Terceiro Ano - CNDL Quarto Bimestre - História do Brasil Colégio Notre Dame de Lourdes Coleção Pitágoras Caderno Revisional O Iluminismo e as revoluções liberais do século XVIII
O Iluminismo e as Revoluções Burguesas
Nesta videoaula o professor Edenilson Morais apresentada algumas das características do Iluminismo e seus principais representantes na Inglaterra e na França. O pensamento de John Locke, Adam Smith, Voltaire, Montesquieu e Rousseau. Alguns aspectos do despotismo esclarecido também são abordados. E ainda, a importância histórica do Iluminismo é ressaltada.
A importância da Revolução Paradigmática
Videoaula com o professor Ricardo Carvalho sobre a importância do Iluminismo e a eclosão da Revolução Francesa, em 1789.
A Revolução Americana
Este video apresentado pelo professor Licio mostra atraves de mapas como foi o desenrolar da independencia dos EUA.
Independência política da América Espanhola
O professor de história do cursinho pH, Igor Vieira, dá uma aula sobre a independência da América Espanhola que ocorre nas primeiras décadas do século 19.
Segundo o professor, o movimento ocorre por uma sucessão de fatores: influência do pensamento iluminista que traz a ideia de liberdade, a Revolução Americana de 1776, a Revolução Francesa de 1789, o apoio da Inglaterra que almejava aumentar seu mercado consumidor e as Guerras Ibéricas.
Vieira diz que o movimento foi liderado por duas importantes figuras históricas: San Martín, que liberta a parte sul do continente sul-americano; e Simón Bolívar, que atua na independência da região norte.
Confira aula completa em vídeo.
Questões propostas
1. (UFU) O fim maior e principal para os homens unirem-se em sociedades políticas e submeterem-se a um governo é a conservação de suas propriedades, ou seja, de suas vidas, liberdades e bens. Adaptado de LOCKE, John. "Dois Tratados sobre o Governo". São Paulo: Martins Fontes, 1998, p.495. A autoproteção constitui a única finalidade pela qual se garante à humanidade, individual ou coletivamente, interferir na liberdade de ação de qualquer um. O único propósito de se exercer legitimamente o poder sobre qualquer membro de uma comunidade civilizada, contra sua vontade, é evitar dano aos demais.
Adaptado de MILL, J.Stuart. "A Liberdade". São Paulo: Martins Fontes, 2000, p.17.
Os trechos anteriores referem-se aos fundamentos do pensamento liberal. Sobre esse tema, assinale a alternativa que apresenta a explicação INCORRETA. a) Em defesa da razão e da liberdade, vários pensadores europeus inspiraram uma série de transformações sociais, econômicas e políticas, principalmente a partir do século XVIII, cujas conseqüências estão presentes até hoje na sociedade contemporânea. b) As bases filosóficas e políticas da sociedade civil e do Estado liberal moderno formaram-se, primeiramente, na Inglaterra no século XVII, tendo como um de seus principais idealizadores John Locke. c) A defesa da liberdade e da propriedade como direitos legítimos do indivíduo foi importante na formação do ideário liberal, comum a dois importantes movimentos político-sociais europeus nos séculos XVII e XVIII: a Revolução Gloriosa na Inglaterra e a Revolução Francesa. d) Os princípios do liberalismo, defendidos por Locke e Stuart Mill, excluem os direitos do indivíduo na sociedade ao justificarem a adoção de punições em função de ameaças à liberdade e à propriedade.
resposta: [D] A afirmação D é incorreta porque os filósofos identificados representam a filosofia liberal que defende o indivíduo em seus direitos sob todos os aspectos.
2. (PUC-RIO)Em 1784, Kant assim caracterizou o Iluminismo: A saída do homem de sua minoridade, do qual é ele próprio o responsável. Minoridade, isto é, incapacidade de se servir do seu entendimento sem a direção de outrem (...) Tem a coragem de te servires do teu próprio entendimento. Eis aí a divisa do Iluminismo.
Tendo como referência o texto apresentado, é correto afirmar que:
I - para os iluministas, o entendimento humano era viabilizado pela razão e pelo saber científico.
II - a "divisa do Iluminismo" representou, entre outros aspectos, a extinção dos regimes monárquicos, no mundo europeu da época.
III - a "coragem de se servir de seu próprio entendimento" foi associada à concepção da liberdade como um direito universal do homem.
IV - a "saída do homem de sua minoridade" correspondeu, na prática, à defesa do ideal de uma civilização livre de quaisquer práticas religiosas.
Assinale a alternativa correta. a) Apenas as afirmativas I e II estão corretas. b) Apenas as afirmativas I e III estão corretas. c) Apenas as afirmativas II, III e IV estão corretas. d) Apenas a afirmativa IV está correta. e) Todas as afirmativas estão corretas.
resposta: [B] A razão e a liberdade são valores defendidos pela filosofia liberal, também genericamente identificada como iluminista, por interpretar que, com o uso da razão, o homem se iluminou para compreender a sua existência e a natureza.
3. (UFPI)Com relação à Independência dos Estados Unidos, em 1776, é correto afirmar que: a) a primeira constituição dos Estados Unidos adotou a república federalista e presidencial como modelo de governo. b) a Declaração de Independência defendeu a implantação de uma monarquia constitucional para dirigir politicamente a futura nação. c) a França negou ajuda aos norte-americanos, visto que pretendia manter sua parceria com a Inglaterra na exploração comercial da América do Norte. d) a Espanha negou ajuda aos norte-americanos, dado que com a derrota da Holanda poderia intensificar seus acordos comerciais com os colonos do sul. e) a luta dos norte-americanos divulgou a perspectiva de se construir a unidade continental americana, baseada no ideal iluminista de liberdade e igualdade social.
resposta:[A] Reflexo dos princípios liberais, a Constituição norte-americana, pela primeira vez no mundo ocidental, regulamentou um tipo de organização em que os estados-membros têm mais liberdade (federalismo), e governante é indivíduo eleito pelos cidadãos (república).
4. (UFC)Leia o texto a seguir. "Tanto o liberalismo quanto a revolução social, tanto a burguesia quanto, potencialmente, o proletariado, tanto a democracia (em qualquer de suas versões) quanto a ditadura encontram seus ancestrais na extraordinária década que começou com a convocação dos Estados-Gerais, a Tomada da Bastilha e a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão."
HOBSBAWM, Eric. "Ecos da Marselhesa. Dois séculos revêem a Revolução Francesa". São Paulo: Companhia das Letras, 1996, p. 81.
A partir do texto e dos seus conhecimentos, assinale a alternativa correta. a) A Revolução Francesa teve como conseqüência a derrota da classe burguesa e de seus valores liberais. b) Os princípios democráticos inspiraram os países que invadiram a França logo após a revolução de 1789. c) A Tomada da Bastilha representou, simbolicamente, a revanche da nobreza frente ao avanço da revolução popular. d) Os sans-culottes , que formavam o grupo mais radical da Revolução Francesa, podem ser considerados os ancestrais do proletariado. e) A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão , aprovada na França em 1789, apesar de formalmente democrática, defendia a legitimidade das ditaduras.
resposta:[D] O historiador Eric Hobsbawn mostra que a sociedade de classes se configurou no ambiente da Revolução Francesa em que se distinguiram na Assembleia os representantes dos patrões dos empregados.
5. (UEL)Leia o texto a seguir: "A independência política e a formação dos Estados Nacionais na América Latina ocorreram a partir do rompimento do sistema colonial e foram dirigidos por setores dominantes da colônia descontentes com a impossibilidade de usufruir as novas vantagens que o capitalismo do novo século lhes oferecia. Portanto, essas características peculiares distanciam o processo latino-americano do processo pelo qual a Europa passou. Além disso, aqui havia, antes da colonização espanhola e portuguesa, culturas autóctones, que se rebelaram e lutaram para sobreviver depois do impacto da chegada dos europeus. E junto a elas estavam os negros africanos, que também foram incorporados a este continente. Espanha e Portugal quiseram se sobrepor e engolir as demais culturas, num processo de homogeneização praticado por meio da língua, da religião, dos padrões econômicos. Foram vencedores em parte: essa simbiose constituiu o cimento das futuras nações latino-americanas".
Fonte: PRADO, M. L. "A formação das nações latino-americanas". São Paulo: Atual, 1994. p. 2. Com base no texto e nos conhecimentos sobre o tema, é correto afirmar que: a) As diferentes formas de conquista e exploração das colônias contribuíram para a fragmentação desse "novo mundo", denominado América, em diversas "Américas". A de colonização hispânica apoiou-se, principalmente, na servidão indígena, enquanto a portuguesa baseou-se na exploração da mão-de-obra escrava africana. b) Independentes, as colônias espanhola e portuguesa optaram por uma república democrática, que contemplasse em suas constituições a idéia de igualdade e liberdade para os diferentes povos que habitavam essas excolônias. c) A utilização da escravidão africana e indígena contribuiu para formatar as características das sociedades que foram constituídas nas Américas hispânica e portuguesa, em relação à prática da reciprocidade entre esses povos e ao sentimento de solidariedade entre os países no que diz respeito às práticas políticas. d) A exploração colonial originada com a conquista e colonização da América Espanhola e América Portuguesa, embora tenha acontecido em períodos diferentes, foi baseada na escravidão negra, aproveitando a demanda do tráfico de mão-de-obra vinda da África. e) O Brasil e os países hispano-americanos configuram-se em exemplos de alteridade e prosperidade em função do projeto de colonização empreendido nesses espaços.
resposta:[A] Com os interesses das metrópoles mais as características das regiões de exploração econômica, diversificou-se o uso de mão de obra compulsória.
6. (FUVEST) Nas reivindicações dos movimentos políticos que levaram à independência dos países da América Espanhola, encontram-se alguns traços comuns. Entre eles, a a) proposta de igualdade social e étnica. b) proposição de aliança com a França revolucionária. c) defesa da liberdade de comércio. d) adoção do voto universal masculino. e) decisão de separar o Estado da Igreja.
resposta:[C] Nas três Américas, a defesa de liberdade de comércio foi fator para a reação dos colonos contra as exigências das metrópoles. Essa atividade sempre se constituiu no meio de auto-afirmação econômico-financeira.
terça-feira, 26 de outubro de 2010
Terceiro Ano - CNDL Quarto Bimestre - História do Brasil Colégio Notre Dame de Lourdes Coleção Pitágoras Caderno Revisional A Revolução Industrial
O sistema capitalista, enquanto forma específica de se ordenar as relações no campo sócio-econômico, ganhou suas feições mais claras quando – durante o século XVI – as práticas mercantis se fixaram no mundo europeu. Dotadas de colônias espalhadas pelo mundo, principalmente em solo americano, essas nações acumulavam riquezas com a prática do comércio.
Na especificidade de seu contexto, observaremos que a história britânica contou com uma série de experiências que fez dela o primeiro dos países a transformar as feições do capitalismo mercantilista. Entre tais transformações históricas podemos destacar o vanguardismo de suas políticas liberais, o incentivo ao desenvolvimento da economia burguesa e um conjunto de inovações tecnológicas que colocaram a Inglaterra à frente do processo hoje conhecido como Revolução Industrial.
Com a Revolução Industrial, a qualidade das relações de trabalho no ambiente manufatureiro se transformou sensivelmente. Antes, os artesãos se agrupavam no ambiente da corporação de oficio para produzirem os produtos manufaturados. Todos os artesãos dominavam integralmente as etapas do processo de produção de um determinado produto. Dessa forma, o trabalhador era ciente do valor, do tempo gasto e da habilidade requerida na fabricação de certo produto. Ou seja, ele sabia qual o valor do bem por ele produzido.
Gravura da Revolução Industrial. As inovações tecnológicas oferecidas, principalmente a partir do século XVIII, proporcionaram maior velocidade ao processo de transformações da matéria-prima. Novas máquinas automatizadas, geralmente movidas pela tecnologia do motor a vapor, foram responsáveis por esse tipo de melhoria. No entanto, além de acelerar processos e reduzir custos, as máquinas também transformaram as relações de trabalho no meio fabril. Os trabalhadores passaram por um processo de especialização de sua mão-de-obra, assim só tinham responsabilidade e domínio sob uma única parte do processo industrial.
Dessa maneira, o trabalhador não tinha mais ciência do valor da riqueza por ele produzida. Ele passou a receber um salário pelo qual era pago para exercer uma determinada função que, nem sempre, correspondia ao valor daquilo que ele era capaz de produzir. Esse tipo de mudança também só foi possível porque a própria formação de uma classe burguesa – munida de um grande acúmulo de capitais – começou a controlar os meios de produção da economia.
O acesso às matérias primas, a compra de maquinário e a disponibilidade de terras representavam algumas modalidades desse controle da burguesia industrial sob os meios de produção. Essas condições favoráveis à burguesia também provocou a deflagração de contradições entre eles e os trabalhadores. As más condições de trabalho, os baixos salários e carência de outros recursos incentivaram o aparecimento das primeiras greves e revoltas operárias que, mais tarde, deram origem aos movimentos sindicais. Charles Chaplin no clássico "Tempos Modernos".
Com o passar do tempo, as formas de atuação do capitalismo industrial ganhou outras feições. Na segunda metade do século XIX, a eletricidade, o transporte ferroviário, o telégrafo e o motor a combustão deram início à chamada Segunda Revolução Industrial. A partir daí, os avanços capitalistas ampliaram significativamente o seu raio de ação. Nesse mesmo período, nações asiáticas e africanas se inseriram nesse processo com a deflagração do imperialismo (ou neocolonialismo), capitaneado pelas maiores nações industriais da época.
Durante o século XX, outras novidades trouxeram diferentes aspectos ao capitalismo. O industriário Henry Ford e o engenheiro Frederick Winslow Taylor incentivaram a criação de métodos onde o tempo gasto e a eficiência do processo produtivo fossem cada vez mais aperfeiçoados. Nos últimos anos, alguns estudiosos afirmam que vivemos a Terceira Revolução Industrial. Nela, a rápida integração dos mercados, a informática, a microeletrônica e a tecnologia nuclear seriam suas principais conquistas.
Charqe inglesa simbolizando a exploração dos trabalhadores das indústrias
A Revolução Industrial foi responsável por inúmeras mudanças que podem ser avaliadas tanto por suas características negativas, quanto positivas. Alguns dos avanços tecnológicos trazidos por essa experiência trouxeram maior conforto à nossa vida. Por outro lado, a questão ambiental (principalmente no que se refere ao aquecimento global) traz à tona a necessidade de repensarmos o nosso modo de vida e a nossa relação com a natureza. Dessa forma, não podemos fixar o modo de vida urbano e integrado à demanda do mundo industrial como uma maneira, um traço imutável da nossa vida quotidiana.
Intertexto do processo de Revolução Industrial e suas consequências através obra prima de Charles Chaplin, Tempos Modernos e da magnifica letra de Renato Russo, Fábrica.
Fábrica Legião Urbana Composição: Renato Russo Nosso dia vai chegar, Teremos nossa vez. Não é pedir demais: Quero justiça, Quero trabalhar em paz. Não é muito o que lhe peço - Eu quero um trabalho honesto Em vez de escravidão.
Deve haver algum lugar Onde o mais forte Não consegue escravizar Quem não tem chance.
De onde vem a indiferença Temperada a ferro e fogo? Quem guarda os portões da fábrica?
O céu já foi azul, mas agora é cinza O que era verde aqui já não existe mais. Quem me dera acreditar Que não acontece nada de tanto brincar com fogo, Que venha o fogo então.
Terceiro Ano - CNDL Quarto Bimestre - História do Brasil Colégio Notre Dame de Lourdes Coleção Pitágoras Caderno Revisional A Revolução Inglesa no século XVII
Revolução Inglesa
Século XVII
A Revolução Inglesa do século XVII representou a primeira manifestação de crise do sistema da época moderna, identificado com o absolutismo. O poder monárquico, severamente limitado, cedeu a maior parte de suas prerrogativas ao Parlamento e instaurou-se o regime parlamentarista que permanece até hoje. O processo começou com a Revolução Puritana de 1640 e terminou com a Revolução Gloriosa de 1688. As duas fazem parte de um mesmo processo revolucionário, daí a denominação de Revolução Inglesa do século XVII e não Revoluções Inglesas.
Esse movimento revolucionário criou as condições indispensáveis para a Revolução Industrial do século XVIII, limpando terreno para o avanço do capitalismo. Deve ser considerado a primeira revolução burguesa da história da Europa: antecipou em 150 anos a Revolução Francesa.
Surgem as condições
A Inglaterra atingiu no século XVII notável desenvolvimento, favorecido pela monarquia absolutista. Henrique VIII e Elizabeth I unificaram o país, dominaram a nobreza, afastaram a ingerência papal, criaram a igreja a nacional inglesa, confiscaram terras da Igreja Católica e passaram a disputar os domínios coloniais com os espanhóis. Tais tarefas agradaram à burguesia, mas agora o poder absolutista tornava-se incômodo, pois barrava o avanço da burguesia mercantil. Grande parte dos recursos do Estado vinham da venda de monopólios, como aqueles sobre comércio exterior, sal, sabão, alúmen, arenque e cerveja a, que beneficiavam um pequeno grupo, a burguesia financeira.
E prejudicavam a burguesia comercial, sem liberdade para suas atividades, e os artesãos, que pagavam caro por alúmen e produtos indispensáveis a seu trabalho. Ao mesmo tempo, a garantia de privilégios às corporações de ofício impedia o aumento da produção industrial, pois eles limitavam a entrada de novos produtores nas áreas urbanas. Outro problema econômico estava no campo. A alta de preços e a expansão do consumo de alimentos e matérias-primas, como a lã, valorizaram as terras. Isto despertou a cobiça dos produtores rurais. Eles tentavam aumentar suas posses através dos cercamentos, isto é, tentavam transformar em propriedade privada as terras coletivas, devolutas ou sobre as quais havia uma posse precária. Tais ações expulsavam posseiros e criavam grandes propriedades, nas quais se investia capital para aumentar a produção. O Estado, para preservar o equilíbrio social necessário a sua existência, barrava os cercamentos e punha contra si dois setores poderosos: a burguesia mercantil e a nobreza progressista rural, a gentry.
No plano político, havia o conflito entre rei e Parlamento. A este, instituído pela Carta Magna de 1215, cabia o poder de direito, isto é, legítimo. Mas os Tudor exerceram o poder de fato, convocando pouco o Parlamento. As classes aí representadas não se opuseram ao absolutismo porque correspondia a seus interesses. O rei promovia desenvolvimento. No século XVII, o Parlamento pretendia transformar seu poder de direito em poder de fato. O rei correu a legitimar seu poder, que era de fato. Só havia uma forma: considerar o poder real de origem divina, como na França.
A luta política desenvolveu-se então no campo religioso e os reis manipularam a religião para aumentar seu poder. No século XVI, os Tudor haviam dado ênfase ao conteúdo do anglicanismo, isto é, seu lado calvinista, favorecendo a burguesia. Agora, os Stuart ressaltavam a forma católica do anglicanismo, identificando-se com a aristocracia, contra a burguesia. Claro, através do catolicismo era mais fácil justificar a origem divina do poder real. O Parlamento, dominado pela burguesia mercantil e a gentry, radicalizou suas posições e identificou-se com o puritanismo (forma mais radical do calvinismo), que rejeitava o anglicanismo.
A Revolução Puritana foi o resultado da luta entre burguesia e realeza pelo controle político do país.
Os Stuart e a pré-revolução
Carlos I, rei da dinastia Stuart.
Elizabeth morreu em 1603 sem deixar herdeiros e Jaime I, rei da Escócia, assumiu o trono. Ele procurou estabelecer as prerrogativas reais implantando uma monarquia absoluta de direito divino. Perseguiu seitas radicais e até os católicos, que organizaram a Conspiração da Pólvora em 1605 (pretendiam explodir Westminster durante um discurso do rei). Os descontentes emigravam para a América do Norte.
A oposição entre rei e Parlamento ficou evidente a partir de 1610. O rei queria uma ocupação feudal na Irlanda; o Parlamento, uma colonização capitalista. Discordaram quanto aos impostos, pois o rei pretendia o monopólio sobre o comércio de tecidos, o que o tornaria independente do Parlamento financeiramente, considerando-se que já possuía rendas de suas próprias terras e de outros monopólios.
Com a morte de Jaime I em 1625, sobe ao trono seu filho Carlos I. Em 1628, guerras no exterior o obrigam a convocar um Parlamento hostil, que lhe impõe a Petição dos Direitos. Os membros da casa exigiam o controle da política financeira, controle da convocação do exército e regularidade na convocação do Parlamento, já que lhe negaram a aprovação de rendas fixas. O rei dissolveu o Parlamento, que só voltaria a reunir-se em 1640, ano da Revolução.
Carlos I apoiou-se na Câmara Estrelada, tribunal ligado ao Conselho Privado do rei. Dentre seus assessores, destacaram-se o Conde de Strafford e o arcebispo Laud, de Canterbury, responsáveis pela repressão violenta do período. Cresceu a emigração para a América. O rei passou a cobrar impostos caídos em desuso, como o Ship Money, instituído em cidades portuárias para combater a pirataria e agora estendido a todo o reino. Como a forma de enquadrar os dissidentes era a política religiosa, Carlos tentou uniformizar o reino, impondo o anglicanismo aos escoceses, calvinistas. Eles se rebelaram e invadiram o norte inglês. O rei convocou o Parlamento em abril de 1640 e o dissolveu em seguida. Em novembro, sem opções, convocou-o de novo. Foi o Longo Parlamento, pois se manteve até 1653.
O movimento de 1640
O Parlamento foi duro com o rei. Destruiu a Câmara Estrelada. Strafford foi executado em 1641 e Laud, em 1645. O rei não poderia mais ter exército permanente. O Parlamento se reuniria a cada três anos independentemente de convocação real; e conduziria a política tributária e religiosa. Acusou o rei de responsável pelo levante na Irlanda católica em 1641 e lhe dirigiu a Grande Remonstrance (repreensão). Em janeiro de 1642, o rei foi ao Parlamento e exigiu a prisão de cinco líderes oposicionistas. Houve reação violenta, sustentada nas milícias urbanas convocadas em apoio ao Parlamento.
Parlamento: estourava a guerra civil
O rei fez de Oxford seu quartel-general. Convidou o príncipe Rupert para comandar cerca de 20 mil homens do exército de cavaleiros, apoiado por aristocratas do oeste e norte, bem como burgueses inquietos com a desordem popular. Oliver Cromwell organizou em novo estilo 0 exército do Parlamento, composto sobretudo por camponeses, com apoio da burguesia londrina e da gentry: a ascensão se dava não por nascimento, mas por merecimento. Estimulou-se entre os soldados a participação em comitês que debatiam os problemas. Os cabeças redondas (porque não usavam perucas) foram decisivos na batalha final de Naseby, em 1645. Carlos I se refugiou na Escócia, foi preso e vendido pelo Parlamento escocês ao Parlamento inglês.
Criou-se novo problema: setores do Parlamento, achando oportuno o momento para um acordo vantajoso com a realeza, passaram a conspirar com o rei contra o exército. Este estava organizado e influenciado por radicais, como os niveladores, que queriam evitar a desmobilização e o não-pagamento dos salários, como pretendia o Parlamento. Aprofundou-se a diferença entre os grandes do exército e suas bases de niveladores, com projeto avançado para a época. Eles tentaram assumir o controle do exército em 1647 e o rei aproveitou para fugir de novo. O exército se reunificou, prendeu o rei e depurou o Parlamento. Foram presos 47 deputados e excluídos 96: era o Parlamento Coto (Rump). Carlos I foi decapitado em 30 de janeiro de 1649, a Câmara dos Lordes abolida e a República proclamada em 19 de maio.
Decapitação do rei Carlos I, em 30 de janeiro de 1649, na cidade de Londres.
Execução do rei Carlos I.
A República e Cromwell
O Parlamento sofreu nova depuração. Um Conselho de Estado, com 41 membros, passou a exercer o Poder Executivo. De fato, quem o exercia era Cromwell; ele procurou eliminar a reação realista que, com apoio escocês, tentava pôr no trono Carlos II, filho de Carlos I. Cromwell também eliminou os radicais do exército. Os líderes niveladores foram executados; os escavadores, do movimento proletário rural que pretendia tomar terras do Estado, da nobreza e do clero anglicano, foram dizimados. Liquidado o movimento mais democrático dentro da Revolução Inglesa, os menos favorecidos ficaram sem esperanças e aderiram a movimentos religiosos radicais, como os ranters e os seekers.
Oliver Cromwell, Lord Protetor da Inglaterra. Em 1653, foi dissolvido o que restava do Longo Parlamento. Uma nova Constituição deu a Cromwell o título de Lorde Protetor. Tinha poderes tão tirânicos quanto os da monarquia. Ofereceram-lhe a coroa, mas ele recusou: já era um soberano e podia até fazer o sucessor. Para combater os rivais holandeses e fortalecer o comércio exterior inglês, baixou o Ato de Navegação. As mercadorias inglesas somente podiam entrar em portos ingleses em navios ingleses ou em navios de seus países de origem. Cromwell governou com rigidez e intolerância, impondo suas idéias puritanas. O filho Richard Cromwell o substituiu após sua morte em 1658 e, pouco firme, foi facilmente deposto em 1659.
A Restauração e a Gloriosa
Com apoio do general Monk, comandante das tropas da Escócia, o Parlamento-Convenção proclamou Carlos II rei em 1660. Com poderes limitados, ele se aproximou de Luís XIV da França, tornando-se suspeito para o Parlamento. Uma onda contra-revolucionária sobreveio, favorecida por um Parlamento de Cavaleiros, composto por nobres realistas e anglicanos em sua maioria. O corpo de Cromwell foi desenterrado e pendurado na forca. O poeta Milton foi julgado e condenado. Carlos II baixou novos atos de navegação em favor do comércio inglês. Sua ligação com Luís XIV levou-o a envolver-se na Guerra da Holanda. O Parlamento baixou então, em 1673, a Lei do Teste, pela qual todos os que exercessem função pública deveriam professar seu antianglicanismo. Surgiram dois partidos: os whigs, contra o rei e pró-Parlamento; os tories, defensores das prerrogativas reais.
Jaime II, irmão de Carlos II, subiu ao trono mesmo sendo católico. Buscou restaurar o absolutismo e o catolicismo, punindo os revoltosos, aos quais negava o habeas-corpus. Indicou católicos para funções importantes. Em 1688, o Parlamento convocou Maria Stuart, filha de Jaime II e mulher de Guilherme de Orange, governador das Províncias Unidas, para ocupar o trono. Foi um movimento pacífico. Jaime II refugiou-se na França e um novo Parlamento proclamou Guilherme e Maria rei e rainha da Inglaterra.
Alegoria do desembarque de Guilherme de Orange na Inglaterra: vitória da burguesia.
Os novos soberanos tiveram de aceitar a Declaração dos Direitos, baixada em 1689, que decretava: o rei não podia cancelar leis parlamentares e o Parlamento poderia dar o trono a quem lhe aprouvesse após a morte do rei; haveria reuniões parlamentares e eleições regulares; o Parlamento votaria o orçamento anual; inspetores controlariam as contas reais; católicos foram afastados da sucessão; a manutenção de um exército em tempo de paz foi considerada ilegal.
Os ministros passaram a tomar as decisões, sob autoridade do lorde tesoureiro. Funcionários passaram a dirigir o Tesouro e, em época de guerra, orientavam a política interna e externa. Em 1694, formou-se o tripé fundamental para o desenvolvimento do país, com a criação do Banco da Inglaterra: o Parlamento, o Tesouro e o Banco.
Abriam-se as condições para o avanço econômico que resultaria na Revolução Industrial. De um lado, uma revolução na agricultura através dos cercamentos que beneficiou a gentry. De outro, a expansão comercial e marítima garantida pelos Atos de Navegação, que atendiam aos interesses da burguesia mercantil. Assim se fez a Revolução Gloriosa, que assinalou a ascensão da burguesia ao controle total do Estado.
Os Atos de Navegação transformaram a Inglaterra numa grande potência industrial.
Aula muito importante para o vestibular. Aqui você vai revisar toda a trajetória da dinastia Stuart (Carlos I e Jaime I), passando pela Revolução Puritana, de 1640 e pela experiência única republicana com Oliver Cromwell na Inglaterra, além da Revolução Gloriosa, de 1688.
Conclusões
O parlamentarismo surgiu na Inglaterra, à época da desagregação do sistema feudal. É um sistema de governo que se define não vinculado à forma de organização do Estado, seja ela monarquia ou república. Nesse sistema, as funções do chefe de Estado e chefe de governo são separadas.
O chefe de Estado é o símbolo da continuidade, da unidade de nação e a representa internacionalmente; é o rei na Monarquia e o presidente na República.
O chefe de governo (primeiro-ministro) no Estado parlamentar se define pelo apoio de um partido ou de uma coligação de partidos que formam uma maioria estável no Parlamento.
No parlamentarismo, o poder Legislativo e o Executivo se completam, pois só de sua ação conjunta são possíveis a definição e a execução de um plano de governo, sob a pena de o primeiro-ministro e seu gabinete ou o Parlamento serem substituídos.
A última etapa da Revolução Inglesa - a Revolução Gloriosa de 1688 - possibilitou, com a Declaração de Direitos de 1689, o estabelecimento de um Parlamento eleito como supremo nos fundamentos de tributação e legislação, e para fixar limites para o poder monárquico. Esses princípios influenciaram governos parlamentares pelo mundo afora.
Em 1999, na Inglaterra, a Câmara dos Lords foi dissolvida, consolidando-se a superioridade da Câmara dos Communs; composta de representantes eleitos por sufrágio universal.
Atividades
1. Explique os fatores responsáveis pelo equilíbrio das relações políticas entre a dinastia Tudor e os grupos militares.
2. Explique o fator que determinou a limitação do poder dos reis e a diversificação da composição do Parlamento na Inglaterra.
3. Estabeleça os fatores que geraram constantes atritos entre os Stuarts e o Parlamento.
4. Construa um texto caracterizando a Revolução Puritana.
5. Caracterize a ação de Oliver Cromwell contra o movimento dos Niveladores.
Questões propostas
1. (UFSCar) As revoluções contra o poder absolutista dos reis atravessaram grande parte da história moderna da Europa. Houve, no entanto, diferenças entre as revoluções francesa e inglesa. Assinale a alternativa correta.
a) Na França, a oposição ao absolutismo implicou, ao contrário do que ocorreu na Inglaterra, o estabelecimento de um regime republicano, mesmo que passageiro. b) A revolução inglesa, diferentemente da francesa, reivindicou os direitos do Parlamento contra o arbítrio real, expressos por documentos escritos que remontavam à Idade Média. c) A revolução inglesa, ao contrário da francesa, contou com o apoio popular na luta contra os reis absolutistas, desvinculando-se de disputas entre facções religiosas. d) A luta contra o absolutismo na França distinguiu-se do processo que se desenvolveu na Inglaterra pela violência e execução do monarca absolutista. e) A revolução francesa removeu os obstáculos impostos à economia pelo antigo regime, industrializando o país no século XVIII; na Inglaterra, ao contrário, a revolução conteve o crescimento econômico.
2. (Mackenzie) A burguesia tinha como projeto político a defesa da propriedade privada e os camponeses defendiam a propriedade coletiva. Ambas as classes combatiam a ordem monárquica absolutista, que lutou pelos interesses da aristocracia que a sustentava. O principal ideólogo do pensamento burguês da época foi John Locke que afirmava: A preservação da propriedade é o grande e principal objetivo da união dos homens em comunidade, colocados sob governo. Assinale a alternativa que corresponde a essa etapa do processo de consolidação da burguesia. a) Revolução Francesa. b) Revolução Inglesa. c) Revolução Russa. d) Revolução Americana. e) Revolução Alemã.
3. (UNESP) "... o período entre 1640 e 1660 viu a destruição de um tipo de Estado e a introdução de uma nova estrutura política, dentro da qual o capitalismo podia desenvolver-se livremente." ( Christopher Hill , A Revolução Inglesa de 1640) . O autor do texto está se referindo: a) à força da marinha inglesa, maior potência naval da Época Moderna. b) ao controle pela coroa inglesa de extensas áreas coloniais. c) ao fim da monarquia absolutista, com a crescente supremacia política do parlamento. d) ao desenvolvimento da indústria têxtil, especialmente dos produtos de lã. e) às disputas entre burguesia comercial e agrária, que caracterizaram o período.
4. (UFMG) Durante a Revolução Inglesa, no século XVII, foi formado o Exército de Novo Tipo, liderado por Oliver Cromwell, de que participavam, além da classe mercantil, da gentry, dos pequenos proprietários camponeses e de trabalhadores urbanos, segmentos mais radicais, que defendiam reformas profundas no Estado inglês. É CORRETO afirmar que esses segmentos eram constituídos
a) pelos tories, que visavam ao fechamento do Parlamento e à instituição de um governo popular, e pelos whigs, defensores da abolição da propriedade privada. b) pelos levellers, que reivindicavam a democratização, a extensão do sufrágio e uma maior igualdade perante a lei, e pelos diggers, defensores da posse comum das terras. c) pelos landlords, que buscavam a implantação do sufrágio universal e a extensão do voto às mulheres, e pelos warlordists, que pregavam a luta armada do povo contra o Parlamento. d) pelos saint-simonistas, que defendiam o fim do sistema monárquico, e pelos owenistas, defensores da abolição da Câmara dos Lordes.
5. (UFRRJ) Leia o texto a seguir, sobre algumas das razões que levaram à chamada Revolução Gloriosa, e responda à questão a seguir. Satisfeitos com a política de Carlos II contra a Holanda, os capitalistas ingleses não se sentiam entretanto contentes com a sua atitude, e ainda menos com a de Jaime II, em relação à França, que se transformara na mais temível concorrente da Inglaterra no comércio e nas colônias. (...) A luta econômica contra a França, a luta por uma religião mais adaptada ao espírito capitalista, provocaram a revolução de 1688.
MOUSNIER, R. "História geral das civilizações". Os séculos XVI e XVII. São Paulo: Difel, 1973. v. 9 p.324.
Sobre a Revolução Gloriosa de 1688/1689, pode‐se afirmar que ela a) representou a vitória de setores reacionários no espectro político inglês e o retorno à descentralização política típica do mundo medieval. b) significou, após a afirmação temporária de governos protestantes, um retorno à tradição britânica de governos católicos. c) foi o momento no qual o anglicanismo afirmou‐se definitivamente como religião de Estado na Inglaterra. d) representou uma derrota da teoria do direito divino e o triunfo da teoria do contrato entre o soberano e o povo. e) representou a vitória da teoria da separação dos três poderes e de um estado democrático baseado no sufrágio.
6. (Fatec) O Bill of Rights estabeleceu limitações ao poder real na Inglaterra. Sobre essas limitações é CORRETO dizer que a) instituíram um ministério composto pela nobreza latifundiária e a burguesia urbana. b) instituíram o anglicanismo como religião oficial da Inglaterra e a tolerância a todos os cultos, o que foi confirmado pelo rei, apesar de ele ser católico extremado. c) combatiam a liberdade de imprensa, a liberdade individual e a propriedade privada. d) dispensavam a aprovação das Câmaras para o aumento de impostos. e) configuravam um conjunto de medidas que acabou por substituir a monarquia absoluta vigente por uma monarquia constitucional.
7. (Puccamp) Os conflitos político-sociais do século XVII foram o meio pelo qual a Inglaterra a) transformou o Absolutismo de direito em Absolutismo de fato. b) promoveu a substituição do Estado liberal - capitalista pelo Estado Absolutista. c) organizou o Exército do Parlamento, conferindo postos de comando segundo o critério de origem familiar e não pelo merecimento militar. d) consolidou os interesses da nobreza agrária tradicional rompendo com os ideais da burguesia. e) diluiu os obstáculos para o avanço capitalista, marcando o início da desagregação do Absolutismo Monárquico.
8. (UNESP 2012) A Revolução Puritana (1640) e a Revolução Gloriosa (1688) transformaram a Inglaterra do século XVII. Sobre o conjunto de suas realizações, pode-se dizer que
A) determinaram o declínio da hegemonia inglesa no comércio marítimo, pois os conflitos internos provocaram forte redução da produção e exportação de manufaturados.
B) resultaram na vitória política dos projetos populares e radicais dos cavadores e dos niveladores, que defendiam o fim da monarquia e dos privilégios dos nobres.
C) envolveram conflitos religiosos que, juntamente com as disputas políticas e sociais, desembocaram na retomada do poder pelos católicos e em perseguições contra protestantes.
D) geraram um Estado monárquico em que o poder real devia se submeter aos limites estabelecidos pela legislação e respeitar as decisões tomadas pelo Parlamento.
E) precederam as revoluções sociais que, nos dois séculos seguintes, abalaram França, Portugal e as colônias na América, provocando a ascensão política do proletariado industrial.
9. (Unicamp - 2011) Na Inglaterra, por volta de 1640, a monarquia dos Stuart era incapaz de continuar governando de maneira tradicional. Entre as forças sociais que não podiam mais ser contidas no velho quadro político, estavam aqueles que queriam obter dinheiro, como também aqueles que queriam adorar a Deus seguindo apenas suas próprias consciências, o que os levou a desafiar as instituições de uma sociedade hierarquicamente estratificada.
(Adaptado de Christopher Hill, “Uma revolução burguesa?”. Revista Brasileira de História, São Paulo, vol. 4, nº 7, 1984, p. 10.)
a) Conforme o texto, que valores se contrapunham à forma de governo tradicional na Inglaterra do século XVII?
b) Quais foram as consequências da Revolução Inglesa para o quadro político do país?
10. (PUC-RJ – 2010) “Para o progresso do armamento marítimo e da navegação, que sob a boa providência e proteção divina interessam tanto à prosperidade, à segurança e ao poderio deste reino [...], nenhuma mercadoria será importada ou exportada dos países, ilhas, plantações ou territórios pertencentes à Sua Majestade, ou em possessão de Sua Majestade, na Ásia, América e África, noutros navios senão nos que [...] pertencem a súditos ingleses [...] e que são comandados por um capitão inglês e tripulados por uma equipagem com três quartos de ingleses [...], nenhum estrangeiro [...] poderá exercer o ofício de mercador ou corretor num dos lugares supracitados, sob pena de confisco de todos os seus bens e mercadorias [...]”.
(Segundo Ato de Navegação de 1660. In: Pierre Deyon. O mercantilismo. São Paulo: Perspectiva, 1973, p. 94-95.)
Por meio do Ato de Navegação de 1660, o governo inglês:
a) estabelecia que todas as mercadorias comercializadas por qualquer país europeu fossem transportadas por navios ingleses.
b) monopolizava seu próprio comércio e impulsionava a indústria naval inglesa, aumentando ainda mais a presença da Inglaterra nos mares do mundo.
c) enfrentava a poderosa França retirando-lhe a posição privilegiada de intermediária comercial em nível mundial.
d) desenvolvia a sua marinha, incentivava a indústria, expandia o Império, abrindo novos mercados internacionais ao seu excedente agrícola.
e) protegia os produtos ingleses, matérias-primas e manufaturados, que deveriam ter sua saída dificultada, de modo a gerar acúmulo de metais preciosos no Reino inglês.
RESPOSTAS
Atividades
1. Os reis Tudor apoiaram-se politicamente na força do poder localizado na nobreza, e esta, necessitando se resguardar das mudanças provocadas pelo processo de centralização do poder, servia aos reis, exercendo cargos administrativos. Os negociantes, dependentes de uma paz interna para o desenvolvimento de suas atividades, proviam os cofres do Estado pagando impostos, assegurando a sua própria segurança.
2. O interesse dos deputados representantes da burguesia em criar expedientes mais eficazes para as atividades econômico-financeiras.
3. A constante intervenção dos reis Stuarts na economia, fato que restringia o crescimento econômico-financeiro da burguesia.
4. Nesse texto, o aluno deverá apresentar a ação dos representantes dos grupos econômico-financeiros contra o governo de Carlos I, bem como as reformas concretizadas.
5. Cromwell reagiu de modo radical ao condenar os representantes do movimento dos Niveladores à morte.
Gabarito das Questões propostas
resposta da questão 1:
[B]
b) A revolução inglesa, diferentemente da francesa, reivindicou os direitos do Parlamento contra o arbítrio real, expressos por documentos escritos que remontavam à Idade Média.
Comentário: A política e a sociedade inglesa sempre exigiram dos reis direitos que desde a Baixa Idade Média restringiam seus poderes. Exemplo dessa situação foi a promulgação da Magna Carta no século XIII.
resposta da questão 2:
[B]
b) Revolução Inglesa.
Comentário: A primeira revolução de caráter burguesa ocorreu na Inglaterra, quando aquela classe decidiu reagir contra as pretensões absolutistas dos Stuarts.
resposta da questão 3:
[C]
c) Ao fim da monarquia absolutista, com a crescente supremacia política do parlamento.
Comentário: O Parlamento passou a uma liderança no governo da Inglaterra, com a deposição dos Stuarts e a promulgação do Bill of Rights, que transferiu o poder executivo para o Parlamento.
resposta da questão 4:
[B]
b) pelos levellers, que reivindicavam a democratização, a extensão do sufrágio e uma maior igualdade perante a lei, e pelos diggers, defensores da posse comum das terras.
Comentário: Esses movimentos representavam os seguimentos sociais populares que reivindicavam uma demonstração do poder tanto político como econômico.
resposta da questão 5:
[D]
d) representou uma derrota da teoria do direito divino e o triunfo da teoria do contrato entre o soberano e o povo.
Comentário: A influência da teoria do Contrato Direito Civil de John Locke foi o referencial para a derrubada do direito divino dos reis na Inglaterra do século XVII.
resposta da questão 6:
[E]
e) configuravam um conjunto de medidas que acabou por substituir a monarquia absoluta vigente por uma monarquia constitucional.
Comentário: A afirmação caracteriza o significado do documento emitido para restringir o poder dos reis ao final do século XVII.
resposta da questão 7:
[E]
e) diluiu os obstáculos para o avanço capitalista, marcando o início da desagregação do Absolutismo Monárquico.
Comentário: Esses conflitos enfraqueceram a monarquia absolutista à mediada que os interesses da sociedade não eram compatíveis com os interesses dos Stuarts.
Respostada questão 8:
[D]
Resolução: a Revolução Puritana derrubou a dinastia Stuart e implantou uma República Parlamentar, depois ditatorial, sob o comando de Oliver Cromwell, que reprimiu os movimentos populares e impulsionou o comércio inglês a partir do Ato de Navegação (1651).
Com a Revolução Gloriosa, a burguesia inglesa se libertava do Estado absolutista definitivamente, que com seu permanente intervencionismo era uma barreira para um mais amplo acúmulo de capital. O novo rei, Guilherme de Orange se subordinou ao Bill of Rights. Dessa forma a burguesia, aliada a aristocracia rural, passou a exercer diretamente o poder político através do Parlamento.
Resposta da questão 9:
a) De acordo com o texto de Christopher Hill, os valores que inspiravam a oposição à tradicional monarquia
inglesa dos Stuart eram: “a busca por dinheiro”, que caracterizava as práticas capitalistas da burguesia
mercantil, e a adoração a Deus baseada no individualismo e na livre interpretação da Bíblia típica, de alguns
grupos protestantes, como os puritanos.
b) A Revolução Inglesa transforma em definitivo a estrutura política do país, na medida em que converte-o
em uma monarquia parlamentar, em que o poder legislativo estaria sob controle de representantes eleitos,
fortemente influenciados por interesses da ascendente burguesia, e as atribuições do monarca e os direitos
dos cidadãos estariam definidos em uma Constituição, a “Bill of Rights”.
(Unicamp/2010) Texto para as questões 1 e 2. Para as artes visuais florescerem no Renascimento era preciso um ambiente urbano. Nos séculos XV e XVI, as regiões mais altamente urbanizadas da Europa Ocidental localizavam-se na Itália e nos Países Baixos, e essas foram as regiões de onde veio grande parte dos artistas. (Adaptado de Peter Burke, O Renascimento Italiano. São Paulo: Nova Alexandria, 1999, p. 64.)
1. A relação entre o Renascimento cultural e o ambiente urbano na Europa dos séculos XV e XVI justifica-se porque a) as cidades eram centros comerciais e favoreciam o contato com a cultura árabe, cujo domínio das técnicas do retrato e da perspectiva sobrepôs-se à arte europeia, dando origem ao Renascimento. b) a presença de artistas nas cidades atraía os investimentos de ricos burgueses em busca de prestígio social, fazendo com que as regiões que concentravam os artistas, como a Itália e os Países Baixos, se urbanizassem mais que as outras. c) nas cidades podia-se estudar a cultura artística em universidades, dedicadas ao cultivo da tradição clássica e ao ensino de novas técnicas, como o uso do estilo gótico na arquitetura e da perspectiva na pintura. d) a riqueza concentrada nas cidades permitia a prática do mecenato, enquanto o crescimento do comércio estimulava o encontro entre as culturas europeia e bizantina, possibilitando a redescoberta dos valores da antiguidade clássica.
2. Podemos associar ao Renascimento importantes mudanças no pensamento filosófico europeu, tais como a valorização do conceito de a) Humanismo, que colocava o ser humano no centro do conhecimento, valorizando o homem por este ser considerado uma criação divina. b) Iluminismo, que considerava a razão, a observação e a experimentação superiores à fé como forma de conhecimento do universo sensível. c) Antropocentrismo, que colocava o ser humano no centro do conhecimento, contrapondo-se à filosofia Escolástica baseada nos dogmas cristãos. d) Geocentrismo, que colocava o estudo da Terra no centro do conhecimento, ao descobrir que o planeta descrevia uma trajetória elíptica em torno do sol.
3. (UFPEL) O mapa indica a formação de universidades na Europa a) Latina, na Alta Idade Média. b) Anglo-Saxônica, no Renascimento. c) Oriental, entre os séculos XIII e XIV. d) Ocidental, durante a Idade Média. e) Renascentista, durante o início da Idade Moderna.
Execução na fogueira por ordem do Tribunal da Inquisição, Inglaterra – 1314.
“Arrancada a confissão do réu, os inquisidores proferiam a sentença em uma sessão pública denominada sermão geral. As sentenças previam três tipos básicos de penas: confiscação de bens, prisão e morte. A maioria dos condenados à morte eram queimados vivos numa grande fogueira. Somente a alguns permitia-se o estrangulamento antes de serem lançados ao fogo.” COTRIM, Gilberto. 6ª ed. São Paulo: Saraiva, 2001.
4. (UFPEL) O texto didático faz uma análise das ações do Tribunal da Inquisição, criado pela a) Igreja Anglicana, durante a Reforma Religiosa. b) Religião muçulmana, no período das Cruzadas. c) França dos Huguenotes, no período da Contra-Reforma. d) Reforma Protestante, liderada por Lutero, no fim da Idade Média. e) Igreja Católica Romana, durante a Idade Média.
“Os clérigos devem por todos orar os cavaleiros sem demora devem defender e honrar e os camponeses, sofrer cavaleiros e clero sem falha vivem de quem trabalha têm grande canseira e dor pagam primícias, corvéias, orações ou talha e cem coisas costumeiras e quanto mais pobre viver mais mérito terá das faltas que cometeu se paga a todos o que deve se cumpre com lealdade a sua fé se suporta paciente o que lhe cabe: angústias e sofrimentos”.
ESTEVÃO DE FOURÈGES. In: COTRIM, Gilberto. História global: Brasil e Geral. 6ª ed. São Paulo: Saraiva, 2002.
5. (UFPEL) O poema está diretamente relacionado a) à Revolução Francesa, enfatizando as obrigações servis, como a corvéia – que era a entrega da primeira colheita ao senhor. b) à estratificação social, no feudalismo europeu, justificada pela Igreja, e composta pelo clero, pela nobreza e pelo povo. c) ao final da Idade Média, durante a expansão colonial européia na América, com o apoio da Igreja. d) à ideologia burguesa, nas Cruzadas, quando os cavaleiros defenderam os valores cristãos ocidentais contra os muçulmanos. e) ao período medieval, por referir a exploração dos camponeses através de trabalho escravizado, bem como pela talha – que era o pagamento pelo uso do moinho.
Texto 1: Durante a Idade Média européia, as estratégias matrimoniais organizavam e sustentavam as relações sociais. O casamento era antes de tudo um pacto entre famílias. Nesse ato, a mulher era ao mesmo tempo doada e recebida, como um ser passivo. Sua principal virtude, dentro e fora do casamento, deveria ser a obediência, a submissão. Solteira, era identificada sempre como filia de, soror de. Casada, passava a ser personificada como uxor de. Filha, irmã, esposa: os homens deviam ser sua referência. MACEDO, José Rivair. A mulher na Idade Média. 5ªed. São Paulo: Contexto, 2002. [adapt.].
Texto 2 : “O que as revistas femininas aconselhavam às leitoras : [...] - A mulher deve fazer o marido descansar nas horas vagas, nada de incomodá-lo com serviços domésticos. (Jornal das Moças, 1959). - Se o seu marido fuma, não arrume brigas pelo simples fato de cair cinzas no tapete. Tenha cinzeiros espalhados por toda a casa. (Jornal das Moças, 1957). - O lugar de mulher é no lar, o trabalho fora de casa masculiniza. (Querida, 1955). [...].” In: COTRIM, Gilberto. História e consciência do Brasil, 7ª ed. São Paulo: Saraiva, 1999.
6. (UFPEL) Com base na leitura comparativa dos textos, constata-se que a) o patriarcalismo medieval europeu influenciou, durante muito tempo, a cultura brasileira, tendo em comum a valorização da submissão feminina. b) a ideologia patriarcal da Europa renascentista foi absorvida, sem alterações, pela sociedade brasileira na Ditadura Militar. c) o Direito Romano, desde a Antigüidade, submeteu a mulher à uma inferioridade legal, que vigora na atual legislação brasileira. d) as mulheres não possuíam direitos civis, tanto na Europa, na Idade Moderna, quanto no Brasil, na segunda metade do século XX. e) o papel feminino está subordinado, nas duas conjunturas históricas, coisificando a mulher, contudo não existe a discriminação de gênero na sociedade brasileira atual.
Astecas vitimados por varíola. Desenho do século XVI. “ ‘Naquele tempo, não havia doenças, nem febres, nem doenças dos ossos ou de cabeça (...). Naquele tempo, tudo estava em ordem. Os estrangeiros mudaram tudo quando chegaram.’ De fato, por mais saudosismo que possa expressar esse lamento, parece mesmo que as doenças do Velho Mundo foram mais freqüentemente mortais nas Américas do que na Europa. O missionário alemão chegou inclusive a escrever no finalzinho do século XVIII que ‘os índios morrem tão facilmente que só a visão ou o cheiro de um espanhol os fazem passar deste para outro mundo’. Umas quinze epidemias dizimaram a população do México e do Peru.” FERRO, Marc. História das colonizações – das conquistas às independências – séculos XIII a XIX. São Paulo: Cia. das Letras,1996.
7. (UFPEL) Os documentos denunciam as doenças provocadas pelos agentes do a) Colonialismo espanhol que dizimaram populações nativas na América, na Idade Moderna. b) Colonialismo português em suas possessões, entre os séculos XVI e XVIII. c) Imperialismo ibérico e dos Países Baixos exterminando as populações incas, maias e astecas, na Idade Contemporânea. d) Mercantilismo europeu nas colônias anglo-saxônicas, desde o final da Idade Média. e) Colonialismo lusitano no México e no Peru, a partir do século XVI.
“Daqui nasce um dilema: é melhor ser amado do que temido, ou o inverso? Respondo que seria preferível ambas as coisas, mas, como é muito difícil conciliá-las, parece-me muito mais seguro ser temido do que amado, se só se puder ser uma delas. [...] Os homens hesitam menos em prejudicar um homem que se torna amado do que outro que se torna temido, pois o amor mantém-se por um laço de obrigações que, em virtude de os homens serem maus, quebra-se quando surge ocasião de melhor proveito. Mas o medo mantém-se por um temor do castigo que nunca nos abandona. Contudo, o príncipe deve-se fazer temer de tal modo que, se não conseguir a amizade, possa pelo menos fugir à inimizade, visto haver a possibilidade de ser temido e não ser odiado, ao mesmo tempo.” MAQUIAVEL, Nicolau (1469-1527). O Príncipe. Lisboa: Europa- América, 1976.
8. (UFPEL) O documento embasa a) a organização de uma sociedade liberal, precursora dos ideais da Revolução Francesa. b) o direito divino dos reis, reforçando as estruturas políticas e religiosas medievais. c) o absolutismo monárquico, sob a ótica de um escritor renascentista. d) a origem do Estado Moderno, através do Contrato Social. e) o republicanismo como regime político, apropriado para os Estados Modernos.
9. (UFV) Sobre a Revolução Científica do século XVII, é INCORRETO afirmar que: a) houve a superação da visão de um universo finito com corpos celestes dispostos em círculos concêntricos em favor de um universo infinito. b) Nicolau Copérnico e Galileu foram expoentes da Revolução Científica que desafiaram a Igreja, pois defenderam o geocentrismo. c) os cientistas desenvolveram uma nova imagem de Deus como relojoeiro ou engenheiro, que teria construído o universo segundo leis matemáticas. d) a razão e a experimentação tornaram-se gradualmente mais valorizadas que a tradição e a autoridade.
GABARITO resposta da questão 1. [D]
resposta da questão 2. [C]
resposta da questão 3. [D[
resposta da questão 4. [E]
resposta da questão 5. [B]
resposta da questão 6. [A]
resposta da questão 7. [A]
resposta da questão 8. [C]
resposta da questão 9. [B]
sábado, 2 de outubro de 2010
Terceiro Ano - CNDL Quarto Bimestre - História do Brasil Colégio Notre Dame de Lourdes Coleção Pitágoras Caderno Revisional A revolução Científica do século XVII
Na história da ciência, revolução científica é o período que se dá a partir do momento em que Galileu, Kepler, entre outros pensadores do século XVII iniciam suas descobertas. A partir desse período, a Ciência, que até então estava atrelada à Filosofia, separa-se desta e passa a ser um conhecimento mais estruturado e prático.
Houve muitas teorias revolucionárias que diferem na intensidade com que influenciaram o pensamento humano. Algumas representaram profundas modificações na forma do homem examinar a natureza, como por exemplo, a introdução de um tratamento matemático na descrição dos movimentos dos planetas, introduzida pelos babilônios e depois aperfeiçoada pelos gregos. Outras representaram micro-revoluções, como o sistema de classificação de seres vivos, introduzida por Aristóteles. A maior revolução científica de todos os tempos ocorreu no início do século XV e modificou a estrutura da ciência, o que poderia explicar sua grande influência no pensamento humano. As causas principais da revolução podem ser resumidas em: renascimento cultural, a imprensa, a reforma protestante e o hermetismo.
Com a referida revolução, a ciência mudou sua forma e sua função, passando a ser repensada nos moldes na nova sociedade que estava emergindo nesta época. Os objetivos do homem da ciência e da própria ciência acabaram sendo redirecionados para uma era livre das influências místicas da idade média.
O renascimento cultural trouxe como uma de suas características o humanismo. Esta corrente de pensamento e comportamento pregava a utilização de um senso crítico mais elevado e uma maior atenção às necessidades humanas ao contrário do teocentrismo da Idade Média, que pregava a atenção total aos assuntos divinos e, portanto, um senso crítico menos elevado. Este maior senso crítico exigido pelo humanismo permitiu ao homem observar mais atentamente os fenômenos naturais em vez de renegá-los à interpretação da Igreja Católica.
A imprensa, inventada neste mesmo período, desempenhou um papel fundamental na revolução científica. Assim, desapareciam os erros de interpretação e cópia que acabavam por deturpar as traduções. A impressão em língua vernácula permitiu uma maior divulgação de material se comparado aos escritos em latim, que eram compreendidos apenas pelos estudiosos desta língua.
A reforma religiosa participou de modo decisivo do desencadeamento da revolução científica. Os reformistas pregavam que uma forma de se apreciar a existência de Deus era através das descobertas na ciência e por isto estas foram incentivadas, proporcionando uma propulsão ao desenvolvimento da revolução científica.
Finalmente, o hermetismo selou a revolução, na medida em que representava um conjunto de ideias quase mágicas, mas que exaltavam a concepção quantitativa do universo, encorajando o uso da matemática para relacionar grandezas e demonstrar verdades essenciais. A difusão da matemática criou um ambiente propício para o desenvolvimento de um método científico mais rigoroso e crítico, o que modificou a forma de fazer ciência.
Não é necessário enumerar as consequências deste período na história da ciência. Todos os grandes desenvolvimentos posteriores talvez não tivessem sido possíveis sem a reestruturação científica. Como toda revolução, esta não ocorreu de maneira isolada ou por motivos próprios, mas foi consequência principalmente de uma nova sociedade imbuída em novas ideias.
Grandes nomes Isaac Newton Suas descobertas durante o século XVII guiaram os estudos da física pelos 200 anos seguintes; Por trás de fenômenos aparentemente banais construiu a base de teorias revolucionárias; Nasceu em 25 de Dezembro de 1642, em Woolsthorpe, na Inglaterra; Em 1661, com 18 anos, ingressa na universidade de Cambridge, estudou matemática e filosofia; Em 1668, depois de idealizar as leis de reflexão e refração de luz, construiu o primeiro telescópio reflexivo; Em 1669, assume o cargo de professor de matemática na universidade de Cambridge; Em 1672, é convidado para a Real Sociedade Britânica; Em 1687, publica “Princípios Matemáticos da Filosofia Natural”, o famoso “Principia”, em que descreve as leis da gravidade e dos movimentos; Em 1696, é nomeado Guardião da Casa da Moeda; Em 1705, ele recebe um título de nobreza da rainha Anne e passa a se chamar Sir Isaac Newton; Em 1727, ele morre, no dia 20 de março e é enterrado na abadia londrina de Westminster, na Inglaterra.
Galileu Galilei Viveu entre 1564 e 1642; Criticava Aristóteles dizendo que “A tradição e a autoridade dos antigos sábios não são fontes de conhecimento científico” e que a única maneira de compreender a natureza é experimentando; Achava que fazer ciência é comprovar através da experiência; Dizia que “o livro da natureza é escrito em caracteres matemáticos”; Foi acusado, pelas autoridades, de ser inimigo da fé. Foi julgado pelo tribunal do santo ofício, a Inquisição. Ele reconheceu diante dos inquisidores que estava “errado”, para poder terminar suas pesquisas. Segundo a lenda, ele disse baixo: "Eppur si muove", ou, “mas ela anda”, ou seja, que a Terra não é um ponto fixo no centro do universo. A história de Galileu é um exemplo célebre de como a violação à liberdade de opinião das pessoas pode ser altamente prejudicial ao desenvolvimento das ciências.
René Descartes Viveu entre 1596 e 1650; Demonstrou como a matemática poderia ser utilizada para descrever as formas e as medidas dos corpos; Inventou a geometria analítica; Sua obra mais famosa chama-se “discurso sobre o método” (1636). Nela, Descartes procura nos convencer que o raciocínio matemático deveria servir de modelo para o pensamento filosófico e para todas as ciências; Uma das frases mais célebres da história do pensamento filosófico é: "Penso, logo existo". Ele acreditava que dessa verdade ninguém poderia duvidar. O raciocínio matemático é baseado, principalmente, na lógica dedutiva, em que nós partimos de uma verdade para encontrarmos outras verdades, ou seja, que uma verdade é consequência da outra.
Outros cientistas
Francis Bacon (1561 a 1626) Mostrou a importância de um método de experimentação que reduzisse os equívocos tanto do intelecto quanto da pura experiência, aliando o melhor de ambos para a aquisição dos conhecimentos científicos. Defendeu o método indutivo nas ciências.
Nicolau Copérnico (1473 a 1543) Mostrou que o sol fica no centro do sistema, mas, achava que a órbita da terra era uma circunferência perfeita, o que era errado, mas, o alemão Kepler (1571 a 1630) o corrigiu, mostrando que a distância da terra e do sol é variável, em forma de elipse.