político e adquiriu condição de chefe militar.
Patriarca como o foram quase todos os caudilhos do Rio Grande do Sul, exerceu diversas funções públicas. Participou da Revolução de 1923, ao lado do Partido Republicano Rio-grandense, limitando sua ação à região de Palmeira das Missões. Existem várias tendências da historiografia sobre a presença dos caudilhos no Rio Grande do Sul.
Moacyr Flores
“No Brasil, o termo é empregado pejorativamente, no sentido de que o político pretende se apossar do governo por golpe de força e instalar um governo autoritário”.
Júlio Pimentel Pinto
“O caudilhismo é a representação de uma epopéia do povo hispanoamericano para definir os rumos dos Estados que então se formavam.”
Moisés Velhinho
“...pontos de parecença entre os tipos sociais do gaúcho riograndense e do platino existem, sem dúvida, mas se restringe às peculiaridades decorrentes do mesmo sistema o pastoreio desenvolvido num cenário semelhante. A história do Rio Grande do Sul desconheceu inteiramente a figura do caudilho e do caudilhismo.”
Honório Lemes
(O Leão do Caverá)
Sem grandes posses materiais e com pouca instrução, participou da Revolução Federalista (1893-5), ao lado de Silveira Martins.
Em 1923, voltou às armas, desta feita contra Borges de Medeiros, liderando os maragatos na região oeste do Estado, tendo como base a Serra do Caverá, que foi o santuário do caudilho, justamente apelidado “O leão do Caverá” e tropeiro da liberdade.
Em 1924, apoiou sublevação tenentista nos quartéis do exército no interior do Rio Grande do Sul, entre eles, a da guarnição de Santo Ângelo, liderada por Luís Carlos Prestes. Tropeiro da Liberdade Honório Lemes em sua a poesia “O Testamento” escreveu a certa altura: “Se pretendem me entregar a minha cortante espada podem dar ao camarada General Flores da Cunha que me pegou quase a unha e não quis me fazer nada.”
“Em todos os partidos há homens bons e maus. Os bons são em maior número, mas os maus são mais audaciosos e por isso andam sempre na frente, sendo necessário cortar-lhes a ação...”
Felipe Portinho
Liberal ferrenho, em 1893, Felipe Portinho levanta armas contra Júlio de Castilhos, destacando-se no malogrado ataque à cidade de Rio Grande. Em 1923, não mais morando no Estado, volta para o Rio Grande do Sul para lutar pela Revolução na zona nordeste do Estado. Portinho nunca sofreu derrota campal, sendo considerado, por muitos, o mais capaz dos revolucionários de 1923.
João Francisco
(Hiena do Cati)
Mantinha seu quartel-fortaleza no município de Quaraí, cuja finalidade era vigiar possíveis invasões revolucionárias, procedentes do Uruguai. Pertencia ao PRR, que obedecia à chefia de Borges de Medeiros. Era conhecido pelo estribilho: “Se Deus quiser, João Francisco e a mulher”, detalhe que caracteriza o poder que exerceu sobre o sudoeste rio-grandense, durante 15 anos.

Bibliografia
Acervo do Memorial do Rio Grande do Sul
História do Brasil, Vol. II. Bloch Editores
Antigas Fazendas do Rio Grande do Sul – Lourdes Noronha Pinto
História Ilustrada do Rio Grande do Sul – RBS Publicações

A verdadeira história das pin-ups

A verdadeira história das pin-ups

Por Arlete Gudolle Lopes




Tudo começou na Paris do fim do século XIX com ilustrações de Alphonso Mucha e Jules Cheret. Esses dois artistas criaram as primeiras imagens de mulheres em poses sensuais para pôsteres.Jules Cheret desenvolveu técnicas de litografia e percebeu que este recurso de impressão, aliado à imagem de uma bela mulher,era uma poderosa propaganda.Alphonso Mucha ganhou notoriedade desenhando cartazes para peças protagonizadas pela atriz Sarah Bernhardt, que ficou tão encantada pela sua imagem retratada pelo cartunista que o contratou por um ano inteiro.
Os desenhos de Mucha trabalhados e cheios de contornos são a imagem do movimento art-noveau.A arte dos posters virou escola e influenciou artistas por duas décadas. Com os posters, vieram os calendários com mulheres de silhuetas idealizadas pela imaginação masculina da época, e já estamos falando do início do século passado.Debaixo de uma aura de inocência, transparece toda a sensualidade acentuada por roupas que deixam, aqui e ali, aparecer um pedacinho do corpo da figura retratada. Apesar da censura, os traços elegantes do movimento art noveau acabaram por tornar aceitáveis as figuras desnudas, que passaram a estampar de filtros de cigarros a caixas de bombons.Nos anos 20, Raphael Kirchner ilustrou a vida parisiense com mulheres assumidamente sensuais, muitas vezes em poses e situações que denotavam lesbianismo. Aí, pode-se dizer, começa a história das garotas com cara de sapeca em poses extremamente picantes, ilustrando calendários de oficinas e borracharias. Nessa época, era Hollywood quem mais produzia posters para divulgar seus filmes.
A revista Esquire também ilustrava suas páginas com mulheres sedutoras que viraram a razão de viver dos soldados que partiam para a segunda guerra. Elas estavam por toda parte, nas carteiras dos soldados e desenhadas no nariz dos seus aviões de guerra. Foram elas que, pela primeira vez, mostraram seus pêlos pubianos numa revista masculina. Do desenho, surgiram as pin-ups em carne e osso. As mais famosas foram Betty Page e Norma Jean, que virou Marilyn Monroe e cuja estréia, em fotos para um calendário nua e espichada sobre um fundo de veludo vermelho, tornou-se uma imagem reconhecida em todo o mundo.







Varre, varre, vassourinha...
"Varre, varre, vassourinha..." foi o jingle da campanha "varre, varre vassourinha, varre a corrupção", mote usado por Jânio Quadros, candidato da UDN nas eleições para a presidência do Brasil em 1960. Composta por Maugeri Neto, a música possuía apenas uma estrofe, que repetida duas vezes, continha os seguintes versos:
"Varre, varre, varre, varre vassourinha!
Varre, varre a bandalheira!
Que o povo já 'tá cansado
De sofrer dessa maneira
Jânio Quadros é a esperança desse povo abandonado!
Jânio Quadros é a certeza de um Brasil, moralizado!
Alerta, meu irmão!
Vassoura, conterrâneo!
Vamos vencer com Jânio!"

O ritmo da música se inspira nas marchinhas e para reforçar a ideia de combate à corrupção na política emprega o som de uma vassoura várias vezes.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Os anos de chumbo no Brasil


Período mais repressivo da ditadura militar no Brasil, estendendo-se basicamente do fim de 1968, com a edição do AI-5 em 13 de dezembro daquele ano, até o final do governo Médici, em março de 1974. Alguns, reservam a expressão "anos de chumbo" especificamente para o governo Médici. O período se destaca pelo feroz combate entre a extrema-esquerda, de um lado, e de outro, o aparelho policial-militar do Estado, eventualmente apoiado por organizações paramilitares, tendo como pano de fundo, o contexto da Guerra Fria.
Foram também os anos do chamado milagre econômico brasileiro, período de intenso crescimento econômico. De 1968 a 1973 o PIB do Brasil cresceu acima de 10% ao ano, em média, apesar da inflação, que oscilou entre 15% e 20% ao ano, e da grande concentração de renda, com redução dos salários reais, acentuação da desigualdade social e aumento da pobreza, com cerceamento às liberdades individuais associado à repressão política.








As manifestações públicas acerca da estrutura de repressão da ditadura militar
Por MARIA JOSÉ DE REZENDE *
Recentemente, com a divulgação de algumas fotos que supostamente seriam do jornalista Vladimir Herzog quando foi preso pelas forças repressivas da ditadura militar em meados da década de 1970, vieram à tona muitas indagações acerca da estrutura repressiva montada para dar fôlego às ações que visavam extirpar quaisquer possibilidades de desacordo com os condutores da ditadura militar que vigorou no Brasil entre 1964 e 1985. Todavia, emergiram também falas, gestos, notas, retificações, omissões, estranhamentos, justificativas, revelações, descontentamentos, desapontamentos, perplexidades e conflitos que reafirmam as enormes dificuldades que se têm nesse país de, como dizia Sérgio Buarque de Holanda, acertar as contas com o passado.


A primeira nota divulgada pelo Exército em 17 de outubro de 2004 e também a segunda nota do dia 19 do mesmo mês, a qual foi uma retificação daquela primeira, suscitaram muitos debates sobre a necessidade de abertura dos arquivos referentes ao período ditatorial. Os que defendem a abertura dos respectivos arquivos são aqueles que desejam ver esclarecidos muitos fatos nebulosos que ainda pairam sobre as ações repressoras daquele momento. O acesso aos documentos daria, até mesmo, uma melhor dimensão da estrutura repressiva que foi montada pelo regime militar. Revelaria o quão complexa foi tal estrutura e como ela envolvia muitos civis, além dos próprios militares, nessa tarefa de coagir, de amedrontar, de ameaçar, de espionar, de torturar, de chantagear, de silenciar, de amordaçar e de eliminar aqueles que eram considerados não-confiáveis pela ditadura.



O teor da primeira nota foi estarrecedor. No ano em que se completam 40 anos do golpe militar de 1964 – o qual causou danos irreparáveis para o país, já que o período que se inicia a partir daí paralisou inteiramente a vida política, potencializou os poderes oligárquicos e estamentais, concentrou enormemente a renda e aprofundou as desigualdades sociais – o Exército veio a público defender a estrutura repressiva daquele período, como uma necessidade eminente que não deve ser, sob qualquer razão, questionada. E fez isso com a mesma performance autoritária dos anos de chumbo (1969-1973). O conteúdo da nota afirma: “À época, o Exército brasileiro, obedecendo ao clamor popular, integrou, juntamente com as demais Forças Armadas, a Polícia Federal e as polícias militares e civis estaduais, uma força de pacificação, que logrou retornar o Brasil à normalidade. As medidas tomadas pelas Forças Legais foram uma legítima resposta à violência dos que recusaram o diálogo, optaram pelo radicalismo e pela ilegalidade e tomaram a iniciativa de pegar em armas e desencadear ações criminosas. Dentro dessas medidas, sentiu-se a necessidade da criação de uma estrutura, com vistas a apoiar, em operação a inteligência, as atividades necessárias para desestruturar os movimentos radicais e ilegais”.
Tais palavras são coincidentes com inúmeras outras que foram proferidas no decorrer da ditadura militar. Era exatamente assim que os presidentes militares justificaram, ao longo dos 21 anos em que estiveram à frente do estamento militar que comandou o regime, as ações desencadeadas pelas forças de repressão. Todos eles insistiram incansavelmente que a institucionalização dos atos repressivos devia-se, assim, às circunstâncias de um momento que exigia o rechaçamento daqueles indivíduos que recusavam o diálogo. A violência era justificada como a única maneira de combater os que questionavam as ações das supostas forças legais mencionadas no parágrafo anterior.
A leitura da nota do Centro de Comunicação do Exército, de outubro de 2004, tem o efeito de nos remeter, como num redemoinho, para dentro da ditadura. É como se, de repente, houvesse uma volta no tempo. Quem estudou e/ou se lembra dos pronunciamentos dos militares naqueles fatídicos anos sabe que o discurso oficial justificou, ao longo do regime, todas as ações empreendidas, no curso de duas décadas, como uma necessidade imperativa e inquestionável. Isso é suficiente para entender que os militares, como uma força política autoritária, não mudaram um milímetro no decorrer da chamada política de transição democrática. A nota que eles divulgaram, em alto e bom tom, revela que essa ala da denominada direita brasileira continua sendo o que ela sempre foi: arraigadamente reacionária. Ela é, de fato, refratária a qualquer mudança. A nota deixa claro que, caso houvesse condições para tal, ela agiria do mesmo modo que agiu nas décadas anteriores à democratização. Basta que qualquer questão traga à tona os seus procedimentos que ela, de imediato, mostra a sua face real: a ditatorial.
Não há dúvida de que as denominadas forças de esquerda, incluindo-se nesse rol todas as forças progressistas mudaram ao longo das duas décadas após o fim do regime militar. As esquerdas realmente mudaram tanto de modo positivo quanto de modo negativo, em razão de uma série de dinamicidades e circunstâncias, mas a direita continua sendo, na sua essência, exatamente a mesma. A recente constatação desse fato caiu como uma bomba, pois havia, de certa forma, a expectativa de que na atual conjuntura (nacional e internacional) os militares não tivessem mais a coragem de vir a público para reafirmar as suas convicções ditatoriais. Suas ações, sintetizadas na primeira Nota divulgada pelo Centro de Comunicação do Exército, deixaram patente que eles estão convencidos da não-necessidade de cumprir, até mesmo hoje, as Convenções Internacionais Contra os Crimes de Tortura.
Essa é a maior prova de que eles continuam exatamente iguais em suas posições e em suas certezas de impunidade absoluta. Veja, por exemplo, o que a Nota de 17 de outubro de 2004 afirma categoricamente: “Mesmo sem qualquer mudança de posicionamento e de convicções em relação ao que aconteceu naquele período histórico, considera ação pequena reavivar revanchismos ou estimular discussões estéreis sobre conjunturas passadas, que a nada conduzem”.
Mediante tais afirmações, alguns mais desavisados podem imaginar que há somente uma disputa acerca da memória do regime militar. Valendo-se de argumentos que tentam construir uma perspectiva positiva sobre os seus feitos, os militares estariam disputando com outras forças uma dada memória acerca daquele período. Isso também está em pauta, mas não é a questão mais importante, visto que, ao procurar anular todo e qualquer embate acerca dos procedimentos da estrutura repressiva daquele momento, os militares estão, de antemão, tentando negar a pertinência de qualquer ação política que tente abrir um “debate sobre as formas de aplicar integralmente, no Brasil, a convenção americana e os demais tratados internacionais” (PINHEIRO, 2004, p.3). Essa é uma questão política de primeira grandeza no mundo atual. Por isso é ela tão incômoda aos militares.
Paulo Sérgio Pinheiro afirmou recentemente: “creio que, diante desses acessos de ‘revival ‘ autoritário, talvez seja o momento de começar a lembrar que a Lei de Anistia no Brasil, de 1979, em nenhum momento menciona a tortura realizada pelos agentes do Estado. E, como lembra Fábio Konder Comparato, em 1992 o Brasil ratificou a Convenção Americana dos Direitos Humanos, de 1969 – o que os governos militares, (...), nunca fizeram. Nessa convenção, assim como na Convenção Internacional Contra a Tortura, os crimes de tortura são imprescritíveis e a impunidade dos agentes do Estado torturadores e responsáveis por execuções sumárias pode a qualquer momento ser colocada em pauta” (PINHEIRO, 2004, p.3).
Todavia, a Nota do Centro de Comunicação do Exército alardeia aos quatro ventos que aqueles que se apoderaram do aparelhamento estatal não temem ser julgados por suas ações. E não temem por quê? Dizem eles: porque estávamos cobertos de razão. Ao darem essa demonstração de profissão de fé numa política tirânica perpetrada num determinado momento, os militares não se mostraram preocupados em reabrir as feridas. Apesar de dizerem na parte final da primeira nota que estavam preocupados com tais chagas, eles demonstraram, no início da referida nota, uma preocupação meramente instrumental. Ou melhor, ficava evidente que, para eles, os procedimentos da estrutura repressiva da ditadura não deve vir à tona porque isso pode atingir as Forças Armadas como instituição. É esse o âmago da preocupação expressa no documento do Exército do dia 17 de outubro de 2004. Este último reiterava que “coerente com seu posicionamento, e cioso de seus deveres constitucionais, o Exército brasileiro, bem como as forças co-irmãs, vêm demonstrando total identidade com o espírito da Lei da Anistia, cujo objetivo foi proporcionar ao nosso país um ambiente pacífico e ordeiro, propício para a consolidação da democracia e ao nosso desenvolvimento, livre de ressentimentos e capaz de inibir a reabertura de feridas que precisam ser, definitivamente, cicatrizadas. Por esse motivo considera os fatos como parte da história do Brasil.
A idéia de que as chagas devem ser definitivamente cicatrizadas expressa, mais uma vez, assim como no período em que se discutia a Lei da Anistia de 1979, que as Forças Armadas e os seus auxiliares civis deveriam ser poupados desses assuntos como a tortura, as ameaças, as perseguições. Eles seriam questões menores em vista da grandiosidade de seus feitos pelo país. Observem que eles mencionam – no documento citado anteriormente - que o que fizeram, fizeram pelo país. Ou melhor, eles dizem “nosso país”. Isso é, no mínimo, elucidativo de uma percepção autoritária muito em voga nos tempos do regime. Ou seja, punha-se em marcha um projeto de país que não tinha lugar para qualquer ação política contestadora e, até mesmo, para uma simples indicação de que havia outras formas de governar.
Quem, então, aparece expressivamente preocupado com a abertura de tais chagas? Os governantes atuais, por exemplo. Ao menos, foi exatamente isso que disse José Viegas quando ainda era ministro da defesa do governo Lula (VIEGAS, 2004, p.17). Aos militares parece que tais feridas são, na verdade, o mal menor, já que “o movimento de 1964, fruto de clamor popular, criou, sem dúvidas, condições para a construção de um novo Brasil, em ambiente de paz e segurança. Fortaleceu a economia, promoveu fantástica expansão e integração da estrutura produtiva e fomentou mecanismos de proteção e qualificação social. Nesse novo ambiente de amadurecimento político, a estrutura criada tornou-se obsoleta e desnecessária na atual ordem vigente. Dessa forma, e dentro da política de atualização doutrinária da Força Terrestre, no Exército brasileiro não existe nenhuma estrutura que tenha herdado as funções daqueles órgãos”.
É como se eles dissessem: as chagas deixadas por aquele período foram necessárias e inevitáveis. Seguindo esse raciocínio os militares atestam: não nos retratamos em nada porque tudo o que há de modernização no país fomos nós que construímos ou, para cuja realização lançamos as bases. Não há dúvida de que a ditadura militar estabeleceu um processo de modernização industrial, mas o fez através de processos despóticos que produziu todas as formas de emperramentos possíveis no que diz respeito à construção de uma nação democrática e pautada no Estado de direito. A nação brasileira vivencia hoje as amarguras daquele processo instaurado em 1964. A condição nefasta do pós-64 é visível em vários âmbitos, mas basta examinar detalhadamente o processo de paralisação da vida política – já que estavam suspensos todos os direitos de expressão, de ação e de organização – para concluir que esse passado recente (1964-1985) nos arruinou completamente.
Vir a público, hoje, justificar as estruturas repressivas em nome de um suposto ganho que a sociedade teria obtido em vista das ações empreendidas pelo regime militar é, no mínimo, um disparate, uma calamidade. A sociedade brasileira não ganhou absolutamente nada em razão da existência da ditadura. Pelo contrário, esta última matou o processo de construção, na década de 1950, de uma sociedade democrática e politicamente renovada. Vinham emergindo várias ações e forças progressistas (FURTADO,1997), a partir do governo J.K (1956-1961) que poderiam, sim, ter derrotado os processos de modernização desvinculados da modernidade (FAORO, 1991, p.47) por serem concentradores de rendas e castradores de ações políticas capazes de derrotar a oligarquização do poder e a cisão entre o Estado e a sociedade. A ditadura militar condenou o país a muitas décadas de atraso político. É essa uma das grandes feridas abertas, sem dúvida alguma.
Atrasos políticos que vão se acumulando em razão das dificuldades de aplicar as próprias Convenções e Tratados Internacionais. Isso impede que vigore, na sua forma plena, no país, o próprio Estado de Direito. Em outras palavras: tem-se um enorme problema, instaurado desde a Lei de Anistia, que será de difícil solução. Basta observar as falas do Ex-Ministro da Defesa e as do Ministro da Casa Civil. Aquele primeiro alerta sobre as cautelas que precisam ser tomadas mediante, por exemplo, a abertura dos arquivos, já que “os documentos podem ter elementos que não interessam ao andamento da política externa” (VIEGAS, 2004, p.7). Para ele o governo Lula precisa balancear a busca da verdade histórica com os interesses nacionais. O Ministro da Casa civil por sua vez, nessa mesma linha, argumenta que tudo deve ser feito de modo que não haja volta ao passado, “que não mude a agenda do país, que é democrática” (DIRCEU, 2004, p.7). Tais falas demonstram que há algo de difícil solução em meio à interminável transição democrática em andamento desde a década de 1980: o receio que todos os governos (após 1985) têm expressado em relação aos militares no que tange ao esclarecimento de inúmeros acontecimentos do período ditatorial.
Esse receio que é, na verdade, medo de qualquer enfrentamento, tem-se evidenciado nos modos de os governantes (José Sarney, Fernando Collor de Mello, Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso e Luís Ignácio Lula da Silva) lidarem com os militares no que diz respeito, principalmente, às seqüelas deixadas na sociedade pela ditadura que vigorou no país de 1964 a 1985. No que tange a tais questões, o eterno tatear dos governantes em meio à política de transição revela que o caminho da democratização será ainda muito longo. E quanto mais os receios e os medos dos dirigentes persistirem em relação aos militares, mais se estará distante da construção de um país, de fato, renovado politicamente.
Há uma fala recente de José Dirceu que pode ser tomada como exemplo do medo que os dirigentes sentem de serem empurrados, pelas organizações da sociedade civil, para qualquer forma de enfrentamento com os militares. Ele diz: “Não há nada que o presidente tenha pedido às Forças Armadas e que elas não tenham cumprido. Não há nenhum problema com as Forças Armadas. Elas têm sido compreensivas com as restrições orçamentárias” (DIRCEU, 2004, p.7).
Conforme afirma Jorge Zaverucha: “desse modo, o pacto da transição entre civis e militares vem se mantendo vitoriosamente. Os militares admitem uma democracia eleitoral. (...) Em troca, os militares conservam boa parte de seus enclaves autoritários dentro do aparelhamento de Estado. (...) O silêncio da elite política civil no episódio da saída de Viegas confirma ser o militarismo um fenômeno amplo, regularizado e socialmente aceito no Brasil” (ZAVERUCHA, 2004, p.3).


* Professora de Sociologia da UEL. Doutora em Sociologia pela USP
Contextualização

Proteção
Plebe Rude - Proteção
Será verdade,será que não
Nada do que eu posso falar e tudo isso pra sua proteção
Nada do que eu posso falar
A PM na rua, a guarda nacional
Nosso medo sua arma, a coisa nao tá mal
A instituição está aí para a nossa proteção
Pra sua proteção
Tanques lá fora, exército de plantão
Apontados aqui pro interior
E tudo isso pra sua proteção
Pro governo poder se impor
A PM na rua nosso medo de viver
O consolo é que eles vão me proteger
A única pergunta é: me proteger do que?
Sou uma minoria mais pelo menos falo o que quero apesar da repressão...
é para sua proteção......é para sua proteção...
Tropas de choque, PM's armados
Mantêm o povo no seu lugar
Mas logo é preso, ideologia marcada
Se alguém quiser se rebelar
Oposição reprimida, radicais calados
Toda angústia do povo é silenciada
Tudo pra manter a boa imagem do Estado!
Sou uma minoria mais pelo menos falo o que quero apesar da repressão...
é para sua proteção......é para sua proteção...
Armas polidas e canos esquentamesperando pra sua função
Exército brabo e o governa lamentaque o povo aprendeu a dizer "Não"
Até quando o Brasil vai poder suportar?
Código Penal não deixa o povo rebelar
Autarquia baseada em armas - não dá!
E tudo isso é para sua segurança.para sua segurança

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

FGV-SP 2009

HISTÓRIIA
46 E
Tendo assumido a chefia do povo, três anos após a queda dos tiranos (…) começou, primeiramente, a repartir todos os atenienses em dez tribos ao invés de quatro, com a intenção de misturá-los a fim de que mais indivíduos participassem do poder (...) Em seguida, estabeleceu que a Bulé (Conselho) teria quinhentos membros ao invés de quatrocentos. (…) Dividiu igualmente o território da cidade em trinta grupos de demos, dez reunindo os demos urbanos, dez os do litoral, dez os do interior, dando a estes grupos a denominação de tritias.
[Aristóteles, Constituição de Atenas apud Jaime Pinsky (org.), Cem textos de história antiga]
O texto apresenta
a) a tirania de Pisístrato.
b) as reformas de Sólon.
c) a reação aristocrática.
d) a legislação de Drácon.
e) as reformas de Clístenes.

Resolução
A queda dos tiranos (governo ruim e exercido por uma só pessoa, segundo a classificação de Aristóteles) possibilitou a ascensão do legislador Clístenes, cujasreformas acabaram por criar a democracia em Atenas.
A ampliação do direito à participação política fica demonstrada pela substituição das antigas quatrotribos – formadas por laços sanguíneos – por outras dez, compostas de homens de diferentes origens e condições. Da mesma forma, ampliam o número deconselheiros para quinhentos indivíduos, sendo cinquenta indicados por cada tribo.
47 B
Segundo o historiador Paul Lovejoy, com o tráfico negreiro em grande escala a escravidão na África deixou de ser uma entre outras formas de dependência pessoal, como ocorria na sociedade “de linhagem”. A partir de então, o continente negro pôde ser integrado a uma rede internacional de escravidão controlada pela burguesia mercantil europeia.
(José Jobson de A. Arruda e Nelson Piletti, Toda a História)
Considerando o texto e os conhecimentos sobre a história africana, pode-se afirmar que
a) as sociedades africanas, essencialmente o Congo, desconhecedor do Estado e do trabalho compulsório, desorganizaram-se completamente diante da chegada dos europeus.
b) o contato das nações europeias com a África subsaariana, a partir do século XV, trouxe importantes transformações para o continente e, em especial, deu novo significado à escravidão.
c) com a chegada dos portugueses a Ceuta em 1415, os povos africanos iniciaram seus contatos comerciais a longa distância e iniciaram o uso do ouro como meio de troca.
d) a ausência de Estados organizados na África subsaariana permitiu que os colonizadores europeus construíssem impérios coloniais, como se estabeleceu na América.
e) antes da chegada europeia na África abaixo da linha do Equador, a escravidão de negros nesse continente era uma experiência das poucas regiões islamizadas.
Resolução
De acordo com o texto, embora já presente na África subsaariana, a escravidão adquiriu novos significados a partir do contato dos africanos com os europeus, no século XV. Se anteriormente era utilizada como uma forma de dependência pessoal, a partir de então, adquire, fundamentalmente, aspectos mercantis.
48 D
(…) Deus tinha distribuído tarefas específicas a cada homem; uns deviam orar pela salvação de todos, outros deviam lutar para proteger o povo; cabia aos membros do terceiro estado, de longe o mais numeroso, alimentar, com seu trabalho, os homens de religião e da guerra. Este padrão, que rapidamente marcou a consciência coletiva, apresentava uma forma simples e em conformidade com o plano divino e assim sancionava a desigualdade social e todas as formas de exploração econômica (…)
(Georges Duby, As três ordens ou o imaginário do feudalismo apud Patrícia Ramos Braick e Myrian Becho Mota, História: das cavernas ao Terceiro Milênio)
A partir do texto, é correto concluir que
a) a Igreja não reconhecia importância nas atividades que estivessem desligadas da religião, assim a condição de não nobre revelava um sujeito vítima do castigo divino.
b) a rigidez da estrutura da sociedade feudal não foi regra durante a Idade Média, pois a partir do século X, estabeleceu-se uma dinâmica sociedade de classes.
c) as posições sociais menos importantes derivavam menos da vontade divina e mais da ausência de empenho dos homens, segundo a teologia cristã medieval.
d) a sociedade feudal estruturava-se de forma rígida, de ter minada pelo nascimento e com pequenas possibilidades de movimentação entre as camadas sociais.
e) a suposta imobilidade da sociedade medieval tem fundamento nas teses teológicas de santo Agostinho, que defendiam a supremacia da razão em detrimento da fé.
Resolução
A sociedade feudal caracterizava-se por ser estamental, cuja posição era determinada pelo nascimento, com raríssima possibilidade de mobilidade. Estava classificada em ordens (de acordo com a Igreja) nas quais cada indivíduo possuía uma função/atividade, que em conjunto assegurariam o seu perfeito funcionamento.

49 B
Leia as assertivas.
I. Entre os astecas, os camponeses e os escravos – prisioneiros de guerra ou criminosos – formavam a camada mais baixa da sociedade.
II. Fazia parte da cultura asteca oferecer aos deuses sacrifícios humanos.
III. Entre os astecas, existiam técnicas avançadas de construção, como de represas e obras de irrigação, além dos templos religiosos.
IV. O Império Inca, grosso modo, ocupava as encostas dos Andes e a sua consolidação ocorreu em meados do século XV.
V. A estrutura política dos incas permitia uma participação da maioria da população, por meio de consultas periódicas.
Acerca das civilizações pré-colombianas, estão corretas as afirmativas
a) I e III, apenas.
b) I, II, III e IV, apenas.
c) II, III e V, apenas.
d) III, IV e V, apenas.
e) I, II, III, IV e V.
Resolução
A assertiva V está incorreta, pois a forma de governo seguida pelos incas era um império teocrático, cujo governante possuía poderes absolutos.

50 B
A linha mais secular associa-se com os levellers e os diggers os quais, embora seus programas diferissem muito, ofereciam soluções políticas e sociais para os males terrenos. Tais grupos surgiram dos acalorados debates, realizados em Putney em 1647, entre oficiais do exército (favoráveis aos grandes comerciantes e donos das propriedades rurais) e os “agitadores”, que represen tavam as fileiras da tropa.
(George Rude, Ideologia e protesto popular apud Adhemar Marques et alli, História contemporânea através de textos)
No contexto das revoluções inglesas do século XVII, os levellers se constituíam em um grupo
a) moderado, ligados à pequena nobreza rural, e defensores da articulação entre os interesses do rei Carlos I e do Parlamento, além de reivindicarem o poder religioso para os presbiterianos.
b) extremista, com representantes entre os camponeses sem terra, aliados aos presbiterianos, defensores de uma sociedade que abolisse a propriedade privada e o dízimo pago à Igreja Anglicana.
c) moderado, ligados a médios proprietários rurais, e aliados ao Novo Modelo de Exército liderado por Oliver Cromwell, defendiam o controle sobre o poder real e ampliação do poder do Parlamento.
d) radical, pertencentes à pequena burguesia urbana, que defendiam uma série de transformações sociais, como a restrição às grandes propriedades e separação entre Igreja e Estado.
e) conciliador, formado pela grande burguesia urbana, aliados da gentry e dos independentes, eram defensores da ampliação do poder do Parlamento e da liberdade
econômica.
Resolução
No contexto da Revolução Puritana (1642-60), os partidários do Parlamento incluíam dois grupos extremistas, com reivindicações radicais: os levellers (niveladores) e os diggers (cavadores). Os primeiros, originários da pequena burguesia e das camadas baixas urbanas, desejavam diminuir as diferenças socioeconômicas por meio de restrições à grande propriedade.
Os segundos, de origem rural, ganharam esse nome porque, quando se deparavam com áreas incultas ou abandonadas, delas se apropriavam e passavam a cavá-las para a semeadura. As reivindi cações de levellers e diggers constituíam uma ameaça aos interesses da gentry (pequena nobreza rural) e da burguesia urbana, que lideravam a Revolução. Por isso, foram persegui dos e eliminados pelo governo de Cromwell.
51 C
É constante que o tabaco do Brasil é tão necessário para o resgate de negros quanto os mesmos negros são precisos para a conservação da América portuguesa. Nas mesmas circunstâncias se acham outras nações que têm colônias; nenhuma delas se pode sustentar sem escravos e todas precisam do nosso tabaco para o comércio de resgate …
(Instrução dada ao Marquês de Valença por Martinho de Melo e Castro em 10 de setembro de 1779 apud Mafalda P. Zemella, O abastecimento da capitania das Minas Gerais no século XVIII. Adaptado.)
A partir do documento, é correto afirmar que
a) o caráter de extrema especialização da exploração dos metais preciosos trouxe uma série de descuidos com as outras atividades econômicas, como o tabaco e o açúcar, desorganizando toda a economia colonial.
b) a especificidade da exploração de ouro no interior da colônia brasileira exigiu uma mão de obra também específica: trabalhadores em condição intermediária entre o trabalho compulsório e o trabalho livre.
c) com a exploração aurífera em Minas Gerais, a necessidade de mão de obra compulsória fez com que aumentasse a produção de tabaco, pois essa mercadoria servia como moeda de troca para escravos na África.
d) com a presença holandesa no nordeste do Brasil e a proibição metropolitana em relação ao comércio interno, inúmeros prejuízos atingiram a economia colonial, em especial a produção de tabaco de Pernambuco.
e) devido ao extremo cuidado com a mineração, o Conselho Ultramarino proibiu a produção de tabaco fora da Bahia e exigiu que a chegada de escravos da África fosse feita apenas pelo porto do Rio de Janeiro.
Resolução
Desde o século XVI, quando da implantação da produção açucareira, o tabaco (produzido especialmente no Recôncavo baiano) servia de moeda de troca por escravos nas feitorias da África. Entretanto, no século XVIII, com a necessidade de um número cada vez maior de braços escravos para a exploração aurífera, a produção de fumo consequentemente aumentou para a prática do escambo.
52 E
Com a convocação dos Estados Gerais [em 1788], a aristocracia esperava completar o processo que esvaziaria a monarquia de seu poder absoluto. Seu cálculo, teoricamente correto, baseava-se na certeza de que controlaria todas as decisões dos Estados Gerais. (…) essa instituição (…) tinha seus representantes eleitos internamente a cada ordem e, quando em funcionamento, a votação era em separado, correspondendo um voto a cada ordem. (…)
Mas, na prática, o cálculo da aristocracia revelou-se um verdadeiro suicídio político para ela e para o regime que representava (…)
(Modesto Florenzano, As revoluções burguesas)
Esse “suicídio político” consubstanciou-se, pois
a) a aristocracia francesa, que defendia reformas nas obrigações servis, objetivando ampliar os ganhos tributários do Estado, foi forçada a aceitar o fim dos privilégios fiscais da nobreza togada e do baixo clero.
b) se estabeleceu um acordo tácito entre os jacobinos e os girondinos, na Convenção, a partir de 1789, e uma série de reformas estruturais, baseadas nas ideias iluministas, determinou a gradual extinção das obrigaçõesfeudais.
c) as reformas políticas propostas pela aristocracia geraram uma maior participação das camadas sociais presentes no Terceiro Estado, em especial a alta burguesia, que comandou o Comitê de Salvação Pública, em 1789.
d) a tentativa da aristocracia francesa em limitar a influência que a alta burguesia exercia sobre o soberano Luis XVI fracassou e abriu espaço para que o rei convocasse uma Assembleia Nacional Constituinte para julho de 1789.
e) após um pouco mais de um mês de funcionamento, em junho de 1789, o Terceiro Estado transformou os Estados Gerais em Assembleia Nacional Constituinte, um dos momentos iniciais da Revolução Francesa.
Resolução
A Assembleia dos Estados Gerais era formada por representantes dos três estados que compunham a sociedade francesa, sendo convocada pelo rei Luís XVI, em caráter consultivo, para reunir-se no Palácio de Versalhes em maio de 1788. Apesar da confiança do Terceiro Estado – que possuía a maioria dos votos em número de representantes – para impor limites aos privilégios das duas outras ordens, os notáveis (clero e nobreza) conseguiram manter o sistema tradicional de votação, ou seja, o voto por estado. Tal manipulação, ao ser declarada em Assembleia Nacional Constituinte, desencadeou a revolta do Terceiro Estado e uma série de protestos populares que culminariam com a tomada da Bastilha em 14 de julho de 1789.
53 D
(…) os cidadãos armados foram de fato convocados para cumprir a “missão pacificadora” combatendo as insurreições, sedições, rebeliões, movimentos quilombolas e todo tipo de “desordens” promovidos pelos “inimigos da nação”. Os contingentes da Guarda Nacional só eram acionados, porém, se constatada a ineficácia das força policiais.
[Ronaldo Vainfas (dir.), Dicionário do Brasil Imperial (1822-1889)]
Essa instituição foi criada no contexto
a) do Grito do Ipiranga, em 1822, como resposta imediata às ameaças portuguesas de mandar tropas para evitar a emancipação política do Brasil.
b) da dissolução da Assembleia Nacional Constituinte, em 1823, quando as forças repressivas do Império foram derrotadas por milícias particulares.
c) da Confederação do Equador, em 1824, por causa da enorme força militar e do prestígio político conquistados pelos pernambucanos.
d) da abdicação de Dom Pedro I, em 1831, pois houve uma série de agitações políticas e sociais no Rio de Janeiro, inclusive rebeliões entre grupos militares.
e) do Golpe da Maioridade, em 1840, pois a maior parte das províncias do norte e nordeste não aceitava a coroação de Dom Pedro II com apenas 15 anos de idade.
Resolução
A abdicação de D. Pedro I, em 7 de abril de 1931, consolidou a independência do Brasil e devolveu o País aos brasileiros. Parecia que a paz havia se estabelecido no Império. As facções políticas mais atuantes, po rém, começaram, ime diatamente, a se articular na defesa de suas ideias e reivin dicações. Os choques se suce diam e os motins eram cons tantes, ameaçando conti nuamente a ordem pública. As próprias tropas convocadas para sufocar as sedições e agitações acabavam por compor-se com os agitadores, tornando mais crítica a situação. Por essa razão, foi criada a Guarda Nacional, dentro da visão dos liberais moderados, como um instrumento de repressão das elites.

54 B
(…) a luta contra o capitalismo e a burguesia é inseparável da luta contra o Estado. Acabar com a classe que detém os meios de produção sem liquidar ao mesmo tempo com o Estado é deixar aberto o caminho para a reconstrução da sociedade de classes e para um novo tipo de exploração social.
(Angel J. Capelletti, apud Adhemar Marques et alli, História contemporânea através de textos)
O fragmento define parte do ideário
a) liberal.
b) anarquista.
c) corporativista.
d) socialista cristão.
e) marxista-leninista.
Resolução
O anarquismo defende a destruição do sistema capitalista, cujos fundamentos são a propriedade privada dos meios de produção, geradora da divisão social em classes. Contudo, não se pode admitir a continuidade da existência de um Estado (mesmo que proletário, como queria Marx), pois manter-se-ia outra forma de diferenciação social – o poder, o que impediria a construção de uma comunidade autoges tora e igualitária.

55 A
Uma abordagem crítica desse conflito revela crimes de guerra cometidos por Caxias, pelo conde d’Eu; põe a nu a matança de meninos de nove a quinze anos (…) dá-nos o perfil inteiro do massacre de um povo e, mais do que isso, mostra o Império do Brasil a serviço da Inglaterra, esmagando um país livre para não desequilibrar o sistema de dominação que o imperialismo inglês mantinha na América do Sul.
(Júlio José Chiavenato, A guerra contra o Paraguai)
Na primeira década de 1860, o governo paraguaio (…) buscou ter participação ativa nos acontecimentos platinos, apoiando o governo uruguaio hostilizado pela Argentina e pelo Império [do Brasil]. (…) A Guerra do Paraguai foi, na verdade, resultado do processo de construção dos Estados nacionais no Rio da Prata e, ao mesmo tempo, marco nas suas consolidações.
(Francisco Doratioto, Maldita guerra)
Os fragmentos permitem que se conclua que
a) a Guerra do Paraguai foi um evento sobre o qual é possível a construção de interpretações diversas, muitas vezes conflitantes.
b) os interesses britânicos foram os únicos responsáveis pela Guerra do Brasil, como esse conflito é conhecido no Paraguai.
c) as repúblicas sulamericanas objetivavam destruir o Império brasileiro, pela ligação deste com os interesses do capitalismo inglês.
d) a reunificação do Prata, apoiada pelo Império brasileiro, fez aguçar as tensões diplomáticas com a Argentina e o Uruguai.
e) a maior guerra da América do Sul teve início com agressão uruguaia ao Paraguai, devido aos acordos secretos dessa nação com a Argentina.
Resolução
A questão apresenta duas versões a respeito das causas da Guerra do Paraguai (1864-1870): a primeira coloca o Brasil a serviço do imperialismo inglês, interessado na destruição do modelo paraguaio de desenvolvimento autossustentado; e a segunda apresenta um conflito de interesses entre as nações que compunham o Cone Sul da América.

56 C
“Duas pessoas inventaram o New Deal: o presidente do Brasil e o presidente dos Estados Unidos”. O autor da frase foi o próprio criador do histórico plano de recuperação da economia norte-americana, Franklin Delano Roosevelt (1882-1945). O elogio foi feito em visita ao Rio de Janeiro, em novembro de 1936, e referiase ao governo de Getúlio Vargas.
(Flávio Limoncic, Os inventores do ‘New Deal’ in Revista da História da Biblioteca Nacional, agosto de 2009)
Sobre o New Deal, é correto afirmar que
a) recuperou as doutrinas liberais de Adam Smith no sentido de restabelecer o dinamismo da economia por meio das regras de mercado, além de controlar as atividades sindicais para evitar aumentos salariais que comprometessem o crescimento nacional.
b) foi decisivo na recuperação da economia capitalista por desenvolver práticas que reduziram a produção aos mesmos níveis da demanda, com a constituição de rígidos orçamentos públicos sem déficits.
c) efetivou, a partir das ideias do economista John Keynes, a intervenção do Estado na ordem econômica, principalmente por meio dos investimentos públicos em grandes obras, o que resolveria parte do problema do desemprego.
d) limitou-se em reorganizar as instituições bancárias, que passaram a sofrer com a intensa vigilância do governo norte-americano e foram obrigadas a conceder linhas de crédito populares para os agricultores.
e) optou pela utilização de algumas ortodoxias econômicas, a partir do modelo teórico de J. K. Galbraith como a concentração de capitais em atividades essenciais, principalmente as indústrias do aço e do petróleo.
Resolução
O New Deal (Novo Acordo) foi o conjunto de medidas adotadas pelo governo norte-americano para a recuperação da economia abalada com a crise de 1929. De acordo com as ideias preconizadas pelo economista inglês J.M. Keynes, o Estado teria um papel decisivo no reaquecimento econômico por meio de medidas intervencionistas, tais como: a realização de obras públicas que absorveriam a mão de obra ociosa, o controle da produção e a fiscalização das instituições financeiras.

57 E
Havia uma certa combinação (…) de que, ao Manifesto dos mineiros, se seguiria um manifesto dos baianos, no mesmo sentido. Havia contatos com alguns elementos baianos, professores de direito, antigos deputados estaduais e federais, sobretudo mais moços, como Luís Viana Filho e Aliomar Baleeiro. Mas diante da represália do governo ao Manifesto dos mineiros, os baianos acharam que não valeria a pena sacrifício inútil.
[Depoimento de Dario de Almeida Magalhães in Valentina da Rocha Lima (coordenação), Getúlio – uma história oral]
O Manifesto dos Mineiros
a) circulou clandestinamente a partir de novembro de 1935, em apoio aos militares desencadeadores da chamada Intentona Comunista.
b) foi escrito em 1935 e publicado em 1937, defendia uma presença mais forte do Estado na atividade econômica e nos planos estratégicos.
c) foi publicado em 1939, contou com o apoio de lideranças sindicais reformistas e defendia a imediata entrada do Brasil na guerra ao lado das forças aliadas.
d) foi elaborado em 1941, por alguns interventores estaduais, como Adhemar de Barros, de São Paulo, e defendia a convocação de uma assembleia constituinte.
e) foi construído e publicado no contexto do envolvimento do Brasil na Segunda Guerra, em 1943, e defendia a redemocratização do Brasil.
Resolução
A entrada e a participação do Brasil, junto aos Aliados contra o Eixo, na Segunda Guerra Mundial geraram um questionamento da política ditatorial varguista no Estado Novo. A pressão social pela abertura do regime e pela volta ao Estado de direito se apresentou em variadas formas de protesto. Um dos mais destacados foi o Manifesto dos Mineiros, em que, entre os seus signatários, estava o ex-presidente Arthur Bernardes.
58 A
(Augusto Bandeira, O Correio da Manhã, 10.07.1962, apud Jayme Brener, Jornal do Século XX, p. 226)
A charge mostra o presidente Jango
a) interessado no restabelecimento do presidencialismo, pois a sua posse, em 1961, só foi garantida com a instituição do parlamentarismo.
b) defendendo a manutenção do sistema parlamentarista, posição contrária de Carlos Lacerda (UDN) e de Adhemar de Barros (PSP).
c) responsabilizado pela radicalização política do governo em função da opção pelo sistema parlamentarista e pela reforma agrária.
d) recebendo apoio das Ligas Camponesas para defender a aprovação de uma emenda constitucional que estabe leceria a reforma agrária.
e) alheio à grave crise política gerada pela institucionalização do parlamentarismo e preocupado com as eleições presidenciais de 1965.
Resolução
A charge do jornal “O Correio da Manhã” apresenta o presidente João Goulart preparando um churrasco do parlamentarismo para comê-lo mais tarde. Impedido legalmente de assumir o cargo, por causa da oposição dos militares – que o viam como comunista e herdeiro do getulismo –, Goulart não aceitou a solução par lamentarista que diminuíra drasticamente as suas funções. Suas esperanças estavam voltadas para o plebiscito previsto para abril de 1963. No dia 10 de julho de 1962, Jango conseguiu apoio à indicação do gaúcho Francisco de Paula Brochado da Rocha para a chefia de governo, com o intuito de conseguir aprovar a antecipação do referendo. Brochado da Rocha renunciou, sem alcançar seu objetivo, mas, no dia seguinte à renuncia, uma greve forçou o estabelecimento da data para o dia 6 de janeiro de 1963. Em 1.º de janeiro, o governo aumentou o salário em 75%, garantindo o apoio dos trabalhadores para a vitória do não ao parlamentarismo.
59 A
O Chile voltou a polarizar-se nas eleições de 1970, mas desta vez entre a direita e a esquerda, diante do fracasso do governo de Eduardo Frei. A Esquerda se apresentava mais uma vez com Salvador Allende, através de uma frente chamada Unidade Popular. (…) Allende triunfou,embora obtendo apenas 34% dos votos, mas favorecendo-se da divisão das outras candidaturas.
[Emir Sader, Chile (1818-1990) – Da independência à redemocratização]
Assinale a alternativa que apresenta corretamente o governo de Salvador Allende.
a) Caracterizou-se pela construção do socialismo pela via pacífica, e contou com um programa de reformas econômicas, como a nacionalização de mineradoras e estatização de bancos.
b) Representou um grave retrocesso na organização popular na América Latina, pois o governo chileno estabeleceu alianças conservadoras, inclusive com setores da extrema-direita.
c) Constituiu-se na primeira experiência nacionalista radical da América Latina, com a estatização do petróleo, mas, paradoxalmente, com a privatização da telefonia e das ferrovias.
d) Estruturou-se a partir da chamada terceira via, ou seja, um sistema conciliador entre o socialismo e o capitalismo, daí ter sofrido importante oposição do Brasil e, principalmente, de Cuba.
e) Organizou a Operação Condor, que perseguia militantes políticos que lutavam contra regimes autoritários, em parceria com as forças repressivas da Argentina, do Paraguai e do Uruguai.
Resolução
Eleito democraticamente em 1970 por uma coligação de partidos de esquerda (Unidade Popular), Salvador Allende, de orientação marxista, empreendeu a implantação do chamado socialismo, por via pacífica, com a adoção de medidas como: reforma agrária, nacionalização de empresas estrangeiras, estatização de mineradoras (principalmente a de produção de cobre). Importante lembrar que essas medidas angariaram uma forte oposição a seu governo por parte dos Estados Unidos (contexto da Guerra Fria), bem como dos setores conservadores, o que culminaria em um golpe de Estado comandado pelo general Augusto Pinochet em 1973.

60 C
A cor amarela foi escolhida como símbolo da campanha das diretas. Mais do que a mensagem de sabedoria que muitos quiseram sustentar, tratava-se de uma forma de não deixar o vermelho das bandeiras de esquerda dominar as praças e avenidas.
(Flavio de Campos, Oficina de história: história do Brasil)
O objetivo do movimento Diretas Já! era o restabelecimento das eleições diretas para a presidência da República, daí a luta pela aprovação de uma emenda constitucional, a Dante de Oliveira. Acerca desse processo, assinale a alternativa correta.
a) Com a aprovação da emenda Dante de Oliveira, articu - lou-se uma chapa encabeçada por Ulisses Guimarães, tendo como vice, Itamar Franco, que representavam todas as forças políticas de oposição ao regime autoritário nascido em 1964.
b) A aprovação da emenda Dante de Oliveira permitiu uma ampla articulação política de oposição ao regime de exceção, a Aliança Liberal, que venceu as eleições diretas de 1985, com a chapa José Sarney (PMDB) e Leonel Brizola (PDT).
c) A emenda Dante de Oliveira não foi aprovada e o PMDB, em aliança com setores dissidentes do partido governista, por meio do Colégio Eleitoral, elegeram Tancredo Neves como presidente do Brasil, em janeiro de 1985.
d) A derrota da emenda Dante de Oliveira enveredou o movimento Diretas Já! para caminhos mais radicais, como o apoio à Greve Geral de junho de 1984 e a recusa em participar do Colégio Eleitoral em janeiro de 1985.
e) Para a aprovação da emenda Dante de Oliveira, as forças de oposição à Ditadura Militar foram obrigadas a aceitar as eleições diretas apenas em 1989 e o Colégio Eleitoral elegeu o senador Itamar Franco para presidente do Brasil.
Resolução
A vitória da oposição, nas eleições diretas para governador em importantes Estados do sul-sudeste (PR, SP, MG e RJ), estimulou estes setores da oposição a encampar a proposta petista de forçar o governo militar a promover eleições diretas também para presidente da República. Deslanchou-se, assim, a campanha das Diretas Já!, com grandes comícios realizados por todo o Brasil. Entretanto, para que isso fosse possível, era necessário mudar a Constituição por meio de uma emenda que deveria ser aprovada por dois terços dos votos no Congresso. A proposta de alteração constitucional foi apresentada pelo deputado Dante de Oliveira e, apesar da euforia oposicionista, acabou der rotada.
A partir daí, a oposição se uniu (menos o PT) em torno de um candidato único – Tancredo Neves – para enfrentar o candidato do partido governista no Colégio Eleitoral. A candidatura oficial de Paulo Maluf dividiu o PDS, levando à formação do Frente Liberal. Numa hábil manobra, Tancredo aproximou-se da dissidência, oferecendo a esta a vice-presidência. José Sarney filiou-se ao PMDB (em função do voto vinculado)
formando a Aliança Democrática, que derrotou Maluf pelo voto indireto.